Sim, Senhor.

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Como prometido postei o capítulo adiantado. Me desculpe por não ter postado antes mas final de semestre na faculdade é andar com a corda no pescoço. E nos próximos capítulos vamos finalmente ver um pouco de alegria e cor na casa dos Grissom's. Espero que gostem do capítulo !

Sara sabia que precisava tentar se aproximar de Jason por mais que o rapaz não demonstrasse nenhum interesse de iniciar uma conversa. A porta do quarto estava fechada e ela hesitou algumas vezes antes de dar três leves batidas na porta. Escutou um sonoro “Está aberta” e projetou o seu corpo contra a porta.

—Olá Jason.

—Ah, é você Sara.

Um silêncio quase constrangedor ficou no ambiente, o menino só havia o encarado quando ela se apresentou no quarto, depois voltou a sua atenção para o teto. Ela não sabia como agir em relação a ele, não queria estar no quarto que era um local tão íntimo dele contra a vontade de Jason.

—Preparamos alguns sanduiches, você não quer descer e comer?

O menino tirou os fones de ouvido e sentou-se na cama de frente para Sara. Ele permanecia sério e com o olhar incisivo sobre ela, Sara conhecia aquele olhar, seu pai havia lhe lançado quando questionado o por que ele não poderia apresentar os seus filhos para ela.

—O que você veio fazer aqui, Sara? Aposto que meu pai te chamou para trabalhar aqui para fazer o papel da minha mãe. Eu quero você saiba que você não vai conseguir ficar no lugar dela, nem você e nem qualquer outra mulher.

A essa altura o rapaz que era maior que Sara já estava de pé na sua frente, a cada nova palavra ele aumentava o tom de voz, seu dedo em riste estava muito próximo ao corpo de Sara que não aprovava de forma alguma a atitude do rapaz.

—Jason eu não sei o que você pensa ao meu respeito mas te garanto que não estou aqui para ser substituta de ninguém. — Falou tranquilamente enquanto o encarava, ela mantinha os punhos fechados e a respiração pesada, odiava ser confrontada ainda mais sem necessidade.

—Por favor, saia do meu quarto. – Com o indicador ele apontou para a porta. – Se eu estiver com fome eu sei onde fica a cozinha da minha casa.

Ela apenas assentiu e saiu do local, mal se retirou do ambiente e sentiu a porta fechar atrás de si com tremenda violência, pode sentir o vento que a força que ele havia colocado sobre a porta projetar em suas costas. Antes mesmo de descer as escadas, projetou o seu corpo sobre o peitoril do mezanino, sua vontade era entrar naquele quarto e falar boas verdades para o menino, mas sua posição não permitia aquilo e principalmente ele devia ter suas razões.

Desceu as escadas e encontrou Stella prostrada com os olhos arregalados para a jovem. A governanta havia escutado toda discussão, ou melhor, havia escutado os gritos de Jason. Sara passou ao seu lado e lhe fez um carinho no ombro indicando que tudo estava bem.

—Não se preocupe, mama. Não foi nada demais. – Sussurrou.

Juntou-se a Emma que acabava de comer o primeiro pedaço do sanduiche, a menina também ouviu os gritos de seu irmão e ela odiava muito isso, de algum tempo para cá os gritos que jamais eram ouvidos naquela casa se tornou frequente e isso deixa a menina muito assustada.

—Tia Sara, você pode me abraçar? – A menina estava com a voz embargada e encarava Sara com seus bracinhos abertos. Tinha muito medo quando as pessoas começavam a gritar aquelas palavras perto dela.

—O que aconteceu minha princesa?

Sara abraçou a menina que sentiu ela apertar seus braços contra sua cintura, tratou logo de limpar suas lagrimas, segurou sua cabeça contra o seu corpo e ficou fazendo carinhos nas suas costas. Ouviu barulho do portão da garagem de abrir e seu coração parecia sair da boca. O que Grissom iria pensar vendo sua filha chorando justo no primeiro dia de trabalho dela?

“Isso só pode ser Karma ou qualquer outra força do universo me infernizando”

Viu o homem surgindo pela a porta da cozinha que ligava a outra área externa da casa. Ele vestia uma jaqueta preta e calça social, em suas mãos um calhamaço de folhas presas em pastas amarelas e na outra mão a chave do carro junto a sua pasta. Olhou para Sara abraçada em sua filha que parecia ter chorado recentemente.

—O que houve aqui? — O homem encarou Sara e depois Stella. Se algo tivesse acontecido com sua filha a culpa seria das duas.

—Ela começou a chorar...

—Eu perguntei para Emma, Sara.

Disse em um tom ríspido encarando a jovem, sem ao menos pediu licença pegou sua filha e a pôs em seu colo.

—Jason ficou gritando com a tia Sara. Você sabe que eu não gosto quando as pessoas ficam gritando perto de mim, pai.

Isso era verdade, todas as vezes que ele discutia com Jason o que havia se tornado frequente entre os dois ela sempre ficava desesperada e começava chorar copiosamente.

—O que houve, Sara? Alguém aqui pode me explicar o que está acontecendo?

O homem virou-se irritado para mulher que estava parada ao lado de Stella. Emma ainda estava no seu colo com a cabeça apoiada em seu ombro, com seus pequenos dedos ela deslizava sob as costas de seu pai. Sentia-se tão protegida estando abraçada com ele, sentia tanta falta de poder fazer isso frequentemente.

Jason que descia as escadas deu de cara com toda a cena feita por seu pai, sua irmã não tinha nenhuma culpa daquilo, a culpa era toda dele que havia sido grosseiro com Sara mas ela do fundo do coração não conseguia apoiar a decisão de seu pai, sabia que havia feito aquilo pra suprir a falta que sua mãe fazia. Antes mesmo dele virar para voltar ouviu seu pai chamando.

—Jason, essa confusão toda é por sua causa. Acho que deve desculpas a alguém aqui.

Ele ignorou o que seu pai havia falado e continuou subindo as escadas, sentia um peso muito grande nas costas, sentia melancolia, tristeza, solidão, abandono de todas as partes, sentia-se só. Solitude havia virado solidão.

—Jason !

Ele ouviu o chamar mais uma vez e o ignorou novamente. Sentia muito por sua irmã mas estava tão dilacerado com anos de confusão que achava que estava perdendo a capacidade de ser empático.

—JASON, VOCÊ NÃO ESTÁ ME OUVINDO?

Assim como o seu pai costumava fazer quando estavam juntos ele apenas deu de ombro e finalmente deu a atenção que ele tanto queria. Do alto da escada pode ver que todos o observavam.

—Sara me desculpe você não tem culpa de nada, acho que estou aprendendo a ser babaca como o meu pai.

Notas finais
Me parece que Jason é bem parecido com o pai, não acham ? Galerê, uma pergunta rápida. O que vocês acham de capítulos com mais de 2000 palavras? Estou escrevendo os capítulos e eles estão ficando muito extensos e tenho medo que vocês possam achar maçante ler capítulos muito longos. Beijos de luz e até o próximo capítulo.