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34 Capítulo 33 - Gajeel


Notas iniciais
Olá meus lindos! Como vão? Ontem começou meu último semestre e já tô louca sobre quem vai ser o meu divino orientador nessa fase final... Conversamos mais nas notas finais! Boa leitura!

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Capítulo 33

Gajeel

Apesar de cavalgar desde garoto, nunca senti tantas dores pelo corpo por conta de uma viagem a cavalo como sentia no momento. Meus músculos pareciam ter sido puxados ao extremo, gritavam para que aquilo acabasse. Sentia minha cabeça pesar o dobro do normal. Seria um efeito colateral de ter consumido aquele ferro com Magia?

Fitei o horizonte em busca de tendas, mas nada aparecia além de capim e a estrada. Pelas visões que Levy tinha, não demoraríamos muito para encontrar Lucy. Poderíamos aumentar o ritmo dos cavalos, mas isso me custaria horas ainda mais doloridas, portanto usando a desculpa pelo estado de Levy e Wendy mantínhamos um ritmo de trote.

Olhei para trás, buscando a baixinha, pois estava na ponteira do grupo os guiando. Ela vinha ao lado de Laxus e Juvia, seu corpo estava quase curvado em cima do cavalo que conduzia. Apesar das sessões de cura da pequena Maga, seu físico ainda não estava recuperado.

— Vamos fazer uma pausa – anunciei em voz alta.

Todos concordaram e rumaram os cavalos para as sombras das árvores que ladeavam um lado da estradinha. Desci de meu cavalo ignorando as dores e fui para o lado de Levy, ajudando-a a descer também.

— Está muito ruim? — pedi em voz baixa.

Ela detestava ser o centro das atenções por motivos de saúde.

— As mesmas dores de quando me arrastou para o Castelo – ela sorriu com a lembrança, então seu rosto ficou contemplativo – estou preocupada com Lily e Happy. Não encontramos com eles nas masmorras e nem os enxergamos por Crocus. Será que ocorreu algo com eles?

Sentei-me na relva, após amarrar nossos cavalos nos galhos baixos de uma árvore próxima. Verdade seja dita, estava igualmente preocupado com meu fiel amigo. Era engraçado como sempre me pegava olhando para meu lado em busca dele, só então dava-me conta de que nos separamos no ataque do casamento.

— Também estou – respondi.

Levy apoiou sua cabeça em meu colo, assustando-me um pouco. Ainda ficava surpreso pela naturalidade que ela se apoiava em mim ultimamente, depois de tanto tempo nos esquivando um do outro. Com cuidado passei meus dedos por seu cabelo, tirando os fios que caíram por sua face. Face esta que ainda estava colorida por pontos amarelos pelo que sofreu no calabouço.

— Cuide de mim, sim? Vou fazer uma procura – ela pediu, fechando os olhos.

— Sempre – sussurrei.

Sabia o que ela queria dizer. Ela entraria em seu mundo de imagens, como ela tinha me descrito, e procuraria pelos metamorfos. Apesar de estar preocupado com Lily, pegava-me pensando se essas visões que Levy vinha recorrendo nos últimos dias não atrapalhavam sua recuperação, pois deviam consumir muito de sua Magia.

Quando ela voltasse pediria que fizesse uma pausa nisso.

Não sabia quanto tempo ela permaneceria em transe, por isso comecei a reparar no restante da nossa comitiva. Gray ajudava Wendy com seu cavalo, enquanto Juvia oferecia água para a pequena Maga. Era engraçado como Juvia se apegara a Wendy, como se fosse uma irmã mais velha. As duas ficaram amigas no tempo em que estamos fugindo.

Gray continuava sendo o mesmo cara silencioso de sempre. Rara eram as vezes que ele sorria para algo, e quando ocorriam eram por culpa de Juvia que sempre se atrapalhava quando perto do líder dos Revolucionários. Como Gray deveria se sentir no momento? Boa parte dos seus Magos foram perdidos no ataque de Erza ao seu esconderijo e mais no segundo ataque ao Castelo. Se eu estivesse no lugar dele me sentiria um líder de bosta.

Laxus e Mirajane pegavam algumas maçãs que compramos na vila anterior e distribuíam para os demais. Acabei notando também que após a pausa na vila, Levy e a albina vinham conversando mais, se enturmando mais. Passado o choque de que a moça era uma ex-rebelde, começamos a ver que ela era uma boa pessoa que fora fisgada por Erza através das promessas de cura, que era alguém interessante em termos ao nosso lado, pois dado ao tempo que permanecera com os Vermelhos sabia de várias coisas sobre eles.

Levy mexeu-se, abrindo os olhos, ao mesmo tempo que Laxus vinha em nossa direção com a comida. Ajudei-a a se sentar, dando-lhe tempo para se acostumar com a realidade novamente.

— Sentiu cheiro de comida e acordou? — brinquei, aliviando o clima.

Laxus entregou uma maçã para Levy e riu de minha piada.

— De pequena só tem o tamanho, pois a fome é enorme – entrou no clima.

Levy mostrou a língua para nós dois e mordeu a fruta. Laxus entregou-me uma também e voltou para o lado de Mirajane.

— E então, como foi a viagem? — pedi após o loiro estar bem afastado.

— Estou ficando mais prática nisso – ela sorriu – encontrei os dois.

Vendo seu semblante aliviado já sabia que eles não estavam nas mãos de Erza.

— Pelo que pude notar, os dois fugiram por túneis embaixo de Crocus e estão instalados numa sala abandonada de lá – continuou, narrando o que tinha visto.

Ah, Lily, seu esperto!

— Sei onde eles estão – comentei, sorrindo.

— Oh!

Levy exclamou entendendo o local logo em sequência. Havia lhe contado meu plano de retomada de Crocus ontem. E era justamente nesse local que Lily se encontrava, provavelmente seguiu a mesma linha de raciocínio que a minha e estava a minha espera, afinal foi ao seu lado que explorei o local. Nunca senti tanto orgulho dele como sentia naquele momento.

— Eles ficarão bem, isso lhe garanto – pronunciei.

Descasamos por um tempo razoável, e apesar das dores musculares terem diminuído com a pausa, meu interior não estava animado para montar no cavalo e sofrer novamente. Guardando meus resmungos, voltamos a estrada.

Levy vinha ao meu lado agora, pois a localidade lhe era conhecida. Pelo canto do olho a espiei, vendo se ela estava muito mal e fingia que estava bem, ou se era apenas preocupação demais. Apesar das olheiras e dos ombros levemente curvados, ela parecia estar mais recuperada. Ainda sentia meu sangue ferver ao ver as marcas amareladas por seu rosto e as marcas, que provavelmente traziam cicatrizes, em seus braços. Tinha feito uma promessa a mim mesmo de que Erza se arrependeria amargamente por tê-la tocado desse modo.

— Gajeel, posso te pedir uma coisa? — sua voz trouxe-me a realidade.

— Acabou de fazer – respondi, reprimindo o riso.

Levy bufou.

— Quero lhe fazer algumas perguntas – reformulou a frase.

— Solte – incentivei.

Ela mexeu os dedos um pouco, sinal de que estava um pouco nervosa. Ergui uma sobrancelha diante sua atitude, fazendo-a ficar um pouco vermelha.

— Aquele dia, no calabouço, você me chamou por um modo diferente. O que significa Cariad?

Ah, era isso.

— Enquanto estava em Forte Negro aprendi várias coisas, entre elas a língua dos meus ancestrais, os que decidiram que Fiore seria sua terra – comecei a explicar, olhando-lhe para perceber suas reações – Cariad, era o modo como eles se referiam aquelas que moram em seu coração. Suas amadas.

Era uma experiência nova poder falar tão abertamente com ela sobre o assunto, reafirmar o quanto amava-a. Mesmo que a nossa situação política estivesse uma droga, nunca estive tão feliz por tê-la ao meu lado.

Levy ficou ainda mais vermelha, seus olhos arregalaram-se de leve com a informação.

— Tem uma versão que eu possa usar?

Caru.

Mantivemos nossa conversa neste tópico, com ela me pedindo mais sobre o antigo idioma e eu lhe apresentando novas palavras. Com o tempo os demais também entraram na brincadeira, onde eu falava a palavra e eles tentavam adivinhar o significado. Confesso que com isso a viagem tornou-se mais agradável e as dores foram sendo aos poucos esquecidas.

(…)

Tinha anoitecido e não tínhamos encontrado outra vila no caminho para que nos hospedássemos, portanto precisamos improvisar com os itens que tínhamos o nosso acampamento. Com as mantas que trouxemos e as bolsas com comida e água fizemos uma grande cama compartilhada entre duas frondosas árvores.

Gray tinha saído para buscar galhos para uma fogueira, entretanto ainda não havia voltado. Sabendo que Erza dificilmente admitiria uma fuga como a nossa e que poderia ter mandado um grupo de busca fortificado, decidi ir atrás do líder dos revolucionários. Juvia e Levy tentaram argumentar para me acompanhar, mas acataram meu pedido de ficar ao lado de Wendy, já que Laxus e Mira dormiam até que o tempo de guarda deles chegasse.

Segui na direção que Gray havia tomado, cuidando para não fazer muito barulho. Se houvessem inimigos não queria alertá-los. Bem como se ele estivesse fazendo algo errado, também não saberia antecipadamente de minha aproximação. Através dos anos que passei vasculhando Fiore por criminosos, peguei certa experiência em encontrar evidências de onde as pessoas caminhavam, e foi assim que encontrei-o as margens de um pequeno riacho.

Ele estava ajoelhado praticamente dentro da água e esfregava o rosto com energia, como se quisesse limpar algo urgentemente. Demorei um pouco para notar que a água ali que escorria dele estava levemente escura, ligando um alerta em meu cérebro. Era sangue.

— Gray! — exclamei o mais baixo que pude, indo ao seu lado.

— Eu não consigo enxergar. Eu não consigo enxergar. Eu não consigo enxergar – ele repetia a frase, afoito, continuando a esfregar o rosto.

Agarrei suas mãos, pausando a ação e o analisei. Tive que suprimir qualquer reação para não assustá-lo ainda mais.

Gray estava com os olhos completamente vermelhos, o sangue que vi na água era proviniente dos arranhões que se afligira com as unhas ao tentar lavar o rosto repetidamente, provavelmente tentando limpar o que lhe obstruía a visão. Ele piscava rapidamente, como se isso fosse lhe ajudar a limpar.

— Está tudo bem – comentei em voz calma, mesmo que eu não achasse que estivesse, não podia desesperá-lo – isso vai sair daqui a pouco. Enquanto isso me conte o que ocorreu, sim?

Gray tomou longas respirações, acalmando-se. Ainda conseguia ouvir seu coração disparado em seu peito. Ele balançou levemente a cabeça, concordando comigo.

— Vim buscar os galhos e acabei encontrando esse riacho. Olhando para a água, lembrei-me de um modo antigo que usava para rastrear todos aqueles que pertencem ao nosso grupo, os Magos. Todos recebem uma marca pequena quando decidem se juntar a nós por segurança, onde eu poderia localizá-los em caso de perigo.

— E como é essa Magia? — incentivei, fazendo-o pensar em outra coisa.

Mordi meus lábios vendo que seus olhos tentavam me focar. Eles ainda estavam cheios de sangue.

— Por ser eu quem os marcava, somente eu poderia localizá-los. Precisaria de uma superfície longa de plana, como o riacho por exemplo, e então a congelaria formando o mapa do local que eu quisesse, no caso Fiore, e então sussurraria determinadas palavras. Assim os nomes dos integrantes brilhariam em cores diferentes nos locais que supostamente estariam. Vermelho para morto, azul para vivo e preto para desaparecido ou marca perdida – Gray explicou, sua voz didática como se tivesse decorado a fala a tempos.

Provavelmente devia ter explicado isso várias vezes a todos seus seguidores.

— E então? — pedi novamente.

— Tudo ia bem enquanto fazia o procedimento, mas no meio da criação do mapa uma dor aguda me atacou na nuca, quebrando a concentração. Então minha visão foi escurecendo-se, acabando com minha Magia de procura – Gray tentou soltar-se em tentativa de voltar a esfregar a face.

Pelo modo como narrara, e pelo que já havia presenciado, só podia ser a doença atacando. Achava que ela faria com todos o mesmo que ocorreu com Lucy, mas pelo que parecia ela se manifestava de diversas formas.

Com um sobressalto me peguei pensando nas dores que vinham me atacando durante a viagem. Elas não começaram depois de eu ter consumido o ferro e sim antes. Precisei respirar fundo para não enlouquecer igual Gray, a quem eu devia acalmar.

Era engraçado como naquele momento eu estava me lembrando de tudo que já havia lido naqueles três livros sobre Magia que Levy encontrara na biblioteca, os mesmos que Rogue já encontrara anteriormente.

Muitos Magos não conseguiram entrar em acordo com sua magia por conta de sua forma, os motivos variavam de não gostarem do modo como ela se manifestava nele ou por não querê-la. Isso podia levar o indivíduo a loucura. Existem casos de morte quando a magia não é bem administrada, e claro, ainda temos as doenças que o mal uso pode provocar no Mago.

Droga. Droga. Droga.

— Wendy pode te ajudar com os olhos, Gray. Vamos voltar para o acampamento – comentei, procurando me acalmar também.

O Mago deu um sorriso triste, surpreendendo-me.

— Tenho certeza de que pode ajeitar isso – indicou, ainda com as mãos presas, os olhos vermelhos – mas, e a doença? Não achamos cura alguma. Ela vai voltar e vai ser pior.

Na verdade temos a cura. Pensei. Levy era a cura para essa maldita doença. Ela era a luz que podia iluminar todas as trevas. Mas, eu não podia contar-lhe sobre isso, pois seria perigoso demais para Levy. Lembro-me de como Levy adoeceu terrivelmente após curar Lucy, como seu corpo reagia fracamente aos estímulos e que precisou de quatro dias para acordar.

Falar que ela é a cura só trazia prejuízos a baixinha. Sentia que Gray não a prejudicaria, mas o fato de curá-lo a adoeceria novamente e ela já não se encontrava num estado de saúde favorável. Sem contar que esse segredo poderia vir a público, pois ainda não tenho certeza da fidelidade de Mirajane e Juvia, o que causaria uma enorme perseguição contra Levy. Certamente vários Magos ou parentes deles viriam atrás dela exigindo, por vezes até a força, para que ela os curasse.

Não, eu não podia contar a Gray.

— Vamos encontrar, tenho fé nisso – respondi então – mas, no momento vamos nos preocupar com seus olhos.

O ergui e em seguida o apoiei em mim para que pudéssemos caminhar sem que ele corresse riscos de cair devido sua cegueira momentânea. Com cuidado fomos transpassando a distância do riacho até o restante do pessoal. Estava um pouco aliviado, pois não precisaria alertar todos afinal Wendy estava acordada.

Encontramos a pequena Maga conversando em voz baixa com Levy e Juvia, um pouco afastadas dos outros dois que ainda dormiam. As três logo levantaram o olhar assim que chegamos, Levy empalidecendo ao ver o estado de Gray, Wendy prontamente assumiu pose de profissional, vindo para perto de nós e analisando o estado dele com cuidado. Juvia ficou estática, observando a cena a sua frente como se não acreditasse no que via.

— O que ocorreu? — Levy pediu em voz baixa, indicando que o colocássemos deitado.

Narrei o que Gray havia me contado enquanto Juvia, que havia saído de sua paralisia, ajuda-me a deitá-lo no chão, sua cabeça repousando no colo da azulada como travesseiro improvisado. Wendy prontamente posicionou-se ao lado da cabeça dele, suas mãos adquirindo a luz característica de sua Magia.

Um leve suspiro de alívio veio dele conforme Wendy ia curando-o, mostrando que ele ainda sentia as dores que descreveu-me anteriormente. Fui para perto de Levy e a abracei pelos ombros. Conseguia ver em seu olhar o quanto queria curá-lo e como lhe doía não poder fazer isso. Havíamos combinado que ela só voltaria a curar alguém apenas quando estivesse recuperada.

Juvia fazia leves carícias nos cabelos negros do Mago, sua voz baixa sussurrava-lhe coisas banais para distraí-lo. Senti-me em um deja-vú, lembrando-me de como Natsu havia reagido com Lucy naquele dia. Apertei Levy ainda mais para perto de mim, deixando minha cabeça pousar em cima da sua, sentindo seus fios contra minha pele.

O fantasma da doença voltou a minha mente, lembrando-me que poderia ser a minha pessoa deitado ali a qualquer momento. Era assustador saber da possibilidade de que eu poderia desenvolver a doença agora mesmo e nem saber com certeza.

— Wendy-san? — a voz preocupada de Juvia me trouxe a realidade, fazendo-me prestar atenção ao que ocorria.

A pequena Maga tinha o cenho franzido, preocupada também. Ia abrir a boca para lhe pedir o que estava dando de errado, quando fomos surpreendidos por Laxus e Mirajane que tinham acordado e vieram para nosso lado.

— Oh não – Mirajane pareceu nauseada.

Levy soltou-se gentilmente de mim e foi para o lado da albina. Procurei pelo olhar de Laxus, tentando entender a reação da mulher e ele formou duas palavras com os lábios sem emitir som. Sua irmã. Foi então que compreendi o que ocorria.

Levy me contara sobre a conversa que tivera com Mirajane na hospedaria e sobre a irmã falecida da ex-rebelde. Pelo modo como reagira a situação de Gray, provavelmente sua irmã morrera de modo parecido. Devia ser doloroso rever o modo como a doença agia em uma pessoa.

Isso fez com que eu realmente ficasse preocupado com Gray. Se levarmos em conta que Wendy apresentava dificuldades em limpar os olhos do Mago e a reação de Mirajane, poderia significar que o nível estava mais alto do que supomos.

— Wendy – Levy chamou a azulada com um tom sério.

Droga.

— Levy, não – praticamente rugi, dando um passo a frente – não está recuperada ainda.

Todos olharam para Levy e a mim, confusos com a repentina discussão, exceto Wendy que já sabia sobre o segredo da baixinha. Notei o rosto de Levy ficar vermelho de raiva, uma leve veia de sua testa pulsou.

— Sou a maldita cura, Gajeel! Então, diga-me de que adiante eu ter o poder de curar alguém se não posso usá-lo? — explodiu, um tom parecidíssimo com o meu.

Ignorei os sons produzidos pelos demais e foquei nela.

— E adianta usá-lo e depois morrer? — vociferei, pegando-lhe pelos ombros – você ficou desacordada por quatro dias aquela vez, Levy! Mal conseguia respirar naquela cama! Imagina o que vai acontecer se fizer algo agora!

Pequenas lágrimas teimosas lhe escorreram pela face.

— Eu quero ajudar – falou, segurando o choro.

Abri a boca para responder-lhe, mas fui cortado por uma terceira voz.

— Não me cure.

Levy e eu nos viramos para Gray, agora sentado e apoiado em Juvia. Seus olhos não estavam mais vermelhos e os ferimentos que se causara com as unhas tinham desaparecido. Wendy respirava fundo perto dele, mas seu semblante era feliz que tinha conseguido ajudar o amigo.

— Como? — Levy pediu, sua voz fraca.

— Não estou morrendo ainda. Já vi a doença agindo várias vezes e sei que tenho um tempo até que ela seja mais agressiva e acabe com a minha vida – Gray falava sério, sua mão fazendo leves afagos na de Juvia que tinha o rosto preocupado – se a cura lhe agride tanto quanto Gajeel falou, não quero que me cure. Tenho fé de que após combatermos Erza teremos tempo para procurar um meio de ajudá-la com esse problema e com isso ajudar a todos os Magos.

Conseguia ver naquele momento o por que de terem o escolhido como líder. Mesmo que tivesse a oportunidade de ser curado, preferiu esperar e tentar encontrar um meio melhor, visando o bem alheio. De várias coisas que Gray poderia ser, egoísta não era uma delas.

O que se seguiu foi uma longa conversa com o restante do pessoal, explicando a Magia de Levy. Era impossível deixar de contar depois da pequena briga que Levy e eu tivemos. Apesar do meu medo de que isso pudesse vir a público, senti firmeza e um pouco de confiança quando Mirajane e Juvia prometeram não falar do assunto.

Ela contou tudo, desde quando encontrou o livro na biblioteca e como foi descobrindo sobre sua Magia, deixando apenas de fora quem era a pessoa curada. Seria Lucy quem contaria a todos depois dessa guerra.

— Gostaria de ter recuperado o livro quando fugimos – Levy suspirou.

— Pode me descrever esse livro novamente?

Mirajane tinha o cenho franzido, seu rosto dizia que tinha percebido algo. Ela mordeu os lábios enquanto Levy descrevia com detalhes o objeto.

— O que foi? — pedi.

— Sei onde o livro está – ela respondeu, erguendo a mão para deter as exclamações aliviadas – mas, ai que entra a parte ruim. Ele está com Erza.

Levy, Laxus e eu soltamos alguns palavrões diante a informação.

— Onde exatamente o livro está? — Gray questionou.

— Ela tomou posse da sala privativa do Rei, atrás do trono. É lá que ela costuma fazer pequenas reuniões com os rebeldes, seja trazendo mais seguidores ou reafirmando sua liderança. Fui chamada a uma dessas reuniões e fiquei encantada com os livros que ali tinha, e foi aí que notei um separado num canto, com um leve tremor de ar o envolvendo. Já imaginei que fosse importante – Mirajane explicou.

Reprimi minha raiva por aquela mulher tomar posse do que não lhe pertencia e prestei atenção aos detalhes.

— Disse um leve tremor no ar?

— Deve ser um encantamento de proteção, uma que impede que ninguém além de quem conjurou pegue o objeto. Ela costumava fazer isso com seus equipamentos de luta – Juvia quem respondeu.

— Qualquer um pode conjurar esse tipo de encantamento, basta ter Magia – Wendy completou diante minha pergunta muda, lendo meu rosto.

— E como pode ser quebrado? — Levy estimulou.

A conversa então tomou um rumo animado, todos ajudando com o que sabiam para armar um plano para recuperar o livro e assim ter material para procurar uma solução para Levy e a cura. Motivado com as estratégias, contei-lhes meu plano de retomada e como pretendia que agíssemos. Cada qual contribuiu com o que achava melhor e juntos fomos montando uma estratégia digna que nos dava esperança de reverter toda a situação.

O sono e o susto de Gray foram esquecidos, a energia voltara e agora, mais do que nunca, estávamos prontos para deter Erza.

Notas finais
E então? O que acharam? Gray ficando doente :O Alguém tem uma especulação de como podem resolver essa questão da doença e a cura, sem que a Levy fique mal? Estou ansiosa pelas teorias, haha. Simplesmente, AMO as teorias de vocês. Um enorme beijo e até o próximo!