Sim, Senhor.
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Era fim de tarde e Sara estava procurando algo para fazer. Emma e Jason tinham aceitado o convite de último hora para ir para a casa de seus avós e ela estava totalmente entediada. Surpreendida pela a viagem dos dois ela não tinha para onde ir, cogitado a possibilidade de voltar para o seu apartamento lembrou-se que sua amiga Mary havia pedido as chaves do apartamento para passar a noite com o seu novo namorado Stephen.
Ela estava sozinha naquela casa enorme mas preferiu ficar no conforto do quarto de Stella, não queria ser invasiva e perambular pela a casa estando sozinha. Ligou o som portátil da governanta e deixou a música ecoar no ambiente, não conhecia a música e muito menos o cantor mas não queria ficar em silêncio.
Fechou os olhos e sua mente levou até a sua mãe. Não tinha tomado nenhuma decisão a respeito daquela carta, não tinha vontade de estar ao lado de Laura mas também não poderia ser orgulhosa daquela forma.
Deitada na cama ela teve vontade de chorar. Respirou fundo e levantou-se, com as mãos na lateral do corpo ela ficou de pé. Ficar sozinha naquele quarto, presa em seus pensamentos seria uma oficina para o diabo.
Desligou o som e pegou as chaves do seu carro. Antes deixou um pequeno bilhete para Stella falando que iria sair mas seria breve. Lembrou-se que Hank não havia retornado suas últimas ligações e seu último contato havia sido com uma breve mensagem “Plantão”.
Já dentro da carro, ela dirigia apenas com uma mão a outra estava apoiada segurando sua cabeça. Parecia que a qualquer momento seria sucumbida por um desespero total, era uma mulher muito forte mas sua mãe era o seu lado mais fraco. Foi tirada de seus pensamentos quando foi obrigada a frear forte, o cinto de segurança segurou o seu corpo mas não impediu que ela batesse com o corpo no volante.
Ela não tinha reparado que o sinal tinha fechado, só se deu conta quando estava muito próxima do Lexus a sua frente. Uma batida naquele carro custaria meses de seu salário. Dessa vez segurou o volante com as duas mãos e redobrou a sua atenção. O apartamento de Hank ficava a poucos metros daquele endereço. O sinal aberto e ela dirigiu com segurança até uma vaga perto do prédio onde ele morava. Na portaria ela havia sido informada que o paramédico tinha saído na companhia de uma jovem. O porteiro não quis entrar no fato que a jovem fazia visitas constantes ao seu apartamento por que tinha consideração pela a jovem, porém não achava justo o que Hank fazia com ela. Informou que ele tinha o costume de ir jantar em um restaurante a poucas quadras dali.
Sara sabia onde era mas sentiu receio de ir até o local. Tinha um pressentimento que Hank estava aprontando alguma coisa mas ela recusava se a encarar. Agradeceu ao porteiro e saiu caminhando em direção ao restaurante, com as mãos dentro do bolso de sua parka ela caminhava pelas ruas de Vegas, aquela região era totalmente diferente dos grandes centros, não era procurada pelo os turistas, o que dava mais tranquilidade.
Da porta do restaurante ela avistou Hank na companhia de Jéssica, a mesma moça que ele havia apresentado para ela algumas semanas antes. Entrou no local e foi em direção aos dois, sua intenção não era jamais criar algum tipo de confusão entre eles.
— Finalmente te encontrei. — Sara sorriu para Hank e para Jéssica que retribuiu de forma amigável, já Hank parecia que tinha visto uma assombração.
— Oi… Oi, Sar..Sara ! — Hank engoliu a seco e encarou Jéssica que parecia não entender a situação.
— Como você encontrou a gente?
— Seu porteiro, Carl. — Ela estava começando a entender o que estava acontecendo.
— Sente-se, Sara. — Jéssica indicou a cadeira ao seu lado. Sara prontamente recusou. — Ainda estamos esperando os nossos pedidos.
— Ela não vai demorar, não é Sara? — Hank olhou para ela de uma forma pouco amigável. Sara sentiu um gosto amargo na boca.
— Ele está certo. Não vim atrapalhar. — Sara forçou um sorriso mas queria mesmo era socar a cara de Hank.
Hank levantou-se e falou para Jéssica que iria com a Sara até a porta, queria se certificar que ela iria realmente embora.
— Você é um canalha, Hank !
— Eu achei que você tivesse entendido o meu recado, Sara. Você precisa ler nas entrelinhas. — Ironizou o que enfureceu a Sara completamente.
— Você me acha com cara de idiota? Determinadas coisas a gente não fala por indiretas.
— Quer saber de uma coisa. Eu me enjoei de você, achei que você tinha mudado desde a faculdade mas continua com as mesmas chatices e inseguranças.
Sara fechou as duas mãos, estava pronta para dar um belo soco na cara da paramédico. Sua respiração ficou pesada e as lágrimas inevitavelmente começaram a rolar pelo o seu rosto. Chorava de ódio e raiva por ser enganada por ele.
— Hank, eu deveria ter escutado com mais atenção os boatos sobre você. Sempre me falaram que você não tinha caráter.
— Tanto faz, garota. Agora se me der licença eu tenho mais o que fazer ao invés de ficar te dando alguma justificativa.
— Jéssica não merece uma pessoa como você.
— Sara. — Ele segurou seus dois ombros e abaixou-se um pouco para poder encarar seus olhos, apertou seus ombros com um pouco mais de força. — Volta pra casa daquela família problemática que você trabalha, volta para o seu mundo medíocre e me esquece de uma vez por todas.
— Vai para o inferno, Hank !
Ela soltou o seu ombro e abriu um riso irônico. Parados ali, ele esperava Sara ir embora para poder voltar para dentro do restaurante, em um gesto de ousadia ele balançou as duas mãos para frente indicando para ela sair dali.
Novamente ela engoliu o choro. Queria sumir daquele local, queria esquecer da existência de Hank.
...
Grissom havia escondido aquela fotografia de Maggie, não havia mostrado para ninguém. Escondida em sua pasta que levava para o laboratório, tinha uma noção das consequências que seria mostrar aquela foto para alguém da sua família mas não queria pagar para ver.
— Grissom. Posso entrar? — Sara estava parada na porta de seu escritório. Ficou parada ali por trinta segundos observando seu patrão que parecia estar com os pensamentos bem longes daquela sala.
— Sente-se. — Ele indicou a cadeira logo a frente para a jovem. — Estava com a cabeça em outro local.
—Eu reparei. — Ela sorriu e sentou logo a sua frente. — Queria saber se existe alguma possibilidade de me ausentar por uns dois dias na semana. Tenho um problema pessoal para resolver e eu já adiei demais.
— Está acontecendo alguma coisa? — Grissom arqueou uma de suas sobrancelhas e encostou-se na cadeira. Notou que de uns dois dias ela irradiava tristeza.
— Como eu disse é um assunto pessoal. — Ela suspirou fundo e abaixou o olhar. — Não sei se me sinto a vontade de compartilhar.
— Claro ! Claro ! — Grissom balançou as mãos próxima ao rosto. — Precisa para quando?
— Daqui duas semanas. Achei melhor pedir com antecedência.
— Ótimo. Pode pegar esses dias de folga. Acho que Jason e Emma conseguem viver esses dias sem você.
Sara sorriu e balançou a cabeça, era verdade que ela havia construído uma relação muito forte com eles. Sentia que ela mais recebia carinho e atenção que propriamente dava a eles.
— Eu sei que eles conseguem. Com a sua mãe aqui, eles nem vão reparar a minha ausência.
— D.Beth rouba toda a atenção deles. — Um silêncio se instaurou na sala após essa frase. Com eles sempre era assim, a conversa fluía até um certo ponto e bruscamente o silêncio invadia como fosse íntimo dos dois.
— Comecei a ler o livro que você me deu. Achei muito interessante, só não entendi como você conseguiu se apaixonar por insetos.
— Aprendi com o meu pai, Sara. Ele era um homem fantástico.
— Seus olhos brilham quando você fala sobre ele. Já te falaram isso?
Grissom engoliu em seco e esboçou algo que parecia ser um tímido sorriso que as poucos foi trazendo uma expressão melancólica para ele. Seu pai havia partido muito cedo mas isso não impediu que ele tivesse uma memória afetiva enorme por ele.
— É só a saudade mesmo. Quero que um dia meu filhos sintam o mesmo que eu sinto pelo o meu pai.
— E quem disse que eles não sentem isso? Grissom, eu já estou aqui a algum tempo e preciso te dizer uma coisa mas você precisa me prometer que não vai se chatear comigo. Combinado?
Ele limitou em menear a cabeça em afirmativa.
— Seus filhos te acham um máximo !
— Conta outra, Sara.
— Por que é tão difícil você acreditar nisso? — Ela ergueu as mãos e depois deu dois tapinhas sobre a mesa. — Só você que não consegue enxergar isso.
Ele deu-se por vencido, não queria iniciar uma discussão com Sara. Em silêncio ele conseguia fazer uma leitura da jovem a sua frente. Ela de alguma maneira estava fragilizada e decepcionada.
— Você está bem, Sara?
— Estou. — Com o olhar cheio de melancolia ela encarou o homem à sua frente.
— Você tem certeza? — Ele projetou o corpo para frente, talvez em uma tentativa inconsciente de trazer maior confiança para ela.
— Tenho sim. — Ela sorriu mas sem muita empolgação. — Você quer ir assistir Dark Side of the Moon, comigo?
Grissom abriu a boca algumas vezes mas não encontrou nenhuma resposta, lembrou-se que Hank que tinha sido imperativo em relação aos ingressos. Quando ele comprou aquele presente para ela não tinha nenhuma pretensão em ser convidado.
— Sara eu não sei o que fazer em relação a isso.
Ela sorriu e pediu licença para se retirar do escritório, nem ela mesmo entendeu por que havia feito aquele convite. Estava tão decepcionada e machucada que a qualquer sinal de afeto ela retribuia.
…
—Pai, estou saindo. — Jason cruzou a sala como um verdadeiro furacão mas teve seu plano frustrado quando o seu pai o chamou antes mesmo dele alcançar a porta.
— Agora você só me informa que vai sair de casa? — Grissom estava sentado no tapete da sala junto com Emma e sua mãe montando um quebra cabeça. Levantou-se e foi até o rapaz que estava prestes a sair.
— Vou me encontrar com a Mack, pai. Ficamos de ir ao cinema hoje.
— Esse namoro está sério mesmo hein, Jay.
— Estamos nos dando bem, vó. — Jason ruborizou e dessa vez Grissom não conseguiu conter a risada, seu filho era muito parecido com ele na juventude. Sempre muito tímido e introvertido.
— Qual a graça, pai? — Revirou os olhos e olhou em seu relógio de pulso, se demorasse mais um pouco ele iria se atrasar para encontrar com a sua namorada.
— Eu era como você na sua idade. — Grissom e Jason se encararam e depois sorriram. Beth e Stella que assistiam aquela cena quase não se continha de felicidade. Ambas sabiam da dificuldade de relacionamento dos dois pelo o fato de serem tão parecidos. — Mande um abraço para Mackenzie e não volte tarde.
— Anotado, capitão. — Ele fez sinal de continência.- Agora eu posso ir?
— Vá logo antes que eu mude de idéia. — Jason abriu a porta e saiu em uma corrida moderada. — Juízo !
Grissom fechou a porta e soltou o ar do pulmão. Seu filho mais velho já estava namorando, pouco tempo atrás era o mesmo Jason que corria solto pelo o jardim da casa. Despertou de seu devaneio e viu Sara apontando discretamente para Emma, sempre que seu irmão ia encontrar com a Mackenzie era a mesma solidão.
— Vamos terminar de montar o nosso quebra-cabeça? — Grissom sentou-se novamente no tapete ao lado de Emma. A menina encolheu-se ao lado do sofá perto das pernas de Stella que acariciou os seus cabelos cor de mel. — Enjoou?
— Perdi a vontade de montar, só isso.
— Venha cá. — Grissom abriu os braços e a menina prontamente foi até o seu colo. Beijou-lhe o topo de sua cabeça e o cheiro de xampu infantil invadiu as suas narinas, aquele cheiro era muito agradável. — O que acha de fazermos outra coisa então ?
— Não estou muito afim. — Ela escondeu o rosto no pescoço de Grissom. Ele olhou para as três mulheres ali na sala, implorando por uma ajuda de uma das três.
— Nem pensar ! Quero aproveitar a minha noite de folga com você. — Ele tentou fazer cócegas em sua filha que encolheu-se evitando o contato. — O que acha de assistirmos um filme?
Emma fez uma careta em reprovação, queria mesmo era estar com seu irmão. Ela adora a companhia dele mesmo sem os dois estarem fazendo alguma coisa juntos mas a ideia de uma nova menina ao lado dela era assustadora. Em seus pensamentos, Mackenzie ira monopolizar Jason.
— Você quer só ficar quieta? Não quer fazer nada?
— Eu queria ter saído com o Jason e a namorada dele.
— Ah não, Emma ! — Foi a vez de Sara se manifestar, ela não gostava de ver a pequena Emma tão triste daquela forma. — Achei que você gostava de ficar com a gente. Eu vou viajar esse fim de semana e nem vou te ver.
— Sara tem razão, Emma. — Grissom segurou o queixo da menina e beijou a sua testa. Queria que o tempo fosse menos cruel, que passasse de uma forma mais lenta.
— Daqui alguns dias eu vou embora também. — Concluiu Beth. — Então vamos mudar esse humor e fazer alguma coisa.
Emma olhou para Stella como quem se esperasse uma reação da governanta.
— Você não vai me chantagear, Stel? — Ela falou de uma forma tão natural que os adultos começaram a rir. — O que foi?
— Nada minha filha. As vezes eu fico assustado com tamanha inteligência.
— Tal pai, tal filha. — Sara sorriu e piscou para Grissom. Sentou-se no tapete e colocou-se a observar o quebra cabeça que eles estavam montando, na caixa indicava que o jogo continha 1000 peças, mais uma analisada na caixa e ela reconheceu o Big Ben estampado. — Eu nunca tive paciência para terminar um quebra cabeça.
— Eu gosto ! Temos outros com mais peças. — Emma levantou a cabeça do ombro de seu pai e ficou encarando Sara.
— Posso te ajudar a montar?
Emma saiu do colo de seu pai e sentou-se ao lado de Sara. Envolveu seus finos braços no braço de Sara e apoiou sua cabeça no corpo da morena.
— Sempre começamos pelo os cantos, meu pai disse que fica mais fácil de montar.
Grissom levantou-se e foi em direção da cozinha sem perceber mas estava sendo seguido por Stella e Beth que a dias queriam ter uma conversa com ele. A ideia inicial dele era fazer um chocolate quente para eles, a noite estava com um clima frio mas nada comparado a um início de inverno.
Concentrado na missão de achar os ingredientes, não reparou quando sua mãe e Stella entram na cozinha sorrateiramente.
—O que vai fazer aí?
— Céus ! — Ele quase deixou a caixa de leite cair no chão, se não fosse pelo o seu reflexo rápido iria fazer uma enorme bagunça no chão da cozinha. — Vocês duas querem me matar de susto?
— Está devendo para alguém, Gil? — Ironizou Stella.
— Precisamos conversar com você. Você precisa conversar com a Emma. Ela não pode ficar assim todas as vezes que Jason sair.
— Mãe, eu sei. — Ele suspirou cansado — Eu já falei isso para ela mas isso é tudo uma questão de tempo até ela se acostumar com a ideia.
— Por isso que pensamos em chamar a Mackenzie para passar o dia com a gente.
— Eu não sei se isso é uma boa ideia. Emma pode se fechar mais ainda.
— Por isso que você vai conversar com o Jason antes. Eu sei que ele não faz por maldade mas ele está deixando Emma um pouco isolada.
Grissom colocou as mãos na cintura e concordou com a fala das duas mulheres. Iria conversar com seu filho mais velho assim que tivesse a oportunidade. Ele precisava confessar que sabia muito pouco sobre Mackenzie, para ser honesto sabia quase nada sobre ela.
— Eu prometo fazer isso. Também não gosto da maneira que Emma fica. Agora parem de me olhar dessa forma.
Stella e Beth sorriram, pareciam duas policiais interrogando Grissom mas no fundo é para continuar a harmonia do lugar. A cabeça do investigador fervilha em saber o motivo da tristeza de Sara, esperava que sua mãe ou a governanta fossem comentar algum momento.
— Vocês duas sabem o motivo de Sara estar triste dessa forma? — Ele perguntou de costas para as duas, procurava xícaras para servi-las mas na verdade não queria o olhar de censura que tinha certeza que receberia.
— Acho que ela teve alguns problemas pessoais, Gil. — Stella disse enquanto seu patrão servia uma xícara do chocolate que ele havia acabado de fazer. — Algo com a mãe dela.
— Também notei que ela está mais dispersa essa semanas. — Disse Beth
— Eu me refiro a algo mais recente. — Grissom sentou-se de frente para as duas, segurando a xícara com as duas mãos, ele gostava do calor da porcelana contra a sua pele. Bebericou um pouco do líquido e aguardou a resposta.
— Eu não sei te falar. Mas espero que independe do que for, que ela possa resolver logo.
Ele meneou a cabeça em afirmativa e levantou-se, com duas xícaras em mãos ele voltou para Sara.
— Uma xícara para você — Entregou para Sara, que agradeceu rapidamente. — E outra para Emma. — Sentou-se ao lado dela e a colocou em seu colo. — Como está o progresso de vocês?
— Sarinha é boa nisso, já conseguiu montar um pouco daquele lado. — Emma bebeu um pouco do chocolate e abriu um sorriso para Grissom, parecia que a tristeza de uma delas havia acabado.
— Preciso confessar que montar tudo isso de uma vez é preciso de muita paciência.
— Paciência é virtude, Sara. Só aprender a exercer.
Sara encarou Grissom de uma forma nada amistosa, até Emma havia reparado.
— Acho que ela ficou brava com você. — Emma cochichou para Grissom.
— Também acho. — Ele sussurrou.
— Posso saber o que os dois estão falando a meu respeito ?
Dessa vez Sara falava com um tom mais leve, colocou a xícara sobre a mesa e fitou Emma e Grissom que tinham uma feição engraçada.
— Emma disse que você não tomou banho ontem. — Grissom falou fazendo uma careta para sua filha.
— É o que mocinha? — Sara levou as duas mãos na cintura e encarou a pequena com o cenho franzido. Ela estava pronta para fazer cócegas na menina mas antes retirou a xícara da mão dela. — Você disse que eu não tomei banho ontem ?
— É mentira do meu pai, Sarinha. Eu só disse para ele que você tinha ficado brava com ele.
— Mentira, Sara. Ela me disse que você não tomou banho ontem. — Ele entrou na brincadeira.
— Pois fique você sabendo, mocinha. Que eu não tomo banho faz dois dias.
— Eca ! — Emma encolheu-se no colo de seu pai e começou a rir. Sara puxou a menina pelo o seu pé e começou a fazer cócegas, aquilo era um ponto fraco dela. Grissom segurou a menina para que ela não se levanta-se. — Para, Sarinha.
— Isso é para você nunca mais revelar o meu segredo.
Stella e Beth que assistiam aquela cena, divertia-se com a leveza dos três estirados no chão da sala. Beth admirava seu filho, era um homem e um pai incrível, era extremamente orgulhosa de sua criação.
— Cuidado para os três não se machucarem. — Advertiu Stella depois que Emma conseguiu se desvencilhar dos braços de Grissom e agora estava tentando a todo custo fazer cócegas em seu pai.
Sara levantou-se e sentou ao lado de Beth, que fez um carinho em seu braço. E sussurrou um “muito obrigada” e apontou para sua neta e seu filho. Nesse momento, Grissom já estava deitado no chão enquanto Emma estava sentada em sua barriga tentando alcançar o pescoço dele.
Era incrível a capacidade que Emma tinha de mudar todo o clima do lugar onde ela estava, a menina irradiava leveza e doçura. Conseguia conquistar fácil a todos que se aproximava dela, sua inocência era cativante.
A noite se estendeu de uma forma surpreendentemente agradável, Beth e Stella juntaram-se ao trio e se envolveram na empreitada de terminar o quebra cabeça. No fim da noite Emma ainda conseguiu convencer seu pai em deixá-la dormir com ele, Jason havia ligado para Grissom pedindo para dormir na casa de Mackenzie e a contragosto de sua mãe ele acabou cedendo, era a oportunidade de dar um voto de confiança para depois do incidente com a identidade falsa.
A madrugada foi interrompida pelo o barulho da campainha, alguém estava realmente disposto a despertar todos na casa. Vários toques seguidos e depois fortes batidas na porta. Sara foi a primeira a acordar assustada com a algazarra do lado de fora, levantou-se assustada e permaneceu no quarto. Grissom desceu as escadas as pressas, nem se deu o trabalho de amarrar o seu roupão, acendeu as luz da sala e foi em direção a porta.
Abriu a porta e levou um susto ao encontrar Hank apoiado ao lado da campainha. Uma análise rápida e ele viu que o paramédico não estava totalmente sóbrio.
— Você ficou maluco ? Sabe que horas são? — Grissom ficou parado na porta da casa, em hipótese alguma iria deixar ele entrar dentro da sua casa.
— Eu quero falar com a Sara ! — Sua voz estava um pouco embargada. Antes de chegar ali havia feito a irresponsabilidade de beber depois de seu plantão médico, tudo estava dando errado para ele. — SARA ! — Ele gritou, tentando entrar dentro da casa mas foi logo impedido por Grissom.
— Vá embora, Hank !
— Eu só saio daqui depois que eu conseguir falar com a Sara. — Ele levantou o dedo em riste e apontou para o supervisor.
— Você tem 15 segundos para ir embora.
Grissom respirou fundo, sua vontade era de dar bons tapas no paramédico mas não seria justo devido ao estado em que ele se encontrava. Sara apareceu na sala sem acreditar no que estava vendo.
— O que você está fazendo aqui? — Sara surgiu logo atrás de Grissom. — Vai embora, Hank !
— Agora você vai me escutar, sua vadia. — Ele tentou empurrar Grissom que logo o segurou pelo o colarinho da blusa, não iria desrespeitar Sara na sua frente e muito menos entrar na casa dele.
— Veja bem como você vai se referir a Sara. — Ele sacudiu o corpo dele ainda o segurando pela camisa. — Vai embora antes que eu precise chamar a polícia.
— Já estou entendendo tudo. — Hank riu e encarou Grissom e Sara. Empurrou o peito de Grissom e conseguiu se soltar dele. — Você está dando pra ele né, vadia?
Agora foi a vez de Sara perder a cabeça, saiu de dentro da casa e foi para cima de Hank mas antes mesmo de conseguir se aproximar dele foi afastada por Grissom que a segurou com o braço aberto.
— Você não tem esse direito de vir até aqui me ofender.
— Eu já sei que foi você que se encontrou com a Jéssica. Ficou inventando um monte de mentiras a meu respeito, só por que você não superou o fora que eu te dei.
— Você me traiu. Agora vai embora ! Pelo amor de Deus, olha a confusão que você está causando. — Sara esfregou as mãos nos cabelos desalinhados, estava desesperada com tudo aquilo.
Estava tudo explicado, a tristeza e melancolia de Sara era devido a traição de Hank. Ele sabia que o homem não prestava para nada mas não iria interferir no relacionamento de sua subordinada.
— Esse é o meu último aviso. Vai embora e nunca mais apareça na porta da minha casa.
— Você Sara ! — Ele apontou para ela, ignorando a fala de Grissom- Não fique achando que ele é um homem maravilhoso por que seu patrão não vale nada. — Ele começou a rir e apontar os dois dedos para Grissom. — A esposa desse aí foi embora por que não aguentava os chifres que tomava dele.
Dessa vez foi o sangue de Grissom que ferveu, não ia admitir que alguém o difamasse daquela forma na porta de sua casa. Partiu para cima de Hank e o empurrou até o seu carro que estava estacionado na porta de sua casa, bateu o corpo do paramédico novamente contra o carro fazendo um barulho maior.
— Eu poderia arrebentar a sua cara toda aqui mas eu não faço isso por que eu não sou covarde de bater em um homem no seu estado. — Grissom pressionou um pouco mais Hank contra o carro. — Some da porta da minha casa e da minha vida, por que se eu cruzar com você novamente não vou ser tão educado como eu estou sendo agora.
Stella havia acordado com toda a confusão, foi até a porta e tentava acalentar a Sara que chorava em prantos. Doeu ouvir tudo aquilo de Hank, estava dilacerada com aquelas declarações, sentia-se suja em ter presenciado aquilo.
— Me solta, Grissom. — Hank tentou desvencilhar de Grissom mas dessa vez ele o segurou com mais força ainda.
— Você não tem o direito de aparecer na porta da minha casa para desrespeitar a Sara e a mim. Espero que tenha entendido o recado.
— Você não quer que ninguém saiba que você traia a sua esposa com a dominatrix. Como é o nome dela mesmo ? — Em tom de deboche, ele tentava se lembrar o nome. — Heather, acertei? — Ele havia aumentado o tom para todos escutarem.
Sara saiu do lado de Stella e foi até onde Grissom segurava o seu ex-namorado. Abriu a porta do carro de uma vez só.
— Você vai entrar nesse carro agora e vai sumir daqui. Se você me encontrar em qualquer lugar você vai fingir que não me conhece, você vai deletar a minha existência. Você é um verme, Hank ! Você não merece o amor de ninguém. — Sara chorava de raiva, em um momento de total descontrole acabou desferindo um tapa na face do loiro. Grissom novamente a impediu, em um momento de distração Hank deu uma cabeçada no nariz de Grissom que imediatamente começou a sangrar.
A paciência de Grissom já tinha acabado, pegou o corpo de Hank e jogou para dentro do carro e fechou a porta. Se continuasse ali ele iria perder a paciência e quebrar ele todinho.
— Seu show já acabou, se você não for embora sozinho eu chamo a polícia e dou um jeito de você passar longos dias preso. E você fica atento, por que eu ainda tenho contas para acertar com você. — Grissom bateu com a mão no capô do carro. — Se você quiser manter seu emprego e carreira fica bem longe de mim e de toda a minha família, eu não sou um homem de não cumprir minhas ameaças.
— Vocês dois se merecem mesmo !- Hank ligou o carro e saiu cantando pneu pelas ruas adjacentes.
Grissom olhou para Sara que estava irreconhecível, seus olhos pareciam em carne viva retalhada de tanto chorar. Levou uma das mãos no nariz e viu que o sangue ainda continuava escorrendo.
— Me desculpa, Grissom. Eu não sabia que ele iria vir aqui e fazer toda essa confusão.
— Vamos entrar. — Ele indicou a porta principal, ainda tentando estancar o sangue ele fazia uma avaliação de toda aquela confusão, agradeceu por Emma não ter presenciado tudo aquilo. Já dentro de casa ele foi direto para o lavabo, sabia que lá tinha os materiais necessários para estancar o sangue.
Ainda na sala, Stella tentava a todo custo consolar Sara.
— Minha pequena não tinha como você prever que ele iria fazer isso.
— Stella, ele agrediu o Grissom. — Ela passou a mão no rosto e depois colocou as mãos na nuca. Jamais imaginaria que passaria por um problema como aquele. — Ele veio no meu emprego me ofender.
— Vamos esquecer isso. — Stella a abraçou quando viu Grissom sair do banheiro. Os cabelos todos desalinhados, a blusa cinza do pijama estava manchada com algumas gotas de sangue.
— Stella, pode me deixar a sós com a Sara?
— Não é melhor deixarmos essa conversa para amanhã ? — No relógio do aparelho de tv por assinatura marcava 03:50.
— Hoje, Stella ! — Ele falou de uma forma firme. A governanta ainda tentou argumentar mais uma vez mas dessa vez foi interrompida por Sara que disse que gostaria de conversar com Grissom naquele momento.
A sós, o silêncio imperou no ambiente. Grissom não tinha a intenção de brigar com a Sara mas ao mesmo tempo não iria admitir um episódio como aquele novamente.
— Se quiser me demitir, hoje eu te dei todos os motivos.
— Eu não vou fazer isso. — Ele se aproximou dela. Estava totalmente confuso e exposto com tudo aquilo. — Eu não posso admitir episódios como esse se repitam. Imagine se Emma vê tudo isso? Espero que ela não tenha acordado com toda essa confusão. Agora por favor pare de chorar. — Sua última fala não era em um tom de ordem mas sim em um tom carinhoso.
— Me desculpe. — Ela enxugou as lágrimas. — Eu não sei o que eu posso fazer para reparar tudo isso.
— Ele já foi agressivo assim com você alguma vez ? — Ele deu mais um passo para perto dela. Queria transparecer segurança para ela. Vê-la daquela forma tão quebrada e frágil estava apertando o seu peito.
— Não ! Eu nunca vi ele alterado dessa forma. Depois que eu descobri que ele me traia eu fui até a Jéssica e contei tudo para ela. — Sara encarava o chão, não tinha coragem de encarar Grissom. — E resultou nisso tudo. Eu fui uma inconsequente.
— Sara. Você não é culpada de nada disso. Você é uma mulher incrível, espetacular, maravilhosa. — Ele deu de ombros e depois sorriu mas não um sorriso qualquer, era um sorriso de tristeza. — E mulheres como você tendem a se relacionar com homens incrivelmente babaca como nós. — Ele bateu com dois dedos no próprio peito.
Sara diminuiu o espaço entre eles e abraçou Grissom, os primeiros segundos foram um choque mas como conhecesse cada pedaço do corpo dela, ele a envolveu em um abraço. Apertou o corpo dela contra o dele, o cheiro gostoso doce do cabelo dela o deixou inebriado naquele momento. Ela sentiu-se protegida, com a cabeça em seu peito firme respirou junto ao tecido da blusa do pijama, sentiu quando ele apoiou a cabeça sobre a dela.
A pequena marca de sangue na blusa dele chamou a atenção de Sara, com a ponta de seu indicador ela fazia pequenos círculos sobre tecido.
— Enquanto você estiver comigo, você vai ficar bem.
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