Sim, Senhor.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Ela nunca tinha entrado no quarto dele, o máximo que já havia visto do cômodo era quando a porta estava aberta. O ambiente era todo pintado na cor cinza, a mesma cor do quarto de Jason. Um enorme guarda roupa embutido preenchia uma das paredes, pintado na cor de mogno, o quarto tinha poucos móveis, um painel ficava atrás de sua cama e dois criados-mudos pretos ao lado da cama. Nada de foto ou qualquer outra coisa pessoal por ali, somente um quadro com algumas imagens de insetos ficava na parede.
O ar condicionado estava ligado, como não bastasse o frio que fazia naquela madrugada. Sara entrou e o ambiente ainda estava escuro, como ela suspeitava apenas o abajur e a luz do notebook sobre a cama iluminava o quarto e a cortina fechada trazia obscuridade.
Ele parou em pé na frente dela, não teve reação e agiu totalmente no impulso ao pedir que ela entrasse.
Não que estivesse arrependido.
Parada ali no quarto dele, ela não tinha o que fazer a não se esperar que ele tomasse alguma iniciativa. A conversa que eles tiveram mais cedo ainda rondava a cabeça dela.
—Feliz Ano Novo. – Ele tentou esboçar um sorriso mas não deu muito certo, fazendo que ara desse uma risada discreta e ele acompanhou-a, algo dentro dele o fazia se sentir um pouco leve ao lado dela.
—Feliz Ano Novo, para você também.
Novamente o silêncio constrangedor, ele batendo as mãos na lateral do corpo e Sara fitando o chão. Constrangedor ficar em silêncio no quarto do seu patrão, na real ela nem queria estar ali, ficou feliz no fato da casa estar vazia e ninguém passar por ali e interpretar de outra forma.
—Bem, vou me retirar. Tenha uma boa noite e novamente feliz ano novo.
Grissom ainda permanecia parado na frente de Sara sem esboçar muita reação, levou a mão na nuca e coçou como um adolescente envergonhado, não sabia como reagir e nem o que fazer naquele momento. Se sentia totalmente solitário e sabia que ela também se sentia assim.
—Obrigada por estar aqui e me desculpa por jogar um fardo tão grande sobre você.
—Não existe peso algum. Só precisamos fazer alguns ajustes para poder dar certo.
Ele meneou a cabeça positivamente, por um impulso ou por vontade própria ele delicadamente envolveu Sara em um abraço, envolveu seus braços um pouco acima da cintura dela. Sara que por segundos assustou-se com o abraço aos poucos tentou retribuir o abraço, não apoiava as atitudes daquele homem mas reconhecia que ele “errava tentando acertar”.
—Tudo vai dar certo. – Sara deu duas leves batidinhas no ombro de Grissom enquanto desfazia do abraço.
—Me desculpe agir dessa forma, Sara. – Ele levou as duas mãos até a cabeça e coçou seu cabelo. – É só um turbilhão de ideias.
—Não há problema algum, você não faz ideia de quantos estranhos me abraçaram hoje na rua.
“Ei, se liga. Você não passa de um estranho para ela”
Sara retornou para o quarto onde Stella estava, a governanta já havia caído no sono, uma rápida olhada no relógio e os ponteiros marcavam 01:45 da manhã, pegou o celular e viu que havia algumas ligações perdidas, duas ligações de Mary e uma ligação de Hank. Ela sabia que o paramédico provavelmente ainda estava comemorando o ano novo por algum canto de Vegas, ainda estava cedo para ela estar em casa e naquela noite ela quis estar com Hank.
Uma mensagem surgiu na tela, Jason havia enviado um sms para ela desejando um feliz ano novo e muita sorte para ter que aturar o pai dele durante esses dias em que eles estivessem longe.
Ela ainda estava tentada a sair e ir encontrar o Hank. Enviou uma mensagem para ele para poder saber a localização. Sua intenção era não voltar para a residência de Grissom naquele dia, não achava certo fazer da casa deles um local de hospedagem.
“Estou na casa do David junto com a Mary e Simon e mais da metade da faculdade. Venha para cá, quero começar o meu ano do seu lado.”
Hank
Mordeu os lábios ao terminar de ler o conteúdo da mensagem, pressionou o celular contra a sua mão e procurou um pedaço de papel para avisar a Stella que ela havia saído novamente, não queria preocupar a senhora. Deixou o pequeno bilhete bem ao lado dos óculos de grau, pegou a chave do seu carro e fechou a porta bem vagarosamente para não acorda-la.
No fundo parecia que estava saindo escondida de alguém.
Ao passar pela cozinha assustou-se com Grissom sentado na mesa segurando uma caneca e seu olhar perdido no escuro do ambiente.
—Me desculpe, Sara. Não tive a intenção de te assustar.
—Não tinha como você adivinhar que eu iria aparecer aqui. – Sua respiração ainda voltava ao normal, levou um susto quando viu a silhueta de uma pessoa sentada na cozinha, estava tão empenhada em sair sem ser notada que não se deu conta que o dono da casa ainda estava ali.
—Resolveu curtir um pouco mais o ano novo?
—Alguns amigos me convidaram para sair um pouco.
—Aproveite sua noite. – Grissom ergueu sua caneca em direção a Sara e logo em seguida abaixou sua cabeça, fechou os olhos e levou sua mente para longe daquela casa.
Sara foi até a porta mas havia algo que a não deixava sair daquele lugar, a mensagem que Jason havia enviado voltou a sua mente “muita sorte para aturar meu pai”. Rodou o chaveiro entre seus dedos e pendeu cabeça para trás. Voltou até a cozinha onde serviu-se de uma xícara de café.
—Você quer conversar? – Sara sentou-se de frente para Grissom. Quando ele abriu os olhos ela viu nele uma coisa que muito a agradava: a imensidão de seus olhos azuis, ela sorriu e em seguida deu de ombros.
—Você não ia sair? – Grissom depositou a caneca preta sobre a mesa e cruzou os dedos sobre o mármore branco.
—Sim.
—E não vai mais?
—Olha, eu não acho que traz sorte a gente iniciar o ano tão quieto e sozinho. Se você quiser conversar.
—Tudo bem. – Ele sorriu meio sem jeito e sem entender onde ela queria chegar. – Sobre o que exatamente você quer conversar?
—Sobre qualquer assunto. –Ela livrou-se do cachecol preto que usava e de suas luvas, o café estava quente o suficiente para aquece-la.- Fala de você, deve ser mais fácil.
—Como assim, falar de mim?
—Vou te mostrar, é fácil. Me chamo Sara Sidle, estudo física e meu hobbie predileto é dormir.
Ele riu e mordeu o lábio inferior, com a cabeça pendendo para trás ele balançava.
—Desde quando dormir é um hobbie, Sara? Dormir é necessidade.
—Dormir de 8h a 9h por dia é necessidade, acima disso é hobbie. Agora é a sua vez. Viu como é simples iniciar uma conversa?
—Ok. Me chamo Gilbert Grissom, sou supervisor do turno noturno do laboratório forense de Las Vegas e meu hobbie predileto é andar de montanha russa.
—Montanha Russa? – Sara fez uma careta e encarou ele.
—Você quer realmente julgar quem tem o hobbie mas peculiar? – Ele arqueou uma sobrancelha e deu a última golada no café que ele tomava e Sara por sua vez projetou os lábios para frente fazendo um bico.
—O que você sente enquanto está na montanha russa?
—Livre e vivo por alguns instantes. – Seu semblante fechou e carregou na hora. Não sabia por que ele trazia a tona esses sentimentos tão íntimos para perto de Sara, talvez por ela ser totalmente alheia naquela história ficasse mais fácil falar sem ser julgado.
Sara quis mudar totalmente o rumo daquela conversa, não que ela se incomodasse com aqueles devaneios que seu chefe dava quando eles conversavam mas queria tirar o foco da tristeza que ele carregava.
—Jason me enviou uma mensagem.- Sara rodou a ponta do indicador na borda da xícara, no fundo sentiu um pouco de arrependimento por ter comentado isso, pela maneira que Jason e Emma deixaram aquela casa seria muito difícil que eles tivessem se comunicado.
—Eles estão bem?- Ele permaneceu com a cabeça abaixada, fazendo o mesmo gesto que Sara ao brincar com a borda de seu caneca.
—Estão sim. Você sabe quando eles voltam?
—Emma volta amanhã, já Jason pediu para ficar na casa do vó durante uns dias. Robert me ligou mais cedo e disse que ele quer ficar com eles por um tempo, Emma também queria mas Jason não quis que a irmã ficasse longe de casa.
—Vocês dois precisam de um descanso. Não um descanso um do outro mas um descanso para vocês colocarem o ânimo do lugar. – O celular de Sara vibrou mais uma vez e Grissom reparou como ela logo visualizou o aparelho. Levantou-se e foi até a pia deixar a caneca, não queria fazer Sara perder a sua noite conversando com ele pois ela merecia se divertir naquele dia.
—Bem Sara, se você não se importa eu vou para o meu quarto. Vou aproveitar e terminar de ler alguns relatórios dos peritos e tentar dormir um pouco.
—Tudo bem. – Sara tamborilou os dedos na mesa e também ficou de pé. Vestiu seu cachecol e luvas. – Você não quer ir comigo?
—Não, obrigado. Acho que meus programas de ano novo são menos atrativos que o seu. Aproveite bem o seu início de ano.
—Feliz Ano novo, novamente.
Sara saiu em direção a garagem, queria muito entender o porquê aquele homem era daquele jeito. Será que ele não percebia que a armadura que ele carregava era tão pesada que o sufocava? Ela não tinha o poder de mudar tudo o que acontecia naquela casa mas sabia que poderia ajuda-los de alguma forma.
Entrou em seu carro e pegou o seu celular, acionou a sua lista de contatos e selecionou o contato de Jason para poder enviar uma mensagem para ele.
“Você quer realmente iniciar um ano novo mantendo os erros antigos?”
Sara Sidle.
Grissom entrou no seu quarto e desligou o seu notebook, a escuridão tomou totalmente o seu quarto. Fechou os olhos com força e abriu, deixando assim que os adaptassem a escuridão. A ligação de seu sogro Robert voltou a cabeça, ele já esperava que um dia seus filhos iam preferir estar longe dele e ele era o culpado disso.
A culpa não era de Maggie.
Era somente dele que não soube reagir.
“—Grissom, preciso conversar com você. Preferi deixar Virginia fora desse assunto por que você sabe como ela reage a esses tipos de assunto.”
—Que tipo de assunto, Robert?
—Jason e Emma querem passar uns dias aqui em casa, até então eu não vi nenhum problema mas Emma deixou escapulir que queria eu buscasse seus matérias para quando as aulas iniciassem eu pudesse leva-la para escola.
—Isso é sério.
Grissom ficou mudo do outro lado do celular, ele estava parado de frente para a lareira da sala. O calor aquecia um pouco o ambiente.
—Você só me diz isso? Gil, por favor! São seus filhos pedindo para estar longe de você. Jason me contou a briga que vocês tiveram, eu não vou entrar nesse mérito por que eu sei que usou palavras muito duras contra a minha filha mas também eu não serei hipócrita em falar que você mentiu quando disse essas coisa a respeito dela mas por favor homem... Jason é somente uma criança.
—Robert, eu peço perdão sobre a maneira que eu me referi a Mag, digo Maggie, mas eu não posso carregar essa culpa. Foi ela quem quis ir embora.
—Grissom.- Seu sogro o interrompeu, não de uma maneira grosseira mas sim de uma forma que pudesse abrandar o rumo da conversa.- Não estamos falando da ausência da minha filha, eu não faço ideia onde ela possa estar nesse momento, estou falando de seus filhos. Não deixa que isso aconteça. O que você acha que passa na cabeça deles em saber que eles estão sendo abandonados mais uma vez e dessa vez pelo o pai deles? Dê um jeito nessa confusão antes que tudo isso piore.
—Eu vou providenciar uma solução, só não sei por onde começar.
—Que tal começar conversando com eles? Não precisa estancar a ferida ou nem entre no assunto.”
Como contar para os seus filhos a história em que ele mesmo não sabia o que estava acontecendo direito?
...
Grissom havia decidido que tentaria uma aproximação com Jason e Emma, sabia que com o rapaz seria mais difícil já que a briga foi diretamente com ele. Como ainda estava de sobreaviso aproveitou para ir até a casa de seus sogros. Estava disposto a pelo menos ouvir tudo o que Jason poderia falar para ele, estava decidido que mesmo que se o rapaz iniciasse uma discussão ele não revidar.
—Que bom que você veio Grissom. Virginia e Emma saíram para irem ao supermercado faz uns 10 minutos mas Jason está aí.
—Assim é melhor, não quero que Emma escolha um lado para apoiar.
Robert deu uma risada sarcarstica, se Grissom ainda não tinha entendido ou não tinha feito uma leitura correta da situação mas Emma já tinha decidido ficar ao lado do irmão dela, pelo menos Jason sempre estava presente com ela. O senhor avisou que o rapaz estava no antigo quarto de Maggie, para os dois ficarem mais à vontade ele decidiu sair de casa.
Grissom entrou pelo o corredor e um pequeno filme passou pela a sua cabeça, várias fotos estavam penduradas nas paredes, diversos momentos de toda a família tinha sido escolhido a dedo por sua sogra para estampar ali. Havia fotos de Maggie e Carol ainda criança brincando no jardim daquela casa, foto das viagens de Carol, foto da formatura de Maggie e a mesma foto que estava como proteção de tela do seu notebook estava ali.
Parou um pouco antes da porta do quarto do quarto, encostou a cabeça contra a parede e fechou os olhos, não tinha ideia de como iria iniciar aquela conversa e muito menos sabia se seu filho iria aceitar conversar com ele. Deu duas batidas na porta mesmo estando aberta e parou na soleira.
—Ah, é você. – Jason estava sentado segurando o violão preto que era do seu avô, ele não sabia muitos acordes mas quando tinha oportunidade gostava de treinar o pouco que sabia.
—Como você está?
—Bem.- Ele voltou a ler a partura que estava sobre a cama.
—Podemos conversar?
Jason deu de ombros e Grissom entrou no quarto e sentou-se na cama de solteiro que até hoje Virginia fazia questão de manter. Pelo o que Maggie falava o quarto continua da mesma forma desde a adolescência de Maggie e isso explica o fato do quarto ter tantos pôsteres e fotos espalhadas.
—Queria pedir desculpa pela a maneira que eu tratei você.
—Meu avô falou para você que eu quero ficar aqui um tempo, né?
—Não é por isso que eu estou me desculpando com você. – Grissom virou-se de forma que pudesse encarar Jason. Quando ele estava interrogando algum suspeito junto com o capitão ou qualquer outro sargento ele gostava de manter um contato visual, dava mais credibilidade. Naquela hipótese não haviam suspeitos, somente queria que seu filho pudesse ver que ele estava sendo sincero.
—Eu sei que é por isso.
—Jason. Por favor, não tem porque criamos todo esse clima. Você me conhece e sabe como eu não gosto de fazer drama.
—Você acha que o que eu sinto é drama? – Jason colocou o violão sobre a cama e empurrou a cadeira onde estava até encostar na parede.- Sério mesmo que você vem aqui me pedir desculpas e fala isso?
—Você precisa sair da defensiva para podermos conversar como duas pessoas civilizadas. Da última vez que iniciamos uma conversa dessa forma tanto eu quanto você saímos satisfeitos com o resultado.
—O que você quer com tudo isso?
—Quero te pedir desculpas.
—Só?
Grissom no fundo queria mudar a maneira de tratar seu filho mais velho, ele sabia que ele o negligenciava muitas vezes por achar que Jason sabia lhe dar com toda aquela situação, ele reconhecia que seu filho tinha a sua personalidade porém não se preocupou em observar que além da partida da mãe ele ainda sentia a ausência do pai.
—Quero também tentar me aproximar de você, não tenho uma receita mágica que faça que sua mãe apareça em nossas vidas novamente mas posso tentar ser uma pessoa melhor para você.
Jason levantou-se e encarou o seu pai, queria muito no fundo acreditar no que seu pai falava e sabia que não tinha motivos para desconfiar da promessa dele mas acima de tudo ele estava muito magoado com ele. Sempre quis que seu pai fosse presente em sua vida, queria poder confidenciar a ele coisas que aprendia com a vida, queria simplesmente estar ao lado dele mesmo não fazendo nada, queria ter certeza que ele não iria partir como sua mãe havia feito.
—Você sente saudades da minha mãe?
—Posso te propor uma coisa antes de responder a sua pergunta?
Jason revirou os olhos e deu de ombros. Seu pai não era enigmático então sabia que ele devia ter pensando em cada palavra para falar naquela conversa.
—Se agasalhe bem, coloque touca, cachecol e luvas. Vou te esperar lá na sala.
—O que foi? Vamos esquiar como bons pais e filhos felizes?
—Jason, saia da defensiva. –Grissom espalmou a mão na coxa e levantou da cama, passou pelo o corredor onde ficava as fotos e por alguns segundos pode sentir como Maggie ainda estivesse naquela casa, em todas as fotos Maggie estava sorrindo e naquele momento ele quis saber se ela ainda preservava aquele sorriso.
Alguns minutos depois Jason surgiu na sala usando o seu velho gorro azul e o cachecol da mesma cor, devidamente aquecido Grissom falou que ela iriam a um pequeno bosque que ficava alguns minutos da onde eles estavam. Jason não fazia a menor ideia onde eles iriam e não sabia o porquê de ter aceitado a proposta de seu pai mas bem no fundo sentia que em algum momento aquilo faria sentido.
—Quer tentar dirigir, eu posso...
—Não.- Jason interrompeu seu pai e entrou do lado do carona. Ele nunca havia feito questão de ajuda-lo e aquilo era somente uma tentativa de tentar amenizar a situação.
Grissom entrou no carro e ficou sem saber se havia tomado a decisão correta, iria levar Jason a um lugar particularmente intimo entre ele ee Maggie, talvez ele precisasse estar ali muito mais que Jason, até entrar pelo os corredores da casa de seus sogros ele não tinha ideia que iria fazer aquilo, estava fora dos seu planos.
No fundo também queria sentir um pouco da presença dela.
Dirigiram por longos minutos sem trocarem uma palavra, Jason que estava com o iPod no bolso resolveu colocar os fones para pôr fim em qualquer tentativa de Grissom para iniciar uma conversa. Jason não conhecia o local onde eles estavam, o bosque era perto da antiga escola primaria onde ele estudou alguns anos atrás, sempre passou perto da entrada mas nunca teve a curiosidade de entrar.
Grissom saiu do carro e Jason o fez logo em seguida, ainda em silêncio caminharam por um pequeno aclive rodeado de arvores, no local haviam poucas pessoas somente algumas pessoa se exercitando e um grupo de jovens conversando no local. Finalmente Grissom chegou onde ele queria e aquele local parecia sempre está ali ansiando pela a chegada de Maggie.
—Sente-se. – Grissom já havia sentado, a visão que ele tinha era de uma parte de Las Vegas e ele gostava de admirar ainda de dia quando a cidade parecia como outra qualquer. Jason que estava parado com as mãos no bolso – habito que havia herdado de seu pai- também observava a cidade, revirou os olhos com o pedido de seu pai e sentou-se no outro banco.
—Sua mãe adorava vir a esse lugar. Falava que esse lugar aproximava ela do universo, do cosmo, do céu e de toda energia boa.
Jason sorriu ao ouvir seu pai falar daquela maneira, sua mãe sempre foi uma amante do céu e adorava ler revistas cientificas a respeito, gostava de ler e entender sobre astrologia, fazer tudo isso era um dos seus hobbies prediletos.
—Por que vocês nunca trouxeram eu e Emma até aqui?
—Para ser sincero eu não sei os motivos.- Grissom olhava fixamente para o horizonte, nunca tinha ido até aquele lugar sem a companhia de sua esposa.- Acho que acabamos nos perdendo na rotina e aos poucos fomos esquecendo desse lugar.
—Depois que eu nasci vocês voltaram aqui alguma vez? – Jason também olhava para o horizonte tentando encontrar alguma rastro da presença de sua mãe ali. No fundo entendia porque ela gostava daquele lugar.
—Algumas vezes mas depois decidimos nos mudar para aquela casa e com isso dobramos nossos turnos e o tempo foi cada vez ficando mais curto.
Uma brisa suave correu pelo o bosque, as folhas balançavam como acenassem para os dois, o céu em crepúsculo abrilhantava o local.
—Eu não entendo como você e minha mãe se deram certo, vocês são opostos em tantas coisas.
—Foi exatamente por isso que eu me apaixonei por ela, Jason. Maggie foi para mim um novo começo, talvez se eu estivesse com uma pessoa como eu sou não daria certo. Quando ela começou a falar sobre o cosmos ou tentar me convencer que eu sou dessa maneira por conta do meu signo foi que eu me dei conta que eu amava ela.
Jason sorriu e encarou seu pai que ainda olhava para o horizonte, talvez estivesse relembrando de algum momento que passaram naquele local. Ele se lembrava exatamente como seu pai havia mudado desde a partida de sua mãe, Grissom emagreceu assustadoramente, virou um viciado em acumular horas extras no laboratório, passava horas trancado em seu quarto e poucas vezes via ele relaxado ou tranquilo em casa.
—Você ainda acha que ela possa voltar?
Grissom olhou para o seu filho. Encarar Jason era o mesmo que encarar Maggie, os mesmos traços físicos estavam ali, o mesmo olhar fixo, o mesmo lábio entreaberto e o mesmo olhar confiante.
—Eu não sei. – Ele retirou os óculos e pressionou o polegar e o indicador contra seus olhos. – Ela teve seus motivos para ir, quem sabe um dia ela encontre um motivo para voltar.
—Você ainda ama ela?
Ele hesitou em responder, no fundo ele sabia a resposta mas não poderia ser tão direto com ele, sabia que o rapaz nutria sentimentos muito fortes por sua mãe.
—Com o tempo eu desaprendi a amar pelo os dois.
Ele entendeu as entrelinhas.
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