Silent Town

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Rufem os tambores! aqui está outro capítulo emocionante da história de terror da nossa querida Alyce. Espero que gostem porque a história já está na reta final [aaaaah, que pena]. Agradeço pelos favoritos e os comentários de vocês, seus lindos!

10 de julho de 2012. 11h12min

– Só eu que estou com fome aqui? — sussurrou James colocando a mão na barriga.

– Cale a boca! — resmungou Leon olhando feio para ele.

Alyce estava andando vagarosamente, tentando se esconder o máximo possível para que não a vissem. Como iria abrir a caixa? Não tinha a porcaria da chave. Como faria aquilo? Parou quando chegou até o limite do último prédio. A sua frente a praça se abria sombriamente. Olhou para o lado e viu os dois amigos do outro lado da rua. Girou o corpo para olhar para frente mais uma vez. Sua visão encontrou um espectro.

– Mathews, pare de me assustar, caramba! — sussurrou e colocou a mão no peito.

– Me desculpe Alyce, mas fantasmas só sabem fazer isso — ele sorriu.

– Fico feliz que esteja bem.

– Esqueceu que eu não morro? — os dois riram — Você precisa da chave.

– É... Mas como eu vou conseguir?

– Hm... Você não vai gostar muito de como terá que conseguir... — ele olhou para o chão.

– Diga logo.

– Sabe aquele monstro ali. O maior de todos? — apontou para perto da estátua — Então... Ele é tipo um chefão de um jogo de vídeo game.

Alyce seguiu a direção que o dedo estava apontando. Era um monstro enorme. Tinha pelo menos dois metros de altura, sua pele parecia uma carapaça negra. Tinha somente um olho, a boca se abria como um guarda-chuva aberto e cada uma das partes tinha dentes que pareciam serras. A língua era afiada e lembrada muito uma língua de cobra. Os braços e as pernas eram extremamente grossos e a mão direita estava segurando uma espada de pelo menos um metro e meio de comprimento, um metro de largura e talvez trinta centímetros de espessura, se afinando um pouco no gume. O corpo era totalmente revestido de gosma. Os pés gigantescos pareciam estar com uma bota, mas aquilo era na verdade a própria pele da coisa.

– No coração, não é? — Alyce tentava não gritar e sair correndo.

– Exato. Não se esqueça — Mathews desapareceu aos poucos, como uma névoa.

Alyce respirou fundo. Aquela coisa era enorme, não sabia como iria vencer. E onde diabos estava a chave? Dentro dele? Alyce fez uma careta de nojo. Olhou para os garotos. Eles estavam encarando ela. E estavam com a faca.

– A faca! — Alyce movimentou a boca sem fazer barulho — Me entregue a faca!

– O que? — ele movimentou a boca também.

– Faca! — ela tentou fazer mímica para que eles entendessem.

– Ah! Faca? — ele apontou para a faca com o pó verde.

Alyce concordou com a cabeça e fez gestos para que ele jogasse a faca para ela. E foi o que ele fez. Colocou a faca no chão e impulsionou até chegar nela. Mas a faca ficou a pelo menos meio metro de distancia. Se saísse para pegar a faca eles iam vê-la. E ai seria uma guerra. Seus batimentos cardíacos aumentaram consideravelmente, assim como sua respiração. Cerrou os punhos e apertou com força até sentir que suas unhas estavam machucando a mão. Aquilo era real. Era matar ou morrer. Olhou para a faca, e por um momento só ficou olhando, decidindo se iria mesmo ou se correria para se esconder.

Se esconda! Saia correndo para se esconder! Você vai morrer - aqueles vozes novamente.

– Não. Eu não vou recuar! — disse e saiu correndo.

Pegou a faca e correu para o centro da praça. Viu James e Leon correndo também para ajudá-la. Tentou ignorar a sensação que estava crescendo gradualmente dês de que entrara na cidade: o pânico. Ignorar aquilo era uma tarefa difícil, quase impossível. Mas ao pensar nas coisas que já fez, pelo que já passou e as pessoas que ainda poderia perder se não fizesse o que tinha que ser feito, a tarefa de ignorar o pânico ficava menos árdua. Em um momento estava escondida, com medo e confusa e no outro estava com a cabeça quase que completamente vazia. Não se permitia pensar em mais nada. Não pensou em Kaio, nem em Lucy e nem nas três pessoas que morreram. Não pensou no grande monstro que estava esperando por ela, olhando fixamente em sua direção. Não pensou em absolutamente nada que pudesse distraí-la. Só pensou em como seus pés estavam leves. Como a faca em sua mão direita estava firme, afiada e pronta para ser manuseada por ela. Pensou em sua respiração, em seus batimentos que diminuíram quase que imperceptivelmente, mas diminuíram. Concentrou-se no bicho, em acertar o peito, a parte mais mole de todas, a parte que guardava o tesouro, tanto da fonte de vida da criatura como a salvação das almas perdidas. Era isso então. Seu destino: morrer ali ou matar. Nascera para aquilo? Não, não... Isso se chama sobrevivência. E quando se trata de sobreviver não importa o que se deve fazer, sempre iremos tentar. E ali estava, dois sobreviventes. Sim, ele também, por que não?

Agora estavam frente a frente. Cerca de dois metros separava-os. Ele ergueu a espada enorme até o meio de seu corpo. Lançou-a em um arco na horizontal com a intenção de cortar a oponente ao meio, mas Alyce fora mais rápida e se agachara. A espada passou zumbindo em seus ouvidos. Ele era forte, mas não rápido. Alyce poderia explorar aquilo... Sentiu uma coisa invadindo seu espaço, atingindo seu estômago com uma força brutal que a fez ser lançada a três metros. Caiu em cima de uma massa mole e de cheiro pútrido. Levantou-se com dificuldade esfregando a região da barriga. Achou que seus órgãos haviam sido esmagados, mas não foram. Se manteve firme. Obrigou seu corpo a continuar, aquilo não era nada. Nada comparado com o que ela iria fazer. Sentiu o gosto de bile na boca. Queria vomitar. Engoliu em seco para tentar fazer aquela sensação ir embora. Tinha caído em cima de um monstro, talvez adormecido. Andou com um pouco de dificuldade pela náusea.

O monstro olhava para ela como um predador esfomeado olha para uma presa que dá trabalho. Deu um passo. Alyce sentiu um tremor leve no chão. Era impressão sua? Ele deu outro passo. Mais um tremor leve. Ela andou ao encontro dele, atenta aos movimentos que executava, assim como ele. Tinha que abrir uma brecha e atacar com um movimento preciso e rápido. Não teria muito tempo para isso. A criatura ergueu a espada no alto e golpeou na vertical. Iria atingir em cheio o corpo de Alyce para mais uma vez cortá-la no meio. Mas ela se jogou para o lado e caiu bem na hora que a espada atingiu o lugar onde antes ela estava e fincou no asfalto, fazendo um grande rachadura com ramificações. Alyce não poderia, em hipótese alguma, bobear. Outra vez o pé gigantesco do monstro tentou pisotear Alyce, mas ela rolou para lado e bateu as costas uma pedra, mais especificamente mármore frio, no mesmo instante que o pé encontrou o chão e o fez estremecer. Aquela era a estátua. Alyce olhou para cima. A mulher continuava com o dedo nos lábios e a outra mão quebrada. Mas a expressão... A expressão mudou novamente... Era uma mistura de temor, espanto, expectativa e algo a mais, algo que Alyce não conseguia decifrar. Olhe Alyce! uma voz, parecida com de uma criança, que não era sua, gritou em sua cabeça, tirando-a de um estase inapropriado. O monstro havia conseguido tirar a espada do asfalto e já estava indo em sua direção novamente. Ali, deitada com os cotovelos apoiando o corpo, pode sentir melhor as vibrações de cada passo executado. Ela saiu de perto da estátua, contornando o corpo de carapaça, viu um pequeno feixe de pele mole, como a que havia no peito, bem no meio das costas. Aquele seria um ponto fraco? Talvez. Sem perder tempo correu para cima do monstro e deu um salto, cravou a faca naquele feixe mole que esperava ser um ponto fraco enquanto a criatura ainda estava se virando vagarosamente. Ao sentir a faca entrando e deixando somente o cabo para fora, Alyce se afastou. O monstro soltou a espada, dobrou os joelhos, batendo-os no asfalto em um som pesado e levou a mão as costas. Ele queria tirar a faca. Então era realmente um ponto fraco. Ele gritava e guinchava alto, um som que Alyce não conseguiu associar a nenhum animal. Parecia familiar ao mesmo tempo que parecia completamente estranho. Agora estava na reta final certo? Imaginou uma barrinha de vida ao lado do monstro, assim como aparece nos jogos de vídeo game. A barra dele estava um quarto verde. Só mais um golpe e ele morreria. Mas teria que ser no coração. Como? Alyce descobriria na sorte.

De repente se lembrou. O pó amarelo faz eles adormecerem. Poderia usar aqui não é? Tateou no corpo. Encontrou o vidrinho com pó amarelo e soltou o ar desapontada. O vidrinho havia se quebrado, talvez quando ela fora jogada para longe, ou quando rolou no chão. Ele estava quebrado na metade, mas a base ainda estava intacta com um pouco de pó amarelo. Aquilo daria para fazer o monstro ficar desnorteado, mas por pouco tempo. Talvez tempo o bastante para que ela reagisse. Chegou perto cautelosamente e jogou o pó amarelo bem perto do rosto — se é que poderia dizer aquilo — do monstro. Esperou por um momento. A criatura relaxou os braços e encarou o vazio. Seu corpo balançava de um lado para o outro. Alyce tirou a faca das costas dele, ficou a sua frente e fincou aquele objeto cheio de gosma no peito dele, bem onde ficava o coração. O monstro de repente acordou do estase e rugiu de dor. Atacou Alyce com o braço, fazendo-a tirar os pés do chão e voar. O vôo foi interrompido por uma barreira, a estátua, pensou Alyce. Sentiu suas costas sendo pressionadas e a cabeça bateu com força na pedra. Tudo de repente girou e ficou embaçado, fora de foco. O monstro estava gritando ainda. Aquilo feria seus ouvidos, mas não conseguia mexer as mãos para tampá-los. E em questão de segundos ele foi desmoronando. Caindo aos pedaços, e os pedaços caindo no chão já transformados em cinzas. E só ficaram duas coisas naquele chão de piche. A faca e a chave.

Notas finais
Bem... Mande comentários e faça dessa humilde escritora uma pessoa bastante feliz para continuar a escrever :D