Sign of the times
4 Capítulo 04
Notas iniciais
O resultado dos N.O.Ms chegou na semana seguinte. Harry não tinha ido tão mal quanto pensara, muito embora se ele e Ron tivessem padrões tão altos como os de Hermione eles provavelmente não pensariam aquilo.
Harry reprovou em Adivinhação e História da Magia, assim como Ron. Sua mãe tinha ficado chateada, ela mesma era uma grande fã da matéria, mas passou quando recebeu o Excede Expectativas de Harry em Poções e seu ‘Ótimo’ em DCAT.
Alguns dias depois do resultado dos N.O.Ms chegaram as cartas de Hogwarts. Harry que já estava ansioso para encontrar os amigos de novo, e dessa vez seria no Beco Diagonal, ficou surpreso ao abrir sua carta e cair dela um broche.
— Você é capitão! — Julian gritou em êxtase. — Mãe! Sirius! Harry é o novo capitão do time!
Seus olhos estavam arregalados. Ele nunca esperara pelo posto de capitão, de fato achou que Angelina o passaria para Katie visto que ela era mais antiga que Harry no time.
Descendo as escadas apressadamente, Lily Potter jogou os braços finos ao redor de Harry. Ela estava chorando. Sua mãe andava superemocional.
— Oh, Merlin. Capitão! É claro que você se tornaria capitão! Seu pai ficaria tão orgulhoso... — ela disse carinhosamente e tocando seu rosto.
Harry sorriu, pela primeira vez digerindo aquilo.
No ano anterior tinha ficado um pouco magoado por não ter sido escolhido para ser monitor. Embora Sirius tivesse caçoado dele, Harry realmente ficara sentido, mas agora como capitão significava que ele se equiparava aos monitores. Ele poderia usar aquele fantástico banheiro, pensou animadamente.
— Parabéns! — Sirius falou animado e o abraçando. — Esse é meu menino. Seu pai ficaria muito orgulhoso.
— Obrigado. — Harry disse testando a insígnia.
— Sabe... seu pai foi monitor-chefe, mas ele jamais chegou a se tornar monitor. — Sirius piscou. — Nunca se sabe.
Harry olhou para a mãe, confuso. Ele sempre acreditou que o monitor-chefe precisava ter sido monitor antes.
— Na maioria dos casos sim, mas quando um aluno específico se destaca de alguma forma, ele acaba entrando como candidato. — Lily disse com as mãos juntas na frente do corpo. — Seu pai era popular e um líder natural. As pessoas o seguiam. E eu... bem, eu tinha a experiência e conseguia mantê-lo na linha, sabe? Não deixar o poder lhe subir à cabeça.
Virou-se para Julian sorrindo e disse.
— Você não está isento dos testes só porque é irmão do capitão. — disse-o.
— Eu sei. — Julian sorriu, claramente feliz por ele. — Mas também quer dizer que se eu me destacar, você vai me indicar para capitão quando sair.
— Você tem uma mente maquiavélica.
— Eu te disse que o chapéu pensou em me colocar na sonserina. — Julian declarou com simplicidade.
Harry nunca o disse que o chapéu tinha cogitado o mesmo para ele. Perguntou-se porque nunca tinha contado aquilo ao irmão.
— Você nunca me disse isso. — Lily retrucou surpresa.
— O chapéu também ponderou em me fazer sonserino. — Sirius continuou. — Mas por motivos óbvios.
A família inteira de Sirius pertenceu a sonserina, Harry lembrou-se.
— O chapéu mal tocou minha cabeça antes de anunciar Grifinória. — Lily disse com o semblante orgulhoso.
— James também. — Sirius emendou.
— Tio Remus disse que o chapéu estava pensando em colocá-lo na Corvinal, mas disse que na Grifinória ele encontraria pessoas que o obrigariam a sair da zona de conforto. — contou Julian.
— Hermione quase foi uma empata-chapéu e Neville também. — Harry disse se lembrando da sua própria seleção. — O chapéu também queria a colocar na Corvinal e que eu saiba Neville se sentia intimidado com a ideia de ir para a casa dos pais e não fazer jus ao nome.
Lily arfou.
— Ora, mas que bobagem. O que me lembra que eu tenho que visitar os Longbotton no St. Mungus. — ela se virou para Sirius. — Eu me sentiria melhor se alguém me acompanhasse.
— É claro. — Sirius disse imediatamente. — Apenas me diga quando. Por falar nisso, você gostaria que eu pedisse a Remus para passar a noite aqui?
Harry sabia que o padrinho viajaria naquela noite. Seria a primeira vez naquele verão que eles ficariam sozinhos de novo.
Lily não estava conseguindo dormir bem a noite. Ela ficava constantemente checando os meninos e por isso Sirius tinha se mudado para Godric’s Hollow durante o verão.
— Não, não. — Lily sacudiu a cabeça. — Eu preciso readquirir minha confiança. Você viaje em paz.
Julian e Harry trocaram olhares significativos, os dois foram sutilmente deixados de lado por Sirius e Lily que começaram a conversar sobre assuntos triviais da vida doméstica como um casal.
— Só falta a eles tornar oficial. — disse Julian testando o balanço de pneu. — Ainda me aguenta.
Harry sorriu e enfiou a mão no bolso. Olhou para o maço de cigarro quase vazio e murmurou para si mesmo ‘estou fumando demais’, mas de qualquer maneira seus dedos cataram um e ele acendeu com o isqueiro que tinha ganhado há alguns dias de Sirius naquele aniversário.
— Não deixe a mãe ver você usando essa porcaria. — Julian disse seriamente, referindo-se ao isqueiro. — Ela e Sirius brigaram por causa disso. Eu nunca os vi brigar.
— Eles brigam o tempo todo. Eles são parceiros. — Harry arguiu sem se afetar.
Preguiçosamente o bruxo se deitou na grama bem cortada do jardim. Ele contemplou o céu nebuloso, incaracterístico do verão, e em seu íntimo obteve a resposta para aquilo.
Os dementadores desertaram Azkaban, eles estavam com Voldemort e estavam se reproduzindo. Houveram inúmeras fugas em massa.
Que tempos eram esses que viviam!
— É engraçado como a vida funciona. — comentou Julian. — O papai era o melhor amigo do Sirius, ele sempre foi apaixonado pela mamãe e se casou com ela. O papai morreu, a mamãe ficou sozinha e o Sirius também. Eles se tornaram melhores amigos e são completamente apaixonados pelo outro, embora não admitam isso.
— O que há de engraçado nisso? Parece-me trágico. — Harry respondeu.
— A vida tem um agir estranho. — Julian insistiu. — Não era para você ter sobrevivido, Harry... como foi possível?
— Você sabe como, Julz.
— Ok, ok. Magia ancestral. — Julian revirou os olhos. — Ainda assim.
Harry abriu um largo sorriso e decidiu que aproveitaria a oportunidade para provocar o mais novo.
— Você só está todo contemplativo porque está esperando que a vida dê seus giros e jogue Hermione para seus braços.
O mais novo corou e aquilo fez Harry rir mais ainda.
— Dois anos não será nada quando eu for um mestre em poções bem-sucedido e ela a futura ministra da magia. — Julian pontuou com firmeza.
— Três. — Harry corrigiu. — Ela faz aniversário 19 de setembro e é um ano mais velha que nós. Como ela faz aniversário no outono é atrasada um ano na escola.
Julian revirou os olhos.
— Só no sentido técnico. Às vezes eu acho que ela sabe mais que deixa transparecer.
— Às vezes eu também acho. — Harry confidenciou-o.
Os irmãos ficaram por alguns instantes em silêncio. Eles ouviram as risadas emanando da casa e podiam ver pela janela que Sirius e Lily tinham colocado um disco animado para tocar na velha vitrola enfeitiçada.
Eles estavam dançando juntos, Sirius estava rodopiando a ruiva sem parar e ela gargalhava gostosamente.
Julian não pôde deixar de se emocionar. Queria tanto ter isso um dia.
— Harry? — chamou o irmão.
— Sim?
— Você já se apaixonou por alguém?
O rapaz com a cicatriz olhou para o irmão de forma estranha. De todas as coisas que Julian e ele já tinham conversado, relacionamento era provavelmente a coisa que o deixava mais desconfortável.
— Julian, eu não sou a pessoa certa para dá-lo conselhos sobre garotas. — Harry falou calmamente. — Tente Sirius.
— Eu acho que discordo visto que todas as garotas legais do nosso círculo social têm uma queda por você. — Julian resmungou. — Inclusive, Hermione.
Harry sacudiu a cabeça.
— É totalmente platônico, Julian. Vai por mim. — Harry garantiu-o.
— Você está se esquivando da pergunta. — Julian retrucou acusatoriamente.
Ele abriu a boca para protestar e dizer que não estava, mas se Harry o fizesse Julian argumentaria que aquela era uma tática para se esquivar de ter que responder.
— Eu nunca me apaixonei. — Harry disse pacientemente. — Eu fui a encontros, mas nenhum deles foi bem-sucedido. Até a Cho Chang que eu achei que gostava mesmo acabou sendo o maior fiasco.
Julian fez uma careta. Ele não era o maior fã de Cho, mas se lembrava que Harry tinha realmente ficado encantado por ela.
— E aquela menina de que você convidou para o baile de inverno? — Julian perguntou ansiosamente e sorrindo. — Ela era tão bonita.
Harry concordou que Parvati era mesmo muito bonita. Ele teve seu primeiro beijo com ela, teve também uns amassos quentes no armário de vassouras, mas nada demais. Não tinha vergonha em admitir que era inexperiente.
— Nós não tínhamos muito assunto. — Harry falou dando de ombros. — O que não seria de se estranhar.
— Você vai encontrar uma menina bacana. — Julian disse em tom de consolo. — Ginny fica bem à vontade perto de você agora. O que acha dela?
Harry hesitou para responder, o que surpreendeu Julian.
— Ela não é feia! — Julian defendeu a amiga.
— Não, não. — Harry concordou. — Ela é brilhante, muito bonita e joga quadribol muito bem, mas...
Julian revirou os olhos.
— Mas o quê? Se ela é linda, brilhante, gente fina e joga quadribol super bem, então qual é o problema dela, Harry?
Seria muita loucura dizer que Harry também se perguntava aquilo às vezes? Afinal, qual era o problema dele que não conseguia se sentir atraído por Hermione, Ginny ou qualquer outra garota incrível que estava no círculo social deles?
Uma vez ele pensou que gostasse de rapazes, seria uma justificativa perfeitamente aceitável, mas Harry descobriu que ele definitivamente não gostava de meninos. Arrepiava-se só de lembrar.
— Ela... ela não me deixa sem fôlego. — Harry disse com simplicidade e encolhendo os ombros.
— Oh. Você é desses que sonha com um amor arrebatador?
Julian se satisfaria melhor com um amor fácil e tranquilo. Ler livros no fim de semana, tomar chocolate quente e passear com a família no parque aos domingos.
— Eu não nasci para uma vida simplória. — Harry explicou. — Eu morreria de tédio.
Pareceu uma justificativa plausível. Julian queria continuar arrancando mais do irmão, mas Lily botou a cabeça para fora de casa e gritou que o chá estava pronto.
— Você está fumando, Harry? — a ruiva gritou indignada.
— Não! — Harry gritou de volta e tratou de se livrar do cigarro.
Sirius viajou naquela noite. Ele foi ao quarto se despedir dos meninos, despediu-se sozinho de Lily e deixou os Potter com um aperto no peito. Os tempos eram tão difíceis que quando alguém saía pela porta de casa, os outros tinham que entrar em oração para que voltasse.
Ninguém ficou surpreso que no dia seguinte tivessem acordado para encontrar uma mesa de café da manhã posta por Remus. Sirius no fundo sabia que Lily se sentiria muito mais segura se tivesse mais alguém em casa.
Alguns dias se passaram, Sirius retornara de viagem e já estavam em agosto. Faltava menos de um mês para voltarem para Hogwarts.
Eles decidiram ir ao Beco Diagonal naquele dia, porque os Weasley estariam lá e possivelmente Augusta Longbotton e Neville. Mas Harry, que tinha passado o verão inteiro em casa, apenas usando a lareira para ir na Toca ou algo semelhante, assustou-se com a escolta que o acompanharia.
— Alô Harry. — Kingsley cumprimentou-o.
— Você não estava protegendo o Ministro trouxa? — indagou Harry ao encontrar o velho amigo dos pais.
— Você é mais importante. — Kingsley disse com firmeza.
Do lado de fora da casa estava Remus e Tonks, mas claramente em posição de combate. Sirius e Lily desceram as escadas acompanhados de Julian, uma mão de sua mãe estava sobre o ombro do menino.
— Sério? — perguntou para os dois. — Precisa mesmo disso tudo?
Sirius fechou a cara e Harry sustentou seu olhar, mas foi Lily que apartou a tensão evidente.
— Lembre-se que não é só você que está exposto. — pediu Lily com delicadeza. — Hermione e os Weasley vão se encontrar conosco lá. Seu irmão também só tem catorze anos. Só porque você é capaz de se cuidar, não quer dizer que ele também seja.
Julian protestou veementemente e Harry foi rápido em dizer que nunca deixaria nada acontecer a ele, mas antes que aquilo se tornasse uma discussão familiar Sirius disse que a intenção da escolta era que justamente para evitar que qualquer coisa acontecesse.
O grupo de sete pessoas precisou sair da propriedade de Godric’s Hollow, onde os feitiços de proteção impediam que eles aparatassem nos limites do terreno. Logo, Harry foi acometido pela sensação nauseante de desaparecer num vácuo tenebroso.
—X-
O Beco Diagonal em nada se assemelhava com o que Harry se lembrava do lugar. Ele percebeu num misto de ansiedade e temor que muitas das lojas estavam fechadas, assim como havia uma quantidade de vendedores ambulantes oferecendo todo tipo de amuleto e artefato que supostamente ‘protegeria’ as pessoas naqueles tempos difíceis.
—Um amuleto para proteger o jovenzinho contra mordidas de lobisomens? — ofereceu um ambulante à Julian.
O menino encarou o vendedor de maneira crítica, e com aquele olhar denso que havia herdado de Lily, Julian replicou.
— Mas afinal, baseia-se em quê a proteção desse amuleto? — indagou o menino.
Revirando os olhos, Harry não achava que aquele era o momento certo para Julian militar em defesa a lobisomens. Lupin pareceu concordar, pois rapidamente apartou o que estava se tornando uma discussão acalorada entre o vendedor espertinho e Julian que ficava mal-humorado toda vez que alguém ignorante cruzava seu caminho.
Além da guarda que os acompanhara até o Beco, ao chegarem lá encontraram Hagrid. O meio-gigante se disponibilizou a acompanhar Harry, Ron e Hermione a Madame Malkin, enquanto Lily, Sirius e os Weasley se incumbiam de ir a Floreios e Borrões comprar os livros para aquele ano.
Julian havia cogitado acompanhar o irmão e os amigos, mas Ginny que havia sido claramente excluída pelo trio o olhou suplicante por companhia. Dando de ombros, o caçula informou ao mais velho que ficaria com a mãe e aproveitaria para dar uma olhada em títulos.
Eles foram a Madame Malkin e tiveram um encontro com Draco Malfoy e sua mãe. Harry havia entrado numa discussão com Narcissa Malfoy e quase chegou a socar a cara de Draco, por fim, os Malfoy deixaram a loja sem comprar nada e desapareceram.
Após comprarem vestes novas de escola, o trio novamente se arriscou pelas ruelas desertas do Beco Diagonal e foram na direção que Ron os guiava para conhecerem a loja de Fred e George.
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A Gemialidades Weasley era definitivamente incrível. Harry que há séculos não dava uma gargalhada, soltou uma bastante sonora ao ver o letreiro que em letras garrafais e coloridas dizia que a população bruxa deveria se preocupar com o aperto ‘você-sabe-onde’ pela prisão de ventre que acometera o país.
— Eu gostaria de dizer que estou surpreso por encontrá-lo aqui, mas não seria verdade. — comentou impertinente ao ver Sirius.
O animago bagunçou seus cabelos e continuou a conferir os produtos expostos. Logo, Fred e George surgiram em seu caminho meio a loja extremamente movimentada e decidiram dá-lo um tour particular.
Ginny e Hermione estavam sendo atendidas por uma Verity faladeira que insistia em empurrar poções do amor para as duas, enquanto Ron tentava pechinchar para levar gratuitamente qualquer bugiganga que lhe crescesse os olhos.
Harry, que havia doado aos gêmeos seu prêmio do Torneio Tribruxo, descobriu que havia na verdade feito um investimento bastante útil, já que os gêmeos o deixaram pegar alguns de seus produtos. Eles também o mostraram sua linha de produtos de Defesa Contra as Artes das Trevas.
— Chapéu escudo, luvas escudo, capas escudo. — citava George. — É de se imaginar que aurores treinados saibam fazer bons escudos...
— Claramente nenhum deles foi treinado por você, Harry. — Fred emendou sarcasticamente. — Mas o Ministério veio aqui e comprou pelo menos quinhentos desses.
— Ah! Estes aqui são bem interessantes para quem gosta de desaparecer rapidamente...
E por falar em desaparecer rapidamente, não demorou para que Ron, Harry e Hermione decidissem sair de fininho. Eles deixaram Ginny tentando convencer a Sra. Weasley a comprá-la um mini-pufe e passaram despercebidos por Sirius que parecia entusiasmado demais em testar e comprar absolutamente tudo que os gêmeos tinham feito.
Ron estava passando a mão pela barriga e começando a reclamar de fome, Hermione estava sugerindo que eles fossem até a Floreios e Borrões dar uma olhada se Lily e Remus precisavam de ajuda com os livros e Harry estava com um cigarro a meio caminho da boca quando seus olhos capturaram a figura pálida e esguia de Malfoy.
De longe, podia escutar Hermione e Ron discutindo por alguma coisa. Atento a prestar atenção nos movimentos de Draco, Harry havia se dispersado do que acontecia a seu redor, por isso também não se deu conta que estava caminhando às cegas e esbarrou num corpo.
— Putain.
Harry não falava francês, mas ele tinha certeza que seja lá o que ‘putain’ significasse não podia ser nada de bom. Ele olhou para baixo e se deu conta da figura loira e magra que tinha esbarrado nele.
— Godric. Eu sinto muito. — Harry falou e imediatamente se apressou para ajudar a menina a se levantar. — Você está bem?
A jovem aceitou sua ajuda, apoiando-se em seu ombro e ficando de pé sem problemas. Não parecia ter se machucado, mas também não respondeu sua pergunta de imediato.
Foi só quando ela ergueu o rosto, fazendo a cortina de cabelos loiro dourados caírem nas laterais e guiarem até o meio das costas que Harry teve a estranha sensação de conhecer aquela menina de algum lugar.
— Sim, Potter. — respondeu a jovem em tom ríspido, mas dessa vez em inglês. — Mas ajudaria se você olhasse por onde anda.
Com o cenho franzido, Harry assistiu a menina se desvencilhar dele e sair. Ela flutuou com absoluta elegância, suas vestes de bruxa ricamente ornadas mexiam-se conforme ela se movimentava.
Olhou ao redor procurando alguém que estivesse acompanhando a menina, mas não encontrou ninguém. Ele olhou para Ron e Hermione, confuso.
— Quem é essa menina? Eu a conheço? — indagou, confuso.
Ron encolheu os ombros. Ele não era bom com rostos.
— Do que você está falando? — Hermione replicou com o cenho franzido. — É Daphne. Ela é do nosso ano.
— Daphne? — Harry repetiu o nome com descrença. — Do nosso ano?
Não, não era possível. Ele se lembraria de uma Daphne que tivesse aquela aparência.
— Sim. — Hermione respondeu impaciente e revirou os olhos. — Daphne Greengrass. Princesa de gelo da Sonserina.
— Oh...
Aquilo explicava muita coisa. Primeiro porque ele não fazia ideia de quem ela era e segundo sua atitude absurdamente grosseira, mas como um clique, Harry se esqueceu de Daphne e seus modos rudes para se lembrar de algo muito mais importante.
Abrindo a mochila com absurda rapidez, Harry rapidamente convocou os amigos para baixo da capa da invisibilidade. Desajeitadamente, os três adolescentes que um dia couberam perfeitamente embaixo do artefato, correram pelo percurso feito por Draco Malfoy até desaparecerem pela Travessa do Tranco.
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Durante grande parte do tempo de sua última semana de férias, Harry pensou no que havia presenciado na Travessa do Tranco. Nada tirava de sua mente o quanto parecia suspeito o que vira.
Ron e Hermione concordavam que era estranho que Draco estivesse ali sozinho, mas não pareciam acreditar na teoria dele que o sonserino tinha se tornado um comensal da morte, agora que o pai dele estava apodrecendo em Azkaban.
Infelizmente, eles não puderam escutar ou ver muito, porque Sirius e Remus os encontraram rapidamente. Eles levaram uma bronca gigantesca dos Marotos, mas pelo menos seu padrinho não havia dito nada a sua mãe – que poderia acabar mudando de ideia sobre Hogwarts.
Harry estava com seu malão aberto sobre a cama e terminando de organizar seus pertences. Não que estivesse muito preocupado em se esquecer de algo, pensou amargamente, já que passaria todos os fins de semana em casa.
Seu olhar recaiu na fotografia que ficava ao lado de sua cama. Era um homem muito parecido com ele, usava óculos de aro redondo exatamente como os dele e trajava vestes elegantes de quadribol. A vassoura apoiada nos ombros largos, uma piscadela e o peito estufado.
James Potter era a imagem perfeita de um herói escarlate e Harry, às vezes, perguntava-se se o pai estivesse vivo se sentiria tão assustado quanto se sentia naquele momento – perdido, com medo pelos seus entes queridos, impotente.
Quase que imediatamente apalpou os bolsos a procura do maço de cigarros, mas se lembrou com uma careta que tinha prometido a mãe que não fumaria em Hogwarts.
— Incrível! Absolutamente incrível!
Escutou a voz de Julian que vinha do sótão, onde ficava o improvisado laboratório que Lily Evans havia montado para si, mas era na maior parte do tempo ocupado por Julian.
Harry revirou os olhos. Seu irmão havia passado a última semana trancafiado e fazendo experimentos com os ingredientes raríssimos que Severus Snape o dera de aniversário.
Como se para provocá-lo, sabendo que Harry escutava, Julian disse animado.
— Mal posso esperar para mostrar ao Severus!
Com um baque irritado, Harry fechou o malão. Detestava ver Julian se comunicando com o morcegão esquisito e ensebado, não gostava também de perceber a admiração e a proximidade daqueles dois.
Como o avô paterno e a mãe, Julian tinha herdado uma mão boa para poções. Ele se saía absurdamente bem na matéria e era o queridinho de Severus Snape, para completo descontentamento de Sirius e Harry.
Sua mãe não parecia achar nada demais na proximidade deles, mas Harry se perguntava como ela não se chateava com aquilo quando obviamente Snape tinha sido um absoluto crápula com ela quando os dois estudaram. Não que James tivesse sido muito melhor com o mestre de poções, mas Julian – ou mesmo Harry – não mereciam ser constantemente punidos por serem filhos de quem era.
Evidentemente, só um deles era prejudicado por isso. Por ser o mais parecido ou por ser o mais arrogante.
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