Silent Tears

11 Herança Familiar - Parte I


-Mãe? – eu repeti, após um longo tempo de silencio. Minha mãe olhava para o chão.

-Eu adiantei essa conversa o máximo que eu pude, mais vejo que chegou a hora.

-A hora do que?

-De você saber o segredo da família.

Ela parou como se esperasse que algo extraordinário acontecesse para que ela não precisasse mais falar. Como nada aconteceu ela continuou

-Você é uma bruxa, Sophie.

Eu a encarei. Estava pasma, não conseguia formatar uma pergunta sequer. Como assim bruxa? E Peter? Ele sabia? Por que nunca me contou? Eu sentia como se o Hagrid fosse invadir minha casa a qualquer minuto.

Minha mãe me tirou dos meus devaneios

-Eu não sei como funciona a ligação. Antes eu achava que era de geração á geração, mais nem eu nem Peter nascemos assim. Sua avó foi à única bruxa da família que eu conheci.

- Quem eram os dois garotos de hoje?

-Ian e Julian? São Anichs. Metade anjos metade bruxos. O pai deles é um anjo caído e engravidou uma bruxa. São muitos raros, isso se não forem os únicos da espécie.

-Oque eles querem comigo?

-Eles estão aqui para te proteger, e te ajudar a disciplinar seus poderes e…

-Ok, isso é muito para assimilar..

-Eu sei, e você não precisa decidir, nem fazer nada agora.

-Não é o suficiente. Eu preciso de um tempo – eu me levantei do sofá, e fui em direção ao meu quarto.

Peguei um short, e uma camiseta preta velha qualquer. Me troquei e pus o meu all-star preto velho, meu celular e meu fone de ouvido.

Desci as escadas, e minha mãe parecia não ter movido um músculo sequer.

-Aonde você vai Sophie?

-Vou ficar um tempo na casa da Tamara.

-Você não pode fugir dessa conversa para sempre.

-Bom mãe, você fugiu dela por 15 anos, acho que eu consigo por alguns dias.

Eu não esperei pela resposta, sai e bati a porta.

Ao pisar fora de casa, eu senti um peso nas costas por ter falado assim com a minha mãe. Eu queria voltar e dizer que sinto muito. Mais eu não podia, eu estava muito magoada com ela agora.

A rua estava deserta, mais eu não estava com a mínima pressa de chegar ao meu destino. Um destino que nem eu sabia aonde era. Eu não podia ir a casa da Tamara á essa hora da noite. Por isso eu fui bem devagar. Decidi pegar meus fones de ouvido. Coloquei a música ‘mixed up‘ no volume mais alto que eu consegui.

Mais ai eu senti alguém atrás de mim, tirei os fones e me virei. Era Ian.

-Oque você ta fazendo aqui? Eu quero ficar sozinha, Ian.

-Eu quero conversar com você.

-Qual parte do ‘quero ficar sozinha’ você não entendeu?

-Qual é Sophie, você nem ao menos sabe aonde você esta indo, vamos para algum lugar para que possamos conversar.

-Eu sei muito bem para aonde eu estou indo. Estou indo para a casa de uma amiga.

-E você vai dizer o que para ela? Já passa das 22:00. Não seja teimosa.

-Não ouse tentar descobrir o que eu estou sentindo agora. Eu sai da cama hoje com apenas uma expectativa: Voltar para ela o mais rápido possível. Mais ai eu descubro que minha vida inteira foi uma farsa, e que minha mãe mentiu para mim sobre o simples fato de eu ser uma BRUXA! Isso é coisa para se falar não quando se tem 4 anos, mais quando eu tinha 12 talvez. Mais não, eu vim descobrir com 16 anos de completos estranhos que são metade anjos, metade bruxos!! Então, senhor perfeito eu acho que eu tenho o direito de estar um pouco teimosa!!!

-Nossa, parece que alguém aqui precisa se acalmar…

-EU NÃO ESTOU NERVOSA! Eu só estou… Só estou confusa….

E então eu não aguentei mais, cobri o rosto com as mãos e desabei a chorar.

-Não Sophie, não chore… – Ian parecia estar sem ação, então eu o senti chegar mais perto até consegui colocar os braços ao meu redor, enquanto sussurrava — shhh… Vai ficar tudo bem…

-Não, não vai ficar tudo bem. Nunca mais vai ficar nada bem… –minha voz saiu abafada, pois eu falava com a cabeça afundada em seu peito.

-Shhh… Vamos lá para casa, se você quiser não vamos nem conversar, eu arrumo algo para você comer e beber.

Eu hesitei. Bom, minha mãe disse que eles estavam aqui para me proteger, não é?

-Ta bom…

Então começamos a andar para o lado contrário de onde eu estava indo. Ao passarmos na frente da minha casa de novo eu me arrepiei e me encolhi nos braços que Ian ainda mantinha ao meu redor, ao perceber isso ele caminhou mais rápido.

-Nós vamos de a pé? A onde você mora?

-Meu carro esta estacionado na rua de trás da sua.

-Você estava me espionando, não é?

-Bom… Eu não chamaria assim…

-Tudo bem, eu não vou sair correndo de novo.

-Então sim, eu estava te espionando… E pelo visto não foi uma idéia tão ruim assim.

-Eu não quero discutir isso agora.

-Claro, claro. Meu carro é aquele – Ele apontou para um Veloster preto, provavelmente valia mais do que a minha casa inteira.

-Uau… É lindo.

-Obrigada. Vamos?

Eu dei um suspiro alto

-Vamos.

-Você fala parecendo estar indo para a forca.

Eu o ignorei. Quando eu entrei no carro um forte cheiro de hortelã invadiu o meu nariz

-Você passa perfume no seu carro?

-Não. Esse cheiro é meu – ele falou com um sorriso sarcástico no rosto enquanto entrava no carro pelo lado do motorista

-Aham… Onde você mora?

-Você vai ver.

-Mais mistérios?

-Você não sabe nem metade

Notas finais
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