Silêncio

4 Capítulo 3 - Furacões


Sirenes. Vermelhas e azuis. É tudo o que Francine consegue ver ao chegar em frente à casa de sua avó. Ela procura desesperada por uma informação, de repente, vê um policial.

- Oi, por favor, senhor, o que aconteceu? – Ela pergunta desesperada.

- Você Francine certo? – O pálido policial de cabelos negros pergunta.

- Sim, sou eu – Ela fica aflita. – Onde está minha avó? Onde está o Freddie?

- Bem, é meio difícil de lhe dizer. O seu tio foi sequestrado e sua avó... Bem, ela foi assassinada. – Ele abaixa a cabeça.

No mesmo instante, ela vê alguns homens empurrando uma maca com algo enrolado em um material preto. Ela começa a chorar e tenta ir até lá, mas o policial a impede.

- Calma, por favor! – Ele diz, sem ter coragem de dizer mais nada a ela.

Ela para de resistir, sentando-se na calçada, colocando tudo pra fora, enquanto o policial se abaixa e tenta consolá-la.

- Vou pegar um copo d’água. – Ele vai até algum lugar e depois de alguns minutos volta com um copo de água, Francine já parou de chorar um pouco e agora está olhando para o chão, sem piscar o olho, ainda não consegue acreditar no que aconteceu.

Ela pega o copo com água a o bebe aos poucos.

- Nós vamos descobrir quem foi o responsável por isso e vamos resgatar o seu tio e pegar esse assassino tá?

Ela balança a cabeça em afirmação.

- Mas na verdade, eu sei quem fez isso.

- Como assim?

- Você lembra do assassinato há oito anos, no Bronx?

- Sim, vários jovens perderam suas vidas.

Ela fica em silêncio por alguns segundos, a culpa ainda pesava em suas costas.

- Espera, você foi uma das sobreviventes do ataque certo? – O policial de repente lembra do seu nome.

Ela concorda.

- Eu sabia que já tinha visto o seu nome. – Ele diz – Meus pêsames, eles eram seus amigos né?

- Sim, obrigada.

- Bem, você disse que sabia quem foi...

- É, com certeza não é o Jensen – Ela fala baixo.

- Quem é Jensen?

- Phillip Hichbury, na verdade. Ele foi o responsável pela chacina.

- Mas ele está morto – O policial força um sorriso.

- Eu sei, e é claro que não é ele, mas é alguém ligado, porque está seguindo os mesmos passos e usando a mesma máscara que usou antes.

- Máscara? – Ele pergunta, anotando tudo o que ela diz.

- Sim, ele usava uma máscara para esconder a identidade.

- Phillip Hichbury – Ele repete para si mesmo. – Vamos procurar mais informações sobre ele. Mas você precisa ir pra casa agora, amanhã você resolve tudo o que precisa, por favor. Tem alguém que pode vir te buscar, você não está em condições de dirigir.

- Meu marido – Ela diz, entregando o celular a ele.

Depois de algum tempo, Francine vê um carro chegando no local. Todd. Ele sai ás pressas e vai até Francine abraça-la.

- O que aconteceu? – Ele pergunta.

- Ela morreu Todd – Ela desaba em lágrimas mais uma vez. – Morreu!

- Oh meu deus – Ele fica perplexo e agora entende o porquê das viaturas.

Ela se encosta e começa a chorar no ombro esquerdo dele, que passa levemente as mãos pelos seus cabelos.

- Eu sinto muito.

Algumas horas depois, Todd consegue acalmar Francine, que está deitada em sua cama.

- Você precisa descansar agora, foi um dia muito difícil – Ele fecha as cortinas e se aproxima dela, tirando o seu cabelo do rosto. – Você vai ficar bem – Ele sorri – Eu prometo.

Ela sorri, pois sabe que aquilo não é mentira.

- Eu vou estar lá embaixo, se precisar de algo, grite.

- Tá.

- E não se esqueça – Ele diz, preparando-se para sair – Nos seus sonhos, ninguém pode te alcançar. – E então vai embora.

Francine pensa sobre aquela frase. Ela sabia que não era verdade, pois na última vez, seus sonhos foram os primeiros a serem invadidos por aquela figura assustadora. Mas de uma coisa ela tinha certeza, nada poderia ser pior que a realidade naquele momento. Então fechou os olhos.

Vanessa não consegue tirar da cabeça, o que ouviu de Francine. Não é possível, não tem como ele ter voltado.

- O que aconteceu? – Jake pergunta, sentado diante dela na mesa de jantar. – Pode me contar, e não esconda nada.

- Não foi nada – Vanessa força um sorriso.

- Você não tocou na comida, passou o dia inteiro dentro do quarto – Ele diz – Não existe a possibilidade de não ser nada.

Vanessa dá um longo suspiro. Devo ou não contar? Após se perguntar muito, ela resolve abrir o jogo. Ele é meu marido.

- Eu já te contei sobre o que aconteceu oito anos atrás, certo?

- Sim – Ele se lembra – Aquela tragédia horrível, Mas porque você ainda se preocupa com isso? Eu sei que foi triste, mas passou, você precisa superar.

- Eu sei – Ela diz – E já tinha superado.

- E porque está assim?

- Porque talvez... – Ela olha fundo nos olhos verdes como esmeraldas dele – Talvez ele esteja de volta.

- Quem?! – Ele arregala os olhos – O responsável por aquilo?!

- Sim.

- Oh meu deus, e você estava escondido isso de mim?

- Eu ainda não tenho certeza – Ela diz – Francine disse que o viu, mas eu não acreditei – Ela se sente arrependida.

- Nós vamos chamar a policia, ela vai resolver tudo – Ele explica. – Mas antes é necessário ter certeza de que ele está agindo.

- Por enquanto, ele ainda não se manifestou – Vanessa começa – E é muito provável que ele não tenha voltado. Francine só o viu uma vez, e foi rápido.

- É verdade, é muito difícil de ele ter voltado.

- É, mas na outra vez, a gente também achava impossível e não era.

Eles ficam em silêncio por algum tempo.

- E se ele voltou? – Ela olha no fundo dos olhos verdes como esmeraldas dele- O que vamos fazer?

- Nós vamos dar um jeito – Ele segura suas mãos geladas – Vamos chamar a policia e ela vai resolver.

Vanessa pensa em interromper e dizer que fazer isso seria muito perigoso, mas então se lembra das consequências desastrosas de não ter avisado a policia na outra vez.

- É, nós vamos.

- Agora termine de comer, não pode enfrentar um assassino de barriga vazia. – Jake brinca e Vanessa consegue sorrir.

Francine toma um gole do café quente que acabara de fazer, é de manhã, ela está bem acordada, porém se sente mais cansada do que antes. Preciso levar o lixo pra fora, ela lembra, e então pega algumas sacolas pretas cheias de resíduos mal cheirosos e leva até a rua, colocando numa plataforma branca logo em seguida. Pronto.

Ao entrar na casa novamente, ela decide ir ver se Caleb está bem, ao passar no quarto do garoto e ver que está tudo bem, ela resolve ir se deitar novamente. As cortinas estão fechadas e Todd está se aprontando para ir trabalhar.

- Não te vi acordar – Ela diz e vai abrir as cortinas.

- Acordei há pouco tempo – Ele diz, sorrindo.

- Já estou indo ok?

- Não vai comer nada? Eu fiz ovos e bacon.

- Vou sim.

- Então tá.

Todd desce as escadas e ela termina de abrir as cortinas, se deparando com uma imagem que a deixa desconfortável. Um carro preto, igual ao do homem que ela viu no restaurante, parado do outro lado da rua da sua casa. Seu coração acelera, ela começa a suar e então lembra, Todd está saindo para trabalhar.

- Droga!

Ela corre escada abaixo e encontra o marido colocando uma xícara de café de pia da cozinha e indo até a porta.

- Não!

Ele assusta.

- O que foi?

- Você não pode ir agora!

- Como assim? Porque não?

Ela vai até a janela da sala e olha, não há mais nada lá, nenhum carro preto, apenas a rua vazia.

- Você está bem? – Todd pergunta.

- Estou – Ela responde – É que eu achei que tinha visto algo.

Ela lança um olhar preocupado e diz:

- Não tem nada lá fora, olhe! – Ele aponta para a rua vazia.

Ela não responde nada, apenas o abraça.

- Esquece, acho que foi coisa da minha cabeça.

- Escute, eu vou trabalhar e volto em pouco tempo, tente não se preocupar, isso não é nada.

- Tá bom – Ela diz baixinho – Tchau.

- Tchau.

Ele vai embora e Francine consegue relaxar um pouco, mas tranca todas as portas e janelas da casa, pois sua consciência a convence de que nem tudo é imaginação.