Silêncio
6 Capítulo 5 - Carne
O cheiro de pipoca era irresistível, Evan preparava o lanche para assistir a um filme de terror. O agudo som do micro-ondas se tornou audível pela casa inteira, ele se dirigiu até a cozinha e retirou o pacote de dentro do aparelho, despejou tudo em uma tigela, pegou uma lata de Coca-Cola na geladeira e foi pra sala, se preparar para ver o filme. Pegou o controle da TV e trocou de canal algumas vezes até achar o filme que queria, tinha acabado de começar, então ele acomodou-se no sofá, pegou a pipoca e o refrigerante e começou a assistir. Após algum tempo assistindo, ele pegou o celular e entrou no seu Facebook, verificou as notificações e as novidades e percebeu Rachel conversando.
- Oi – Ela digitou.
- Oi baby – Ele digitou de volta.
- O que está fazendo?
- Assistindo um filme.
- Preciso te perguntar uma coisa...
- Pergunta!
- Ah droga! Preciso sair, amanhã te pergunto ok? Bjs.
- Então tá, tchau.
Evan joga o celular no sofá ao seu lado, toma um gole do refrigerante e continua a assistir o filme, mas um barulho o assusta. Latidos. Vários cachorros latindo na rua, ele fica preocupado e vai lá fora ver, pensando que poderia ser seu gato, Troy, que ficou lá por acidente, mas ao sair, os cachorros param de latir, e agora estão revirando o lixo, rasgando as bolsas, Evan vai tirá-los de lá e com o pé, consegue juntar o que sobrou da bolsa.
- Droga!
Ao terminar, ele entra em casa novamente, vai até o banheiro lavar o pé e depois volta para assistir seu filme, que está em uma parte de suspense, onde a mocinha é perseguida pelo assassino, começa a comer algumas pipocas e neste momento, ele ouve um barulho vindo da cozinha, e tem certeza de que não foi no filme, foi real, na sua cozinha. Ele vai até o cômodo ver o que aconteceu, mas não foi nada, o barulho não veio da cozinha, então resolve voltar. Ao chegar à sala novamente, percebe que alguém está sentado no sofá, assistindo a o filme que passava na TV, ele se assusta e começa a tremer, não consegue ver o rosto da pessoa, pois está virada de costas, mas percebe que ela usa uma máscara.
- Rachel? – Ele pergunta, com as pernas tremendo e a pessoa larga a tigela de pipocas que estava comendo e vira o rosto, revelando dois buracos negros nos olhos e uma expressão sinistra de ironia. – Pode para com isso, já não basta meu gato me assustando hoje, agora você!
A pessoa permanece em silêncio e Evan se aproxima por trás do sofá, mas quando chega perto da figura e percebe que ela segura na outra mão, um machado, ele rapidamente se afasta.
- Oh meu deus, q-quem é você? – Ele pergunta assustado.
A pessoa simplesmente se levanta do sofá e começa a caminhar em direção a ele.
- Droga! – Evan grita, e começa a correr para a cozinha, desesperado. Quem é esse cara? Ele pensa.
Ao chegar lá, ele pensa em pegar uma faca, mas está do outro lado do cômodo, e o assassino está quase lhe alcançando. Não vai dar tempo. Então ele corre para uma porta branca no fim da cozinha. A garagem. Evan entra no cômodo e tranca a porta, procurando, logo em seguida, uma ferramenta que possa usar como arma contra o assassino. As batidas na porta se tornam cada vez mais altas e Evan começa a se desesperar ao perceber que não há nada para se defender além de algumas chaves de fenda. De repente, as batidas na portam cessam.
- Merda!
Ele vai até a porta e coloca o ouvido, não há nenhum barulho vindo de lá. Pensando que o assassino pode estar procurando outro caminho, ele aperta o botão várias vezes, mas a porta permanece sem movimento algum, é então que ele percebe que os fios que ligam o controle na parede ao portão estão cortados e o motor, quebrado. O assassino teve tempo de preparar o território, ele deve ter bloqueado todas as saídas enquanto Evan esteve fora. Ele planejava isso há muito tempo. Quem é esse sádico? Evan pensa, enquanto tenta freneticamente apertar os botões do controle do portão.
O assassino ainda está em silêncio, então Evan pega uma barra de ferro que acha no chão e vai em direção à porta. Talvez ele tenha ido se esconder, ou talvez queira apenas me dar um susto. Quando se aproxima da porta e vai destrancar, um grande barulho o assusta, seguido dos pedaços da porta sendo arremessados contra ele, o assassino começa a golpear a porta com o machado e Evan fica desesperado, aquilo não parecia brincadeira. Ele decide entrar no carro e quebrar o portão, então lembra que a chave está no seu quarto. Droga!
Depois de quebrar quase toda a porta, o assassino coloca a mão no buraco que fez e então a destranca e depois entra na garagem, caminhando lentamente em direção a Evan, arrastando o machado pelo chão.
- Me deixa em paz, por favor! – Ele grita, tentando convencer o assassino, mesmo sabendo que era impossível.
O assassino levemente balança a cabeça em negação.
- O que você quer? – Sua expressão se torna mais rígida, ele está confuso e com raiva. – Hein? O que você quer? Não dinheiro e nem nada disso, é outra coisa, me diz, o que é? – A última palavra sai em um tom mais fraco, Evan começa a sentir uma dor imensa no coração e fica fraco. O assassino o mostro um pequeno frasco com um pó cinza e então percebe. Fui envenenado. Ele cai no chão, muito fraco, e percebe o assassino chegando perto. Evan olha pra cima, e vê a máscara do assassino sorrindo para ele, na mesma hora, o sujeito levanta o machado e Evan entende. É o fim.
Na manhã seguinte, Francine novamente acorda se sentindo mal, os últimos dias têm sido muito difíceis, e ainda está desconfiada com a mensagem que recebeu com o nome de Evan, olha para o relógio e percebe que são oito horas manhã. A essa hora, Evan já deve estar acordado, ela pensa e então pega seu celular e liga para ele, mas está desligado. Não estou com um bom pressentimento. Diante das circunstâncias, não atender ao telefone significava algo muito ruim, então Francine decide vestir uma roupa e ir até a casa dele, afinal, não é muito longe. Todd ainda está dormindo, então ela se veste em silêncio, para não acordá-lo, desce as escadas, nem toma café, entra logo em seu carro e vai embora. Ela dirige até lá, um pouco nervosa, e tudo piora quando ela vira a esquina e percebe alguns carros de policia na frente da casa dele. Oh meu deus, ela pensa e então para o carro na frente. Ao descer, encontra o delegado Perkins conversando com um morador da rua.
- O que aconteceu? – Francine pergunta ao policial simpático que conhecera há alguns dias.
- Assassinato. – Ele lamenta.
- Oh meu deus – Ela fica nervosa. Está acontecendo denovo, ele está de volta. – Eu preciso entrar.
- É melhor não – Ele diz educadamente.
- Era meu colega de trabalho, eu preciso. – Ela começa a lacrimejar. Como isso pode ter acontecido?
- Me escute, você não pode entrar, é cena de um crime!
- Foi ele!
- Ele quem?
- O assassino da minha avó, ele está matando denovo?
- Como assim? – Ele fica surpreso – Espera ai, vou chamar o delegado.
- Tá.
O policial vai chamar o delegado e Francine fica parada, processando as informações, então tem uma ideia, entrar pela garagem, que está semiaberta. Ela se deita no chão e se espreme para passar pelo portão, e ao entrar, se depara com uma cena chocante. O copo de Evan com o pescoço rasgado pendurado por uma corda, totalmente suja de sangue, pois está praticamente dentro do pescoço dele, e para completar o show de horrores, duas chaves de fendas estão fincadas nos seus olhos. Aquela cena deixa Francine extremamente chocada com a cena e começa a chorar de desespero e tristeza ali mesmo, lutando para não vomitar. O policial chega ao local e a segura pelo braço.
- Eu disse que era melhor não ver. – Ele diz, triste por vê-la assim.
- Oh meu deus!
- Vamos sair daqui. – Ele a abraça e sai da casa.
- Francine, você está bem? – O delegado pergunta.
- Ela viu a cena do crime. – O policial responde por ela.
- Eu sinto muito.
- Por favor, eu quero que achem esse desgraçado e o prendam, se possível, – Seus olhos brilham, clamando por vingança – O matem!
- Pode deixar, vamos fazer isso – O delegado parece arrasado por vê-la assim.
- Eu vou te levar pra casa, vamos. – O jovem policial a conduz até o carro dela e vai embora.
Chegando à casa de Francine, ele sai do carro e se despede.
- Eu espero que fique bem. – Ele diz.
- Eu vou ficar – Ela mente – Mas e você? Vai a pé pra lá?
- Eu vou pra delegacia, é perto daqui.
- Tchau então, obrigada pela força.
- Por nada.
O jovem homem sai andando pela rua enquanto Francine entra em casa e se depara com seu marido na sala, com cara de preocupação, com o telefone na mão.
- Onde estava? – Ele pergunta – Me deixou preocupado!
- Estava na casa do Evan – Ela fala, com uma voz muito fraca.
- Porque estava lá? E... Você está chorando?
- Ele morreu!
- Ah meu deus – Ele tira a postura de sério e a abraça. – Eu lamento muito.
- Ele quer acabar com a minha vida novamente – Ela desabafa aos prantos.
- Você já contou a policia sobre ele?
- Sim, eles estão em busca, e nós vamos ficar protegidos. – Ela enxuga as lágrimas.
- Não sei se isso me deixa mais confortável.
- Por quê?
- Você disse que na última, a policia não deu conta – Ele diz – Esse sujeito é inteligente.
- Mas infelizmente é só o que temos.
- Eu preciso ir trabalhar agora – Todd começa – Me prometa que você só vai sair pra trabalhar e nada mais, por favor.
- Tá bom – Ela concorda.
Todd vai embora trabalhar e Caleb continua dormindo. Francine não conseguia tirar da cabeça a cena do corpo sem vida de Evan naquela garagem, era agonizante saber que o assassino estava por ai, andando livre pela rua, e não vai parar tão cedo. Seus pensamentos são interrompidos por um bipe, uma mensagem de texto, ela pega seu celular e vê um nome piscando de leve. Desconhecido. Droga, é ele denovo, e agora? Ela pensa e então abre a mensagem, fica em choque, pois sabia o que vinha depois, no sms continha apenas um nome. Tasha.
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