Sim, Senhor.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa história já rodava a muito tempo na minha mente e então eu decidi finalmente escrever.
Espero que vocês gostem assim como eu estou gostando de escreve-la.
Devido ao meu tempo eu tentarei atualizar a fanfic dentro de um prazo de 10 dias entre um capítulo e outro.
Beijos e boa leitura
Pela terceira vez naquele mesmo dia, Stella sentou-se na cadeira do balcão da cozinha para refletir. A casa onde ela estava já não era mais a mesma de alguns anos atrás, toda a alegria e leveza que antes pairava no ambiente havia se esvaído junto com Maggie, hoje o local tinha um clima solitário e principalmente triste. A única fonte de alegria que tinha naquele lugar era Emma que por muita das vezes não entendia o motivo de tanto pesar ali.
Stella voltou-se para as suas anotações e permaneceu riscando um nome que mais chamava atenção naquela lista: Sara Sidle. Conhecia aquela jovem desde o seu nascimento, e pode acompanhar todos os passos até mesmo no momento mais difícil e se orgulhava dela como ela fosse sua filha de sangue.
Saiu de seu devaneio quando recebeu um beijo estalado na bochecha de Jason, um rapaz de 16 anos, alto e com os olhos azuis mais bonito que ela já havia conhecido. O rapaz havia herdado de sua mãe o rosto que era perfeitamente simétrico. Jason logo deu um jeito de comer uma fatia da torta de maçã que Stella havia preparado mais cedo, abocanhou o pedaço de uma vez, recebendo assim um olhar reprovador da senhora que estava sentada a sua frente.
—Levantei hipnotizado pelo o cheiro dessa torta divina.- Disse limpando a boca com o guardanapo que estava disposto na mesa.
—Deixe seu pai saber que você ontem chegou depois do horário que ele estipulou. – Realmente se importava com o menino e temia por seu pai ser muito rígido. Sabia que Jason era um jovem a quem se podia confiar de olhos fechados mas não aceitava o modo como ele encarava as ordens de seu pai.
—Stel ! Estou vivo e completamente inteiro, apesar das garotas sempre quererem arrancar um pedaço de mim.- O jovem piscou para ela fazendo que gargalhasse.- Além do mais ele não vai saber disso, não é verdade?
—Jason, não acha que eu estou velha demais para ficar acobertando as suas traquinagens? Você sabe como o seu pai é em relação as regras que ele impõe, dessa vez eu vou fingir que não sei de nada mas é a última vez.
O jovem sabia que aquela não seria última vez por que sempre que saia um pouco da cartilha de seu pai, a senhora sempre passava o mesmo sermão. Ele era consciente que o que Stella fazia por ele era errado e poderia custar o seu emprego mas era de conhecimento dos dois que era uma ocasião ou outra que ele “topetava” as ordens de seu pai.
—Falando em obedecer regras, meu pai já chegou?
—Ele ainda não levantou-se. Pra sua sorte você chegou alguns minutos antes dele.- Essa última frase ela sussurrou com medo que seu patrão pudesse estar por perto.
Jason apenas piscou para Stella e voltou a comer a torta, ela prontamente lhe serviu um copo de leite e fez um afago na cabeça. Desde da partida de sua mãe ele havia se fechado em seu mundo mas não como o seu pai, ele sentia falta de sua mãe toda vez que ele chegava em casa e se deparava com aquele ambiente, nada ali dentro lembrava ela mais.
—Boa tarde, Stella.
O homem ainda estava vestido o seu pijama, uma regata branca e calça cinza e os pés descalços, atravessou a cozinha e pegou um copo de água, jogou os remédios que segurava na boca e em seguida bebeu a água sob os olhares atentos de Stella e Jason.
—Boa tarde, pai.
Limitou-se em apenas menear a cabeça enquanto servia-se um pedaço da torta. Hoje sua enxaqueca estava martelando sua cabeça, seus olhos ainda não haviam se adaptado com a luz que estava na cozinha e pediu então para que se apagasse as luzes do ambiente.
Era sempre assim, todos sabiam que quando ele abusava nos turnos duplos e as vezes até triplos, a enxaqueca e todos os tipos de dores assolavam ele depois. Comeu em silêncio enquanto só se ouvia ali o barulho dos pratos sendo lavados por Stella. O jovem pediu licença e retornou para o seu quarto.
Aquele seria o momento perfeito para Stella finalmente conversar com o seu patrão, era do conhecimento dela que não era comum uma pessoa como ela querer dar sugestões para ele mas isso era para o bem das crianças e também para ele.
—Sr. Grissom. Gostaria de conversar com você a respeito das crianças.
Ele depositou o garfo sobre o prato e voltou a sua atenção para ela.
—Pode falar, Stella.
—Eu não sei se eu tenho o direito de sugerir isso mas como você sabe eu não tenho mais a mesma energia e vigor que eu tinha quando eu conheci você e sua família. – A senhora deu um sorriso delicado e doce para o homem, quase fraternal. – Eu sei que o tempo está passando muito rápido e eu as vezes penso não estar conseguindo administrar tudo com a mesma atenção.
—Stella você sabe que você tem a liberdade de conversar comigo, está acontecendo alguma coisa que eu não saiba?
—Não ! – Ela balançou as mãos perto do seu rosto – Eu gostaria de saber o que você acha de contratar uma pessoa para cuidar de Jason e Emma ? Às vezes eu não consigo estar presente o tempo todo com eles e sinto que eles se sentem um pouco sozinhos.
—Eu sei que tenho sido um pai ausente nesses últimos tempos. — Grissom passou a mão no rosto e liberou o ar que tinha no pulmão.- Eu imagino que eles já tenham comentado isso para você, estou certo?
—Não se preocupe com isso, eles amam você do jeito que você é. Desde a partida de Maggie não tem sido fácil para nenhum de vocês.
O homem fitou o chão em silêncio, levou a mão até a nunca e só então conseguiu fitar a mulher novamente. Aquele assunto mexia muito com ele.
—Você sabe como eu sou em relação a ter pessoas que eu não conheço na minha casa, Stella. Aliás eu precisaria procurar alguém de confiança para estar com eles, ter alguma referência e infelizmente eu não tenho tempo para isso.
—Se eu indicar alguém de minha extrema confiança facilitaria as coisas para você?
Grissom relutou por dentro, não gostava nada da ideia de pessoas na sua casa e muito menos pessoas que ele não conhecia. Coçou sua barba que estava por fazer e encarou a senhora que estava a sua frente.
—Preciso pensar sobre isso mas não quero que pense que eu descartei essa ideia. – Ele massageou as têmporas buscando qualquer maneira para aliviar sua dor de cabeça.
Emma cruzou a sala com um apito na boca, cada vez que a menina assoprava Grissom se contraia na cadeira, era até uma cena engraçada se não fosse trágico.
—Meu foguete já vai partir em direção ao planeta Marte, todos aqueles que queiram me acompanhar embarquem agora ou calem-se para sempre. – Novamente a menina assoprou o apito.
Stella correu até a sua direção e pegou a menina de 6 anos no colo, beijou-lhe a testa e retirou o apito de sua mão colocando no bolso de sua calça.
—Hoje é dia no seu foguete partir em segredo, meu amor. Você sabe o porquê?
—Por que o dono da estação espacial não quer deixar o foguete sair. — Disse ela fazendo uma careta engraçada e olhando para o seu pai.
Esse era um código que Stella havia inventando para Emma saber quando o seu pai não estava bem ou estava cansando demais para brincar com ela. A menina desceu do colo da governanta e foi para onde o seu pai estava, o homem a pegou em seu colo e fez cocegas na menina com sua barba.
—Para papai.- Ela tentava a todo custo se esquivar do rosto dele, ele por fim parou com as cocegas e a sentou na sua perna. Emma era a cópia de Maggie, os longos cabelos cor de caramelo, os olhos verdes claros e o rosto simétrico, assim como seu irmão.
Às vezes doía muito em Grissom olhar para os seus filhos e ver as semelhanças de Maggie, saber que ela estava presente ali com eles mas ao mesmo tempo ela se encontrava em um lugar que talvez ele nunca poderia alcançar. Ela havia ido embora e levou junto com ela toda a alegria e força que ele tinha dentro de si, hoje ele vivia apenas pelo o seus filhos mas mesmo assim ainda os negligenciava.
Ele se odiava por isso.
Mas sentia mais ódio por ela, ódio por ter partido sem ao menos ter deixado ele se despedir ou ao menos dar uma explicação.
—Hoje você vai ficar em casa? Queria poder ir na piscina com você e o Jay.
Antes mesmo que ele respondesse o seu celular começou a tocar, pediu a Stella que visse quem estava ligando e a governanta informou que era Jim Brass. Pegou o celular da mão dela e atendeu, enquanto isso Emma terminava de comer a torta que ele havia deixado no prato, no seu íntimo mesmo sendo uma criança torcia para que o homem no celular não estivesse chamando o seu pai para voltar para o laboratório.
—Ok, capitão. Estarei aí em 20 minutos.
A menina desceu do seu colo desanimada e foi em direção do sofá, ela não tinha visto seu pai faziam dois dias e ela sentia saudades dos velhos tempos, sentia saudades de quando eles e sua mãe passavam a tarde toda na piscina se divertindo ou todos iam para o quarto de seus pais ficarem assistindo filmes e até mesmo fazendo guerra de travesseiros.
Mas desde que Maggie havia partido ela havia levado tudo aquilo embora.
Hoje ela pouco via seu pai, as farras na piscina e no quarto haviam sido substituídas pelas longos dias sozinhas ou na companhia de Stella que tentava animar ela, sentia falta até mesmo de seu irmão que parecia ter deixado sua mãe levar um pouco dele embora também.
—Prometo que amanhã vamos fazer isso.
Ela apenas limitou-se em dar de ombros, pegou o controle da televisão e ignorou seu pai.
Tudo aquilo era observado sob o olhar atento de Stella que sentia o coração apertar cada vez que acontecia algo parecido. Seu patrão passou por ela e seus olhares se cruzaram mais uma vez, aqueles olhos azuis que ela tanto ouviu Maggie elogiar parecia ter tomado uma cor mais cinza.
—Stella, por favor entre em contato com a pessoa que você me sugeriu. Peça que esteja aqui amanhã logo após o termino do meu turno, amanhã não farei hora extra.
Notas finais
Vimos que existe uma nuvem carregada rondando na casa de Grissom. Nos próximos capítulos vamos realmente entender o que aconteceu com a sua esposa e principalmente Sara e Grissom serão apresentandos.
Até o próximo capítulo ♥
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