Sim, Senhor.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Jason e Emma estavam de volta a casa, com um incentivo de Robert o jovem entendeu que fugir de sua casa e da presença de seu pai não seria a melhor opção naquele momento. Emma para surpresa de todos ainda não estava conversando com o seu pai, para ela havia sido muito triste passar a noite de ano novo e natal longe dele.
Grissom tentava manter um diálogo com a pequena mas tudo o que conseguia era que ela o ignorasse por completo, nem quando ele a convidou para passar a tarde no quarto junto com ele assistindo algo do interesse dela ela quis dar atenção.
—Eu não sei mais o que eu faço para Emma conversar comigo. –Grissom estava no seu escritório junto com Stella, a governanta acabava de arrumar o cômodo enquanto ele lia as avaliações dos seus subordinados.
—Gil, você sabe que ela está muito chateada. – Stella estava atrás de Grissom organizando sua mesa. Ela se impressionava em como ele conseguia bagunçar aquele local. Ele jogou a caneta que assinava sobre a mesa quando a senhora somente com o olhar o reprimiu, ele arqueou a sobrancelha e guardou a caneta no devido local.- Espere pelo menos eu sair daqui pra você bagunçar novamente.
—Enfim!- Ele revirou os olhos e virou a cadeira para onde a governanta estava.- Me ajuda, Stella. Eu não sei mais o que eu faço. Ontem mesmo a Virginia me ligou e quis saber o porquê de Emma estar tão quieta ultimamente.
—Ora, Gilbert! Você é o pai dela. Já experimentou pedir desculpas a ela?
—Eu já. O máximo que ela me disse foi “desculpas aceitas”. Tem horas que ela tem o gênio da Maggie.
—Gil, me escute. Você precisa pensar um pouco. Sara me contou sobre a conversa que vocês tiveram e sobre como você quer mudar. A paternidade é se descobrir sobre seus filhos todos os dias, não vai existir uma fórmula mágica que vai fazer tudo ficar em harmonia. Eu imagino que pra você ser pai está sendo uma experiência entre altos e baixos, assim como a montanha russa que você tanto gosta, não é?
—Sim.
—E o que te faz gostar da adrenalina da montanha russa?
—A sensação de estar vivo.
Stella sorriu vitoriosa, tinha feito Grissom chegar onde ela queria. Queria que ele visse que ele poderia errar como pai mas ele tinha em mãos o poder de reverter toda essa situação.
—Uma coisa que eu posso te falar é que Emma ficou muito chateada de não ter passado o Natal com você. Você sabe muito bem como ela ama essa época do ano e ela já está crescida e começa a questionar sobre Maggie. Para ela é tudo um mundo novo, Gil. Pense nisso. Estamos combinado?
Ele arqueou a sobrancelha e logo em seguida depositou um beijo sobre a face da mão de Stella. Desde sempre ela tem sido seu braço direito e o seu maior porto de confiança e amor. Ela tinha um jeito doce quando precisava chamava atenção dele, ela já havia confidenciado que ela nunca teve a oportunidade de ser mãe mas poder cuidar de Grissom era como cuidar de um bom filho.
...
—Ei, Emma. Está ocupada?
Grissom parou encostado na porta do quarto dela. Emma estava sentada na mesa colorindo alguma coisa que de onde ele estava não conseguia entender. A menina parou de correr o lápis laranja sobre a folha e olhou para o seu pai.
—Só estou desenhando.
—Pensei em fazer Gingerbread, quer me ajudar?
Emma que tinha parado de encarar seu pai para voltar a colorir, parou olhando para frente tentando entender o que ele tinha sugerido. Ela sabia que seu pai era um bom cozinheiro mas não sabia por que ele ia iria fazer aquilo se o natal já tinha passado.
—O natal já passou.
—Eu estou com vontade de comer. Você não?
—Eu comi na casa da vovó Virginia.
Ele suspirou fundo, não era nada fácil tentar enrolar aquela menina mas por um lado ele ficou contente em saber que ela tinha uma opinião forte.
—Você não quer me ajudar? Sara quer aprender a fazer.
“Pra que você foi mentir desse jeito?”
Emma largou o lápis laranja e saiu da cadeira, passou ao lado de seu pai e foi em direção a escada. Jason que havia levado o violão de seu avô para casa tentava ensinar alguns poucos acordes que sabia para Sara enquanto Stella descansava na poltrona próxima aos dois.
—Sarinha! – Ela gritou do alto deo mezanino chamando a atenção dos três.- Você quer aprender a fazer gingerbread?
Sara olhou para Stella sem entender nada. Da onde aquela menina tinha tirado essa ideia? Grissom apareceu um pouco atrás de Emma coçando a nuca e torcendo para Sara ter entendido o recado.
—Você vai me ensinar a fazer agora?
Ele suspirou aliviado e pode ter certeza que Stella havia feito o mesmo. Se Emma soubesse que ele estava mentindo só iria piorar a situação.
Emma então desceu as escadas e foi sentar ao lado de Sara, apoiou a sua cabeça no braço dela e ficou esperando o seu pai descer. O cheiro daquele biscoito lembrava de quando seu pai os preparava na véspera no natal, quando aquele cheiro invadia as suas narinas ela sabia que a parte que ela mais gostava do ano se aproximava.
—Mas o natal já passou? Por que fazer isso agora? – Jason deixou o violão sobre o sofá e cruzou os braços encarando Sara. A morena que não fazia ideia o porque daquela ideia de Emma aquela hora também fez o mesmo questionamento que o rapaz.
—Só é permitido comer isso no natal, Jason?
Stella levantou-se e foi até a cozinha onde Grissom estava procurando os ingredientes no armário, ela mesmo não tinha certeza se todos os ingredientes necessários estavam a disposição na casa.
—O que você quer fazer, Gil?- Stella sussurrou enquanto retirava a farinha de trigo do armário.
—Vou tentar fazer as pazes com Emma. Tive uma ideia mas não sei se vai ser interessante.
—Não me conte o que é. Vou deixar vocês dois se virarem da melhor maneira.
Grissom sorriu e virou-se e encontrou Emma e Sara conversando no sofá. Ele tinha que admitir que se sentia confortável com a presença de Sara junto com o seus filhos, sabia que não era fácil para ela ter que aguentar toda a carga emocional que rondava naquela casa mas no fundo ela não sofria os efeitos da bomba.
—Em que eu posso ajudar? – Sara colocou Emma sentada na cadeira mais alta e parou ao lado de Grissom com as mãos na cintura.
—Quem disse que você vai ajudar? Vocês duas vão fazer. –Ele entregou um avental preto para Sara e pegou um banco para que Emma desse altura o suficiente na bancada da pia.
A última vez que Sara tentou fazer algo naquela cozinha, ela cortou o dedo e hoje ainda tinha a responsabilidade de estar com uma criança ao lado dela. Não fazia ideia o que Grissom iria tentar fazer, torceu para não ser complexo. Já com o avental a frente do corpo viu o homem dispondo os ingredientes sobre o balcão.
—Você sabe fazer gingerbread?- Sussurrou Sara para Emma que estava com os dois braços apoiados na granito branco.
—Sempre vi meu pai e minha mãe fazendo e algumas vezes eles deixam eu e Jason comermos o recheio.
Sara sorriu e acariciou a cabeça de Emma. Queria muito que ela ainda tivesse a inocência da infância mesmo naquele turbilhão de pensamentos. Piscou para a menina que abriu um ligeiro sorriso.
—Por acaso vocês tem algum plano para essa noite? – Enquanto Grissom colocava os ingredientes dentro de uma grande vasilha de alumínio, Sara e Emma terminavam de limpar as formas do biscoito.
—Bem eu tinha combinado de ir ao cinema com a Rachel e o Erik e de lá eu iria dormir na casa do meu avô por que é mais perto.
—Por que isso está me cheirando mentira, Jason?
—Deve ser os biscoitos que Sara deixou queimar.
Sara encarou o rapaz o “fuzilando” com o olhar e ele retribuiu o olhar com uma risada um tanto quanto maquiavélica
—Stella? – Grissom ainda encarando Jason tentou decifrar o que ele iria aprontar. Raramente Jason dormia fora de casa, ia lembrar de depois ligar para seu sogro para confirmar a história.
—Hoje eu tenho um encontro com as ex-professoras da escola onde eu lecionei. Todos os anos tem esse encontro.
—Única vez no ano que Stella sai do seu habitat natural.
—Você é muito engraçadinho, Jason. – Emma falou olhando para o irmão, estava impaciente com as tentativas do seu irmão de ser engraçado. Grissom olhou aquilo e trocou um rápido olhar com Jason para ele não iniciar uma discussão, o menino respirou fundo e foi sentar na mesa.
—Sara?
—Acredito que eu vou sair mais tarde. Vou para o meu apartamento hoje a noite.
Aquilo não estava nos planos de Grissom mas poder passar aquela noite sozinho com Emma seria um fator muito positivo. Tinha pensando em fazer uma noite “natalina” simbólica com ela, seria bom que todos estivessem ali mas aquela oportunidade seria um bom momento para esclarecer algumas coisas.
—Parece que seremos eu e você em casa hoje. – Grissom sorriu para Emma que continuou fitando as formas do biscoito que ela estava limpando.
Grissom iniciou o processo de fazer a massa para o biscoito, Emma se aproximou de seu pai no intuito de conseguir visualizar melhor a receita, ele vendo que ela estava na ponta do pé no banco achou por melhor colocar a menina sentada no balcão, queria ter contato olho a olho com ela.
Com seu dedo sujo com um pouco da massa, passou sobre o nariz da menina que abriu um sorriso tímido.
“Ponto pra mim.”
—Vocês estão ouvindo algum celular tocar? – Jason que estava um pouco afastado dos outros começou a procurar por cima dos móveis de onde vinha aquele barulho. Sara logo ligou que a chamada era do seu aparelho, pediu licença e foi até o quarto onde ela e Stella dividiam.
Era Hank ligando. Eles haviam combinado de sair naquele dia mas esperavam a confirmação se ele iria ficar de plantão naquela noite. Desde do ano novo eles haviam saído algumas vezes, podiam afirmar que estavam experimentando a companhia um do outro. Eles sempre foram conhecidos, desde a época em que ele estudava na mesma faculdade que ela, saíram algumas vezes mas nunca tiveram algo sério, porém dessa vez parecia que seria diferente.
—Confirmado para hoje a noite?
—Sim. Que horas nos encontramos?
—Pensei em passar aí para te buscar, não tem necessidade de irmos em dois carros.
—Não sei se isso é uma boa ideia. Grissom já deixou claro que não quer ninguém que ele não conheça por aqui.
—Sara, me passe o endereço. Quando eu estiver perto eu te ligo e você me espera, uma ou duas ruas antes da casa dele? Não quero chegar perto do império dos Grissom’s.
—Eu iria dormir essa noite no meu apartamento, eu não gosto de sair e voltar para cá.
—Sem nenhum problema, senhorita. Eu posso deixar você no seu apartamento e trazer você de volta para ai amanhã.
Sara abriu um sorriso malicioso, havia entendido bem o recado do paramédico.
Encerrou a ligação e voltou para a cozinha, sob o olhar atento de Stella que não deixou de reparar no sorriso que Sara tentava conter a qualquer custo.
—Boas noticias, Sara?
—Depende do seu ponto de vista, Jason. – A morena piscou para o rapaz que retribuiu com um sorriso.
Grissom que acabava de entregar um pouco de massa para Emma colocar na forma ignorou os comentários de Jason e Sara. Não se importava com os comentários sobre a vida amorosa de sua funcionária mas não achava relevante ela comentar no meio de todos.
Talvez um dia comentasse isso com ela.
—Vem me ajudar, Sarinha. – Emma esticou uma forma em formato de coração e entregou para ela. Aquelas formas eram invenção de Maggie que todo Natal fazia que seu marido e seus filhos fizesse algo para colocar na ceia. Para Jason aquela ideia não seria útil, talvez com todas as informações que Grissom deu sobre Maggie o fez cair um pouco em si mas para Emma não seria justo destruir as lembranças que ela tinha da mãe, era uma criança inocente e não merecia passar por isso.
—Finalizados e agora para o forno. Mas me diga Emma, tem algo que você queira comer essa noite?
Grissom cruzou os braços na altura do peito e encostou no balcão sua filha estava sentada. Olhou por cima do ombro e piscou para ela, procurava aos poucos conquistar ela novamente.
—Bolo e sorvete. – A menina disse sem nem pensar duas vezes.
—Filha, bolo e sorvete? Não tem outra coisa que você queira?
—Bolo e sorvete!
Emma apesar de ser muito nova tinha uma mente muito esperta para idade dela. Ela entendia que seu pai estava tendo aproximar dela, ela sabia que adultos sempre erram e tentam consertar seus erros de duas formas: Ou pedindo desculpas ou gritando.
Talvez sua mãe fosse a exceção à regra.
Ela havia ido embora.
—Acho que não tem problema algum Emma comer isso hoje, afinal hoje é sexta-feira e ela passou a semana toda comendo e se comportando bem.- Stella apoiou uma das mão no ombro de Grissom e deu uma leve apertada. – Acho que hoje pode.
Grissom olhou para Stella com os olhos arregalados e incrédulo com a atitude da governanta, era ela que sempre “podava” as guloseimas da menina e agora tinha aquela atitude. Stella piscou novamente e deu dois tapinhas em seu ombro.
—Tudo bem, Em. Bolo e sorvete. Algum sabor especifico?
A menina levou o dedo ao queixo e ficou dando pequenas batidas enquanto encarava o teto. Eram tantos sabores que ela gostava que pedir para escolher apenas um era uma tarefa complicada.
—Cookies and Cream e Rocky Road.
—Anotado. Sabor do bolo?
—Chocolate.
—Filha, não é muito doce? Ainda temos os gingerbreads.
—Não.
—Tudo bem mocinha! Bolo e sorvete hoje à noite. – Grissom conferiu o horário no relógio em seu pulso: 17h30. Pelas suas contas ele ainda precisaria sair para comprar os ingredientes da Exigente Emma. Não queria prolongar a noite deles pois zelava pelo o sono dela e era grato a Sara e Stella por terem colocado limites nos horários dela.
—Sara, eu vou precisar sair para comprar o que esse mocinha quer. Por favor dê banho nela enquanto eu vou até ao supermercado. E pelo o que eu entendi você vai sair hoje?
—Sim. Bem hoje é sexta a noite e eu trabalho aqui só até 18horas e hoje eu não tenho aula.
—Não precisa se justificar. – Grissom jogou o pano em que secava as mãos sobre a mesa. — Pegue o fim de semana de folga.
Sara nada disse, em momento algum falou algo que justificasse aquela grosseria mas deixaria aquilo passar. Estava se sentindo feliz e leve demais para dar atenção para as grosseiras de seu patrão.
—Vamos então, Emma?
—Sara, acho que ela tem um vestido vermelho com pequenos corações brancos, se você puder colocar nela.
—Aquele vestido predileto da mamãe? – Emma olhou para Sara e logo em seguida encarou seu pai. Maggie amava quando Emma vestia aquela roupa, era a sua predileta e a menina sempre gostava de usar para agradar ela.
—Esse mesmo. Algum problema?
—Tudo bem. – Emma e Sara foram para o quarto da menina. A pequena engoliu o choro e seguiu Sara, não queria chorar perto de ninguém. Queria ficar no seu canto e chorar como ela fazia. Nessas horas ela sentia uma falta tão bruta de sua mãe que mal tinha vontade de sair do seu quarto.
Sara notou o semblante triste da menina, quando seu pai havia feito aquele pedido ela mudou completamente sua expressão, se antes demonstrava ansiedade e animação agora era um turbilhão de tristeza e saudades.
—Está tudo bem, Em?
—Sim. – Ela sentou-se na cama e logo deitou toda encolhida. Ficou fitando as árvores que pareciam acariciar o vento.
—Não parece, pequenina. – Sara sorriu e Emma tentou fazer o mesmo mas uma pequena lagrima deslizou sobre o seu rosto. Sem querer saber o motivo ela se aproximou de Emma e a acariciou seus cabelos. — Eu sei que você sente falta dela, pequenina. Mas a vida é tão bonita pra você ficar assim.
—Eu queria que ela estivesse aqui, Sarinha. Meu pai não gosta de mim mais.
—Ei, Emma. Olhe para mim.- Sara secou as lágrimas que escorriam pela a face de Emma, a pontinha do nariz vermelha indicava que ela já tinha deixado cair muitas lagrimas, talvez lagrimas acumulada de dias.- Quem te disse que seu pai não gosta de você? Eu sei que ele tem esse jeitão meio bravo. – Nesse momento Sara franziu o cenho tentando transparecer que estava brava. – Mas ele é uma pessoa incrível e só está um pouco perdido.
—Como assim perdido? – Emma levou as duas mãos nos olhos limpando as lagrimas.
—Sabe quando a gente inicia um jogo novo e não conhece as regras e fica sem saber se está jogando direito?
A menina assentiu, seus olhos fixos em Sara buscavam uma resposta daquela loucura.
—Isso que acontece com ele mas uma coisa eu posso te garantir ele ama muito você e o seu irmão. Não pense que ele não gosta de você. Aproveite hoje que vão estar em casa só os dois, eu sei que ele está morrendo de saudades de ficar com você. Promete para mim que vai aproveitar a noite de hoje?
Emma fitava o chão, suspirou fundo e encarou Sara. Com um sorriso meio tímido concordou com sua babá.
...
Tudo estava organizado para passar a noite com Emma, os pedidos de sua filha já estavam todos na cozinha. Havia conversado com Jason a respeito da saída dele, tinha dado um voto de confiança para o rapaz novamente ou melhor, deu um voto de confiança para ambos. Stella já havia ido para o jantar com os ex funcionários da escola onde ela havia lecionado. Na casa restavam apenas ele, Sara e Emma.
Sua vontade era que aquela noite lembrasse um pouco uma noite natalina, a arvore de natal ainda estava montada na sala, não tinha uma ceia ou presentes mas tinha o que Emma havia escolhido para comer. Tomou um banho e escolheu uma roupa diferente do habitual para estar em casa, uma camisa polo vermelha e uma calça social preta, não era nada de diferente mas queria estar bem vestido para estar com sua filha aquela noite. Os cabelo penteados para trás e um pouco de perfume para uma noite que não devia existir.
Desceu as escadas e acendeu as luzes da árvore, se sentiu um pouco incomodado de fazer aquilo mas era pelo o bem de Emma. Abriu uma gaveta do largo aparador preto e buscou algum CD, a maioria dos CD’s que ali estavam eram de sua esposa, ele mesmo não era muito ligado em música. Pegou um CD da Norah Jones que julgou ser bom e colocou no cd player. As primeiras notas da música Sunrise ecoou pela sala e ele agradou do que ouviu.
A companhia da sala ecoou alto, ele ergueu uma sobrancelha e caminhou até a porta. Não esperava por ninguém, até pelo o fato de não receber visitas.
“Jason deve ter esquecido alguma coisa além da chave”
Chegou perto da porta mas antes expiou pela grande janela de vidro da sala, afastou um pouco a persiana e viu um homem loiro parado na porta de sua casa.
“Hank Pettigrew”
Antes de abrir a porta escutou os passos de Emma e Sara descendo as escadas. Encarou sério Sara, havia sido bem claro no dia da contração que não queria desconhecidos na casa dele.
—Acho que você tem visitas, Sara. – Ele lançou um olhar que poderia a fazer petrificar naquela sala para nunca mais sair, sabia que estava enrascada com ele. – Antes de sair eu quero falar com você.
Respirou fundo e foi até a porta. Onde Hank estava com a cabeça de fazer aquilo? E chegar justo pela a porta principal. Abriu a porta e deu de cara com o loiro com as mãos dentro da jaqueta.
—Vamos?
—Eu não te disse que era para me esperar em outro lugar.
—Eu tentei te ligar mas você não me atendeu. Fiz mal em vir até aqui?
—Me espera no carro que eu já vou.
Fechou a porta e deu de cara com Grissom. Pelo o seu semblante sabia que iria ser chamada a atenção mas ele teria razão. Regras são regras.
—Achei ter sido claro em relação a desconhecidos aqui.
—Me desculpe, foi um equívoco. Eu pedi para ele me esperar algumas ruas daqui.
—Parece que seu namorado não entendeu o seu recado.
—Ele não é o meu namorado.
—Não me dê explicações. Eu não tolero esses tipos de coisa, Sara. Espero que seja a última vez que isso ocorra.
—Será.
—Boa noite, aproveite bem o seu passeio.
Sara saiu da sala aliviada, achou que o sermão seria maior. Na mesma hora que ela tinha vontade em gritar com aquele homem ela sentia compaixão dele.
Precisava parar de ter sentimentos duplos por ele.
Dentro de casa Emma estava sentada na mesa da sala, com as mãos segurando seu queixo olhava para o seu pai, seus pés impacientes balançavam no ritmo da música.
—Parece que somos nós dois hoje à noite. Já quer comer?
—Não estou com muita fome.
—O que foi?
Emma novamente não conseguiu segurar as lagrimas porém dessa vez elas vieram com um pouco mais de força. A menina não sabia por que não conseguia as controlar mais, antes parecia tão fácil, esperava todo mundo ficar quieto para poder chorar quietinha, em seu quarto abraçada com seu urso de pelúcia “Bu” ela chorava sozinha.
—Venha cá.- Grissom foi até a direção dela e a colocou sobre o seu colo, aninhou sua filha entre seus braços e afagou sua cabeça. – Por que você está chorando?
—Eu sinto falta da mamãe.
—Meu amor. –Ele abraçou com um pouco mais de força, beijou-lhe o topo da cabeça com cheiro de shampoo infantil. – Eu também sinto falta dela.
—Será que ela vai voltar?
De novo aquela pergunta, e dessa vez seu coração se partiu mais vez porém com mais intensidade. Queria muito ter a resposta para aquela pergunta mas infelizmente não saberia responder.
—Meu amor, o que importa é que eu estou aqui com você. Podem me tirar tudo, emprego, casa, carro, meus patrimônios mas jamais conseguiriam me tirar vocês. Eu sempre vou estar aqui e vou fazer de tudo para que essa dorzinha aí –Grissom deu duas batidinhas de leve no peito da menina. – Sumir.
—Eu queria que ela ainda estivesse aqui.
—Eu também, meu amor. Eu também, mas já que estamos só nos dois vamos fazer alguma coisa para podermos nos distrair?
—Tudo bem.
—Mas antes eu quero um sorriso. – Emma deu um pequeno sorriso, ainda se sentia triste mas sentiu-se segura nas palavras de seu pai.
—Vou pegar o seu bolo com sorvete. Você vai querer comer ou eu como sozinho?
Eles foram até a cozinha e ficaram por ali mesmo se esbaldando na quantidade de guloseimas que Grissom havia comprado, ele tinha que confessar que havia extrapolado na quantidade de porcarias que tinha comprado mas como sua mãe mesmo falava era o que criança mais gostava.
Emma não sabia por onde começar, comendo um pedaço de bolo ela encarava a torta que seu pai havia comprado, os biscoitos que eles haviam feito quem comia mesmo era seu pai. Grissom não era ligado nesses tipos de comida, para ele o simples bastava.
Assim se estendeu um pedaço da noite, em diversos momentos Grissom pensava em Maggie, em seu devaneio tentava imaginar o que ela estaria fazendo naquele momento mas diversas incertezas inundavam o seu ser. Nem sabia se eles estavam no mesmo fuso horário.
—Acho que já comemos muito, não?
—Só mais um pedaço de bolo com sorvete.
—Não meu amor. Por hoje chega.
Emma fechou o cenho encarando seu pai, cruzou os braços e esticou os lábios em forma de bico.
—Nem adianta me ameaçar com essa careta. – Enquanto ele guardava os potes de sorvete no congelador ela mantinha o olhar focado nele.
—O que acha de hoje dormimos juntos?
—Na sua cama? — Na hora ela mudou a expressão. Amava dividir o quarto com seu pai, a cama dele era grande e macia. Gostava de dormir deitada no ombro dele e fazia muito tempo que ela não tinha oportunidade de fazer isso.
—Sim.- Com a boca suja de sorvete ela desceu da cadeira, limpou as mãos no vestido e foi correndo em direção a escada, repreendida por seu pai antes de subir as escadas parou de correr nos primeiros degraus, já em seu quarto abriu a gaveta onde ficava seus pijamas e bagunçou até achar um pijama de frio, trocou de roupa rapidamente e pegou seu urso de pelúcia.
Grissom apagou as luzes da sala e inclusive as luzes da árvore, iria pedir para Wanessa desmontar e guardar o objeto, não tinha mais razão de ser em se manter ali. Subia as escadas como tivesse um peso extra em suas costas, ultimamente andava daquele jeito. Entrou em seu quarto e encontrou Emma já deitada com seu urso de pelúcia, sorriu ao encontrar a menina daquele jeito.
Foi até o armário e pegou seu pijama, no banheiro apoiou as duas mãos na pia e abaixou a cabeça quis por só um momento se desligar da Terra, queria se sentir livre e de peito aberto. Não falava a ninguém mas a cada dia se sufocava mais com seus sentimentos. Lavou o rosto algumas vezes e fez sua higiene pessoal.
—Pronta para dormir, mocinha?
—Sim, eu e o Bu.
—Senhor Bu também vai dividir a cama com a gente?
Grissom deitou-se e a menina logo tratou de deitar no ombro dele, com uma das mãos por cima da sua barriga ela segurava o seu bicho de pelúcia ao lado do quadril de Grissom. Ele apagou a luz do quarto e somente um abajur com luz fraca iluminava o ambiente.
Aos poucos a respiração de Emma foi ficando mais leve, sua mão que antes segurava o “senhor Bu” agora pendia ao lado do bicho de pelúcia. Grissom colocou mais um edredom branco sobre sua filha, aquela noite pedia. Apagou a luz do abajur e deixou-se fitar o escuro, somente um filete de luz que vinha da rua aparecia no quarto.
Era tudo o que ele queria naquele momento. Poder estar deitado com sua filha o trouxe uma paz momentânea. Esticou sua mão até o criado mudo ao lado da cama e pegou seu celular, no seu correio de voz procurou uma mensagem que ainda não tinha tido a coragem de apagar.
“Oi amor! Tenho boas noticias! Vou conseguir sair mais cedo do trabalho. Vou direto para casa ficar com as crianças por que eu estou morrendo de saudades deles e não demore por que eu quero ficar o resto do dia com vocês”.
Aquela havia sido uma das últimas mensagens que ela tinha enviado. Se ele soubesse que ela partiria talvez naquele dia teria saído do trabalho bem mais cedo e não daria explicações para ninguém ou talvez falasse ao xerife que estava indo embora por que ia aproveitar os últimos instantes com sua esposa.
Provavelmente o xerife iria o liberar sem pensar duas vezes.
Assim que a mensagem terminou ele selecionou para retornar a ligação. Ele sabia que ela não atenderia e nem sabia ao menos se ela ainda tinha aquele numero. O celular chamou algumas vezes antes de cair na caixa de mensagens, um último toque e ele havia sido informado que poderia deixar recado.
—Eu quero que você saiba que independentemente de onde você esteja nada vai se comparar a sensação de ver o sorriso no rosto de seus filhos.
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