Sim, Senhor.

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Hoje as notas do capítulo serão um pouco extensas mas por um motivo muito bom. Primeiramente, eu não tenho palavras para agradecer a Lola e a Jackeline noara pela recomendação que vocês fizeram, não sabem do tamanho da minha felicidade em ler cada palavrinha de vocês ! Agradeço de verdade por isso e fico extremamente satisfeita em saber que consigo agradar vocês, obrigada do fundo do meu coração (sem demagogia alguma). Aira pipipopo, seja bem vinda e muito obrigada por favoritar a fic ♥ Esses dias eu andei um pouco ausente pois quis aproveitar os últimos dias de férias para colocar a mente e o espírito no local antes de iniciar a segunda metade do ano. Busquei as boas energias para ter força e foco para acabar o ano de 2018, apesar de não conhecer vocês pessoalmente e em alguns casos nem o nome real de vocês, tentei enviar o máximo de pensamento positivo para cada um de vocês, espero que tenham recebido ♥ Por último, esse capítulo ficou grandão. Eu me surpreendi quando vi o tamanho mas achei melhor não dividir pois escrevi com um "fio da meada" e achei que ia perder um pouco da essência do capítulo se fizesse isso. Por último, parte II, rs. Tive um pequeno problema com o último capítulo, postei o capítulo duas vezes e não percebi (fazer as coisas caindo de sono nunca deu certo para mim), acabei por excluir para facilitar a leitura de novos leitores E não fazer vocês lerem o mesmo capítulo duas vezes porém, com isso eu acabei perdendo o comentário da Paula :( Ei Paula, não desiste de mim e perdoa o meu vacilo ! Obrigada a todos que acompanham a fic. Boa leitura pessoal !

Existem milhares de problemas difíceis de serem resolvidos mas para Grissom parecia que quando solucionava um, surgiam mais dois para compensarem. Assim se estendia por dois longos anos, ele protegia a família a todo e qualquer custo.

Porque você é assim um coração de pedra palpitante

Sara estava em seu apartamento terminando de fechar sua pequena mala, iria finalmente reencontrar Laura. Ainda não sabia como reagiria aquele momento, na realidade todas as vezes que estiveram juntas ela sempre esteve na defensiva, inúmeros foram os pedidos de perdão que Sara sempre concedia mas não do fundo de sua alma.

Uma rápida e última conferida no apartamento para certifica-se que não estaria se esquecendo de nada, trancou a porta principal e saiu. Iria passar na casa dos Grissom’s apenas para deixar a chave com Stella. Seria uma viagem curta, apenas dois dias que ela torcia internamente para passar ligeiro.

Dentro do seu carro, com o braço esquerdo apoiado na janela ela pensava nas insinuações de Virgínia, ainda estava com aquela história atravessada na garganta. O que realmente preocupava era que Jason e Emma estavam na sala no momento da briga e não sabia de qual forma o rapaz iria interpretar.

— Preparada para viagem, minha pequena? — Sara havia chegado com um semblante triste, não queria ter que encontrar com Laura, toda vez que estavam juntas eram diversos flashbacks que ela tinha de toda a sua infância.

— Eu nunca fico preparada para reencontrar com a Laura, é impossível para mim. — Ela suspirou e tomou o último gole do chá que Stella havia preparado.

— Somente vá. — A senhora segurou a mão esquerda de Sara entre as suas mãos. — Apesar de todos os problemas e defeitos ela continua sendo a sua mãe.

Sara sorriu, não gostava de falar sobre a sua mãe. Na realidade quando se tornou adulta nunca teve problemas em contar o seu passado para outras pessoas, sempre foi muito aberta sobre o que aconteceu com sua família mas falar tocar no assunto “Laura” era extremamente doloroso, não tinha vínculo com sua família e isso facilitava esquecer todos os acontecimentos mas estar com sua mãe era como abrir a caixa de Pandora.

— Oi Sara. — Jason escutou as vozes das mulheres na garagem e foi encontrá-las. Tinha acabado de acordar e ainda estava com a voz embargada pelo o sono. — Oi Stella.

— Caiu da cama hoje? — Stella chamou o rapaz para um abraço que imediatamente aceitou.

— Acordei com a voz do meu pai no celular. Agora que ele está esses dias em casa, ele transferiu praticamente o serviço para cá.

— Eu apostei com ele dez dólares que ele não faria repouso. Dinheiro mais fácil que eu já ganhei. — Sara sorriu e observou como Jason minimizou suas expressões. Desde do dia da confusão com seus avós ele estava a tratando com uma certa distância.

— Las Vegas não deixa ele relaxar. — Ele deu de ombros e desfez o abraço com Stella. — Eu vou procurar alguma coisa para comer. Vocês me acompanham ?

— Eu estou de passagem, preciso ir para o aeroporto.

— Férias?

— Preciso fazer uma viagem até Reno. Alguns assuntos para serem resolvidos.

— Espero que tudo dê certo. — O rapaz abriu um tímido sorriso, nos últimos dias ele estava mais isolado que o comum, poucas vezes ele saia do quarto para socializar. Seu dia resumia em escola e quarto.

— Ei, Jay. Você está bem?

— Vou ficar. — Ele suspirou e cruzou os braços.

— O que está acontecendo? — Sara aproximou-se dele e tocou em seu ombro. — Quer conversar?

— Não é necessário. Somente alguns devaneios mas vai passar, sempre passa.

— Você não precisa passar por nada sozinho. Falar muitas vezes alivia.

— É só cabeça cheia, nada demais. — Ele sorriu e pediu licença para Stella e Sara. Para ser sincero toda aquela confusão com seu pai e seus avós havia realmente abalado com ele. Ver seu pai como uma mulher totalmente desconhecida dele e ainda por cima escutar insinuações que eles tiveram algo foi indigesto demais.

Sara encostou-se em seu carro e ficou olhando para porta e pensando em Jason. Ele era um rapaz incrível mas assim como seu pai tinha o péssimo hábito de guardar os sentimentos e pensamentos para si. Ela também foi assim por longos anos até reconhecer que não precisava carregar o peso dos problemas sozinha.

— Tenho certeza que ele está assim por conta de toda aquela confusão. Aquela amiga do Grissom que esteve aqui causou um verdadeiro caos.

— Stella, eu nem devia opinar sobre isso mas qual o problema dele ter amigas, conhecidas ou outra mulher em sua vida?

— Eu acho que o tempo congelou para todos eles mas agora Grissom quer continuar a vida. Eu acho que todos eles veem isso como uma traição.

— Isso é injusto, é enterrar o cadáver e pedir que todos entrem no túmulo com ele. — Sara deu de ombros e conferiu o seu delicado relógio de pulso, fez uma careta e percebeu que precisaria ir logo para não se atrasar. Ela não queria ir mas não poderia evitar para sempre a Laura. — Stel, eu preciso ir ou vou acabar me atrasando.

— Boa viagem, minha pequena. Lembre-se : Apesar de tudo ela continua sendo sua mãe, ainda existe muito afeto da parte dela, não se prive em receber.

— Não prometo que vai ser fácil. — Elas trocaram um demorado abraço e Sara logo deu partida no carro, não encontrou com Grissom e achou melhor não ter feito mesmo. Entre os dois tinha acontecido muitas coisas que ela não esperava, a partir do momento em que ele abaixou a defensiva até o beijo, Gil havia se mostrado uma pessoa diferente.

Ao entrar em casa, Stella deparou-se com Jason e Grissom conversando à mesa. Grissom estava com a mão na lateral direita de seu corpo, era visível a qualquer pessoa que ele ainda sentia as dores do impacto porém a jaqueta azul marinho com os escritos

indicava que ele iria trabalhar naquele dia. Pelas contas de Stella ela ainda teria mais três dias para ficar de repouso.

— Grissom, seu sobrenome é trabalho.

— Você está devendo dez dólares para Sara. — Jason levou o suco a boca e encarou Grissom por cima do copo, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

— Eu não posso desfalcar a equipe, Nick precisou viajar para fazer um desses cursos de atualização forense a mando de Ecklie. — Revirou os olhos só de pensar no diretor e supervisor matutino. — Já me sinto melhor, não vou a campo hoje.

— E você trabalha no turno da manhã? — Jason indagou.

— Não, mas ocorreu um crime no turno noturno porém o processamento das evidências se estendeu e o corpo chegou somente agora na mesa do Doc.

— Você fala isso com uma calma. — Stella nunca conseguia entender a frieza com que Grissom lidava com todos os assassinatos e investigações. Trabalhava com ele aproximadamente doze anos e poucas vezes pode reparar ele abalado com alguma investigação. Maggie costumava falar que quando ele ia trabalhar deixava o coração na pia do banheiro.

— Se conseguirmos desligar dos sentimentos e vínculos umbilicais, uma morte por mais cruel que seja não significa nada no mundo, é só o fim do processo natural.

— Credo, pai. Que papo de gente maluca.

Grissom sorriu com a atitude do filho, no fundo sentia-se aliviado em saber que Jason não compartilhava o mesmo tipo de pensamento que ele. No seu trabalho, ele não poderia dar-se o luxo de compreender os sentimento das vítimas, isso interferia diretamente o seu trabalho, fazendo que ele assumisse o papel de acusador.

— Bem, eu vou indo. — Ele levantou-se e fechou o zíper de sua jaqueta, recolheu as embalagens do seus analgesicos e guardou no bolso. — Sara já viajou?

— Sim, veio aqui apenas deixar a chave.

— Entendi. — Ele levou o guardanapo à boca e limpou. — Precisa de carona, Jason?

— Não é necessário.

Levantou-se e pegou sua pasta com dezenas de folhas sobressaindo, certificou-se que as chaves de seu carro estavam em seu bolso e partiu em direção a garagem. A dor não lhe dava muita mobilidade para andar, mancava um pouco e respirava com leveza. Reconhecia que não tinha condições de ir para o trabalho mas não poderia deixar a sua equipe desfalcada. Ao entrar no laboratório foi recepcionado por Judy, que se surpreendeu do supervisor noturno estar ali após o acidente.

— Você não consegue ficar parado? — Catherine quando soube que seu amigo estava no prédio logo foi ao seu encontro em sua sala. — Achei que dessa vez fosse obedecer as restrições médicas.

— Nada de trabalho em campo. — Ele retirou os óculos e massageou as têmporas, com um leve movimento de cabeça indicou a cadeira a frente para a perita sentar. — Não posso deixar a equipe com esse número de investigadores.

— Você sabe que podemos pedir para o Ecklie nos ceder alguns de seus subordinados né?

Ele revirou os olhos, acomodou a mão na sua costela dolorida e respirou fundo. Catherine observava com um riso preso nos lábios, era totalmente teimoso em diversos aspectos de sua vida.

— Deixe Ecklie quieto. Me deixa cansado só de pensar em precisar de conversar com ele.

— Gil Grissom e sua deficiência em lidar com divergências.

— O problema não está comigo. — Ele sorriu, acompanhado por Catherine. — Ecklie tem a necessidade de inflar o ego todas as vezes que conversamos, eu só não tenho muita paciência.

— Essa é uma ótima desculpa para a rivalidade entre vocês. — O celular de Grissom vibrou dentro de seu bolso, uma mensagem de Doc avisando que já tinha um relatório preliminar.

— O dever me chama.

— Cuide-se, Gil. Não vá abusar da sua sorte.

Ele balançou a cabeça e foi em direção ao necrotério, os funcionários que o observavam de longe percebia que morosidade no andar no supervisor. Cumprimentou alguns investigadores do turno da manhã e finalmente chegou ao seu destino final. Despiu-se de sua jaqueta e colocou o jaleco branco e as luvas de látex.

— Como você está, Gil? — Doc estava sentado na cadeira e girou o corpo quando escutou o barulho de passos na sala metálica. Grissom era dos poucos amigos que tinha no trabalho, identificava-se com o gênio do homem e da sua bondade velada.

— Me recuperando. Causa da morte? — Achou melhor não esticar o assunto, Catherine já havia o repreendido o suficiente.

— Asfixia por gases tóxicos. Quem matou esse rapaz o fez sofrer bastante antes do óbito. — Doc parou o olhar sobre o corpo. — Não te surpreende a crueldade humana?

— Querendo ponderar a vida a essa hora ? — Cruzou os braços e parou na frente do corpo, analisou o rapaz de peito aberto naquela mesa prata. Suspirou e encontrou Albert ainda encarando a mesa. — Me desculpe, Al.

— Seu trabalho não é esse. Onde há sentimento não há razão. — Pegou a sua muleta e parou em frente a Grissom. Sua atenção foi desviada por uma mulher acenando e apontando para o supervisor — Acho que você tem visita.

Grissom virou-se e viu Carol através do vidro da porta, sorriu ao ver a cunhada acenando animadamente para ele. Pediu licença ao legista e retirou as luvas e o jaleco, caminhou até a porta e foi recebido com um abraço caloroso e apertado da mulher.

— Liguei para sua casa e Stella me disse que você estaria aqui.

— Ossos do ofício. — Ele deu de ombros.

— Como você está? Minha mãe me disse que você sofreu um acidente.

— Recuperando. — Suspirou, já havia perdido as contas de quantas vezes tinha repetido aquela resposta.- Vamos para a minha sala, podemos conversar melhor lá.

Carol era a irmã mais nova de Maggie. Ela e sua irmã eram muito parecidas com uma diferença que Carol não seguiu os sonhos trilhados por seus pais. Era uma jovem arquiteta e desde a sua formatura se tornou uma cidadã global, seu paradeiro era sempre uma incógnita para sua família. Uma verdadeira camaleoa, nunca sabia qual corte e cor de cabelo poderia se esperar dela, uma alma livre e totalmente desimpedida de rótulos.

Ela abriu a porta da gaiola e voou.

Diferente de Maggie.

— Vejo que mudou novamente. — Carol sorriu e balançou a cabeça, fazendo os curtos cabelos ruivos balançarem, o contraste dos olhos verdes trazia para ela um rosto jovial. A diferença de idade entre as irmãs era de quinze anos, quando Grissom a conheceu era a adolescente mais rebelde que tinha noticias.

— Posso aceitar isso como um elogio? — Sentados no sofá preto, ela esticou suas pernas sobre a coxa do cunhado. Grissom colocou a mão no joelho dela e a outro levou ao encosto do estofado. Carol sempre teve um jeito despojado e ele de uma forma estranha nunca se importou com isso. — Como você está?

— Me sinto melhor, alguns leves incômodos mas todos suportáveis.

— Você sabe muito bem que eu não estou me referindo a isso. — Ela levou os dedos as têmporas e deu duas batidinhas no local.

— Estou…bem. Um dia após o outro. Não é assim que você me ensinou?

— Sim. — Ela meneou positivamente. — Mas por que eu senti uma hesitação na sua resposta?

— Não há com que se preocupar. Eu estou bem. — Ele deixou o seu olhar percorrer por toda sua sala. Detestava ser confrontado sobre o seu íntimo. — Confie em mim.

— Gil, eu cheguei ontem em Vegas e desde então minha mãe só faz reclamações sobre você. Eu sei da personalidade da D. Virgínia e sei que ela aumenta o problema. — Revirou os olhos, fazendo que Grissom segurasse uma risada. — Você não acha que está na hora de fazer a minha mãe parar de fazer o papel da minha irmã?

— Carol, eu não posso privar sua mãe da convivência na minha casa.

— Claro que pode, Gil. — Ela levantou-se e caminhou até a mesa do supervisor, sentou-se em sua cadeira e projetou o corpo para trás. — Se você quer continuar a viver, você precisa fazer isso. — Sua voz era imperativa e um pouco mais alta que o normal.

— Eu prefiro evitar confusões maiores.

— Você prefere viver na sua zona de conforto, isso sim. Gil está na hora de você arrancar essa aliança do dedo e continuar a vida. Aceita que a minha irmã já não faz mais parte disso aqui. — Com o indicador em riste, ela girou por todo o perímetro da sala. — Eu falo isso porque eu gosto muito de você.

Eles ficaram em silêncio, era muita coisa para Grissom absorver e digerir. Sua cunhada sempre foi muito direta, ela também sentia muita falta de Maggie e já havia confessado que não conseguia perdoar a irmã pela forma bruta que ela tinha partido.

— Tudo bem. Eu posso conversar com ela, não posso privá-la da convivência com os netos mas posso tentar estabelecer um limite em relação a mim.

— Vai viver a sua vida. Porque a minha irmã está fazendo isso nesse momento. — Grissom tentou a interromper mas ela não deixou. — Sem você.

— Carol, o que vocês sabem sobre Maggie que ninguém quer me contar?

Sara entrou no quarto do hotel e logo se jogou na cama, seu corpo todo doía, seu músculos estavam contraídos e sua cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento, buscou em sua bolsa um analgésico para aliviar as suas dores, a embalagem laranja estava endereçada para Gilbert Arthur Grissom, havia pego no armário do lavabo e sabia que o efeito era quase imediato, pelo menos nele.

Ainda restavam alguns minutos antes da visita, acomodou-se na cama e fechou os olhos. Não tinha ideia de qual seria o teor da conversa entre elas, não tinha um roteiro ensaiado ou qualquer assunto para improvisar.

Ansiosa demais ela não conseguiria ficar no hotel, optou por tomar uma ducha rápida e partir para o manicômio judicial. Dentro do táxi, ela compreendeu poucas palavras do taxista que insistia em manter um diálogo com ela, pagou ao senhor de cabelos brancos e parou em frente ao monumental prédio branco.

Na recepção informou seu nome e passou por uma minuciosa revista, liberada uma agente cujo o nome era Julie a acompanhou até um pátio muito arborizado e limpo. O local não se parecia nenhum pouco com uma penitenciária. Julie indicou que Laura estava sentada em um pequeno banco azul, Sara agradeceu e ficou parada olhando para sua mãe. O tempo não havia sido generoso para ela, os cabelos que antes eram da cor de chocolate começava a misturar-se com o grisalho, mais magra ela usava o uniforme vermelho de uso obrigatório.

Os olhares se cruzaram, Laura fechou o livro que estava lendo e dispôs em sua perna, ainda a encarando indicou o banco para que Sara se aproximasse. Sara andou até sua mãe ainda sem acreditar em tudo o que estava acontecendo, parou de frente para a mulher e sentou-se.

— Oi Sara. Que bom que você veio. — Ela sorriu mas Sara não fez o mesmo, com as mãos dentro de seu casaco ela evitava qualquer contato físico. — Como você está?

— Estou bem.

— Você está tão bonita. — Laura esticou a mão e tocou na bochecha de Sara que apenas encarava a mão de sua mãe em seu rosto. — Sempre soube que você seria uma grande mulher, filha.

— Me chame apenas de Sara, por favor.

Laura retirou a mão do rosto dela e cruzou os braços, era duro escutar aquilo dela mas não podia negar que sua filha tinha todos os motivos para reagir daquela forma.

— Porque você me chamou aqui, Laura. Isso foi tão de repente.

— Estava com saudades de você. Bastante tempo que não nos vemos — Ela sorriu e Sara reconheceu o mesmo sorriso brilhante da sua infância, quase acompanhou sua mãe mas se conteve. — Pela minhas contas você se forma em pouco tempo.

— Sim, estou prestes a me formar.

— Podemos sair da defensiva. — Laura aproveitou a oportunidade e pegou na mão de Sara. — Só hoje?

— Você quer que eu esqueça o real motivo de você está aqui? — Usou um tom sarcástico

— Não, porque nem eu consigo esquecer o motivo de estar aqui. Só quero poder conversar com você normalmente.

— Eu não sei se eu consigo.

— Me fale um pouco sobre você.

— Bem — Sara umedeceu os lábios, no fundo não queria ser a carrasca de sua mãe. — Estou trabalhando junto com a Stella, lembra-se dela?

— Claro ! — Laura espalmou as mãos em euforia. Stella havia sido sua confidente por diversas vezes, sempre que precisava a senhora sempre estava disposta a escutar e aconselhá-la. Ela não era uma mulher religiosa mas sempre agradeceu a um ser superior pela amizade de Stella. — Como ela está?

— Continua com a mesma bondade de sempre.

— Que ótimo, ela sempre teve um coração que nunca coube dentro do peito. Fico tranquila e feliz em saber que finalmente estão juntas.

— Ela sempre esteve comigo e sou grata por isso.

— Vocês duas trabalham com o que ? — Laura colocou um livro apoiado em apenas e virou o corpo para poder encarar melhor a sua filha. Ela era uma mistura entre ela e seu marido.

— Stella é governanta e eu sou a babá na casa de um investigador criminal.

— Você gosta de trabalhar lá?

— Sim, o dinheiro me ajuda a complementar a minha renda e consigo ajudar Stella com os afazeres. Emma e Jason são duas crianças incríveis, tenho um grande apreço por eles.

— Seus olhos brilharam ao falar deles, devem ser realmente especiais para você.

— Eles são, pode ter certeza. — Ela sorriu e encarou a sua mãe, por breves instantes ela pode enxergar a antiga Laura ali na frente. Era muito dolorido ter que encarar aquela situação, havia perdido o contato tão cedo com a sua mãe que dentro dela os sentimentos se dissiparam com o tempo.

— Existe alguém especial em sua vida?

— Não sei fazer boas escolhas, Laura. — Ela sorriu. — Eu já me acostumei com esse fato. Sou uma ameaça em potencial para os homens.

— Você ainda não encontrou a pessoa que consiga te valorizar da forma que você é. Você é uma mulher inteira demais para merecer caras pela metade.

Novamente Laura segurou a sua mão e dessa vez arriscou fazer um carinho com o seu polegar. No seu interior o seu coração estava agoniado e reduzido ao tamanho de uma semente de mostarda, a incerteza daquele ser o último encontro com Sara a deixou várias noites acordada esperando por esse dia. Em seus últimos exames havia sido sinalizado que sua artéria aorta estava mais dilatada que o normal, segundos os próprios médicos a artéria poderia estourar a qualquer momento.

— Eu quero te entregar uma coisa. — Colocou a mão no bolso da calça vermelha e retirou um delicado colar dourado com um pingente de um delicado pingente de lótus. A mulher segurou em suas mãos como fosse o objeto mais frágil do mundo. — Você provavelmente não se lembra desse colar. Sua avó comprou para você assim que você nasceu, ela me explicou que lótus significa resiliência e tenho certeza que ela já sabia do seu futuro.

Sara não conheceu sua avó, havia morrido quando ela tinha poucos meses de vida mas sempre escutou histórias sobre ela. Filha de pais muito rigorosos, fugiu de casa aos dezesseis anos com o seu primeiro namorado que depois se tornaria o seu marido, viveram juntos e intensamente até o último dia de Ian.

— Isso é seu e eu quero que fique com isso. — Laura colocou o colar na mão de Sara e fechou sobre a sua mão. — A partir de hoje isso é seu.

— Obrigada. Vou guardar com o mesmo carinho e cuidado que você fez.

— Se importa se eu colocar em você?

Sara puxou amarrou seu cabelo em um coque alto, virou-se de costas para Laura e fechou os olhos. Sua avó havia partido à anos mas deixou um presente para ela com um significado imensurável, pelo o pouco que conhecia a respeito daquela flor sabia da sua representatividade em relação a ciência, a flor era conhecida repelir micro-organismos e partículas de pó, sendo então um mistério para os cientistas.

Uma flor tão bonita e forte sabia como se proteger e crescer.

Sara por puro instinto havia aprendido a ser e fazer o mesmo.

— Sei que a minha mãe está muito feliz em ver você usando o presente que ela te deu. Durante anos eu carreguei esse colar em meu bolso com medo de não conseguir te entregar.

— Gostaria de ter conhecido a minha avó, parecia ser uma mulher espetacular. — Com o pingente em mãos, viu que no verso havia a grafia

Não conseguiu segurar as lágrimas, a certeza que não estaria mais sozinha era estranhamente reconfortante, como amar uma mulher que nunca teve a oportunidade de conhecer?

— Eu sei que eu fui uma péssima mãe, um exemplo a não ser seguido e te dei um modelo nada convencional de família mas querida, eu gostaria de saber se algum dia você vai conseguir me perdoar. — Laura também chorava e em um gesto inesperado Sara limpou as lágrimas de sua mãe.

— Uma coisa que eu aprendi que o perdão é gradual, nunca confiei em perdões instantâneos e repentinos, o processo de cura é lento. Eu estou te perdoando aos poucos, não é justo que eu faça você viver sempre com o fardo e a dúvida sobre o meu perdão. Por ora eu não consigo falar que eu passei uma borracha em tudo o que aconteceu mas eu já iniciei o processo de deletar as coisas ruins.

— Você se importa se eu te abraçar? Isso é muito importante para mim.

— Acho que eu estou preparada para isso.

O primeiro contato tinha sido um choque mas aos poucos os braços maternos foram se tornando um alento para ela, tinha vontade de chorar nos ombros de sua mãe, tinha vontade de contar todos as noites que acordou de algum pesadelo, teve vontade de contar para ela todas as vezes que ela venceu alguma dificuldade, teve vontade de viver instantes de mãe e filha mas não estava pronta para isso.

— Obrigada, Sara. É libertador saber isso.

A agente Julie aproximou-se das duas e avisou que o horário da visita já havia se esgotado, disse que daria alguns minutos para as duas se despedirem em privacidade e logo voltaria para acompanhar Sara até a saída.

— Preciso ir. Vou ligar para cá para saber sobre sua cirurgia, assim que puder receber visitas eu retorno.

— Ah claro! — Laura quase não se lembrava da desculpa que tinha dado para encontrar com Sara. Tinha inventado sobre a retirada de miomas no útero apenas para seduzir Sara para encontrá-la. A pedido, a agente Julie sustentava aquela mentira. — Vou aguardar.

— Fique bem, mãe.

Sara havia decidido adiantar o seu retorno para Las Vegas, não tinha necessidade de ficar mais tempo em Reno já que as visitas eram agendadas com antecedência e não tinha a possibilidade de encontrar com Laura novamente. Ligou para a companhia aérea e conseguiu voltar em um voo noturno. Seu carro havia ficado no estacionamento do aeroporto, dirigiu alguns longos minutos até o seu apartamento e nem acreditou quando finalmente chegou. Estava faminta mas sabia que não tinha nada para preparar, morava praticamente em seu emprego e o seu apartamento acabou tornando-se hospedagem para os fins de semana, pegou um dos panfletos pendurados em sua geladeira e ligou para um fast food próximo.

Tomou uma ducha quente e colocou um pijama flanelado preto, minutos depois e já estava comendo, não sabia se o tempero era realmente bom ou estava com muita fome. Sentada a mesa, enquanto ela comia procurava o contato de Stella em seu celular, a julgar pelo o horário a governanta ainda estaria acordada.

Sara, que bom escutar sua voz.

— Já estou em Vegas, mama. Achei melhor adiantar o meu retorno.

Como foi o encontro? Sua voz está bem animada.

— Tivemos uma boa conversa. Acho que no fundo foi libertador para nós duas.

Não imagina o quanto eu fico feliz em escutar isso. Vocês duas merecem desapegar do passado.

— Agora eu reconheço isso. Só liguei pra te manter informada, amanhã eu volto e podemos conversar melhor.

Tire esse dia de folga, querida. Grissom está em casa esses dias, tenho certeza que ele consegue se virar com os filhos.

Eu sei que ele consegue. Vou aproveitar esses dias para colocar minhas matérias em dia e me distrair um pouco, essas últimas semanas não foram nada fáceis para mim.

Consigo imaginar. Aproveite mesmo esses dias porque Beth vai embora ainda essa semana, depois disso terá a atenção de Emma e Jason toda voltada para você.

— Vou descansar bastante então. Mama, vou desligar e deixar você dormir.

Bons sonhos, querida.

Click

Sara já estava deitada, sentia falta da calma de seu apartamento, muitas vezes não conseguia relaxar totalmente durante a semana. Ligou a pequena televisão e procurou algum filme para assistir, nada despertou a sua atenção. Optou por ligar o pequeno aparelho de som que ficava em seu criado-mudo, o locutor anunciava a temperatura da noite o que fez ela se encolher ainda mais na cama. Aos poucos foi vencida pelo o cansaço e sucumbiu ao sono, seu corpo finalmente relaxou depois de dias intensos.

Na madrugada foi acordada pelo o som estridente de seu celular, esticou a mão e semicerrou os olhos para proteger da forte luz, não reconheceu o número mas resolveu atender já que era a terceira tentativa. Com os olhos fechados, não reconheceu a voz do outro lado da linha mas quando recebeu a notícia que sua mãe havia falecido alguns minutos atrás a fez dar um salto da cama.

O primeira estágio foi a negação.

Tinha estado com Laura algumas horas antes e ela não apresentava nenhum sinal de estar enferma ou sentindo dores.

O segundo foi o desespero.

Estava sozinha em seu apartamento e sem ninguém para dividir o peso daquela notícia, não podia aceitar que tudo aquilo havia sido uma despedida. Quando a agente informou que ela sofreu uma aneurisma cerebral, Sara perdeu totalmente o chão. A história de intervenção cirúrgica de baixo risco era uma mentira.

Imediatamente Sara ligou para Stella que atendeu assustada a ligação no meio da madrugada, sem acreditar na tragédia a senhora tentava a todo custo acalmá-la, buscando dentro de si uma força para passar para ela.

Assim que soube da notícia, Stella sabia que tinha que ir imediatamente para a casa de Sara ampará-la naquele momento. Não conseguia raciocinar direito, sentou-se em sua cama para organizar os pensamentos, trocou de roupa apressadamente e sem pensar duas vezes foi até o quarto de Grissom. Diante da porta trancada, ela batia incessantemente e torcia para o seu patrão acordar antes que o resto da casa acordasse com o barulho.

— O que está acontecendo, Stella? Por que você está chorando? — Grissom tomou a senhora em seus braços e a abraçou, sentia as lágrimas da governanta molhar a camisa do seu pijama. Tentou recordar de algum parente de Stella que ela já tinha mencionado e sentiu o coração falhar quando pensou em Sara que estava viajando.

— A mãe de Sara morreu. Você poderia me levar até o apartamento dela? — Ela soluçava e Grissom a levou para dentro de seu quarto, ainda segurando suas mãos ele sentou Stella na sua cama e logo em seguida fez o mesmo,

— Claro que eu levo você até lá mas antes eu preciso que você se acalme um pouco. Fique aqui que eu vou buscar um copo de água para você.

— Não! — Respondeu desesperada.- Eu não quero que ela fique mais tempo sozinha.

Grissom assentiu e foi até o seu guarda roupa pegar uma roupa para trocar, foi até o seu banheiro e arrumou-se apressadamente. Contrariando Stella ele achou melhor não avisar a sua mãe sobre o ocorrido, sabia que ela iria fazer de tudo para ir junto mas ele não aprovava a ideia de deixar seus filhos sozinhos. Durante o trajeto ele segurava a gelada mão de Stella, quando chegaram ao apartamento, ela praticamente saltou do carro, entrando no elevador sozinha deixando ele para trás.

Sara quando abriu a porta e viu Stella, correu para os seus braços. A presença da senhora a dava uma segurança que tudo iria se resolver, ela não esperava perder a mãe daquela forma. Nunca imaginou que aquela conversa seria um tom de despedida, seu coração doía em imaginar diálogos que nunca existiram, pela última vez Laura suplicava por perdão e aquilo era o máximo que ela conseguiu dar.

— Eu não sabia o que estava acontecendo com ela. — Stella acariciava os cabelos de Sara, levou-a até o sofá e fez com que ela deitasse a cabeça em seu colo. O máximo que ela poderia oferecer a Sara naquele momento era o seu ombro para chorar. — Ela escondeu de mim o que estava acontecendo.

Grissom empurrou a porta do apartamento que estava semicerrada, fechou a porta atrás de si e encarou Sara. Enviou um olhar carinhoso, queria poder abraçar e confortá-la naquele momento, quando criança ele havia perdido o seu pai de uma forma inesperada e apesar da pouca idade ele levou anos para curar a ferida do luto.

— Meus sentimentos, Sara.

— Obrigada, Grissom. — Ela levantou-se e aceitou o abraço curto porém afetuoso.

— Eu sei que esses momentos são complicados mas eu posso resolver toda a burocracia. — Ele sentou em uma poltrona próxima do sofá. — Não precisa se preocupar.

— Não quero incomodar.

— Aceite, querida. Tenho certeza que Gil não irá se importar com isso. — Stella secou as lágrimas do rosto de Sara. Ele observava as duas em silêncio, algo dentro dele dizia que era errado a tratar com tanta frieza naquele momento mas apesar de querer transpassar a barreira, tinha plena convicção que não poderia fazer.

— Não será nenhum tipo de incômodo.

Levantou-se e foi até a pequena cozinha, precisava molhar a garganta e engolir as palavras. Procurou por um copo e serviu-se da água da geladeira, espantou-se ao abrir a porta e encontrar uma geladeira de uma pessoa com um paladar infantilizado. Procurou por mais dois copos limpos para oferecer para Sara e Stella.

— Tomem, vai ajudar vocês se acalmarem. — As duas aceitaram em silêncio e Grissom retornou a sua posição inicial e pensou em como o seu trabalho o deixava insensível para aqueles momentos, entendia o ciclo da vida.

— Vou preparar algo para você se alimentar, querida. Você precisa se manter firme.

— Eu não tenho fome. Comi mais cedo.

— Escute a Stella. Alimente-se o suficiente para se manter em pé. — Grissom interviu e sentou-se no sofá ao lado de Sara. Seu olhar sobre ela era imperativo e não deixaria se persuadir pelo o olhar suplicante dela. A governanta entendeu o silêncio dela como uma anuência. Antes mesmo dela entrar na cozinha, Grissom tocou o seu braço.

— Aguarde enquanto eu vou procurar algum supermercado aberto, acho que a Sara não tem nada de muito nutritivo aqui. — Stella deu uma rápida averiguada na cozinha e concordou antes mesmo de abrir os armários e geladeira, os panfletos espalhados evidenciaram uma vida nada saudável.

Grissom saiu e se informou com o porteiro onde ficava o prédio mais próximo ao condomínio, informado que ficava à algumas quadras dali, aproveitou o tráfego reduzido e acelerou um pouco mais que o usual. Dentro do supermercado pensou em um prato que agradasse Sara, tinha por opção um confort food como mac and cheese. Pegou os ingredientes que desse a Stella um pequeno leque de opções para fazer um cardápio nutritivo, optou por levar alguns vegetais, legumes e algumas frutas. No caixa pegou uma pequena barra de chocolate como forma de animá-la.

Retornou ao apartamento e Stella já estava na cozinha, aparentemente “garimpando” algo que pudesse adiantar a refeição.

— Não sei como ela consegue sobreviver comendo tão mal desse jeito.

— Já tivemos a nossa fase. — Grissom colocou as sacolas sobre a mesa e Stella espantou-se com a quantidade e variedade de comida que ele tinha comprado. Ele reparou no olhar dela, afinal estavam juntos há doze anos. — Não tive muita ideia de cardápios, achei melhor você de mais de uma opção. — Justificou.

— Vou fazer algo que dê energia, pelo o que eu conheço ela não vai querer se alimentar tão cedo.

— Aliás onde ela está? — Por não ter encontrado na sala, imaginou que ela estivesse na cozinha junto a Stella.

— No quarto, final do corredor.

Ele assentiu e foi em direção ao cômodo. A penumbra do local invadiu os seus olhos, tateou a parede até encontrar a porta.

— Acordada? — Perguntou encostado na porta.

— Sim. — Ela acendeu o pequeno abajur, iluminando uma pequena parcela. O ambiente não era muito grande, apenas a sua cama de casal e uma cômoda branca preenchiam o quarto, um mural com várias fotos estava acima de sua cama. A cortina protegida por um blackout, evitava que a luminosidade néon do letreiro do hotel que era ao lado de seu condomínio incomodasse. — Pode entrar.

— Como se sente?

— Não sei. Talvez um misto de tristeza e desespero. Nunca estamos preparados para a morte.

— Não mesmo. — Desligou o modo “supervisor” para manter uma conversa sem ofender os sentimentos dela. Indicou a ponta do colchão esperando a permissão dela para sentar, sua costela estava doendo pois o efeito do remédio estava acabando. — No início dói de uma maneira que acha que isso nunca vai passar, que a dor vai ser constante e latente. — Coçou a bochecha, lembrando-se da morte de seu pai. Seus olhos vagueavam pela pequena fresta neon no quarto — Um dia você vai acordar e vai reparar que a vida continuou mesmo sem a presença dessa pessoa.

— Quanto tempo leva? — Abraçada em seu corpo, prestava atenção nos gestos dele.

— Eu não tenho essa resposta. — Ele suspirou e voltou-se para ela.- Tem dias que eu ainda sinto falta do meu pai. Nesse momento você tem que permitir-se sentir o que está sentindo. Se é vontade de chorar, gritar ou correr, somente sinta.

Sara respirou fundo e engoliu a seco mas novamente as lágrimas voltaram a rolar porém, com mais intensidade que antes. Não era um choro desesperado, as lágrimas simplesmente deslizavam em seu rosto, no meio da cama e ainda abraçada em seu corpo ela não tentava disfarçar ou impedir seu sentimentos.

— Venha cá. — Grissom levantou-se e sentou-se próximo a cabeceira da cama, esticou as pernas tendo o cuidado de deixar seus pés não encostar no lençol limpo, abriu os braços e fez um gesto com as mãos para a Sara se aproximar. Ela encostou as costas em seu peito e ele fechou seus braços. — Vai ficar tudo bem, tenha paciência.

Não tiveram noção por quanto tempo ficaram naquela posição, em todos os momentos de fragilidade ambos estavam disponíveis a ajudar, o que era de se estranhar da parte deles já que não eram dados a demonstração de afeto mas quando se travava de Grissom e Sara, algo natural e místico os espreitava.

Stella entrou no quarto e precisou segurar firme o prato para não derrubar, ver os dois abraçados e praticamente deitados a fez perder o chão por alguns segundos. Não conhecia a relação dos dois e muito menos os limites que eles tinham estipulados. Grissom levantou a cabeça e levou o indicador ao lábio indicando silêncio.

— Ela acabou de pegar no sono.

Notas finais
Então é isso ! :D Carol será uma personagem que eu vou continuar explorando em breve, digamos que ela será um grande divisor de águas entre Grissom e os pais de Maggie. Diga-se de passagem estou inspirando ela em pessoas bacanas que convivem comigo :P Reescrevi algumas vezes esse encontro entre Laura e Sara, confesso a vocês que eu tenho pouco conhecimento sobre as duas no seriado, procurei alguns vídeos sobre o relacionamento das duas para entender um pouco mais. Como a fic se trata de um universo alternativo me senti livre para fazer algumas alterações. A respeito de Grissom e Sara : — Molly os dois só vão ficar se consolando ? — NÃO ! rs. Esse foi o marco final entre o período de conhecimento entre eles, a partir daí vamos dar uma alavanca nesse relacionamento ♥♥ Muito obrigada por todos que acompanham a fic ! Valeu de verdade. Beijão.