Silent Tears
12 Herança Familiar - Parte II
Tudo ficou muito silencioso por alguns minutos, até que ele falou bem baixo, como se temesse que eu me assustasse com o som da sua voz:
-Quando você vai voltar para casa?
Eu engasguei. Eu não esperava por aquela pergunta, ele me pegou desprevenida.
-Eu não sei. Não sei nem aonde é a minha casa agora.
-Não fale assim Sophie, você tem que tentar compreender o lado da sua mãe, ela tinha medo que você reagisse exatamente como esta reagindo agora.
-Eu sei, é como se todos os meus sentimentos estivessem 3 vezes mais fortes. É com sempre tivesse havido um tipo de bomba dentro de mim, e ela tivesse resolvido explodir agora.
-Isso é um dos efeitos da transação.
-Eu ainda tenho esperanças que você fale que é tudo uma pegadinha, você sabe disso né?
-Eu sei, no começo eu também fiquei assim.
-Á quanto tempo você sabe?
-Desde de sempre.
-Você já sabia que era metade anjo?
-Sim. Eu sempre soube. Eu e meu irmão nascemos da mesma bruxa, chamada Karen. Ela nos contou quando ainda éramos pequenos. Ela cuidou da gente até os meus 6 anos, Julian tinha 7. Mais alguém arrombou a nossa casa e a mataram – ele parou, suspirou e continuou – eu não lembro de quase nada, aquela noite é como um grande borrão para mim, é frustrante. Julian não gosta de falar sobre isso, mais eu acredito que ele sabe mais do que deixa transparecer.
-Eu sinto muito sobre a sua mãe, Ian – ele olhava para o lado de fora do carro, como se estivesse em outro lugar. Quando ouviu minha voz, foi como se tivesse sido puxado de novo para dentro de si.
-Obrigado. Desde daquela noite, eu e Julian cuidamos um dos outros. Bom pelo menos até uns tempos atrás, nós fomos nos distanciando. Agora só nos vemos de tempos em tempos. Pode-se dizer que ontem foi um reencontro, já fazia meses que não nos víamos.
-Isso é terrível… Calma aê! A primeira vez que vocês se viram foi hoje não foi? Então porque você falou ‘ontem foi um reencontro’?
Ele gelou. Não respondeu.
-Ian! Porque você falou ‘ontem’?
-Eu me confundi…
-Não, você não se confundiu. Você ta escondendo alguma coisa de mim.
-Não estou não.
-Esta sim. Ou você fala agora, ou pode parar o carro para eu descer. Chega de segredos por hoje.
Ele ficou tenso.
-Ontem eu e Julian nos reunimos para falar sobre você.
-Você sabe que é um péssimo mentiroso, não sabe?
-Eu sei – ele não falou mais nada.
-Você não vai me falar, não é?
-Não.
Eu ia insistir, mais vi que não ia sair mais nada dele. Então resolvi mudar de assunto.
-Onde nós estamos indo?
-Para o meu apartamento.
-E aonde é o seu apartamento?
-Você vai ver…
-Estamos longe Mr. Mistério?
-Não. Estamos quase na frente.
Então ele parou na frente de um simples prédio de 3 andares. Era bem deserto lá, então nós entramos e subimos as escadas em silencio. Eu ouvia um familiar barulho ao longe, mais não consegui reconhecer. Então no último andar, ele abriu a porta do apartamento e segurou a porta para eu entrar. Eu entrei e me deparei com uma linda sala que fora pintada de roxo bem forte. Na sala tinha uma imensa TV de tela plana, um enorme sofá cinza e uma mesinha de centro cinza também. A cozinha era emendada com a sala e não dava para eu ver muito bem como era.
- Uau…
-Fique a vontade, eu vou fazer alguma coisa para você comer – e ele começou a caminhar para cozinha.
-Não precis… – mais eu fui interrompida por um enorme barulho vindo da minha barriga.
-O que você tava dizendo? – ele tinha um sorriso pretencioso no rosto.
-Humm… Posso ligar a TV?
-Claro — então ele foi para cozinha entre risos
Eu meio que me joguei no sofá, e meu Deus como ele era confortável! Liguei a TV e coloquei em um filme de comédia qualquer, enquanto isso eu ouvia o barulho do fogão e o abrir a porta da geladeira.
Ian voltou com um prato de pão com ovo e queijo cheddar, e um copo de suco de maracujá. Ele me entregou os dois, eu peguei e ao sentir o cheiro do pão meu estomago roncou mais ainda. Ian riu.
-A quanto tempo você não não põe nada na boca, Sophie?
Eu parei para pensar, eu acho que a vodca não contava.
-Eu só tomei café da manha.
-Nossa! Então não é a toa que você ta com esse humor.
-Eu estou com tanta fome que não vou nem discutir com você – e então eu mordi o lanche. Eu nunca comi um lanche tão bom em toda a minha vida!
-Isso ta ótimo! – eu falei de boca cheia.
-Obrigado
Eu terminei o lanche em 10 minutos, Ian aguardava em silencio. Depois eu peguei o copo e bebi todo o suco. Agora eu me sentia um pouco melhor.
-Obrigada mesmo, Ian. Não só pelo lanche, mais por me acolher aqui.
-De nada. Sinta-se a vontade de vim quando você quiser.
Eu ia responder mais uma onda de sono me cobriu. Então eu me aconcheguei no sofá. Ian pôs os braços ao meu redor. Eu usei um pé para tirar o tênis do outro e o mesmo com o outro pé. E eu fiquei assim até eu cair em completa inconsciência.
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