Sim, Senhor.
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Tudo estava muito tranquilo, Jason e Emma de férias a casa sempre vivia movimentada, mas por parte de Emma que era uma criança brincalhona e alegre. Nas noites eles sempre inventavam alguma coisa para fazer, a atividade favorita da menina era ouvir o seu irmão tocar violão e cantar mas ultimamente ele não vinha fazendo muito isso.
Com Sara ali ela havia encontrado outras maneiras de se divertir, ela que era muito criativa sempre criava desenhos e depois ficavam juntas inventando histórias para aquelas imagens, aquelas brincadeiras duravam horas e algumas vezes ambas caiam no sono no quarto de Emma.
Naquela noite em especial elas estavam acabando de enfeitar a árvore de natal, a bela árvore de 1,60 iria ficar na sala perto da lareira, as bolas douradas e vermelhas completavam e embelezavam, alguns pequenos pinhos e estrelas completavam a ornamentação. Com muita paciência e cuidado as duas conseguiram desembolar os pisca-piscas que a muito tempo estava enrolado naquelas caixas.
Para Emma, ter aquela árvore montada era ter um pouquinho de sua mãe ali.
—Só falta colocar a estrela, Em. Quer que eu te erga para você colocar?
—Sim, Sarinha. Depois podemos ligar as luzes para vermos como fica?
Sara assentiu e logo em seguida levantou Emma na altura suficiente para ela conseguir colocar a estrela. A árvore estava linda como havia visto poucas árvores daquele jeito, tudo ali combinava e não tinha nada de extravagante.
—Bom trabalho, mocinha. Agora vamos arrumar essa bagunça para a gente poder ver o filme e depois cama.
—Estou de férias, Sara. Podemos ir dormir mais tarde e aliás meu pai não está em casa.
Sara havia decidido que iria estipular um horário para Emma dormir, ela era muito nova para ter uma rotina tão desorganizada, ela sabia o mal que aquilo poderia causar a ela. Como Stella mesmo havia falado cada um naquela casa tinha uma rotina diferente mas ela não poderia se prejudicar por negligência de Grissom.
—Nada disso, senhorita. Regra é regra, podemos extrapolar os horários só no fim de semana. Combinado?
—Combinado, Sarinha.
Sara afagou o cabelo da menina e foi ajudar com a arrumação da sala. Uma rápida arrumada e tudo estava na perfeita ordem novamente. Stella que havia se juntado a elas, estava sentada no sofá dividindo o mesmo cobertor que as duas, a pedido de Emma que adorava aquele filme estavam assistindo “A Noviça Rebelde”, a senhora já havia perdido as contas de quantas vezes havia visto o filme com Emma.
—Moças, estou saindo. Vou sair com a Alesha e o Tom, volto mais tarde.
—Seu pai sabe que você ia sair?
—Sabe sim, Sara. Falei com ele mais ontem e acabei de enviar uma mensagem para ele.
—Juízo então e volte no horário que ele estipulou. – Pediu Stella para evitar maiores transtornos.
Stella que não gostava que ele saísse de casa sem que seu pais estivesse em casa, pediu internamente que nada desse errado nessas saídas que ele dava, era algo raro porém sempre a preocupava.
Prenderam a atenção novamente no filme e depois dos primeiros 45 minutos de filme, Emma e Stella já haviam dormido, talvez Stella estivesse cochilando mas Emma era certeza que já havia dormido. Como as duas estavam bem acomodadas, Sara achou melhor de terminar o filme, não era muito ligada a televisão mas o filme estava interessante.
Em certo momento começou a pensar em Grissom, ele era um homem fechado e muito discreto, sabia poucas coisas a seu respeito e sabia muito menos a respeito de Maggie mas nos últimos dias ele se mostrava mais estranho ainda, antes ainda tinha o trabalho de cumprimentar ela quando estavam perto e agora nem isso ele fazia. Haviam se esbarrado algumas vezes antes disso mas nada que Sara lembrasse que pudesse o ofender ou chatear.
O relógio em seu pulso marcava 23:50 e Jason ainda não havia chegado, não sabia o horário que o menino tinha combinado com o seu pai então achou melhor não se preocupar com isso, Jason era responsável.
Delicadamente levantou-se e colocou Emma em seu colo, não queria acordar a menina para ir para o quarto, nas escadas redobrou a atenção para que não houvesse nenhum acidente, a cama que previamente ela já havia arrumado estava disposta para deitar a menina. Sara a deitou e colocou um cobertor bem grosso sobre a menina, acendeu o seu abajur e saiu do quarto.
Quando voltou para sala encontrou Stella de pé arrumando o sofá e desligando a televisão.
—Jason ainda não chegou?
—Ainda não, Stel. Que horário eles combinaram?
—Geralmente Grissom estipula até 00:00 mas quando ele sai e o pai está trabalhando ele não costuma respeitar esse horário por que sabe que Grissom não vai estar em casa.
—Não se preocupe, Stel. Jovens nessa idade gostam de sair e ficar até mais tarde fora.
—Eu sei, minha pequena mas mesmo assim não fico bem sabendo que eu vou ter que acobertar mais uma desobediência dele.
—Vamos fazer o seguinte. –Sara apertou de leve o ombro da senhora. – Você pode ir dormir que eu fico acordada esperando por ele. Assim você pode ir descansar que eu fico esperando por ele, enquanto isso eu posso ver televisão ou até mesmo estudar. Não há com que se preocupar.
...
Sara estava na cozinha lendo um novo livro que tinha pego emprestado de Jason, era um romance policial de Sidney Sheldon, no relógio que ficava sobre o balcão de mármore marcava 01:15 e o rapaz ainda não havia chegado, para ela aquilo não tinha nada de anormal até o porquê o rapaz estava na idade de sair.
Ela estava com sono e queria ir deitar também mas sabia que se entrasse no quarto sem Jason ter chegado iria despertar Stella que iria tomar a guarda no lugar dela. Retornou a atenção para o livro e torceu para o rapaz não demorar.
A campainha soou alto, provavelmente ele não tinha levado as chaves. Levantou-se e certificou-se que Stella ainda estivesse dormindo, sua ideia era combinar com Jason um horário para a mulher não ficar chateada com a desobediência dele. Descalça, caminhou até a porta, ao abrir surpreendeu ao ver que Jason tinha companhia de um homem mais velho.
—Oi... aconteceu alguma coisa?
Jason que fitava o chão permaneceu em silêncio, o homem que estava ao seu lado mostrou o crachá de identificação onde lia-se Capitão Jim Brass, esticou a mão em comprimento a jovem que retribuiu sem entender o que estava acontecendo.
—Prazer, Sara. Vamos entrar para conversamos melhor aqui dentro.
Ela olhou por cima dos ombros de Brass e viu uma viatura com as luzes apagadas parada do outro lado da rua com um policial dentro. Jason que passou por Sara sem ao menos dirigir o olhar parou ao lado do capitão, com as mãos dentro do bolso do moletom ficou cabisbaixo.
—O que está acontecendo? Aconteceu alguma coisa de grave?
—Sara, eu sou o capitão Jim Brass e Jason é o meu afilhado. Hoje de madrugada o meu policial Wallians recebeu uma chamada de um estabelecimento onde dois jovens tentavam comprar bebidas alcoólicas com identidades falsas, o dono do estabelecimento que é um policial reformado logo reparou nos documentos falsos e acionou a policia.
Sara que tentava a todo custo fazer com Jason a encara-se queria entender o que se passava na cabeça dele para ter feito aquilo, nem de longe ela imaginaria isso dele. Identidade Falsa? Ele sabia o problema que ele havia arrumado?
—O policial Wallians foi designado para a ocorrência e quando percebeu que se tratava de Jason Woolf Grissom ele ligou me ligou reportando o que estava acontecendo. Você sabe que eu não tenho o controle de todas as ocorrências e que se fosse outro policial e reconhece-se você sendo o filho do Gil não iria perder a oportunidade de te levar direito para delegacia?
—Como sempre vivendo nas sombras do meu pai.
—Isso não justifica a merda que você fez, meu filho. Você sabe quais são as sanções de utilizar documentos falsos? Tenho certeza que não faz ideia do que poderia ter ocorrido com você. – Jim levou a mão no ombro do rapaz que permanecia o tempo todo com a cabeça baixa.
—Isso aqui Sara. – Ele enfiou a mão no bolso do seu paletó e retirou a identidade falsa e entregou para ela. – É o documento que ele ou sei lá quem falsificou, eu em hipótese alguma poderia estar fazendo isso aqui mas dê um jeito de sumir com isso aí. Eu já conversei com o dono do estabelecimento e ele disse que contanto que vocês não voltem lá ele não iria prestar queixa.
—Pode deixar que eu vou dar um fim nisso aqui, capitão.
—Você não falou com o meu pai, né? – Ele levantou o olhar e pela primeira vez encarou Sara nos olhos, ela balançava a cabeça em desaprovação e batia com o documento falso na sua mão.
—Claro que eu falei, Jason. Eu já acobertei uma merda sua hoje e omitir isso do seu pai já seria um cumulo.
—Merda! Merda! Merda! Eu preferia ir para a delegacia que ter que aturar os esporros do meu pai.
—Se você quiser eu te levo agora, a viatura ainda está parada lá fora mas te garanto que tudo o que seu pai te falar não será tão traumatizante que passar uma noite na delegacia. Agora veja se aprenda com o seu erro e mude. Eu não quero ter que passar a mão na sua cabeça dessa maneira novamente. Estamos entendidos?
—Sim.
Brass abraçou o seu afilhado e reforçou o pedido para ele não fazer aquilo novamente. Despediu-se de Sara que o acompanhou até a porta, de longe eles puderam ver o carro de Grissom entrando na rua da casa deles. O capitão esperou que o seu velho amigo saísse do carro para poder explicar melhor a situação. Sara sabia que o clima iria esquentar ali.
—Quando o Brass me ligou eu por um momento achei que o capitão estivesse tirando sarro da minha cara, Jason.
—Me desculpa pai.
—Onde você conseguiu essa droga de identidade falsa?
Grissom já havia entrado na sala e apontou a para Jason enquanto segurava a identidade.
—Um conhecido de Tom confeccionou para gente.
—Você só pode estar de brincadeira. Você gastou seu dinheiro e tempo para comprar bebidas. O que está passando na sua cabeça, moleque? Quer ver a sua ruina e a minha?
—Não tem problema algum nisso. As outras pessoas sempre fazem isso. Agora vai me dizer que nunca fez isso na sua juventude. – A última frase ele falou com um tom mais irônico que tirou Grissom de orbita.
—Não venha querer justificar a sua irresponsabilidade agora. – Ele aproximou mais ainda do rapaz. – E veja o seu tom de voz para falar comigo.
—Você quer saber de uma coisa? Eu estou cansado disso aqui, cansado de sempre viver sobre a sua sombra, cansado de viver nessa casa onde parece que ninguém se importa comigo, cansado de ficar sozinho. Eu queria que tivesse sido você a ir embora e não a minha mãe.
—É o que? Repete o que você falou!
Grissom fechou as mãos com muita força, sentiu a sua jugular pulsar no pescoço, sua respiração ficou mais pesada e sua frequência cardíaca disparou.
Sara estava parada na porta do quarto de Stella e da onde ela estava ela escutava os dois conversarem, Stella que abriu a porta ainda fechando o seu roupão de seda olhou para Sara parada em frente a porta.
—Que gritaria é essa, Sara? O que houve?
—Acho melhor ficarmos aqui mesmo, Stella. Jason aprontou e aprontou uma merda grande.
Sara resumiu a história enquanto Stella escutava assustada e decepcionada a história, o menino que ela tanto amava havia feito algo que ela jamais imaginaria. Ambas paradas ali escutavam os gritos de Jason.
—Isso mesmo que você ouviu, Gilbert Grissom. – Ele deu uma risada irônica e deu um passou para trás. – Eu queria que você tivesse ido embora das nossas vidas e não a minha mãe.
—Você não sabe o que está falando, Jason. Você não tem ideia do que está falando. – Grissom bateu com duas mãos na mesa da sala provocando um alto estrondo. Stella que não se continha mais achou melhor ir logo para sala para tentar acalmar os nervos dos homens.
—Ei, não vai adiantar nada vocês discutirem agora, os dois estão com a cabeça cheia. – Stella apareceu na sala tentando intervir.
—Agora não, Stella. – Grissom apontou para trás pedindo para ela sair dali.- Agora esse garoto petulante vai me ouvir. – Dessa vez ele deu um murro na porta do lavabo.
—Eu não existo para você, pai. Sua vida é só aquele laboratório, talvez se eu morresse você me daria mais atenção naquela mesa do necrotério.
Grissom passou a mão no rosto e nos cabelos, com a força que ele havia aplicado seus cabelos se arrepiaram. Coçou com força a bochecha e ficou encarando seu filho.
—Eu poderia te fazer engolir cada palavra que você me disse Jason. Você queria mesmo que eu tivesse ido embora no lugar de Maggie? Olha pra mim – Ele bateu com a mão várias vezes contra o seu peito — e veja se eu sou capaz de abandonar a minha família, você fica idolatrando uma pessoa que só pensou em si e nem sequer pensou na família que ela deixou para trás.
—Não fala assim da minha mãe! – Jason dessa vez gritou mais alto que Grissom, o jovem se aproximou de Grissom e bateu três vezes com o indicador no peito do seu pai. – Você não tem o direito de falar assim dela.
—Você que não tem o direito de falar assim comigo. Você é um moleque ingrato, Jason. Um moleque mimado, um moleque inconsequente... isso sim que você é. – Grissom que estava com dedo em riste apontava para o rosto dele.
—Minha mãe foi embora por que ninguém suporta conviver com você. – Jason já tinha lágrimas escorrendo em seu rosto. O menino pegou um enfeite de natal que estava sobre a mesa e atirou contra a parede em que Grissom estava próximo.
—Você realmente acha que sua mãe foi embora por minha culpa? Você me culpa por ela ter abandonado vocês e a mim? Você acha que tudo isso é por minha causa?
—Claro que é, minha mãe sempre me amou e amou a minha irmã.
Dessa vez foi Grissom que deu uma risada irônica, levou a mão no bolso e retirou a sua carteira, abriu e pegou um pedaço de papel dobrado.
—Quando você achar que eu sou a culpa disso tudo, você se lembra do que está escrito aqui. – Grissom jogou o papel ainda dobrado no peito de Jason. – A partir de hoje eu quero os seus eletrônicos no meu quarto quando eu chegar. Se você realmente queria que fosse embora eu vou te dar bons motivos para você se lembrar todos os dias do por que eu fiquei aqui.
Grissom pegou a chave do seu carro e bateu a porta da sala com muita força provocando mais um estrondo naquela noite. Ele estava enraivecido e principalmente magoado com as palavras de seu filho, nunca em sua vida pensou que pudesse passar por aquela situação.
Jason agachou e pegou o papel que seu pai havia atirado, aos poucos o papel foi aberto mostrando as letras de sua mãe.
Como dói ir embora quando o abraço ainda aconchega
As conversas ainda fazem esquecer de todos os problemas
E a gente ainda se entende e se ajuda tanto
Como dói ir embora quando o motivo não é falta de amor.*
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