Sim, Eu Sou Uma Guarda -Costas
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Abri meus olhos. Tive que piscar algumas vezes até minhas pupilas se acostumarem com a luz. Então me lembrei de uma poça de sangue e então... LIZ! Tentei me levantar, mas estava presa em algum lugar e minha cabeça doía.
— David — uma voz masculina disse.
Escuto barulho de passos. Levanto os olhos e vejo o mesmo homem que havia entrado no apartamento. O mesmo que havia batido na Liz e tentado me colocar a força dentro do carro. Tinha um sorriso malicioso no rosto.
— Até que enfim a bela adormecida acordou — diz e apoia-se nos braços da cadeira onde estava sentada, ou melhor, presa. — Desculpe pelas acomodações, mas você não merecia coisa melhor.
— Onde... está Liz? — minha voz saiu um pouco baixa, mas ele escutou e soltou um longo suspiro.
— Aquela sua amiguinha ruiva? — Se endireita e cruza os braços. — Ela vai sobreviver, mas apenas se você cooperar com a gente.
— O que vocês fizeram com ela? LIZ!
Olho para os lados vasculhando o local. Estava um pouco escuro, mas a luz de uma TV clareava o local. Foi então que notei que estamos numa espécie de boate. Havia um bar no canto, um sofá que contornava o palco, aonde estava amarrada.
— Pode gritar a vontade. Essas paredes são a prova de som, você ira apenas se desgastar.
— Quem são vocês? O que querem?
— Você logo terá todas as respostas que quiser. Mas terá que se comportar e fazer o que mandarmos. Entendeu? — fiz que sim com a cabeça e ele sorriu. — Ótimo. Agora, eu irei te soltar e você ira se trocar.
O que estava acontecendo? Ele deve ter notado minha reação e logo acrescentou.
— Não se preocupe, nada de mal irá lhe acontecer. E nem a sua amiga.
O outro homem que havia lhe chamado, se levanta do sofá e solta meus braços e minhas pernas. Pensei em correr, mas seria difícil. Não sabia onde estava e havia Liz. Da ultima vez que a vi, ela estava toda machucada.
— Aqui — me entrega uma sacola e me leva até um banheiro. — Não tente nenhuma gracinha.
Abre uma porta no canto da boate e me empurra para dentro. Jogo a sacola no chão e me encaro no espelho. Eu estava horrível! Queria chorar, mas isso demonstraria fraqueza. Molho o rosto e respiro fundo. Deveria haver alguma maneira de sair daquela enrascada.
Pego a sacola e abro. Quem fosse a pessoa misteriosa que iria encontrar, deveria ter bastante dinheiro.
*****
Depois de me arrumar, David e outro rapaz me esperavam sentados no sofá. Me olham de cima abaixo e me sinto estranha. Aquele vestido, era um pouco vulgar.
David coloca um saco preto em mim até chegarmos a rodovia. Haviam mais dois homens dentro do carro. Não via hora de tudo aquilo ser esclarecido.
Depois de uns longos minutos, o carro para em frente a um restaurante. Desço seguida de perto por David e mais outros dois homens. Eles estavam tranquilos, eu no entanto, tentava achar alguma maneira de sair dali.
— Bem vindos ao SkyCity. Sr. Miller, por favor me sigam. Irei mostrar-lhes as mesas — diz o maitre com um sorriso... amedrontado?
Me sentei próxima a janela e mais no fundo do restaurante. Os homens que haviam me levado até ali, se sentaram em mesas próximas. O restaurante estava vazio, exceto pelos funcionários e nós. Estava nervosa, mexia no cabelo a quase todo o momento.
O garçom logo veio anotar o meu pedido, mas não estava com fome. Enquanto ele se retirava, vi um reflexo amigável no espelho. Uma ponta de esperança e alivio percorreu meu corpo.
Não pensei duas vezes, me levantei e corri até Tate. David tentou me impedir, mas eu consegui me desvencilhar e abracei Tate que afagou meus cabelos.
— Tate, a gente precisa sair daqui — tentei o puxar, mas ele parecia tranquilo. — Por favor!
Meus olhos marejaram de lagrimas e ele me abraçou.
— Não se preocupe, você está a salva.
— Não, você não entende. Eles sequestraram Liz! Por favor, a gente tem que sair daqui!
Tento correr, mas ele me impede.
— Você não pode sair daqui.
O encaro e sua expressão é indecifrável. Tate não entendia a gravidade do problema? Me solto de seus braços e começo me afastar, mas antes que conseguisse chegar até porta, sinto uma pancada forte na cabeça e caio.
*****
Não sabia mais o que era real e um sonho. Para mim, a lembrança de Tate entrando no restaurante onde estava eu e apenas alguns caras que havia sequestrado Liz, era apenas um sonho. Mas assim que abri os olhos, me senti totalmente desconcertada. Tate estava sentado na minha frente, todo largado na cadeira.
— Você esta bem? — pergunta me analisando.
Tento colocar a mão na cabeça, onde sentia arder, mas estava presa a cadeira com algemas.
— O que significa isso?
— Sei que parece um pouco demais, mas preciso me garantir que você não ira a lugar algum — chamou o garçom e continuou. — O que deseja comer?
— Você não... — meu coração acelera.
Tate Walker era a pessoa que estava por trás daquilo tudo! Mas porque?
— Você não respondeu minha pergunta. O que deseja comer?
— Vai pro inferno seu cretino.
Ergue uma sobrancelha e apoia os cotovelos sobre a mesa.
— Podemos ficar a noite toda aqui. Acho que David já lhe informou que você deve ser compreensiva, ou aquela sua amiguinha piranha já era.
Não acreditava que o meu melhor amigo havia se transformado naquele mostro. Como isso foi acontecer? Tento não demonstrar minha surpresa, mas minha cara deveria ter falado por mim.
— Sam, as coisas nem sempre são mais as mesmas. Depois que você entrou no reformatório, eu não sabia o que fazer da minha vida. A gente era uma dupla: eu e você contra o mundo, lembra?
Fiz que sim com a cabeça. Me lembrava claramente, Tate me dizia que sem eu, ele não saberia o que faria. Éramos ele e eu, apenas. Ele continuou.
— Depois de alguns meses, me envolvi em algo... digamos, perigoso. E desde então, cuido dos negócios.
— Se você já é um cara sucedido, porque vai escola? Eu sei que você odeia.
Ele sorri e senta na cadeira ao meu lado.
— Você se lembra de muitas coisas de mim, não é? — passa o polegar em minha bochecha, mas viro o rosto. — Bem, você tem razão. Aquilo é uma droga! Mas quando se tem um objetivo, as coisas que você mais odeia, pode se tornar algo bastante útil.
— Eu não entendo. Porque eu estou aqui? O que você fez com a Liz? E porque isso tudo Tate? Você era meu melhor amigo. Sempre foi!
Segura meu rosto entre suas mãos e aproxima o seu. Era desconfortável ter que olha-lo nos olhos, mas eles eram tão lindos.
— Porque Sam? Porque apenas amigo? Eu sempre amei você, jamais te esqueci. Fiz coisas por você, que você não tem a mínima noção. James eu te amei, como nunca amei ninguém e ainda amo...
— Para! Por favor... — fecho os olhos.
Aquilo era demais pra mim. Tate era apenas um amigo, sempre foi. No passado tivemos alguma coisa, mas não sabia que ele tinha algo tão forte por mim. Sinto seus lábios nos meus. Tento me afastar, mas era impossível.
Quando teve certeza de que não retribuiria seu beijo, sentou na cadeira de frente a mim e colocou o celular sobre a mesa.
— Por que o Wonder?
Me surpreendi com sua pergunta. Apenas o encarei sem dizer nenhuma palavra. Ele perguntou novamente.
— O que você viu naquele idiota?
— A gente não manda no coração.
Tate da uma gargalhada. Qual era a graça?
— Sabia que o coração as vezes se engana?
— Concordo. Ele se enganou com você.
Seu sorriso some e solta um grande suspiro.
— Samantha e seu lado comediante. Sei que você está muito confusa com tudo isso, por isso deixarei você fazer as perguntas que você quiser e eu tentarei responder todas — se encosta na cadeira observando o garçom colocar seu prato sobre a mesa.
Havia tantas perguntas que queria a resposta. Observo o local, aquele sem duvida, era um dos restaurantes mais chiques de Seattle.
— Onde estamos?
— Num dos restaurantes mais refinados de toda Seattle. Você deveria experimentar alguma coisa do cardápio. É excepcional esse...
— Eu não quero saber de comida. Porque eu estou aqui?
— Para me fazer companhia — sorri e bebe um pouco de vinho.
— Você poderia ter qualquer garota de Seattle. É melhor você me dizer a verdade de uma vez, por que eu juro que quando sair dessa cadeira, você vai ser um homem morto seu cretino!
— Sabia que você fica super sexy fazendo essas ameaças.
Sorri maliciosamente. Tento lhe dar um tapa, mas esqueço que estou presa.
— Você deveria morrer Tate Walker!
— Você está aqui porque é minha namorada, querida.
Essa foi minha vez de rir.
— Você está blefando, certo? Nem nos seus sonhos mais pervertidos.
Tate sorri e se levanta. Anda até mim tranquilamente e me da um tapa na cara. Por aquela, eu não esperava. Se abaixa e sussurra em meu ouvido.
— Poderia me dizer quem é seu namorado, Srta?
— Vai pro inferno filho da puta!
Levo outro tapa. Minhas bochechas queimam, mas não iria fazer o que ele queria. O encaro e sorrio.
— O único namorado que tenho, se chama Taylor Wonder.
Já esperava por mais outro tapa. Dessa vez, sinto sangue em minha boca.
Tate volta a se sentar e faz um gesto para um de seus capangas. Não sei o que ele iria fazer, mas não estava com medo algum. Depois de uns minutos, escuto a porta por onde entramos abrir. Olho em direção a mesma e vejo um rapaz com um saco preto, sendo puxado para dentro. Nem precisava ver o rosto para saber quem era.
— O QUE VOCÊ FEZ COM ELE? WILLIAM!
O jogam no chão e um deles começa a lhe chutar.
— PARA SEU DESGRAÇADO! — grito para o moreno que chutava Will. — DIZ PARA ELE PARAR!
Olho para Tate que faz um sinal para o rapaz. Ele para.
— O que você estava dizendo mesmo?
A raiva vinha em forma de lagrimas, mas nenhuma iria cair por causa daquele desgraçado.
— Eu estou aqui porque sou sua namorada. Satisfeito?
— Muito. Agora como uma boa namorada, você vai me dar um beijo.
David se aproxima e solta minhas algemas. Eu sabia que se não fizesse o que ele queria, William é quem sofreria as consequências.
Vou até Tate e lhe dou um beijo, mas frio e rápido que já dei na vida.
— Não é assim que se faz.
Me puxa e caio sentada em seu colo. Sua mão passeia pela minha coxa, até minha bunda. A outra, para em minha nuca, enquanto seus lábios encontram os meus. Tento ceder de inicio, mas penso em Will. Ele não deveria sofrer mais.
Meus dedos entrelaçam em seus cabelos e sua língua explora cada canto da minha boca. Seu beijo, era quente e selvagem, bem diferente dos beijos cheios de desejo e carinhosos de Taylor. Me separo para poder respirar e seus lábios se dedicam a meu pescoço e meu tronco. Tate sobe meu vestido, e aperta minha nádega, como se quisesse fazer aquilo a muito tempo.
— Acho que você tem o que queria.
Me levanto e ajeito meu vestido. Volto a me sentar no meu lugar.
— Havia me esquecido de como você é viciante.
— O que você quer de mim?
— Muitas coisas — sorri maliciosamente.
— O que você quer realmente de mim, Walker? Sei que não é apenas meu corpo. Há alguma coisa a mais nisso tudo, o que é?
Ele me encara com seus olhos verdes e sorri.
— Você é esperta. Preciso que me diga a verdade!
— E qual seria?
— Onde está Charles Wonder?
Aquilo não fazia sentido. O pai do Taylor estava morto e enterrado em algum cemitério caro de Seattle.
— De baixo da terra.
— Você acha isso mesmo?
— É a verdade.
Tate franze o cenho com raiva e faz o mesmo sinal para o moreno. Ele começa a bater em Will novamente.
— PEDE PRA ELE PARAR, TATE! EU DISSE QUE NÃO SEI!
— Você está mentindo. Onde está Charles Wonder?
—EU JÁ DISSE QUE NÃO SEI! WILLIAM...
Me levanto e corro até o moreno. David tenta segurar meu braço, mas piso em seu pé com meu salto e lhe dou um soco. Outro dos capangas de Tate, tenta me dar um tapa mas me desvio e lhe chuto suas partes. Ele cai e outro se aproxima. Seus braços me prendem contra seu peito, piso em seu pé e lhe dou uma cotovelada na região do estomago. Ele se inclina tentando recuperar o ar e lhe dou uma joelhada na cara.
Quando é a vez do grandão, lhe dou um soco no tórax mas pouco adianta. Aperta meu pescoço e começo a sentir falta de ar. Tento me lembrar das aulas de box com Tate, mas não me lembrava de nada. Estico minhas mãos na altura de seu rosto e começo a apertar suas bochechas, com minhas unhas com toda força do mundo. Senti o sangue escorrer pelos meus dedos. Quando ele me solta, puxo o ar o tanto que posso e chuto lhe as partes intimas. Quando cai ajoelhado no chão, faço um dos meus movimentos preferidos de caratê: pego impulso com umas das pernas, enquanto a outra gira e acerta sua cabeça.
Quando ele cai, corro até Will e tiro o saco de sua cabeça. Seus olhos estão roxos e seu nariz sai sangue. Procuro um telefone em seu bolso, mas não encontro.
— Tate, por favor chame uma ambulância.
— Melhor não — sua expressão era indecifrável.
— Por favor...
Meus olhos marejavam e uma lagrima rolou pelo meu rosto. Tate abaixa o rosto e me entrega o telefone.
— Apenas não de o endereço do restaurante.
Agradeço internamente.
— Qual a sua emergência?
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