Sim, Senhor.
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Sara estava muito ansiosa para o seu primeiro dia de trabalho. Tinha plena convicção que a parte mais difícil do trabalho seria a convivência com o seu patrão, ele havia se mostrado um homem complemente amargurado e muito grosseiro, durante o pouco tempo que havia estado na casa, ele limitou-se com as palavras.
—Se existe alguém ai em cima me olhando me deseje sorte.
Ela estacionou o seu Dogde Durango ano 2001 na entrada da garagem e agradeceu internamente por não encontrar a Denalli de Grissom do lado de fora, indicativo que o homem não estava ali, antes de descer do carro certificou-se sobre sua aparência no espelho interno, uma última ajeitada e um último folego antes de entrar na casa dos Grissom’s
Entrou pela porta dos fundos e encontrou com Stella retornando da lavanderia com o cesto completamente cheio com as roupas limpas, um cheiro floral invadiu a narina da morena que logo tratou de retirar o cesto da mão da senhora.
—Bom dia, minha pequena. Ansiosa para o seu primeiro dia?
—Você não faz ideia, mama. Preciso confessar que quero muito dar certo nesse emprego por sua causa. – Confessou. – Sinto que preciso retribuir todo o amor que você vem me dando esses anos e estar aqui para te ajudar é o mínimo que eu posso fazer por ti.
—Minha pequena. – Ela espalmou a mão enquanto abria um sorriso tímido para ela, era uma mulher que se emocionava facilmente. – Distribua esse amor que existe dentro de você para esses meninos, eles precisam tanto disso.
Sara suspirou fundo e voltar a encarar Stella cujo os olhos já estavam marejados. A governanta abriu uma larga porta de vidro que dava para um pequena dispensa, ambas entraram e Sara deixou o cesto sob uma mesa. Novamente o cheiro floral encheu o ambiente.
—Sar, esse horário apenas eu estou em casa. Jason e Emma partem para a escola muito cedo, geralmente Grissom acaba levando eles para a escola mas quando ele está atarefado com alguma coisa de seu trabalho, o que é frequente sou eu quem acabo levando os meninos para a escola.
—Afinal de contas em que o Grissom trabalha? – Sara ajudava ela dobrando algumas peças de roupa, tudo estava impecavelmente limpo e...cheiroso.
—Ele é o supervisor noturno do laboratório criminal, ou seja, ele trabalha demais e constantemente traz trabalho para casa. É uma vida, minha pequena que eu não queria para mim.- Concluiu balançando a cabeça em negativa.
—Interessante, Stella. Mas me diga, inicialmente quais são as minhas responsabilidades?
—Você ficara por conta de cuidar de Jason e principalmente Emma. Quando eles chegam da escola ambos gostam de descansar e ver televisão e por muita das vezes acabam cochilando por ali mesmo. Nessa fase de adaptação seria ideal se você os ajudassem com tarefas mais simples, Emma com as tarefas da escola, banho e os horários das refeições. Aqui nessa casa cada um come em horários diferentes.
—E o Jason? Ele parece que não gostou nenhum pouco da ideia de eu estar aqui.
—Sara, depois de Grissom ela foi o que mais sofreu com toda essa ausência de Maggie. Grissom fechou-se complemente e Jason acabou fazendo isso também mas ele ainda continua sendo o mesmo menino amoroso que eu acompanhei nascer – Novamente ela se emocionou e rapidamente levou dois dedos no canto do olho esquerdo para limpar a lagrima teimosa. – Mas ele sente uma falta absurda do Sr. Grissom mas é tão orgulhoso e carrancudo como o seu pai.
Sara queria tocar no assunto de Maggie mas depois do recado que Grissom havia dado a ela, achou melhor deixar esse assunto de lado. Não era psicóloga e muito menos “fofoqueira” para saber sobre o assunto. Quando o assunto chegasse até ela iria absorver, não queria sentir “pena” de Jason e Emma e tinha discernimento que se soubesse do problema que assolava a família iria ser o primeiro sentimento a sentir pelas crianças.
—Eu vou tentar ser amiga dele, mama. Segundo o próprio pai eu sou direta como ele é, então nós já temos algo em comum. – Ela sorriu, acompanhada por Stella.
—Venha, vamos para cozinha vou preparar para você um sanduiche e depois vou te mostrar o resto da casa. Aqui em casa, tirando o Grissom óbvio- Ela revirou os olhos. – todos são muito organizados, então não terá que se preocupar em relação a isso, três vezes na semana Wanessa vem para poder limpar a casa e James vem cuidar dos jardins e da piscina, então não se assuste se ver rostos diferentes perambulando pela casa.
—Stel, sabe o que eu sinto aqui? É uma casa muito grande mas sempre está vazia.- A morena estava ao lado da senhora auxiliando a ela cortando as fatias dos sanduiches já prontos.
—Eu sei minha pequena. – Ela virou-se e encostou-se na pia admirando a sala vazia, como um flashback ela ainda tinha leves lembranças dos anos anteriores, ali sempre era um lar alegre por conta de Maggie. Balançou a mão na frente do rosto como tivesse apagando de sua mente aquelas memórias, limpou suas mãos no avental e retornou para a atividade.
Depois de mais alguns minutos preparando os sanduiches e conversando a respeito da família foram surpreendidas quando a campainha começou a soar alto, uma rápida conferida no relógio e ambas se assustaram com a velocidade em que o tempo havia passado. Stella pediu para que Sara fosse recepcionar os dois enquanto ela terminava de organizar a louça.
Novamente ela respirou fundo e foi de encontro a grande porta de madeira, virou a chave e puxou a porta, encontrou com Jason e Emma que acenava para o motorista do ônibus escolar.
—Olá, entrem.- Sara disse timidamente enquanto Jason passava por ela acenando apenas com a cabeça.
—Oi, Sara.- Emma abriu os braços buscando os de Sara que logo tratou de retribuir o carinho pela a menina, afagou os cabelos preso em um rabo de cavalo e depois abaixou-se o suficiente para ficarem com os olhos na mesma altura.- Fiquei feliz quando a Stelinda disse que você viria hoje.
Sara encantou-se com a menina, ou melhor se encantou mais ainda. Deu duas batidinhas na ponta do nariz dela com o indicador e fechou a porta atrás de si, viu a menina sair correndo em direção a Stella e lhe dar um abraço e depois sair correndo em direção a escada.
Dessa vez foi a vez de Sara pigarrear junto com Stella.
—Sem correr, mocinha. Não queremos acidente no meu primeiro dia de trabalho. – Advertiu Sara com um tom de voz amigável, piscou para menina que retribuiu com uma piscadela.
—Ei, Sara! Por que não sobe comigo para ver o meu quarto, quero te mostrar os meus desenhos e meus brinquedos. Nós podemos né, Stelinda?
A garotinha sabia muito bem jogar baixo, não podiam negar que ela era a menina dos olhos de Grissom e ele fazia tudo por ela, por isso algumas vezes acabava cedendo os desejos da menina. Mas com Stella era diferente, a senhora sabia quando podia ou não ceder os desejos de Emma.
—Claro que pode, meu amor. Sara está aqui para ficar com você, não comigo. Sou velha e chata demais para ficar com pessoas tão jovens.
A menina parou no meio da escada e levou as mãos na boca, olhou para Sara e depois para Stella. Havia achado engraçado o fato de Stella “admitir” que estava velha. Alguns meses atrás ela e seu irmão haviam iniciado uma disputa, Jason falava que Stella não conseguiria virar uma noite acordada assim como ele fazia por que era “velha demais para isso”, tudo em um tom gostoso de brincadeira, e ela falou que aguentaria muito mais que ele imaginava.
—Stel, posso contar para Jason que você é ‘velha’? – Ela ainda permanecia no meio da escada ainda incrédula com a fala da senhora.
—Nem pensar mocinha, não posso deixar que seu irmão descubra isso.
Só então Emma voltou a subir as escadas, do mezanino Sara olhava para Stella que ria e balançava a cabeça, sem entender a brincadeira das duas seguiu a menina pelo o corredor. O quarto de Emma ficava ao lado do quarto de Grissom que permanecia com a porta fechada.
O ambiente parecia ter sido a medida perfeita para a menina, todo pintado com a cor branco egípcio, uma grande janela de vidro que dava uma vista para as montanhas estava aberta clareando todo o quarto. Nas paredes haviam vazias prateleiras brancas com livros perfeitamente organizados por cores e algumas fotos de Emma ainda bebê, uma espaçosa mesa ficava perto da janela (provavelmente para a menina poder aproveitar ainda mais a luz natural), várias folhas desenhadas estava sob a mesa.
—Seu quarto é muito bonito, Emma. Parece aqueles quartos das princesas dos contos de fadas.
—Eu adoro ficar aqui, Sara. Vou pegar meus desenhos para você ver.
A menina correu até a mesa e pegou um bloco de folhas que estava na mesa, sentou-se ao lado de Sara em sua cama e entregou para ela. Nas primeira páginas, Sara viu vários desenhos de flores, algumas maiores e outras menores, algumas simétricas e outras não, algumas páginas a frente surgiram desenho de pessoas, homens e mulheres “voando” pelo o papel, mais a frente alguns esboços de uma mulher mas nada finalizado.
“Será que era sua mãe?”
Por fim, Sara encontrou com diversas páginas com desenho das estrelas mas uma em particular chamou a sua atenção.
—Como você fez isso, Emma? Parece que desenhou várias minúsculas estrelas.
A menina sorriu orgulhosa do seu trabalho e chamou Sara para ir até a mesa, pediu que a morena abaixasse perto do pé da mesa e só então ela viu um borrão de tinta azul e branca que ficava escondido atrás de um lixo de metal.
—O que é isso?
—Eu e meu irmão estávamos desenhando juntos aqui no quarto com tinta, o meu pai não deixa a gente brincar com tinta aqui no quarto, mas Jason estava me ensinando uma técnica nova para desenhar. A gente pegou uma escova de dente escondida no banheiro do meu pai e começamos a colocar ela dentro da tinta branca. – A menina puxou um pouco o tapete que ficava debaixo da mesa revelando mais pintas brancas. – Meu irmão me ensinou que se passar o dedo naquela parte que usamos para escovar os dentes e deixar espirrar na folha, forma esse tanto de estrelinhas.
Sara levou as mãos na boca incrédula com a tranquilidade que a menina contava sobre aquela arte que ela havia feito junto com Jason. Deu uma risada mais foi abafada pela suas mãos, ela estava diante da menina mais encantadora que ela poderia conhecer.
—Hey Emma, você não quer comer um sanduiche? Eu e Stella preparamos alguns enquanto você e seu irmão estavam na aula.
—Ótima ideia!
—Mas antes vamos trocar de roupa por uma mais frescas? Não acha melhor?
A menina estranhou aquilo, estava acostumada a ficar com a mesma roupa por boa parte do dia até tomar banho. Stella já havia sugerido isso algumas vezes mas sempre acabava se entretendo com outras tarefas. Prontamente Sara foi até ao armário e escolheu um vestido vermelho para a menina, ajudou com as roupas que iriam direito para o cesto de roupas sujas como indicado pela governanta.
Emma saiu correndo do quarto mas quando chegou nas escadas parou e olhar para trás e percebeu que Sara a olhava com reprovação.
—Emma, desça que eu vou chamar o seu irmão também.
Fale com o autor