Silêncio

5 Capítulo 4 - Temor


A delegacia é um lugar chato, com várias pessoas trabalhando em seus computadores e alguns guardas conversando e comendo doces. Francine está sentada em uma cadeira na sala do delegado, junto com o policial que falou com ela no dia do assassinato de sua avó, esperando ele chegar.

Depois de alguns minutos, o delegado, um homem alto e forte de cabelos grisalhos, entra pela porta, sentando-se em uma cadeira em frente à de Francine logo em seguida.

- Olá – Ele diz.

- Oi – Francine cumprimenta.

- Oi delegado – O policial diz.

- Oi Francine, eu sou o Jonathan Perkins, eu administro essa bagunça aqui – Ele sorri, com um bom humor contagiante. O policial no canto da sala faz o mesmo.

- Conte a ele tudo o que me contou naquele dia.

- Bom – Ela começa – Eu acho que sei quem fez aquilo com minha avó.

- Sabe? – Ele olha para o pálido policial. – Então me conte.

- Bem, você deve ter ouvido falar sobre o massacre no Bronx, há oito anos.

- Sim, eu trabalhei no caso.

- Eu acho que quem está matando tem ligação com o responsável por aqueles crimes.

- Phillip Hichbury?

- Ele mesmo.

- Então você acha que o assassino da sua avó, pode ser alguém ligado a esse sujeito?

- Exatamente.

- É uma boa pista – Ele sorri – Mas porque você acha isso?

- Bem, eu o vi, há alguns dias.

- E como ele era?

- Eu não sei, estava usando uma máscara de pano.

- Não me diga que era a mesma máscara que Hichbury usava.

- Era sim – Ela abaixa a cabeça.

- São ótimas pistas senhorita – Ele sorri – E nós vamos segui-las, vamos procurar saber tudo sobre esse sujeito e todas as pessoas que possam estar ligadas a ele.

- E tem mais – Ela acrescenta – Eu acho que ele está vindo atrás dos sobreviventes do massacre.

- Me dê os nomes e endereços, vamos ficar de olhos neles – O delegado pega um bloco de notas.

- Vanessa Schulz – Ela começa – E Frank e Layla Grimes, e os endereços são... – Ela dá uma pausa. – Pode me dar uma caneta e um papel?

- Sim, é claro.

O delegado pega uma caneta preta e o bloco de notas e a entrega, Francine começa a rabiscar algo e quando termina, devolve ao homem.

- Não se preocupe – Ele diz, terminando de checar os endereços – Vamos ficar de olho em vocês e procurar esse sujeito.

- Obrigada – Ela agradece, levantando-se da cadeira e indo até a porta, que o policial gentilmente abre.

- Quer que eu mande alguém te levar em casa? – O delegado pergunta.

- Não precisa – Ela responde, sorrindo.

- Vamos Caleb – Ela diz, chamando o filho, que estava sorrindo e conversando com uma policial simpática.

- Conseguiu resolver algo? – A policia gentilmente pergunta.

- Sim, um pouco – Francine responde.

- Boa sorte.

- Obrigada.

Francine e Caleb saem andando lentamente pelo corredor da delegacia.

Ao chegar em casa, ela vai até a cozinha tomar um copo de água.

- Caleb querido, vamos?

- Vamos.

Francine se sentia péssima por ter de levar seu filho para o trabalho junto com ela, mas era perigoso deixa-lo com uma babá.

Ela dirige até o grande prédio da Spring, o trânsito estava horrível. Então, após estacionar, ela sai do carro e entra no grande prédio, dando bom dia a todo mundo.

- Oi Caleb! – Tasha diz, quando Francine chega ao terceiro andar.

- Oi – Ele diz, envergonhado.

Todos cumprimentam Francine, menos Vanessa, que ainda não apareceu.

- Cadê a Vanessa? – Ela pergunta.

- Ainda não chegou, o que é estranho, ela não costuma se atrasar – Aidan responde, dando um último gole no copo de café com leite e o jogando no lixo.

- Bom dia Francine – Quentin diz, saindo de sua sala.

- Bom dia Quentin, e desculpa trazê-lo aqui, é que não tinha ninguém para cuidar dele hoje.

- Que nada – Ele diz. – Caleb! Como é que vai cara? – Quentin pergunta, dando a mão para ele bater.

- Oi! – Caleb perde toda a vergonha.

- Vou leva-lo pra minha sala tá? – Quentin diz.

- Pode levar – Francine sorri.

- Vamo jogar Death Alliance?

- Vamos! – Caleb responde a pergunta com entusiasmo.

Francine senta-se em sua mesa e liga o computador.

- Tá aqui o artigo da semana, eu cortei algumas partes e adaptei algumas outras informações. Tá tudo aqui. – Evan entrega uma papelada a ela.

- Obrigada!

Francine não consegue se concentrar no trabalho, Tasha percebe que tem algo de errado.

- O que você tem hoje? – Ela pergunta.

- Nada, só estou um pouco cansada – Francine responde.

- Eu sei que não é só isso, eu te conheço garota, anda, pode me dizer, o que aconteceu pra te deixar assim?

- Minha avó... Ela faleceu.

- Ah meu deus, eu sinto muito, eu não queria tocar em um assunto tão delicado.

- Não tem problema.

As duas ficam em silêncio por um tempo até que Tasha volta ao trabalho.

Já é fim da tarde, todos se preparam para ir embora e Francine é a última a terminar o trabalho.

- Vamos mãe? – Caleb pergunta.

- Vamos sim querido – Francine responde.

- Descansa um pouco garota – Quentin brinca – Quanto trabalho.

- Trabalho é a única coisa que me relaxa.

- Como assim? – Ele sorri – Impossível.

- Pois é.

Depois de alguns segundos, ela desliga o computador.

- Terminei. Vamos.

- Vamos – Quentin diz.

Eles descem até o térreo e Quentin tranca a porta do prédio.

- Tchau Francine – Ele acena – Tchau Caleb.

- Tchau – Os dois dizem ao mesmo tempo e então entram no carro. Quentin faz o mesmo.

Quando chegam em casa, encontram Todd sentado no sofá da sala.

- Oi galera – Ele diz, dando um gole da garrafa de cerveja que tem na mão.

- Oi – Francine diz.

- Oi pai! – Caleb pula no sofá, para assistir junto com o pai.

- Vou subir e me deitar um pouco, o dia foi cansativo hoje.

- Tá bom, daqui a pouco eu vou lá.

Francine vai até o quarto, toma um banho, se veste e então deita na cama, sentindo um enorme alivio ao fazer isso. Nesse momento seu telefone vibra. Uma mensagem. Ela pega o celular e vê o nome no visor. Desconhecido. Ela fica desconfiada. Quem seria? E porque ligaria ou mandaria sms em anonimato? Ao ler a mensagem, fica mais confusa ainda com o que vê, a mensagem é bem curta, com apenas um nome e alguns números.

Evan

Porque Evan mandaria uma mensagem com o próprio nome? E porque em anonimato? Tudo isso é muito estranho, talvez ele tenha mandando uma mensagem incompleta. Francine permanece com o telefone na mão, esperando outra mensagem que pudesse explicar aquela, mas ela não chega, aquele sms não foi um acidente, quem quer que mandou, sabia o que estava fazendo, então ela tenta decifrar a misteriosa mensagem. Evan. Mas não consegue. Que tipo de pessoa manda uma mensagem com um nome escrito? Após olhar o texto mais uma vez, ela desiste e decide ir dormir, com um mau pressentimento sobre aquilo que acabara de ver.