Sim, Senhor.
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Las Vegas, 5 anos atrás.
Grissom, Brass e Catherine aproximaram-se de um belo casarão medieval, uma breve análise do imóvel e Gil pode perceber que o local pertencia a alta sociedade. Fechou os olhos por breves segundos enquanto esperava a porta ser aberta pela a dona do local, lentamente seus olhos depararam-se com a figura de uma mulher ruiva de uma beleza escultural, disfarçou o encantamento engolindo a saliva formada em sua boca de forma minuciosa
Movimento em vão. Catherine a encarava com um sorriso malicioso entre os lábios.
— Três policiais atrás de um alívio por terem que controlar nossa grande cidade ? — Heather permanecia imponente diante dos “tiras” a sua porta.
— Quase. Um policial e dois criminalistas. — Brass mantinha o contato visual com a ruiva que permanecia com a sobrancelha arqueada observando o trio. — Podemos entrar ?
Heather abriu espaço para os três adentrarem, Catherine observava o recinto de forma peculiar, o ambiente propositalmente de luzes baixas e músicas sugestivas a faziam remeter a idéias um tanto quanto maliciosa. Do andar de cima escutaram um grito que não parecia nenhum pouco ser advindo de algo meramente prazeroso, assustados olharam para o alto em busca de alguma evidência.
— Vocês preferem sessões individuais ou querem apreciar a submissão um do outro? — Grissom olhou espantado para a sua amiga que não conteve a risada, a dúvida da loira era para saber se era mais cômico a reação de seu chefe ou a tentativa frustrada de repreender a imagem dos três em uma sessão de masoquismo como a mulher estava sugerindo. — Não decidam agora, bem vindos ao domínio de Lady Heather.
Brass deixou que os peritos absorverem a informação, Catherine delegou aos rapazes a função de continuar a investigação. O capitão foi cordial ao dispensar o serviço do local e explicou que aquela visita era uma cortesia da polícia de Las Vegas, quando a ruiva soube da morte de uma de suas funcionárias permaneceu alguns minutos em silêncio mas logo se recompôs, nada passado despercebido pelo o olhar atento de Grissom.
— Nunca perdi nenhuma de minhas garotas.
— Não parece muito abalada com isso. — Alfinetou o supervisor enquanto subiam as escadas. Brass recuou um degrau e sussurrou para o perito “não siga essa linha”
— Ontem a noite você escutou algum grito?
Heather suspirou antes de responder, talvez os policiais ainda não tivessem entendido o real funcionamento do local.
— Quando não ouço começo a me preocupar.
— Sabe dizer que horas Mona recebeu seus clientes?
— A cada duas horas, ela gostava do trabalho.
— Claro que aqui não acontece nenhum contato sexual — Grissom que até então permanecia quieto analisou o capitão por cima de seus ombros. Ele não precisava bancar o ingênuo com a dominatrix.
— Capitão Brass, certamente não acha que o contato sexual é a única forma de prazer…
Ambos os homens concordaram com Heather e mais uma vez o supervisor tentou disfarçar alguma emoção no entanto não contava com um olhar treinado como o da ruiva.
— Tem algum livro de registro de quem estava trabalhando e com quem? Precisamos de nomes e endereços.
— Você policiais têm maneiras diversas de se excitarem mas, se isso for ajudar eu vou buscar com vocês.
— Gil, acompanhe enquanto eu vou atender o chamado de Catherine.
Em silêncio o supervisor concordou com o capitão, seguindo a dominatrix pelo o recinto observava em como o prazer e a dor era a ferramenta principal do ambiente. Reconhecia que o prazer não se resumia em momentos castos e lentos, apesar de não ser adepto a selvageria e a dor como fonte de prazer, excitava-se com determinados requintes de crueldade aplicados por sua esposa.
Mas nada se resumia aquilo.
— Isso o fascina, senhor Grissom? — Heather segurava um grande de livro de capa preta em suas mãos. Ali estava o registro de todos os seus clientes, incluindo suas inicias e endereço. Aquilo era a forma em que obrigava o anonimato de ambas as partes, muitos de seus clientes enlouqueceriam se soubesse que naquele momento aquele livro encontrava em mãos de oficiais.
— Sim. Para entender a nossa natureza devemos entender as nossas aberrações. Posso ? — Ele indicou para o livro e Heather o segurou contra o seu corpo como forma de proteção, era contra os seus princípios o que estava prestes a fazer mas se existia a possibilidade de fazer justiça por Mona ela os deixaria de lado.
— Minha única condição é que mostrarei apenas os clientes de Mona, além disso somente com um mandado judicial.
— Algo me diz que determinados nomes neste livro jamais permitiram que eu consiga um mandado. — Eles se encararam e Heather abriu o livro na página onde Mona fazia o registro dos clientes. A bela caligrafia preenchia quase toda a página, iniciais, endereços e a frequência eram cuidadosamente registrados.
— Vejo que é casado, senhor Grissom.
— Sim. — Ele continuou lendo as iniciais e algumas delas tinham uma frequência praticamente semanal. — Algum problema nisso?
— Nenhum, apenas uma curiosidade. — Isso despertou a atenção de Grissom que encarou Heather imediatamente. — Sua esposa o domina ?
— Não somos adeptos a isto. — Ele apontou o dedo para cima e girou a sua mão.
— Isso justifica o seu olhar.
Heather deu dois passos e sentou-se em uma cadeira ao lado do supervisor. Inerte ele não soube o que responder. Focado em terminar as suas anotações sentia o olhar pecaminoso da ruiva sobre si porém duas iniciais chamaram a sua atenção,
— Acho que consegui o suficiente.
…
O caminho de volta para o laboratório foi o mais angustiante possível, sua boca estava calada mas sua mente fervilha a todo tempo. Brass e Catherine repararam o comportamento do supervisor e revezavam olhares para saber quem perguntaria o que estava acontecendo.
— Heather tentou te atacar, Gilbert? Está inquieto e não para de se mexer nesse banco, a chicotada ainda está ardendo?
— Capitão eu não estou com espírito para brincadeiras agora. Só preciso chegar no laboratório e analisar rápido essas evidências.
Aquilo foi o suficiente para a quietude sepulcral estabelecer dentro do carro. Na chegada ao laboratório pediu que Catherine o deixasse sozinho por alguns instantes, pegou a sua câmera e foi revelar a única foto que o interessava naquele momento: os registros de Mona. Já com a foto em mãos foi para sua sala e começou a analisar novamente as iniciais e os endereços.
R.W — 6831 Hollister Ave
Aquelas iniciais era nada menos que Robert Woolf e aquele endereço era a casa de seus sogros e a partir daquele momento seu sogro era suspeito de um crime. Pegou o seu celular e ligou para Catherine, pediu que a perita fosse até a sua sala.
— O que eu vou te mostrar aqui eu vou te pedir que mantenha em segredo até eu conseguir que essa informação não cause tanto estrago.
— Você está me assustando, Grissom. Anda fala logo. — Impaciente, ela quase arrancou a folha da mão de Grissom. Leu rapidamente e não identificou nada que pudesse ser mantido em segredo. — O que tem demais nessa folha? Algum nome de político, juiz ou o seu? Não estou entendendo.
— R.W nada mais é que Robert Woolf. Conhece esse nome ?
— Seu sogro !
…
Grissom aproveitou que seu sogro era plantonista naquela noite e resolveu ir encontrá-lo em uma lanchonete próxima ao hospital. Antes mesmo de sair havia informado Brass de suas suspeitas e pediu ao capitão que antes de iniciar as investigações que ele pudesse amenizar a situação antes que Robert virasse um suspeito.
— Aceite essa lanche como uma cortesia da polícia de Las Vegas. — Ele estava com os cotovelos apoiados no velho balcão de madeira e viu de soslaio quando seu sogro chegou.
— Virou policial agora, Gil ? — Robert abriu o seu sorriso largo e pediu a jovem garçonete um café expresso. — Achei que fizesse mais a linha Sherlock Holmes. — Robert riu mas Grissom não o acompanhou em sua risada, rapidamente o neurocirurgião desfez o sorriso.- Porra, Gilbert o que está acontecendo ?
— Moana. Esse nome te lembra alguma coisa? — O semblante de Robert endureceu naquele momento. — Você tem noção da merda que está metido?
Robert sabia da morte da jovem, vários médicos eram frequentadores do domínio de Lady Heather e seu velho amigo Russell tinha comunicado do assassinato. O médico ficou chocado com a notícia mas não tinha mais nada a ser feito.
— Pera ! Vocês não estão suspeitando de mim, né ?! Grissom você sabe que isso não pode chegar nunca aos ouvidos da Virgínia, Maggie e da Carol. — Ele passou a mão sobre o seu vasto cabelo e bateu com o punho fechado sobre o balcão.
— Eu não posso ocultar informações do caso, por isso isso é uma cortesia. Seu nome está marcado diversas vezes no livro de Mona e é melhor que tenha um álibi muito bom para a noite da morte dessa moça.
— Porra Grissom ! Eu não posso me envolver com isso. Me dê um tempo para colocar tudo no lugar.
— Estamos começando as nossas linhas de investigação agora, se souber de alguma coisa você sabe o meu número. — Grissom levantou-se e tirou uma nota de cinco dólares da carteira e entregou para a garçonete que trazia o café de seu sogro. — Lembre-se: Cortesia da polícia de Vegas.
…
Las Vegas, dias atuais.
Aquele dia estava particularmente muito quente, Stella já havia perdido as contas de quantos copos de água ela havia bebido. Com o ar condicionado central ligada ela terminava a tarefa de organizar as malas de Emma e Jason, todos iriam aproveitar o fim de semana em Mount Charleston.
A casa estava uma paz completa, apenas as duas realizando as tarefas em silêncio.
A verdade era que Stella queria falar com Sara a respeito de uma conversa que Virgínia teve de forma atravessada com a senhora. A médica insinuava a todo custo que Sara estar ali não era uma boa opção e que Maggie não aprovaria a presença dela.
Como Maggie estivesse em posição de opinar alguma coisa.
Robert por sua vez era sempre mais discreto que sua esposa, sabia que ela não gostava de intrigas e insinuações, no entanto Stella o conhecia por no mínimo 20 anos e entende as entrelinhas.
“Minha esposa teria ciúmes se eu tivesse uma empregada como Sara”.
— Sei que você quer me falar alguma coisa, Stella. — Ela parou de dobrar as roupas de Emma e ficou encarando a governanta.
— Desculpe se não conseguir disfarçar a minha expressão de interrogação. — A senhora parou com o seu afazer e encontrou Sara a olhando com uma expressão leve. Se sua menina soubesse o quanto algumas pessoas queria longe dali. — Você não se incomoda com a Virginia? — Stella olhou para porta para certificar que ambas estavam sozinhas. — Não gosto dos comentários maldosos dela.
— Stell, ela não me incomoda mais. — Suspirou. — Eu por um lado entendo toda essa superproteção em relação às crianças e ao Gilbert, para ela eu sou uma intrusa e sou uma potencial ameaça ao lugar de Maggie. Aprendi a suportar.
— Virginia tem medo que vocês confundam as coisas.
Stella não precisou mencionar o nome de Grissom para ela entender o que quis dizer. Se a senhora soubesse que eles já haviam confundidos as coisas algumas vezes ficarei aterrorizada. Deu uma risada e afastou logo essa idéia.
— Sara, sua risada me deixou preocupada. Tem algo que eu não esteja capturando?
— Não existe perigo algum,
— Sara segurou a senhora pelo os ombros e olhou no fundo dos seus olhos, precisava passar confiança para a governanta. — Grissom é o meu patrão, só isso. — Ela não queria pedir para encerrar o assunto para não transparecer que se incomodava com o assunto.
Depois de minutos em silêncio o barulho da porta sendo aberta cortou a tensão entre as duas. Grissom, Jason e Emma haviam chegado, o supervisor iria deixar os seus filhos em casa enquanto eles terminavam de se organizar para a viagem, seu filho havia convencido a todos a irem a um festival de música em Mount Charleston. Emma havia aceitado na hora pois adorava aquele lugar, seus avós iriam pois adoravam o momento em família naquele lugar e Grissom iria por seus filhos mas um dos principais fatores era o clima um pouco mais agradável nas montanhas.
— Tem certeza que não quer ir com a gente, Sara? Tem um monte de bandas legais e aposto que você iria adorar.
— Deixa para uma próxima, Jay. Tenho alguns compromissos e preciso organizar o meu apartamento — Ela passou a mão no rosto, não se recordava da última vez que tinha limpado lá. — Céus, tenho medo de chegar e encontrar uma outra família morando lá.
— Se tiver uma família de baratas você chama o meu pai, ele adora. — Emma disse de forma despretensiosa enquanto subia as escadas, Grissom assustou-se com o comentário e encarou Sara com uma sobrancelha erguida, deu de ombros e continuou a assinar o seu relatório.
— Sara já que vamos todos viajar, se não tiver mais nada a ser feito você está dispensada.
— Só vou me despedir de todos. — Encarou Grissom de forma raivosa, odiava o fato dele ter mudado com ela novamente. Não adiantava ele sustentar aquela imagem, pouco a assustava mas a estressava. Foi tirada de seu devaneio quando o seu celular emitiu um alerta sonoro, Grissom revirou os olhos e voltou a atenção para os seus papéis. Ela não reconheceu o número e selecionou a mensagem de texto
Espero que não se importe mas consegui o seu número
Algum plano para mais tarde?
Scott.
Ela terminou de ler e olhou para Grissom, como o médico havia conseguido o seu número ?
— Você está bem, Sara? — Ele a observava desde o momento que lia a mensagem, a cor parecia ter sumido de seus lábios e ela ficou estagnada por uns dez segundos olhando para o celular. — Aconteceu alguma coisa.
— Aconteceu mas nada que se importar.
…
Finalmente em seu apartamento ela tratou logo de abrir todas as janelas e cortinas para poder arejar o local, olhou para os lados e viu que tinha muito o que ser feito. Largou a sua mochila com seus pertences no sofá e foi trocar de roupa, com um short largo e uma camiseta iniciou a tarefa de limpar o lugar.
A bolsa com os pertences de sua mãe ainda permanecia no mesmo lugar, fechou os olhos e lembrou-se da frase de Grissom.
"a dor não passa você apenas se acostuma".
Abriu os olhos e decidiu que era hora de dar uma destinação para aquelas coisas, abriu e encontrou várias peças de roupa em um bom estado de conservação, alguns objetos pessoais e um pequeno álbum de fotografia; em sua maioria estava vazio apenas duas fotos estavam guardadas no simplório álbum.
Uma foto de Sara quando ainda criança, as madeixas ruivas na altura do queixo só não era mais chamativa que seu sorriso com a sua diastema a mostra. A pequena Sara irradiava alegria e animação na fotografia, ela não se lembrava de quando havia tirado a foto mas pelo o uniforme deveria ser de algum evento na escola.
A segunda foto era de Laura e o seu pai Roy, ambos sorriam em frente a Golden Gate em um dia ensolarado. Os dois pareciam felizes demais a ponto de ficarem cegos em relação a eles. Ela virou a foto e encontrou uma pequena dedicatória de seu pai.
Quero ver o mundo através dos seus olhos.
Roy.
Desde pequena Sara soube que as promessas são feitas para serem quebradas.
Decidiu então doar aquelas peças de roupa e em relação as fotos iria comprar um porta retrato para deixar na sua casa. Levou a mala para uma despensa, não queria ficar encarando aquele objeto. Balançou a cabeça e procurou um bom CD para acompanhar enquanto realizava os afazeres domésticos. Embalada pela a boa música e disposta acabar com a sua energia ela finalizou tudo, agora sim o apartamento estava habitável novamente. Seu celular começou a tocar e dessa vez reconheceu o número: Scott.
— Espero que não esteja brava por ter o seu número.
— A palavra certa é curiosa. — Jogou-se no sofá e fechou os olhos.
— Pedi a Virginia. — Ele ficou mudo. — Mas se isso te incomodar eu posso apagar.
— Não é necessário.
— Hoje estou de folga e gostaria de saber se podemos fazer alguma coisa. Prometo a você que minha única intenção com esse convite é manter uma boa amizade e nada além disso. — Ele riu do outro lado, a verdade é que estava nervoso com o convite. Sara era uma mulher linda e admirável.
— Preciso declinar do seu convite, acabei de arrumar o meu apartamento e estou extremamente cansada. Mas agradeço por ter me convidado.
— Tudo bem. — Ele deu uma risada nervosa do outro lado da linha, tinha pensando em várias reações para as respostas dela mas não conseguia colocar em prática nenhuma delas.- Tudo bem, tudo bem. Fica para uma próxima então.
Eles ficaram em silêncio, Sara estava com a mão na boca para não rir. Scott era um homem de no mínimo 35 anos e tinha uma reação de um adolescente de 16 anos, talvez nem Jason ficasse tão inseguro com uma recusa.
— O que acha de tomarmos uma cerveja em um pub novo que abriu perto da minha casa? Acho que eu não consigo ficar mais cansada que eu já estou. Te espero lá em 15 minutos. Não se atrase.
Antes de desligar ela passou as informações para o médico, pensando direito sobre aquela situação ela sabia muito bem os passos que estava dando. Sabia que toda aquela relação era mais que forçada por Virginia mas Scott parecia ser uma boa pessoa, ela não tinha segundas intenções com ele, aproveitaria aquele momento para deixar bem claro para ele e principalmente para os Woolf’s.
Aquele encontro era proposital mas Virgínia e Robert haviam cometido o erro de subjugar a inteligência de Sara.
Um banho rápido e ela optou por roupas confortáveis, uma calça jeans um pouco larga de lavagem escura e uma blusa de algum festival que ela tinha ido, em seus pés o seu bom e velho tênis branco.
— Roupas vocês não sabem a falta que me fazem.
Encarava-se no espelho e borrifou um pouco do seu perfume antes de sair. Ganhou as ruas em poucos minutos, o local não era longe de sua casa e poderia ir tranquilamente a pé, a noite estava estranhamente agradável tendo em vista ao calor insuportável de mais cedo. O letreiro néon do Fino's Pub iluminava boa parte da calçada, entrou no lugar e foi recepcionada pelo o bartender, varreu o ambiente a busca de Scott mas nenhum sinal dele. Sentou-se próxima ao balcão e pediu uma cerveja enquanto aguardava o médico, a banda tocava uma música animada e algumas pessoas dançavam animadas próximo ao palco, bebericava a sua bebida enquanto curtia a animação daqueles estranhos.
— Desculpe a demora, moro praticamente do outro lado da cidade. — Sara virou-se para atender Scott e quase derramou cerveja quando o viu. Por um lapso de pensamento ela acreditou que ele nunca estivesse em um pub ou qualquer lugar do gênero. Vestido com uma camisa social branca com alguns de seus botões abertos e um blazer cinza, combinava categoricamente com a calça azul marinho e os sapatos pretos. — Desculpe, social demais para o lugar ?
— Levando em consideração que eu estou com uma camisa de festival de música e um tênis velho, acho que eu que não estou apropriada para sair de casa.
Eles deram uma risada e Scott logo tirou o blazer e sentou-se ao lado da morena, a peça foi parar em sua coxa e puxou as mangas de sua camisa até a altura de seu cotovelo, puxou a gola da camisa para os lados e deixou a mostra um pouco de seu peitoral. Bateu a mão no balcão chamando atenção do “ O mesmo que essa moça está bebendo”
— Melhorou ?
— Em 200%, doutor. — Quando a cerveja dele chegou fizeram um brinde rápido. — Achei que você soubesse que esse bairro não faz parte da alta sociedade de Las Vegas. — Ironizou.
— Eu que sou desligado demais. — De perto Sara podia analisar o homem à sua frente, os cabelos loiros lhe davam uma franja que era jogada para o lado, a barba perfeitamente aparada completava com o seus lábios finos e sorriso largo. Era realmente bonito. — Mas percebo que a gente pouco se conhece.
— Sara Sidle, tenho 28 anos, nasci em São Francisco e estou tentando terminar a minha faculdade de física. — Ela virou o resto da cerveja e esticou a mão para ele, que apertou em meio a risada.
— Scott Gervais, 37 anos, nasci em Nova York, sou médico e não sei me vestir adequadamente para determinados encontros. Sempre achei que a minha biografia não fosse algo como um best seller e não duas linhas mal escritas. — Deu de ombros e depois apoiou sem braço no balcão virando-se para Sara. — Eu sei que o meu convite parece estranho mas realmente te achei uma pessoa interessante e queria te conhecer melhor. Sei que não tivemos um primeiro contato muito amigável mas nada que não possa ser retratado.
— Não se preocupe com primeiras impressões, aquilo já passou. Prefiro ficar com o lado do Scott que usa roupas sociais em um pub, ele me parece ser muito mais legal que o Scott médico que viu o marido da melhor amiga próximo a uma intrusa.
Ela precisava falar aquilo, ponto para ela.
— Eu me assustei quando eu vi vocês tão próximos, Maggie é como uma irmã para mim e tenho certeza que ela ainda ama muito o Grissom.
Ponto para ele.
Sara achou que ele fosse mudar o assunto.
Mas não estamos aqui para falar de Maggie e Grissom, esses dois são muito mais problemáticos que parecem. — Scott voltou a atenção para a banda, seu pé balançava de acordo com a música, não se lembrava da última vez que tinha saído com alguém para apenas conversar sobre eventualidades e banalidades. — Gostei do lugar, não costuma frequentar ambientes assim.
— Informais demais ?
— Não, geralmente quando eu saio de casa eu estou usando o meu jaleco branco e os únicos barulhos que eu escuto são os maquinários que deixam os pacientes vivos. — Sara arregalou os olhos e parou o seu copo de cerveja antes mesmo de chegar a boca. — Desculpe, macabro demais.
— Estou começando a me encantar com o seu desconforto. Por favor se continuar dessa forma eu posso me apaixonar.
— Pare de ironizar a minha falta de capacidade de ser sociável, senhorita Sidle. — Ele fez um sinal pedindo mais duas cervejas mas Sara educadamente rejeitou.
— Uma é o suficiente, preciso aproveitar os meus dias de folga para descansar e não me curar de uma ressaca. Me conte, como veio para em Las Vegas ?
— Meu pai perdeu o emprego logo após que eu nasci, segundo ele conta passamos por um período crítico em Nova York até que o meu avô ofereceu aos meus pais que viessem morar em Vegas com eles. Quando eu cheguei aqui eu tinha três anos desde então nunca mais quis sair daqui.
— Las Vegas é realmente encantadora, adoro essa cidade. — Ela parou de falar e viu que o médico a encarava com um sorriso. Vidro-se no olhar dele e também sorriu. O grupo animado que antes dançava perto do palco, agora estava todo em volta do casal. Os ânimos estavam exaltados e o grupo se atropelava para fazer os pedidos, todos falavam muito alto e Sara e Scott virou-se obrigados a ficarem curvados enquanto eles eram atendidos.
— Desculpem atrapalhar o casal. — Um homem de cabelos pretos e apoiou as mãos nos ombros deles e abaixou um pouco para ficar na altura do olhar de ambos. — Já vamos sair.
A banda iniciou os acordes de uma música que nenhum dos dois conheciam, ao contrário do resto do grupo que começou a gritar e aplaudir. Os que conseguiram pegar os seus drinks voltaram correndo para o palco, no entanto a outra metade do grupo começou a dançar ali mesmo. Uma mulher morena puxou Scott pelo o braço e levou para o meio do grupo, quando Sara começou a rir da situação que o médico se encontrava o homem que havia falado com eles anteriormente a levou para junto do grupo.
— O que está acontecendo? — Scott espremia-se até chegar a Sara, a morena esticou a mão e achegou-se para perto do médico. — Que loucura é essa ?
— Estão apenas curtindo a música, tente fazer o mesmo ! — Ela começou a dançar ao ritmo das batidas da bateria combinado com a guitarra, pulando e com os braços para o alto logo se tornou uma dançarina como qualquer outra pessoa do grupo. A mulher que tirou o médico do lugar começou a dançar em sua frente e logo levou as mãos ao seu cabelo bagunçando todo o penteado loiro.
— Arrumadinho demais ! — Ela gritou perto do ouvido dos dois. Sara concordou e a mulher saiu dançando em direção ao palco.
— Vai ! Tente aproveitar. — Sara aproximou-se do ouvido de Scott e pegou em sua mãos, ergueu na altura de sua cabeça e começou balançar. — Prometo que eu não conto para ninguém que você está se divertindo.
— Ufa! Se for assim eu aceito. — Com movimentos tímidos o médico fechou os olhos para aproveitar a música, era uma sensação inédita para ele. No meio do seu êxtase sentiu o celular vibrar em meio a música, pegou o aparelho e o nome de Robert pulsava na tela. Ambos se afastaram do grupo e ele foi até um canto para atender a chamada.
— Preciso ir embora, uma emergência no hospital. Um dos meus pacientes apresentou um quadro de melhora agora e eu preciso avaliar logo. Se quiser eu posso te dar uma carona até em casa. — Ele pegou o seu blazer e vestiu, tirou de sua carteira algumas notas e deixou sobre o balcão, avisou ao garçom que pagaria uma rodada extra para todos ali.
— Tudo bem ! Eu entendo.
— Muito obrigado pela a noite. Se quiser podemos repetir em breve.
— Só aceito se não tiver isso. — Ela que ainda permanecia sentada apontou para o traje do médico, ele abriu os braços e deu de ombros.
…
Grissom tinha desistido de ir viajar, o desfecho do último caso tinha consumido sua energia e sua paciência. Para sua sorte Jason e Emma não reclamaram de sua decisão ou apenas estavam acostumados com as constantes mudança repentinas. Antes de retornar para casa ele desviou a sua rota até o domínio de Lady Heather, independentemente do horário a antropóloga sempre estava disposta a recebê-lo. Entre tantas conversas ele acabou deixando escapar o real motivo de estar ali : Sara.
— Gilbert, você não é o tipo de homem que se renderia por qualquer mulher. Existe algo em Sara que desperta em você.
— Mas não deveria. Não posso colocar nada a perder, Heather.
— Grissom, estique as suas mãos. — A dominatrix ficou em pé, olhou para o homem a sua frente com um certo nível de soberba. Pegou a sua mão esquerda e retirou a jóia dourada de seu dedo. — É isso que te prende? Um simples anel?
Ele permaneceu em silêncio, as poucas vezes em que ele retirava sua aliança era quando era necessário no seu serviço, fora isso permanecia o tempo inteiro com ele. Era estranho a sensação de não ter a posse daquele objeto.
— Traição é o que Maggie fez. O que você precisa fazer é voltar a viver. — Ela fechou a mão com a aliança e retornou ao seu lugar, soltou sobre uma bandeja de prata e ambos fecharam os olhos com o tilintar do anel.
— Não quero que Robert infernize a vida dela.
Heather novamente levantou-se mas dessa vez sentou-se de frente para Grissom. Pegou suas mãos e colocou ao redor de seu pescoço, com as suas mãos sobre a dele apertou contra a sua garganta.
— Você precisa aprender a dominar, Grissom. Você precisa aprender a ter o controle sobre as suas mãos e amar o poder que tem.
Ela tirou as suas mãos sobre a dele e sentiu que ele ainda permanecia apertando o seu pescoço.
…
Ele não sabe como e nem porque mas estava parado na frente do prédio de Sara. Não tinha ligado avisando que estaria ali, não sabia se ela estaria em casa e muito menos se seria recebido por ela. Parado do lado de fora escutou a porta principal ser aberta, entrou e escutou a pesada porta sendo fechada. Preferiu subir as escadas, surpreendeu ao chegar e encontrá-la parada na soleira da porta.
— Acho que você errou a rota para o Mount Charleston. — Ela estava disposta a ser tão ácido quanto ele era.
— Posso entrar? — Ela não se moveu, continuou com o mesmo olhar penetrante sobre ele. Ele porém deu dois passos em sua direção mas ela permanecia na mesma, ele tentou novamente mas dessa vez desviou olhar para sua boca e engoliu a seco quando sentiu os olhos castanhos o analisando dos pés a cabeça.
Primeiro foi a tempestade
Como dois corpos energizados, ele uniu os seus lábios ao dela os buscando com fome, como dependesse somente de sua boca para manter-se vivo. A segurou pela cintura e a ergueu o suficiente para poder entrar em seu apartamento e fechar a porta, grudou seus corpos ainda mais quando sentiu que ela também procurava por sua boca.
Sara levou a mão aos cabelos quase grisalhos e puxou para trás, ela precisava de ar e Grissom não parecia querer separar suas bocas tão cedo e foi naquele momento que tudo começou a dar errado.
Eles não sentiram culpa de nada.
A única coisa que eles tinham em mente : Foda-se o mundo.
Grissom procurou a parede mais próxima e prendeu o corpo de Sara contra o dele, a morena ergueu as pernas, cruzando em sua cintura. Pode sentir em seu centro o quão disposto ele estava. Os beijos eram cada vez mais intensos, até ele resolver diminuir e beijá-la de forma lenta e nenhum pouco casta, com seu lábio inferior entre seus dentes ele soltou vagarosamente enquanto se encaravam, depois disso ele decidiu dar atenção ao pescoço dela, com a ponta da língua ele oscilava entre o seu pescoço e até o lóbulo de sua orelha, a língua quente dele provoca ondas de tesão pelo o corpo de Sara.
Aos passos tropeços eles chegaram ao quarto, ela levou a mão do interruptor para acender a luz mas ele tateou a parede até conseguir apagar, queria apenas a luz da rua sobre eles.
Depois da tempestade
A calmaria.
Com os pés apoiados Sara conseguir girar seus corpos, pertos da cama ela conduziu Grissom até que ele sentasse a beirada. Alguns passos para trás e ela ficou em frente a fina cortina que permitia que a luz invadisse uma parcela do cômodo, como se o tempo tivesse parado para eles ela tirou a sua blusa revelando o seu corpo esguio, atirou a peça para um lado do quarto. Grissom no entanto estava sentado com as mãos apoiadas na cama observando aquele show onde só ele era a plateia, ela aproximou-se e o supervisor levou as duas mãos até sua cintura pode encontrar o seu olhar meio aos flashes de luz, com sua ajuda ela livrou-se de sua calça.
Semi despida a sua frente, Grissom gemeu internamente ao notar que ela usava apenas um conjunto de lingerie preta, o corpo perfeitamente delineado inclinou-se sobre ele, com as pernas ao lado de suas coxas, levou uma de suas mãos até o fecho do sutiã e abrindo logo em seguida. Com o impulso em uma de suas pernas ele tomou a posição e fico por cima dela, livrou-se da camisa que usava e uniu seus corpos novamente.
Dessa vez o beijo não veio com tanta selvageria, como Sara fosse a mais bela peça de arte, ele a segurava de forma de sentir o seu corpo grudado ao dela. Ambos ajoelhado a cama, a morena buscou desafivelar o cinto do supervisor, suas mãos encontravam-se em uma dança frenética até finalmente realizarem a tarefa. Grissom ergueu-se e retirou a pesada calça jeans que vestia, sua peça juntou-se às outras de Sidle.
Como um predador que espreita a sua presa, ele retornou a cama e deitou o corpo de Sara. Deitado sobre sua barriga e perna, voltou a sua atenção sobre os seios que estavam expostos; a mesma língua quente que passeava sobre o seu pescoço agora dava devida atenção a sua auréola, enquanto ele sugava seus seios, fazia carinhos com as pontas do dedo no interior de sua coxa.
Sara a todo custo tentava inverter as posições mas ele a segurava contra a cama, ele subiu sua boca novamente e beijou-lhe com sofreguidão, sentiu quando ela enlaçou uma perna em sua cintura e conseguiu o derrubar. Rendido na cama, ela sentou-se sobre a sua ereção, provocativa ela rebolou até conseguir impulso para abrir a gaveta que estava logo ao lado da cabeça de Grissom, com uma das mãos ela massageava enquanto retirava de lá um preservativo e depois jogou sobre o peito dele. Levantou-se sob o olhar atento da morena, de frente para ela livrou-se de sua única peça; com o olhar pecaminoso Sara engoliu a seco ao ver o tamanho de seu membro, para um homem daquele porte ele estava além da média. Ela aproximou-se dele e começou a morder os seus ombros até chegar em seu peito, ele merecia a mesma cortesia que tinha dado a ela.
Com a respiração descompassada e pesada, ele precisava senti-la por dentro de uma vez. Retirou a sua calcinha e colocou o preservativo, ambos estavam prontos e nada mais precisava ser dito. Sara jogou-se na cama e sentiu o peso dele sobre o seu corpo, quando ele a beijou simultaneamente a penetrou, percebeu que seus lábios pararam por um instante e levantou-se para a encarar mas ela puxou a sua cabeça de encontro a sua boca novamente, conforme a intensidade do beijo aumentava ele aumentava os movimentos; o ranger da cama os excitava ainda mais.
No entanto houve um momento em que o beijo estava ardente de luxúria mas os movimentos ainda permaneciam vagarosos, Sara em seus beijos implorava por mais porém ele parecia querer seguir o mesmo ritmo.
Ele queria a dominar, ver até onde ela aguentaria.
“Você precisa aprender a ter o controle sobre as suas mãos
e amar o poder que tem”.
— Por favor...
Gemendo sobre a sua boca, Grissom perdeu a noção de quantas vezes Sara implorou. Ele não estava ali para penalizar, girou o seu corpo e a colocou por cima. Ele amou o poder que teve e queria que ela tivesse a mesma sensação. Com as mãos espalmadas em seu peito ela cavalgava no ritmo que ela tanto implorava. Eles então encaixaram-se um de frente ao outro e ela pode ver quando ele alcançou o ápice do prazer, ele então empenhou-se para ela também chegar ao prazer. Quando Sara finalmente chegou ao gozo ele parou, apenas os sons das respirações descompassadas eram audíveis. Ele ajeitou os cabelos e em seguida fez o mesmo com Sara, beijou-lhe o queixo e derreteu quando ela abriu um sorriso.
— Eu não consigo mais me enganar.
Fale com o autor