Silent City - O Inicio
3 Invasores
Notas iniciais
A chegada na cidade foi tranqüila. O grupo parou na entrada da cidade onde uma grande placa dizia: ‘’Silent City: a cidade dos gritos’’ e outra logo abaixo ‘’caiam fora’’.
—Bem vindos a cidade — disse Bill
Tadeu adentrou os limites da cidade. A primeira impressão que teve foi de que realmente a cidade era fantasma. Completamente isolada no meio do nada, Silent City sobrevivera por séculos. Ao longe se podia ver fumaças saírem das chaminés de algumas casas.
—Bom, não estamos sozinhos — disse Tadeu estreitando os olhos para ver melhor — pra onde Bill?
Antes que pudesse responder, Tadeu viu uma movimentação nas primeiras casas. Um garotinho saiu de uma casa caindo aos pedaços e correu em direção a um sino que tinha perto de um monumento, e tocou gritando:
—invasores, invasores
Em instantes vários homens e mulheres armados com foices, enxadas, pedaços de madeiras, lanças e cordas correram em direção dos carros cercando-os.
—SAIAM DO CARRO — gritou um velho barbudo vestido com trapos e segurava em um de suas mãos uma lamparina e em outra uma foice — SAIAM
Tadeu saiu do carro incentivando o grupo a segui-lo. Lucas e seus companheiros foram empurrados para frente.
—O que fazem aqui? — o senhor perguntou — o que querem?
—Viemos investigar a cidade — Bill respondeu
—Investigar? — perguntou outro — a troco de que?
—Somos uma equipe de TV viemos investigar os mitos da cidade pro nosso programa — Tadeu informou sua voz soou trêmula.
—Não há nada para investigar aqui — uma mulher gritou — vão embora
—Vão embora — o grupo gritou
—O que faremos Bill? — perguntou Tadeu recuando
Bill não respondeu, sacou sua arma e atirou para cima.
—Não vamos a lugar algum — disse — nós vamos ficar e investigar
—Morreram — um rapaz disse — morreram como os outros...
O grupo se dispersou deixando a equipe pra trás.
—Vamos — disse Bill entrando no carro
Tadeu retomou o caminho, as pessoas ignoraram a presença deles e trancaram-se em suas casas. Estacionaram na frente de uma casa que um dia, fora linda e aconchegante, agora estava caindo aos pedaços e assustadora.
—Vamos passar a noite aqui — Tadeu disse ao grupo — Amanhã saímos pra explorar e ver se descobrimos alguma coisa
A casa estava imunda cheia de teias de aranha, e um fedor de mofo. As janelas cheias de limo e algumas quebradas, as paredes de madeira cheia de frestas e podres por causa dos cupins, o chão rangia a cada passo. Logo na entrada onde deveria ser a sala, havia um sofá de dois lugares e uma mesinha central, a direita podia-se ver um corredor que levava a cozinha e a frente outro que provavelmente iria aos quartos. Na cozinha havia uma mesa com umas das pernas quebrada apoiada num tijolo, um armário com louças sujas, uma pequena pia imunda e a geladeira.
—Argh — disse Bia abrindo a geladeira — que nojo!
—Que foi? —Rafa perguntou atrás dela — credo fecha isso — disse tapando o nariz — que fedor
—Ta cheio de verme isso — a garota comentou fechando a porta — Argh!!
—A quanto tempo essa casa não tem moradores? — o garoto pergunta
—A muito tempo — Bill responde chegando a cozinha — wow, que fedor
—Vem da geladeira — Bia avisa
Havia dois quartos na casa, em um tinha apenas um colchão encardido e alguns cobertores espalhados pelo chão molhados, uma janela encoberta por limo com desenhos estranhos e um pedaço de espelho preso a parede. No outro uma cama com apenas o esquadro, jornais espalhados pelo chão e um desenho de um homem com cabeça de cabra pintada na parede.
—O que é isso? — Maria perguntou entrando no quarto — que desenho é esse?
—Essa é a criatura que dizem viver na floresta — Bill explicou do corredor — e aqueles desenhos estranhos na janela do outro quarto que podem perceber tem vista pra entrada da floresta — Bill apontou a janela — são símbolos que impedem a besta de entrar nas casas.
—Acredita nisso? — Paulo perguntou — digo acredita que isso existe?
—Nunca duvide de uma história meu jovem — disse — eles não a inventam sem provas
—Então alguém já o viu? — Sam perguntou próxima a janela
—Sim — Bill suspirou — vamos pra sala e eu conto a história
Obedecendo ao velho o grupo reuniu-se na sala se sentado no chão em circulo.
—Quando eu morei aqui minha mãe acreditava na história de que as crianças eram sacrificadas a essa criatura porque acreditavam que ele era um deus e lhes dariam boa colheita por muitos anos. — Fez uma pausa — Deveria ser a cada lua cheia, duas crianças eram sacrificadas no meio da floresta. Meus pais escondiam-me no sótão, ninguém nunca soube que existi — suspirou — Uma noite uma das crianças fugiu na hora do sacrifício, a besta irou-se quando veio buscar sua oferenda e estava incompleta —Bill tinha o olhar vago — dizem que ele invadiu casa por casa matando a todos que encontrava. Quando ele chegou na penúltima casa havia uns desenhos estranhos feitos na janela, ele não conseguiu entrar, não passava da porta. A família religiosa decidiu entregar o primogênito em troca de paz, a besta disse que não podia fazer o trato, já que a criança fazia parte de outro acordo.
—A família morou aqui? —Michael perguntou arrepiado
—Não — Bill respondeu — eu morei aqui
Bill contou vários outros mitos sobre a cidade. Conversaram por horas, alguns dormiram amontoados no chão em sacos de dormir. Outros ainda estavam acordados, o medo de algo acontecer era tanto que espantou o sono.
Bill olhava pela janela. A escuridão não permitia ver nada, mas mesmo assim os olhos de Bill virão o inesperado. Um ser de branco andava pela rua parecia flutuar, o ser fantasmagórico procurava algo, ele aparecia cada vez mais perto, e sumia, aparecia e sumia. Bill pegou sua espingarda estava preparado, olhava pela janela assustado, o pessoal que estava acordado não sabia o que o velho estava fazendo.
—O que está vendo Bill? — Marília perguntou
—Shhh... — Bill pediu. Seus olhos vidrados na estrada, o ser apareceu e sumiu, o homem aproximou-se seu rosto da janela ao mesmo instante que a criatura apareceu na mesma.Bill assustou-se e apertou o gatinho estilhaçando o vidro, acordando a todos. —Puta merda
—O que você viu Bill? —Marília perguntou novamente já de pé
—Uma criatura, Mari, uma criatura horrível — disse o homem com a mão no peito — quase morri de susto
—O que aconteceu? — Tadeu e Maria perguntaram juntos
—Bill viu alguma coisa — Paulo disse
—O que era? — Chris questionou
—Era uma figura fantasmagórica eu acho, sumia e aparecia do nada — explicou — e de repente ela sumiu, eu aproximei da janela pra ver se havia sumido mesmo, e ela apareceu na hora — continuou o homem com dificuldade — isso é só o começo
— começo de que? — Danny perguntou
—Nada — Bill — eu só me assustei
—Tudo bem, cada um pegue alguma coisa e fique alerta — ordenou Tadeu — Marco e Mario eu quero que vocês andem com as câmeras ligada o tempo todo, entenderam?
Os irmãos assentiram e correram pegar as câmeras. Os restantes pegaram as armas que Bill trouxe.
—Se forem fantasmas como vamos matá-los com armas? — Bia perguntou baixo
—Se ver um fantasma loirinha, corra — disse Bill pegando a arma das mãos da garota — e torça pra que não te peguem
— e se pegarem? — Liz perguntou curiosa
—Te matam — Bill disse bem próximo do ouvido de Liz — principalmente esses que são vingativos.
—Bill — Maria repreendeu-o — ta me assustando
O velho deu de ombros, sentaram se em círculos de novo. Conversavam sobre como trabalhariam assim que amanhecesse, faziam planos pra caso de aparecer algum invasor durante a noite, e ficaram atentos a cada som que ouviam.
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