Sim, Senhor.

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Olá galerê. Como vocês estão? Eu estou só na correria da rotina :( Gostaria de agradecer a Roses2018 por estar acompanhando a fic, seja muito bem vinda ❤ Aos poucos estou conseguindo administrar meu tempo e a fanfic que por sinal estou amando a escrever ! Hoje o capítulo vai explicar um pouco mais sobre a Maggie-Bomb ! Sem delongas. Boa leitura

Não houve Natal e muito menos qualquer entusiasmo para comemorar o ano novo. Desde a briga entre Jason e Grissom o clima na casa não poderia estar pior, Jason mal encarava seu pai e Grissom não procurava seu filho para conversar, ambos estavam muito ressentidos e chateados com toda aquela discussão. No Natal, a contra gosto de seus filhos e Stella, ligou para seus sogros buscarem seus filhos para passarem a noite com ele.

A última conversa entre os dois foi quando Grissom foi até o quarto de Jason avisar para ele se arrumar para irem para a casa de seus avós.

“Já que faz tanta questão que eu não esteja presente na sua vida, vá para a casa de seus avós sentir a “aura” da sua mãe lá”

Stella foi para o apartamento de Sara passarem os dois dias por lá mesmo sem Grissom pedir que elas saíssem não existia clima nenhum para elas estarem ali. Na volta das festividades o ambiente estava o mesmo, para Emma parecia que sua mãe tinha ido embora novamente, todos quietos, calados e indiferentes.

—Ano novo e seu avô disse que vai para a casa de veraneio passar a virada do ano lá. Coloquem agasalhos na mala de vocês.

—Eu não quero ir, pai. – Emma que estava esperando o seu pai abrir a porta principal para entrarem em casa, cruzou os braços e ficou encarando o homem a sua frente.

—Mas vão precisar ir, Em. Eu vou trabalhar e não vai ser bom para vocês ficarem em casa. Aliás a sua tia Carol já foi embora.

—Não é por ela que eu não quero ir, pai. Quero ficar com você.

—Dessa vez não vai dar, meu amor.

Emma entrou em casa furiosa, subiu as escadas e nem falou com Sara e Stella que estavam a sua espera. Grissom entrou e colocou suas chaves sobre a mesa da sala, ainda com a sua pasta nas mãos e a mochila de Emma nas costas olhou para as mulheres. As duas não entenderam nada que havia acontecido mas para a menina ter ficado furiosa daquela maneira algo de sério havia acontecido.

—O que deu na Emma?

—Me pediu para passar o ano novo aqui mas eu não vou estar em casa.

—Desde quando você trabalha no ano novo? – Questionou Stella pois sabia que em datas comemorativas ele ficava em casa de sobreaviso. Ela sabia que ele estava criando barreira para não ter que enfrentar uma nova conversa com seus filhos mas no fundo sabia que ele queria evitar que as crianças ficassem em casa sem um clima bom para passar a virada do ano.

—Stella, eu só não quero que eles fiquem aqui em casa sem ter uma distração pelo menos no ano novo. Robert já me ligou avisando que vai levar eles para a casa de veraneio.

Sara que não gostava de nada que ouvia achava inadmissível ele querer impor aquilo a seus filhos, ele poderia achar que julgava o que era melhor para eles mas no fundo só estava os afastando cada vez mais.

—Eu vou subir para me trocar e descansar um pouco. Sara, mais tarde vá até o meu escritório para eu acertar o seu salário esse mês.

Grissom saiu para o seu quarto, precisava tomar um banho e comer alguma coisa mas o seu corpo estava cansado e precisava mesmo era de dormir mas ainda haviam outras responsabilidades. Já em seu quarto, sentou-se na cama, livrou-se de seus sapatos e jogou-se na cama. Fitando o teto ele tentava encontrar uma razão para ainda não ter surtado: Sua vida era um caos, seus filhos cada vez mais estavam afastados dele e não tinha nenhum motivo para estar alegre.

Em um impulso levantou-se e foi até a gaveta do criado-mudo, alguns objetos pessoais estavam ali mas o que ele buscava era a carta de Maggie, quando sentia-se daquela maneira gostava de se torturar relendo.

Grissom.

Eu sei que você jamais irá apoiar a minha decisão e talvez ninguém que esteja próximo de mim apoie. Não peço que me perdoe ou ao menos tente compreender tudo o que aconteceu mas saiba que em momento algum a minha partida tem a ver com você. Essa partida só diz respeito a mim.

Eu preciso me encontrar de alguma maneira, toda essa rotina me fez perder a essência de quem eu sou, não me reconheço mais diante do espelho. Meus sonhos foram alcançados mas eu não me sinto feliz. Queria ter uma oportunidade de poder fazer você e todos entenderem o que acontece comigo, não existe uma maneira fácil de partir, não existe uma maneira de ir e não ferir ninguém.

Eu não suportaria ir embora e olhar no seus olhos e ver decepção no lugar desse oceano azul, não conseguiria explicar para Jason que eu não estaria mais ali ao lado dele quando ele acordasse e muito menos para a nossa princesa Emma que nossas tardes não seriam mais a mesma.

Não existe melhores palavras para descrever tudo o que eu sinto em partir, talvez nunca ninguém entenda o que realmente tenha acontecido comigo mas saiba que tudo isso é para o bem de todos.

Eu preciso partir, eu preciso saber quem eu sou, eu preciso encontrar a essência da minha vida. Me dói muito ir embora mas me dói muito mais saber que estaria ao seu lado sem poder ser quem eu sou 100%. Eu não deixei de amar você ao tomar essa decisão e jamais vou deixar de amar nossos filhos mas eu preciso ir.

Um dia talvez a gente se encontre novamente, quero que me conte tudo o que eu perdi durante esse tempo que eu estive fora ou talvez esse seja o nosso adeus. Mas saiba que onde quer que eu esteja a cada minuto estarei pensando em vocês.

Não peço que me perdoe ou me entenda.

Diga para Emma e Jason que agora eu sou uma estrela que olha por eles onde quer que eles estejam, diga para eles que vivam tudo o que o mundo oferece para eles viverem, diga a eles que não existe sonhos tão longes que não possam ser alcançados.

Da onde eu estiver eu vou amar vocês.

Partir dói, eu sei disso, mas ter a certeza de um doce reencontro é melhor ainda.

Eu amo você, Grissom. Eu amo do fundo do meu coração, quero que você seja o homem mais feliz desse mundo.

Não se preocupe, deixei tudo o que eu tinha no nome dos nossos filhos, acredito que isso dará a eles uma vida tranquila até a faculdade.

Eu amo você.

Até breve ou um doce adeus.

Maggie Woolf.

Ele não compreendia o por que ele não havia rasgado aquela carta ainda, talvez ele precisasse daquele papel para ver que tudo aquilo era real não era nenhum pesadelo ou uma ilusão da sua mente. Ele não sabia administrar a incerteza que era viver sobre as palavras daquela carta, não sabia se ela um dia voltaria ou aquele adeus era uma despedida sem voltas.

...

Sara tinha acabado de sair do quarto de Emma, ela estava decepcionada com o seu pai. Após uma longa conversa e lágrimas derramadas a menina acabou se rendendo ao sono, como promessa quando seu avô chegasse para busca-los iria chamar a menina. Com um beijo na testa ela se despediu da menina com o coração apertado.

Queria tanto ter um botão para desfazer todas as bobeiras que seu pai fazia.

A porta do quarto de Jason além de fechada agora permanecia trancada, ela ainda tentou conversar com o menino que educadamente disse que não estava afim de conversa, avisou a ele que quando deu avô chegasse também o avisaria.

Do corredor ela viu a luz do escritório de Grissom acesa, respirou fundo e foi em direção ao local. Queria poder ter uma conversa franca com ele, poder quem sabe ajudar ele lidar com tudo isso, querendo ou não ela sabia o que era a dor do abandono, com ela não houve carta de despedida ou palavras bonitas.

Somente sangue e gritos.

—Com licença, Grissom.

Ele estava inerte nos seus pensamentos, fitando a mesa bagunçada ele não notou a presença dela ali, Sara entrou e sentou-se na sua frente com as mão cruzadas na sua frente.

—Oi Sara. Vou acertar com você o seu salário. Precisa de folga hoje?

Limitou-se a negar com a cabeça e permanecer em silêncio fitando suas mãos. Havia algo em Grissom que a deixava tensa, seu olhar pesado pairando sobre ela a deixava desconfortável.

—Você pode me olhar? – Ele tamborilou os dedos na mesa- Você não precisa ser durona comigo também.

—Eu não sou durona com você. – Deu de ombros e levantou o olhar. Novamente aquele olhar pesado encontrou com o dela.

—Você sabe que somos bem parecidos.

—Por que você diz isso?

—Nós dois temos um grito preso na garganta. As pessoas podem até não achar isso de você mas eu vejo.

Sara virou o rosto e encarou a grande janela de vidro, não sabia o por que ele havia iniciado aquela conversa e não sabia o rumo que aquilo tomaria. Talvez ele estivesse se sentindo vulnerável depois que ela descobriu o que aconteceu com sua esposa.

—Por que você diz isso, Grissom?

—Por que nós dois fomos abandonados, cada um com a sua forma de agressividade.

Ela voltou a encarar Grissom, dessa vez ele mantinha uma postura ereta na cadeira, girava um pouco o corpo na cadeira e segurava uma caneta próximo aos lábios.

—Então nós dois sabemos o valor que tem uma aproximação e carinho. Não acha?

—Concordo com você. Como você consegue lidar com isso? – Ele balançou a caneta no ar como estivesse escrevendo algo.

—O tempo, único e eficaz remédio.

Ele riu baixinho, já se fazia dois anos e ainda não havia mudado nada. Tinha dias que ele nem se lembrava do que havia ocorrido mas dias como aqueles o problema e a ferida estavam latente.

—A nossa vida é anestesiada, sentimos muito mais o que suportamos e com isso a vida só passa.

—Só não deixa esse peso recair sobre seus filhos, Gil. Eles não merecem carregar tanto peso de uma vez só.

—Me ajuda a ser como você.

Grissom apoiou os cotovelos sobre a mesa para poder ver Sara mais de perto, quis poder toca-la mas não julgou ser o certo buscar suas mãos ou qualquer outra parte do corpo. Sara ficou sem reação, aquilo seria um pedido ou um apelo para tentar se aproximar de seus filhos pois esse era o único vínculo.

...

Jason e Emma já haviam ido viajar com os avôs, nenhum dos dois procurou o pai para se despedirem, um ótimo jeito de se iniciar um ano. Naquela casa não havia nada o que se comemorar ou esperar para um novo ano, a árvore de Natal era a única coisa iluminada naquele local pois os outros eram meros coadjuvantes.

Grissom estava vendo televisão na sala ou melhor a televisão estava ligada enquanto ele tinha os pensamentos em outros lugares e coisas. Sara e Stella estavam no quarto da governanta terminando de se arrumarem para poderem ir passar a virada do ano no centro de Vegas, as duas queriam estar em qualquer outro lugar naquele dia, precisavam renovar suas energias para a chegada do ano e ficar naquele local não seria o ideal.

—Querida, se você não se importar depois da virada do ano eu gostaria de voltar para casa. Não tenho mais idade e disposição para ficar até muito tarde na rua.

—Sem problema algum, mama. Após as comemorações nós podemos voltar.

—Eu fico tão triste em ver essa casa dessa maneira, minha pequena. Tão vazia e tão triste, eu as vezes sinto uma tristeza que não cabe no peito.

—Stel, somos fadados a viver aquilo que cativamos. Eu sei que Grissom não tem culpa nenhuma nessa partida de Maggie mas ele não pode deixar que as crianças vivam dessa maneira.

—Eu sei, minha pequena. Eu sei! Mas eu tenho muito medo de quando ele perceba ou tenha forças para seguir em frente já seja muito tarde.

Ambas terminaram de se aprontar, Stella havia escolhido um belo conjunto social perolado que havia ganhado de seu marido alguns anos antes dele morrer, uma sapatilha na mesma cor e um discreto par de brincos e para proteger do frio um sobretudo branco. Ela quase não saia de casa para se divertir ou comemorar algo mas naquele dia quis se produzir um pouco mais.

—Você está linda, Stella. Adoro ver você assim.

—Digo o mesmo de você minha pequena e acho que já está na hora de você ter um relacionamento. Não acha?

Sara sorriu e foi até o espelho terminar de se maquiar, como a noite estava previsto esfriar demais Sara optou por usar uma calça branca com uma blusa de lã cinza, não era ligada a cores para usar no ano novo, seu sobretudo bege iria a proteger do frio que fazia.

—Podemos ir, Stel. Nossa reservas estão marcadas para daqui trinta minutos.

—Vamos logo então, vamos somente nos despedir de Grissom e podemos partir.

Grissom que vestia um moletom cinza com um casaco do laboratório estava no sofá coberto com uma grossa manta, na televisão um filme de Hitchcock estava passando, todas as luzes da casa apagada e somente a televisão iluminando o ambiente.

—Nós já vamos, Grissom. Tem certeza que não quer sair conosco? – Stella que havia acendido a luz da sala não se surpreendeu ao encontrar o seu patrão naquele estado, alguns anos antes ele ainda ia até a casa de seus sogros ficar com eles mas ultimamente seu ano novo era naquele estado mesmo.

—Não, Stella. Agradeço o convite mas quero ficar em casa. Vocês duas estão muito bonitas. Divirtam-se.

Sara olhou para Grissom e ambos abriram um sorriso tímido.

Cabeça dura.

...

A virada do ano naquele restaurante predileto de Stella não havia sido diferente, todos os anos as duas se encontravam ali para comemorar. Naquelas datas Stella se permitia tomar uma ou duas taças de seu vinho predileto e comer uma comida que não fosse a sua. Após todas as comemorações as duas retornaram para casa, já em seu carro Sara pegou a estrada rumo a casa dos Grissom’s.

Na virada do ano pediu internamente que tudo desse certo para aquela família, eles não mereciam viver daquela forma. Já na garagem deu falta de seu celular, a noite e a conversa com Stella estava tão agradável que nem lembrou-se do seu aparelho, somente deu falta quando pensou em mandar mensagem para Mary, David e Simon e se conseguisse ligar para Jason e Emma.

—Stella, eu já vou me deitar mas antes eu preciso ir até o quarto de Emma. Agora que eu me lembrei que eu deixei o celular no quarto dela.

A governanta assentiu e disse que a esperaria em seu quarto. Sara guardou as chaves do carro no seu sobretudo e entrou pela porta da garagem que dava acesso a cozinha, olhou para sala e viu que Grissom já não estava mais ali, talvez tivesse mudado de ideia e saído de casa ou até mesmo uma emergência no laboratório.

Subindo rápido pelo os degraus foi direto para o quarto de Emma, o aparelho estava na mesa da menina, uma rápida checada e viu que tinha duas ligações perdidas de Mary. Suspirou fundo quando viu a luz fraca vindo do quarto de Grissom acesa, provavelmente a luz de algum abajur. Ele ainda estava ali.

Para passar para descer as escadas precisaria passar pela porta do quarto dele, não sabia se bateria ali para desejar um feliz ano novo ou deixaria isso para o dia seguinte. Achou melhor ficar com a segunda opção.

—Sara?

Ela parou na porta do quarto dele quando ouviu ele a chamar, esperou que ele fosse até a porta para poderem conversarem mas o silêncio permaneceu. Ficou ali estagnada sem responder.

—Você pode entrar?

Notas finais
Maggie foi-se e deixou uma "senhora" carta para explicar tudo o que estava acontecendo. Para ela, ela não se encontrava e nem ao menos tinha prazer te ser quem ela estava sendo. Estava ali sendo somente uma cópia de segurança dela. Mas garanto a vocês que não é só isso mas vamos deixar os motivos para outros capítulos. Viram que Grissom continua sendo cabeça dura mas até nada de novo para ele mas ele deixou escapar uma coisa hoje (: E para finalizar: Sara entra ou não entra nesse quarto? O que está aguardando ela do lado da porta? Só um detalhe, o sobrenome da Maggie é em homenagem a uma escritora que eu sou apaixonada que é a Virginia Woolf e que na história tem o mesmo nome que a mamãe da Maggie.