Sim, Senhor.

21 Capítulo 21


Notas iniciais
DEMOROU MAS SAIU ! Pessoal, sei que o capítulo demorou bastante para ficar pronto mas precisava escrever esse capítulo com muito carinho e além disso tive uma semana intensa de avaliações na faculdade mas agora estou de férias ! Peço perdão pela demora mas agora com as férias tudo vai se organizar. Gostaria de agradecer muito a Dama das Estrelas pela recomendação, não sabe como eu fiquei feliz em ler ! Admiro muito a sua escrita e saiba que é uma grande inspiração para mim. Obrigada de coração. Alcançamos a marca 101 comentários e mais de 6000 mil vizualições (gostaria de agradecer a minha mãe que já visualizou 5000 vezes, HAHAHA) Eu fico sem acreditar nisso. Muito obrigada de verdade, cada comentário me impulsiona a escrever mais. Sem mais delongas. Boa leitura,

O dia seguinte depois daquela confusão parecia ser uma grande ressaca para Sara. Dormiu muito pouco depois da conversa que teve com Grissom na sala, quando entrou no quarto Stella estava sentada em sua cama apenas com a luz do pequeno abajur aceso, a senhora não precisou falar nada, com os braços abertos ela acalentou Sara por longos minutos.

Em silêncio.

Como pudesse aliviar toda a carga de estresse dela.

Sara e Grissom trocaram poucas palavras durante o café da manhã, apenas o necessário. Ele não ignorava o que tinha acontecido na noite anterior apenas não queria expor um problema que era pessoal de Sara na mesa junto a sua família.

Beth observava os dois, tinha escutado toda a confusão mas com receio de Emma acordar e escutar todas aquelas barbaridades achou melhor ir para o quarto de seu filho onde sua neta dormia profundamente. Ela tentava não transparecer mas estava incomodada com a fala do homem na porta de seu filho

O silêncio era incômodo na presença dos quatro a mesa, Sara fazia a sua refeição cabisbaixa e sem encarar nenhum dos presentes, o prato com ovos mexidos estava praticamente intacto, estava sem fome e envergonhada de estar ali. Grissom fazia a sua refeição respeitando o silêncio sacro na cozinha, sentia o olhar pesado de sua mãe sobre ele mas achou melhor evitar o contato… por enquanto.

—Gil, Jason ainda não chegou? — Ele saiu do devaneio quando sua mãe o questionou, com uma das sobrancelhas arqueadas fez uma rápida inspeção nas mulheres na mesa

— Ainda não, mãe. Ele me disse que voltaria assim que acordasse.

— Não se esqueça de conversar com ele.

Ele assentiu com a cabeça e levantou-se, naquela manhã ele não tinha nada em mente planejado, seu turno iria começar 22:00hrs e por incrível que pareça ele não tinha pendências a resolver. Pensou em sair um pouco de casa para poder espairecer depois da confusão de ontem.

“Algo a se pensar”.

— Sara. — Beth tocou em seu braço de uma forma doce, como sempre fazia. — Não quero que você fique assim por tudo que aconteceu ontem.

— Eu não sei como eu posso me desculpar. — Sara esboçou um tímido sorriso, quase imperceptível. Grissom que a encarava meneou a cabeça discretamente.

— Não é necessário, querida. Ainda bem que você estava aqui conosco, imagine se esse rapaz fosse até o seu apartamento.

Sara concordou, não tinha pensando naquela possibilidade. No fundo ficou aliviada com o fim daquela confusão. Ela sabia como evitar Hank daqui para frente, o paramédico tinha sido alertado por Grissom e se fosse preciso ela faria questão de salientar as ameaças.

— Agora vamos esquecer essa história. Não é necessário ficar remoendo o que aconteceu ontem. Mas por favor querida, nos avise se ele voltar a te importunar, temos meios legais de resguardar você.

— Obrigada, D. Beth. — Ele suspirou.- Tenho certeza que Hank entendeu o recado dele.

Grissom pediu licença e saiu da mesa, colocou os seus talheres na pia e saiu em direção a parte externa da casa. Perto da piscina, olhou para o seu quarto ao que parecia Emma ainda estava dormindo, levou as mãos ao rosto e esfregou a palma contra a sua face, em sua prece interna pedia que sua filha não tivesse escutado nada daquela confusão.

Ele nunca teve problemas extraconjugais com Heather, não com ela.

Sua mãe apareceu ao seu lado segurando uma xícara fumegante de café, parada ao lado dela ela também encarou a porta da varanda do quarto do seu filho. Sabia que ele estava preocupado.

— Emma não escutou nada, estive ao lado dela durante a confusão,

— Obrigada mãe, não quero que ela se envolva em problemas de adulto. — Ele fez aspas com os dedos na última palavra. — Acho que ela é muito nova para segurar tantos problemas.

— Gil, o que o rapaz falou é verdade? — Beth não mediu as palavras, tomou apenas cautela para saber se estavam sendo observados. — Eu já ouvi o nome dessa mulher algumas vezes.

— Claro que não. Eu nunca traí Maggie com a Heather.

— Como esse rapaz chegou a essa conclusão então ?

A maneira que Beth encarava Grissom lembrava muito como Brass conduzia as suas investigações.

— Achei vocês ! — Emma cruzou a porta que dava acesso a parte externa. Ainda usando seu pijama ela foi ao encontro deles.

— Bom dia, Em. Teve gente que dormiu mais que a cama ? — Beth abaixou até a altura dos olhos da menina e beijou a ponta de seu nariz e logo em seguida foi presenteada com um abraço de sua neta.

— Eu adoro dormir na cama do papai. Parece que ela abraça a gente para dormir.

Grissom riu da constatação de sua filha, cada dia ela era mais surpreendente em suas frases. Emma repetiu o beijo e o abraço em seu pai.

— Agora que eu me dei conta que o foi o furacão Emma que passou correndo aqui na cozinha. — Sara apareceu na porta com as mãos na cintura.

— O que eu já falei a respeito de correr dentro de casa, senhorita? — Grissom repreendeu Emma que fez uma careta ignorando a fala dos adultos. — Já quer iniciar o dia de castigo ?

Ele não era do tipo de pai que utilizava o castigo como forma de correção mas as vezes Emma extrapolava e era necessário utilizar esse método alternativo. Emma tinha o mesmo defeito de Maggie, era espontânea demais.

— Venha, vamos comer alguma coisa.

— Posso comer aqui fora, Sara?

— Se o seu pai não se importar, não vejo problema algum. — Grissom fez o sinal de positivo com as mãos e Emma sentou-se na espaçosa mesa próxima ao jardim. Sua família tinha o costume de fazer refeições naquele espaço no verão, Maggie adorava receber os seus amigos nos fins de semana. Aquele local já havia sido palco de grandes reuniões.

— Esse assunto ainda não terminou, Gil. Eu sei que você não me deve satisfações mas eu ficaria tranquila em saber que nessa confusão toda você não tem culpa de nada.

Grissom abriu e fechou a boca várias vezes sem conseguir falar nada. Podia estar fazendo uma interpretação errada de sua mãe mas parecia que ela desconfiava que ele escondia alguma coisa. Achou melhor descartar essa opção.

— Cadê o Jason ? — Sara colocou o café da manhã de Emma na mesa, a menina perguntou enquanto tomava um pouco do suco de laranja.

— Ainda não chegou, Emma. — Grissom sentou-se ao lado de Sara. Os três na mesa e as duas curiosas observando o trio da cozinha.

— Ele vai demorar?

— Daqui a pouco ele vai estar aí. — A menina mudou a sua feição, se tratando de Jason ela logou ficava desanimada com a ausência do seu irmão.

— Você viaja hoje, Sara?

— Sim, hoje a noite. — Ela sorriu para Emma que a encarava. — Vai sentir a minha falta?

— Todo mundo está me abandonando.

Grissom sentiu o coração falhar por um segundo, entendia que aquilo era um pouco de drama da parte de Emma mas ela poderia a qualquer momento tocar no assunto de Maggie. E independe do tempo ele nunca estava preparado para falar sobre esse assunto com a sua filha mais nova.

— Segunda feira eu estou de volta, mocinha. Vai ser tão rápido que quando você menos esperar eu já estou estacionando o meu carro velho aqui.

Emma sorriu e atentou novamente para a sua refeição, escutaram quando Jason cumprimentou Stella e Beth na cozinha, sua irmã largou os talheres e foi em direção a cozinha abraçar Jason.

— Emma ama muito Jason. Acho isso muito bonito.

— Eu também, Sara. Eu fico tranquilo em saber que eles se apoiam dessa forma.

— Gostaria de aproveitar e te agradecer por ontem. — Ela curvou os ombros e cruzou os braços. — Não sabia que o Hank era um boçal daquela forma.

— Eu sabia, só não sabia se era meu dever te orientar. — Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou as mãos, apoiou o seu queixo nas mãos e encarou a jovem.

— Como assim? Você sabia.

— Hank costuma frequentar o laboratório, algumas cenas são antecedidas pelo os médicos e paramédicos, precisamos saber deles se algo foi alterado antes de concluir o relatório. Enquanto vocês supostamente estavam juntos, eu vi ele várias vezes mantendo um tipo de aproximação nada apropriada com as funcionárias do laboratório.

Sara ficou estarrecida, lembrou-se da fala de Grissom enquanto eles estavam no parque aquilo não tinha sido uma provocação ou alguma brincadeira dele, era um alerta gritante e ela preferiu ignorar. Levou as duas mãos na têmpora e massageou com as pontos do dedos, depois coçou o queixo envergonhada.

— Todo mundo enxergava como ele era um grandíssimo babaca.

— Não se culpe, Sara. Algumas pessoas tem o dom de enxergar a bondade antes da malícia. Se por acaso ele voltar a te importunar, me avise.

— Obrigada, Grissom mas acho que daqui para frente eu consigo me virar.

Gil ergueu as mãos em rendição, não tinha achado que a fala dela fosse uma resposta mal dada. O pouco que conhecia de Sara sabia que ela era uma mulher de atitude. Jason apareceu com Emma em seus ombros, a menina se debatia querendo descer e ele andava como não estivesse com a menina em seus ombros.

— Bom dia. — Jason colocou Emma em pé ao lado da cadeira, passou por trás de seu pai e lhe afagou os ombros e deu um rápido abraço em Sara. — Como vocês estão ?

— Não tão bem quanto você. — Disse Sara provocativa.

— Muito engraçadinha.

— Sua namorada vai estar livre amanhã à noite ?

— Não sei, pai. Por que ?

— É pai, por que ? — Emma olhou curiosa para Grissom. Não entendia o interesse dele na namorada de Jason.

— Porque queremos que ela venha jantar conosco amanhã.

— Sério, pai? — Jason questionou com um certo orgulho, no fundo ele se sentia bem agradando o seu pai. — Eu posso ligar para ela e combinar.

— Faça isso, vou pedir para sua avó e Stella preparem um jantar que agrade o peculiar paladar dos adolescentes.

Beth aproximou-se dos quatros, sorriu ao ver que Grissom havia tomado o primeiro passo para conhecer Mackenzie, mesmo sendo a pedido dela. Ela não podia negar, por dentro ela estava preocupada com o assunto entre Hank e Grissom. Estava acompanhada de Virginia e Robert, o casal havia acabado de sair do plantão e decidiram ir visitar os netos.

— Esses meninos esqueceram de mim. Quando Beth está aqui é até injusta a disputa de atenção. — Virginia aproximou-se de Emma e Jason, abraçou os dois e parou logo atrás de Grissom. A mesa onde estavam sentados não tinha mais lugar vago, a mulher encarou Sara sentada ao lado de Grissom e sorriu para ela.

— Não seja dura com as crianças, Virgínia. Elas estão conosco praticamente todos os fins de semana. Sua avó sempre dramática. — Robert fez uma careta e Virginia tentou o repreender com o olhar, o que tinha sido em vão já que todos começaram a rir.

— Já tomaram o café da manhã? Posso pedir para Stella preparar algo para vocês.

— Não é necessário. Comemos antes de sair do hospital. Passamos aqui por que queremos convidar vocês para passar o fim de semana em Mount Charleston. Faz muito tempo que não fazemos um passeio juntos e vamos aproveitar a presença de Beth.

— Eu quero ir ! — Emma falou eufórica encarando Grissom com seus olhos pidões. — Podemos ir.

— Por mim tudo bem, eu não posso ir hoje por que tenho que trabalhar mas se tudo no laboratório estiver tranquilo eu posso ir ao encontro de vocês.

— Se quiser podemos combinar, Gil. Vou estar no hospital ainda essa noite, tenho alguns pacientes em observação.

— Venha também Sara. Já que vejo que é praticamente da família.

— Muito obrigada pelo o convite. — Sara preferiu omitir o motivo da sua ausência, não devia satisfações para ela.

— Passamos aqui mais tarde para buscar vocês.

— Posso levar uma amiga ?

— Jason quer levar a namorada dele. — Emma encarou Jason com os braços cruzados. — É um fim de semana em família.

— Não sabia que você estava namorando, Jay. Se os pais da sua namorada não se importarem será muito bem vinda. — Disse Robert fazendo um sinal de positivo para o seu neto.

— Vou ligar para ela mais tarde. — Sorriu tímido.- Vocês vão gostar dela.

Emma revirou os olhos. Iria passar um fim de semana inteira com Mackenzie.

...

Grissom terminava de colocar as bagagens no carro de sua sogra, Stella tinha aceitado o convite feito por Robert e Virginia, quando eles viajavam faziam questão de impedir que ela realizasse qualquer afazer doméstico. Os pais de Mackenzie haviam liberado a jovem para viajar com eles, pelo visto Jason já era uma figura conhecida entre eles.

— Viagem com segurança. Quando chegarem me liguem. — Grissom fechou o porta mala e foi até a janela do motorista. — Não estranhe olhares maldosos de Emma, está enciumada com a Mackenzie. — Ele sussurrou para sua sogra.

— Eu já percebi mas sabemos que ela não consegue ficar desse jeito por muito tempo. — Ela sorriu. — Faça um esforço e vá com Robert nos encontrar.

— Farei o possível, tudo depende do resultado do turno de hoje.

Grissom despediu-se através da janela de todos, conferiu o seu relógio e viu que seu turno iria iniciar em alguns minutos. Já estava arrumado, precisava somente certificar que toda a casa estava fechada e sair. Viu quando Sara saiu pelo os fundos da casa em direção ao seu carro.

— Já vai ? — Ele perguntou parado ao lado de sua Denalli.

— Sim. Vou aproveitar para terminar de me organizar, sou do tipo que deixa tudo para última hora. — Eles sorriram.

— Quero te entregar uma coisa. — Ele apoiou a sua pasta no capo do carro, retirou um livro da capa verde. — Sei que você gosta de ler e vai te ajudar distrair a cabeça dos problemas.

Sara segurou o exemplar de Sonho de uma Noite de Verão, nunca havia lido aquela peça de Shakespeare, sorriu em uma forma de agradecimento.

— Muito obrigada, vai ser muito útil já que eu não consigo dormir em viagens.

— Fico feliz que tenha acertado no presente. Aproveite bem o congresso.

— Pode deixar.

Se despediram com um aceno de mãos e cada um entrou em seu carro. Sara saiu primeiro, ainda restava algumas horas antes da sua viagem, além de terminar suas pendências em relação a viagem iria entrar em contato com o manicômio judicial para enviar a resposta para sua mãe.

Havia decidido encontrá-la e aquilo parecia arrancar um curativo da ferida.

A noite não poderia começar mais agitada, todo o laboratório já tinha sido contaminado com a história de Nick ser um dos principais suspeitos da morte da prostituta Kristy Hopkins e para piorar a situação Conrad parecia gostar mais e mais de todo aquele rebuliço. Catherine estava encarregada de ajudar a Nick e enquanto ele ficava nos bastidores para não ser acusado de manipular evidências.

Estava trabalhando em um caso com Warrick, uma bomba havia sido detona a alguns dia em um grande edifício comercial e eles tinham Dominic, um sujeito por quem ele havia criado uma certa empatia, que tentava ajudar o caso mesmo depois de ter sido considerado suspeito.

Depois de um longo interrogatório haviam recebido a localização de uma terceira bomba, o suspeito havia confessado que a bomba estava em um colégio estadual onde estudava.

— Eu não me surpreendo mais com esses casos. No fim tudo parece ser passional. O mesmo amor que move é o amor que mata. — Grissom mantinha os olhos fixos nas ruas, o limpador quase não dava vazão para a quantidade de chuva, Ele pensava que provavelmente a chuva iria atrapalhar os planos de sua família.

— Não sei se concordo com você. Não sei se isso é uma demonstração de amor me parece muito mais uma atitude de egoísmo.

— Será que essas coisas não se misturam? — Com o cotovelo apoiado na janela, Grissom colocou-se a observar o capitão. Passou os dedos na testa e voltou a fitar a rua. Aquela conversa não os levaria a lugar algum.

Dominic já estava nos corredores do colégio, a facilidade de entrar no colégio de madrugada era absurda. O segurança havia escutado em seu rádio sobre a localização do artifício e sentiu-se do dever legal de ir retirar. Uma rápida análise no local e ele viu que era questão de segundos para retirar a bomba do local, o que ele não sabia era que a bomba era acionada por movimento.

Ao chegarem no estacionamento, Grissom deparou com o carro de Dominic próximo a entrada do colégio, saltou do carro e desceu as escadas correndo porém já era tarde. Seu mais novo amigo empunhava a caixa embrulhada com papel pardo a frente de seu peito.

—Dominic, larga essa caixa.- Grissom gritou enquanto Dominic mostrava orgulhoso o caixa. — Céus !

— Está tudo sob controle, Sr. Grissom. Só precisamos desarmar. — O homem era corpulento, parecia medir os seus passos, a chuva não ajudava.

— Dominic, presta atenção no que eu vou falar. — O supervisor passou a mão em seu cabelos molhados e abriu as mãos próximas ao seu rosto, querendo a todo custo que o homem entende-se o que ele falava. — A bomba que você está segurando é acionada com o movimento, não sabemos quanto tempo ainda temos.

O homem encarou a caixa parda e arregalou os olhos e aquele foi o seu fim. Como uma caixa de Pandora ele não sabia as consequências que viriam. Um clarão iluminou onde eles estavam, tarde demais para Dominic, sempre quisera ser um herói e a sua morte acabara de consagra-lo.

Com o impacto da bomba, Grissom foi arremessado alguns metros da sua posição, bateu o seu corpo no corrimão e protegeu o rosto com as mãos. Brass que ainda estava no topo da escada correu para auxiliar o perito. Gil levou as mãos a costela, aquilo doía demais, sua respiração estava pesada. Gemeu de dor quando tentou levantar.

— Fique nessa posição, homem. Estou ligando para a emergência. — Brass ajoelhou-se ao lado dele e colocou a mão em seu ombro. Conhecia Grissom como ninguém e sabia que ele era do tipo de pessoa teimosa, ainda falando no celular, o capitão tratou de segurar Gil no chão.- Pare de ser cabeça dura pelo menos agora.

Grissom apoiou a cabeça no chão, sentia muita dor e torcia para não ser nada além de luxação. A cada respiração mais profunda ao exalar o ar sentia uma pressão muito incomoda, não sabe quanto tempo ficou naquela posição até a ambulância chegar. A jovem Brandon foi o responsável por atendê-lo, com o auxílio dos paramédicos ele foi retirado do chão e colocado na ambulância.

Aquela noite parecia se recusar a terminar, no hospital foi submetido a uma bateria de exames, um raio-x e uma ressonância do tórax revelou uma fratura na costela, com o impacto ele tinha sofrido algumas escoriações na altura do peito.

— Parece que vamos precisar de alguns dias de repouso, Sr. Grissom. — Brandon segurava os resultados dos exames. Grissom estava todo ligado aos aparelhos para medir sua pressão e batimentos cardíacos. — Vou ficar mais tranquilo se deixá-lo em observação essa noite.

— Dr.Brandon — Ele suspirou e logo em seguida gemeu de dor.- Eu consigo ir para casa.

— Você acaba de me dar uma demonstração que não está em plenas condições de ir embora. Será apenas essa noite, você vai continuar com o remédio intravenoso até as dores aliviarem.

Algumas batidas na porta do quarto e Robert apareceu fechando a porta atrás de si. Ele e o jovem médico trocaram um breve aceno.

— Como está, Gil? — Robert aproximou-se do seu genro, trocaram um ligeiro aperto de mão.

— Me sinto bem mas o seu amigo acha melhor eu passar a noite em observação.

— Faz bem escutar o Dr.Brandon. Eu sei que em casa você não vai tomar os cuidados necessários e é capaz de retornar para o laboratório hoje.

— Ele é tão previsível assim, Dr.Robert? — Grissom revirou os olhos

— Ele é meu genro, conheço a teimosia.

— Bem, eu preciso ir visitar outros pacientes. Sr. Grissom, você tem alguém para ficar de acompanhante?

— Não.

— Caso necessário acione essa campainha que está ao lado da sua cama, assim que possível alguma enfermeira vem te auxiliar. Seus pertences pessoais estão naquela mesa.

Grissom e o médico trocaram um aperto de mão, antes de sair ainda checou a sua pressão arterial. Um dos principais motivos da breve internação do perito, quando deu entrada no hospital a pressão dele oscilava e o médico acreditava que era devido a preocupação e ansiedade do diagnóstico mas as oscilações continuaram.

— Não há com o que se preocupar. — Robert foi até a porta, virou a chave, trancando a porta. Grissom tentou mudar a sua posição na cama, estranhou o comportamento de Robert que tinha um semblante completamente diferente.

— Só não vejo necessidade de passar a noite aqui. — Grissom encarou a janela do seu apartamento, a visão que tinha da cidade era do alto, a chuva parecia acariciar o vidro. Arqueou uma sobrancelha quando viu seu sogro o encarando. — O que foi?

— Que história é essa do Hank aparecer de madrugada na porta da casa da minha filha?

— Pelo visto o babaca está contando isso como vitória. — Coçou o seu queixo com certa força, deixando a marca de sua unha na pele. — Ele foi ameaçar a Sara e eu não deixaria por menos.

— Por acaso é obrigação sua defender aquela garota? — Robert deu um passo à frente.

— O que você está querendo insinuar, Robert? — Mesmo com dor, Grissom apoiou as duas mãos contra o colchão e impulsionou o seu corpo para trás. — Eu não deixaria um abutre como aquele cara fazer algo contra a Sara.

— Você está tendo algum caso com essa garota, Gilbert?

— Está louco? — Ele apertou o lençol da cama contra a sua mão.

— Uma jovem bonita como ela, circulando livremente na sua casa e totalmente desimpedida. Ora, Gilbert a quem quer enganar ?

— Você acha que eu sou como você ? — Ele liberou o ar dos pulmões. — Acha que eu fico por ai pagando de bom homem e bom marido?

— Gilbert, Gilbert… — A voz dele soava ameaçadora.

— Você é um homem baixo! Ou você acha que eu me esqueci o que você fez quando a sua filha foi embora ?

Robert bufou de raiva, andou em direção a porta e retornou onde Grissom estava. Seus olhos estavam escuros de rancor, sua respiração condenava o seu nervosismo.

— Você praticamente confirmou esse boato que eu traia Maggie com a Heather sendo que ambos sabemos que isso não é verdade. Eu me arrisquei para aliviar a sua pele e o que eu recebo em troca é isso, Robert. Eu só não te expulso da minha casa todas as vezes que eu te vejo por que eu sei que Emma e Jason não merecem passar por isso, inclusive Virginia não merece isso. Em momento algum você levantou a voz para me defender dessas especulações.

— Por acaso você está me ameaçando?

— Claro que não. Eu já disse que eu não sou como você. Você nunca parou para pensar nas consequências das suas mentiras? Eu praticamente tive que proibir o acesso dos meus filhos a esse hospital por causa dessa história.

— Você realmente acha que eu ia deixar a minha filha sair dessa história com a reputação manchada?

— Então é melhor que seus netos acreditem que a mãe foi embora porque o otário aqui traía a mãe deles. Você já parou para ouvir o que você andava espalhando? — Os sons do aparelho de pressão ao lado dele o tirava do sério, arrancou o objeto que estava preso em seu dedo e apontou em riste para seu sogro.

— Heather nunca negou que vocês tiveram algo.

— Eu estava tão devastado depois que Maggie foi embora que eu me recusava acreditar nos boatos que chegavam aos meus ouvidos. Você sempre soube que eu nunca tive nenhum romance extraconjugal com essa mulher mas você preferiu o silêncio que “manchar” a imagem de Maggie. Sendo que ela mesmo fez quando abandonou tudo isso.

Robert aproximou-se da cama de Grissom, colocou as mãos no jaleco e ficou estagnado olhando para ele. Tinha muita vontade de socar a cara de seu genro, sempre tiveram um bom relacionamento até ele descobrir através de uma investigação que Robert frequentava a mansão da dominatrix, havia sido uma situação embaraçosa encontrar o seu sogro naquela situação.

O pior havia sido omitir a presença dele em seu relatório.

— Essas paredes têm ouvido e boca, Gilbert.

— O que você acha que eu senti quando aquele filho da puta foi gritar na porta da minha casa a respeito de Heather. Imagine se Emma estivesse escutado aquilo.

— Não tenho culpa se você dá liberdade demais para a sua criadinha. — Disse ironicamente

— Cala a boca, Robert. Sai desse quarto agora. — Ele apontou a porta do quarto. Não iria admitir que ele ficasse fazendo insinuações a seu respeito e muito menos que criasse outra história sem fundamentos. — Se você não sair eu sou capaz de me levantar e eu mesmo te tirar daqui.

— Abra o olho com a ninfeta que você colocou dentro da sua casa. — Robert abriu a porta e fechou atrás de si.

Grissom respirou aliviado ao ver aquele homem sair de seu quarto, estava prestes a perder o seu juízo. Não compreendia como uma pessoa poderia ser tão baixo como ele, prejudicava a todos somente para preservar a sua imagem, pegou um pouco de água e só então reparou em como estava tremendo, com muita dificuldade deitou-se novamente. Precisava mesmo era de um bom analgésico e estar longe daquele hospital.

Na madrugada a chuva intensificou, trovões cortavam o céu de Las Vegas, a única luz a entrar no quarto era que vinha da rua. Concentrado observando a tempestade não se deu conta quando Sara entrou em seu quarto. Sem acender a luz por achar que Gil estivesse dormindo ela entrou evitando fazer qualquer ruído.

Tocou o seu ombro e Grissom saltou de susto e gemeu logo em seguida.

— Me desculpe, não quis te assustar. — Sara colocou uma mecha do cabelo para trás e sorriu. — Soube do seu acidente.

— Sara? — Grissom tentou adaptar os seus olhos na escuridão. — O que faz aqui?

— Stella me ligou avisando o que tinha acontecido.

Grissom lembrou-se que o seu contato de emergência era a sua governanta, possivelmente com a forte chuva eles não conseguiram sair de Mount Charleston. Sara usava uma jaqueta preta e um boné preto, ambos estavam bem molhados. Grissom riu ao reparar ao estado dela.

— Está aqui fugindo de alguém? — Sussurrou com a cabeça pendendo em seu ombro.

— Engraçadinho. — Ela sorriu. — Las Vegas está sucubindo as águas, precisava me proteger. Como você está?

— Bem. Estaria melhor se pudesse ir para casa. — Fez uma careta desgostosa. — Você não ia viajar?

— Quando Stella me ligou avisando que você veio parar no hospital eu cancelei.

— Por que você fez isso? — Ela falou em um tom de desespero, não era função de Sara cuidar dele e sim de seus filhos.

— Porque eu gosto de você.

A frase não soou tão simples como ela queria. Sozinhos naquele quarto de hospital, a frase abria margem para outras interpretações. Grissom engoliu a seco e não soube como reagir.

— Você me ajudou com o Hank. Essa a minha oportunidade de retribuir.

— Sara. É a sua carreira e o seu futuro.

— Gil. Foi escolha minha e eu não me arrependo. Não existe a possibilidade da sua família estar aqui para te ajudar. Não se preocupe. — Sara tirou a pesada jaqueta e o boné e colocou sobre a poltrona, na realidade estava com frio, a chuva estava gelada e o vento provocava arrepio.

— Obrigado então. — Ele sorriu. — Está com frio, pegue. — Ele estendeu o cobertor hospitalar para ela.- Estou confortável só com esse.

— O que aconteceu com você? — Ela acomodou-se na pequena cama na lateral do quarto, o cobertor que Grissom havia lhe dado era pesado e macio, sentou-se com as pernas cruzadas e cobriu-se, colocando o cobertor debaixo de seu queixo.

— Fraturei uma costela com o impacto. — Esticou os lábios para frente fazendo um bico enquanto arqueava a sobrancelha. — Vou precisar de repouso por alguns dias.

— Tenho quase certeza que você não vai respeitar esse período.

— Vontade eu não tenho mas realmente dói. Vou ser obrigado a diminuir o ritmo.

— Aposto 10 doláres que mesmo com dor você não vai deixar de trabalhar.

— Não me faça rir, por favor.

Sara sorriu e ele também. Ficaram se encarando por alguns segundos até que ela desviasse o olhar. A companhia um do outro era agradável mas eles não podiam se esquecer do abraço depois da confusão com Hank, havia sido íntimo demais para quem não tinha nenhum tipo de vínculo. Ele havia visto um em momento frágil e a protegeu como os braços dele sempre tivessem sido o seu abrigo.

— Quer ligar a TV?

— Se você não se importar? Melhor que ficar escutando o barulho dessa máquina. — Sara apontou o aparelho ao lado dele. Grissom pegou o controle e entregou para ela, zapeando entre os canais ela achou o filme Ladies in Lavender, lembrou-se de ter lido o livro sobre o filme enquanto ainda estava no orfanato.

— Romance, Sara? — Ele indagou olhando para TV.

— Isso é um conto de fadas para senhoras. Vale muita a pena assistir.

— Não faz muito o meu estilo de filme. Mas posso dar uma chance.

— Esse filme pode aquecer o seu coração ou fazer você pegar no sono e descansar. Inútil eu te garanto que não vai ser. — Sara piscou para ele e achou melhor deitar naquela cama, também estava cansada. Não queria contar para ele mas quando Stella ligou falando sobre o acidente ela ficou inquieta imaginando que Hank poderia estar por trás de tudo isso.

— Você se importa em pegar o meu celular. Provavelmente está no bolso do meu casaco, aposto que existem milhares de ligações perdidas.

Sara resmungou e levantou-se, tinha acabado de se acomodar e precisou abandonar o edredom quente. Grissom reparou e mordeu o lábio inferior encantado com a atitude de menina que tinha, com o celular em mãos viu que tinha 7 ligações perdidas de Stella e 2 de Sara.

— Tranquilizei, Stella. Provavelmente ela não avisou a Emma e Jason que você está internado. Você conhece ela tão bem quanto eu e sabe que ela fica ansiosa com essas situações. Amanhã eu ligo para ela dando notícias suas.

— Muito obrigado. Agora vamos descansar que a noite não foi tranquila para mim e imagino que nem para você com toda essa mudança de planos. — Grissom tentou arrumar uma posição para poder relaxar deitado mas as suas escoriações ardiam cada vez que ele roçava a pele contra o tecido.

— Deixa eu te ajudar. — Ela levantou-se e pegou alguns travesseiros que estava dispostos perto de seus pés, como ele havia fraturado a costela direita era mais viável que ele dormisse virado para o lado direito para evitar mexer. Sara pediu que ele permanecesse sentado enquanto ela colocava um travesseiro ao lado de seu peito. — Acho que dessa forma você fica um pouco mais confortável. — Um segundo travesseiro ela colocou nas costas dele para evitar que ele mexesse enquanto estava dormindo.

— Bem melhor essa posição. Obrigado.

— Agora relaxe e qualquer coisa pode me chamar. — Sara colocou a mão em seu ombro e abaixou a cabeça para poder olhá-lo. Seus olhos azuis transmitiam cansaço, seu olhar pedia um carinho mas ela não poderia fazer aquilo, não queria ultrapassar nenhuma barreira com ele.

Grissom cometeu o pecado de desviar o olhar para poder encarar a boca dela, os finos lábios estavam entreabertos revelando o pequeno diastema, umedeceu os lábios e encarou ela novamente, os olhos azuis transmutaram para o desejo e ele sabia que era errado. Sara apertou o ombro dele com um pouco mais de força, ela não saberia se resistiria a vontade de saber o gosto do beijo dele.

"Saia daí, Sara"

"Saia daí, Grissom"

O aperto não pareceu surtir efeito nele, todo esse momento durava fração de segundos mas os dois pareciam se encarar por muito mais tempo. Era uma reação magnética, culpava-se por ter o encarado daquela forma, ninguém sabia quem havia tomado a iniciativa mas o primeiro contato havia sido gostoso, os lábios macios se uniram de uma forma casta e lenta, os lábios entreabertos permitiram que Grissom captura-se o lábio inferior dela para dentro de sua boca, o frescor dos halitos suplicava por mais. Com a mão aberta e espalmada ele puxou delicadamente ela pela cintura. Sara sentiu um arrepio correu por sua espinha quando sentiu o quente de sua língua encontrar com a dele, o que havia iniciado com delicadeza começa arder em luxuria.

Com o barulho de um relâmpago eles se separaram. Os olhares assustados percorriam pelo o quarto buscando uma explicação plausível pelo o que tinha acabado de acontecer.

— Me desculpe, Sara. Isso não devia…

— … ter acontecido. — Ela concluiu.

Notas finais
VAMOS AS CONSIDERAÇÕES FINAIS ? Robert só se mostra como um santíssimo mas na realidade é um belíssimo filho de uma puta. Se faz de bobo para sobreviver mas está metido com a Heather até o último cabelo da cabeça, vamos ver isso no desenrolar da história. Sobre o filme Ladies in Lavender, eu super recomendo. É um filme muito bonito e mostra que o amor não tem idade e principalmente por que tem o gatissímo do Daniel Bruhl. E CLARO NÃO SERIA GSR SE NÃO HOUVESSE UM BEIJO E UM ARREPENDIMENTO. Espero que não tenha desapontado vocês mas as coisas vão melhorar em breve, através da dor vai surgir ao maior (guardem isso). Beijão galera. OBS: Espero que quando eu poste o próximo capítulo o Brasil já tenha ido para as semi-finais. HAHAHA. ♥♥