Sim, Senhor.

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Olá pessoal, como vocês estão? Como vocês já podem imaginar a vida está uma correria danada, estou terminando meu curso então junta projeto e uma infinidade de provas. Por isso a demora para a postagem, aliás eu perdi as contas de quantas vezes eu reescrevi esse capítulo. Galera, gostaria de bater um breve papo antes de iniciar. Venho observando que a frequência de postagem de fics vem caindo bastante aqui no Nyah, sei que a vida anda corrida para todo mundo mas gostaria de mandar muita energia boa para todos que escrevem (principalmente), depois do fim do seriado eu acho lindo o trabalho que nós escritores fazemos em manter vivo a memória dos nossos personagens. Por isso torço que em breve possamos ter o Nyah movimentado novamente ♥ Que dure o tempo necessário nossos hiatos mais espero do fundo do coração que possamos todos voltar. Boa leitura.

“Brincando com fogo

Você sabe que vai machucar alguém hoje à noite”

Las Vegas, 5 anos atrás

As fotos projetadas em uma enorme parede e a penumbra na sala de evidência permitia que Grissom pudesse vislumbrar os detalhes daquele assassinato sórdido: O assassino executava suas vítimas e retirava seus órgãos e no mais alto requinte de crueldade os substituia por órgãos de suas vítimas passadas, completando o seu trabalho deixava um bilhete com uma caligrafia impecável perto do corpo: Conexão finalizada.

Raramente Grissom deixava-se envolver com seus casos, ele era apenas um cientista e seu pagamento o obrigava racionalizar mas aquele em particular o deixava intrigado. Com os olhos fechados e o som ligado, deixava que Lacrimosa de Mozart o fizesse estar fora daquela sala, queria entender a cabeça do seu serial killer. Se fez presente na cena do crime mas, divagava entre ser um espectador de tanta crueldade e aprendiz astuto. Imergido na cena do crime, imaginava os primeiros passos do assassino: Sua vítima fora encontrada impecavelmente sentada em uma cadeira de hotel encarando a janela e o seu bilhete sobre a mesa. Grissom esticou a mão para poder sentir a pele gelada do cadáver, com a ponta de seu dedo percorria a dimensão da incisão do tórax do defunto.

“Precisão cirúrgica”

Em sua mente a informação que a vítima não havia sido topada surgiu, teria ele algum poder sobre suas vítimas ? Caminhou mais alguns centímetros e agachou-se o suficiente para encarar o homem mediano que ainda tinha os olhos abertos, o suplício de alguém que morreu em vão o fez arrepiar.

Enquanto permitia-se analisar a cena sem suas luvas de látex, sentia que cada vez mais perdia a ligação com a cena do crime, a missa fúnebre composta por Mozart ia cada vez mais se distanciando de seus ouvidos e sua imagem ia cada vez mais ficando retorcida. Como se quisesse guardar a imagem em sua mente, lentamente ele foi abrindo os olhos e retornando para liberdade.

— Me desculpe, senhor Grissom. Chamei você algumas vezes mas me parecia concentrado em algum outro momento. — A mulher com os longos cabelos pretos e olhos cinzas aproximou-se e esticou a mão. — Alana Herson, detetive da polícia de Chicago.

— Gilbert Grissom, supervisor e perito. — Ele apertou a mão da policial com cordialidade. Alguns dias antes Ecklie havia o comunicado que a polícia de Chicago também faria parte da investigação, anos anteriores o assassino havia feito 12 vítimas na cidade e longas investigações foram inconclusivas até o serial killer sumir por 2 dois. — Mesmo modus operandi?

Alana virou-se e encarou a projeção, a vítima sentada na cadeira com o olhar vidrado na janela parecia ser apenas mais uma pessoa comum que cruzou a vida de MontBlanc,

— MontBlanc parece ser o mesmo, nada de novo em suas cenas. Corpos perfeitamente costurados e limpos, exames toxicológicos negativos e esse maldito bilhete. — Virou-se e viu o olhar de interrogação do supervisor. — MontBlanc é um nome interno que eu e minha equipe apelidamos os assassino.

— Achei que tivesse fugido algo. — Levantou-se e parou ao lado da policial, havia perdido as contas de quantas vezes tinha analisado as fotos que ele mesmo tinha tirado da cena, seu olhar afiado ainda estava em busca de alguma falha. — Algum motivo em especial para o seu serial killer ter reaparecido ?

— Isso é uma visão extraoficial- Ela riu e balançou as mãos. — Mas acho que esse filho da puta devia estar entediado ou ele acha que ainda precisa transmitir mais alguma coisa. Essa coisa de conexão finalizada. — Enquanto falava ela fazia aspas no ar. Grissom reparou em como ela gesticulava. — Tem algum teor filosófico, Mont não é só um psicopata.

— Se isso não se tratar de um copycat em breve teremos um outro corpo para analisar. — Concluiu Grissom em meio de um veraneio. Olhou para Alana que ainda permanecia observando as imagens.

— Vocês tem alguma linha de investigação ou apenas suposições ?

Grissom estreitou os olhos e mordeu o canto da boca, não tinha gostado do tom de voz de Alana. Qualquer informação acrescentada era útil ao caso, não aceitaria que a oficial fosse descontar suas frustrações por terem deixado a identidade do assassino sem um rosto e principalmente um nome.

— As evidências ainda estão em processo de análise, o legista já liberou o corpo para os familiares e nesse instante estava lendo as anotações de sua equipe. — Ele deu de ombros e indicou os papéis sobre o teclado do computador. — Você não precisar estar aqui para fazer o papel do Xerife.

— Opa ! — Ela ergueu as mãos com a alfinetada do supervisor. — Não estou aqui para isso e nem disposta, me desculpe, Gilbert. Esse caso significa muito para mim e principalmente mexe com sentimentos que estavam adormecidos por anos. Sei que odiamos quando outro jurisdição entra em nossos departamentos e não é a minha intenção ser a cabeça do caso. Se isso for obra do Mont ele é todo seu.

Judy havia dado o recado que sua esposa o estava aguardando em sua sala, olhou em seu relógio e conclui que Maggie estava no final do seu plantão. Agradeceu a secretária e foi até a sala de convivência servir-se de uma generosa xícara de café, a caminho do seu escritório pode ver a silhueta de sua esposa através da persiana; ela observava alguns dos seus quadros com insetos.

— Finalmente vai se interessar por entomologia? — Parou na soleira da porta e pendeu a cabeça em seu ombro, bebeu um pouco do seu café e fechou a porta atrás de si. O sorriso de Maggie iluminou a sua sala sombria. Com poucos passos suas bocas se encontraram em um rápido beijo. — Qual o motivo da visita?

— Meus pais estão indo para Nova York visitar a minha irmã e querem levar Emma e Jason com eles. Robert e Virgínia já avisaram que não vão aceitar um não como resposta. — Ela pegou a xícara da mão de seu marido e finalmente recebeu a atenção dele.

— Minha resposta é não! Emma ainda é muito pequena para viajar sozinha e quando trata-se de Jason seus pais desconhecem a palavra limites.

A médica sentou-se na mesa perto de seu marido, com a xícara esquentando entre suas mãos ela pensava em um modo de suavizar toda a situação.

— Querido, não existe motivos para se preocupar ! Meus pais sabem cuidar muito bem dos nossos filhos e seria uma ótima oportunidade para Carol ter mais contato com eles. Pense pelo menos antes de decidir. — Ela colocou a xícara sobre a mesa e afagou sua bochecha lisa, sorriu vendo a sua testa franzida e as mãos inquietas tamborilando o braço de sua cadeira. — Veja o lado bom disso, vamos ganhar um fim de semana só nosso.

— Querida, que golpe baixo ! — Grissom abriu a boca incrédulo, pegou uma de suas mãos e depositou um beijo sobre a face dela. — Vamos pensar em uma solução em que seja o melhor para todos, tudo bem ?

— Claro, Gris. Mas… meus pais já estão com as passagens aéreas compradas. — Maggie exitou em contar a verdade e seu marido reagiu exatamente como ela imaginava, Grissom levantou-se da cadeira e pôs as mãos na cintura, depois de longos segundos levou a mão com força ao seu queixo. — Não precisa surtar, amor.

— Maggie já tivemos diversas conversas com seus pais a respeito disso. Eles não podem assumir os nossos papéis. — Suspirou fundo e fechou os olhos quando abriu viu que Maggie tinha um sorriso moleca estampado. Era totalmente apaixonado no jeito leve que ela encarava as situações; aproximou-se e beijou-lhe sua testa. — Tenho certeza que Jason não se cabe mais em ansiedade para essa viagem.

— BINGO ! — Ela disse alto sendo repreendida por Grissom longo em seguida, ele segurou o seu rosto entre suas mãos e balançou a cabeça em negativa. — Pense com carinho, tudo bem ? — Sorriu novamente e dessa vez foi acompanhada pelo o supervisor. Duas batidas na porta e Grissom olhou para trás, não existia privacidade nas dependências do departamento.

— Desculpe interromper, Gilbert. — Alana abriu a porta e colocou apenas a cabeça dentro da sala. — Estou indo ao serviço funerário da nossa vítima, me acompanha ?

— Encontro você no estacionamento. — Os dois assentiram e a policial fechou a porta. O supervisor foi até a sua gaveta e pegou a chave de sua Denalli, pegou a sua jaqueta apoiada na cadeira e sentiu o olhar pesado de sua esposa em suas costas. — Conversamos em casa ?

— Gilbert Grissom, sempre me surpreendo em como você é prestativo com as mulheres. — Usou um tom sarcástico e mordeu o lábio inferior. Ela não queria provocar uma crise de ciúmes mas apenas provocar. Desceu da mesa e deixou a xícara ali mesmo.

Ele a encarou de cabeça aos pés e balançou a cabeça, tinha severas dificuldades de entender o lado sarcástico de sua esposa. Aquilo era uma alfinetada com um misto de humor ácido.

— Alguma expectativa que o nosso assassino possa estar no velório?

— Não sei, Gilbert. Depois de 2 anos o Mont pode ter mudado alguma coisa no seu modo de agir, estou disposta a me agarrar em qualquer evidência.

— Por favor me chame apenas de Gil ou Grissom, não há necessidade de tanta formalidade. — Ela sorriu e concordou. — Não quero que crie expectativas mas não temos certeza se esse crime foi praticado pelo o seu serial killer.

— Eu tenho certeza, Gil. — Ela balançava a cabeça inconformada com toda aquela situação, podia quase ouvir a risada do assassino ecoando dentro do carro. Parados no sinal o supervisor virou o rosto e encarou a oficial, de olhos fechados e com o antebraço apoiado na janela ela parecia exausta. — Me analisando ?

— Não...Não. Você está bem ? — Tentou sair pela tangente.

— Apenas cansada. O sinal abriu. — Ela apontou para avenida e logo em seguida alguns carros buzinaram atrás deles e o resto da viagem foi feita em completo silêncio.

A capela onde o corpo estava sendo velado era afastada do centro iluminado de Vegas. O local luxuoso estava repleto de pessoas que alternavam entre a capela e o vasto jardim, Alana antes de descer do carro puxou sua arma do coldre e conferiu o tambor.

— Trouxe sua arma ?

— Não costumo ir em serviços funerários armado. — Gil estava assustado com a policial, ela parecia estar determinada em gastar até as suas últimas energias naquele caso. Alana guardou a sua arma no coldre e fechou a sua jaqueta, estava disposta a por um fim naquele caso, tentou abrir a porta do carro mais foi impedida. — Por que ainda está trancada? Estamos perdendo tempo.

— Me escute por favor. Você conhece essa caso em todas as suas peculiares e anomalias, você sabe que não estamos diante de um amador e muito menos de uma pessoa sem conhecimentos técnicos ou seja Mount não é burro. — Suspirou fundo e a imagem de seus dedos deslizando sobre a incisão veio a mente. — Mount é discreto o suficiente e precisamos ser assim também. Realmente acredita que vamos ter uma perseguição policial depois de tantos crimes?

Alana abaixou a guarda e concordou com o perito, mesmo tendo anos de profissão em alguns casos ainda era guiada pela a emoção. Encarou através do vidro o local cheio e tentou identificar algum rosto conhecido ou até mesmo algum lampejo de esperança. Por fim Grissom destrancou o carro e ambos foram em direção a capela, a cerimônia religiosa ainda não tinha começado e isso permitiu que andassem livremente por toda a extensão do espaço.

— Parece que Dustin era realmente importante.

— Pelo o folhetim era um produtor de sucesso em um canal de televisão.- Grissom acabava de ler o papel com as informações do falecido e os agradecimentos feito pelo os familiares. — Parece que vamos ter um grande evento aqui hoje.

Os dois sentaram-se ao fundo da capela em lados opostos, queriam dividir as atenções. Grissom olhava os rostos desconhecidos em busca de alguma evidência, o olhar de desespero e dor dos familiares era facilmente reconhecido, os amigos e conhecidos mantiam um peso de susto e revolta. O reverendo falou algumas palavras de conforto antes da esposa de Dustin subir ao púlpito e emocionar algum dos presentes. Após acompanharam o cortejo fúnebre até o jazigo da família, com os mesmos olhares atentos os dois retornaram ao carro

— Grande perda de tempo. — Conclui Alana batendo a porta do carro.

Las Vegas, dias atuais

As luzes neons que invadiam o quarto acariciavam a pele de Grissom, lentamente seus olhos foram abrindo-se, não era acostumado acordar com claridade em seu quarto sempre era uma penumbra, independentemente da hora. Olhou para janela e logo a memória da noite anterior veio a mente, virou-se e encontrou Sara dormindo tranquilamente. Com os braços sobre o seu peitoral e o nariz perto do seu pescoço, ele acomodou-se de uma forma que Sara pudesse continuar a dormir tranquilamente.

Levou uma de suas mãos ao cabelo de Sara e fez uma afago carinhoso e com a outra mão desenhava as linhas do rosto dela. Ela lentamente despertou e logo ele tratou de sussurrar em seu ouvido que ainda estava muito cedo e que devia dormir por mais tempo.

Relógio na parede do quarto marcava 03:47 da madrugada. Ele mesmo não fazia ideia do horário que tinha chegado ali. Em silêncio com os seus pensamentos afastou a ideia de arrependimento, com uma mulher como Sara que dormia profundamente em seus braços não devia ter aquelas idéias.

Que arrependesse no amanhecer do dia mas não naquele momento.

Aos poucos ele foi sucumbindo ao sono novamente, aconchegou-se mais ao corpo dela e voltou dormir porém dessa vez mais profundo e pesado. As horas na madrugada estenderam de forma lenta e suave deixando que os dois revitalizaram os corpos entrelaçados.Grissom foi o primeiro a acordar, calculando cada movimento para a morena não despertar, varreu o quarto com olhar em busca de suas peças de roupa.

Ganhou o corredor da casa e jogou-se no sofá da sala, encarou a porta por longos segundos e deu-se conta que não se lembrava dos seus últimos passos. Uma sensação de liberdade invadiu o seu pensamento e um sorriso discreto surgiu em seu lábios. Descalço e com sua blusa de botões abertas, foi procurar alguma coisa para restabelecer as suas energias, revirando os armários de Sara encontrou algo que não fazia parte do seu cardápio matinal: Uma garrafa de whiskey pela metade.

Colocou a bebida em um copo e sorveu o líquido de uma vez só.

— Bom...dia. — Sara apareceu na cozinha, com o rosto encostado na soleira da porta o observava. vê-lo desgrenhado e desarrumando portando as suas roupas sociais mostrava a ela um lado mais que desconhecido, não sabia se aquilo era o mais próximo que conseguiria chegar do verdadeiro Gilbert Grissom. — Procurando algo que lhe causa amnésia ?

— Não ! — Ele levou a mão a boca e a deslizou sobre o seu queixo, a verdade que ele queria um choque de realidade e um motivador para encará-la quando acordasse. — Não me interprete mal, por favor.

— Relaxe, foi apenas uma brincadeira. — Ela ergueu as mãos e ele abriu um tímido sorriso, quase sem graça. Não queria ter sido pego no “flagra”. — Vou preparar alguma coisa para comermos.

Grissom assentiu e passou ao lado dela, desconfortável e sem jeito ainda não tinha encontrado uma forma de reagir. Já Sara abriu a geladeira em busca de algo que pudesse comer, seus dotes culinários não permitiria que fosse uma refeição nutritiva, agradeceu internamente por ter ido ao hipermercado antes mesmo de voltar para o seu apartamento. Quatro fatias de pão com geleia de morango e um café forte (especialmente o dela: café com whiskey).

— Especialidade da casa ! — Colocou o prato sobre a mesa e sentou-se do lado oposto ao Grissom. Com as pernas cruzadas na cadeira ela saboreou o primeiro pedaço de sua torrada em silêncio mas ao levantar o olhar encontrou seu chefe a encarando. — O que foi? Não vai comer ? — Ele apontou para os lábios dela indicando que havia um pouco de geleia, com o dorso da mão limpou e deu de ombros.

— Vou sim.- Balançou a cabeça positivamente e tomou uma golada do café que estava extremamente forte, sua boca contorceu em uma careta engraçada.

“Sara Sidle, cozinha não é o seu forte”.

— Não precisamos tocar no assunto se você não quiser. — Ela terminou de comer a sua primeira torrada quando falou, sabia que Grissom estava totalmente desconfortável com todo aquele confronto.

— Você fica linda enquanto dorme.

Pressionando seus lábios um contra o outro, Sara não soube como reagir ao comentário, a idéia que em algum momento ele estava velando pelo o sono dela a fez sentir um arrepio agradável pelo o corpo. Ainda encarando o prato com algumas migalhas de pão, ela tomou mais uma dose do seu café ligeiramente “batizado”. Levantou o olhar e encontrou com o par de olhos azuis dele ainda a observando.

— Não precisamos denominar nada, se assim for mais confortável para você. — Ela disse enquanto ele concordava veemente.

Sem rótulos e sem apego.

Grissom olhou em seu relógio de pulso e assustou-se com o horário, olhou para Sara e deu-se conta que passaram muito tempo dormindo. Seus corpos precisavam descansar em todos os aspectos: físico e mental. Calado, ele arquitetava diferentes maneiras de lidar com aquela situação tendo vista que a mulher sentada à sua frente era figura presente na rotina de sua família, não era um homem habituado com a causalidade dos momentos e o descarte dos sentimentos. O sentimento que nutria pela jovem não era amor mas era longe de ser apenas um tesão. Sua última experiência em manter relações com pessoas que conviviam no mesmo ambiente quase arruinou sua vida.

— Não quero que você pense que eu saio agindo assim com qualquer mulher.

— Grissom, você realmente vai ficar se desculpando pelo o que aconteceu? Somos adultos, temos consciência de nossos atos e outra coisa: se isso aconteceu é por que eu também quis.

— Você tem razão. — Ele terminou de beber o seu café, a verdade era que ele precisava estar sozinho para poder entender o que tinha acontecido. — Eu acho melhor eu ir embora, se não for nenhum problema para você.

— Grissom, lembre-se : Sem rótulos. Não sou sua namorada, esposa ou amante.

Ele assentiu e pediu licença para ir ao banheiro, lavou o rosto e finalmente se recompôs. Suspirou fundo e ao voltar para sala já não encontrou Sara ali, olhou para trás e viu a porta do quarto dela fechado, havia entendido o recado. Pegou suas chaves e saiu dali ganhando as ruas, precisava estar em casa para estar em paz consigo mesmo.

Em casa e sozinho, Grissom foi para o seu quarto para poder descansar antes mesmo do seu turno começar; escolheu roupas confortáveis e tomou uma ducha revigorante. Devido ao calor optou por usar uma regata branca e uma bermuda de tecido leve, deitado em sua cama e sozinho com os seus pensamentos uma sensação de vitória pulsava em seu peito.

Depois de alguns anos após a partida de Maggie ele finalmente fez as engrenagens da sua vida rodar novamente. Olhou para o lado na cama e não se incomodou de estar sozinho naquele cômodo, havia experimentado a liberdade e o seu corpo implorava por mais.

Las Vegas, 5 anos atrás

Brass corria apressado no corredor do laboratório, corria da figura do Xerife que já estava no encalço dos seus pés com essa história, tinha recém encontrado a quarta vítima e a onda de temor só aumentava, Mount — como tinha sido apelidado pela polícia de Chicago — não tinha um padrão ou seja, qualquer cidadão era uma vítima em potencial.

— Grissom, trago más notícias. — O capitão abriu a porta e encontrou o supervisor dando uma bela de uma mordida em seu sanduíche. — Notícias indigestas.

Com o dedo anelar limpou sua boca e deixou o seu lanche de lado, indicou a cadeira a sua frente. Tinha noção de qual seria o assunto daquela conversa, suspirou fundo e inclinou seu corpo sobre a mesa.

— Achamos a quarta vítima. Jackpot ! — Brass entregou a foto para o perito. — Você e a Alana partem ainda hoje. Se saírem ainda a noite vão evitar o sermão do Xerife que por sinal está furioso com vocês.

— Pode ter certeza que estou tão furioso quanto ele. Fazem semanas que eu não sei o que é ter uma boa noite de sono e ter alguma refeição em família. — Grissom pegou o sanduíche e balançou no ar, aquilo era a sua segunda refeição no dia. — Tenho tempo de ao menos ir em casa buscar uma mala de roupa ?

— Só não deixe o Xerife sentir o rastro de vocês. — Brass pegou o lanche de Grissom de sua mão e finalizou em uma única bocada. — Boa viagem.

O supervisor ainda cuspiu alguns palavrões quando Jim saiu da sala mas nenhum teve o efeito de amenizar a sua ira. Pegou o seu celular que estava em seu bolso e ligou para a sua parceira, comunicou sobre a vítima e compartilharam da mesma raiva e desespero. Aquele seria o terceiro final de semana consecutivo que o caso atrapalhava a sua vida.

Quando chegou em casa encontrou o lugar vazio, sua esposa provavelmente estava na casa de seus sogros com os seus filhos. Correu para o seu quarto e arrumou sua mala de forma rápida e prática pois sua intenção era permanecer na cidade do máximo dois dias para análise da cena do crime.

— Olha só quem acabou de chegar e parece que já vai sair. — Enquanto descia as escadas Maggie abriu as portas acompanhada das crianças. Sua esposa segurava Emma no colo e apontou a mala que ele levava. — Viagem não programada, querido?

— Estou de partida para Jackpot ainda hoje.

— Mais uma vítima? — Ela sussurrou enquanto Jason correu para abraçar o pai. Parado no meio da escada enquanto bagunçava o cabelo do rapaz ele meneou a cabeça em afirmativa.

— Não vamos poder viajar com você, pai?

— Dessa vez não, Jay. Devo voltar em dois dias e o local que eu vou não tem nada de atrativo. — Seu filho deu de ombros e fez uma careta engraçada, o supervisor desceu as escadas e foi de encontro a sua esposa. — Prometo voltar logo, eu não aguento mais esse caso.

— Eu sei, querido. — Emma quando viu a aproximação de seu pai prontamente esticou os braços delicados em sua direção. Grissom deixou a sua mala no chão e pegou a caçula no colo, beijou-lhe a bochecha e segurou a sua delicada mão. — Sei que eu sou repetitiva mas tome cuidado.

— Claro meu amor. — Voltou a atenção para Emma que brincava com sua barba sem aparar. — Estado não me paga o suficiente para bancar o herói.

— Pelo o visto o estado não está te pagando nem o suficiente para cortar os cabelos. Griss, eu nunca vi você com o cabelo tão grande ! — Ela começou a gargalhar e Emma acompanhou sem ao mesmo saber qual era o motivo das risadas. Grissom levou a mão ao cabelo e os puxou para cima, seus cachos esticaram e só então pode ter dimensão.

— Quando toda essa confusão acabar prometo que vou voltar a ser o Gilbert Grissom de antes.

6 horas e 57 minutos de viagem.

Para ser preciso.

Precisaram sair ainda de madrugada para não encontrem com o Xerife feroz e espumando raiva pelo os corredores do departamento. Alana sentia sua adrenalina correndo solto em suas veias, aquilo era o seu instinto e sentia que estava perto de solucionar todo o caso.

“Você em algum momento vai deixar um vestígio aparecer”

— Tenho medo dos seus pensamentos, Alana.

— Esse filho da puta vai errar em algum momento e tenho certeza que vai ser agora. E não me venha com esse papo de cientista que isso é apenas uma devaneio meu.

— Vou confiar no seu feeling de policial. Meu voto de confiança.

— Sabe que às vezes eu te acho muito prepotente.

— É por que você não convive 24 horas comigo, ia ver que sou prepotente o tempo todo.

— Devo conviver pelo menos 20 horas com você. — Ela desviou a atenção da estrada escura para dentro do carro, o supervisor estava atento a estrada e segurava o volante com firmeza, usava um boné preto com as iniciais do laboratório e uma jaqueta da mesma cor. — Então posso falar com propriedade que você tem os seus momentos de lucidez e humildade.

Grissom mordeu o lábio inferior para segurar a risada e a policial notou isso, ele tinha um charme muito peculiar e as longas horas de convivência a fez ficar expert nesses detalhes.

O supervisor afundou um pouco mais o pé no acelerador e a sua parceira abriu o seu vidro, o vento correndo livremente no interior do carro e trazendo a brisa fresca fez que ele fechasse os olhos por breves segundos — aquela highway permitia isso — abriu os olhos e encontrou Alana o encarando, com o dedo indicador girando perto de sua têmpora a policial o chamou de louco. O celular do supervisor começou a tocar e rompeu o momento descontraído, pegou o aparelho e suspirou fundo com o nome no visor.

Gilbert tenho péssimas notícias. — A voz do capitão era nitidamente penosa, sentiu seu peito dar um nó esperando a fala do homem. — Parece que o assassino deixou um recado para você.

— Como assim, Brass? — Ligou a seta e parou no acostamento. Alana tirou o cinto e virou-se para o supervisor, pela a sua expressão soube que algo de grave estava acontecendo. — Pare de mistérios e me fale logo — verbalizou imperativo.

— O assassino acabou de deixar uma mensagem para você no laboratório. Esse maluco deixou um CD e um cartão idêntico ao que ele deixa ao lado das vítimas. — Grissom pode ouvir ao longe que Brass ligava o aparelho de som, ao fundo começou tocar Lacrimosa de Mozart. — Saudações detetive Alana e Seja bem vindo doutor Grissom.

— Brass mande isso para análise imediatamente. Esse desgraçado está se divertindo com toda essa história. Assim que tiver resultados me ligue de volta. — Desligou o telefone com força e bateu as duas mãos sobre o volante do carro. — Isso está tomando proporções maiores que eu podia imaginar.

— Ele está preparando uma coisa grande para gente, Griss.

Notas finais
Me digam o que acham da Alana ! A ideia dela aparecer na fic já estava programada desde o início só precisava do momento ideal para isso e acredito que em mais dois capítulos vocês vejam tudo o que acontece em torno dela. Aproveitei esse tempinho e fiz uma capa nova ! Desejo a todos uma ótima semana e até a próxima ♥