Sim, Senhor.

41 Capítulo 41


Notas iniciais
Oi pessoal ! Como vocês estão ? Pois pensem em um capítulo que me deu muito trabalho para ser escrito. Não sei quantas vezes eu mudei o enredo. Para facilitar a leitura da fic, o que estiver em itálico significa as memórias de Maggie. Eu achei que ficaria melhor dessa forma. Sem mais delongas. Boa leitura.

Grissom sentia um gosto amargo invadir a sua boca, seus lábios estavam secos e ele tinha dificuldades em respirar. Fechou os olhos por longos segundos e tentou se convencer que aquilo era um sonho ou um pesadelo

Ainda ponderava sobre isso.

Abriu os olhos azuis e encarou pela a primeira vez a sua futura ex-esposa parada a sua frente. Maggie estava humanamente mais bonita desde a última vez que a viu. O seu olhar ainda era leve e penetrante, e o seu sorriso invadiu o seu peito como um soco do plexo solar.

— Como você está ? — A voz de Maggie era quase um sussurro. Na realidade, ela não sabia como iniciar uma conversa e sentia-se intimidada com o olhar que ele lançava. Abraçou o seu corpo esguio e deu um passo para trás.

Os dois sentiam o seus corpos saírem de órbita.

Grissom tinha dificuldades em falar, e formar uma simples frase parecia ser uma tarefa impossível.

— Como você acha que eu estou ? — A voz dele saiu carregada de rancor e mágoa. Ele queria muito ter sido maduro e não ter transparecido nenhum sentimento, mas era impossível. Por dentro, ele ainda sentia toda a dor daquela ferida da ausência dela arder de forma latente.

Maggie abaixou a cabeça e suspirou fundo. Enquanto estava no avião regressando para Las Vegas, arquitetou cada detalhe da conversa que ela teria com o seu marido, mas quando o viu parado tão cheio de raiva na frente dela, tudo caiu por terra.

— Eu gostaria de ter uma conversa com você. — Ela tentou se aproximar mas ele ergueu uma mão repelindo qualquer movimentação. — Se você pudesse sair da defensiva, seria o ideal.

— Você não está em posição de exigir nada. — Soltou uma risada irônica que estava presa em sua garganta. O seu corpo estava ardendo em fúria e sabia que aquilo não fazia bem para ele. — Eu queria muito escutar todas as suas desculpas e histórias ensaiadas na frente do espelho.

— Ironias não combinam com você, Grissom. — Elevou o tom de voz e desistiu de acatar a ordem dele. Reduziu o espaço entre eles e pôde observar o seu marido um pouco mais de perto.

Sorriu ao perceber que os seus cabelos estavam bem aparados — os cachos sempre foram motivos de risadas, quando ele cultiva a cabeleireira por falta de tempo — e comportados. Havia perdido alguns quilos e ficava mais jovial sem ostentar uma barba.

O olhar dela estava em festa por poder ver ele.

Um silêncio pairou no ar. Escutaram a porta da sala abrir e fechar logo em seguida. A pedido de Maggie, Carol havia saído para dar privacidade para o casal. Seria uma conversa longa e nada fácil.

— Como estão Jason e Emma ? Eu sinto falta deles a cada batida do meu coração. — Ela tentou conter algumas lágrimas mas foi totalmente em vão. O amor que nutria por seus filhos fugia de qualquer explicação. Ficar longe dos dois durante três anos aumentava ainda mais a tortura que ela sentia.

— Estão muito bem sem a sua presença. — Grissom se despiu de qualquer responsabilidade afetiva para conversar com ela. Ele ainda não conseguia assimilar a presença dela e a normalidade em que ela conduzia a conversa estava o deixando extremamente irritado. — E vão continuar muito bem sem você.

— Você me machuca falando dessa forma. — Sentiu a voz embargar mas sabia que precisava se controlar. Se ela perdesse as rédeas daquela conversa, talvez eles só iriam postergar o sofrimento.

— Eu não me importo com você, Maggie. A partir do momento que você decidiu sair das nossas vidas e deixou para trás um bilhete e uma carta, eu decidi não me importar com você. Não me interessa os seus passos, os seus motivos e muito menos os seus sentimentos.

— Grissom ! — Ela deu um passo em direção a ele e imediatamente se retraiu com o olhar dele. Não reconhecia a pessoa que estava a sua frente. Pela primeira vez na vida sentiu medo do seu marido.

— Você não sabe como foi difícil ser feliz por nós dois. E agora você volta e sem pedir permissão quer fazer parte das nossas vidas novamente ? Você só pode estar maluca em pensar que eu aceitaria uma condição como essa.

— Podemos manter uma conversa civilizada ? Eu sei que você tem todos os motivos para me odiar e na sua posição eu iria fazer o mesmo — Ela se recompôs e suspirou fundo. — Me dê pelo menos uma chance de explicar tudo o que aconteceu.

— Eu não me importo, Maggie. Inclusive, sugiro que você volte para o local onde você esteve nos últimos 3 anos. — Ele apontou para a porta fechada — Não quero ver você perto dos nossos filhos e destruir tudo o que levamos anos para construir.

— Não seja egocêntrico, Gilbert ! — Caminhou até ele e o encarou nos olhos. Sua respiração pesada confundia-se com a dele. Ele não tinha direito algum em afastar os seus filhos dela. Não havia cogitado nessa ideia até escutar aquilo.

— Egocêntrico ? — Ele agarrou os braços dela e abaixou a cabeça para poder encará-la de perto. Sua visão estava embaçada por conta das lágrimas que inundavam os seus olhos azuis. Ver Maggie ali era como voltar ao dia que ela foi embora, era reabrir todas as feridas novamente. — Eu tive que refazer a minha vida sem você, tive que cuidar de dois filhos que choravam a ausência mãe e no final das contas, eu que sou egocêntrico ?

— Eu fui embora por você. — Sentiu o seu corpo chacoalhar entre as mãos firmes do seu marido. Nada doía mais que o olhar de raiva que ele encarava. — Eu precisava ir embora, Gil.

— Você foi embora porque você é uma filha da pu... — Ele não conseguiu terminar a frase pois ela o interrompeu.

— MontBlanc significa alguma coisa para você ? — Ela precisou gritar para conseguir a atenção dele novamente. As lágrimas que antes ela relutava em não deixar cair, escorriam pelo o seu rosto corado sem censura alguma. Sentiu o peito pulsar quando soluçou perdida em um pranto.

Ele abriu as mãos e só então teve noção da força que estava segurando Maggie. Sua boca abriu e fechou várias vezes. Levou uma mão até a boca e tentou reprimir um grito. Novamente a sensação de estar fora de órbita pairou sobre o seu corpo.

O celular de Grissom começou a tocar e o som do aparelho confundia-se com o choro desesperado de Maggie. Durante todos os anos de casamento ele nunca havia visto ela se desesperar daquela forma e aquilo cortou o seu coração.

Tentava a todo custo reprimir aquele sentimento de piedade mas era impossível.

Pegou o telefone e viu o nome de Sara no visor. Desligou imediatamente.

— Sobre o que você está falando, Maggie ? — Pensou em aproximar-se dela e tentar acalmá-la mas o seu corpo não o permitia fazer aquilo.

— Estou falando do serial killer que você investigou alguns anos atrás. — Ela gritou mais uma vez. Na realidade, tudo aquilo era culpa dele. — Aquele psicopata que retirava os órgãos das vítimas e os colocava em corpos diferentes. Estou falando desse maníaco que colocava a música Lacrimosa para tocar quando ele executava o crime. Estou falando de Arthur Dyer.

Grissom sentou-se no pequeno sofá e levou as mãos ao rosto. Apoiou o peso da cabeça entre as suas mãos e tentou assimilar o que estava acontecendo naquele momento. O gosto amargo ainda rondava a sua boca e ele sentia uma ânsia girar em seu peito.

— Eu estive no programa de proteção a testemunhas. Eu tinha que me afastar.

— Impossível — Esbravejou-. Eu era responsável por esse caso e o seu nome não é citado em momento algum nos relatórios. — Sempre foi muito atencioso aos seus relatórios e com certeza, se o nome de sua ex-esposa estivesse sido citado, ele lembraria.

— Eu fui tutelada pela a jurisdição de Chicago. Foi Alana quem planejou tudo o que aconteceu.

Só quando ele levantou a cabeça que Maggie pode ver os olhos avermelhados. Grissom devia estar tão dilacerado quanto ela. Queria muito que ele compartilhasse todos os pensamentos com ela e poder refutar cada dúvida que estava surgindo naquele momento.

Ela ainda amava muito.

— Nada disso faz sentido.

— Eu vou te contar toda essa história se você prometer que não vai me interromper até que eu termine. — Ele limitou-se a menear a cabeça em afirmação. Ela enxugou as lágrimas e tentou se recompor. — Mont procurava atingir diretamente cada pessoa que cruzava o seu caminho e tentava atrapalhar os seus planos.

Grissom lembrou-se de Richard e Alana.

Havia sido inocente em achar que ele sairia ileso.

— Com você não seria diferente. Só que ele escolheu a forma mais cruel para te atingir: os nossos filhos. — Ela fechou os olhos e lembrou-se daquelas malditas lembranças. — Eu estava em casa de madrugada quando eu escutei uma música vindo do nosso aparelho de som na sala. No começo eu achei que poderia ter sido algum descuido de Jason em deixar o aparelho ligado.

Ela fechou os olhos com força. Eram memórias vivas em sua mente, mas muito doloridas de serem acessadas.

— Eu encontrei um bilhete escrito “o silêncio é o sopro da vida”. Eu achava que poderia ser algum poema ou poesia do Jason mas a caligrafia não batia. Naquele momento eu não dei importância, afinal de contas era apenas um pedaço de papel.

Abriu os olhos e encontrou o olhar assustado de seu marido. Queria poder tocá-lo, mas ele evitava qualquer investida.

— Na manhã seguinte eu acabei não perguntando sobre a música e o bilhete para o nosso filho. Eu fui chamada de última hora para atender uma urgência no hospital, mas naquele plantão em específico aconteceu uma coisa estranha. Vários moradores de rua entraram no saguão segurando um corpo com o tórax aberto.

Ela precisa de ajuda ! Ela tem um coração que não bate”.

— Rapidamente eu e toda a minha equipe retiramos o cadáver dali e levamos até a câmara fria. Iriamos preservar o corpo até a chegada da polícia e um perito para investigar o que havia acontecido com aquela pobre mulher. Nas mãos geladas da mulher, havia um bilhete escrito com uma letra impecavelmente bonita.

Conexão Finalizada

— Em uma análise preliminar verificamos que o coração que estava em seu corpo não pertencia a ela. O coração dela havia sido substituído por um coração infantil, e o que mais me assombrava era o fato de se tratar de um coração humano. E tinha mais uma coisa que chamava atenção, no bolso da calça dela havia um celular pequeno e tocava no modo repeat.

— Lacrimosa de Mozart. — Grissom estava muito frustrado em estar escutando toda aquela história. MontBlanc havia jogado muito baixo.

O celular de Grissom voltou tocar novamente. Apenas a saúde e integridade de Emma e Jason seriam capazes de tirá-lo daquela sala naquele momento. Qualquer que fosse o motivo da chamada ficaria para segundo plano.

Olhou para o visor e viu novamente o nome de Sara.

Desligou imediatamente.

— Eu entrei em contato com o Brass e ele imediatamente pediu que preservasse o corpo e não deixasse ninguém se aproximar. E foi nesse momento que detetive Alana entra na história. — Ela respirou fundo. Era muito difícil acessar aquelas memórias. — Alana me fez milhares de questionamentos a respeito das pessoas que haviam deixado o corpo no saguão do hospital, me requisitou as câmeras de vigilância e o nome de todas as pessoas que tiveram contato com a mulher morta.

“Esse desgraçado está chegando cada vez mais perto. Ele está brincando de ser Deus mais uma vez”.

— Na madrugada seguinte depois eu acordei novamente com a música, mas dessa vez o som estava mais próximo. O som estava vindo pelo corredor dos nossos quartos, eu caminhei a passos lentos até o quarto de Emma. — Ela prendeu o ar no pulmão. A imagem era viva em sua memória. — Nossa filha estava dormindo, mas o som vinha do CD player ao lado da cama dela e novamente o bilhete estava lá.

“o silêncio é o sopro da vida”.

— Mas dessa vez o bilhete estava endereçado para mim.

“Seja bem vinda, doutora Maggie”.

— Quando eu me aproximei da cama da nossa filha, havia um coração humano dentro de uma redoma de vidro. Um coração adulto para ser o mais exato. Eu entrei em desespero e precisei me controlar para não começar a gritar porque eu imaginava que a pessoa que havia plantado tudo aquilo ainda pudesse estar por perto. Eu corri até o quarto do nosso filho para certificar que ele também estava bem. E novamente o bilhete e um coração humano em uma redoma de vidro, mas dessa vez o bilhete era diferente

Conexão em andamento

Eu queria sair correndo da nossa casa com os nossos filhos para um lugar seguro, mas eu escutei passos vindo da escada e precisei fazer uma força sobrenatural para não começar a gritar. Uma sombra apareceu na porta do quarto do Jason e com o dedo indicador sobre os lábios mandava eu ficar em silêncio.

Grissom engolia a seco ouvindo toda aquela história. MontBlanc esteve em sua casa e ameaçou toda a sua família.

— Eu apenas obedeci e fui ao encontro dele. Quando ele se aproximou eu reconheci o rosto dele e precisei de poucos segundos para saber que aquele homem esteve na nossa casa alguns dias antes.

— Ele trabalhava em uma empresa de TV a cabo. — Grissom concluiu em meio a um doloroso devaneio. Arthur esteve em sua casa em plena luz do dia. O técnico mostrou-se muito simpático e até arrancou uma risada de Emma.

— Arthur não teve o trabalho de esconder o seu rosto e parecia não se importar com isso.

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“As regras são simples ! Não grite porque ninguém vai te escutar. — Ele tirou duas seringas do casaco preto. — Dormonid. Seus filhos não vão acordar tão cedo e agora você vai escutar atentamente o que eu tenho para falar e seguir todos os meus comandos à risca”

“ Eu faço o que você quiser, só deixe os meus filhos em paz”

“Vamos brincar de sermos deuses. Mas nessa brincadeira não temos livre arbítrio. Vamos chamar isso de o mestre mandou”

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— O sorriso que ele carregava no rosto me deixa arrepiada até hoje, Griss. — As lágrimas escorriam suavemente em seu rosto, assim como um rio segue o seu percurso em uma manhã de calmaria. — Ele conseguiu comprar o meu silêncio quando encostou o bisturi sobre o meu peito e deslizou a lâmina até abrir uma minúscula incisão na minha pele.

Maggie abriu dois botões da camisa de seda e revelou a cicatriz. Um pequeno corte em cruz era visível em sua pele branca.

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Espero que tenha gostado do presente que enviei para você. Rachel era uma mulher sensacional, tinha um coração muito bondoso… igual a sua filha”

Arthur abriu um sorriso e revelou os seus dentes perfeitamente alinhados. Ele levou o dedo indicador até o corte do peito de Maggie e sujou o seu dedo com o sangue dela.

“Inclusive, trouxe o coração dela de presente para a menina. — Ele levou o dedo até a boca e sugou todo o líquido vermelho. Sorriu novamente revelando os dentes sujos de sangue. — Agora vamos deixar os presentes de lado e vamos finalmente para a nossa brincadeira”.

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— Eu perdi as contas de quantas vezes ele deslizou a lâmina sobre a minha pele. Ele parecia se divertir com o desespero no meu olhar. Mas eu sabia que precisava ser forte pelo meus filhos. Se algo saísse fora dos planos dele, tenho certeza que ele não pensaria duas vezes antes de cometer alguma loucura.

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Nessa brincadeira nós dois somos deuses. Você é deusa do meu destino e eu sou o deus do destino da sua família. A regra número #1: Você vai desaparecer ! Escolha qualquer destino, mas saiba que eu sou onipresente e vou estar em qualquer lugar e se você decidir manter qualquer tipo de contato…

Ele deslizou a lâmina sobre a incisão e aprofundou um pouco mais. Deu uma gargalhada baixa quando viu a dor estampada no olhar da mulher.

“Se você desobedecer a minha regra #1, eu já tenho uma alma que se conecta com o seu filho Jason. Um jovem bem diferente dele, eu acho que vai fazer bem para o menino esquisito experimentar novos ares.”

Ele sorriu como quem contasse uma piada ou tivesse uma conversa casual com alguma pessoa conhecida. Arthur reparou quando o olhar de Maggie desviou para a escada, sabia muito bem que a mulher estava tramando em empurrá-lo dali.

“Regra #2: Nunca subestime o seu superior. Eu sempre vou estar um passo à sua frente.” — Ele levou o bisturi até a altura do queixo dela e começou a subir as escadas novamente e pressionou o corpo dela contra a parede. Deslizou a lâmina dessa vez na pele do queixo e lambeu vagarosamente o sangue”.

Eu faço o que você quiser, mas por favor não toque nos meus filhos”.

“Nunca foi a intenção a minha intenção querida. Na realidade, a primeira criança que eu matei foi por causa da sua filha. — Ele sorriu novamente e Maggie precisou segurar um choro descontrolado que subia por sua garganta. — Brincadeira, doutora Maggie. Consegui aquele coração no mercado de órgãos, é sempre bom manter contato”.

♦♦♦

Grissom levantou do sofá e o seu peito buscava por ar. Ele já tinha escutado histórias muito piores que aquela, mas quando se tratava de algo que aconteceu com uma pessoa que sempre esteve ao lado dele, o deixou desesperado.

Maggie estava ali na sua frente.

Machucada

E cheia de marcas

Mas ele ainda não conseguia acreditar em tudo.

O seu orgulho ferido não deixava abaixar a guarda em momento algum.

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Agora a última regra. Regra #3: O silêncio é o sopro da vida. Você vai desaparecer dentro de 1 semana e não vai deixar nenhuma evidência para trás. Arme o teatro que achar necessário. Finja uma briga com o seu marido, diga que não aguenta mais essa vida ou até mesmo faça uma mala e embarque. Se eu fosse você aceitaria a última sugestão, detesto dramas de baixa categoria.”

Maggie escutava tudo aquilo incrédula. Aquilo não podia ser real e se fosse um pesadelo ela torcia para acordar imediatamente.

"1 semana, doutora. — Ele sorriu. — Aliás. — Ele colocou a mão dentro de sua jaqueta retirou as agulhas. — Te contei uma mentirinha. Não dopei os seus filhos. Não gosto de anestesias. A dor não deve ser mascarada".

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— Maggie, porque eu não fiquei sabendo de toda essa história ? Por que você decidiu tomar essa decisão e não me informar ? — Grissom voltou a chorar e dessa vez de uma forma que ele nunca havia experimentado. Seus olhos pareciam estar em carne viva retalhada. Sua voz era entrecortada e seu coração parecia que iria parar a qualquer momento.

— Grissom, eu não pude fazer isso. O mais próximo que eu tentei para te alertar ele me atacou de uma que eu não poderia medir forças. Se fosse necessário ficar o resto da minha vida longe de vocês para proteger vocês, eu faria isso sem pensar duas vezes.

— Eu poderia ter pensado em uma outra solução, Maggie.

— Não existia uma solução para isso ! Ele foi capaz de nos ameaçar dentro da nossa própria casa. Ele encostou nos nossos filhos e ele mostrou tudo o que ele era capaz de fazer. — Maggie pela primeira vez conseguiu se aproximar do seu marido. Ainda com muito receio, tocou o seu braço e pode encará-lo de mais perto. — Eu só voltei porque ele foi preso. Mas se fosse necessário me manter longe ou até mesmo dar a minha vida por vocês eu faria isso.

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“Alana, eu preciso da sua ajuda” — Maggie estava sentada no chão do banheiro e sussurrava ao telefone. Suas mãos tremiam segurando o aparelho e seus olhos vagueavam inquietos em busca de um ponto de foco.

“O que houve, Maggie?” — A voz da detetive ainda era pastosa, depois de dias acordada ela finalmente tinha conseguido vencer a insônia.

“Ele esteve aqui na minha casa e ameaçou os meus filhos. Eu estou desesperada e não sei o que fazer”

“Quem esteve na sua casa? Me desculpe, não estou entendendo o que está acontecendo”.

“O responsável por trocar o coração daquela mulher que foi largada no saguão do hospital”.

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— Você está bem, Gil ? — Maggie reduziu totalmente a distância entre eles. O homem corpulento e alto estava estagnado e seu rosto parecia ter perdido a cor. — Sente-se ! A sua pressão deve ter caído.

— Você devia ter me avisado ! Eu devia saber de tudo isso ! Eu iria procurar por todas as evidências e não iria parar até ter certeza que você estava em segurança. Se eu soubesse disso, eu ficaria trabalhando durante 3 anos sem nenhuma interrupção só para proteger a nossa família.

— Eu tenho certeza disso, mas às vezes a gente precisa entender que estamos lutando com uma coisa que foge totalmente do nosso controle.

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“Maggie, não ligue mais para o meu telefone residencial ou celular. A partir de agora somente eu vou entrar em contato com você para ele não rastrear as nossas ligações.”

“Alana, o Gil precisa saber sobre isso !”

“MontBlanc quer atingir diretamente o seu marido, então ele sabe de cada passo que ele for dar. Com certeza ele sabe que ele agora está em São Diego em um treinamento, ele sabe o dia que ele volta, sabe o número do voo que ele vai embarcar… Então a minha resposta é não.”

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— Alana sabia que ela estava correndo contra o relógio. Ela precisava periciar toda a casa antes de você voltar de viagem e tinha que fazer isso sem levantar nenhuma suspeita desse lunático. Então eu pedi a ajuda do Scott.

— Ele também sabe dessa história ? — Grissom cerrou os punhos quando Maggie confirmou. A afirmação o fez entender o comportamento do médico com ele. — Quem mais sabe sobre isso ?

— Alana, Scott e Carol.

— Então foi Carol que me enviou uma foto sua ?

— Sim. A única pessoa que eu mantinha um raro contato era com ela. Carol vivia se mudando e era quase impossível que MontBlanc pudesse rastrear as nossas conversas — Maggie amava muito a sua irmã caçula e tomava todos os cuidados para não colocá-la em perigo. Quando soube que sua irmã havia voltado para Las Vegas decidiu cortar qualquer tipo de ligação. — Eu apenas não sei os motivos dela.

“Carol queria que eu seguisse a minha vida” — pensou Grissom.

— Em qual parte a investigação da Alana deu errada ?

— As investigações da Alana foram inconclusivas. Não existia qualquer vestígio de digital ou DNA pela nossa casa. Era óbvio que o nome que ele usava quando esteve em nossa casa era falso e a empresa alegou que não havia nenhuma visita técnica agendada para a nossa casa naquele dia. Ele sabia que não seria pego, tanto que não se importou em mostrar a verdadeira face para mim.

— E porque vocês duas acataram a ordem dele ? Isso que eu não consigo entender, Maggie. — Passou a mão espalmada sobre o rosto e suspirou fundo. Nada naquela história fazia sentido. Grissom era um cientista então trabalhava baseado em dados, amostras e evidências. No entanto, Alana era treinada para aquelas situações e se mostrou bastante ineficaz.

— Porque ele descobriu que eu entrei em contato com a detetive. E ele só não matou os nossos filhos porque segundo ele, isso iria alterar por completo todos os seus planos.

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Eu te avisei que não devia subestimar o seu superior, doutora.” — Ele apertou o queixo e bateu a cabeça dela com força contra a parede do quarto. Ele havia a arrastado até um motel de beira de estrada. Não queria correr o risco de entrar na casa dela novamente — “Eu disse que não queria interferências externas”.

Maggie ficou quieta. O homem à sua frente não parecia estar disposto a manter um diálogo e muito menos ser confrontado. O arrependimento foi imediato.

“Uma ordem descumprida precede uma consequência. Eu poderia estar nesse exato momento abrindo o peito do seu filho com um bisturi bem afiado. — Ele sorriu. Gostava daquela imagem. — Eu já comentei com você que não uso anestesia quando eu faço esse procedimento ?”

“Se você quer atingir o meu marido, me mate. Acabe logo com essa tortura e com esses jogos”

“Eu tenho planos melhores que esse. Se eu realmente quisesse matar você, eu já teria feito isso. Mas não gosto de matar por assuntos banais. O que tivemos aqui foi só um erro de interpretação, certo ?”

Ele virou de costas e abriu uma pequena maleta preta. Todos os seus instrumentos cirúrgicos estavam ali. Pegou uma tesoura prateada e cortou a blusa que a médica estava usando. Deslizou a ponta afiada sobre o seu dorso nu e usou o objeto para levantar o seu rosto. De volta a sua case, pegou o seu objeto predileto: O bisturi.

“Eu acredito que a melhor forma de punir alguém é através do sofrimento físico. Nada mais didático que uma ferida aberta. Concorda, doutora ?”

Aquele maldito sorriso fazia Maggie arrepiar-se completamente e MountBlanc parecia se aprovietar desse artificio.

“Quantas pessoas você já atendeu por tomar decisões erradas ? Imagino que milhares.- Deu de ombros — Crianças que se machucaram depois de não dar atenção aos adultos, adultos que se aventuraram sem pensar nas consequências… Enfim, várias situações. Eu mesmo já tomei decisões erradas, mas aprendi com elas”.

Arthur levantou a camisa e revelou uma grande cicatriz em sua barriga. Uma queloide deformava a sua pele. A pele escura devido a uma queimadura grave se estendia por toda a extensão.

“Meu pai me queimou com uma panela de óleo quente. Eu tinha entrado em casa para tomar um copo de água depois de passar o dia brincando do lado de fora. Ele estava discutindo com a minha mãe e decidiu que a melhor forma de punir o mal comportamento dela era me atingindo.”

Maggie entendeu que ele queria fazer o mesmo com ela e com Grissom. Queria usar os seus filhos para punir os atos de Grissom. Ela fechou os olhos e começou a chorar.

“Depois daquele dia eu nunca mais me atrevi a desobedecer alguma ordem dada por ele, doutora Maggie. A dor física me fez aprender que não podemos lutar contra os nossos superiores.”.

♦♦♦

— Oh, Maggie ! — Grissom estava em estado de choque ao ver as cicatrizes espalhadas na pele da barriga dela. MontBlanc havia brincado e abusado com o bisturi. Diversos cortes de diversos tamanhos estavam cicatrizados sobre a pele alva. Ele conseguia contar ao menos dez cortes grandes e outros menores.

— A maioria são superficiais. — Ele ensaiou um sorriso para tentar dissipar qualquer preocupação que rondasse a mente dele. Fechou os olhos quando sentiu o toque delicado da mão dele em sua barriga, ele deslizava o indicador sobre a cicatriz mais dolorosa que ela tinha.

Eram duas letras que ele havia marcado em seu quadril

A.D

Arthur Dyer.

— Agora eu finalmente entendi o motivo dessas letras. — A sua voz estava novamente embargada. Ter marcado para o resto da sua vida as inicias do homem que a torturou era um maldito lembrete que ela só estava viva porque ele autorizou.

♦♦♦

Maggie ! Que fotos são essas ?”

Deu uma risada nervosa ao se lembrar que o seu marido sempre falava que não existem crimes sem provas. E aquelas marcas eram as provas mais contundentes da insanidade daquele homem.

“Alana, eu não quero mais me envolver nessa história. Eu vou fazer o que ele está me pedindo. Não quero que ele encoste um dedo na minha família. Se ele foi capaz de me retalhar enquanto eu implorava para ele parar, eu não sei o que ele pode ser capaz de fazer se eu desobedecer esse lunático novamente.”

Alana segurava retirou do envelope algumas fotos. Reconheceu imediatamente a médica. Depois que MontBlanc havia a deixado naquele quarto de motel, ela usou a câmera do seu celular para registrar toda a ação dele.

“Você vai estar no programa de proteção a testemunha. Quando a gente finalmente colocar as mãos nesse maluco, eu quero ser a primeira pessoa a trazer você de volta”.

♦♦♦

— O dia mais doloroso da minha vida foi quando eu precisei partir. Quando eu precisei deixar vocês para trás, eu senti que tinha morrido naquele exato momento. O mais irônico que a pessoa que me levou até o aeroporto foi ele. Segundo o próprio, ele queria certificar que eu não fosse desistir de última hora.

♦♦♦

"Aqui está um pequeno souvenir para você ! Espero que possa ir apreciando durante o voo”.

Parados no estacionamento, ele entregou um envelope para ela. Maggie não conteve um grito quando viu as fotos. As duas primeiras fotos eram os seus filhos na mira de um revólver enquanto dormiam e as duas últimas era a foto de um rapaz na idade de Jason e uma criança na idade de Emma. Os dois estavam amarrados e amordaçados em um local que parecia ser o porão de uma casa.

As crianças estavam aterrorizadas e a câmera havia conseguido capturar todo o terror no olhar deles.

“Escolhi esses dois para estarem conectados aos seus filhos.” — Ele tamborilava os dedos no volante e encarava o movimento de pessoas na entrada do embarque. Estava muito tranquilo. — “Mas eu sou uma pessoa de palavra. Se você embarcar naquele avião, eu os libero imediatamente”

“Você é completamente maluco. Se tocar em um fio de cabelo dos meus filhos, eu juro que te busco no inferno e te faço pagar por isso”.

“Você está sendo a deusa do destino dessas crianças, Maggie. — Ele encarava o fluxo de pessoas através dos seus óculos escuros. Deu de ombros e encarou a sua carona- A vilã dessa história é você !”

Ela olhou incrédula para ele. MontBlanc era frio e calculista. Em momento algum transparecia medo ou temor que fosse pego. Confiava muito em seus passos e em seus atos.

♦♦♦

— Eu preciso me certificar que essas crianças estão vivas, Griss. O olhar assustado delas me atormentam até hoje. Depois de embarcar, eu consegui despistar e pedi que uma funcionária da companhia aérea guardasse o envelope para mim.

Grissom estava calado tentando assimilar todas as informações que tinha acabado de receber. Maggie não só retirou o curativo de suas feridas, mas também jogou álcool no local.

Ele sentia o seu corpo em brasas. Não havia uma parte do seu corpo que não estivesse tensa ou dolorida. Parecia que tinha sido atingido por um furgão desgovernado depois de escutar as revelações.

Sentia um mix de sentimentos.

Raiva

Angústia

Tristeza

Mas o que mais o incomodava era o desespero de encarar a sua “futura ex-esposa” depois de tudo que ela havia abdicado por ele. Durante três anos ele cultivou muito ódio a respeito dela e às vezes isso o cegava ao ponto de não querer ouvir falar no nome dela.

No entanto, agora ele sentia-se um péssimo ser humano.

— Eu sei que são muitas informações para você assimilar e também sei que não é assunto simples de lidar. Eu mudei muito em três anos e imagino que você também tenha mudado. — Ela fechava os botões de sua camisa enquanto também tentava se acalmar.

— Preciso de um tempo.

Maggie pegou um pequeno pedaço de papel e anotou um endereço. Ela estava hospedada em um hotel um pouco afastada do centro de Las Vegas. A única pessoa que ela tinha contato por enquanto era sua irmã, e não queria correr o risco de seus pais fazerem uma visita surpresa e dar de cara com ela.

— Estou hospedada nesse endereço. Ainda vou precisar de uns dias para encarar todos de frente novamente. Leve o tempo que for necessário, mas eu não estou disposta a ficar mais tempo longe de você e dos nossos filhos.

Grissom saiu desnorteado do apartamento de sua cunhada. Caminhou a passos lentos até o seu carro e ficou parado dentro do veículo encarando a rua calma. Ele tentava organizar os seus pensamentos e se acalmar.

Mas estava sendo uma tarefa difícil.

MontBlanc ou Arthur Dyer fez algo que o atingiu em cheio.

Naquele momento ele sofria duas vezes mais.

Estava sofrendo pela ausência de Maggie e por toda a tortura que ela tinha passado ao lado dele.

E sofria em saber que os seus filhos estiveram na mira de um serial killer.

E tudo por conta dele.

Deu partida em seu carro e foi direto para o laboratório. Ele necessitava ter acesso a todas as informações daquele caso. Sentia muita raiva de Ecklie por tê-lo afastado das investigações. Se ele ainda estivesse presente, com certeza o rumo de sua vida seria completamente diferente.

Rumou direto para a sua sala e ignorou os chamados de Judy com os seus recados. Naquele momento nada era importante.

Tirou o telefone do gancho e digitou os número de Alana.

Ela atendeu no segundo toque.

— Eu quero a chave de acesso do caso do Mont

Grissom… — Ele a interrompeu.

— Agora, Alana ! — Ele gritou do outro lado do telefone.

Quando ela liberou a chave de acesso, ele procurou imediatamente os arquivos sobre Maggie. Fez uma breve leitura do relatório: Maggie esteve em alguns países da América Central e América do Sul. Ela ainda atuava como médica, mas utilizava o nome Melissa Paterson.

Ela passou 3 anos da vida dela sendo outra pessoa e fugindo de um serial killer.

Quando ele abriu as fotos seu coração falhou novamente.

Estava tudo ali: A mulher que havia sido deixada no saguão do hospital. Os corações humanos na redoma de vidro. As duas crianças que foram mantidas em cativeiro. E as fotos de Maggie.

Os cortes abertos e o sangue vivo.

Eram diversos machucados.

E não foram superficiais como ela tinha dito.

Ele deu um soco na mesa e se arrependeu imediatamente. Uma dor pulsante começou a irradiar em seu punho e se estendia pelo o seu braço. Desligou o seu computador e ficou encarando a sua sombra na tela do computador.

Não sabia quanto tempo havia ficado naquela posição.

Odiava se sentir vulnerável.

Decidiu ir para casa, sua mente não iria fluir para nada.

Estacionou o seu carro na garagem de sua casa. Entrou na cozinha e encontrou com Beth, Stella e Sara conversando animadamente. As três pareciam estar muito felizes.

— Gil, boas notícias ! — Beth reparou que o seu filho estava estranho. Os olhos inchados, cabelos desgrenhados e a roupa amassada. Engoliu a seco. — Sara foi aprovada em seu trabalho final. Agora ela já pode se considerar uma graduada.

Ele levantou o olhar mas não conseguiu esboçar uma reação imediata. As três mulheres perceberam a atitude dele.

Beth estranhou por ele não estar feliz pela a namorada dele.

Sara sentiu o coração apertar com o olhar dele.

Aquele não era o Grissom que ela conhecia.

Era uma versão desconhecida.

— Meus parabéns. — Limitou-se em responder. Pediu licença e foi em direção ao seu quarto. Precisava descansar daquele dia e principalmente reunir forças para seguir adiante.

Sabia que não seria nada fácil o retorno de Maggie.

Sara ignorou o fato do relacionamento entre eles ser um segredo e inventou uma desculpa cabal para poder ir ao encontro dele. Subiu as escadas logo atrás e conseguiu para-lo antes que ele entrasse no quarto.

— Grissom ! O que aconteceu ? Por favor, me fala. — Ela sentia o coração bater na boca vendo ele daquela forma.

— Sara, não enche o meu saco.

Notas finais
Então ? O que eu posso adiantar é que vai existir uma mudança de comportamento. A falecida voltou e voltou com vários motivos para Grissom repensar em diversas atitudes. Obrigada a todos vocês por comentarem e acompanharem a fic até aqui. Estamos entrando em reta final e espero contar com vocês. Beijão e se cuidem.