Notas iniciais
Bom dia! Desejo uma ótima semana a vocês. Estou compartilhando um novo capítulo com vocês ♥ espero que gostem e deixem suas impressões.

Diferente da maioria das vezes que foi para Hogwarts, na manhã do 1° de setembro daquele ano letivo não houve a habitual correria de sempre. Eles acordaram cedo, tomaram café da manhã em família, mas daquela vez além da companhia de Sirius e Remus, havia mais dois aurores que tinham sido designados a acompanhar Harry e embarcá-lo.

Carros do Ministério estavam a postos para levá-los até a King’s Cross. Harry tinha achado aquilo tudo absurdamente ultrajante, lançou mais de um olhar ofendido aos aurores, especialmente quando um deles tentou levá-lo pela mão.

— Você se importa? — perguntou agressivamente, puxando de volta a mão para si.

Julian o encarou com seus olhos suplicantes e permitiu que um auror o conduzisse pela pilastra, enquanto Harry teimosamente insistiu em empurrar seu carrinho sozinho.

Ele não estava preparado para o que o esperava na Plataforma 9 ¾. Assim que atravessou a superfície e apareceu do outro lado, ao invés de ter a visão do majestoso Expresso de Hogwarts, foi recepcionado por uma chuva de flashes em sua direção.

— Sr. Potter, senhor Potter! Uma palavra ao Profeta, por favor.

— Senhor, é verdade o que andam dizendo? O senhor é mesmo O Eleito?

— Senhor, dê-nos mais relatos sobre seu encontro com Você-Sabe-Quem!

Harry não seria estúpido suficiente para dizer alguma coisa, mas sua maneira de lidar aquilo teria sido bem mais agressiva se seus pais não tivessem surgido logo em seguida.

O auror que havia atravessado a barreira com Julian estava tentando dispersar a multidão, mas com o auxílio de Remus e o outro auror havia sido muito mais rápido.

A mão de Sirius estava sobre seu ombro e seu padrinho começou a conduzi-lo na direção livre de pessoas que a escolta conseguira abrir, enquanto Julian era acompanhado por Lily que parecia se possível mais nervosa e pálida com toda aquela atenção.

Harry sempre teve muita atenção, mas ele nunca testemunhara nada semelhante aquilo. Havia sempre uma onda de admiração quando as pessoas viam o Menino-Que-Sobreviveu, mas agora ao invés da admiração havia um olhar infestado de fé dos demais.

Eles olhavam para Harry e viam a ele ou como um obstáculo para seu Lorde suprimir a minoria ou como o messias enviado por Deus.

Se é que havia mesmo um Deus, Harry pensou amargamente, porque há muito ele chegara a conclusão que se existia divindade então não era naquela forma paternal e amorosa que Lily Potter o fizera acreditar a vida inteira.

— Precisa de ajuda com o malão? — perguntou Sirius.

— Eu me viro. — respondeu em tom silencioso e tirando os óculos para esfregar os olhos fragilizados pelas câmeras dos jornalistas. — Por Godric e Helga. O que foi aquilo?

— O preço da fama. — Sirius disse em tom falsamente displicente. — Você deve ter ouvido falar que eu sou na verdade líder de uma banda de rock’n roll por aí.

Harry riu, mas não deixou de pensar que seria muito mais fácil se realmente estivessem ali por Sirius.

Lily usou sua varinha para ajudar o filho mais novo a guardar seu malão, em seguida ela foi cumprimentar Augusta Longbotton que estava acompanhando Neville mais uma vez para embarcar no Expresso de Hogwarts.

Harry viu Neville acenar, segurando uma planta suculenta em um dos braços e empunhando a nova varinha no outro.

Olivaras tinha desaparecido naquele verão, e de acordo com Neville, sua nova varinha havia sido uma das últimas que o velho homem tinha vendido.

Estava prestes a barganhar um maço de cigarros de Sirius, quando Harry percebeu a forma magra de uma garota com cabelos dourados e usando uma fita de cetim nos cabelos, parar rapidamente para cumprimentar Neville, sua avó e, por consequência, sua mãe.

Era Daphne Greengrass. Ela usava um belo vestido de gola Oxford, meia-calça e sapatos, além da capa de viagem sobre os ombros. Sorria de uma forma mais generosa enquanto conversava com os Longbotton e educadamente reconhecia sua mãe.

— Olhos de águia hein?

Harry olhou para o padrinho e percebeu que Sirius tinha uma sobrancelha arqueada em sua direção e os braços cruzados.

— Eu nunca achei que sonserinas de família tradicional fizessem seu tipo. — Sirius fez uma careta perante a observação. — Mas certamente ela é muito bonita. Sempre achamos que você terminaria com Ginny ou Hermione, claro, mas aquela ali também parece pelo menos agradável...

— Não seja infantil. — Harry resmungou. — Eu nem a conheço. Esbarrei com ela no Beco Diagonal e Hermione comentou que ela é do nosso ano e da sonserina.

— Qual é o nome dela?

— Daphne Greengrass. — Harry percebeu que era realmente um nome elegante, não eram apenas as roupas que ela vestia. — O que você sabe sobre eles?

Sirius bufou impaciente. Odiava como Harry utilizava de seu status de puro-sangue como pretexto para fazer perguntas como aquela.

Cruzando os braços, Almofadinhas argumentou que não era uma maldita tapeçaria genealógica.

— Mas você é puro-sangue, o que dá na mesma. — Harry respondeu impaciente. — Responda à pergunta.

— Eles são neutros. — Sirius deu de ombros. — Eles não se juntam a nenhuma causa, mas tampouco se opõe. Não dificultam e nem facilitam o trabalho. Os Greengrass cuidam uns dos outros.

Como se para responder aquilo, outra garota de cabelos loiros surgiu. Ela era mais baixa que Daphne, mas era extremamente parecida com a garota. Também cumprimentou os Longbotton e a mãe de Harry com absoluta educação.

— Se precisa de mais detalhes, é melhor perguntar a seu amigo Neville. — Sirius disse checando seu relógio de ouro extremamente arranhado. — É melhor vocês embarcarem.

Harry que ainda não havia localizado Ron e Hermione, rapidamente abraçou o padrinho e surrupiou o maço que escapava de seu bolso traseiro. Se Sirius havia percebido, ele não comentou nada.

Despediu-se de Remus, assim que Julian finalmente o soltou do abraço, depois foi até onde os Longbotton ainda estavam com Lily – infelizmente, Daphne e a outra garota não estavam mais ali.

— Ah Harry, querido. Que fascinante encontrá-lo! — disse Augusta Longbotton.

— Olá Sra. Longbotton.

Quando ele era mais novo, Harry costumava a chamar de ‘vovó Longbotton’, mas aos dezesseis anos ele não tinha certeza se tinha coragem, muito embora Augusta sempre se referisse a Lily como ‘filha’.

Ele abraçou a mãe e escutou cada uma das recomendações dela. Variava entre pentear os cabelos todos os dias, fazer a barba, não se meter em brigas e passar o olho em Julian.

— Eu posso cuidar de mim mesmo. — Julian se defendeu, com o peito estufado.

— Eu sei disso, mas também preciso que você tente controlar seu irmão. — Lily sorriu e beijou a testa do menino. — Cuide-se querido.

O voto de confiança da mãe pareceu um enorme troféu para o menino de 14 anos. Ele estufou o peito e partiu rapidamente, identificando os irmãos Creevey e Nigel, indo logo atrás deles para procurar uma cabine boa.

Neville se despediu da Sra. Longbotton e pela primeira vez a mulher parecia olhar para o neto repleta de orgulho. Ela o deu um aceno de aprovação e os dois caminharam juntos para dentro da Maria-Fumaça.

Julian se enfiou dentro da primeira cabine livre que encontrou e colocou a cabeça para fora acenando animadamente para Lily, Sirius e Remus. Sempre sentia um aperto no peito ao se despedir e, diferentemente do irmão, não estava achando de tudo ruim voltar em casa nos fins de semana.

Quando o expresso finalmente fez a curva, ele se juntou aos outros três meninos que começaram a contar animadamente sobre os últimos dias de verão e estavam animados para o que aquele ano letivo reservava. No próximo ano seria os N.O.Ms, então era também a última oportunidade deles de serem irresponsáveis e rebeldes.

No caso de Julian, ele era o menos irresponsável e rebelde do grupo, então ele matinha os amigos sob o mínimo de controle pelo menos – coisa que falhava desastrosamente se tratando de seu irmão mais velho.

Ouviu a porta da cabine se abrir e por um momento achou que era Harry, já que quando Hermione e Ron estavam na reunião de monitores ele normalmente se juntava a Julian na cabine, mas acabou sendo na verdade outra pessoa.

— Alô Julian. — disse a jovem loira que conversava com sua mãe.

— E aí Daphne. — cumprimentou-a com um sorriso.

Daphne havia sido assistente de Snape em algumas aulas no ano anterior, então Julian tinha visto bastante da loira. Assim como ele, a jovem sonserina era completamente fascinada pelo preparo de poções fazendo com que volta e meia eles se encontrassem pelos corredores que levavam a sala do professor morcegão.

— Queria saber se Astoria poderia ficar aqui com vocês. — ela pediu educadamente. — Normalmente ficamos juntas na mesma cabine, mas eu preciso ir ao vagão de monitores.

— Oh, eu não sabia que você era monitora. — comentou o ruivo. — Mas sim, claro. Entre Astoria.

Astoria era de seu ano e era, assim como Daphne, muito bonita. Ela era também tímida, calada e mais sofisticada que a maioria das adolescentes de 14 anos, o que as vezes a fazia parecer mais velha que realmente era.

A versão mais jovem de Daphne entrou na cabine e lançou um olhar feio para a irmã. Algo dizia a Julian que era Daphne que fazia mais questão de manter Astoria ali com eles, a que a escolha da própria menina.

— Eu já volto. — escutou Daphne dizer suavemente para a menina. Ela tornou a olhar para Julian. — Eu realmente não era monitora, mas Pansy Parkinson decidiu desistir do cargo, assim como Malfoy, então eu e Theodore Nott assumimos a função.

— Legal. — Julian respondeu com simplicidade.

Astoria se isolou na cabine, mantendo uma distância conservadora dos três meninos. Julian tentou sorrir para ela, mas a menina simplesmente o ignorou e abriu um livro de encantamentos para a jovem bruxa moderna.

Além de Neville, Harry havia encontrado Luna Lovegood tropeçando entre os vagões. Ela usava um par de óculos excêntricos e seus cabelos loiros estavam como de costume embolados e com um aspecto meio sujo, mas Harry não podia deixar de sorrir ao vê-la.

Luna o intrigava. Ele a achava fascinante e era uma das poucas pessoas que tinha acreditado nele desde o princípio, além disso também se juntara a AD e lutara ao seu lado no Ministério da Magia.

Rapidamente ele a convidou para buscar uma cabine, então os três se juntaram e passaram em frente ao compartimento de seu irmão, que se já não estivesse lotado, certamente teria sido o ponto de parada do trio.

Harry arregalou os olhos ao perceber que a cópia de Daphne Greengrass estava sentada com o quarteto e parecia alheia a conversa deles enquanto lia um livro.

Barbas de Merlin. Ele nunca havia visto Greengrass na sua vida antes, mas agora por onde fosse encontrava ela ou seus rastros.

— Ei Neville. — decidiu perguntar ao amigo quando eles finalmente encontraram uma cabine vazia, felizmente paralela a de Julian. — Quem era aquela menina loira que parou para cumprimentar você e sua avó?

Harry estava guardando sua mochila, por isso não se deu conta que o amigo estava de quatro no chão tentando pegar seu sapo fujão. Trevo novamente tentava ganhar sua liberdade.

Neville soltou um guincho ao acertar a cabeça no banco. Harry olhou aturdido e o ajudou a se levantar, enquanto Luna estava com uma cópia do Pasquim em mãos e completava as palavras cruzadas insanas que ela e o pai desenvolviam.

— Ai! Puxa vida, Trevo. — Neville esfregou a cabeça e reclamou com o sapo. — Bem, você deve estar se referindo a minha prima. Daphne Greengrass.

Harry franziu o cenho.

— Prima? — repetiu incrédulo.

— A mãe dela é irmã da minha mãe. — Neville explicou. — Você não sabia?

Exasperando-se, o jovem grifinório começou a se questionar como aquilo era possível. Como todos pareciam conhecer Daphne Greengrass e ele era o único que sequer ouvira aquele nome?!

— Não. Pra mim, os Longbotton eram sua única família. — Harry respondeu com o semblante aturdido. Vasculhou em sua memória lembranças dos aniversários que tinha compartilhado com o amigo.

Se ela era prima de Neville, então significava que ela teria ido à pelo menos algum aniversário, certo?

— O pai dela é diplomata. — Neville explicou. — Eles vivem na França. Ele trabalha na embaixada mágica da Grã-Bretanha e a sede fica em Paris.

— Por que ela estuda aqui e não em Beauxbetons então? — perguntou curioso.

— Imagino que seja pela tradição. — Neville deu de ombros.

Decidiu não perguntar mais, mas Harry não deixava de se sentir absurdamente aturdido.

—x-

Daphne deixou a reunião de monitores acompanhada de Theodore. Theo, como ela se referia ao melhor amigo, havia crescido uns bons centímetros naquele verão e lentamente parecia perder suas feições de rato.

Ela sabia que o Sr. Nott queria que ela se casasse com o filho dele, mas enquanto Daphne amava o melhor amigo, sabia bem que a ideia dos dois como um casal não descia bem nem a ela e nem a ele.

— Então, o que você achou da reunião? — perguntou ao sonserino.

— Mais entediante que eu imaginava. — Theo respondeu arrastadamente.

Ele não queria o cargo. Havia aceitado o pedido de Severus Snape por livre pressão do pai, que havia se revoltado pelo filho de Lucius Malfoy, mais uma vez, “tirar” algo que era por direito de seu filho. Embora Daphne duvidasse que Theodore tivesse cobiçado, em qualquer circunstância, tornar-se monitor, ela tinha que concordar com o Sr. Nott que o filho dele tinha as notas e o perfil certo para a função, enquanto Malfoy era só um idiota, com notas medianas e que azucrinava os primeiranistas.

— Você já tem uma cabine? — Theo perguntou após os dois caírem em silêncio.

— Na verdade não. — Daphne respondeu com uma careta. — E eu tenho que buscar Astoria na cabine de Julian Potter.

— Por que ela está lá?

Daphne revirou os olhos, impaciente.

— Porque aquela tolinha se acha boa demais para andar com qualquer um. — disse secamente. — Pedi ao Julian para que ela ficasse lá. Eu também não a queria sozinha com os sonserinos.

Os pelos loiros de seu braço se arrepiaram. Ela sabia da grande ilusão que Astoria tinha por Draco Malfoy, odiaria se o loiro também viesse a descobrir e usasse da inocência de sua irmã para suas atividades suspeitas.

Ser um Greengrass era crescer desconfiando de todos e cuidando do próprio sangue. O lema da família era ‘família vem antes’ e estava gravado em hebraico em cada relíquia que encontrasse na velha mansão dos Greengrass. Além disso, eles eram judeus, assim como os Nott e os Goldstein. Daí vinha o desejo de seu pai para que ela se casasse com Theodore, porque no Mundo Bruxo haviam pouquíssimas famílias tradicionalmente judias.

Após balançarem entre os vagões e com muito custo chegarem ao que estava Astoria, Daphne caminhou certeira até a cabine onde havia deixado a irmã, mas não tinha ninguém lá.

— Estranho. — murmurou para si mesma.

— Talvez ela tenha decidido ir atrás de você. — sugeriu Theo.

Foi até a cabine paralela e olhou pela porta, identificando os rostos conhecidos de seus colegas de sala, mas não o da irmã caçula.

— Com licença. — disse educadamente, empurrando a porta de correr. — Hum, Neville, você saberia me dizer se Astoria passou por aqui?

A conversa e as risadas se cessaram imediatamente quando Daphne colocou sua cabeça loira e sonserina para dentro. Ela fingiu não perceber que Potter a olhava com curiosidade, como se nunca a tivesse visto antes.

Ia dizê-lo para tirar uma foto que duraria mais, mas decidiu engolir o insulto.

— Oh, ela foi com Julian e os outros atrás do carrinho de doces. — explicou o primo. — Você a perdeu por poucos minutos. Estavam aqui agora mesmo.

— Certo. — Daphne acenou com a cabeça. — Se você a vir, pode dizer que eu estou numa cabine, nesse mesmo vagão, com Theodore?

— Claro, claro. — Neville concordou e a loira saiu, fechando a porta.

Leal ao que tinha dito, Daphne entrou na cabine vazia que tinha encontrado. Ficava próximo ao espaço que ligava o vagão ao outro, o que facilitava para vigiar o trânsito de pessoas.

— Relaxa. — Theodore disse calmamente. — Ela só fez uns amigos. Já era tempo, aliás.

— Não posso deixar de me preocupar.

Mas Theodore conhecia bem a melhor amiga, ele prontamente sacou das vestes uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores e a ofereceu. Daphne que não fazia ideia que estava com fome, viu-se comendo os feijõezinhos e outras guloseimas que os dois tinham em suas mochilas.

Ao passo que já estavam chegando em Hogwarts, o céu estava escuro, e Astoria já havia passado e dito a irmã que ficaria com Julian e os demais na outra cabine, Daphne estava bem mais tranquila.

Theodore estava cochilando com a cabeça encostada no vidro. Seu uniforme sonserino parecia um pouco curto, e ela balançou a cabeça negativamente.

O pai de Theodore havia sido preso em junho, supôs que o amigo nem sequer havia ido ao Beco Diagonal fazer as compras, provavelmente mandando um elfo ir buscar seus livros. Ele não se atentara ao fato que poderia precisar de vestes novas.

Estava terminando de refazer sua trança quando percebeu que Harry Potter, apressadamente, atravessava o corredor do vagão. Dessa vez ele não lançou um olhar sequer na sua direção, então Daphne aproveitou a oportunidade para olhá-lo.

Ela nunca havia prestado muita atenção em Potter. Daphne sempre revirou os olhos para a quantidade surreal de pontos que ele e seus amigos constantemente perdiam para a Grifinória, perguntava-se como a casa dos leões não se revoltava com aquilo.

Sabia que Dumbledore era mentor do garoto, sabia também que as pessoas acreditavam que ele era o ‘messias’ que os livraria de Você-Sabe-Quem. Ele havia liderado um grupo de estudantes contra a estúpida Umbridge, vencido o Torneio Tribruxo e tantos outros feitos que embaralhavam a cabeça de Daphne.

Potter pareceu perceber que ela o olhava, porque antes de passar pela porta, ele fixou os olhos verdes em sua direção.

Rapidamente Daphne desviou, sentindo as bochechas queimarem e se tornar ligeiramente nervosa. De soslaio, ela jurou ter visto um sorriso em Potter, mas o rapaz passou pela porta de correr e desapareceu pelo restante do trajeto até Hogwarts.

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Foi só quando chegou ao dormitório que Harry pôde contar a Ron e Neville tudo que tinha visto e ouvido enquanto estava vigiando Malfoy. Decidiu deixar de fora o fato que havia, pela primeira vez na história, deixado a Grifinória com saldos negativos em pontuação e se concentrar em convencer os amigos de sua teoria.

— Ele disse que Voldemort o designou uma missão!

Como de costume, os dois rapazes estremeceram diante do uso do nome, mas foi Ron quem rapidamente rebateu.

— Ele só estava se exibindo para a Parkinson. — Ron disse com pouco caso. — Que missão Você-Sabe-Quem daria a um garoto de dezesseis anos burro feito o Malfoy?

— Bem, não seria a primeira vez. — Neville falou timidamente.

Harry se sentiu tremendamente grato por, pelo menos, alguém parecer acreditar nele.

— Minha avó disse que na Primeira Guerra meu pai recebeu convites, ainda na escola, para se juntar a causa. — explicou o menino. — Ele, o pai de Harry, Sirius... ei, talvez você devesse falar com Sirius sobre isso.

Ron olhou para o outro rapaz como se pudesse esganá-lo por dar ideias a ele, mas antes que o ruivo tivesse oportunidade de dizer qualquer coisa, Harry já estava correndo até seu malão e arremessando todos os itens para fora atrás do espelho de dupla-face.

Ao encontrar o objeto, sentou-se na cama entre Ron e Neville e se pôs a impacientemente chamar o padrinho.

— Almofadinhas. — disse alto. — Almofadinhas! Sirius!

Não demorou para que o rosto familiar do Black aparecesse. Ele soltou um grande bocejo, dando indícios de que provavelmente já estava deitado e que Harry estava atrapalhando seu sono.

— Está tudo bem, campeão? — perguntou ele, ainda sonolento.

Aquilo fez Harry se sentir mal. Ele sabia que Sirius e sua mãe viajariam em missão, que eles tinham trabalho da Ordem e haviam passado o verão inteiro preocupados com ele.

— E-está. — respondeu mais brando. — Eu só queria falar com você sobre uma coisa que eu vi.

— O que é? — Sirius perguntou, parecendo agora interessado.

Contou a Sirius tudo que ouviu Malfoy dizer na cabine para Pansy e Blaise – sobre a suposta tarefa que Voldemort o designara, sobre deixar a escola e aproveitou para mencionar o episódio na Madame Malkin em que Malfoy propositalmente escondeu o braço.

— Por que parece que estou prestes a descobrir onde vocês se enfiaram no Beco Diagonal? — Sirius indagou.

— Porque você está. — Harry respondeu firme. — Nós assistimos à iniciação do Malfoy.

Ron o interrompeu bruscamente.

— Para Harry! Você nem sabe o que viu.

— Eu sei sim. — respondeu ríspido. — Era uma iniciação, eu tenho certeza! Malfoy mostrou alguma coisa ao velho Borgin e os dois conversaram por muito tempo. Sirius, por favor, me diz que você acredita em mim.

Sentia-se ansioso, e enquanto não se importava que Ron não acreditasse nele, precisava que pelo menos o padrinho acreditasse. Sirius sempre havia acreditado nele.

— Eu sempre vou acreditar em você, Harry. — Sirius falou lealmente. — Mas essas coisas se tornam irrelevantes se você não tem como provar. Eu não duvido que Malfoy tenha a marca negra, porque meu irmão Regulus e muitos outros comensais a tomaram enquanto ainda estavam na escola.

— O quê? — Ron indagou, recebendo a notícia com surpresa. — Mas como...? Eles eram estudantes, menores de idade.

Sirius riu levemente da inocência de Ron Weasley em acreditar que Voldemort se importava com aqueles detalhes.

— O recrutamento começa na escola justamente, porque não se espera que embaixo do nariz do diretor algo assim aconteça. — explicou Sirius sucintamente. — Bem, mas eu não me preocuparia agora, Harry. Se Malfoy está trabalhando para Voldemort, ele vai cometer algum erro porque é filho do pai que tem. Ele não é brilhante e nem esperto, apenas um pária.

Harry suspirou resignadamente e acenou com a cabeça. Sirius, afinal, não podia fazer muito estando longe. Eles se despediram mais uma vez e Harry decidiu que iria dormir.