Sim, Senhor.

43 Capítulo 43


Notas iniciais
E aí pessoal ! Como vocês estão ? Espero que esteja tudo certo e tranquilo com vocês :D Vou dedicar esse capítulo para aniversariante Pams ! Desejo somente boas energias para você ♥ Queria poder dedicar um capítulo mais feliz e harmonioso :( Mas sem delongas ! Boa leitura.

As mãos de Stella estavam inquietas e geladas. Ela e o seu patrão haviam tido uma breve conversa mais cedo e até agora ela estava digerindo todo o assunto. Maggie estava de volta a Las Vegas e segundo ele, precisaria de todo o apoio naquele momento. O supervisor não quis entrar em detalhes, mas sabia que Maggie o faria o mais breve possível.

A casa estava vazia. Jason e Emma estavam na escola. Beth iria atender um pedido de Grissom e levar Emma para passear pelo centro de Las Vegas. Ainda não era a hora para a caçula reencontrar com a mãe e Beth ainda não se sentia confortável com toda a história. Grissom tinha ido trabalhar pela manhã naquele dia, pois queria ter o restante do dia livre.

Estava sentada no sofá da sala quando viu um carro amarelo aproximando-se da porta de entrada. O seu coração disparou e ela precisou de alguns segundos para se recompor. Sempre soube que aquela hora chegaria.

O soar da campainha ecoou pela sala.

— Olá, Stella. — Maggie estava parada na entrada da sua antiga casa. A sensação de lar e conforto a dominou instantaneamente. Com os olhos marejados e os pensamentos acelerados, aceitou o abraço cheio de afeto de sua governanta. — Meu anjo, que bom te ver de novo.

— Eu sempre soube que você voltaria. — A médica era um pouco mais alta que Stella, então a senhora ficou envolta nos braços esguios dela. Maggie fez um leve carinho nos cabelos brancos e bem alinhados de sua velha amiga. — Entre, essa casa ainda é sua.

O olhar de Maggie vasculhou cada canto daquela casa. Por mais que Grissom tivesse falado que o tempo não tinha parado para esperá-la, dentro do seu lar tudo estava igual. Os móveis, a decoração e o aconchego. Caminhou lentamente até o aparador e pegou um porta-retrato, ela mesmo havia escolhido aquela foto.

Era o primeiro dia de Emma em casa e Jason estava muito animado e curioso com a nova moradora. Ela havia conseguido capturar o exato momento que o menino dava um delicado beijo na bochecha de sua irmã recém nascida.

— Me diga, eles mudaram muito ? — Seus olhos já estavam marejados e sua voz embargada. A saudade que ela sentia não cabia dentro do peito.

— Jason está um homem lindo, cada dia mais parecido com Grissom. — Sorriu ao lembrar-se da doçura do rapaz dos cabelos cacheados. — Emma está falante e mais esperta que nunca, a presença dela consegue encher essa casa inteira.

— Eu não vejo a hora de poder abraçá-los novamente e viver ao lado deles. Não teve um dia sequer que eu não tenha pensado neles. — Devolveu o porta-retrato ao devido lugar. — E você, meu anjo, como está ?

— Tirando os problemas, apenas soluções. — Elas riram da divagação da governanta. Mas na realidade, a médica percebeu como o tempo tinha passado para ela. Os cabelos brancos e as rugas de expressões indicavam que o seu braço direito dentro daquela casa merecia um descanso. — Ainda não estou conseguindo acreditar que você esteja aqui.

— Tive muito medo que isso não fosse acontecer.

Maggie sabia que Stella tinha diversas perguntas e merecia uma resposta. Aliás, ela fazia parte de sua vida e tinha uma enorme consideração por ela. Um pouco antes de partir, precisou seguir uma cartilha recomendada por Alana, ela não podia deixar pontas soltas se quisesse que todos ao seu redor ficassem em segurança.

— Eu sei que você tem perguntas e estou disposta a sanar todas ela.

— Não agora, Maggie. Eu sei que você está muito nervosa com esse momento. Grissom me adiantou o mínimo sobre os últimos acontecimentos, mas eu prefiro que você esteja tranquila para conversar com o seu filho.

— Você não sabe o quanto me deixa confortável todos esses anos só em saber que era você que estava aqui cuidando da minha família. — A senhora secou as lágrimas que deslizava no rosto corado da médica. — Obrigada por tudo.

— Faria tudo novamente !

As duas trocaram mais um breve abraço e Stella repassou um recado de Grissom, que ela aguardasse em seu escritório. A intenção era ter uma conversa entre pai e filho a sós, antes que Jason se encontrasse com Maggie. Grissom não queria que o rapaz sofresse o impacto de frente, sua intenção era despressurizar antes.

A casa não havia sofrido grandes modificações, mas reparou que não havia mais fotos expostas no corredor que dava acesso aos quartos. Talvez a intenção da sua família era apagá-la de suas respectivas memórias. Sentiu o peito doer só em pensar nessa possibilidade.

Aproveitou o tempo e matou a sua curiosidade de entrar nos quartos. O quarto de Emma era praticamente o mesmo. No entanto, os seus desenhos feitos de tinta e lápis de cor estavam espalhados na parede próxima à escrivaninha. Sua filha caçula havia aperfeiçoado os traços e os desenhos estavam mais realísticos.

Não conseguiu reprimir o impulso e pegou uma blusa que estava sobre a cadeira. Levou o tecido colorido até o rosto e fechou os olhos com o cheiro infantil. Emma seria a sua eterna bebê.

O seu coração dava saltos em seu peito. Era surreal estar ali novamente. Ela aprendeu a reprimir o seu medo de nunca mais voltar para a casa. Durante o tempo que assumiu a identidade de Melinda Paterson, não poderia dar-se o luxo em pensar como Maggie Woolf. Mas tinha dias que era simplesmente impossível não sentir saudades de casa.

Parada na porta de seu filho, por ali havia tido uma mudança radical. Os posters de esportes haviam dado lugar para as bandas prediletas dele. As prateleiras que antes exibiam troféus e medalhas de eventos esportivos, tinham dado lugar para uma infinidade de livros. Sentiu mais medo ainda daquela conversa.

Quando ela saiu de casa seu filho era um rapaz.

Agora ela precisaria lidar com um homem.

Terminou o seu pequeno tour e foi para o escritório a pedido de seu marido. Por ali nada de diferente. Era uma área de utilidade da casa. Grissom mantinha aquele escritório para quando precisava trabalhar em casa. Sentou-se no pequeno sofá e começou o processo para controlar a ansiedade.

Jason abriu a porta de casa e entrou como um furacão. Ele estava no encalço de seu pai, mas ainda não havia tido a oportunidade de conversar. A imagem dele e de Sara se beijando não saia de sua cabeça naqueles últimos dois dias. Ele confiava demais em Sara e aquilo havia sido como um soco no plexo solar, jamais esperava uma atitude como aquela. Seu pai era um homem casado, e ele começou a desconfiar que a ideia de Sara estar ali como uma suposta babá para ele e sua irmã, não passava de uma estratégia do seu pai em manter a amante por perto.

— Ei, Jay ! — Stella surgiu animada na sala mas o seu semblante mudou imediatamente quando viu o rapaz chegando até a escada com passos duros e o cenho cerrado. Alguma coisa tinha acontecido. — Jay !

Ele ignorou a governanta e foi direto para o seu quarto. Trancado lá dentro, andava de um lado para o outro tentando organizar os seus pensamentos. Além de estar irado com seu pai e Sara, tinha tido uma briga feia com Mackenzie por causa daquela situação. Para a sua namorada não era justificável ele agir daquela forma.

Jogou-se na cama e respirou fundo. Ele já imaginava que a briga com o seu pai seria enorme, mas ele não queria aquilo. Mas era impossível manter a sanidade sabendo que o seu pai tinha uma amante e ele confiava nela como uma amiga. Era uma dupla traição. Sentia-se um enorme idiota.

Grissom chegou em casa e encontrou Stella reflexiva enquanto o seu olhar estava perdido pela janela. Provavelmente ela não havia percebido que ele estava ali e levou um pequeno susto quando o supervisor tocou em seu ombro.

— Está tudo bem, Stella ? — O primeiro pensamento dele era que ela ainda estava digerindo a história de Maggie.

— Oi, Gil. Me desculpe, não vi você chegando. — Balançou a cabeça levemente para afastar de seu devaneio. — Maggie já chegou. Fiquei muito feliz em revê-la. — Abriu um sorriso tímido em lembrar da médica dos olhos cor de mel. — Jason chegou e está em seu quarto.

— Ótimo. — Prendeu o ar nos pulmões. Era imprevisível o que ocorreria dali pra frente e isso o assustava. — Stella, vamos precisar de um pouco de privacidade. Eu não faço ideia de como será lá em cima.

— Não se preocupe, Gil. Eu devo estar mais nervosa que você, mas desejo muita sorte.

Ele piscou para a senhora que o surpreendeu com um breve abraço. Tinha uma dívida enorme de gratidão com ela. Pouquíssimas pessoas sabiam, mas Stella já enxugou suas lágrimas. Uma noite ele estava na cozinha tomando um copo de água para tentar engolir toda a angústia que sentia desde a partida de Maggie. A água não produziu nenhum efeito e o seu choro saiu desesperado. Ela acordou com o soluço do choro dele.

Naquela madrugada, ela o embalou como uma criança.

Grissom subiu as escadas mas exitou antes de falar com o Jason. Rumou em direção ao seu escritório, deu duas batidas na porta e abriu. Encontrou Maggie sentada em sua cadeira folheando algum relatório.

— Catherine ainda tem problemas com subordinação ? — Ela ergueu a cabeça quando viu o seu marido parado na soleira da porta. Sabia que ele estava assustado com a presença dela, não o culpava por isso. — Sua amiga é uma das mulheres mais incríveis que eu conheço.

— Ainda temos atritos para saber quem deve liderar. — Ele trancou a porta atrás de si e puxou uma cadeira. Sentou-se de frente para ela e passou a admirá-la. Seu coração dava voltas em seu peito e ele precisava entender o que estava acontecendo.

— Eu estou muito feliz por ter reencontrado os meus pais. A reação deles foi um misto de susto com incredulidade. Acho que eu nunca vou esquecer o olhar deles quando me viram. — Ela abriu um discreto sorriso e fechou o relatório e deixou de lado. — Eu nunca senti um abraço tão revigorante na minha vida, parecia que os dois me remontam por dentro.

— Como eles reagiram ao motivo ?

— Eu não quis entrar em detalhes. Nossos pais não são mais jovens, mas eu os deixei ciente do caso. Não sei como eles vão absorver toda a situação. Espero que o fato de eu estar bem e viva sobressaia ao fato de ter sido ameaçada.

Ela tinha razão. Se todos queriam seguir em frente, deviam pensar daquela forma. O culpado de tudo aquilo seria punido em breve e ela estava ali segura novamente.

Maggie ficou em silêncio observando Grissom. Tinha um fato que rondava a sua mente desde o primeiro encontro. Ele não usava mais aliança e aquilo era um sinal para ela, e somado às indiretas que seu pai havia dado, imaginava que existia algum motivo para a jóia não estar mais em sua mão.

— Heather ? — Ela levantou a mão esquerda e apontou para a sua própria aliança. Grissom retraiu o corpo e engoliu a seco. Maggie era direta e suas perguntas não faziam curva. Ele fechou a mão e instintivamente escondeu. — Será que no fundo as provocações de Virginia e Robert estavam certas ?

Ele recusou a responder a pergunta. Balançou a cabeça em negativa e levantou-se. Não estavam ali para discutir aquela situação agora e na realidade, um plano um tanto quanto insensível estava correndo em sua mente. Sara estava se mudando para outra cidade e por mais que o seu coração trabalhasse em função dela, naquele momento ele via-se obrigado a estar com Maggie.

Saiu do escritório e rumou em direção ao quarto de Jason. Não tinha preparado nenhum discurso e contava com a maturidade dele para enfrentarem aquilo juntos. Duas batidas na porta e o rosto nada amistoso do rapaz apareceu na porta.

— Precisamos conversar. — Limitou-se a falar enquanto entrava no quarto. A porta foi batida com um excesso de força desnecessária e aquilo o deixou um pouco irritado. Aquele não era o Jason de dois dias atrás.

— Precisamos mesmo ! — A voz saiu um tom mais alto. Ele tinha a mesma dificuldade de seu pai: escolher as palavras para iniciar uma conversa. Levou a mão espalmada no rosto e Grissom viu os olhos do filho escurecer. — Desde quando você e a Sara estão juntos ?

Grissom sentiu os joelhos tremerem e uma corrente elétrica percorrer por todo o seu corpo. A sua respiração ficou descompassada, mas ele logo tratou de controlar. A sua mente parecia ter sofrido um apagão.

— De onde tirou esse absurdo ? — Fez um esforço para ter a sua voz firme, não podia exitar de forma alguma.

— Resposta objetiva. Sim ou não ? — Deu um passo e ficaram frente a frente. Grissom podia sentir o peso do olhar de seu filho e aquilo o deixava ligeiramente desconfortável. Precisava pensar rápido.

— É claro que não, Jason. Quem inventou esse absurdo ?

— Eu desconfiava que você fosse covarde, mas mentiroso me deixou surpreso. — Havia muito desdém na sua voz. Ele estava carregado de rancor e Grissom não conseguia reagir.

— Quem inventou esse absurdo, Jason ? Será que você não está ouvindo o que está falando ?

— Cadê a sua aliança ? Achou que eu não ia perceber que você não usava mais ? — Soltou uma risada irônica e desviou o olhar para a janela. Não queria ter que chorar naquele momento. — A mente ficou pesada ?

— Jason ! — Ele gritou com ele. Já era o suficiente, não iria escutar tamanhas barbaridades vinda de uma das pessoas que mais amava em sua vida. Imaginava que aquela história era algum envenenamento vindo da parte de Robert. — Chega ! Chega !

— Pai, não ofenda a minha inteligência. — Balançou a cabeça em negativa e sentou na cadeira resignado. Seu pai podia negar o tempo que fosse necessário, mas nenhuma justificativa seria capaz de apagar o que ele viu. — Eu não fui influenciado por Robert. Eu vi vocês dois juntos.

A boca de Grissom ficou seca. Sua mente trabalhou em um ritmo frenético para tentar entender onde isso poderia ter ocorrido. Uma tela gigante de erro surgiu na sua cabeça. Jason sustentava o olhar com muita confiança, não era um blefe.

— Eu sei que você não quer perguntar, mas eu respondo. — Deu de ombros. — Foi no pub, no dia da formatura dela. Se eu não tivesse sido irresponsável, não teria encontrado vocês e provavelmente vocês iam continuar nos enganando por muito tempo.

Só coube o silêncio. A mente que era conhecida por ser brilhante, o deixou na mão. Não conseguiu elaborar uma defesa para si.

— Você achou de bom tom trazer a sua amante para dentro da nossa casa ? — Jason tombou a cabeça sobre o ombro e ficou observando o seu pai. Ele o havia acertado em cheio mas pouco se importava.

— Eu gostaria que você ainda me tratasse com respeito. — Grissom estava de pé próximo ao seu filho. Ainda estava tentando elaborar uma estratégia para ter aquela conversa.

— Pai. — Mais uma risada irônica.- Respeito ? E por acaso você teve respeito por mim e a minha irmã quando resolveu trazer a Sara para cá ?

— Jason, eu acho que esse não é o momento certo para termos essa conversa. — Precisava retornar para o motivo dele estar ali. Maggie estava no cômodo ao lado à espera de seu filho. — Em outro momento conversamos sobre isso.

— Precisa de um tempo para elaborar uma mentira, né ? — Balançou a cabeça em negação. — Precisa de tempo para combinar a mentira com a Sara ?

— Jason, esquece a Sara. Se você precisa descontar a sua raiva, faça isso comigo. O errado nessa história toda fui eu.

Fechou os olhos com força. A cada vez que precisava repassar o seu relacionamento com Sara o seu peito apertava mais. Estava em meio a um fogo cruzado: de um lado uma mulher que largou tudo para poder proteger a sua família e do outro lado uma mulher que conseguiu remontá-lo.

— Uau ! Ela realmente conseguiu te encantar. — Jason ficou de pé e começou a aplaudir a fala do pai. Sabia que o seu pai odiava ironias e isso estava evidenciado no rosto em chamas dele. — Sara é uma mulher adulta e sabia muito bem o que estava fazendo. Não me venha com esse papo de que ela era uma vítima indefesa e você o lobo mau da história.

— Chega ! — Grissom aproximou-se de Jason e praticamente sussurrou a sua última fala. O relacionamento entre ele e Sara poderia ser tortuoso, mas isso não dava ao seu filho o direito de tratá-los daquela forma. Se alguém tivesse que sofrer as consequências daquela escolha, seria ele. — Eu não vou permitir que você use esse tom de voz comigo. Eu não te devo satisfações da minha vida, mas mesmo assim eu estou disposto a ter um diálogo de homem para homem com você.

— Não converso com covardes.

— Jason ! — Grissom agarrou os braços finos de seu filho. Só ele sabia a força sobrenatural que estava fazendo para não cometer uma besteira. Ele sabia que o jovem estava o testando, mas ele não iria ceder naquele momento. Seu mundo já estava desabando de diversas formas e ele não precisava empurrar mais um pilar. — Você não vai conseguir me tirar do sério. — Fechou os olhos e respirou fundo. — Deixe essa história de lado porque ainda temos algo muito mais importante para conversar.

— E o que seria ?

— Sua mãe. — Engoliu a seco e olhou no fundo dos olhos de Jason. Não conseguiria manter nenhum diálogo com ele. — Sua mãe está de volta a Las Vegas.

— Como é ? — Jason desvencilhou das mãos de Grissom e foi em direção à porta. Ele sentiu a cabeça girar e parecia que o seu corpo não respondia ao seu comando. — Isso é uma brincadeira de mal gosto ?

— Eu jamais brincaria com isso. Eu vim aqui justamente para tentar amenizar essa informação, mas você estava muito compenetrado em me desmoralizar. — Grissom colocou as mãos na cintura e suspirou. Precisava se recompor. — A sua mãe está no escritório.

Jason apenas absorveu a última fala e saiu em disparada do seu quarto. O seu coração batia com muita força contra o seu peito. Sua mãe estava de volta e ele não conseguia pensar em nada a não ser poder reencontrá-la. Abriu a porta do escritório e encontrou com ela de costas para a entrada.

Ela ainda continuava linda.

O mesmo cheiro de infância estava presente naquele local.

— Mãe ?! — A sua reação saiu como um grito. Quando Maggie virou em direção a voz, foi impossível os dois conterem as lágrimas. Jason não sabia o que estava acontecendo com ele, mas estava chorando copiosamente parado a porta.

— Jay ! Olha como você cresceu. — Maggie logo tratou de desfazer a distância entre eles, mas Jason exitou e deu um passo para trás. Ele não conseguiu se desfazer da mágoa tão facilmente.

— O que está acontecendo aqui ? — Jason olhou para trás e viu o seu pai parado atrás dele. Não entendia o que estava acontecendo. Sua boca tinha um sabor amargo e sua cabeça parecia estar anestesiada. — Alguém me explica o que está acontecendo aqui ?

Grissom havia perdido as contas de quantas vezes seu filho mais velho havia elevado a voz. Jason era uma pessoa pacifista, mas quando se viu encurralado não sabia lidar com a situação. Sabia que ele estava desesperado.

— Temos muito o que conversar, Jay. Mas antes eu queria poder te dar um abraço, você não faz ideia do tamanho da saudades que eu estava sentindo.

Jason não disse nada, apenas recebeu o abraço caloroso de sua mãe. Permaneceu imóvel e encarando seu pai por cima do ombro. Era muita informação para um dia só. Maggie levou uma de suas mãos ao rosto do rapaz e fez um ligeiro carinho em sua face.

— O que te faz pensar que você pode voltar dessa forma e achar que eu vou estar feliz por você estar aqui ? Tudo está desmoronando mas ainda estamos muito bem sem você.

— Jason, por favor. — Foi a vez de Grissom intervir. Sabia que boa parte daquela defensiva era consequência da conversa entre eles. Maggie já estava machucada o suficiente para ser tratada daquela forma. — Deixe a sua mãe falar.

Jason limitou-se a encarar seu pai com desdém.

Maggie sentiu que o clima entre os três estava muito tenso e achou melhor não incendiar aquele momento. Seu filho tinha razão para estar agindo daquela forma, essa também foi a reação de seu marido. Era um exercício de paciência e ela levaria todo o tempo para convencer e explicar para o seu filho.

— Jay, eu imagino que eu devo estar no topo da sua lista de pessoas que você odeia.

— A disputa está acirrada, mas a depender das suas desculpas você pode manter o seu lugar no topo.

Maggie lançou um olhar para Grissom mas ele parecia perdido demais para defendê-la. Respirou fundo e esperou que o seu filho calasse. Havia pensado em omitir alguns detalhes de toda a história para ele, mas ele estava irredutível e impenetrável.

— Jason, eu nem sei como iniciar toda essa história porque tudo o que eu fiz foi na intenção de proteger e blindar todos vocês. Eu quero que você me ouça sem me interromper, assim como eu fiz com o seu pai. Se no final de tudo você achar que eu estou mentindo, vai partir o meu coração, mas eu vou entender.

Stella estava apreensiva na sala. Andava de um lado para o outro e a todo momento olhava para a escada em busca de alguma pista. Entre os seus dedos segurava um terço que carregava desde muito nova e naquele momento buscava alguma intervenção divina. O som da campainha a fez desviar o foco.

— Robert e Virginia ! Entrem. — Ela não se lembrava de Grissom comentar sobre a visita de seus sogros, mas lembrou-se que agora que Maggie estava de volta, ela também comandava aquela casa.

— Você viu que a nossa menina está de volta, Stella. Eu estou tão feliz que eu não quero ficar longe dela mais nenhum minuto.

O semblante de Virginia e Robert estava visivelmente mais leve e tranquilo. Robert parecia mais destravado e sereno. Só ele sabia o quanto sofreu com a ausência de sua filha mais velha. Destruiu mundos por ela e continuaria fazendo.

— Ela está no andar de cima conversando com Jason e o Gil. Estou aqui rezando para que tudo dê certo entre eles.

— Já deu minha querida. Finalmente essa família vai se restabelecer. Vai ser uma questão de tempo.

Robert ouvia tudo em silêncio, queria ter a fé que sua esposa tinha. Sobrava inocência para Virginia e Stella, pois ele sabia muito bem que tudo aquilo estava sobre uma corda bamba e qualquer movimentação traria todos ao chão novamente.

— Mãe, como assim ? Como esse homem entrou na nossa casa e ameaçou você dessa forma ? — Jason não conseguia conter as lágrimas escutando todo o relato. Sua mente fervilhava e sentia que teria uma síncope a qualquer momento. — Por que você não gritou ou chamou o tio Brass para resolver tudo isso ?

— As coisas não são simples assim, Jason. — Grissom respondeu com o olhar baixo. A cada vez que precisava ouvir os relatos de Maggie sentia-se a pior pessoa do mundo. Ele devia ter evitado toda aquela situação. Era um dos melhores peritos do país e não conseguiu resolver um caso que envolvia sua família.

— Você sabia disso tudo ? — Jason virou furioso para o seu pai. Se tinha motivos de sobra para estar extremamente irritado com ele, aquele foi o estopim de tudo. — Você sempre soube que a minha mãe foi embora para nos proteger e mesmo assim deixou que eu e a minha irmã a odiasse.

— Ele não tem nada haver com isso, Jay. — Maggie entrou na frente do seu filho. Nunca havia visto daquela forma. — Seu pai não sabia de nada.

— Como não, mãe ? Ele trabalha junto a polícia. — Jason tentou novamente se aproximar de Grissom mas Maggie o conteve com a mão no peito. — Era obrigação dele ter evitado tudo isso. Ele não é o maioral reconhecido na área dele ? Não é isso que esses prêmios nessa prateleira dizem ?

Jason alcançou um quadro de reconhecimento de trabalhos prestados que Grissom havia recebido da prefeitura de Las Vegas e atirou ao chão. Conseguiu alcançar outros objetos e jogar ao chão. Grissom precisou intervir novamente, apenas com um olhar afastou Maggie e segurou o rapaz pelos os braços.

— Isso vai parar agora ! Sua mãe foi bem enfática em te responder que eu não sabia de nada, mas você insiste em me centralizar como o causador desse problema. Eu me sinto um merda por saber dessa história depois de 3 anos, mas eu não sou o culpado de tudo isso.

— Claro que é ! Eu sempre estive certo ao seu respeito. Ninguém aguenta conviver com você. Se a minha mãe tivesse te abandonado eu entenderia a justificativa dela. Você é covarde, Grissom.

Se Grissom tivesse levado um soco no rosto teria doído menos que aquelas palavras. Sua respiração ficou pesada e não tinha mais força em seu corpo. Abriu suas mãos e se afastou de Jason, ficou de costas para o rapaz e só percebeu que estava chorando com sentiu as lágrimas quentes deslizarem em seu rosto.

Maggie não estava entendendo aquela situação, mas sabia que existia algo além. Jason também chorava sentado ao chão, estava desolado. Aquela conversa havia tomado rumos que ela não tinha planejado. Agachou-se para tentar acalmar seu filho.

Quando sua mãe se aproximou, ele pode ver as cicatrizes feitas por MontBlanc mais de perto e aquilo despertou a sua fúria de uma forma incontrolável. Fechou os olhos e viu o seu pai beijando Sara e automaticamente imaginou todo o sofrimento de sua mãe.

Das quatro pessoas que ele mais confiava

Tinha certeza que três haviam o apunhalado pelas costas.

Jason abriu furioso a porta do escritório e desceu correndo as escadas. Sua visão estava turva devido as lágrimas que começavam a cair. Quando viu Stella sentada no sofá conversando com os seus avós, ele não pensou duas vezes.

— Você sabia de tudo ! Você sabia de tudo. — O rapaz gritava e apontava o dedo em riste em direção da governanta. Todos se assustaram com a atitude dele. — Vocês estavam mentindo para mim.

— Céus, Jason. Sobre o que você está falando ? — A senhora levantou de sobressalto e tentou se aproximar, mas ele deu um passo para trás.

— Eu não aguento mais tanta mentira. — O choro do rapaz era agoniante. Seu peito pulsava a cada soluço que ele dava. — Eu te amava como uma mãe.

— Você está me deixando assustada. O que está acontecendo ? — Stella estava desesperada com a atitude agressiva do menino.

— Você foi condizente. — Novamente ele gritou. Seus avós tentaram se aproximar mas ele repeliu qualquer movimentação. — Eu estou me sentindo um enorme idiota por ter acreditado em vocês. — Apontou para a governanta e para o seu pai que já estava na sala.

Sara entrou pela porta dos fundos e assustou-se com o berros de Jason. Lembrou do último episódio em que ele tinha ficado desequilibrado daquela forma. Entrou na casa e foi direto para a sala.

— Jason ! Que atitudes são essas ? Eu não estou te reconhecendo ! — Mesmo tentando afastar sua mãe, Maggie deu um passo à frente e o segurou pelos ombros.

— É melhor você perguntar para ela o que aconteceu. — Jason havia captado a presença de Sara por sua visão periférica. Desvencilhou das mãos de sua mãe e foi em direção de Sara. — Eu acho que você e o meu pai tem muito o que falar.

Sara estava atônita. Nunca havia sido tratada de uma forma tão rude e irônica pelo o rapaz, mas a sua mente havia parado no exato momento em que o seu olhar cruzou com o de Maggie.

Ela estava de volta e tudo começou a fazer sentido.

Saiu do seu devaneio quando escutou um novo grito de Jason.

— Responde, Sara ! — Ele socou a parede e Sara contraiu o corpo. Nunca tinha sentido medo por estar perto dele.

— Chega, Jason ! — Grissom estava cego de raiva. Ficou no meio de Jason e Sara e empurrou o menino para trás. O seu filho ainda tentou medir força, mas ele foi mais ágil e conteve a investida. — Eu já disse para você parar.

— Tira as suas mãos de mim ! — Com um rápido movimento, conseguiu livrar-se das mãos de seu pai. — Eu quero distância de vocês.

A família Woolf estava completamente rendida a respeito do assunto. Virgínia estava de pé e tentava acalmar Stella, a médica reparou que ela estava hiperventilando e teve medo que ela desmaiasse.

Robert observava tudo de longe e tinha quase certeza sobre o que aquela confusão se tratava. Lançou um olhar irônico para Sara e depois recompôs a sua seriedade.

— Jason, de uma vez por todas. O que está acontecendo ? — Maggie elevou o tom de voz. Precisava colocar um fim naquela loucura.

— O que aconteceu… — Ele soltou uma risada irônica e direcionou o olhar para Sara. — O que aconteceu é que enquanto você esteve fora nos protegendo, meu pai, com a ajuda da Stella, achou de bom grado trazer a amante dele para morar aqui em casa.

Se uma bomba nuclear tivesse caído naquela sala naquele exato momento, teria causado menos danos do que aquela revelação.

O olhar de Stella para Sara era avassalador. A senhora não conseguiu segurar as lágrimas quentes e entrou em estado de negação.

Tudo o que ela mais temia estava acontecendo.

Sara sentiu o seu corpo trabalhar em desarmonia. O seu coração pulsava tão rápido que tinha medo que ele partisse. Seus pés haviam sido concretizados no chão, por mais que a sua vontade fosse de sair correndo.

— Isso é verdade, Sara ? — A voz de Stella saiu como um sussurro. Ela desvencilhou dos braços de Virgínia e foi caminhando em direção a Sara. As lágrimas de Sara e o olhar desesperado de “sua menina” já estampava a verdade. — Você foi capaz de fazer isso ?

— Claro que foi, Stella. E você sabia de tudo. — Jason olhou decepcionado para a governanta. — Seu teatro não me convence.

— Ela não sabia de nada, Jason. — Sara não desviava o olhar de Stella. A forma como ela estava encarando era dolorosa demais. Ela sempre soube que corria muito risco estando ao lado de Grissom, mas achava que poderia contornar aquela situação. Talvez estivesse cega. — Não coloque a Stella nessa posição.

— Fui eu quem te coloquei aqui, Sara. Eu te amo como uma filha que eu nunca tive e você me recompensa dessa forma ? — Stella sentiu-se tonta mas conseguiu manter firme. Ainda tinha mais algumas coisas para falar.

— Parem com isso, por favor. — Grissom que estava quieto ainda se recuperando da última bordoada, uniu o restante de dignidade que ainda lhe restava para defender Sara. — O errado nessa história sou eu.

— Ora, Grissom. Não venha querer bancar o herói. Vai me dizer que seduziu uma jovem indefesa que não sabia que você era casado ? Eu sempre achei muito estranho todo esse envolvimento. — Foi a vez de Virginia destilar o seu veneno. Ela amparava Stella que estava muito agitada

Sara olhou para Grissom e viu o quão arrasado ele estava. O supervisor tinha o olhar vago, mas mesmo assim eles se encararam. Ele sentiu um aperto no peito ao ver o olhar assustado de Sara, as coisas não deviam tomar aquele rumo. Eles não mereciam ser expostos daquela maneira e muito menos ela passar por essa humilhação.

— Sara, como você pode fazer isso ? Quantas vezes eu alertei sobre essa proximidade de vocês. — Stella conseguiu se soltar dos braços de Virginia e voltou a caminhar em direção à morena.

A babá desviou o olhar de Grissom e voltou a atenção para a governanta. Stella era a última pessoa do mundo que ela queria decepcionar. Ela não conseguiria explicar que tudo o que tinha acontecido entre ela e Grissom tinha ocorrido de uma forma orgânica.

— Stella. Esse assunto neste momento não vai nos levar a lugar algum. Não é necessária toda essa exposição porque não vamos chegar a uma solução. — Grissom parou próximo a Stella e a governanta sequer lhe dirigiu o olhar. — Vamos encerrar essa discussão.

Grissom lançou um olhar fulminante para Robert. Sabia que ele estava se divertindo às suas custas e a de Sara. O supervisor estava fazendo um esforço sobrenatural para não perder a linha e acertar alguns socos na cara do médico. Mas ele não jogaria gasolina na fogueira.

— Você está sendo a minha maior decepção, Sara. Como você conseguia se deitar com esse homem e no dia seguinte levar a vida de uma forma normal. — Novamente a tontura e dessa vez a governanta não conseguiu se manter em pé. Se não fosse pela a agilidade de Grissom ela teria caído no chão.

Todos correram para tentar acudir a senhora que estava nos braços de Grissom. O supervisor sacudia delicadamente o corpo pesado e Stella piscava os olhos com força tentando recuperar o seu foco e visão. Estava tudo turvo e ela sentia o corpo muito fraco.

— Ei Stella, sou eu Maggie. — A médica agachou-se ao lado de Grissom e tocou a testa da governanta. Ela estava gelada. — Vamos te levar para o hospital e vamos verificar o que está acontecendo.

Virginia correu até a governanta e verificou a sua pulsação. A senhora estava pálida e o seu pulso fraco. Suspeitava que poderia ser uma queda abrupta de pressão ou uma síncope nervosa, mas apenas exames seriam capazes de confirmar o seu prognóstico.

Foi tudo muito rápido. Stella estava começando a recobrar a sua consciência, o que facilitou o deslocamento até o carro de Robert. Grissom e Jason auxiliavam a governanta até o veículo, que a passos lentos e fracos sentou-se no banco de trás.

— Eu vou junto ! — Sara falou impositiva enquanto Maggie terminava de colocar o cinto de segurança na senhora. Stella era a sua única família e não ficaria tranquila estando longe dela naquele momento.

— Você não vai a lugar algum. — Maggie impediu a passagem de Sara com o seu corpo. Pela a primeira vez as duas se encararam de perto e os olhares não eram nada amistosos. — Stella vai precisar de paz e repouso.

Notas finais
Agora o barraco desandou ! Vai ser só troca de farpas daqui pra frente. Maggie já chegou dando um belo chega pra lá na Sara E ainda vamos ver os desdobramentos da relação entre Grissom e Sara... Ainda tem mais umas confusões pela frente. Quero agradecer a todos que estão comigo até hoje ! Obrigado pelo o carinho e paciência ♥ Fiquem bem e se cuidem !