Sim, Senhor.
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Las Vegas, 5 anos atrás.
Grissom e Alana chegaram em Jackpot nas primeiras horas do dia. Alana já havia entrado em contato com o xerife que disse que os recepcionaria em algumas horas, tendo em vista que ele estava em outra cidade atendendo um chamado.
— Será que essas pessoas não entendem que não podemos perder tempo? — Grissom esbravejou enquanto retirava sua mala e de sua parceira do carro. Parados em frente ao único hotel da cidade, tiveram sorte em ter dois quartos vazios para hospedá-los. — Eu acredito que o Mount ainda está na cidade.
— Esse bilhete foi um convite final, Grissom. Ele quer nos testar pela a última vez — Alana suspirou fundo, com as mãos apoiadas em sua cintura ela deslizava o polegar sobre a coronha da arma. — Ou colocamos a mão nele ou a próxima vítima será um de nós.
Grissom gelou com a suposição de sua companheira. Alana conhecia melhor o serial killer e sabia de toda a sua capacidade.
— Vamos entrar logo. Vou aproveitar para descansar enquanto o xerife não retorna.
Ele indicou a porta para a detetive e a seguiu logo em seguida. O hotel era simples e a julgar pelo os móveis bem antigo. A recepção estava vazia e aquilo deixou Grissom mais irritado ainda.
— Se a cama for tão dura quanto essa poltrona, teremos péssimas noites de descanso. — Disse Alana enquanto sentava-se à espera de um funcionário. Grissom fez uma careta e ignorou a fala da mulher.
Após longos minutos de silêncio apareceu uma senhora que provavelmente seria a dona do hotel. Ajeitando os poucos cabelos grisalhos e ajustando seu crachá de identificação, prontamente dirigiu-se aos policiais.
— Bom dia, me desculpe a demora. Eu estava verificando a cozinha, daqui a pou…
— Precisamos de dois quartos. — O perito interrompeu, já sem paciência. — Preciso que esses quartos tenham uma porta de acesso.
— Eu posso saber qual a necessidade dessa porta de acesso? — Alana levantou-se em um salto e parou ao lado de Grissom. Se ele imaginava que ela fosse precisar estar sob a proteção dele, estava muito enganado. Ela estreitou o olhar e leu o nome da recepcionista em seu crachá. — Violet, nós não precisamos de uma porta de acesso.
— Alana, NÃO! — Ele virou-se para a detetive e encarou de uma forma pouco amistosa. Estava cansado demais para discutir trivialidades com sua parceira. — Vamos precisar e ponto final.
Violet olhava o casal sem entender o que se passava. Uma rápida verificada e ela percebeu que apenas o homem usava aliança.
“Talvez seja um casamento em crise”
— Dois quartos individuais com porta de acesso. — Reforçou o pedido. A recepcionista após conferir no livro a disponibilidade dos quartos entregou as chaves 07 e 08 para a dupla.
— A chave da porta de acesso já está no quarto. — Disse em sussurro mediante a raiva do homem.
Insatisfeita com a situação Alana não esperou Grissom para ir para os quartos, pegou sua mala e subiu as escadas. Ele revirou os olhos e terminou de fazer o check-in.
— Nada que uma boa conversa entre vocês não resolva. — Violet disse enquanto Grissom pegava sua mala, ele balançou a cabeça e seguiu os mesmos passos que sua companheira. A ideia da porta de acesso era exclusivamente a proteção, se Mount estivesse na cidade os observando já saberia onde os encontrar e eles precisavam agir logo.
Ao entrar no seu quarto ouviu Alana trancando a porta de acesso, não iria perder o tempo discutindo naquele momento. Deixou sua mala na poltrona e sentou-se na cama, suspirou fundo e concluiu que a cama devia ser tão desconfortável quanto a poltrona.
“Eu estou completamente destruído”
Internamente agradeceu pela cama não ser confortável — pelo menos naquele momento — foi direto para o banheiro e tomou uma ducha gelada. Não era revigorante como uma noite de sono mas tinha aliviado o suficiente.
Duas batidas na porta e lá estava Alana com o semblante completamente fechado.
— Eu não pedi essa porta para poder te atacar de madrugada. — Ela cruzou os braços e continua a espera do restante da “desculpa”. — Apenas para proteção.
— Não preciso que ninguém me proteja.
— Então mantenha a porta trancada. — Falou enquanto dava as costas, deixando a detetive ainda mais irritada.
Grissom retornou para o interior do quarto e deixou a porta aberta. Diante da sua mala, vestiu-se o seu colete e colocou o boné. Certificou-se que seu óculos de sol estava preso em sua camisa e por fim sua arma.
Detestava aquele artefato mas naquele momento aquele objeto era mais necessário que suas luvas de látex.
Fechou a porta e ambos seguiram até o estacionamento em silêncio. Precisavam se alimentar antes de começar a investigação e por indicação de Violet foram até um restaurante que ficava alguns minutos dalí.
— Parece que somos a atração do lugar. — Sussurrou Alana enquanto eles sentavam-se em uma mesa reservada no final do restaurante.
— Carne nova e fresca. — Concluiu Grissom.
Vários frequentadores do lugar viraram-se para ver a dupla, alguns disfarçadamente os mediam nos pés a cabeça enquanto atravessavam o salão, já outros os olhavam por cima do ombro, sem nenhum tipo de pudor. Uma jovem garçonete aproximou-se e anotou o pedido de ambos.
— Brass comentou se a vítima é dessa cidade ou apenas um turista?
— Nascido e criado em Jackpot, filho de um dos grandes empresários da cidade. Ou seja a cidade toda está esperando de nós uma solução imediata para o crime.
— Será que eles sabem da conexão com o nosso serial killer? — Quando Grissom ia responder a garçonete apareceu com os pedidos. A detetive percebeu que ela prestava atenção no assunto e chutou o pé de Grissom por debaixo da mesa e com o olhar indicou a jovem.
— Será que ela escutou demais ? — Alana indagou enquanto bebericava o seu café. Grissom que estava com a visão para o balcão, viu quando a garçonete cochichou algo com as pessoas que estavam ali sentadas.
— Espero que não. Se a cidade ficar polvorosa com a notícia que um serial killer fez vítimas aqui, vai ser impossível conseguir uma cooperação. Enquanto eles imaginarem que esse crime ocorreu por algum motivo pessoal, vamos conseguir trabalhar em paz.
Terminaram a refeição em silêncio. Os olhares curiosos e pesados deixavam o ambiente praticamente palpável. Alana olhava por cima dos ombros de Grissom em busca de algum rosto conhecido porém, todos eram rostos comuns.
“Vamos lá, Alana. O seu assassino não tem nada de especial. Ele é uma pessoa comum como qualquer outro. FOCO!”
— Você quer comer mais alguma coisa ou já posso pagar a conta?
— Quem disse que você vai pagar alguma coisa para mim? Já estou satisfeita. — Alana colocou a xícara que segurava entre as mãos sobre a mesa e levantou-se em um ímpeto. Alguns curiosos que estavam próximos assustaram com o movimento da detetive.
Grissom balançou a cabeça em negativa. Se Alana continuasse agir daquela forma seria impossível manter um bom relacionamento com a sua companheira provisória. Seguiu os passos e viu quando ela quitou a conta.
Era um pequeno sinal.
Ela que mandava.
...
— Xerife Harlan. Me desculpe pela demora. — O jovem de cabelos ruivos e olhos verdes estendeu a mão para o perito e a detetive — Pedi aos meus oficiais que preservarem a cena do crime. A cidade está em choque com a morte desse rapaz.
— Notou a presença de muitos curiosos aqui? — Alana aguardava a análise inicial de Grissom. O corpo estava coberto com um plástico azul. — Alguém com alguma atitude suspeita?
— Detetive... — O xerife colocou as mãos na cintura e fitou. — Ninguém passa por essa cidade sem estar sob o meu olhar. — Gabou-se mas não surtiu efeito em Alana.
— Ótimo, vamos precisar de todo o seu acervo memorial. Esse caso depende da sua memória fotográfica.
Vitoriosa, saiu de perto da companhia do xerife e foi ao encontro de Grissom. O corpo estava perfeitamente posicionado em uma árvore, os mais distraídos poderiam passar ao lado do cadáver e imaginar que este estava ali apenas descansando. Se não fosse por uma jovem que explorava aquela trilha, dificilmente o corpo do jovem seria encontrado.
O modus operandi estava ali. O bilhete com os dizeres “Conexão Finalizada” estava pendurado no pescoço do cadáver porém desta vez existia uma nova informação.
— Olhe isso. — Grissom entregou o bilhete pardo para a sua companheira.
Conexão finalizada
— Nada de novo, Grissom. Ele sempre deixa esse bilhete.
Falou irritada e devolveu para o supervisor. No entanto, quando Grissom abriu a mão, ela sentiu o corpo estremecer. O objeto era seu, um pingente que havia ganhado de sua avó quando criança: Uma pequena flor de lis prateada.
— Estava pendurado junto com o bilhete. Você reconhece esse pingente ? — Grissom levantou-se e reparou que sua companheira estava pálida. Com os olhos fixos no pingente, ele parecia estar fora de órbita.
— Esse pingente é meu. — Ela olhou para o delicado objeto na palma de sua mão. — Ele estava desaparecido desde que eu cheguei em Las Vegas.
Grissom levou a mão à boca sem acreditar. Mount havia estado no apartamento onde sua companheira estava locada. O assassino era mais ousado que eles imaginavam.
— Você tem certeza que esse pingente é o seu. Tem algo nele que você possa identificar ? — Atento a reação de Alana, o supervisor levou-a para um canto reservado. Delicado pousou sua mão em seu ombro e fez um leve afago. — Calma, eu estou aqui com você.
— Esse pingente é o meu, eu tenho certeza. — Ela tomou o objeto da mão do supervisor e passou analisar ainda mais de perto. Queria encontrar indícios que aquilo não a pertencia. — Como eu não consegui ver que ele estava ao meu lado.
— Não é momento para esses tipos de questionamentos. Preciso imediatamente entrar em contato com o Brass e pedir para ele vasculhar o seu apartamento.
Grissom afastou-se de Alana e a deixou à sós com o seu pensamento. Afastou-se do Xerife e caminhou alguns metros para fazer sua ligação para Brass. Informou ao capitão sobre o objeto pessoal de sua amiga e pediu que ele enviasse imediatamente policiais ao local aonde sua companheira estava hospedada.
— Brass já mandou uma equipe a caminho. Catherine e Nick também estão indo juntos para processar sua casa.
A detetive apenas assentiu ainda atonita com tudo o que estava acontecendo. Mount esteve dentro de sua residência. O assassino podia ter entrado no momento em que ela não estivesse ou foi cauteloso para não ser descoberto.
Ou ele havia estado ali, velando a detetive no seu íntimo.
— Grissom, será que ele decidiu que ainda não era a minha hora de morrer ?
— Você não pode pensar dessa forma. — Ele sentou-se ao lado de sua companheira e retirou o pingente de sua mão. Colocou em um invólucro apropriado e guardou dentro de sua maleta. — Vá para o hotel, vou pedir ao xerife que deixe um policial com você até eu retornar.
— Não ! Eu vou continuar aqui. — Levantou-se e voltou a cena do crime. Alana não queria confessar mas estava amedrontada e não queria se afastar do supervisor.
De longe o Xerife Harlan observava a movimentação dos peritos, aproximou-se de Grissom e perguntou se algo tinha acontecido e o entomologista achou melhor esconder a respeito de quem era o objeto encontrado.
Depois de mais algumas análises e fotos, eles finalmente liberaram o corpo para a necropsia.
De volta ao hotel, a detetive partiu direto para o seu quarto. Precisava ficar a sós com seus pensamentos. Grissom seguiu os mesmos passos, já em seu quarto entrou em contato com Catherine que informou que estavam processando a casa da detetive e garantiu que não sairia dali sem encontrar ao menos uma parcial de digital.
Cansado, ele decidiu tomar um banho antes de sair para comer alguma coisa. Sua mente fervilhava com aquele caso, Mount era realmente uma pessoa inteligente e sabia exatamente como agir. Sentiu um medo correr pelo corpo quando pensou que o assassino também pudesse estar em sua casa.
Saiu do banho e ainda enrolado na toalha decidiu ligar para sua esposa. Depois de duas chamadas perdidas, finalmente Maggie atendeu.
— Olá Dr. Grissom. — Disse com um sorriso largo estampado no rosto.
— Oi, Mag. — Suspirou aliviado ao ouvir sua voz. — Como estão ?
— Estamos todos espalhados no sofá da sala. Decidimos alugar o filme do Harry Potter e aproveitar a nossa sexta a noite. E você ?
— Cansado. Hoje o dia foi bastante puxado e devo ficar em Jackpot por mais um dia.
— Você está bem? Sua voz está tensa.
— Eu estou… bem. Apenas preocupado com o caso.
— Gil, eu sei que você não gosta de nos envolver nos casos mas dessa vez você parece abalado. — Maggie levantou-se e foi até a cozinha, não queria se seus filhos escutassem parte da conversa.
— Caso difícil, xerife cobrando, promotoria no pé atrás de indícios de materialidade. Apenas burocracia.
— Não vou insistir. Não quero iniciar uma discussão.
— Preciso desligar. Cuidem-se.
Click
Na última semana, ele e sua esposa tinham tido uma briga séria. Havia chegado aos ouvidos de Maggie que Grissom estava tendo encontros extra profissionais com uma dominatrix chamada Lady Heather. Grissom sabia muito bem quem havia espalhado tal boato, seu sogro uma noite havia o visto saindo dos domínios. No entanto, diferente das intenções de Robert.
Grissom estava ali apenas pela boa conversa com a mulher. Heather Kessler além de ser antropólogo era uma boa ouvinte e conselheira. Não havia nenhum tipo de tensão sexual entre os dois.
Afastou o pensamento e foi até a sua mala para vestir uma roupa. Escolheu um moletom cinza e uma calça no mesmo tecido preta, vestiu seu par de tênis e penteou o cabelo. Estava faminto e imaginava que sua companheira também estivesse, pegou a sua carteira e saiu do quarto em busca de uma refeição.
Foi até um posto de conveniência e comprou alguns sanduíches e dois copos grandes de café. Retornou ao hotel e foi saudado pela senhora recpcionista que ainda acreditava que a dupla fosse um casal.
Deu batidas na porta e finalmente Alana abriu. A detetive já estava vestida com o seu pijama, provavelmente pronta para dormir. Grissom deu de ombro e esticou a sacola com os sanduíches.
— Pensei que estivesse com fome. Trouxe alguns sanduíches e café.
— Muito obrigada, Grissom. Estou com fome mas não estava animada o suficiente para sair do meu quarto. — Ela abriu a porta e deu passagem. — Quer entrar, podemos comer e discutir sobre o caso.
— Eu acho melhor você descansar. Agora você está emocionalmente envolvida e não sei se vai ser produtivo analisar os casos colocando essa emoção.
— Então entra e me faz companhia enquanto comemos. — Revirou os olhos. Ela viu que ele exitou em aceitar o seu convite e suspirou fundo. — Não se preocupe.
Grissom entrou no quarto da detetive e logo procurou uma cadeira para pode sentar. Estava fora de sua zona de conforto e sentia-se totalmente desprotegido estando ali.
— Nada me tira da cabeça que o assassino me deixou viver. Tem horas que eu fecho os meus olhos e eu sinto o bisturi cortando o meu peito.
— É normal que você se sinta assim. — Ele tomou um pouco do seu café, não se sentiu confortável com a vulnerabilidade alheia. — Eu já passei por isso. Início da minha carreira, eu era CSI nível 2, meu mentor me deu um caso de assassinato no subúrbio de Vegas, o marido tinha assassinado a esposa após ele ter descoberto que ela estava grávida de um outro homem. Resumindo, achei o DNA do homem na arma do crime, tudo bem amador, ele jurou me matar quando saísse da cadeia.
— E como você reagiu a tudo isso ? — Alana que estava sentada na cama, encolheu-se ao ouvir o relato do supervisor.
— No começo eu entrei em pânico, ele era do tipo de homem que cumpria as suas ameaças. Meu supervisor na época me disse que não era para me preocupar com a situação e nem deixasse isso prejudicar o meu trabalho. Alguns anos eu descobri que ele tinha sido transferido para outra penitenciária e não tive mais notícias dele.
— E como você convive com isso?
— Alana, nós não podemos parar a nossa vida por conta disso. Se eu andar com medo de todos os meus passos, quem vai estar enjaulado será eu e não ele.
Ela acabou de tomar o seu café em silêncio, precisava processar toda aquela informação. O seu sexto sentido dizia que Mount estava por perto, sentia o seu olhar o espreitar a todo momento. Achou por melhor não comentar aquilo com o supervisor.
— Bem é melhor eu ir para o meu quarto, preciso descansar. Amanhã eu sei que será um dia longo e pretendo voltar para Las Vegas ainda amanhã. Não sei se aqui ainda tem algo que nos possa ajudar.
— Tudo bem. Posso te fazer uma pergunta ? — Receosa em perguntar, ela não ousava o encarar. Grissom meneou a cabeça positivamente e esperou a pergunta de sua colega. — Você se importa se deixar a porta de acesso destrancada ?
Las Vegas, atualmente.
Grissom estava na casa de seus sogros. Era aniversário de Robert e todos os conhecidos de longo tempo estavam reunidos ali. Médicos, enfermeiros e alguns bons vizinhos estavam reunidos na comemoração.
Era de conhecimento de Stella que ele estava ali a contragosto. A boa convivência que mantinha com Robert era apenas uma fachada para não desmoronar ainda mais a sua família.
Parado na varanda da casa ele permitiu-se sentir a brisa noturno acariciando o seu corpo. Fechou os olhos por breves minutos e abriu quando sentiu uma mão encostando no seu ombro.
— Oi Griss. Trouxe para você. — Carol, sua cunhado entregou-lhe um copo de whiskey. Ele não era dado a bebidas alcoólicas mas as vezes abria uma exceção. — Você está bonito essa noite. — Ela piscou e logo em seguida riu da expressão dele.
— Obrigado.
Como exigido no convite, a festa seria um jantar e o traje seria esporte fino.
“Pura perda de tempo”
Mas como exigido ele obedeceu. Escolheu uma blusa e uma calça social preta, sabia que não tinha como errar.
— Como você está?
— Eu estou bem. — Ele suspirou e bebeu um pouco. Deixou o líquido âmbar descer aos poucos por sua garganta. — E você? Ainda uma cidadão global ou fixou residência?
— Decidi passar uns meses em Las Vegas. Meus pais vinham me cobrando isso a bastante tempo e como eu recebi uma proposta de emprego aqui, eu decidi aceitar.
Carol era a filha mais nova do casal. Tinha um espírito aventureiro e não prendia-se a nenhum lugar e nem em ninguém por muito tempo. O relacionamento dos dois era invejável, Maggie sempre dizia que sua irmã era uma versão feminina de Grissom. Seus gostos e hobbies eram muito parecidos.
— Sua irmã devia fazer o mesmo. Passar alguns meses em Vegas. — Ele foi categórico. Não pensou e nem mediu suas palavras.
Carol o encarou um pouco assustada. Quando conversavam sobre a partida de sua irmã, ela sentia que o supervisor era um pouco mais franco que em relação a outras pessoas. No início ele havia confidenciado que odiava Maggie na mesma intensidade que havia amado um dia.
— Acho que aqui não é o melhor lugar para você ofender a minha irmã.
— Não foi a minha intenção, me desculpe. — Ele terminou a bebida e segurou o copo entre as suas mãos. Balançou a cabeça em negativa e ficou fitando o chão.
— Tudo bem, Griss. — Ela acariciou o seu braço e parou ao lado dele. Ambos estavam encostado no parapeito fitavam a escuridão. — As crianças já aprenderam a reagir com a ausência dela?
— Semana passada, Emma chegou chorando no meu quarto, falando que não se lembrava mais da voz da mãe dela. Como você explica para uma criança de sete anos que isso não é culpa dela.
— Eu sinto muito você ter que passar por tudo isso sozinho. — Ela virou de costas para a escuridão, ficou fitando a festa de seus pais. Robert conversava animadamente com um grupo de homens que parecia rir da fala de seu pai. — Eu sei que muitas vezes Robert e a Virginia agem como tudo isso fosse normal.
— Isso é a pior parte. Eu não consigo refazer a minha vida enquanto eles manipulam para tudo parecer normal. Parece que eles sempre estão esperando a sua irmã entrar pela porta e dizer que está de volta.
— E você não espera por isso ?
Ele ficou em silêncio. A verdade que nos últimos meses, ele iniciou um processo de esquecer sua esposa. Sua família não tinha culpa das escolhas dela.
— Não com a mesma intensidade. — Respirou fundo e virou para encarar a sua cunhada. — Se Maggie entrar por aquela porta nesse exato momento… ela vai ser uma estranha como qualquer outra.
Ela sentiu amargura na fala dele. Ambos ficaram em silêncio novamente.
— Grissom ! Venha se juntar a nós ! — Robert o chamava furtivamente, segurando um copo de cerveja, acena para o seu genro ir ao encontro deles. — Vamos jogar uma partida de sinuca.
Carol assentiu com a cabeça e Grissom foi ao encontro do grupo. Recebeu alguns apertos de mãos e o grupo dirigiu-se até uma sala reservada. O “refúgio” como Robert tinha intitulado o cômodo era composto de uma bela mesa de sinuca, um alvo com dardos ; alguns troféus que Robert tinha acumulado ao longo de sua vida e uma grande televisão.
— Esse refúgio é apenas para jogos lícitos ? — Tod, o ortopedista e velho amigo de Robert, fez o comentário com um tom vulgar. Todos os homens, com exceção de Grissom, caíram na gargalhada. — Ou você deixa isso apenas para os aposentos de Lady Heather ?
— A Dominatrix não estende os seus serviços a domicílio. — Concluiu Scott enquanto encarava Grissom.
O supervisor não entendeu o motivo de ter aceitado o convite de Robert para juntar ao grupo. Levantou-se e sentou em um banco vazio próximo a mesa de bilhar. Cruzou os braços e ficou encarando Scott, que ainda permanecia o olhando.
— Depois se quiserem, eu conheço algumas que fazem atendimento à domicílio. — Dessa vez foi a vez de Josh, um enfermeiro recém formado que havia se manifestado. — Podem usar meu cupom de desconto.
— Elas estão realmente profissionalizando os serviços. — Concluiu Robert enquanto dava a primeira tacada iniciando o jogo.
Grissom preferiu o silêncio. Todos os homens que ele conhecia eram casados, com exceção de Scott e Josh. No entanto, isso não impedia que esses homens tivessem relacionamentos extraconjugais.
James, que era o pediatra de sua filha, confidenciou que mantinha um relacionamento com varias mulheres mais novas. Disse que havia descoberto um site de relacionamento onde mulheres chamadas de Sugar Babies procuravam homens mais velhos que queriam uma boa companhia.
— Você paga essa meninas para te fazerem companhia, James ? — Tod questionou atônito. — Isso você pode fazer com a sua esposa e sai de graça.
— Por um bom preço elas aceitam o sexo também. — Respondeu vitorioso James.
Grissom levantou-se, terminou a sua bebida e decidiu que não ficaria mais ali. Robert que até então apenas analisava o comportamento do supervisor caminhou até o seu lado impedindo a sua saída da sala.
— Qual foi Grissom ? — Ele passou seu braço ao redor do pescoço de Grissom, que pouco gostou da atitude do seu sogro. — Estamos apenas confidenciando a nossa rotina. Depois de anos de casamento isso acaba se tornando uma realidade.
Grissom pensou duas vezes em alfinetar o Robert mas acabou desistindo.
“Eu não tenho mais um casamento”
— Dr. Grissom conhece muito bem Lady Heather. São amigos inclusive.
— Robert, não confunda as coisas. Conheço a Heather por conta de uma investigação e não por frequentar a sua mansão.
— Vai me dizer que você nunca foi dominado por aquela mulher? — James interpelou o supervisor que não gostou nenhum pouco do rumo daquela conversa. Scott permanecia com um sorriso irônico vendo a situação.
— James eu sempre respeitei o meu casamento. Meu assunto com a Heather é estritamente profissional.
— Calma lá, Grissom. Não precisa alterar o tom de voz. O que é falado aqui, permanece aqui. — Disse sorrindo.
Ele desvencilhou do braço de Robert, sabia que ele queria apenas provocar e o colocar em uma situação constrangedora.
— Você devia experimentar então esse site com mulheres mais novas, se você não curtir a sugestão do seu sogro. Ou já que vocês mantêm um vínculo profissional. — Ele fez aspas com o dedo na última palavra.
— Mas ele não precisa de um site para isso, não é mesmo Dr. Grissom ? — Scott levantou-se e foi até a direção do supervisor. Com um sorriso irônico parou ao seu lado e deu duas batidinhas no ombro. — Vocês por que não conhecem a babá que trabalha na casa deles.
— Você é um babaca, Scott. Deixe Sara fora desse tipo de conversa imoral. — Grissom estava ao ponto de perder a paciência com aqueles homens.
— Ora Grissom, vai me dizer que aquela bela jovem dentro da sua casa, nunca despertou nenhum sentimento em você ?
— Robert, eu sou casado com a sua filha! Que tipo de pensamento é esse ? — Grissom deu dois passos em direção a porta mas novamente o braço de Robert estava em seu pescoço, tentou desvencilhar mas o seu sogro o puxou para junto novamente.
— Scott. — Robert fez um sinal com a mão para que ele pudesse aproximar. Rindo, ele apontou para o seu genro. — Ele sabe muito bem que ele não deve ser envolver com ninguém que trabalhe para ele.
— Nem com a deliciosa, Sara Sidle ? — Ironizou o vice diretor.
— Ele já teve uma lição infernal com a… — Robert fingiu que tentava lembrar do nome. Grissom tentava sair daquela situação mas o homem apertava ainda mais contra o seu corpo. O hálito etílico incomodava as narinas do supervisor. — Lembrei ! — Sorriu vitorioso. — Alana !
— Aquela mulher deve ter valido cada lágrima que eu vi a Maggie deixar cair.
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