Sim, Senhor.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Sara estava com o endereço em mãos, pelo o endereço sabia que era um local luxuoso e pelas histórias que Stella sempre contava o local era muito bem frequentado. Quando ela havia recebido a proposta recusou de primeira, sabia que aquele estilo de vida não combinava com ela.
Desde que sua mãe havia assassinado o seu pai e ela havia sido enviada para um orfanato, teve contato com diversas crianças com diversas idades, como ficou internada desde os seus 13 anos, cresceu ajudando as auxiliares pelo o orfanato.
Mas o realmente convenceu Sara havia sido o olhar de Stella, aquela senhora que tanto fez por ela. Quando aos 13 anos sua vida virou de cabeça para baixo era Stella que esteve ao seu lado em todos os momentos, inicialmente Sara iria ser adotada por ela mas seu marido Gordon não havia permitido isso, segundo ele “Eles não iriam se responsabilizar pela loucura de Laura”. Mesmo contra a vontade do marido, todos os fins de semana elas se encontravam e passavam longas horas juntas, todas as datas comemorativas elas sempre estavam juntas e assim foi até Sara finalmente ter sua maioridade e sair daquele lugar.
—Bom dia. A Sra. Talmage já aguarda você. A casa é número 403.
Sara agradeceu ao funcionário que havia recebido e deu partida no seu carro após ele levantar a cancela, atenta aos números ela observava as casas ao redor, o local só comportava belas casas, algumas muitos luxuosas e outras não, que não era o caso da casa onde Stella trabalhava.
A senhora já estava de pé na porta a sua espera, o tempo parecia não ter passado para ela, continua com o mesmo rosto redondo e as bochechas rosadas, apenas o cabelo que estava branco. Sara estacionou o seu carro ao lado de uma luxuosa GMC Denalli preta que indicava que o dono da casa estava em casa.
—Que saudades de você, minha pequena. – Stella lhe ofereceu um abraço caloroso, o abraço era sempre o mesmo desde o primeiro dia que Sara a conheceu. O cheiro que era comum da senhora ainda era o mesmo, cheiro que para ela era como fosse um cheiro de lar.
—Também estava morrendo de saudades de você, mama.
Depois que Sara havia recebido a notícia que Stella iria ser a sua nova tutora, carinhosamente a apelidou de “mama” porém com toda a movimentação de seu marido ela acabou sendo impedida de ficar com ela mas mesmo assim Stella sempre gostou do apelido e desde então ela sempre a tratava assim.
—Venha, vamos entrar. O sr. Grissom já está te esperando.
Ela ficou boquiaberta quando entrou no local, a sala era maior que o apartamento que ela alugava, os moveis eram todos na cor cinza e preto e os estofados das poltronas e sofá impecavelmente branco, uma grande mesa de granito branco cortava o cômodo. Poucos móveis e poucos detalhes mas o que chamou sua atenção foi o grande vidro que tinha no fundo da sala que dava em direção a um belo lago azul cristalino que parecia ser desenhando tendo as montanhas ao fundo.
—Como você dá conta de cuidar disso tudo? – disse Sara quase em um sussurro.
—Eles são muito organizados – concluiu- pelo menos as crianças.
A governanta indicou as escadas para Sara que logo a seguiu. O segundo andar tinha um belo saguão e diferente do primeiro andar tinha alguns quadros nas paredes, os ambientes eram muito bem distribuídos e limpos, caminhou por um pequeno corredor quando encontrou o que parecia ser o escritório de Grissom.
—Sr. Grissom, essa é Sara quem havia falado alguns dias atrás.
O homem levantou-se e foi em direção as duas mulheres, estendeu a mão em cumprimento a Sara e indicou a cadeira a frente para sentar-se.
—Muito prazer, sou Gilbert Grissom mas pode me chamar de Gilbert ou Grissom, como melhor lhe convir.
—Sara Sidle ou só Sara. – Somente ela riu do que falou, o homem permaneceu sério ao encarando.
—Vou deixar vocês a sós para conversarem, qualquer coisa que precisar peça a Sara que me chame. – Dito isso Stella fechou a porta de si e pediu internamente para que aquilo desse certo.
—Bem Sara, imagino que você já saiba da rotina aqui de casa. Tenho dois filhos, Jason de 16 anos e Emma de 6 anos. Ambos são muito dóceis e amigáveis.
—Stella já havia me contado sobre eles. Sempre tive muito contato com crianças e desde sempre aprendi a conviver com elas, acredito que teremos uma boa convivência.
—Você estuda? Me recordo de Stella me falar algo a respeito de você fazer faculdade mas não sei ao certo.
—Sim, eu faço faculdade de física para ser mais exata física teórica.
—Você acha que é capaz conciliar o seus estudos com o seu emprego? – Ele balançou uma caneta entre seus dedos, precisa de alguma forma dissipar a ansiedade que sentia.
—Com certeza.
—Sara eu vou ser bem franco com você. Eu não gosto da ideia de ter uma pessoa estranha andando pela a minha casa e muito menos tendo um contato tão direto e intimo com meus filhos.
—Então por que eu estou aqui? – Ela não pensou para falar isso. Se ele não gostava da ideia de ter ela ali era só pedir para ela não voltar.
—Já vi que você é direta, parece meu filho Jason. – Revirou os olhos – Eu concordei com isso por que Stella me pediu e principalmente abriu meus olhos mas isso não significa que eu ache isso uma boa ideia. Você já trabalhou com crianças antes?
—Durante o tempo que eu fiquei no orfanato sempre auxiliei as supervisoras, nunca tive nenhum problema em relação a isso.
—Você ficou em um orfanato desde a sua infância?
—Não, entrei quando tinha 13 anos.
—E por que?
Ele reparou que ela ficou desconfortável com a pergunta e ele permaneceu esperando a resposta. Todos os dias no laboratório ele precisava argumentar e questionar diversos tipos de pessoas e no fim acabou ficando auto imune para questionar coisa tão pessoais.
—Meus pais tiveram um problema.
—Que tipo de problema?
—Sr. Grissom eu não sei se isso é relevante nesse momento, eu não me sinto confortável falando a respeito disso.
Nesse momento ele se calou, também existia uma coisa em sua vida cujo ele também não se sentia confortável para falar. Achou melhor deixar esse assunto para lá, lembrou-se da boa referência que Stella havia dado da garota e então se sentia mais à vontade para confiar nela também.
—Sara eu peço que então converse com Stella para resolver a respeito de salário e o horário de serviço. Só peço que não se atrase, se precisar faltar que possa comunicar a Stella e que a entrada na minha casa se limita a você, nada de amigos ou namorados. Pelo o horário – ele deu uma rápida conferida no relógio no seu pulso- eu imagine que Emma e Jason já estejam de pé, peça também que Stella os apresente.
Ela concordou e levantou-se mas antes mesmo de abrir a porta uma coisa a incomodou. Por que ele não poderia ir com ela até o seus próprios filhos e a apresentasse? Não seria melhor o pai fazer isso?
—Por que você mesmo não me apresenta para eles?
—Por que eu estou muito ocupado para isso.- Respondeu irritado.- Faz alguma diferença quem vai te apresentar para eles?
Ela entendeu o recado, saiu do escritório e fechou a porta. Não conseguia entender como alguém tão doce como Stella poderia suportar um homem como ele. Desceu as escadas e deu de cara com os filhos de Grissom tomando o café da manhã na mesa. A primeira reação entre os três foi de estranhamento, eles não conheciam aquela mulher que via da direção do escritório do pai e ela não sabia que eles estariam ali.
—Jason e Emma, essa é Sara. Uma grande amiga minha e uma moça muito especial.
—Desde quando meu pai permite alguém que ele não conheça vir aqui em casa? — Jason analisou a mulher dos pés à cabeça enquanto terminava o seu suco de laranja.
—Sara está aqui por que ela veio conversar com o seu pai. A partir de hoje – Stella procurou o olhar de Sara para saber se poderia dar a noticia para eles, a morena confirmou discretamente. – vai trabalhar aqui conosco. Ela ficara responsável por cuidar de vocês agora, principalmente da princesa Emma.
A menina que estava até então de costas para Sara, virou-se apoiada no encosto da cadeira para poder olhar melhor para Sara. Ela abriu um sorriso e mostrou então o seu sorriso banguela para a morena.
—Sério que meu pai concordou com isso?
—É para o bem de vocês.
—E desde quando ele se importa com a gente? – O rapaz falou isso e levantou-se da mesa pedindo licença para as três mulheres e subiu as escadas em direção ao seu quarto. Jason sentia muita falta de sua mãe e a ideia de ter outra mulher convivendo com eles não o agradou, para ele seu pai havia feito isso para tentar suprir a ausência de Maggie.
—Ele é um bom rapaz, Sara. Não tenha uma má impressão dele.
—Ei Sara, venha tomar o café da manhã comigo. – Emma indicou uma cadeira ao lado dela. Sara olhou para Stella tentando saber se isso seria uma boa ideia e principalmente com o receio que Grissom pudesse aparecer a qualquer momento.
—Fique aí que eu vou buscar uma xícara extra para você.
—Então quer dizer que você vai ficar aqui em casa agora? Vamos poder brincar e passar o dia juntas?
—Isso mesmo mas também vamos ter as nossas responsabilidades, mocinha. Em que ano você está na escola?
—Estou no 1º ano e a Srta. Adams falou que sou uma das melhores alunas. – Sorriu vitoriosa.
—Meus parabéns, Emma. Mas me diga, o que você mais gosta de fazer além de ser uma excelente aluna?
—Eu gosto de desenhar, ver TV com meu irmão e brincar de ser astronauta.
Sara havia se encantado pela menina mas estranhou o fato de suas atividades prediletas não envolverem o seu pai. Stella logo chegou com a xícara e serviu um pouco de café, o dia estava um pouco frio então o café iria ajuda-la sentir-se mais aquecida.
—Que legal, Emma. Já vi que vamos nos divertir bastante juntas.
A menina piscou para Sara e depois fez uma careta engraçada. Ela também havia gostado de Sara e gostado mais ainda da ideia de ter mais uma pessoa com ela em casa. Quando sua mãe ainda estava ali elas sempre ficavam juntas a maior parte do dia e desde que ela partiu sentia saudades de passar a tarde toda brincando com ela.
—Stel, será que eu posso ir brincar um pouco lá fora? Só um pouquinho?
A governanta olhou para o jardim e depois para os olhos pidões de Emma.
—Pode ir mas antes vá até o seu quarto e pegue o seu casaco amarelo, não quero ver você gripada, seu pai seria capaz de me mandar embora. – Emma então fez o que foi lhe pedido, correu até a escada mas quando ia começar subir correndo escutou Stella pigarreando na mesa a reprimindo. – Essa menina é um amor, muito me lembra você quando criança.
—Ela realmente é apaixonante. Acho que agora passaremos mais tempo juntas, o seu patrão me pediu para conversar com você a respeito da parte burocrática. – A morena esticou a mão para a senhora que a pegou e ficou fazendo carinhos com o polegar enquanto ela falava. – Mas ele é um tanto quanto reservado para não usar outras palavras.
—Desde que Maggie partiu ele ficou dessa maneira, a partida dela afetou a todos, inclusive a mim mas ninguém ficou tão abalado quanto ele, minha pequena. Eu sinto muita falta do verdadeiro Sr. Grissom.
—Maggie é a esposa dele?
Stella assentiu enquanto bebericava o resto do café.
—E o que aconteceu com ela?
—Isso não é da sua conta. – Grissom falou enquanto chegava aos últimos degraus da escada, ele atravessou a sala encarando Sara que mantinha o olhar fixo sob Stella que não entendia nada. O homem foi até a cozinha e serviu-se ali mesmo o seu café da manhã. Do balcão da cozinha, ele encarava as duas mulheres ali na mesa, coçou a sua barba que estava por fazer e pensou se realmente havia sido sensato naquela decisão que havia tomado.
Sua vida não era a mesma de 2 anos atrás.
Havia criado barreiras fortes demais.
Sentia falta do que ele era antes.
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