Sim, Senhor.
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Diferente dos outros dias a casa estava cheia, alguns amigos de Emma da escola estavam por toda a casa junto a seus pais. O local parecia iluminado pela a energia das crianças que alternavam as brincadeiras na piscina e no jardim, os pais se reuniam em uma mesa e conversavam milhares de banalidades enquanto olhavam seus filhos.
A comunidade era praticamente a mesma, todos estudavam na escola do bairro e praticamente cresceram juntos, era costumeiro reunirem alguns fins de semanas e promover churrascos ou festas em suas casa mas para Grissom aquilo nunca teve graça, antes de Maggie os abandonar ela sempre incentivava o marido a ir e manter uma boa relação com vizinhança.
Enquanto ele vivia aquelas lembranças, tomou uma boa golada da cerveja que segurava. Parado próximo a piscina ele reparava os conhecidos rostos que ele mal mantinha contato nos últimos anos, alguns lhe acenavam discretamente enquanto outros não o encarava. A maioria sabia dos antigos conflitos e outros continuavam o julgar pela o passado. Deu de ombros e parou ao lado de Jason que conversava animadamente com Mackenzie.
— Como você está, senhor Grissom ? — A jovem usava um extravagante óculos de sol e uma blusa amarela, o sorriso cativante sempre estava presente.
— Apenas Grissom ou Gil, Mackenzie.
— Se você me chamar de Mack também chamo você por seus apelidos. — Ele arqueou a sobrancelha com a resposta ousada da moça, ele gostava dela apesar de muitas das vezes o deixar sem reação.
— Eu estou bem, M-Mack. E você? — Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dos dois, Jason involuntariamente revirou os olhos o que não passou despercebido por seu pai.
— Estou bem. Estou adorando a festa, muito bom gosto.
— Agradeça as mulheres que estão ao meu redor, não tenho tempo e nem afinidade para organizar uma festa.
— Nós sabemos disso. — Jason interferiu no assunto. — Pai se eu fosse você iria chamar a atenção de Stella, a vovó deixou tudo a disposição de todos foi para justamente ela não precisar se preocupar com isso.
Aquilo era verdade, de onde estavam sentados ele podia vir Stella parada junto a porta que dava acesso a piscina, com os olhares de águia ela observava tudo e tratava de repor algo quando faltava a mesa, principalmente as guloseimas que enchia a boca das crianças. Grissom pediu licença ao casal e foi até a governanta, uma análise minuciosa e percebeu em como o tempo havia passado para aquela mulher, seus curtos cabelos que antes ostentava uma bela cor castanha, hoje dava espaço para os fios brancos.
— Sempre atenta com o seu olhar de lince. — Parou ao lado dela, ambos encaravam as pessoas dispostas no jardim e na área da piscina. Era difícil para ambos reviver tudo aquilo sem a presença de Maggie. — Gostaria que você relaxasse e curtisse um pouco a festa.
— Assim como você está curtindo? — O tom irônico deixou-o atônito, bebericou um pouco da sua cerveja e junto com a sensação refrescante da bebida, engoliu suas palavras. Stella quis comentar a respeito da vestimenta do seu patrão, uma camisa azul escura florida que a muito tempo ela não o via usar. — Emma parece estar aproveitando bem o dia.
— Fico feliz com isso. Depois que vocês colocaram essa idéia de festa na cabeça dela, ela só falava a respeito disso. Confesso que depois de toda essa turbulência ela mais que merecia um momento só para ela.
— Todos vocês ! No fim de tudo vocês mudaram e cresceram.
Novamente a garrafa de cerveja em seus lábios o fez engolir as palavras.
— Não vamos falar sobre isso agora. — Ele suspirou fundo e sorriu para Emma que acenava de dentro da piscina. — Por que agora você não descansa um pouco e vai aproveitar esse momento, eu assumo o posto agora.
— Nada disso ! Você precisa dar atenção para os seus convidados, junte-se ao Bill e ao Ambrose, devem ter muito o que conversar.
— Stella, quem era responsável por ser amigável com os vizinhos era Maggie.
— Você nunca vai mudar.
…
Sara nem tinha aparecido na festa, depois da fala de Scott ela esforçou-se para terminar de organizar os toques finais e retirou-se para o seu quarto, deitou-se e com os olhos fechados só queria sumir dali ou pelo menos não ser incomodada tão cedo. Livrou-se da camisa molhada e jogou em algum canto do quarto, em silêncio desejou não ter se envolvido com Grissom.
— Até quando eu vou ser imã de confusão? — Foi até o seu armário e pegou uma nova regata, ligou o pequeno ventilador que ficava perto da sua cama e jogou-se de braços abertos no colchão macio que Stella tinha recém providenciado. Não tinha noção de quanto tempo ficou com olhos fechados mas abriu quando escutou um barulho vindo da porta e logo em seguida uma risada tímida.
— Não quis te assustar, Sara. — Parado na soleira da porta, Scott segurava dois copos e estendia a mão oferecendo um para ela. — Mountain Dew, nada alcoólico para aqueles que ainda estão trabalhando. — Mesmo exitando ela aceitou o copo colorido que o paramédico a oferecia, usando uma camisa com várias flores coloridas, parecia que os adultos também estavam dispostos a aderir a temática da festa. — Por que não está aproveitando a festa ?
— Só estou um pouco indisposta. — Ela deu uma golada e sentou-se com as pernas cruzadas na cama. — Obrigada.
— Não precisa agradecer. — Encostado na soleira da porta, Scott encarava o pequeno corredor que separa o quarto de Stella e Sara com a lavanderia. — Acho que você não teve uma boa impressão minha quando nos conhecemos.
— Por que pensa isso ?
— Não precisa ser cordial, reconheço que eu fui grosseiro com você. — Retornou a sua atenção para Sara que o encarava como uma menina curiosa com o assunto. Ele sorriu ao perceber o olhar curioso da mulher. — Só não estava em um dia bom.
— Águas passadas.
— Acaba de confessar que me achou grosseiro. — Ele riu e ela acabou rindo junto, era verdade que ele tinha sido um asno com ela quando se conheceram no hospital mas não tinha necessidade de entrar naquele assunto. — O que eu posso fazer para reparar aquele mal entendido ?
— Só esquece o aconteceu, nem me lembrava disso. — Ela deu de ombros e deu a última golada no refrigerante. Aquela aproximação de Scott tinha muita influência de Virginia e Scott mas no fundo não entendia o motivo de não ver maldade na fala do médico.
— Como forma de me retratar e mostrar que eu não sou uma pessoa mal educado e grosseiro, gostaria de saber se você aceitaria em sair desse quarto e ir me fazer companhia lá fora?
De novo aquele maldito sorriso brotando nos lábios de Sara, ela não devia demonstrar aqueles sentimentos a um homem que estava “cumprindo ordens” de terceiros mas, no fundo ele mostrava-se diferente.
— Daqui a pouco, preciso descansar um pouco.
— Vou me retirar então, não quero te atrapalhar mas aguardo a sua companhia. — Ele encostou a porta e saiu para parte externa, Grissom que estava na cozinha atendendo uma ligação de Brass encarou o médico quando seus olhares se cruzaram, desviou o olhar por alguns segundos e viu que ele vinha em direção ao quarto. Assim que encerrou a ligação voltou para área da piscina, olhando por cima de seus óculos escuro ele varreu o local com o olhar e não encontrou Sara.
“Não é possível que Sara seja tão ingênua.”
— Está gostando da festa?
— Tudo foi muito bem organizado, Virginia. Tenho certeza que Emma está se divertindo muito.
— Ela merece isso e muito mais. — Sua sogra meneou a cabeça e apertou de leve o seu ombro. Virginia reconhecia que Grissom era um bom homem e um bom pai, Maggie era totalmente apaixonada por ele. — Como você está ? Recuperou-se do acidente?
— Estou praticamente recuperado, ainda não consigo muito esforço ou pegar muito peso.
— Pelo o tempo da queda, em algumas semanas você estará recuperado.
— Finalmente, essas dores me atrapalham no trabalho e me incomodam um pouco para dormir. — Grissom desviou a atenção da conversa quando viu Sara passando do seu lado e indo em direção a mesa onde Stella estava sentada, quase imediatamente Scott juntou-se às mulheres e foi recebido com um abraço da governanta.
— Você está sentindo o mesmo que eu, Gil? — Grissom que estava prestando atenção na conversa entre os três na mesa, olhou para a sogra pelo o canto do olho e suspirou. — Uma sensação de lar ?
— Eu nunca deixei de sentir isso. — Ele virou o rosto para encará-la mas esta permanecia olhando para o horizonte. — Com ou sem Maggie vocês ainda são a minha família e onde estiverem serão o meu lar.
— É muito bom escutar isso. — Ela apertou novamente o ombro do genro e saiu em direção a Robert que a chamava para auxiliar com os convidados que estão chegando: Alguns velhos conhecidos do hospital.
Grissom caminhou até a cozinha, fechou a grande porta que dividia os espaços. O som da área externa tornou-se quase inaudível de onde ele estava, colocou a garrafa de cerveja dentro de um saco grande de lixo e sentou-se na banqueta da cozinha. De costas para a festa ele quis sumir daquele lugar por instantes, nunca soube interpretar o papel de bom anfitrião e nunca fiz questão de aprender. A dor de sempre reviver a velha ferida nunca amenizava. Absorto em seus pensamentos não percebeu quando sua velha amiga chegou na cozinha.
— As vezes eu tenho medo de perguntar o que se passa na sua cabeça.- Catherine sentou-se ao lado do supervisor que olhou por cima do ombro sua melhor amiga.
— Nem queira. — Ele piscou para loira que apertou-lhe levemente o braço. — Parece que Emma e Lindsey estão se divertindo bastante.
— Apesar da Emma ter um pai bastante relapso e nunca levar ela para ficar com a Lindsey, elas são muito amigas.
— Catherine, não me cobre tanto. Sou o mesmo e velho Gil de sempre.
— Você é um cabeça dura — ela suspirou quando viu seu amigo deslizando a aliança por seu dedo. Ele estava tão preso em seu devaneio que ela receou em concluir a conversa — Isso que você é.
— Eu sou irresponsável, isso sim.
...
Toda festa tem o seu fim e com o findar da comemoração, os ânimos haviam esfriado. Os convidados já tinham ido embora e restava apenas os moradores para dar conta de toda a bagunça. Resmungando, Grissom deu-se por vencido quando viu que todos estavam ajudando na organização, tinha insistido para deixarem aquilo para o dia seguinte mas foi vencido facilmente.
— Eu estou totalmente quebrado, tinha me esquecido como as crianças têm tanta energia — Jason terminava de guardar as últimas cadeiras na dispensa próxima as bombas da piscina.
— Você ainda cheira fraldas, Jay. Não venha bancar o adulto. — Mack foi certeira em sua resposta e arrancou a risadas de todos os presentes, Jaso ao contrário retribuiu com uma careta.
— Mack foi a sua melhor escolha. — Robert gritou de dentro da casa.
— Agora todos resolveram se aliar a ela? Achei que isso aqui fosse um clã.
— Tem intrusos demais aqui para ser um clã, Jay. — Virginia concluiu a frase e encarou Sara. A morena abriu um sorriso irônico e recolheu-se a sua insignificância naquele “clã”. A babá acabou de recolher o lixo e saiu em direção a rua para deixar o saco preto do lado de fora. Parada um pouco afastada da casa dos Grissom’s respirou fundo e sentiu o mormaço da noite aquecer o seu corpo, só queria poder descansar em paz.
Ao retornar para casa já encontrou todas na sala, Emma ainda parecia ter energia para mais uma festa como aquela. Empenhada em abrir todos os seus presentes, Grissom auxiliava segurando os presentes recém descobertos. Robert a olhava de soslaio, a babá não sabia mas ela agora estava em seus planos, seu genro teria um problema e tanto pela frente.
— Stel, eu vou me retirar. Só preciso tomar um banho e ir relaxar. Você ainda precisa da minha ajuda?
— Não minha querida, pode ir dormir. Essa bagunça vamos deixar para amanhã. — A governanta que estava ao lado dela, acariciou discretamente o braço de Sara e sussurrou um boa noite.
Grissom acompanhou o olhar de seu sogro enquanto Sara se retirava para os seus aposentos, notou em como Robert parecia elaborar algo em sua mente. Não gostou em nada a forma como ele a encarava, trocaram um breve olhar quando Emma chamou a atenção de seu pai.
— Olha pai, um quebra cabeça novo e esse tem o dobro de peças. — A empolgação de sua filha o fez sair de órbita por alguns instantes, sabia que em breve a mesa de centro da sala viraria o local de montagem.
— Tenho certeza que não vai faltar voluntários para te ajudar. — Emma piscou e sorriu, assim como ele fazia.
— Eu consigo montar tudo isso sozinha, pode apostar.
— Ninguém aqui duvida da sua capacidade, mocinha. No entanto, eu acho que já passou da hora da senhorita ir tomar banho e ir domir.
— Seu pai tem razão, Emma. Vamos subir para você tomar banho, depois eu te dou um beijo de boa noite e vamos embora, certo Robert ?
— Você quem manda. — Ele bateu as mãos ao lado do corpo e fez o sinal de continência. Stella aproveitou a oportunidade de despediu-se de todos ali. Mackenzie aproveitou e despediu-se também, não morava tão longe dali e Jason iria acompanhá-la.
Depois que todos retiraram-se restou apenas Gil e Robert. Grissom recolheu as embalagens dos presentes e foi até a cozinha para poder descartar, sentia o olhar pesado de Robert em seus ombros. Virou-se e encontrou seu sogro de costas para ele, analisou a sua postura, sempre muito ereto transparecia um ar de superioridade, os cabelos brancos já eram dominantes e os anos tinham passado para ele.
— Você quer me falar alguma coisa ? Passou o tempo inteiro me encarando, acredito que tenha algo para me dizer.
— Engano seu, Gilbert. Não tenho nada para falar. — Se não conhecesse tão bem seu sogro diria que aquele olhar de inocente confirmava o que ele acabara de falar mas, não era bem assim.
— Fique a vontade, eu vou subir para poder descansar. Boa noite.
— Boa noite. — Se tinha algo que ele sabia fazer muito bem era administrar o tempo. — Tranque a porta e não faça muito barulho.
Grissom estagnou no meio da escada, sentiu a sua respiração ficar pesada e pensou revidar a provocação. Depois de breves segundos retomou e subiu todos os lances, foi para o seu quarto e trancou a porta, teve vontade de descer e socar a cara dele mas não desceria ao nível que ele queria. Tratou logo de normalizar a sua respiração e seus pensamentos, foi direto para o banheiro, já dentro da ducha finalmente conseguiu estabelecer uma linha de pensamento, apesar de não entender os seus sentimentos por Sara precisava afastar-se dela
Secou-se e colocou o primeiro short que encontrou pela frente, pegou o controle do ar condicionado e agradeceu por ter um meio de amenizar todo aquele calor. Deitou mas não conseguiu pegar no sono tão cedo, a larga cama foi ocupada de diversas formas. Finalmente pegou no sono mas foi acordado logo em seguida com o toque de seu celular, com os olhos semicerrados viu o nome de Warrick no visor.
— Precisamos de você urgente.
— Não podem remover o que for para o laboratório?
— Pensamos nisso mas a chance de perdemos evidências é enorme. Essa ligação é de cortesia por que o Ecklie exigiu você aqui.
— Laboratório me paga muito pouco por horas extras.
Resmungou e sentou na cama, Warrick passou o endereço e desligou logo em seguida. Pelo o vasto conhecimento de Grissom a imprensa chegaria antes mesmo na cena, Ecklie o queria lá para poder ter todo o tempo para estar sob os holofotes dos telejornais. Abriu o seu guarda roupa e dispensou suas roupas formais do dia a dia, pegou um jeans e uma camisa cinza com o escrito FORENSE.
Pela suas contas não tinha dormido nem duas horas…
Sua previsão estava mais que certa, precisou pegar um desvio para chegar até a cena do crime, a imprensa já estava abarrotada ocupando boa parte da rodovia que ligava até o local. Discreto ele encontrou seus subordinados acabando de periciar, Warrick e Nick estavam encarregados do caso, quando finalmente viu os corpos entendeu a urgência e a necessidade de estar ali.
— Possível área de desova ? — Agachado ao lado dos três corpos, Nick tentava amenizar o cheiro dos corpos tampando as narinas mas era quase em vão.
— Aposto a minha carreira que essas três jovens são as estudantes desaparecidas. Pelo visto o assassino conseguiu de alguma forma deixar as três juntas.
— Mas tem uma que está em estado de decomposição. — Rebateu Warrick.
— Ele matou essa primeiro, as outras duas ele aumentou o requinte de crueldade. — O supervisor observou que a segunda mulher não tinha os seios e boa parte de seu rosto estava mutilado e a terceira que era a “recém-morta” parecia ter sido posicionada na cena do crime.
— Elas têm algum tipo de ligação ? Se elas realmente forem as jovens desaparecidas, as pessoas ligadas a elas garantem que elas não tem nenhum tipo de ligação.
— Rapazes, eu diria que isso foi um crime passional. Provavelmente o assassino tinha alguma ligação afetuosa com essa moça e as outras duas foram meramente coadjuvantes.
— Triste forma de participar de um enredo.
Em silêncio Grissom periciou os três corpos, todas as mulheres eram jovens e não devia ter mais de 20 anos, um triste fim para quem prometia ter um brilhante futuro. Aquele trabalho demorou mais que o esperado, a imprensa e os familiares que chegaram desesperados no local, fizeram o supervisor para o trabalho diversas vezes. Quando finalmente terminou os primeiros raios solares invadiam o céu, dispensou toda a sua equipe e dirigiram-se até o laboratório, a sua primeira ordem havia sido processar todas as evidências materiais enquanto ele e estaria na necropsia.
— Antigamente você ficava mais empolgado quando era tirado de sua folga. — Doutor Robbin usou toda a sua acidez para falar com o velho amigo.
— Agora nem tanto, tenho dois filhos e ontem foi o aniversário de Emma. Não pude descansar.
— Frase que eu nunca imaginaria escutar de você, Gil.
— Então vamos terminar logo isso para eu poder finalmente ir aproveitar o resto da minha folga. O Estado me paga muito pouco para estar aqui a essa hora.
Depois de duas horas chegaram à conclusão que as duas primeiras mulheres a morrer foram torturadas antes do óbito. A primeira mulher a ser morta foi torturada até a morte, encontraram perfurações em diversas partes do corpo, a segunda mulher havia morrido a poucos dias, seus seios foram arrancadas enquanto ela ainda estava viva e seus dentes quebrados porém a terceira mulher parecia ter sido vítima de envenenamento, sem nenhuma escoriação ou vestígio de tortura, a jovem mulher havia sido poupada da crueldade sofrida pelas outras.
— O assassino provavelmente tinha uma forte ligação com ela. Os corpos foram localizados mediante uma ligação, o assassino não queria que ela ficasse como as outras, queria dar a ela um enterro digno.
— Deixei de me surpreender com a humanidade. — Concluiu Robbin ao retirar as luvas.
Grissom quando saiu do laboratório deparou-se com o dia, olhou em seu relógio e constatou que estava fora de casa por um bom tempo. Pelas suas contas encontraria todos acordados quando chegasse em casa, seu sono teria que ser reposto em outro momento. Dirigiu até em casa e a fala de Robert voltou a povoar a sua mente. Astuto, sabia que ele já tinha em mente alguma coisa para poder atingi-lo. Entrou em casa e deparou como uma cena improvável, todos sentados na mesa tomando um belo café da manhã.
— Dormiu fora de casa? — Jason estranhou o fato do seu pai estar vestindo roupas tão informais aquela hora da manhã.
— Urgência no laboratório, sai de madrugada.
— Então sente-se aqui e faça um belo desjejum, depois pode ir descansar. — Stella indicou a cadeira ao lado dela.
— Aceito o convite. — Ele deixou os seus pertences no aparador e foi para mesa. Sentou-se e preferiu não encarar ninguém.
— Qual o caso? — Jason colocou na boca o seu último pedaço de omelete.
— Não vou comentar. Não é hora e nem local para isso.
Um alerta acendeu em todos automaticamente: Grissom não estava de bom humor.
O resto do desjejum foi feito em silêncio sacro, Jason e Emma partiram para a escola e, Stella e Sara iniciaram suas tarefas do dia. Antes de levantar Grissom pediu que Sara pudesse ir até o seu escritório para poder receber. Instantes após ela partiu rumo ao segundo andar e encontrou a porta apenas encostada, deu duas batidas leves e entrou.
Ela congelou por breves segundos quando encarou Grissom, aquele homem sentado à sua frente era o mesmo homem da primeira vez quando ela o conheceu. O olhar penetrante e sombrio a encarava de uma forma pouco amistosa. Ele apenas esticou a mão indicando a cadeira a sua frente.
— Está tudo bem ? — A sua pergunta era hesitante pois sentiu a sua espinha gelar ao sentar à sua frente.
— Sim. — Ele cruzou as mãos sobre a mesa e projetou o corpo para frente. — Sara antes de mais nada eu gostaria de pedir desculpa pelo o meu comportamento com você nesses últimos tempos, eu acho que confundimos em alguns aspectos e acho que devemos evitar que possa acontecer novamente.
— Con...cor...do — Ela foi pega de surpresa com a fala dele e seu cérebro não soube reagir aquelas informações. Era errado o que ambos estavam fazendo mas por um momento ela considerou que aquilo de alguma forma valeria a pena. Por breves momentos ela pode conhecer um outro Grissom mas parecia que o seu lado frio e calculista era maior que o outro.
— Peço desculpas por ter entendido as coisas de forma adversa.
— Você não tem a dimensão do poder que o Robert tem sobre você, Gil. Ontem eu sem querer escutei a conversa de vocês.
— É para o seu bem. — Em questões de segundos o ar calculista deu lugar para uma imagem amigável. — Você não merece essa confusão para você.
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