Sim, Senhor.

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Olá galerê ! Ca estou novamente. Gostaria de agradecer a todos que tem comentando a fanfic e também agradecer a Naai, Cris, Dama das estrelas, Jackleine Noara e Charlotte Grey que favoritaram a fic, vocês são demais. Boa leitura

Já era o seu terceiro dia naquela casa e o clima pesado ainda permanecia o mesmo. Desde que Jason ofendeu Grissom na frente de todos o ambiente ficou mais carregado ainda. Sara reconheceu naquele momento – pelo menos naquele momento – que ele era um homem inteligente, sabia que Emma tinha as piores reações em um ambiente hostil, preferiu então ignorar a fala de seu filho mais velho para não prolongar o problema. Depois que ele também estava com o ânimo mais tranquilo pediu que Stella preparasse um sanduiche para ele. Sara nunca soube o que eles conversaram no quarto do adolescente mas Grissom havia passando longos minutos conversando com ele.

Apesar de transparecer um homem rude e ignorante, ele era prudente com os seus filhos.

Depois do ocorrido Jason dirigiu a ela algumas poucas palavras mas para ela já significava um pequeno progresso em vista do que havia ocorrido. No final de tudo o que mais incomodava Sara era a incomunicabilidade de Grissom com ela, o homem apenas limitava em cumprimentar quando chegava e poucas vezes a encarava. Ela estava ali para cuidar dos filhos dele e ele ao menos se dava o trabalho de saber o que eles haviam feito.

Homem prudente mas altamente desligado.

A pedido de Stella que dava as orientações para Wanessa a respeito da limpeza da casa naquele dia, Sara precisava ir até o quarto de Jason levar as roupas limpas que governanta havia passado. A última vez que Sara estivera de frente para aquela porta havia se arrependido de ter batido, duas leves batidas na porta e ela escutou novamente “Está aberta”.

—Jason, sou eu a Sara. – Ela se resguardou dessa vez, não queria que ele fosse grosso com ela novamente. Ela estava encostada na parede ao lado da porta esperando que ele se manifestasse ou fosse abrir.

—Pode entrar, Sara. – Ele respondeu encarando a porta esperando que jovem entrasse. Assim que ela entrou no espaço pela primeira vez teve um pequeno espanto em reparar a diferença de quarto entre ele e sua irmã.

O quarto de Jason era todo cinza claro e com diversos posters de bandas espalhados pelo o quarto, assim como o quarto de Emma várias prateleiras estavam dispostas na parede com vários livros cujo alguns Sara reconheceu: Sherlock Holmes, Atlas, alguns livros do Sidney Sheldon e outros tantos romances policiais.

—Joy Division, ótima escolha. – Ela lhe entregou as roupas e parou observando o pôster que estava sobre a cama de casal desarrumada do jovem, observou que no chão havia vários papeis com rabiscos, quando ela levantou o olhar para falar com ele percebeu como ele se assustou em reparar que ela havia encontrado as folhas.

—Uma das minhas bandas prediletas. – Concluiu também encarando o pôster, coçou a orelha com receio que ela perguntasse algo sobre aqueles papeis. – Meu avô Bob me ensinou a gostar de música boa.

—Com certeza, já vi que você tem pôster do Joy Division, The Smiths, The Cure. Só bandas de alta qualidade.

—Você não tem cara de quem gosta desse tipo de música, Sara. Você tem todo o jeito de gostar de música romântica ou country, tipo Alan Jackson... sei lá. – Ele que estava sentado na cama, colocou as mãos por trás de sua nuca e soltou seu corpo sob a cama e cruzando as pernas encarou a morena desconfiado

Sara riu timidamente com a confissão do rapaz, sempre gostou de ouvir o que os outros pensavam a seu respeito e principalmente a reação que eles tinham quando ela desmitificava algo a seu respeito. Ela por um momento sentiu-se aliviada por ver Jason sem toda aquela armadura que ele usava desde que ela havia chegado, parecia que pela primeira vez ele se mostrava um pouco de quem realmente era.

Walk in silence, don't turn away, in silence. — Sara tentava imitar a voz grossa do vocalista Ian Curtis, o que não deixava a voz muito afinada pelo o seu tom vocal. Balança as mãos como se estivesse regendo aquela canção. -Your confusion, Worn like a mask of self-hate,confronts and then dies.

Don’t walk away— Ele completou a letra da canção junto com Sara. O rapaz sentou-se novamente na cama e seus lábios projetaram um pequeno sorriso para ela, suspirou fundo e tomou coragem para encarar sua ‘baba’. – Sara na real, isso tudo aqui é tudo muito novo para mim mas se você puder me desculpar o meu comportamento de três dias atrás.

—Eu já te desculpei, Jason. Vamos deixar isso para trás e fingir que aquilo nunca existiu. Pode ser? – Ela esticou a sua mão fechada esperando que retribuísse o cumprimento, o rapaz mesmo sentando projetou seu corpo para frente tocando a mão dela da mesma forma. – Agora, Stella pediu para dar o recado para você : Wanessa já está aqui para fazer a limpeza, acho que esse é o seu toque de recolher para sair do seu quarto.

—Entendi.- Ele revirou os olhos e levantou-se da cama, pegou o seu iPod junto com os fones e recolheu as folhas que estavam no chão e deixou sobre a mesa. – Hoje é dia de ficar do lado de fora de casa igual aos móveis.

—Sabe se meu pai já chegou? Ele ficou de me dar algumas aulas de direção hoje. — Jason plugou um dos lados do fone e jogou o iPod dentro do bolso de sua bermuda, do mezanino eles observavam a jovem empregada retirar os móveis da sala do lugar. – Me sinto igual aquelas cadeiras.

Sara lembrou-se de ouvir Stella comentar com Wanessa e James que Grissom não iria estar em casa no horário combinado para poder acertar os valores dos serviços mas que ambos fossem até o laboratório que ele acertaria com eles. Não queria dar essa notícia para Jason e decepcionar o menino novamente, teve uma ideia e torceu para dar certo.

—Ele pediu que eu te ensinasse a dirigir, meu carro é mais velho ou seja se você bater com ele não vai ter prejuízo nenhum.

“Uma péssima desculpa mas talvez isso amenize a notícia”

—Eu sei que meu pai nunca iria te pedir isso, Sara. Meu pai não confia mais nem na sombra dele.- Ele deu um sorriso melancólico. – Mas obrigado por querer não me chatear.

—Tudo bem Jason, seu pai não disse nada disso. Mas eu posso te ajudar com isso, claro se você quiser. Uma forma de selar a nossa nova tentativa de conviver juntos.

Ele balançou a cabeça negativamente e colocou o outro fone no ouvido e desceu as escadas cabisbaixo, ela observava tudo com o coração pequeno. Sua passagem no orfanato conheceu diversos tipos de abandono, pais que não tinha como criar seus filhos, pais que não queriam seus filhos, pais que haviam morridos e até mesmo pais que estavam incapacitados de criar seus filhos, como no caso de Laura e Sara.

Mas o abandono que Jason sentia era dolorido, ele tinha tudo ao seu redor: casa, amigos, família mas não conseguia ter a atenção de seu pai.

Sara foi ao encontro de Stella e contou o que havia ocorrido, a governanta quase não se coube de felicidade em saber que Jason havia finalmente aceitado conversar com ela mas para a infelicidade de Sara, Grissom realmente não iria voltar para casa naquela tarde, havia informado que iria processar uma cena de crime em uma cidade vizinha de Las Vegas e em momento algum pediu que Stella informasse a Jason sobre sua falta.

—Eu sinto tanta pena de Jason, tudo o que ele mais quer é a atenção de Grissom. Será que ele não percebe?

—Percebe, minha pequena. Ele sabe disso mas ele não consegue lidar com todos os sentimentos de uma vez só.

—Mas mama é o filho dele, como ele devia priorizar esse sentimento fraternal.

—Minha pequena não é tão simples quanto parece. Grissom não quer que Jason veja o que ele se tornou.

Sara que permanecia olhando para Jason deitado na espreguiçadeira próxima a piscina sabia exatamente como ele se sentia. Ela sempre quis ter o amor de seus pais mas eles nunca estavam disponíveis para ela. Com o cotovelo apoiado no balcão da mesa da cozinha, levou as duas mãos na nuca pressionando sua cabeça para baixo, deslizou as mãos no rosto e foi quando ele teve uma boa ideia.

...

—Ei Jay, vamos logo. Sara está nos esperando lá fora. – Emma passou correndo pela a porta que dava acesso a piscina e puxou seu irmão pela a mão fazendo ele levantar de uma vez só.

—Nos esperando para o que, Emma?

—Ela disse que você vai levar a gente para passear aqui na nossa rua. Vamos logo.

Jason não entendia nada o que estava acontecendo. Havia deixado claro, ou menos pensou que tivesse, para Sara que não iria aceitar aquela oferta mas ver a sua irmã toda empolgada com aquela noticia o fez querer ceder um pouco.

—Ei, meu carro é velho mas é o único que eu tenho para vir trabalhar e principalmente para ir para faculdade. Então tenha cuidado com o meu bebê. — Sara alisou o capô do carro como se fosse sua maior preciosidade. — Pegue as chaves e vamos logo fazer isso antes que eu desista.

Sara jogou as chaves e Jason pegou o objeto ainda no ar, analisou o carro por fora e sentiu seu coração falhar quando viu a cadeirinha de Emma no banco de trás do carro de Sara. Aquela era a cadeirinha que ficava no carro de sua mãe, sentiu como um soco no estomago ao ver aquela cena.

—Onde você achou essa cadeira, Sara?

—Stella disse que estava guardada na garagem e achei melhor usa-la para proteger sua irmã. – Ela riu e esperou que Jason fizesse o mesmo mas ele permaneceu encarando o objeto dentro do carro.

—Minha mãe usava essa cadeira no carro dela. – Ele disse apertando as chaves em sua mão de forma que o sangue já não circulava por ali.

—Desculpe eu não sabia, se você quiser eu posso retirar e pedir que Emma nos espere com a Stella.

—Não!- Respondeu rápido saindo de seu devaneio- Vamos fazer isso, tenho certeza que Emma está mais empolgado que eu para fazermos isso. Não é, pirralha?

Sara acomodou Emma no banco de trás e fez os ajustes necessários no banco, já na parte da frente orientou Jason para ajustar o banco da maneira que mais ficasse confortável, mostrou para ele o que cada pedal significava para o funcionamento do carro.

—Não é difícil, Jason. Você só precisa de calma e me escutar atentamente e por favor nada de querer acelerar de início.

—Entendi. – Ele segurava o volante com uma força desnecessária e olhava firmemente para frente.

—Primeira coisa: Relaxe os ombros, você não está dirigindo em uma avenida super movimentada, estamos na rua da sua casa. Agora que você já ligou o carro, você vai afundar o pé no pedal da embreagem e engatar a primeira marcha.

Assim ele fez e sentiu o carro começar a balançar um pouco, causando-lhe estranhamento.

—Calma, isso é só o carro pedindo para você acelerar. Agora bem devagar você vai começar a tirar o pé da embreagem e acelerar o carro bem vagarosamente, sem pressa. Relaxa.

Aos poucos o carro foi saindo do local inicial e movimentando lentamente pela rua. Emma que estava no banco de trás achou aquilo a coisa mais legal do seu dia, realmente achava que era um passeio o que estavam fazendo. Jason começou a ganhar um pouco mais de confiança, o carro já mostrava no painel 17km/h e ele sentiu confiante.

—Agora Jason, vamos passar a segunda marcha. Será o mesmo processo, afunde o pé na embreagem e mude a marcha e depois lentamente retirando o pé da embreagem e pisando no acelerador.

Mas dessa vez o carro fez um barulho mais alto que assuntou Jason e deu uma crise de risada em Emma.

—Nada demais, você apenas acelerou demais. Continue calmo e quando chegarmos naquela outra quadra você vai ligar a seta para direita para indicar que vamos entrar naquela rua.

Ele limitou-se a dizer “OK”. Nada o faria tirar o olho dali, fazia alguns meses que ele havia completado 16 anos e queria logo a sua autonomia para poder dirigir. Sara abriu o seu porta luvas e pegou no compartimento um CD e colocou em seu som.

—Acho que isso aqui vai te ajudar a relaxar, meu caro.

No som o CD da banda The Smiths iniciou com a faixa There Is a Light That Never Goes Out, o som característico da guitarra fez com que Jason reconhecesse aquela música e fez um sinal de positivo para Sara retornando rapidamente para o volante.

Emma no banco de trás balançava o corpo com o ritmo da música, estava adorando ver o seu irmão dirigindo o carro de Sara.

—Você está indo muito bem, meu caro. Agora vamos ligar a seta novamente e retornar para a sua rua.

Jason calmamente entrou na rua de sua casa porém acabou perdendo um pouco da confiança quando viu o carro de seu pai encostando na porta da garagem. Sara ao perceber que ele havia mudado a sua feição tratou logo de abaixar a música e disfarçadamente colocar a mão na embreagem.

—Não tem que se assustar, Jason. Vamos até a porta da garagem e você mantendo essa velocidade vai parar o carro ao lado do carro do seu pai. Eu e Emma sabemos que você consegue fazer isso.

Emma suspendeu o polegar fazendo um sinal de afirmativo e ficou olhando para o seu irmão.

Como uma ovelha indo para o matadouro, Jason tentou manter a calma para não errar em momento algum ainda mais sabendo que seu pai estava por perto, era a oportunidade de provar para ele que conseguiria fazer aquilo sem ele.

A pedido de Sara ligou a seta e subiu na garagem a esquerda no carro de seu pai.

Talvez pela a maior ironia que o destino poderia ter pregado em Jason e principalmente em Sara, Grissom abriu a porta abruptamente colidindo na lateral do carro de Sara fazendo um estrondoso barulho.

—Que merda é essa?- Grissom que havia encolhido o corpo para dentro do carro, desceu olhando para o interior do carro de Sara.- Alguém pode me explicar o que aconteceu ?

Sara permanecia com os olhos fechados, torcendo em seu íntimo que aquilo fosse um pesadelo e quando ela abrisse os olhos nada disso houvesse ocorrido mas infelizmente não. Morrisey terminava a música com a frase “Há uma luz que nunca se apaga” e Sara praguejou.

—Que merda eu fiz, Sara? Meu pai vai me matar.

Ambos desceram do carro e deram de cara com Grissom examinando o prejuízo em sua porta, a cor branca do carro de Sara havia transferido para o carro de Grissom e amassado a sua porta. No carro de Sara a mancha preta arranhada estava enorme.

—Me desculpe, pai. Sara estava me ensinando a dirigir e não era a nossa intenção que isso acontecesse.

—Ainda bem que não era, Jason.- Grissom passou a mão no rosto e espalmou em seguida.- Onde vocês estavam com a cabeça de subir na garagem assim? Olha o que vocês fizeram no meu carro e no carro de Sara.

—Pai, me desculpe.

—Esqueça isso, Grissom. Foi apenas um caso fortuito o que aconteceu, não íamos prever que você iria abrir a porta dessa forma. Não culpe Jason por isso.

—Eu não estou culpando ninguém, Sara.- Falou em um tom tranquilo.- Só acho que precisamos resolver isso. Ainda bem que só foram danos matérias. Mas vamos deixar essa confusão para outra hora, eu só vim em casa buscar algumas roupas pois vou viajar para uma cidade vizinha de Las Vegas e não sei se eu retorno ainda hoje.

Notas finais
Confesso que os gostos musicais de Jason são bem parecidos com o meu :D Vemos que cada um deles tem um sofrimento em relação a Maggie. Antes que vocês queiram minha cabeça a prêmio e por favor não desistam de mim ! Quero que Grissom e Sara se conheçam gradativamente, não muito Habbo *Oi* *Tudo bem?* *Vamos namorar?* Mas prometo a vocês que não vou enrolar para que isso aconteça ! E claro também em breve vamos descobrir o que deu em Maggie. Mais uma pergunta :D (obrigada a todas que comentaram sobre o tamanho da fic, hoje fiz como me pediram) O que me dizem sobre a frequência da fic? Normalmente eu posto uma vez por semana mas estou pensando em aumentar mais um capítulo ! O que acham sobre isso? Beijundas pra vocês ♥