Silêncio

3 Capítulo 2 - Falsamente Real


Vanessa está lendo um romance quando a campainha toca. Ela corre para atender e ao abrir a porta, encontra Francine parada na porta, pálida, suando e tremendo.

- Finalmente – Vanessa diz – Entre!

Ela entra rapidamente e coloca a bolsa em uma poltrona perto do sofá.

- Agora se sente e me conte o que aconteceu – Vanessa diz preocupada, apontando para o sofá – Parece que viu um fantasma!

Francine se senta e logo após ela também.

- Exatamente – Francine diz e seu olhar exala medo.

- Como assim? – Vanessa força um sorriso – É impossível.

- Eu o vi novamente!

- Viu quem?

Francine fica calada por um instante e então a ficha cai.

- Não pode ser – Vanessa começa – Não me diga que...

- Ele mesmo – Francine não a deixa terminar a frase e começa a chorar.

- Oh meu deus, é impossível.

- Eu o vi hoje, ele passou em frente ao restaurante que eu estava e ficou me olhando.

- Você tem certeza? – Vanessa pergunta – Quer dizer, porque ele voltaria? Aliás, quem voltaria, nós matamos o Jensen lembra?

- Eu sei – Francine concorda – Mas eu sei que era ele, era real, eu não estou louca novamente!

- Eu sei Fran, escute – Vanessa senta-se ao seu lado e segura sua mão – Você não está louca, só deve ter tido algum tipo de... – Ela não encontra a palavra certa.

- Alucinação?

- Eu não ia dizer isso, mas de algum jeito, é, pode ser.

- Você lembra da última? Ninguém acreditou, mas adivinha? Eu estava certa!

- Eu só estou dizendo que talvez você tenha visto rápido demais, sei lá. – Vanessa tenta acalmá-la – Eu não consigo acreditar, ele não pode ter voltado.

- Acho melhor eu ir embora – Francine se levanta e pega sua bolsa – Você não acredita em mim.

- Não! – Vanessa tenta impedi-la de ir embora – Francine!

Francine se vira e escuta o que ela tem a dizer.

- Eu só estou dizendo que é improvável que ele tenha voltado, talvez você esteja estressada por conta do trabalho ou você se lembrou dele por causa do seu aniversário, eu não sei, só sei que isso não tem lógica alguma!

Francine não responde nada, apenas vira-se, anda até o carro, dá partida e então vai embora e Vanessa fica pensando sobre o que acabara de ouvir. Seria possível? E já que não é verdade, porque Francine o veria denovo logo agora, quando parecia ter esquecido? Essas perguntas pareciam não ter resposta, ou melhor, pareciam não ter respostas lógicas.

Ao chegar em casa, Francine encontra seu filho dormindo e vai até o quarto, onde Todd está deitado sobre a cama, pesquisando algo na internet, ao vê-la, ele deixa de lado o que está fazendo, e se preocupa apenas com ela, que anda muito estranha.

- Fran, você está bem? – Ele pergunta, esperando uma resposta sincera.

- Você quer saber a verdade? – Ela diz, jogando a bolsa sobre a cama – Não.

- O que aconteceu? Pode me contar!

Ela olha bem nos olhos dele, seu olhar preocupado a deixa sensível, ela começa a chorar.

- Sempre que eu estou seguido minha vida, ele aparece e estraga tudo – Ela diz, chorando no peito do marido.

- Do que você está falando? – Ele pergunta, confuso.

- Ele voltou – Ela olha novamente nos seus olhos – O assassino da minha família voltou!

- Como assim? Você o viu?

- Vi – Ela enxuga as lágrimas – Naquele dia, no restaurante.

- Você tem certeza de que é ele?

- Tenho, eu tenho certeza que eu o vi – Ela responde – Mas é claro que você não acredita em mim!

- Não, eu acredito sim, só acho difícil – Ele explica – Você disse que a policia o pegou né? E ele morreu, certo?

Francine concorda com a cabeça.

- Então... Não pode ser ele!

- Então tá – Ela finalmente aceita – Eu só preciso dormir um pouco.

- Tá bom, eu estarei lá embaixo se precisar, durma um pouco, vai se sentir melhor.

Ele pega o notebook e sai do quarto, deixando Francine sozinha para conseguir dormir, ela rola de um lado para o outro da cama, pensa sobre tudo aquilo e apesar de concordar com Todd sobre ser difícil o assassino ter voltado, de algum modo ela sabe que o que viu era totalmente real.

Duas horas depois, ela acorda, já anoiteceu, Todd tinha razão, ela se sentia bem melhor agora que havia descansado. Após alguns minutos, Francine desce as escadas e encontra Caleb e Todd assistindo a um jogo de futebol americano.

- Olha quem acordou – Todd começa – A bela adormecida.

Francine sorri levemente.

- Está se sentindo melhor?

- Estou, obrigada.

- Por nada!

Ela se senta ao lado dele e eles permanecem assistindo ao jogo.

Deitada em sua cama, Vanessa pensa sobre o que ouviu, ela teme que Francine esteja certa, e apesar de não fazer sentido, ela se lembra da última vez, quando aparentemente também não fazia sentido, mas ela estava certa. Não é verdade. Não é verdade. Ela tentava convencer a si mesma de que tudo não passou de uma alucinação, mas não conseguia. Ela só pensava naquilo, no perigo que elas estariam correndo se isso fosse realmente verdade.

Nove e horas da noite, Francine não costuma dormir tão cedo, mas está muito cansada então se deita de lado em sua cama, pensando sobre a mesma coisa que Vanessa. Todd se deita junto com ela, lhe aquecendo com um abraço e um beijo no pescoço.

- Você tá legal? – Ele pergunta.

- Estou – Ela mente, para ele e para si.

- Tem certeza? – Ele continua a perguntar.

- Tenho sim.

- Então boa noite – Ele dá um último beijo.

- Boa noite. – E eles desligam os abajures.

No dia seguinte, Francine acorda e percebe, pela leve luz que atravessa a cortina do quarto, que ainda é muito cedo. Ela olha no relógio ao lado da cama. Seis e vinte e três da manhã. Não está com absolutamente nenhum sono, então resolve sair do quarto. Vai até o quarto de Caleb, ele está dormindo. Desce até a sala e se senta um pouco, a casa está mergulhada em um profundo e perturbador silêncio, então resolve sair de casa e sentar um pouco embaixo da árvore do seu jardim. Ela observa o movimento da rua. Dois senhores conversando e aguando as plantas do jardim de suas casas. Uma senhora tomando uma xícara de café na porta de casa e nenhum carro, absolutamente nenhum ruído do motor dos automóveis, apenas alguns pássaros cantando. É domingo, o bairro está praticamente deserto, as pessoas sempre viajam.

Francine passa a manhã inteira pensando sobre o assassino da sua família e dos seus amigos, está começando a pensar que enlouqueceu.

Logo após o delicioso almoço de domingo, ela se deita no sofá e Todd desce as escadas junto com Caleb.

- Vamos ao cinema? – Ele pergunta.

- Não, estou um pouco cansada – Francine responde.

- Nós vamos ver um filme de terror! – Caleb diz animado.

- Como assim? Não quero você vendo filmes de terror! – Francine diz.

- Tá bom então – Ele pisca um olho para o pai, que retribui.

- Vai andando pro carro filho.

Caleb vai até a garagem e Todd fica com Francine, aparentemente está preocupado com o modo de agir dela ultimamente.

- Não se preocupe, vamos assistir uma animação. – Ele sorri e ela também. – Tem certeza de que ficará bem?

Ela balança a cabeça e diz:

- Pode ir querido!

- Então tá, se precisar, me liga!

Ele vai embora e ela continua deitada, sem entusiasmo algum de fazer alguma coisa. O silêncio é interrompido pelo toque do celular de Francine. Ela pega e olha o número. Vovó (Casa).

- Vó? – Ela pergunta animada, após atender rapidamente, mas tira o sorriso do rosto ao ouvir uma voz desconhecida no outro lado da linha.

- Francine? – A voz do outro lado pergunta.

- Sou eu mesma, quem é você?

- Eu sou da policia, você é neta de Lorna Collins?

- Sim – Ela responde confusa. Porque a policia estava ligando do telefone da casa de sua avó?

- Por favor, venha para a casa da sua avó agora, aconteceu algo e não posso falar por telefone.

As palavras simplesmente somem da sua mente, ela tenta falar algo, mas nenhum som sai da sua boca. O que será que aconteceu com minha avó?