Silêncio
7 Capítulo 6 - Um Pouco Sem Tempo
Não pode ser. Francine não conseguia acreditar no que estava vendo, outra mensagem, será que acabaria do mesmo modo que a anterior? Mesmo assim, ela estava muito preocupada. Não posso ficar aqui parada. Ela então, tem uma ideia. Pega o celular e disca um número. Demora um pouco até que a mulher do outro lado da linha atende.
- Francine? – A voz de Layla soa feliz do outro lado.
- Oi Layla – Francine finge estar tranquila para não preocupá-la. – Preciso te pedir um favor.
- Claro, pode pedir.
- Eu queria que você ficasse com o Caleb por hoje, eu preciso resolver uma coisa importante e o Todd está no trabalho.
- Tá bom querida!
- Então eu passo ai em dez minutos tá?
Ela corre até o quarto de Caleb, que já estava acordado, pega uma pequena mala e começa a colocar algumas roupas dentro dela.
- Pra onde vamos mamãe? – Ele pergunta, sonolento.
- Você vai visitar a tia Layla! – Ela responde em um tom divertido.
- Legal! – Ele grita, e começa a pular em cima da cama.
- Vamos se arrumar?
- Vamos!
Após terminar de arrumá-lo, Francine dirige até a casa de Frank e Layla, que não é nada perto. Ao chegar, ela toca a campainha, e depois de algum tempo, Frank atende.
- Frank! – Caleb diz, animado.
- Caleb! – Frank retribui, abraçando o garoto e segurando-o nos braços.
- Oi Fran, entra!
- Oi Frank.
- Oi querida! – Layla animadamente diz.
- Oi Layla, e obrigada por ficarem com ele, sei que dá trabalho.
- Não tem problema – Frank diz – Acho até que vou roubá-lo pra mim, o que você acha? – Ele olha pra Caleb, que sorri e balança a cabeça, negando.
- Vamos lá.
Frank o leva para brincar e conhecer a casa, enquanto Francine e Layla conversam na sala.
- Eu soube da sua avó – Layla desfaz o sorriso – Sinto muito.
- Obrigada.
- O que está acontecendo Fran?
- Eu não sei.
- Você está estranha.
- Estranha? Eu? É claro que não.
- Eu sei que está mentindo. – Layla reconhece – Eu te conheço.
Francine suspira e abaixa a cabeça.
- É verdade, não estou nada bem.
- Pode me contar o que houve.
- A morte da minha avó mexeu muito comigo, e ontem, um colega de trabalho meu foi assassinado.
- Oh meu deus, eu lamento muito.
- Não precisa.
- Mas o que você vai fazer? Disse que tinha negócios a resolver, não tem a ver com isso né?
- Não, são outras coisas relacionadas à minha avó, eu e Todd vamos resolver.
- Mas cadê ele?
- Vou passar no restaurante e pegá-lo.
- Ah, tá.
- Preciso ir.
- Francine – Layla segura no seu braço – Tome cuidado.
- Pode deixar – Ela sorri levemente e vai embora.
Ao entrar no carro, ela volta a ficar desesperada e sai em disparada até a casa de Tasha. Se Francine estiver certa, lá é o próximo ponto que o assassino visitará. Ao passar em alta velocidade pela avenida, ela pega o celular, procura um papel no porta luvas e então acha, o número do delegado Perkins. Ela disca o número, mas antes que pudesse falar com ele, a bateria descarrega.
- Droga! – Ela bate no volante com força.
Não iria dar tempo de ir à delegacia, então ela resolve fazer isso sozinha. No porta-luvas, ela remexe em alguns papeis e então saca de dentro, um pequeno revolver. Eu resolvo isso.
Tudo está tranquilo na casa de Layla, Frank e Caleb estão sentados no sofá, assistindo a um jogo e Layla, no quarto, lendo um livro e pensando. Porque ela estava tão estranha? O que aconteceu? Resolve ligar para Vanessa. Demora alguns segundos até que a voz do outro lado da linha atende, falando com uma voz extremamente fraca.
- Alô? – Vanessa pergunta.
- Você tem percebido algo estranho na Francine ultimamente? – Layla não dá rodeios.
- Não, mas porque a pergunta?
- Porque ela veio aqui e deixou o Caleb comigo para resolver algumas coisas.
- O que?! – Vanessa parece surpresa.
- O que foi?
- Ela não pode ter feito isso.
- Feito o que? Vanessa, o que está acontecendo?
- Ela está em perigo, é isso que está acontecendo – Vanessa parece assustada – Por favor, não sai dai, chego em alguns minutos.
- Tá, mas venha logo.
Layla desliga o celular e fica mais preocupada ainda. O que está acontecendo? Tenta ligar para Francine, mas o celular está desligado, não tem mais entusiasmo para ler seu livro então o joga de lado e desce as escadas, encontrando os garotos no sofá.
- Frank – Layla diz.
- Oi amor.
Ela faz um sinal com a mão, chamando-o.
- O que aconteceu? – Frank pergunta.
- Algo muito ruim com certeza – Layla responde.
- Como assim?
- Francine veio aqui e deixou o Caleb com a gente para resolver algumas coisas, mas eu liguei pra Vanessa, que ficou assustada quando eu falei sobre isso e disse que ela está correndo perigo.
- O que? – Ele fica surpreso.
- Pois é, ela disse que iria resolver alguns assuntos com o Todd.
- Já tentou ligar pra ela?
- Sim, mas o celular dela está desligado.
- Então vamos ligar pro Todd, ele está com ela não é?
- Sim.
Frank pega o celular e liga para Todd.
- Alô?
- Todd? É o Frank, amigo da Francine – Frank começa – Você está com ela?
- Não, hoje eu vou trabalhar o dia inteiro, por quê?
- Por nada, é que o celular dela está desligado.
- Ela está em casa, com o Caleb.
- Tá bom, obrigado.
- De nada.
Ao desligar o telefone, ele faz uma cara de descontentamento.
- Ele não está com ela, e nem vai estar hoje.
- Que droga – Layla diz – O que é que está acontecendo hein?
- Eu não sei, mas é melhor descobrirmos logo.
Neste momento, a campainha toca. Vanessa. Frank atende.
- Oi – Ele cumprimenta.
- Oi Frank – Ela retribui.
- Vanessa – Ela a abraça – O que está acontecendo?
- Vamos conversar com calma – Vanessa sugere.
Eles se dirigem até a cozinha.
- Pode ir falando, o que está acontecendo?
- Tudo começou quando ela jurou ter visto o assassino outro dia – Vanessa começa e é interrompida por Frank:
- Assassino? Que assassino?
- Você sabe muito bem.
- Oh meu deus – Layla fica realmente assustada.
- A avó dela foi assassinada e ela jurou que foi ele o responsável, depois o Evan – Ela abaixa a cabeça – E ela agora quer se vingar de uma vez por todas.
- Que droga! – Frank fica revoltado.
- Eu vou atrás dela – Vanessa diz.
- Eu vou com você – Layla fala logo em seguida.
- Não vou deixar vocês irem – Frank interrompe.
- Não Layla, fique aqui com ele e o Caleb, Frank vai protege-los.
- Não vou te deixar ir Vanessa, entenda isso, não posso perder vocês – Frank começa – Não posso me arriscar denovo.
- Mas se não nos arriscarmos, nunca poderemos vencer, e outra coisa, eu estarei com o Jake, não se preocupem, eu vou ficar bem.
- Então tá – Frank se conforma depois de alguns segundos em silêncio – Mas tome cuidado.
- Vou tomar – Ela olha para a cara de preocupação dos dois – E não vou morrer.
Vanessa vai embora e Frank e Layla agora precisam se proteger e proteger Caleb.
Tasha se prepara para sair para trabalhar, pega sua bolsa, dá uma última olhada no espelho e então vai embora, entra no carro e dirige até a Spring. Quando chega lá, a primeira como sempre, entra no prédio, cumprimenta a recepcionista e sobe para a sala de redação, chegando lá, percebe que não há mais ninguém lá, então começa a andar pelo local, arrumando as coisas nas mesas dos seus colegas, apenas para passar o tempo, chega em frente à janela de vidro e observa a cidade, tomando um copo do café que acabara de pegar. Por um momento pensa ter visto, pelo reflexo da janela, alguém de preto atrás dela, mas quando se vira, não há ninguém, ou pelo menos não mais.
Francine atravessa o cruzamento da rua da casa de Tasha rapidamente e então chega na casa da moça. Ao descer do carro, ela vai correndo até a casa e toca a campainha, uma, duas, três, quatro, cinco vezes, mas ninguém atende. Ela já pode estar morta. Francine estremece com a ideia, e então resolve entrar na casa. A porta está trancada, então ela anda pelas laterais, esperando achar algo, até que finalmente percebe uma janela aberta no primeiro andar da casa. Vou entrar por ali. Após tentar de todas as maneiras, ela entendeu. Não consigo. Então teve outra brilhante – Ou quase – ideia. Quebrar uma janela de baixo, ela procura ao redor, e encontra uma grande pedra, então a joga contra a janela, que se estilhaça em vários pedaços, por dentro, dela abre a janela e entra na casa, correndo contra o tempo para procurar sua amiga e acha-la viva, mas após uma busca inteira pela casa, ela nota o relógio. Uma e meia da tarde, hora de estar na Spring. É isso, ela está na Spring.
Estão demorando pra chegar, Tasha conclui, então resolve descer e ficar conversando com a recepcionista, mas ao chegar à grande porta da sala, percebe que está trancada. Ela sorri e se afasta, virando-se para olhar pela sala e procurar o engraçadinho que fez isso.
- Quem foi o engraçadinho? – Ela pergunta – Evan? Aidan?
Ninguém responde.
- Vou perguntar mais uma vez, quem está ai? Devolve a chave logo por favor!
Mais uma vez, ninguém responde, então ela decide procurar. A sala permanece silenciosa por algum tempo, começando a deixar Tasha nervosa.
- Escuta aqui, eu não estou achando graça!
Ela começa a andar pela sala, a procura de algum engraçadinho para lhe dar uma bronca, mas infelizmente não percebe um pequeno detalhe, se fosse apenas um amigo pregando uma peça, ele já teria aparecido. Tasha começa a ficar com medo. Um passo, e ela sente a adrenalina correndo por suas veias. Mais um passo, e ela sente seu coração batendo como se quisesse pular para fura. Mais outro passo, e então ela o vê rapidamente, em pé ao seu lado, com uma picareta que nem parecia comum de tão extensa. Antes que ela pudesse fugir ou lutar, o homem lança a picareta em direção a ela, acertando em cheio a garganta da garota e fazendo com que uma das extremidades da picareta, atravessasse todo o percurso do pescoço dela, chegando ao outro lado. O corpo ensanguentado de Tasha desaba no chão, o assassino retira a picareta da garganta dela e observa o cadáver, com aquela expressão vazia da máscara de pano.
Francine entra correndo na recepção da Spring.
- Tasha está aqui? – Ela pergunta, com uma expressão de desespero que não consegue conter.
- Sim – A bela recepcionista responde, confusa com a atitude de Francine – Já está lá em cima.
- Tem alguém com ela?
- Não.
- Droga!
Francine sobe as escadas em alta velocidade, e ao chegar lá em cima, percebe que a porta no fim do corredor está escancarada. Ela começa a andar lentamente, com medo do que pode encontrar entrando naquela sala. Ao chegar, ela se depara com a cena que estava rezando para não ver. Havia muito sangue por toda a parte, e numa parede, algumas linhas do líquido vermelho formavam duas palavras. Tarde demais, então percebe no canto da sala, o corpo de Tasha, sentado no chão e encostado na parede, com um buraco imenso no pescoço e dois buracos cheios de um líquido preto que Francine reconhece como tinta, no lugar onde ficavam os olhos. Ela não consegue segurar o grito, um grito alto e desesperado que logo fica abafado, dando espaço para as lágrimas. Quando a recepcionista confusa chega ao local, encontra Francine encostada em uma parede do corredor, quase vomitando e chorando.
- O que aconteceu Francine? – Ela pergunta, mas sua pergunta logo é respondida quando ela percebe a bagunça dentro daquela sala. A moça solta um grito alto.
Enquanto alguns homens levavam em uma maca, o corpo de Tasha envolto por um plástico preto, Francine ainda chorava sentada no banco da frente do seu carro. Seus olhos estavam vidrados no volante do carro, embora seus pensamentos se resumissem em apenas uma coisa. Tasha. Sua expressão de tristeza se transforma rapidamente em uma expressão de fúria e ódio. Ninguém mais vai morrer por aqui! Ela liga o carro, engata uma marcha e então vai embora, atrás do assassino, e embora esteja extremamente triste pela morte de sua amiga, ela precisava encontrar aquele homem, antes que mais alguém se machucasse.
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