Notas iniciais
Boa leitura *-*

Liz levantou se cedo como de costume, acordara antes do sol nascer tomava seu café da manhã e saia pra dar uma volta antes de ir pro estúdio onde já trabalhava a 2 anos e meio. Sua mãe Alessandra foi contra no inicio, por quanta que seria difícil conciliar as gravações, a escola e as viagens que eram freqüentes, mas quando viu o quanto sua filha estava feliz tratou logo de aceitar. Annelise caminhava pela calçada, era uma manhã fria de outono, a rua apesar de ainda ser cedo já estava movimentada.

—Bom Dia Liz— Uma senhora de 60 anos cumprimentou-a do portão — como está?

—Bom dia Srª Valentine, eu vou bem e a senhora? — Liz perguntou educadamente. Sempre que Liz passava pela casa, a velha senhora estava enfrente do portão, para contar-lhe de suas façanhas na juventude.

—Vou bem minha jovem, há meus tempos em que caminhava pela praia... — a velha senhora sorria enquanto contava de sua juventude pela 20º vez a garota que apenas sorria.

—Preciso ir — disse voltando a caminhar

—Ah sim, bom trabalho Annelise — A garota acenou com a mão e retomou seu caminho.

Caminhou por alguns minutos olhando as casas a sua volta. Eram todas muito bonitas cada uma num estilo diferente, algumas de dois ou mais andares, grandes ou pequenas, de fachadas incríveis e quintais belíssimos. Liz parou enfrente a uma casa, ela sonhava em comprá-la um dia, porém a quantia pedida não estava em seu alcance, a garota não entendia como poderiam querer tanto por uma simples casa, aquela era a menor do quarteirão por tanto a mais cara também. Pertenceu a Otto Frederick o ex-prefeito da cidade, que fora assassinado a um ano, por motivos desconhecidos. Desde sua morte a viúva do Sr. Otto colocou a casa a venda, e até o momento ninguém apareceu para comprar.

Liz observava a casa encantada, desviou seu olhar para o relógio do pulso e dera um pulo quando percebeu que estava atrasada.

—Nossa á quanto tempo fiquei aqui — dizia pra si mesma correndo de volta — um dia a compro então poderei parar de vir vê-la

Annelise chegou em frente a casa, entrou correndo sem notar as companheiras presentes na sala subiu pro seu quarto.

—O que deu nela? — perguntou Lucy adentrando a sala comendo uma maçã — estava atrasada?

—Como sempre — respondeu Sam deitada no sofá — por que ela não aceita nossa ajuda e compra a bendita casa?

—Por que é Annelise, a cabeça dura — comentou Bia descendo as escadas — ela acha que ficará em dividas se aceitar

—CABEÇA DURA — gritou Lucy

—Quem é cabeça dura? — Talita perguntou da cozinha

—Annelise — as três disseram em resposta

‘’Anne Boleyn she kept a tin which all her hopes and dreams were in (…) ♫♫’’

O som ecoou pelo local. Um celular tocava encima da mesa Bia correu pra atender.

—Não acredito que você colocou Transylvania como toque — Sam comentou

—Eu gosto do Mcfly — replicou a garota — alô?

Sam bufou e subiu as escadas pisando firme, esbarrando em Liz que descia apressada.

—O que...— Liz ia perguntar, entretanto Lucy a interrompeu

—Mcfly — a garota acenou a cabeça como resposta

—Ok, nós estaremos esperando — Bia disse antes de desligar

—Quem era? — Questionou Lucy

—Lucas, ele vai vir nos buscar — disse Bia ajeitando seu cabelo loiro

—Ta se arrumando por quê? Ele gosta da Liz não de você — Tatá intrometeu-se na conversa

—Ele não gosta de mim — Liz defendeu-se

—Aham e nós somos filhas da rainha — zombou Sam do alto da escada

Não deu tempo de Liz comentar nada, um carro buzinou e as garotas saíram de casa correndo.

—Hey tudo isso é pra sentar no banco da frente? — perguntou o garoto

—Quem vai ai é a Liz — disse Sam

Lucas não deixou de sorrir com o comentário, ele sabia que as meninas faziam isso de propósito, pra sempre deixarem os dois próximos. Liz entrou no carro e eles partiram.

Chegaram atrasados no estúdio. Tadeu os convocara para uma reunião antes das gravações. Os outros já estavam na sala, ansiosos e confusos pela tão esperada reunião.

—Atrasados — disse Tadeu vendo-os entrar — sentem-se

Sentaram-se nas cadeiras vagas confusos com a presença da equipe completa. Sempre fora apenas eles, e agora até os câmeras e maquiadores estava ali.

—Então, como todos sabem vamos até a cidade de Silent City — começou o homem — e todos nós iremos

—Todos nós? — Michael perguntou chocado

—Sim Michael todos aqui presentes — disse Tadeu olhando alguns papéis na mesa — aqui tenho algumas coisas que cada um deverá levar — completou entregando os papéis — leiam e se tiverem alguma duvida...

—Tadeu, armas? — perguntou Danny alarmado — por que armas? Vamos caçar?

—Danny, vamos até a floresta, precisamos de armas — respondeu Tadeu

—Quando vamos? — perguntou Chris

—Pegamos a estrada hoje a tarde...

—Onde vamos conseguir armas? — Danny ainda estava em choque com o objeto pedido

—Sabe o velho Bill? — todos assentiram — ele irá conosco, também irá entregar uma pra cada um

—Até nós usaremos? — Liz perguntou

—Claro — Bill disse entrando na sala — levem facas, e tudo que poderá ser usado como arma

—Não há pessoas naquela cidade? — Maria pronunciou-se pela primeira vez, estava chocada com a possibilidade de adolescentes usarem armas. — Amor?

—Calma, há pessoas que ainda moram lá — disse — mas isso não quer dizer que serão receptivos

—Como assim, quer dizer que se não nos receberem vamos matá-los? — Tatá perguntou perplexa

—Não, quero dizer ‘’essas coisas’’ serão apenas usadas em caso de emergência — Bill respondeu

—Não gostei nada disso — Maria disse

—Pela primeira vez, a loira ta certa — Sam comentou — não acha que se nos virem com ‘’essas coisas’’, vão achar-nos perigosos e tentar-nos ‘’atacar’’?

—Eles não irão nos atacar se explicarmos o porquê delas — replicou Bill — e se nos derem chance de explicar

—Bill — Tadeu o repreendeu — para com isso, agora!!

—Ok desculpe — O velho disse levantando as mãos em rendição — não brinco mais

—Não achei graça — Rafael balbuciou — então vamos gravar?

—Não — Tadeu informou — vão pra casa e preparem as malas

—Quanto tempo ficaremos por lá? — questionou Bia

—Uns 10 dias talvez — Tadeu disse e encerrou a reunião — nos vemos aqui as 2:30, sem atrasos

—hey, e vamos gravar durante a viagem? — perguntou Mario

—Sim, e na cidade também — respondeu Bill — vou adorar ser vigiado por câmeras

Mario revirou os olhos e saiu.

Algum tempo depois...

No horário marcado todos estavam reunidos na frente do estúdio. Liz e Lucas ouviam musicas dentro do carro, enquanto as meninas se juntaram aos outros numa roda no chão pra falarem sobre coisas aleatórias, e o que poderiam achar na cidade.

Tadeu chegou minutos depois com Maria e Bill.

—Sem atrasos — Rafael disse com uma voz afetada imitando-o o diretor, e os outros gargalharam com a imitação.

—Desculpe — pediu o homem saindo do carro — estamos em 4 carros então vamos no dividir

—Tadeu não tem como irmos assim, vai ficar muito apertado — disse Lucy — estamos em 20 pessoas

— Claro que dá, vai 5 em cada carro — Bill respondeu depressa

—Então quem vai com quem? — Sam perguntou levantando-se do chão

—Vamos fazer o seguinte: Sam, Danny, Lucy, Paulo e Rafael em um — o homem anotava os nomes numa folha — Talita, Anne, Bia, Lucas e Chris em outro — a cada seleção os nomes eram anotados — Mario, Marília, Marcos, Victor e Natanael em outro e por fim Bill, Maria, Vanessa, Michael e eu no meu carro. Alguém contra?

Ninguém se pronunciou.

—Ok então vamos gravar aqui primeiro — Tadeu disse — antes, vocês trouxeram tudo?

—Não esquecemos nada, a não ser minha cama que não coube no carro — brincou Sam

—Não diga — replicou Maria sarcástica

Sam revirou os olhos.

—Tudo pronto — disse Marcos com a câmera em mãos — e vai...

*Gravação modo on

—Oi estamos começando mais um diário de viagem do HEY PEOPLE — disseram todos

—E hoje nós estamos aqui no estacionamento do estúdio, prontos pra embarcar em mais uma aventura — disse Lucy

—Como pediram — acrescentou Chris

—Serão 10 dias de aventura pela assombrosa cidade de Silent City e a floresta que a cerca — Bia comentou

Acompanha-nos nessa aventura e fique ligado — Lucas disse

Por que serão os 10 dias mais assustadores de nossas vidas, pode apostar — Paulo completou

O que acontecerá na cidade? — Perguntou Liz fingindo espanto — aguardem

— E tapem os ouvidos por que os gritos irão começar — Danny brincou tapando os próprios ouvidos e todos o acompanharam.

Tadeu fez sinal para que cortassem.

*Gravação modo off

Perfeito — disse batendo palmas — agora vamos

Cada um entrou em seu respectivo carro, Tadeu foi o primeiro a dar partida e logo os outros o seguiam. Lucas passou pela frente de sua casa no caminho, olhou para a mesma e sentiu um forte aperto no peito, olhou-a como se fosse a ultima vez que a veria.

Talvez ele estivesse certo, aquela seria a ultima vez que veriam a cidade.

A viagem toda foi uma algazarra total. Brincavam, riam, conversam coisas aleatórias. Talvez para esconder o medo que sentiam, ou talvez para se convencerem de que nada aconteceria durante a estadia na cidade. Em nenhum dos carros ninguém comentou nada de como seria o local, ninguém mencionou os mitos, nem nada. A cidade fora esquecida, por algumas horas.

—Tadeu, vire a esquerda — disse Bill — e depois à esquerda novamente.

Bill era o instrutor no caminho, ele vivera em Silent city na sua infância, escondido é claro, já que seus pais acreditavam no sacrifício humano que era feito. Tadeu seguia as ordens atentamente, estava nervoso a cada minuto parecia que estava mais perto da cidade e tão longe de casa. Chegaram a uma rua deserta, sem iluminação, apenas árvores ladeavam a estrada.

—Tem certeza que é por aqui? —Tadeu perguntou

—Sim — respondeu Bill olhando pela janela.

Os outros olhavam para fora do carro. O medo que sentiam no início da viagem aumentou quando vira o deserto que atravessaria.

—Aqui dá medo — Disse Liz olhando pelo retrovisor não vendo nada além de escuridão atrás de si, já que eram os últimos e anoitecera.

—Nem me fale — Bia balbuciou — é assustador

— espere chegar a cidade — Chris disse — dizem que é pior

—Para Christopher — pediu Liz — ta me assustando

— Só falei a verdade — disse o garoto olhando pela janela.

*Continua

Notas finais
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