Sim, Senhor.
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Para o desespero de Grissom, a idéia de realizar uma festa na piscina de sua casa para comemorar o aniversário de Emma havia se concretizado. Depois de inúmeros pedidos de Emma, diversas ligações de sua mãe e conversar com Sara e Stella, ele acabou cedendo os pedidos de todas as mulheres ao seu redor.
Havia partido dele um convite tímido para Sara acompanhá-lo enquanto eles resolveriam sobre os detalhes da festa. Quando Maggie ainda estava ali, era ela quem era a responsável por organizar tudo : convidar os amigos de seus filhos, parentes mais próximos, enfeites e adereços para harmonizar tudo, comida e afins.
Naquele momento ele só tinha uma lista feita por Stella e sua mãe e a companhia de Sara.
Era um fim de tarde que ele estacionou na frente do shopping, haviam combinado de se encontrarem no local. A loja era uma referência de sua sogra, que era tão “festeira” quanto sua filha Maggie, por sorte no dia que ele podia fazer as compras, Virginia estaria de plantão.
Procurou logo um local onde pudesse comprar uma garrafa de água, aquela semana estava absurdamente quente. A temperatura não amenizava nem nas noites, em alguns turnos ele preferia delegar somente os crimes as seus subordinados enquanto ficava no frescor do ar condicionado de sua sala.
Sara avistou Grissom sentado em um banco próximo a praça de alimentação, ele falava ao telefone e mantinha um semblante sério enquanto ele encarava o banner de uma lanchonete, suspeitou que estivesse falando a respeito de seu trabalho e não deixou de sorrir quando se aproximou dele e teve certeza da conversa.
— Capitão, preciso desligar mas me mantenha informado sobre esse caso. Mais uma insubordinação de Catherine e ela vai ter sérios problemas comigo. — Desligou o telefone e ficou de pé ao lado de Sara.
— Não sei o que essa Catherine possa ter aprontado mas não tem necessidade dessa carranca toda. — Ela sorriu, desestabilizando Grissom.
Sara apontou para a testa dele que estava franzida, ainda irritado com toda a história que Brass havia relatado, relaxou sua feição depois da constatação dela. Bebeu um pouco mais de sua água e ofereceu a morena que negou educadamente.
— Vamos esquecer essa história. — Ele apontou para frente e os dois começaram a caminhar em direção à loja. — Não atrapalho o seu dia de folga ?
— Não se preocupe com isso. Estamos aqui por Emma.
Grissom olhou para o lado e sorriu, era encantado pela a forma que ela tratava os seus filhos. Emma era totalmente apaixonado por ela e Jason havia aprendido a gostar e respeitá-la. Sara retribuiu o olhar e o sorriso. Estavam começando a trilhar um caminho perigoso.
A loja que sua sogra tinha indicado ficava no terceiro andar, para o alívio de Grissom o local estava aparentemente vazio. A loja era de uma adorável mexicana com um sotaque bem carregado, ela morava a 26 anos em Las Vegas e toda sua família fazia parte do negócio. Alba quando viu o casal entrando, tratou de logo ir recepcionar.
— Boa tarde e sejam bem vindos. — Alba era uma senhora de 63 anos, baixinha e rechonchuda, tinha uma aura muito receptiva. Sara sorriu de volta mas Grissom permanecia sério olhando por cima do ombro da vendedora. — Em que posso ajudá-los ?
— Estamos procurando alguns enfeites para a festa de aniversário de uma menina de sete anos, você por acaso tem algo relacionado ao tema havaiano e tropical ? Foi uma exigência da aniversariante.
Alba parecia inspecionar algo dentro de sua mente, arquitetou diversos enfeites para a sua nova cliente. Puxou Sara pela a mão e a levou pelo os corredores da loja, a babá surpreendeu-se com a quantidade de produtos que tinha na loja, com certeza encontrariam tudo o que precisavam ali.
— O que acha disso aqui? — Os olhos de Sara brilharam quando a senhora mostrou uma prateleira cheia de cores e objetos, ali tinha muito mais coisas que eles precisavam. A ideia era decorar a parte externa da casa com algumas flores e uma mesa temática. Não queria nada extravagante pois assim como Grissom, Emma também não gostava de coisas espalhafatosas.
—Eu achei tudo isso maravilhoso, acho que vou ter bastante dificuldade em escolher qual desses levar.
— Não se preocupe, leve o tempo que precisar.
Grissom estava no meio do loja mas a sua voz era ecoada pelos corredores, novamente no celular parecia estar furioso. Alda interpelou Sara sobre o que estava acontecendo e ela também não fazia noção do que responder. Voltaram a atenção para a difícil tarefa de separar alguns enfeites.
Um silêncio marcou o ambiente e após o som da pisada forte dele foi intensificando até chegar ao lado das duas mulheres. Alba balbuciou quase inaudível
Sara virou-se e novamente estava Grissom irado com alguma coisa, dessa vez foi ela quem precisou respirar fundo. Era sempre assim, o estopim dele para os problemas do trabalho era mínimo, e Stella havia deixado escapar que ele nunca teve essa personalidade com o seu serviço.
— Está tudo bem ? — Reparou em como a sua respiração estava forte, seu rosto estava vermelho mas ela não sabia se era devido a alta temperatura ou sua raiva. Ela encostou a mão em seu braço, o forçando a encarar.
— Vai ficar. — Ele guardou o celular no bolso e passou a mão na testa. Estava suado e o calor naquele lugar parecia dobrar e intensificar. Abriu dois botões de sua camisa polo e puxou o tecido várias vezes tentando se refrescar. — Em que pé estamos sobre essas compras ?
Alba mostrou alguns enfeites para Grissom que aceitava tudo o que a senhora mostrava, era totalmente leigo sobre aquele assunto e o que queria mesmo era sair logo daquela loja quente. Sara pacientemente separava alguns adereços e colocava em cesto e assim passaram mais vinte minutos.
— Parece que resolvemos a última coisa que faltava. Prometi deixar isso aqui na casa da Virgínia ainda hoje. — Grissom segurava a pequena sacola. Sua sogra iria se responsabilizar pela a organização da festa, embora não pudesse estar presente no dia da compra.- Muito obrigado pela ajuda.
— Não precisa me agradecer. Espero que Emma goste do que escolhemos. — Sara correu o seu olhar pelo o shopping, embora aquele ficasse bem próximo a sua casa poucas vezes ela frequentou ali. Quando Grissom informou o endereço ela desconfiou que a distância com o centro de Vegas e de sua casa fosse proposital para que ninguém os encontrassem juntos.
— Aceita comer alguma coisa ? Ainda tenho tempo antes de ir para o laboratório. Seria uma forma de agradecer pela a sua companhia.- Deu de ombros tentando disfarçar o seu desconforto.
Sara hesitou em aceitar o convite mas por fim acabou cedendo, não havia nada de errado em estarem juntos. Por idéia de Grissom acabaram escolhendo uma singela sorveteria que ficava próximo a uma fonte que jorrava água, diferente dos outros estabelecimentos de Las Vegas, aquele shopping era muito arejado e recebia muita luz solar.
— Obrigado pela a companhia, eu sou totalmente perdido nesses assuntos. Não sei o que seria da festa de Emma se dependesse só de mim. — Grissom levou uma boa colherada do seu sorvete de limão a boca. O cítrico da fruta misturado com a cremosidade do sorvete o fez sorrir por breves segundos.
— Confesso que não conseguiria imaginar você sozinho fazendo esses tipos de compras mas já disse que não é necessário algum tipo de agradecimento.
— Amanhã será um dia intenso, eu chego em casa praticamente no horário da festa e não sei como vou reagir com a casa cheia de crianças dispostas a gastar todas suas energias.
— Você vai sobreviver, tenho certeza.
Sara reparou quando Grissom semicerrou o olho por cima de seu ombro e pela a mudança de feição era alguém conhecido que se aproximava. Ela sentiu quando uma mão apertou o seu ombro e esticou a outra para cumprimentar o seu patrão.
— Que boa surpresa encontrá-los aqui. — Scott voltou a apertar o ombro de Sara e sentou-se entre os dois. Encarou Grissom e Sara com um sorriso cafajeste e alternava o olhar entre os dois. — Não sabia que você tinha costume de frequentar aqui, Gil.
— Precisei comprar comprar algumas coisas para o aniversário de Emma. — Grissom encarava Scott sem entender o motivo do aparecimento do médico naquele local. O que mais estava irritando ele era a forma abusada dele. — E você o que faz aqui?
— Sua sogra me convidou para o aniversário de sua filha, sorte que amanhã é a minha folga. — Ele sorriu e encarou Sara, piscou para a morena e voltou o olhar para Grissom. — Aqui vende o melhor tiramisú dessa cidade, aproveitei para comprar antes de iniciar as minhas consultas.
“Virgínia vai fazer dessa festa um evento.”
Sara estava totalmente desconfortável com a presença do médico a mesa, desde o dia que se encontraram no hospital as atitudes dele estavam estranhas. Retraída, ela achou melhor mexer em seu celular, quis dar privacidade a conversa dos dois homens.
— Foi muito bom reencontrar com vocês mas agora eu preciso ir. Nos vemos amanhã. — Novamente ele esticou a mão para Grissom que apertou ainda encarando o vice diretor, incrédulo. Despediu-se de Sara e novamente piscou para morena que encarou de uma forma pouco amistosa.
“Vá a merda”
— Bem é melhor eu ir para casa. — Sara levantou-se e quase imediatamente Grissom fez o mesmo. Ela segurou a risada com o gesto repentino de seu patrão, assentiu e caminharam até a saída do shopping. — Nos vemos amanhã.
— Você aceita uma carona? Nesse calor, particularmente estou evitando todo e qualquer contato com o sol.
Dirigiram-se até o estacionamento do shopping, assim que entrou em sua SUV tratou de ligar o ar condicionado. Sentada no banco do carona Sara reparou um pouco mais em seu patrão, ela já havia reparado que quando ele se concentrava projetava os finos lábios para frente e semicerrava os olhos, seus braços exposto mostrava o seu músculo firme enquanto segurava o volante e por fim ela admirou a barba que ele recentemente tinha aparado moldando a seu rosto.
Depois de todo um trajeto feito em silêncio, ele estacionou na frente do prédio dela. O barulho do freio de mão, despertou Sara de mais um de seus devaneios.
— Muito obrigada pela carona.- Ela retirou o cinto e respirou fundo, os raios solares começavam a sumir naquele céu alaranjado.- Quer entrar?
Ele sabia que ainda tinha tempo para isso mas não sabia se teria coragem. Seus últimos momentos a sós com ela havia revelado que ele ou eles não conseguiam controlar-se por muito tempo. Por mais que algo dentro dele gritasse e pedisse por mais tempo e atenção de Sara a sua razão funcionava como água mediante o incêndio que ela provocava.
— Posso te oferecer um delicioso copo de água com gelo. — Ela sorriu mediante a brincadeira e ele tentou conter mas foi em vão. Na realidade Sara queria desfrutar um pouco mais da companhia dele, de uma forma um tanto estranha aquele homem por quem ela evitava ao máximo, nos últimos tempos vindo povoando sua mente.
— Eu vou aceitar mas não posso demorar. Ainda preciso deixar essas compras com Virginia antes de ir para o laboratório.
Sara morava no primeiro andar de um prédio simples afastado do centro iluminado de Las Vegas, quando saiu do orfanato aquele lugar foi a sua primeira moradia e até hoje era o melhor lugar que seu salário poderia arcar. A simplicidade imperava no local, inclusive com seus vizinhos com quem ela mantinha uma boa amizade, vez ou outra eles utilizavam o terraço do local para confraternizar.
Ela abriu a porta do apartamento e logo deu passagem para o supervisor. Indicou o sofá para ele e saiu em direção a cozinha, Grissom acomodou-se e ligou um ventilador que estava próximo ao sofá, com os braços apoiados em suas pernas ele observava a sua silhueta na televisão desligada. Sara retornou da cozinha com dois copos de suco em mãos ela entregou um para ele e foi acomodar-se na pequena mesa redonda de sua sala.
— Muito obrigado. — Ele levou o suco de laranja a boca e capturou uma pequena pedra de gelo, engoliu o suco e deixou o gelo dissolver em sua língua. O caminho silencioso que ele percorreu até o apartamento dela não condizia com o barulho de seus pensamentos, ele tinha certeza que o aparecimento de Scott havia sido proposital. — Sara eu preciso te alertar de uma coisa. — Ele disse em um ímpeto,
— Sou todo ouvidos. — Ela colocou o copo sobre a mesa e envolveu na palma de sua mão. Reconheceu o olhar dele, estava preocupado com algo.
— Scott não apareceu naquele shopping do nada…
— Eu sei que isso foi uma cortesia de sua sogra. — Ela interrompeu, não o encarava mas ela tinha certeza que ele buscava o seu olhar. — Não me surpreendeu a presença dele.
— Eu não quero te envolver nisso, você não merece.
Sara levantou-se e sentou ao lado dele no sofá, ela não queria se envolver com tudo aquilo e muito menos trazer algum tipo de constrangimento a família Grissom’s, a intenção nunca foi aquela. Robert e Virgínia rondavam e sondavam aquela casa para garantir que nada saísse do lugar até a volta de Maggie.
Ela tinha certeza que a esposa dele voltaria.
Ele também.
— Vamos deixar tudo isso para lá, ok ? Essa não será a última vez que ela vai tentar te provocar de alguma forma.
— Um dia eu ainda vou perder a cabeça com tudo isso.
— Faz bem ! — Ela sorriu. — Quem sabe quando isso realmente acontecer essas pessoas vão entender que a vida é sua e você vai fazer dela o que bem entender. — Ela bateu levemente em seu braço. Levantou-se novamente e tomou o seu lugar inicial, ele ainda permanecia inerte com o copo na mão.
— Bem, eu preciso ir. Ainda preciso passar na casa dos meus adoráveis sogros para deixar essas coisas que compramos e me arrumar antes de ir para o laboratório. Obrigado novamente pela a companhia e pelo o suco.
A mesma interrogação pairava sobre a cabeça dos dois: Eles estavam iniciando um ciclo de intimidade ou aqueles momentos eram apenas episódios isolados ? A vontade de provar um ao outro aumentava cada vez mais, porém a incerteza da reciprocidade ainda era grande. Ele queria tomar a iniciativa mas temia a reação de Sara.
— Eu queria… — Sentiu-se vulnerável ao questioná-la sobre eles. — Agradecer novamente a sua companhia
…
Para a satisfação de Grissom, na casa de seus sogros estava apenas a empregada da família, entregou para ela os adornos e enfeites para festa e saiu. Precisava passar em casa para tomar um banho e partir para o laboratório e no meio do caminho recebeu uma mensagem de Brass
Catherine e Hank nos colocaram em uma roubada. ENSINE A SEUS CSI’S A NÃO ALTERAREM A CENA DE UM CRIME.
J.Brass.
A ligação de mais cedo era a respeito disso, Catherine tinha inspecionado uma cena em um motel há alguns meses, uma das vítimas havia sido encontrado com vida quando ele havia chegado, rapidamente a perita entrou em contato com a emergência mas Hank e Damien haviam alterado a cena do crime durante o resgate. Na tentativa de retornar com o objeto para o lugar ambos acabaram alterando uma cena e agora a defesa alegava isso no tribunal.
Em casos como aquele, ele já havia dado a ordem que ele precisava ser o primeiro a saber para poder formalizar e anexar aos documentos e evidências. Para piorar toda aquela situação Hank ainda estava envolvido com aquilo, sua raiva fervilhava e a vontade de acertar as contas com o paramédico só aumentava.
No laboratório ele foi direto para o sala de convivência encontrar com os outros CSI’s, apenas Holly não havia chegado. Encontrou Nick na porta e entregou a ele todos os cartões contendo as informações dos crimes a serem investigados, de uma forma grosseira apenas mandou Pancho “distribuir”.
— Catherine, você por acaso está ficando maluca ou entrou no laboratório ontem?
— Abaixe esse tom de voz comigo, Gil. Estou aqui o mesmo tempo que você. — A perita colocou-se de frente para ele e embora sua estatura fosse menor não deixou de olhar no fundo dos olhos. Os outros CSI’s e técnicos estavam parados observando o embate entre os dois. — Não venha querer explanar as minhas merdas aos quatro ventos como você fosse o dono da razão.
— Você tem noção que pode deixar um assassino solto por conta de uma imprudência sua? Já passou pela a sua cabeça? — O tom de voz dos dois estavam acima do normal, a jugular de Grissom pulsava em seu pescoço e a sua respiração pesada demonstrava a sua raiva.
— O problema é a cena do crime ou o Hank está envolvido nisso ? — Catherine estalou a língua, vitoriosa.
Naquela hora ele não sabe como mas expulsou todos os que estavam dentro da sala e mandou os técnicos voltarem ao trabalho. Catherine era a sua melhor amiga e jamais esperava isso da parte dela.
— Que porra é essa, Catherine?
— Isso mesmo Grissom. Você faz de tudo para manter os seus problemas pessoais longe daqui mas não percebe que as pessoas falam de você debaixo do seu próprio nariz. Já faz semanas que o assunto dos corredores é sobre você e Hank. Todo mundo aqui sabe que ele foi na sua casa atrás da babá e você a defendeu.
Encostou-se na mesa por que tinha quase certeza que poderia cair a qualquer momento. Hank tinha passado dos limites mais uma vez, ele fazia isso para provocar. Sabia que a rede que Virginia e Robert tecia tinha como aliado Scott e Hank mas só agora ele dava-se conta da gravidade do problema.
— Catherine, vocês causaram esse problema e vocês dois vão resolver. Ou resolve ou pode passar na minha sala e assinar a sua suspensão por insubordinação.
Levantou-se e não olhou mais para a perita, no fundo sentia-se traído por ela também. Sentia-se sozinho e a sua dificuldade em confiar em alguém aumentava a cada vez. Como ele queria confrontar o paramédico naquele momento mas sabia que não iria responder por seus atos depois.
Encontrou com Nick nos corredores e o texano informou que já tinha distribuído os casos, apenas meneou a cabeça e informou que estaria em sua sala caso precisassem de alguma ajuda na cenas. Trancafiado em sua sala, ele buscou logo o macio estofado de seu sofá; sua vontade era ser engolido por aquele sofá e não precisar sair dali nunca mais.
Gilbert seu sobrenome é problema
Não conseguiria trabalhar naquele dia, olhou para os processos acumulados na mesa e ali eles continuariam. Com os olhos fechados ele tentou se lembrar em como a sua vida já havia sido tranquila um dia, lembrou-se da tarde de verão quando descobriu que Maggie estava grávida de Jason e na forma surpreendente quando Jason anunciou que ela estava grávida novamente.
Foram bons 15 anos de tranquilidade ao lado dela.
…
Ele chegou em casa algumas horas antes do previsto, com a devida autorização do diretor do laboratório ele foi em direção ao seu carro. Sua mente fervilhava com todos os últimos acontecimentos e não tinha condições dele ficar no laboratório. Ao chegar em casa ele encontrou com todos ocupados com a festa, ele mesmo queria era trancar-se em seu quarto.
— Bom dia, Gil. Que horas são ? — Virginia estava de pé em uma cadeira pendurando alguns balões na parede.
— Eu realmente cheguei mais cedo. — Ele colocou os seus pertences no aparador. — Vocês precisam de alguma ajuda? — No seu interno ele torcia para ser isento de todo aquela preparação, queria mesmo era deitar e dormir por longas e longas horas.
— Agradeceríamos se você fosse ajudar o Robert lá fora, ele está todo enrolado alternando em limpar a piscina e organizar as mesas.
Grissom somente meneou a cabeça e foi em direção área externa, passou ao lado de Sara e esboçou um discreto sorriso. Encontrou Robert parado observando a dimensão da piscina, o homem estava tentando calcular qual seria o melhor jeito de dispor as mesmas e mesmo assim ainda ter um bom espaço para as crianças circularem, ao encontrar com o olhar raivoso do seu genro ele sorriu.
— Não esperava você aqui, me avisaram que você chegaria somente para a festa.
— Aqui estou estou. Precisa que eu faça o que ?
— Vamos terminar de colocar essas mesas, o resto eu já terminei.
Grissom não queria perder o seu tempo conversando com Robert, então ele logo foi dispor e organizar as mesas. Mesmo em silêncio as palavras de Catherine ainda ecoavam em sua mente, ele sabia que aquele problema era muito fácil de se resolver, se ele demitisse Sara tudo voltaria ao status quo.
Remoeu aquela idéia durante o seu turno, no fundo concordava que ela era a paz no meio da tempestade da sua família mas se algo desse errado ela poderia ser o mais violento furacão que já tivesse passado em sua vida.
— Ei, pai ! Volta para Terra. — Jason estava segurando o braço de Grissom, ele havia o chamado algumas vezes mas ele permanecia encarando a piscina.
— Estava distraído, Jay. — Ele balançou a cabeça em negativa, encarou o seu filho e assustou-se como com o passar dos anos ele se parecia muito com ele. — Precisa falar comigo?
— Eu acabei lá dentro. Você pode ir descansar um pouco se quiser, eu me viro aqui fora.
— Me ajude aqui e terminamos isso logo. — Grissom e Jason sorriram, no fundo eles sentiam falta da companhia um do outro. Antes de Jason entrar na fase da adolescência, viviam planejando o tempo para estarem juntos : viagens, fins de semana na casa de montanha de seus avós, idas ao cinema e até mesmo passvam uma tarde deitados no quarto somente jogando conversa fora. — Como você está?
— Estou bem, um pouco perdido com a escola mas nada que boas horas de estudo não resolvam.
— Você precisa de ajuda? — Devido o calor, Grissom achou melhor se livrar da sua camisa social azul, usando apenas uma blusa branca ele continuou a distribuir as cadeiras pelo o jardim. — Posso te ajudar assim que quiser.
— Consigo me virar, aliás a Mack tem me ajudado durante os intervalos. — Esboçou um sorriso tímido em falar a respeito de sua namorada. Mackenzie além de ser sua namorada era a sua melhor amiga. — Ela vem hoje para o aniversário de Emma, finalmente a pirralha aceitou a amizade dela
— Sabia que Emma não conseguiria ficar muito tempo daquele jeito.
Jason parou próximo ao seu pai que encarava a varanda do seu quarto, olhava para ele tentando ler o que se passava na mente dele. Suspirou fundo ao perceber em como ele tinha mudado ao longo daqueles dois anos, mais magro e sombrio, ele havia dado espaço para um pai que ele não conhecia.
Terminaram o serviço em meio a brincadeiras, ora Jason provocava Grissom jogando um pouco da água da piscina nele, ora era Grissom que batia com os ombros do corpo de Jason. Gil sabia que seu filho era muito competitivo e que aquela brincadeira só iria terminar quando ele se desse por vencido. Próximos à borda da piscina, Jason tentava a todo custo jogar seu pai dentro da piscina, os dois já estavam bem molhados devido as provocações anteriores.
— Aposto 20 dólares no Jason. — Robert gritou parado na soleira na porta, Virginia imediatamente beliscou o seu marido, ela sabia que era uma brincadeira entre os dois mas como médica tinha medo que algo pudesse acontecer.
— Para de provocar esse dois e não dê estímulo para o Jason. — Stella interveio na conversa, sentia-se feliz por ver os dois em sintonia novamente.
“Nada tão destruído que não possa ser restaurado”
Por uma total distração de Jason, Grissom conseguiu arremessa-lo dentro da piscina. Sorriu vitorioso e logo após tomou um banho com a água que seu filho arremessava para fora da piscina, levou as mãos no cabelo para ajustá-los depois de toda aquela confusão. Avisou que iria até o seu banheiro buscar uma toalha para ele, Stella pensou em reprimir a atitude de seu patrão mas já era tarde demais, por onde ele havia passado restou apenas um rastro de água no chão. Subiu as escadas balançando os cabelos para livrar-se da água, levou os dedos em forma de “pente” as madeixas grisalhas, abriu a porta e acabou assustando Sara que terminava de organizar o guarda roupa de Jason.
— Não foi a minha intenção. — Ele disse com as mãos abertas em forma de rendição. Sara com a mão no peito ainda tentava regular a respiração após ter sido surpreendida por ele. — Desculpe.
— O que aconteceu com você ? Você está todo molhado.
— Estava brincando com o Jason e acabei desse jeito. — Deu de ombros e ergueu as mãos. Sara foi até o banheiro de Jason e pegou uma das toalhas limpas que ela tinha acabado de trocar e entregou para ele.
— Quantos anos vocês tem? — Falou em um tom de brincadeira.
— 48 e 17 anos, respectivamente. — Passou a toalha em seu cabelo e em seus braços, o cheiro da lavanda que era predominante na toalha agradou as suas narinas.
— Fico contente que vocês estejam bem. Estão bem diferentes desde a primeira vez que eu conheci os dois. Estrelinha do progresso para vocês. — Ela fez um sinal de positivo e sorriu logo em seguida, abobalhado Grissom apenas balançou a cabeça. — Agora vamos sair daqui antes que sua sogra apareça e pense algo horripilante sobre nós dois aqui nesse quarto.
Sara caminhou-se até a porta mas ele a deteve, com a mão na maçaneta fechou a porta lentamente evitando que o barulho do trinco ecoasse pela a casa então silenciosa. Ela olhou para atitude dele e engoliu a seco, o limbo da entre a incerteza e intimidade era facilmente quebrado com pequenos gestos.
— Mais cedo na sua casa, eu quis te perguntar mas eu não tive coragem. — Ainda encostado na parede, ele levou a mão na chave e virou, trancados eles teriam mais privacidade e na realidade torcia para Sara não interpretar de uma inequívoca aquela atitude.
Como o seu corpo os chamassem, o encontro entre os dois havia sido como descobrir um novo sabor, a cada novo encontro entre seus lábios descobriram que o beijo cada vez ganhava novas notas: desespero, paixão, necessidade, tesão e outros sentimentos a serem explorados. Não havia julgamento entre certo e o errado, apenas a necessidade de estarem juntos. A maneira como Grissom a segurava pela a cintura fazia as suas pernas tremerem, nunca tinha experimentado uma pegada como aquela, em contrapartida Grissom sentia que segurava em seus braços uma das mais belas criaturas que conhecia. Ousou explorar o delicado pescoço, com o interior de seus lábio deslizou de forma lenta por toda a extensão da pele, o cheiro adocicado do seu perfume o fez se perder em meio ao prazer.
— Se quisermos que essa loucura dê certo. — Com as mãos empurrando o peito dele, Sara afastou-se. — é melhor que irmos devagar.
— Claro ! — Ele balançou a cabeça e se recompôs, por alguns instantes ele não reconheceu-se. — Vamos devagar ! — Passou a mão na boca e desviou o olhar para um dos posters de seu filho. — Devagar.
— Ei ! Não precisa ficar pilhado com isso. — Ela deu um passo à frente e ele recuou, queria manter uma distância de segurança. — Eu vou voltar lá para baixo, eu levo a toalha para o Jason e invento uma desculpa.
Ela saiu daquele quarto antes mesmo que alguém aparecesse por ali, em sua mente aquilo tudo ainda estava sendo processado. Como um homem amargurado como ela tinha conhecido poderia provocar aqueles sentimentos ? Entregou a toalha a Jason que logo foi em direção ao seu quarto, tentou disfarçar ao máximo o êxtase que estava sentido mas não contava com os olhares atentos de Robert.
Sara usava uma blusa cinza e o cabelo molhado de Grissom havia manchado o tecido o deixando mais escuro. Pela a demora de Grissom que havia se comprometido em trazer uma a toalha a Jason, ele praticamente matou a charada.
Robert passou ao lado de Sara que terminava de ajeitar alguns doces na bandeja, certificou-se que estava sozinho ali com a babá. Passou os dedos pela a bochecha dela e por fim virou o seu rosto segurando seu queixo.
— Respeite a aliança do seu patrão. — Ele piscou para ela e apontou para a camisa molhada.
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