Sim, Senhor.

38 Capítulo 38


Notas iniciais
E aí pessoal, como estão ? Aí ainda é Natal ? HAHAHA. Minha intenção era postar esse capítulo no dia 25, mas acabei que não consegui postar a tempo. Mas esse é o meu presente de Natal atrasado algumas horas para vocês. Gostaria de reiterar os meus agradecimentos a todos vocês e desejar um Natal e um Ano Novo repleto de muita luz. Que 2021 seja um ano de realizações e nos pague com juros tudo que perdemos em 2020. Nos vemos nos comentários finais. Sem delongas. Boa leitura.

O voo estava tranquilo. O piloto informava que em alguns instantes eles iriam pousar no aeroporto Internacional McCarran em Las Vegas. Estava morrendo de saudades de sua família e não via a hora de poder finalmente reencontrá-los. Enquanto a aeronave se preparava para pousar, ela curtia a visão do alto. Pequenos pontos de luz cortavam o céu escuro no deserto.

“Senhoras e Senhores, em dois minutos pousaremos em Nevada. American Airlines agradece a preferência e deseja a todos os passageiros um Feliz Natal”.

Ela afivelou o cinto como requisitado no aviso luminoso. Fechou o seu livro que pousava no seu colo e guardou dentro de sua bolsa. Ajeitou o seu cachecol e fechou o seu sobretudo. Fechou os olhos e esperou o avião pousar na pista.

Era o momento que ela menos gostava

Já na área de desembarque, foi até a esteira em busca de sua mala. Milagrosamente sua mala tinha sido uma das primeiras a serem despachadas. Agradeceu internamente por isso.

Não tinha avisado ninguém sobre a sua ida para Las Vegas. Portanto, não tinha ninguém a aguardando no saguão do aeroporto. Suspirou fundo e foi em busca de um táxi. Era uma noite fria e ela não via a hora de poder estar aquecida em casa.

Depois de alguns minutos de espera, conseguiu um táxi. Indicou o endereço ao motorista que logo deu partida no carro. Sozinha com seus pensamentos, ela curtia o clima natalino na cidade do pecado. Diversas ruas estavam perfeitamente enfeitadas para a data festiva. Diversas pessoas andavam em busca do presente perfeito de última hora, outras pessoas apenas aproveitavam o momento com sua família ou amigos.

No rádio tocava uma música de Paul Anka e ela cantava baixinho. Estava feliz por estar de volta, sentia falta de estar com sua família e no Natal, o sentimento sempre aflorava. Identificou a rua da residência e sentiu o coração bater mais forte. Esperava não atrapalhar os planos de ninguém.

Era dia 23 de dezembro. Provavelmente todos estariam em casa.

Menos Gil.

O taxista a auxiliou com sua mala e ela agradeceu. Depois de pagar e dar uma boa gorjeta, desejou-lhe boas festas. Com passos curtos foi até a porta, arrumou sua roupa e apertou a campainha. Viu a sombra de Stella perambulando pela casa, ficou feliz em saber que ela estava ali. Provavelmente estava assustada com uma visita inesperada naquela hora.

— Surpresa !

— Eu não acredito. — Stella levou as mãos até a boca em sinal de surpresa.

— Sei que cheguei sem avisar mas será que posso entrar ? Está frio aqui fora.

— Claro, Beth ! Cabeça minha ! Entre. — A governanta abriu passagem e a senhora entrou na casa. Auxiliou com o seu sobretudo e depois trocaram um abraço caloroso. — Grissom não me falou que você viria.

— Ele também não sabe, querida. Quis fazer uma surpresa dessa vez. — Sorriu encantadora. — Onde estão todos ? — Ela espalmou as mãos e correu os olhos pela sala.

— Grissom está trabalhando — Stella revirou os olhos e Beth riu. — Jason está com a namorada e Emma está no quarto com Sara.

— Então vamos até elas, estou morrendo de saudades.

As duas senhoras subiram as escadas e foram em direção ao quarto da caçula. Do corredor elas escutavam as risadas de Sara e Emma. Quando as duas estavam juntas, era garantido as risadas e as mais diferentes brincadeiras. A menina tinha um repertório variado de assuntos e sempre matinha Sara entusiasmada.

— Posso saber o motivo de tantas risadas ? — Beth parou na porta e viu quando os olhos de sua neta se iluminaram.

— Vovó ! — Emma deu um pulo e correu em direção de Beth. As duas trocaram um abraço amoroso e Emma ganhou um gostoso afago na cabeça. — É verdade que você está aqui ?

— Claro, minha joaninha. Gostou da surpresa ?

— Sim ! Eu amei. — Sorriu. — Vocês sabiam que ela viria ? — Ela apontou para as outras mulheres.

— Sua avó fez surpresa para todo mundo, Em. Eu quero só ver quando o seu pai descobrir. Quero só ver se ele vai ficar sério e falar que não gosta de ser surpreendido. — Disse Stella.

— Ei, Sara. Venha cá, também senti a sua falta. — Beth abriu os braços e esperou por Sara. A morena tombou a cabeça com um sorriso discreto e foi em direção a senhora. Ganhou um abraço fraternal que ela sentia saudades.

— É muito bom tê-la aqui, Beth. Agora vai começar a temporada de ciúmes. — Sara apontou para Stella que balançou a cabeça rindo do comentário dela. — Mas vamos sobreviver.

— Fico feliz que tenha se incluído, Sara.

As quatro retornaram para a sala. Stella ofereceu para preparar um café quente para todos, o frio estava forte e a bebida aqueceria seus corpos. Emma sentou ao lado de sua avó e logo apoiou sua cabeça na perna dela.

— Gilbert está no laboratório ?

— Sim. Ele comentou que está de plantão. O laboratório dispensou uma parte da equipe por conta das festas de fim de ano.

— E com certeza ele se ofereceu para trabalhar no Natal. Gilbert não muda nunca.

— Meu pai é igual ao Grinch. Odeia o Natal.

Todos riram do comentário de Emma. Na realidade, Grissom nunca tinha se importado com essas datas comemorativas. Quando era solteiro, ele e sua mãe passavam juntos na casa de sua tia. Depois do seu casamento, Maggie sempre fora empolgada com datas de fim de ano e era obrigado a participar. Com o nascimento dos seus filhos, a tradição foi para dentro da sua casa, mas ele nunca se empolgava, apenas ficava feliz pela alegria dos seus filhos.

— Esse ano as crianças vão passar o Natal vendo algum especial na TV. Virginia e Robert vão trabalhar na noite do dia 25 e Carol viajou para Nova Iork. — Stella chegou na sala com a bandeja com os cafés e o chocolate quente para Emma. — Sara esse ano ainda nos ajudou com a montagem da árvore.

— Estou pouco me importando com o mau humor de Gilbert. Essas crianças merecem um natal decente.

— Então vamos ter uma ceia de natal e trocar presentes ? — Emma abriu um sorriso e os adultos se encantaram com a felicidade genuína dela.

— Claro meu amor. — Beth bateu levemente com o indicador no nariz da neta. — Vocês não se importam em me ajudar ? Eu sei que está em cima da hora mas eu acho que conseguimos.

— Claro que ajudamos. Vai ser um prazer. — Sara comentou e Stella meneou a cabeça em afirmação concordando com a morena. — Me disponho a carregar vocês para qualquer lugar.

— Ótimo ! Já tenho algumas ideias em mente e será fácil executá-las. Vamos ter bastante mãos para auxiliar.

Escutaram um barulho de chave na porta da sala. Uma rápida conferida no relógio e pelo horário seria Jason retornando da casa de Mackenzie. O rapaz abriu a porta um pouco cabisbaixo, depois da conversa com o seu avô e seu pai, andava muito introspectivo. Suas ideias estavam desorganizadas e sentia-se triste por isso.

— Espera aí. É a minha vó ? — Jason estagnou próxima a entrada quando viu Beth sentada no sofá ao lado de Emma e Sara. Ele sorriu e correu em direção a senhora. — Eu não acredito que a senhora está aqui !

— Já perdi as contas de quantas vezes escutei essa frase agora a noite.

Ela riu e puxou o neto mais velho para um abraço. Jason levantou-a do chão e a rodopiou no ar. Ganhou algumas leves batidas no ombro e devolveu para o seu lugar de origem. O abraço apertado de sua avó parecia remontá-lo por dentro.

— Estou muito feliz que você está aqui.

— Não fale isso na frente da Stella, ela vai morrer de ciúmes. — Sara provocou a governanta que estreitou o olhar.

— Meu coração tem espaço para as duas. Já no seu caso Sara, eu ainda estou considerando. — Jason foi até Stella e beijou o topo de sua cabeça.

— Recíproca é verdadeira, Jay. — Sara esticou a lingua e Jason fez o mesmo

Jason e Sara, dois exemplos de maturidade.

— Bem, crianças, eu acho que já está na hora de vocês irem para cama dormir. — Beth apontou para o segundo andar da casa. Sabia que o seu filho era rígido em relação a horários. — Não queremos que o Dr. Grissom reclame de alguma coisa.

— Eu estou morrendo de sono.

— Beijar na boca cansa, né Jay ? — Beth “alfinetou” seu neto que ruborizou com o comentário. Ele levantou e despediu-se de cada um. Estava mais leve e calmo com a presença de sua avó na casa. Ela tinha aquela habilidade de descontrair o ambiente.

— Joaninha pode seguir o mesmo rumo do seu irmão. Pode ir recarregar a bateria para o dia de amanhã.

A pequena apenas concordou com sua avó e foi acompanhada por Sara até o seu quarto. A morena queria apenas certificar que tudo estava em ordem no quarto da menina. Deu um beijo em sua testa e desejou-lhe boa noite.

— Querida, não precisa se preocupar em organizar o quarto de hóspedes. Eu ainda pretendo fazer uma visita para o meu filho no laboratório.

— Não prefere esperar ele retornar ? Na época de festas ele não costuma dobrar os turnos.

— Não se preocupe, Stella. Eu prefiro fazer uma visita rápida, sei que ele não se importaria. Aliás, eu não aguento mais alguém perguntando se é verdade que eu estou em Vegas.

Stella acatou o pedido de sua amiga e ligou para uma companhia de táxi para enviarem um carro até a casa. Depois de alguns breves minutos, Beth já estava em direção ao emprego de seu filho. Ela tinha muito orgulho de seu filho. Na recepção foi informada pela jovem Judy que Grissom estava em uma autópsia, mas que ela poderia aguardá-lo em sua sala.

O espaço escuro e frio, fez que ela se encolhesse ainda mais. Diversos quadros espalhados pela parede, animais mortos em vidros, uma infinidade de papéis sobre a mesa. Ela torceu o nariz com o ambiente, não entendia o porquê do local ser tão macabro.

— Ecklie, você já considerou a possibilidade que eu esteja te evitando? — Grissom entrou em sua sala com Conrad em seu encalço. Segurava uma caixa de evidências ele não reparou que tinha visita em sua sala.

— Grissom, céus ! Quantas vezes eu vou precisar lembrá-lo que isso faz parte do seu trabalho. Quer você goste ou não ?

Beth pigarreou alto chamando a atenção dos dois homens parados na porta. Grissom abriu a boca e fechou diversas vezes. Encarou Ecklie e este lançava um olhar de ternura para a senhora sentada na cadeira.

— Senhora Grissom. Que agradável a sua visita. — Conrad aproximou-se e beijou o dorso de sua mão.

— Muito obrigada, Conrad. Me desculpe o inconveniente e atrapalhar essa calorosa discussão.

— Não se preocupe, podemos resolver esse problema em outro momento. Bem vinda à Vegas.

Grissom estava atônito com aquela cena. Como o seu supervisor poderia mudar de personalidade tão rapidamente. E desde quando ele tinha aquela cordialidade com a sua mãe ? Era verdade que boa parte dos funcionários mais antigos conheciam mas não imaginava que eles tivessem algum tipo de contato.

— São tantas perguntas que eu preciso fazer. — Ele sorriu e depositou a caixa de evidência sobre a mesa. — Não sabia que vocês eram tão íntimos

— Não sabia que também era ciumento em relação a sua velha mãe- Alfinetou e percebeu o semblante sem graça de seu filho. — Mereço um abraço ?

Ela praticamente cabia dentro do abraço do seu filho. Ele a abraçou de uma forma carinhosa, mas sempre gostava de apertá-la em seus braços como uma forma de não deixá-la escapar tão rápido. Beth segurou o rosto de seu filho entre as suas mãos e depositou um beijo em sua bochecha.

— Por que não me avisou que chegaria ? Poderia ter ido te buscar no aeroporto.

— Se eu fizesse isso, perderia todo o sentido da palavra surpresa.

Ele apenas concordou com um sorriso. Os anos estavam tranquilos para a sua mãe. Ela era uma mulher forte e com muita saúde. Ela apenas contava com o auxílio de Dayse que ajudava em alguns afazeres domésticos, o restante ela conseguia dar conta.

— Será que consegue um intervalo ?

— Claro mãe. Eu já iria sair para comer alguma coisa mesmo. Vou te levar ao lugar que você irá adorar.

Grissom pegou o seu casaco pesado e acomodou o cachecol em torno do pescoço. Saiu acompanhado de sua mãe pelo corredor do laboratório, atraindo alguns olhares curiosos. Os novatos não conheciam a senhora mas pela aparência e principalmente intimidade, deduziram ser a mãe do supervisor.

Caminharam poucos minutos até uma delicatessen de esquina. O lugar era pequeno e aconchegante. Felizmente o espaço contava com poucas pessoas. Grupos animados e famílias em busca dos presentes natalinos.

— Sei que você adora doces. Vai se sentir no paraíso aqui.

— Me conquistando pelo estômago ! — Ela ergueu as sobrancelhas quando averiguou o cardápio. Tinha uma variedade de doces e bolos. Seus olhos saltaram quando encontrou um bolo de chocolate com cobertura de chantilly. — Já escolhi o meu.

O jovem Martín aproximou-se da mesa e anotou o pedido. Beth comeria o bolo e Grissom contentou-se apenas com uma xícara de café bem forte.

— Como você está meu filho ? Parece que está carregando os pesos do mundo novamente.

— Estou bem, mãe. — Suspirou fundo e entendeu que não conseguiria enganar a sua mãe. — Apenas problemas da vida adulta.

— Não perca o seu tempo me enganando, Gilbert.

Ele encarou sua mãe em silêncio por alguns instantes. Poderia abrir o jogo e revelar todos os últimos acontecimentos ou poderia poupa-la de maiores problemas. Ele sabia que Beth poderia facilmente ir atrás de Virginia e Robert e resolver encará-los de uma forma pouco amistosa.

— Onde está a sua aliança ? — Ela apontou para sua mão esquerda e ele fechou puxando o braço para perto do corpo. — Acredito mesmo que esteja tudo bem.

— Não gosto de me sentir vulnerável e você não parece se importar.

— Nenhum pouco.

Martín chegou com os pedidos e deixou a dupla à sós novamente. Grissom bebeu um pouco do café sem açúcar e aguardou a reação de sua mãe enquanto ela comia o pedaço do bolo. Seu rosto iluminou-se e ela sorriu logo em seguida. Grissom perdeu as contas de quantas vezes ela elogiou o seu pedido.

— Eu vou levar o bolo inteiro. Sei que as crianças vão amar.

— Como sempre agradando demais os seus netos.

Ela ignorou o comentário ácido de seu filho e concentrou-se na sua fatia. Comia em silêncio aguardando o momento em que ele começaria a falar sobre os seus problemas. Estava decidida em só sair dali depois que escutasse tudo.

— Briguei com a Virginia e com Robert.

— Finalmente ! — Ela pegou o guardanapo de papel e passou suavemente sobre os lábios. Ergueu as mãos em direção ao céu e agradeceu. — Como isso aconteceu ?

O supervisor contou a história com detalhes. Explicou que Emma havia passado mal e Stella precisou levá-la até o hospital. Sua mãe o tentou interromper, mas ele impediu levantando a mão. Continuou e contou sobre a forma que Virginia tinha o interpelado sobre a sua ausência quando Emma estava no hospital. E por fim revelou que Robert havia inventando para Jason que ele teve um caso com Alana.

— Isso são acusações gravíssimas, Gilbert. Extrapolou qualquer comportamento ético, principalmente o Robert.

— Eu já sabia que ele jogava baixo mas confesso que não esperava uma atitude como essa.

— Gilbert, quando Emma passou mal. — Ela pousou o talher ao lado do prato e uniu as mãos debaixo de seu queixo. — Onde você estava ?

— Indisponível.

— Você não é um pai relapso. Então vou repetir a pergunta. Onde você estava ?

Ele achou melhor ficar em silêncio. Pegou o talher e levou um pedaço do bolo até a sua boca. Sua mãe tinha razão, era realmente delicioso. Sabia que seus filhos iriam adorar o ‘mimo’ dado por sua mãe.

Beth continuava sustentando o olhar. Se fosse preciso ela entraria em sua mente e descobriria o paradeiro do seu filho naquela noite. Ela tinha algumas suspeitas mas achava melhor não arriscar, por enquanto.

— Eu estava com uma pessoa. Por um descuido eu acabei desligando o celular e só depois de um tempo eu vi as ligações perdidas.

Ela sorriu com a confissão do filho. Finalmente ele deu um passo importante em sua vida. Desde a partida de Maggie, sempre apoiou que ele continuasse vivendo normalmente. Conhecesse novas pessoas e não priorizasse sua “esposa” pois ela não havia feito isso quando os abandonou.

— Você ainda está casado legalmente ?

Ele apenas meneou a cabeça em afirmativa. Tomou um pouco do seu café e esperou pela bronca da sua mãe.

— Então procure logo um advogado e regularize o seu status civil. Você está indo na direção errada mesmo andando no caminho certo. Não dê motivos para Virgínia e Robert usarem esse fator contra você.

— Eu só não sei como dar essa notícia para as crianças. Depois de todo esse desentendimento com o Jason, eu tenho medo que ele ache que estou fazendo isso para provocá-lo.

— Faça o que é certo. Dê o tempo certo para Jason e depois converse com eles.

— A senhora tem razão.

— Sempre tenho, por isso sou sua mãe. — Sorriu vencedora e voltou a atenção para o restante do bolo. — Aliás, amanhã eu vou fazer uma ceia com a sua família.

— Tenho certeza que eles vão aprovar. Esse ano eles não teriam nada de especial. Virginia e Robert estão de plantão.

— Você também irá participar. Ou vai encontrar com a pessoa que o faz desligar o celular ?

Grissom sentiu o rosto ruborizar, mexeu desconfortável na cadeira como se tivesse ganhado espinhos. Se sua mãe soubesse que a pessoa estava dividindo o mesmo teto que eles, provavelmente iria surtar.

— Estarei trabalhando amanhã.

— Posso falar com Conrad. Ele não se importaria de acatar o pedido de uma velha senhora.

— Mamãe, não vou permitir que você fale com o meu chefe. Sou um homem com quase 50 anos e seria motivo de chacota pelo o resto da minha carreira se isso acontecesse.

— Então fale você mesmo e esteja amanhã em casa para a hora da ceia.

O supervisor ainda tentou argumentar mas foi pura perda de tempo. Conversaram sobre mais algumas banalidades do dia a dia e Beth o atualizou sobre o seu trabalho. Gilbert conferiu em seu relógio e viu que tinha tempo de levar sua mãe até em casa.

— Promete que vai fazer o que eu te pedi, Gil ?

— Não se preocupe, mãe. Te dou a minha palavra. — Ele tomou a mão da senhora e beijou o dorso.

Aguardou sua mãe entrar em casa e partiu em direção ao laboratório. O assunto sobre o divórcio já estava rondando sua mente por bastante tempo e agora ele precisava se concretizar. Iria procurar o seu advogado logo após as festas de fim de ano.

Na véspera de Natal, todos estavam empolgados com os preparativos para a comemoração à noite, menos Grissom que não se importava com a festividade. Stella e Beth eram responsáveis pelos pratos que seriam servidos e Sara, Jason e Emma pela decoração da casa.

E bem, Grissom estava apenas sentado no sofá observando tudo.

— Se o entomologista forense ajudasse, o serviço acabaria mais rápido. — Jason estava no topo da escada esticando um festão natalino. — O que acha ?

— Estou acostumado a delegar o serviço. Só vou a campo quando é necessário. Aliás eu não estarei em casa de noite.

— Sara não vai participar da ceia e mesmo assim está ajudando.

Ele apontou para a morena que auxiliava Emma com os enfeites na mesa. Sara lançou um olhar feroz para o rapaz. Havia confidenciado para ele que iria para o seu apartamento naquela noite mas ainda não tinha comunicado o restante.

— Como assim? Se for por falta de intimação — Beth apareceu na sala quando escutou a frase de seu neto. — Está intimida para ficar aqui essa noite. Você também já é parte dessa família.

— Fica, Sarinha ! Por que você quer passar o natal sozinha ?

Na realidade, ela também não gostava daquela data festiva. Seus longos anos de orfanato a fez perder o encanto pelo clima natalino. Aquele dia era somente mais um no seu calendário, não tinha nada em especial para comemorar. Achava que aquele momento era para ser curtido em família.

— Quero que vocês fiquem a vontade na noite de hoje. Eu já estou acostumada a passar o natal em casa. Sempre tem algum especial passando na TV que me faz companhia.

— Pois esse ano você ficará conosco. A não ser que não queira, aí respeitamos a sua decisão

Ela ponderou alguns segundos antes de tomar a sua decisão. Os olhos pidões de Emma estavam pairando sobre ela. Sabia que Jason também a encarava mas quem mais a incomodava era Grissom. Será que ele não percebia que estava a devorando com o olhar ?

— Então eu fico com vocês. — Ela sorriu e recebeu um rápido abraço de Emma. Encarou séria Grissom, torcendo para ele entender o recado. — Impossível dizer não para esse olhar da Em.

— Vou convencer meio mundo só com esse olhar.

— Não vai mesmo. — Grissom levantou e foi em direção de sua filha caçula. — Daqui alguns anos a senhorita pode tratar de nos chantagear com esse olhar pidão. — Ele levantou sua filha na altura exata para colocar a guirlanda na porta de entrada.

— E você vai mesmo trabalhar, né Gilbert ? — Beth estava parada com as mãos na altura da cintura. — Ainda posso ligar para Conrad.

— Eu preciso trabalhar, Elizabeth. Sou o supervisor plantonista da noite e estamos com o número de peritos reduzido. Se algo acontecer na minha ausência, o seu amigo Ecklie coloca a minha cabeça em uma bandeja de prata e entrega para o xerife.

— Faça o que quiser.

Beth retornou para a cozinha. Emma subiu as escadas para auxiliar o seu irmão a trançar o festão verde pelo corrimão da escada. Ainda restavam as luzes para serem instaladas na área externa da casa.

— Venha, eu te ajudo. — Grissom pegou a caixa com alguns cordões de pisca pisca. Quando Sara abriu a porta, rapidamente os dois se arrependeram de ir fazer o trabalho externo. O frio não estava dando trégua.

— Estou fazendo isso apenas por conta da empolgação de todos que estão lá dentro. Quero que tudo saia conforme eles esperam. — Sara encolheu o corpo tentando proteger do vento gelado.

— Ainda bem que tenho a minha mãe presente. Não tenho qualquer empolgação para essas coisas. Fico feliz que tenha decidido acatar a ordem da dona Beth.

— Eu ficaria em casa sozinha. Vai ser bom ter companhia esse ano. — Ela abriu um sorriso tímido. Olhou para o interior da casa para certificar que ninguém estava os observando. Reduziu o espaço entre eles. — Você comentou com a sua mãe alguma coisa a nosso respeito ?

— Não. Jamais faria isso sem a sua autorização.

— Pode ser coisa da minha cabeça, mas ela está me lançando alguns olhares diferentes. Nada repressivo mas nunca tinha visto esses olhares antes.

— Minha mãe é a melhor perita que eu conheço, mesmo ela nunca ter feito nenhum curso especializante. — Grissom cumprimentou um de seus vizinhos que caminhava com o cachorro. A expressão de curiosidade era visível. Quem enfeitaria a casa na véspera de Natal ? — Não precisa se preocupar.

— Acho que ela e Stella seriam ótimas peritas então.

Grissom subiu na escada para poder pendurar o pisca-pisca entorno da janela. Com auxílio de Sara, ele ia pendurando o cordão com formato de cascata. Um carro branco parou próximo a garagem e o supervisor fechou os olhos com força quando reconheceu os ocupantes do carro.

— Que lindo o casal enfeitando a casa para o Natal. Decidiram que hoje vão estragar o clima natalino e assumir o relacionamento ? — Robert sorriu ironicamente e aproximou-se de Sara. — Feliz Natal, jovem.

— Você tem 15 minutos para ficar ai dentro. — Grissom desceu das escadas e limpou as mãos. Foi bem enfático e encarava sério seu ex- sogro.

— Você viu como ele é forte e viril, Sara. Aposto que isso reflete em outras áreas da vida dele.

— 15 minutos, Robert. Ou do contrário, minha amiga Heather ficará feliz em fazê-lo uma visita. — Grissom ficou entre seu sogro e Sara. A morena deu um passo para trás. Grissom acenou para Virgínia que se aproximava com as sacolas de presente.

— Jogando baixo ?

— Movendo as peças conforme o jogo. — Ele abaixou o olhar para encarar Robert. — As crianças estão lá dentro. — Limitou-se para cumprimentar Virginia e abriu espaço para eles entrarem na casa.

Sara e Grissom ficaram olhando o casal trocar abraços amorosos com todos que estavam na casa. O entomologista reparou em como sua mãe reteseou quando os dois se aproximaram mas manteve a cordialidade.

— Você também vai render a chantagens ?

— Eu só preciso ganhar tempo. Preciso proteger você e os meus filhos.

Grissom entrou na sala de convivência para abastecer a sua xícara de café. Era uma noite tranquila, a maioria dos peritos e analistas estavam apenas trabalhando em casos antigos. Na televisão ligada, um seriado natalino animava alguns analistas que estavam assistindo.

Ecklie apareceu na sala e viu Grissom bebendo o seu café enquanto assistia à televisão. Apesar de todas as diferenças, ele tinha respeito pelo supervisor noturno. Serviu-se de uma generosa xícara de café e parou ao lado do entomologista.

— Noite tranquila ?

— Sim. Apenas Nick em campo. Furto. — Limitou-se em responder antes de levar a xícara novamente aos lábios.

— Então vá para casa passar o Natal com a sua família. — Ecklie manteve o olhar na televisão. Sabia que o supervisor o estava encarando.

— Você sabe que eu não posso deixar o laboratório.

— Hierarquicamente, eu sou o seu superior. Então eu posso sim dispensar você e mandá-lo para casa.

— Conrad. O que está acontecendo ? Isso é alguma manobra para ganhar pontos comigo ou mostrar algo para o xerife?

— Muito pelo contrário, Grissom. — Suspirou fundo e deixou a xícara sobre o armário. — Você sabe que eu tenho uma filha, certo ?

— Morgan, se não me falha a memória.

— Exato. — Ele sorriu lembrando-se da pequena menina dos cabelos loiros. — Ela mora com a mãe dela. E todos os anos ela passa o Natal com a família da minha ex-esposa e desde que nos divorciamos, eu perco a oportunidade de ver o encanto no olhar dela. Vá para casa e aproveite o tempo com a sua família.

Grissom ponderou sobre a fala de seu superior. Havia muita verdade na fala de Conrad. Não sabia exatamente como reagir naquele momento e apenas agradeceu. Ecklie apenas orientou que ele ficasse disponível caso alguma urgência acontecesse naquela noite.

Ele entrou em seu carro e dirigiu em direção a sua casa. Não se lembrava da última vez que tinha passado essa data com a sua família. Quando Maggie ainda estava presente, ela sempre organizava tudo com sua mãe e na maioria das vezes ele estava trabalhando. Depois que ela tinha partido, enviava seus filhos para a casa dos avós e ficava em casa sozinho.

Olhou no relógio e viu que chegaria a tempo de compartilhar o momento com a sua família. Estacionou na garagem de casa e ouviu a animada conversa que vinha da sala. Todos pareciam estar rindo de alguma história contada por Jason.

— O que está fazendo aqui, Gil ? — Beth foi a primeira a notar a presença de Grissom. Ele havia usado a entrada de serviço para entrar na casa.

— Eu moro nessa casa. — Disse em tom de brincadeira. — Algum problema ? — Ele retirou o seu pesado casaco e as luvas. Deixou as chaves do carro e sua carteira sobre o aparador e aproximou-se da mesa.

— Você veio para ficar ? — Emma encarava com os olhos brilhando para o pai. O último Natal que ela tinha compartilhado com ele não tinha sido dos melhores.

— Sim, minha abelhinha. Vou passar a noite de Natal com vocês.

Todos na mesa ficaram felizes com a notícia, inclusive Jason. O rapaz estava um pouco distante de seu pai, mas gostou de ter a companhia dele durante aquela noite. Seria um bom momento para os dois baixarem a guarda. Sara adorou a notícia, sabia como aquilo seria bom para todos da família.

— Quanto tempo que eu não via essa cena. Todos reunidos na mesa. — Stella estava nostálgica. Tinha bons anos que eles não aproveitaram a data juntos.

— Vamos torcer para isso ser frequente a partir de agora, Stella. Vou proibir Gilbert de aceitar plantões natalinos.

— Estão vendo né, crianças ? Não importa a nossa idade. Nossos pais sempre vão querer mandar em nossas vidas.

— Nada disso. Só interfiro quando você é cabeça dura.

— Então você deve fazer isso o tempo todo. — Concluiu Stella arrancando risada de todos. Sara tinha que concordar com a governanta. Quando ele queria alguma coisa, dificilmente conseguiria fazê-lo mudar de ideia.

Ficaram conversando algumas amenidades rotineiras. Jason compartilhou que já havia submetido duas cartas para duas faculdades diferentes e estava muito ansioso com o resultado. Emma tagarelava a respeito do seu novo hobbie: palavras cruzadas. Seu pai quase não coube de alegria quando descobriu.

— E você Sara? Está tão calada. — Beth segurou a mão da morena. — Novidades para o próximo ano ?

— É a minha formatura. Apresento o meu projeto científico e fim da linha

— Isso é maravilhoso, querida. E já tem projetos para o futuro ?

— Um dos meus professores me indicou para uma bolsa de mestrado em Chicago. Ainda estou aguardando a resposta final.

A resposta foi sendo absorvida aos poucos por cada um. De maneira gradual, cada um ia entendendo que Sara iria embora em breve e eles não tinham se dado conta desse fato. Era óbvio que a permanência dela ali seria temporária e eles não esperavam se apegar a ela daquela forma. Stella não sabia daquela notícia e viu-se em um misto de sentimentos.

— Pessoal, que clima de funeral é esse ? — Beth os tirou do devaneio. — Devemos ficar felizes pela Sara. Isso não significa que ela vai sumir das nossas vidas. — Ela virou a atenção para o seu filho que ainda estava atônito.

— Não foi a minha intenção assustá-los. Isso é só uma possibilidade. Eu ainda não formei, preciso aguardar.

— Seu professor não oferecia uma vaga de mestrado se não tivesse certeza da sua aprovação. — A fala de Grissom saiu pesarosa que ele poderia imaginar. — Parabéns pela a proposta, vai ser de grande aprendizagem. — Tentou corrigir a entonação da voz antes que alguns ouvidos atentos pudessem processar a informação.

— Muito obrigada, Grissom. Vamos cruzar os dedos e esperar que tudo dê certo.

— Poxa. O Jay e a Sarinha vão embora. Por que vocês adultos gostam de ir embora ?

Emma se calou e cruzou os braços na altura do peito. Aquilo era o seu tendão de Aquiles. Diferente dos adultos, ela não escondia que não havia superado a partida de sua mãe. Ficou em silêncio até as lágrimas começarem a escorrer pelo o seu rosto infantil.

Aquela cena tinha partido o coração de todos eles.

Stella que estava sentada ao lado de Emma, logo tratou de secar as lágrimas copiosas que deslizava na face dela. Grissom levantou-se e agachou ao lado de sua filha, abraçou o seu corpo frágil e afagou seus cabelos dourados.

— Abelhinha, ninguém irá te abandonar. Eu estarei aqui, a Stella continuará também — Ele apontou para a governanta que sorriu. — Jason e Sara vão apenas alçar novos voos mas sempre estarão por aqui.. Se você sentir saudades deles, poderá ligar. Ou eles poderiam vir aqui te ver. Opções não vão faltar para vocês estarem juntos.

Ela só queria entender o porquê para a sua mãe não era tão fácil de manter o contato. Sentia muita falta dela e não queria ser abandonada novamente.

— Vocês prometem ? — Ela olhou para Jason e Sara que sorriram para ela.

— Claro, pirralha. Eu vou te perturbar para o resto da vida. Essa é a função do irmão mais velho.

— Eu sempre vou estar por perto, Em. Juro de dedinho.

Grissom beijou o topo da cabeça perfumada de sua filha e certificou que ela estivesse mais calma. Beth amenizou o clima quando anunciou que iria trazer a sobremesa. Pediu que sua neta a ajudasse trazendo bolo que ela tinha comprado na delicatessen.

— Nunca vou perdoar a minha mãe por fazer a Emma chorar dessa forma. — Jason estava sério olhando para as suas mãos fechadas.

— Não deixe sua mente oscilar com esses pensamentos, Jay. Isso não vai trazer benefício algum.

— Mas você concorda comigo, não é, Stella ?

A governanta se calou, não iria externar os seus pensamentos. Mas o seu silêncio foi o suficiente para todos entenderem o seu posicionamento.

Beth retornou para sala com a sobremesa e todos se fartaram do delicioso bolo. Depois foram para o sofá aproveitarem o restante da noite. Jason estava empolgado com o violão novo que havia ganhado de seus avós e ensaiavam alguns acordes. Emma já estava mais calma e se divertia com os diversos livros que tinha ganhado. Aos poucos cada um ia se retirando para os seus respectivos quartos, trocaram rápidos abraços antes de deixarem a sala. Beth, Sara e Emma foram juntas para o segundo andar. Beth iria para o quarto de visitas e Sara iria fazer companhia para Emma até ela dormir.

Sara queria certificar que Emma não fosse ter um sono agitado. Assim como ela, quando passava por alguns estresses isso refletia enquanto dormia. Acomodou a menina na cama e sentou ao lado dela, Emma estava mais tranquila e parecia que assunto de sua mãe já não assombrava mais. Quando certificou que ela dormia tranquilamente, ligou a luz do abajur e saiu do quarto.

— Chicago. Vou sentir a sua falta. — Grissom estava chegando ao topo do mezanino quando encontrou com Sara saindo do quarto de sua filha.

— É apenas uma possibilidade. — O tom de voz dos dois era baixo. Não queriam ser surpreendidos por alguém acordado.

— Você merece conquistar o mundo, Sara. Sei que é capaz.

Eles estavam morrendo de saudades de curtirem a companhia um do outro. Após a pequena viagem, eles raramente se encontravam e quando isso acontecia era de maneira breve. O laboratório estava consumindo em excesso o supervisor e a faculdade furtava as poucas horas vagas de Sara.

— Tomei a liberdade e comprei um presente para você. Espero que não se importe. — Ele caminhou até o seu quarto em companhia de Sara. Fechou a porta depois que ela adentrou o cômodo e foi até o seu guarda roupa, pegou uma caixa pequena e entregou-a — Espero que goste.

— Eu não preparei nada. — Ela sorriu. Abriu o pequeno embrulho e pegou uma delicada gargantilha dourada com um pequeno pingente perolado. — É lindo, muito obrigada.

— Procurei algo discreto. Fico feliz que tenha gostado.

Ele auxiliou colocando a gargantilha. Segurando o seu cabelo, Sara sentiu um arrepio correr pelo corpo quando sentiu o beijo que ele tinha depositado em sua nuca. Virou-se para ele e mostrou a peça em seu pescoço.

— Ficou ótimo.

Ela diminuiu o espaço entre eles e o abraçou. Precisava do conforto do abraço dele naquele momento. Ficaram em silêncio apenas ouvindo o som das respirações. Grissom levantou o rosto dela e beijou-lhe a testa.

— Minha cama tem bastante espaço. O que acha ?

— Do lado esquerdo temos a sua mãe e do lado direito temos a sua filha. No final do corredor, não tão distante, temos Jason e para completar o time, temos Stella no andar debaixo. — Ela disse reprimindo uma risada. — Se deslizarmos, todos eles acordam.

— Eu ia sugerir apenas deitarmos e dormimos. Eu não ronco e você também não. Qual barulho poderia acordá-los ? — Ele estreitou o olhar e mordeu o lábio inferior.

— Louvável o seu senso de humor. — Respondeu irônica.

— Merecemos alguns minutos.

Sara pensou em relutar mas acabou cedendo ao pedido. Deitou na cama ao lado dele e aninhou-se em seu peito. Grissom deslizava as pontas dos seus dedos sobre o braço dela, enquanto recebia uma suave carícia no rosto.

— Eu nunca tinha visto Emma falar sobre a mãe dela. Me partiu o coração vê-la daquela forma.

— Quando eu conversei sobre a partida de Maggie, eu vi toda a inocência se apagar nos olhos dela. Emma chorava tanto que me tirava o ar. Foram longos dias até que ela se acalmasse. Hoje quando ela tocou nesse assunto novamente, eu temi o pior.

— Ela está mais calma. Eu acho que ela percebeu que a ausência do irmão e a minha não vai ser tão abrupta quanto foi a da mãe.

— Vou precisar ficar atento aos sinais dela novamente. Sei que ela não vai reagir muito bem.

Ele fechou os olhos por alguns instantes e sentiu os lábios macios de Sara contra os seus. A segurou pela nuca e aprofundou um pouco mais o beijo. Morria de saudades de aproveitar mais momentos ao lado dela. Sara tentou se afastar com receio que o beijo tomasse uma proporção maior, mas foi impedida pelo braço forte dele.

— Griss, melhor não arriscar. — Ela sussurrava sob os lábios dele. — As paredes têm ouvidos.

— Tudo bem, você está certa.

Ele pegou uma almofada e posicionou sobre a sua perna. Sara balançou a cabeça e controlou a risada. Ele ofereceu novamente o abraço e ela deitou ao lado dele.

— Vou entrar com o processo de divórcio.

— Isso é… — Sara não queria ter gaguejado mas a notícia tinha vindo de uma forma rápida demais. Seu cérebro ainda não tinha processado aquela informação.

— Não é para te pressionar a nada.- Ele a interrompeu — Eu só preciso regularizar a minha vida.

Sara começou a pensar em como toda aquela situação era errada. Estava apaixonada por um homem que era casado. Independentemente se ele não considerasse esse status, legalmente ainda era uma pessoa casada. Sentiu o seu estômago embrulhar enquanto processava a informação. Sabia que se essa informação caísse em mãos erradas, ele poderia ser prejudicado.

— Não se cobre. — Ele parecia ter lido o pensamento dela. Sentia o coração dela bater acelerado contra o seu peito.

Aos poucos o seus pensamentos foram se desacelerando. Não iria empreender um embate com os seus pensamentos naquele momento. Grissom parecia ser bem honesto em relação aos seus sentimentos e não sentia que ela era apenas uma aventura. Devagar foi sucubindo ao sono, as carícias dele eram relaxantes.

Grissom seguiu o mesmo caminho. Sua respiração aos poucos foi ficando mais lenta e seu corpo mais relaxado. Alinhado ao corpo de Sara, pegou um pesado cobertor e cobriu os seus corpos, em poucos minutos acabou adormecendo.

Adormeceram juntos.

Mas esqueceram de um pequeno detalhe.

A porta estava fechada mas não trancada.

Notas finais
BRASIL ! I'M NOT OKAY ! O que essa porta aberta vai render para esse casal ? Misericóridia, que erro primário eles cometeram. HAHAHA Eu adorei a volta da Dona Beth, é um personagem que eu tenho muito apreço por ela (pelo menos aqui na fic. Na séria a veia é osso duro de roer). Ela tem uma aura muito positiva e sempre anima a casa. E ainda tem ótimas tiradas. Meu coração ficou apertadinho em ver a Emma chorar por causa da Maggie. Ela não merece passar por tudo isso. Robert eu acho que só meia hora de porrada sem perder a amizade resolve. Galera, eu postei uma fic nova chamada Before You Go, vão lá ler e dar biscoito para essa escritora. Vai ser uma fic bem curtinha, talvez com 4 ou 5 capítulos. Ela é ambientada no Natal também (apesar da pessoa que vos escrever ter aversão ao Natal). Galera, essa é a última postagem de Sim, Senhor esse ano. Reitero os meus pedidos e espero que todos vocês estejam bem e seguros. Um beijão e até a próxima ♥