Sim, Eu Sou Uma Guarda -Costas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sou Samantha James, e passei meus últimos seis meses confinada em um reformatório em Seattle. Hoje, sentada na cama onde passei a maior parte do tempo, desejo que uma nova vida me espere quando atravessar os muros desse “presídio”.
E assim fiz, peguei minhas poucas coisas, e sai daquele ambiente seguida por dois homens altos e medonhos, mas já estava acostumada com aquela situação. Entrei num Audi SUV preto e segui pelo meu destino, o qual realizaria o sonho de muitas meninas, mas que para mim, seria o inicio de um novo pesadelo.
(...)
Taylor Wonder, o mais novo bilionário e solteiro de Seattle, seria o meu “protegido” durante o seu ultimo ano escolar. Isso mesmo! Fui contratada para protegê-lo do mesmo assassino que matou o seu pai a algumas semanas.
Mas você deve estar se perguntando, por que eu?
A dois anos atrás, matei um cretino. Charlie, meu padastro batia em minha mãe, praticamente todos os dias quando chegava bêbado em casa. Tínhamos uma vida miserável! Minha mãe não dava conta de pagar todas as contas, e Charlie, ao invés de trabalhar, gastava a maior parte do dinheiro que minha mãe conseguia e que mal dava para as despesas, jogando e bebendo.
Eu não conseguia ficar naquele ambiente e ver minha mãe passando necessidade. Saia todas as noites escondidas, e ia vender drogas, em algumas esquinas, o que ajudava bastante em casa.
Minha mãe, não aquentava mais aquela vida, então achou melhor o deixar. Estava confiante de que tudo na sua vida, quando deixasse aquele homem, mudaria para melhor. Mas aquele nojento não aceitou. Implorou para que ela ficasse. Só que minha mãe já estava decidida, porém Charlie, colocou na cabeça, que ela o estava traindo e que iria deixa-lo para ficar com outro.
— Se você não vai ser minha, então não vai ser de ninguém — Gritava para que todos pudessem ouvir.
Eu não estava em casa aquele dia. Estava como de costume nos becos de Seattle. Quando cheguei em casa, já era tarde. Depois o que aconteceu naquela sala minúscula, nunca conseguirei esquecer...
Fui levada para um orfanato, até o juiz decidir o que fazer com uma assassina de 15 anos de idade. Estava perturbada, com medo, desesperada por isso, fugir, era minha melhor opção.
Aprendi a me defender e como armar uma arma. Todos tinham medo de mim! Vivia vagando nas ruas. Todos sabiam quem eu era e do que era capaz de fazer. Até que me pegaram. Fiquei trancafiada esses meses todos, até o assassinato de Charles Wonder, onde seu filho passou ser o principal alvo.
O juiz me daria a liberdade, se conseguisse proteger e a ajudar a descobrir quem era o assassino. E é claro que disse não! Mas se quisesse continuar a ter uma vida, ao invés de parar numa cadeira elétrica, teria que fazer.
Por essa razão estou dentro desse carro, observando de longe o meu protegido sentado em um restaurante super chique.
— Você já sabe o que tem que fazer —Disse um dos homens que ainda não sabia o nome.
— Já, já. Proteger o Sr. Wonder com discrição, sem ele saber quem sou, sem relações e blá blá blá...
— Ok. Agora, você precisa ir as compras — Disse o outro moreno me olhando de cima abaixo.
Não sabia o que havia de errado com o meu suéter e meu All stars preto. Eu me sentia confortável e isso era o que importava.
— Eu estou bem assim.
— A questão é que o Sr. Wonder, jamais se misturaria com pessoas tão... normais.
— Simples, você quer dizer — Resmungo. – Olha, eu estou aqui para fazer o meu trabalho, e estou me lixando para quem esse garoto idiota olha. Eu vou fazer essas malditas compras, mas eu quero receber uma grana por isso.
— Você não esta aqui para dizer o que quer.
— Mas estou aqui pra proteger um... pirralho milionário. Se quiser volto para aquele maldito reformatório...
— E pode contar o resto do tempo que você vai poder ver a luz do dia — Disse um cara loiro, entrando no carro. — Você deve ser Samantha? Eu sou Nolan, agente de Charles Wonder. Infelizmente meu patrão faleceu, mas antes, pediu que tomasse todas as providencias necessárias para que seu filho, ficasse protegido. E é por essa razão que você está aqui! Taylor, acha que pode se cuidar sozinho e que o seu assassino não passa de uma pessoa tentando aterroriza-lo. Ele nunca aceitaria você ou qualquer outra pessoa como guarda costas, e é por isso que você não pode revelar sua identidade ou sua missão. Você terá que se aproximar do Taylor e em hipótese alguma, manter alguma relação amorosa com ele.
— Mais alguma coisa que eu preciso saber? – Pergunto olhando na mesma direção que ele olhava. Wonder se aproximava do carro.
— É melhor sair do carro nesse exato momento sem ser notada e vá à este endereço, basta entregar esta carta. Agora, vá – Pego o papel, coloco o meu capuz e saio do carro agachada e no mesmo momento Taylor entrou do outro lado.
Ando pelas ruas conhecidas de Seattle, e vejo o bilhete que Nolan me deu. O endereço não era muito longe de onde estava. Caminhei tranquilamente e comprei um café no caminho.
Quando entro no estabelecimento, todos que estavam na recepção, me encararam como se fosse uma anormal. Tirei o capuz e fui até a recepcionista.enquanto me aproximava, a loira sentada atrás do balcão meu olhou de cima a baixo.
— Acho que você se enganou de endereço — diz voltando a fazer o que estava fazendo.
— É melhor você tirar essa bunda gigante sua dessa cadeira e começar a me tratar melhor — digo calmamente. Suas bochechas estavam igual a pimentas e ela me encara novamente. – O agente de Charles Wonder me mandou e pediu que entregasse este bilhete.
Lhe entrego o papel. Assim que termina de ler, muda sua atitude totalmente ao meu respeito.
— Senhorita James aceita alguma coisa para beber, água, suco, champagne? —diz levantando-se.
— Seu sangue.
— Como disse? — pergunta confusa.
— Acho que um suco está ótimo.
— Ok. Me acompanhe, por favor — A sigo por um pequeno corredor amplo.
— Fique a vontade, em alguns minutos lhe trarão seu suco — diz e se afasta.
Me sento em uma cadeira de couro branco, dentro de uma sala lotada de araras de roupas. Fico encantada com a quantidade de peças. Nunca tinha visto tantas roupas caras em um lugar só.
— Senhorita James — um homem jovem, loiro e alto entra na sala e me cumprimenta com um beijo no rosto. Após me analisar acrescenta: — Vejo que teremos bastante trabalho.
Desvio de suas mãos, que tentavam tocar meu cabelo. O encaro perplexa depois que chama duas mulheres e um homem, que deveria ser gay (nada contra).
–Por favor meninas, as unhas da Senhorita James precisa ser feita e Luiz, o cabelo... você sabe o que fazer.
Saio da sala arrastada pelo loiro, seguida pelo pelotão da beleza.
(...)
Depois de ficar aproximadamente 2 horas fazendo cabelo, unhas, depilação, massagem, e outras coisas, me vi sendo arrastada novamente pra mesma sala de antes.
Ainda não tinha me visto no espelho. Ryan (o loiro), me fez vestir uma roupa mais... feminina. Como estava me odiando naquele momento! Saio de trás do biombo e todos me olham com admiração. Assim que me vejo no espelho, me espanto com minha transformação.
Meus olhos haviam se destacado com a maquiagem. O salto me dar um ar elegante. Pela primeira vez na vida me sentia uma mulher, uma menina fofa e não demorou para que a lembrança de minha mãe viesse a tona. Penso em outra coisa e noto que haviam varias sacolas próximas a minha bolsa.
— Garota você está fantástica —Ryan diz quando saímos para a recepção. A recepcionista, me olha com uma cara de admiração e ao mesmo tempo nojo.
— Obrigada Ry. Você é um grande homem e um grande empresário! — pensei em mencionar o acontecido quando cheguei, mas preferi não causar problemas graves aquela garota riquinha metidinha a besta.
— Qualquer conselho de roupa, maquiagem ou qualquer outra coisa, é só me procurar Sam — disse antes que eu entrasse no carro preto que me espera.
Aceno em despedida e penso como esse dia foi diferente e único. Não sei como me tornei tão intima de Ryan Zain! Ele era um cara incrível, me ensinou a como fazer uma maquiagem básica, me disse que não tenho que me importar com a roupa se tenho uma cara boa e me deu dicas de como amarrar um bofe. Só sei, que ri muito e me diverti bastante.
(...)
— Chegamos – Christian (o motorista), para o carro de frente a uma mansão. Meu queixo cai e fico me imaginando passando aproximadamente um ano naquela casa.
Sou recebida por um mordomo chamado Alan, que me leva ao meu novo quarto.
Meu queixo cai novamente quando vejo o imenso quarto que usaria. A casa que vivia com minha mãe, caberia dentro dele e novamente lembro de minha mãe. Uma dor começa a crescer dentro de mim e quero ficar sozinha pra esvaziar a cabeça. Agradeço a Alan, e ele se retira me deixando só.
Caio na cama com os olhos fechados, me sentindo num mundo totalmente diferente. A cama, o quarto, a casa, as roupas... tudo era novo e estranho ao mesmo tempo. Depois que fizesse isso, onde ficaria? Com que dinheiro sobreviveria? Teria que roubar novamente para ter de comer e ter um lugar para passar a noite?!
Me levantei da cama e fui até a janela. Nolan e Taylor estavam saindo de uma Range Rover preta. Volto a realidade. Wonder era o meu protegido, e eu não poderia deixar nada acontecer com ele e assim teria um futuro.
Me olho no imenso espelho que havia no banheiro do quarto, coloco um sorriso no rosto e desço as escadas para me apresentar ao meu mais novo “patrão”.
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