Sigilo

31 Capítulo 30 - Gajeel


Notas iniciais
Olha quem tá de volta again? Estou muuuito feliz com o retorno de vocês nos comentários e isso só me deixa mais animada a atualizar Sigilo cada vez mais rápido! Então, agradeço a todos que veem favoritando, comentando e recomendando! Boa leitura!

Sigilo

Capítulo 30

Gajeel

Estar preso nos deixa com bastante tempo para pensar. E foi o que fiz desde que Erza encerrou sua visita. Pensei.

Revivi todos os momentos desde o casamento de Rogue, apegando-me a cada detalhe que conseguia lembrar. O modo como o vestido de Levy balançava enquanto ela andava, o rosto tenso de Rogue e Lucy, a tristeza no olhar de Natsu, e o modo agitado de Kagura. Gostaria de ter dado voz ao meu intuito naquele momento, pois algo me dizia que ela estava inquieta demais apesar de ser o casamento daquele que amava.

Repassei mentalmente cada segundo do ataque de Erza, relembrando como os guardas sumiram, como Rogue tombou com a simples vontade de Atrabos, como Levy derrubava tantos Rebeldes Vermelhos quanto conseguia com sua Magia, como tudo virou um caos. E como fui derrotado por Erza. Jamais lutei com alguém que fosse tão bom em manejar uma espada como ela, seus movimentos eram precisos, bem planejados e executados.

De uma coisa eu sabia, jamais conseguiremos lhe derrotar em uma luta mano a mano. A mulher era uma verdadeira deusa na luta.

Uma fisgada de dor atravessou minha cabeça e pescoço. Reprimi um bufo, pois tal ato só aumentaria mais a dor. Vinha recebendo essas dores desde o delicado modo que Atrabos me tratara. Era um saco.

Mexi-me, tentando encontrar uma posição menos dolorosa, mas as correntes eram um tremendo incômodo para mim. Era tão irônico que elas fossem de ferro. Era ferro encantado, mas não deixava ser ferro. Justamente o estilo de minha Magia.

Ergui minha mão e fitei amargurado aquele pedaço envolvendo meu pulso, impedindo-me de usar Magia. Já havia tentado exaustivamente transformar-me como havia feito na luta contra Evergreen, mas nada ocorria. Sentia-me um grande pedaço de merda, sentado ali sem fazer nada. O máximo que fazia era comer aquela coisa que diziam ser nosso alimento.

Preferiria comer essas correntes. Pensei, ainda emburrado.

— Espera um pouco – sussurrei, franzindo o cenho para os grilhões.

Comer. Ferro.

Uma lembrança me veio naquele momento, era de um bilhete que Levy me enviara logo após me revelar como Mago para a assembleia. Levy vinha procurando nos livros na seção proibida da biblioteca algo que me ajudasse com a Magia e havia encontrado algo peculiar e ao mesmo tempo engraçado sobre o assunto. Ela precisou me comunicar sobre isso através de um bilhete, já que eu vinha fugindo dela naquele tempo.

Segundo o livro, os Magos Elementares, como eu e Natsu nos classificávamos por ter afinidade com um elemento, tinham uma habilidade extra em relação aos outros. Por conseguirem mudar-se fisicamente com o elemento e até mesmo controlá-lo fora de seu corpo, caso precisassem, poderiam ingerir o seu elemento como forma de reabastecimento de Magia.

Naquela época havia rido da ideia. Eu comer ferro? Que absurdo. Porém, agora estava fitando curiosamente os grilhões que estavam presos aos meus pulsos. Se eu os ingerisse poderia liberar meus braços do encantamento e poderia usar um pouco de Magia.

— Espero que tenha um gosto melhor que essa gororoba – comentei para o vazio, chutando o prato que o guarda havia trago a pouco.

Uma pequena parte minha ainda achava que eu quebraria os dentes assim que mordesse aquilo, então confesso que fiquei bem surpreso quando consegui morder o grilhão da mão direita com facilidade. Meus dentes cortaram o ferro igual manteiga, sem resistência alguma. Incrivelmente não sentia gosto algum de ferro, parecia que estava engolindo água em forma mais sólida. A sensação era de que estava me saciando com água, matando uma sede interna que nem tinha percebido que tinha. Mastiguei todo o grilhão, livrando a mão direta, e então passei o serviço para a esquerda.

Agora com os braços livres, porém ainda preso pelo pescoço e tornozelos, fiquei imaginando se conseguiria usar Magia apenas nos braços. Respirei fundo e puxei-a lá de dentro, focando-a nos membros livres. Observei, sorrindo, meus braços trocarem a pele macia pelo poderoso ferro. Flexionei os dedos, sentindo a Magia em cada pedacinho da pele. Era engraçado como até pouco tempo eu a detestava e faria de tudo para ser um homem normal, entretanto agora simplesmente adorava o fato de ser um Mago, ter um dom especial que me dava a capacidade de ajudar aqueles com quem me importava.

Eu finalmente havia abraçado minha Magia.

Com um pouco de concentração transformei minha mão direita na parte afiada um machado e usei a mão para cortar as correntes que seguravam-me no chão. Ainda tinha os grilhões apertados em mim, mas já não estava impedido de me mover. Assim, posicionei-me de um modo mais tático, voltei a mão direita ao normal, e forcei o grilhão de uma perna, quebrando-o. Satisfeito que conseguia quebrá-los, repeti o mesmo movimento na outra perna e no pescoço.

Analisei a porta de minha cela por um tempo, tentando encontrar um meio de arrombá-la sem fazer muito barulho, pois queria escapar dali com o mínimo de confusão possível. Não conseguia ver nada que pudesse me ajudar a ser mais discreto, pois a porta era fechada pelo lado de fora por uma pesada barra de madeira, a única opção que tinha era derrubar a porta a chutes, mas com isso eu ganhava a atenção de toda a guarda. O jeito era esperar o maldito guarda voltar no outro dia com a comida novamente e atacá-lo de surpresa.

Sentei-me no chão e peguei os grilhões quebrados. Teria tempo o suficiente para planejar uma fuga descente, pensando em todos os detalhes.

— Melhor estar alimentado – zombei, mordendo o ferro.

(…)

Observei a portinhola abrir-se lentamente, para que o guarda espiasse-me. De onde estava sentado, a escuridão ocultava um pouco a falta das correntes, era o suficiente para que ganhasse confiança para entrar. E foi o que ocorreu. Permaneci quieto enquanto ele adentrava no recinto segurando o prato fundo com aquela horrorosa comida.

Esperei que se abaixasse e notasse as correntes quebradas, então ataquei. Mirei seu queixo, ganhando velocidade e força com o impulso de levantar-me do chão. Seria um golpe certeiro se o guarda não fosse rápido e conseguisse desviar do ataque. Confesso que fiquei um pouco feliz com aquilo, pois teria um pouco de luta para me aquecer.

O guarda recuperou-se rápido e mirou um chute em meu estômago, mas para o azar dele eu estava precavido. Tinha alterado minha pele para o ferro onde as roupas escondiam, deixando apenas as partes visíveis em pele normal. Portanto, seu chute acertou uma parede sólida, causando danos nele em vez de mim.

Soltei um riso e parti para cima dele novamente, dessa vez acertando-lhe um belo soco no peito, retirando-lhe um pouco do ar. Estava preparando outro soco quando fui recebido por um golpe do rosto, atordoando-me um pouco. Havia julgado mal minha força anteriormente, pois seu punho chocou-se com força em mim.

— Será que dá para parar de lutar? Vai chamar a atenção dos guardas – o cara falou em voz baixa, repreendendo-me.

— Mas, você é um guarda – respondi, erguendo uma sobrancelha, após me recuperar do golpe.

Ele retirou o capacete que lhe escondia a face, revelando-se. Era um homem alto e loiro. As feições duras combinavam com a estrutura forte do corpo. Havia uma cicatriz em forma de raio cortando-lhe o lado direito do rosto, desde a têmpora até a quase o fim do maxilar.

— Tecnicamente não sou – ele respondeu, sorrindo sarcástico – acho que desperdicei meu tempo roubando suas chaves – completou, retirando um molho de chaves do bolso.

Analisando-o com calma dessa vez, finalmente percebi quem era a pessoa a minha frente, dona de um belo soco por sinal.

— Laxus – afirmei, olhando-o sério.

— Pelo visto minha irmã falou sobre mim a você, isso me poupa várias explicações.

Cruzei os braços.

— Sim, ela falou. E me lembro principalmente da parte onde você invadiu o esconderijo dos Revolucionários e a atacou. Acho que merece mais socos por isso – retruquei.

Em resposta ele ergueu parte da calça, mostrando uma cicatriz em sua canela, logo acima das botas que calçava.

— Não se preocupe, Levy já cuidou disso – comentou, calmo – agora será que podemos sair daqui logo? Ainda precisamos resgatá-la.

— Era o que pretendia fazer desde o começo – afirmei, seguindo-lhe.

Não queria confessar em sua frente, mas havia gostado de sua atitude. Rogue costumava me dizer que no geral eu conseguia ler bem as pessoas. Salvo, Kagura que me enganou com o nosso passado de crianças, eu concordava com ele. Percebi pelo pouco tempo com Laxus que ele era uma pessoa fiel aqueles com quem se importava, e que apesar da fachada de durão ele era uma boa pessoa. Afinal, dificilmente alguém que se permitia ser penteado e maquiado, como ele havia feito com Levy enquanto pequenos, era uma pessoa má.

Laxus sabia exatamente onde ia, não hesitou em nenhuma curva. Segundo ele era horário de descanso da maior parte dos guardas, por isso os corredores do calabouço estavam praticamente vazios. Eles não temiam uma fuga, pois o sistema criado por meus antepassados era eficiente. Eles só não contavam com um Mago que comia ferro.

Levy estava presa em uma ala mais civilizada, se é que poderia se dizer. As celas eram mais limpas dos que as outras, e duas paredes eram feitas inteiramente de grades. O ruim daquele local era que parecia-se muito com um labirinto, uma estratégia eficaz para desorientar fugitivos. Isso não seria um problema para mim, pois como Príncipe estudei toda a geografia do local, sabia onde cada corredor dava e quais as melhores saídas. A única questão era que não sabia qual cela em especial Levy estava. Coisa que Laxus tinha se precavido em saber antes de roubar as chaves.

— Esse local não acaba nunca – Laxus resmungou, abrindo a porta que dava a ala que Levy se encontrava.

— Ele acaba, apenas é enorme – respondi, passando por ele.

— Quão enorme?

— Ocupa o subsolo inteiro de Crocus – informei.

Na época em que o calabouço fora construído, o Rei em questão tinha criado o local com intuito de prender o máximo de Magos que podia. Crocus ainda não passava de uma pequena vila ao redor do Castelo, portanto ele conseguiu cavar por um bom espaço, criando suas celas. As normais ficavam abaixo do Castelo e em suas proximidades. As celas especiais começavam no final do castelo e seguiam em diante. Raramente as celas abaixo do Castelo eram usadas, diziam que seus acessos tinham sido interditado por outros Reis, portanto, quando fazíamos prisioneiros usávamos a entrada principal do calabouço afastada ao sul do Castelo. Com o tempo e com o desuso, parte do calabouço foi sendo esquecida ou sendo destruída por acidentes naturais como desabamentos. No momento a guarda tinha conhecimento apenas de um terço de seu tamanho, sendo a maior parte ao redor da entrada principal.

Laxus estava tremendamente surpreso pela informação, suas sobrancelhas loiras estavam praticamente em seu cabelo.

— Relaxe, perdemos mais da metade dela já. E eu conheço o local utilizado, então não vamos nos perder – afirmei, acalmando-o.

— Isso significa que já tem uma rota de fuga pronta – apresentou, andando com mais atenção para não perder o caminho para Levy.

— Uma que não chame a atenção de Erza sobre o tamanho do calabouço – comentei.

Laxus pausou e olhou-me com curiosidade.

— Você tem um plano.

— Talvez – devolvi, sorrindo.

Ele compreendeu que não arrancaria nada de mim, e deu de ombros.

— Não sou tão curioso ao ponto de querer saber mais disso, apenas me contento em saber que Levy ficará segura – seu olhar era firme, digno de um irmão mais velho.

Se tivesse alguma dúvida de que ele estava fazendo tudo aquilo para apenas de ajudar sua irmã e que faria tudo ao seu alcance por ela, ali era o momento em que essa dúvida morreria. Laxus amava Levy.

— A segurança dela é minha prioridade – confessei.

Continuamos o restante do caminho em silêncio, apressados. O tempo de descanso dos guardas devia chegar ao fim daqui a pouco, portanto tínhamos um tempo apertado para pegar Levy e sair do local. Quando Laxus, finalmente, sinalizou qual era a cela de Levy, roubei-lhe as chaves e corri para ela.

Ela estava deitada no chão, encolhida. Abraçava as pernas com os braços como se quisesse se proteger de algo. O rosto estava escondido pelos fios azuis que lhe caiam em fronte a face. A sua falta de reação diante nossa chegada preocupou-me. Praticamente quebrei a porta de grades de sua cela para chegar até onde estava.

— Levy – sussurrei, agachando-me ao seu lado.

A menção do seu nome, ela mexeu-se, erguendo a cabeça. Suguei todo o ar quando a vi.

— Porra – Laxus praguejou atrás de mim.

Meu sangue ferveu no mesmo instante que notei o que haviam lhe feito. Seu rosto estava inchado e vermelho, seu olho esquerdo estava praticamente fechado e roxo. Os lábios estavam partidos e sangravam.

— Gajeel? — sua voz soou fina, rachando meu interior.

Toquei-lhe o rosto com cuidado, não querendo lhe proporcionar mais dores.

— Sou eu, minha Cariad— respondi.

— Quem lhe fez isso, irmãzinha? — Laxus pediu, posicionando-se ao meu lado, pegando delicadamente uma mão de Levy.

— Alguém que não vai viver por muito tempo – respondi em seu lugar, irado.

Sabia quem havia lhe feito isso.

Erza.

Ela havia ameaçado Levy quando visitara-me.

A mão livre de Levy esmagou meu pulso, assustando-me pela força que ainda tinha. Percebi que Levy era mais forte do que imaginava, ela não se deixaria quebrar tão facilmente.

— Ela pode pagar por isso depois que sairmos daqui – Levy falou, erguendo-se com dificuldade.

Apesar da voz fraca e do rosto maltratado, percebemos a sua força de vontade. Portanto, deixamos os planos de vingança para depois e tratamos de ajudá-la a sair da cela. Laxus a pegou no colo, pois como eu conhecia o local deveria ser o guia. Sabia que ele seria cuidadoso com ela, por isso não fiquei enraivecido. Ele era o irmão dela, afinal. Havia passado por poucas e boas em busca dela. Seria egoísmo de minha parte negar-lhe isso.

Estava pensando num modo prático de sairmos com Levy sendo carregada, quando uma ideia se formou em minha mente. Uma ideia que até então não estava completa.

— Por um acaso sabe onde Gray se encontra? — perguntei, repassando todas as saídas em minha mente.

— Mais para frente, ao lado da antiga rebelde, Juvia – ele respondeu.

— Então sei onde é.

Comecei a andar em direção a cela dele, quando Laxus chamou-me, seguindo atrás de mim.

— Não peguei as chaves deles – comentou.

— Não precisamos das chaves – respondi, erguendo minhas mãos para que ele as visse.

De onde Levy estava não foi difícil encontrar as celas de Gray e Juvia. Os dois estavam a quatro corredores de distância dela, em celas tão parecidas quanto. O líder dos Revolucionários estava sentado, mexendo o prato sem entusiasmo. A Maga estava encostada na parede de grades que fazia divisa com cela de Gray, observando o moreno.

Diferente de Levy, os dois rapidamente notaram nossa chegada. Juvia sentou-se reta e Gray abaixou o prato com cuidado, analisando-nos. Sem falar nada para não perder tempo, transformei minhas mãos em ferro e quebrei o cadeado de sua cela.

— Não temos muito tempo, espero que consiga correr – informei, abrindo a porta.

Gray sorriu e ergueu-se com agilidade.

— Acho que consigo.

Virei-me, pronto para sair daquele local quando senti uma pequena mão pousar em meu ombro.

— Olhe – Levy falou, indicando o interior da cela.

Juvia estava entregando uma flor feita de palha para Gray, esticando o braço através das grades o máximo que suas correntes lhe permitiam.

— Juvia deseja boa sorte a Gray-sama.

Observei com surpresa a admiração estampada no rosto da moça. Gray pegou a flor e a guardou dentro das vestes. Conseguia ver seu rosto tensionar.

Ah, eu conhecia aquela expressão.

— Ela pode ser útil – Gray comentou, olhando-me sério.

Eu percebia que tinha algo a mais naquele seu pedido. Não era apenas a praticidade da moça que ele estava levando em consideração ali. Ele estava se afeiçoando pela Maga.

— Ela é uma rebelde – apontei.

— Juvia acreditava em Erza, mas Juvia foi abandonada – ela falou.

Seu rosto não demonstrava piedade. Ela sabia que não adiantaria conosco. Verdade seja dita, aquela Maga era determinada e inteligente. Lembro-me de sua vontade em não trair Erza durante os questionamentos, e via agora que ela não se rebaixaria para sair da cela. Um leve respeito por sua personalidade brotava em mim.

— Deseja voltar-se contra Erza e nos ajudar? — perguntei, sério.

A azulada olhou-me coragem.

— Juvia sabe que vocês não abandonam os seus. E Juvia acredita em Gray-sama.

Algo dentro de mim queria acreditar nela, assim como Gray parecia confiar. Eles deviam ter conversado bastante durante o tempo que estiveram presos. Mas, lá no fundo a traição de Kagura incomodava-me, estragando um pouco a confiança que eu tendia a depositar nas pessoas.

— Se realmente deseja juntar-se a nós, preciso que me prove seu ponto – Levy falou, olhando a Maga nos olhos.

Mesmo que estivesse no colo de Laxus e toda maltratada, ela era olhada com respeito pelos demais. Inflando meu peito com orgulho.

— Juvia provará – a Maga respondeu.

— Erza possui um ponto fraco. Qual é? — Levy pediu.

Algo em sua pergunta me dizia que ela já sabia a resposta, e aquilo era um teste para saber se Juvia realmente queria nos ajudar. Como ela havia encontrado a fraqueza de Erza eu não sabia, mas não duvidava de suas capacidades.

— O colar permite que ela controle do monstro – Juvia respondeu, olhando firmemente para Levy – Juvia ouviu sobre isso antes de ele ser invocado. E Juvia vai contar aos amigos de Gray-sama tudo o que precisarem saber.

— Por favor, pare de me chamar de Gray-sama – Gray comentou, levemente envergonhado.

Tanto Levy quanto Juvia o ignoraram.

— Acredito nela – Levy falou, desta vez olhando para mim.

Em resposta, simplesmente quebrei a porta da cela de Juvia, libertando-a.

— Mais alguém? — pedi, brincando.

Sabia que estávamos sem tempo, mas não gostava de ver Levy num ambiente com tanta pressão.

— Wendy – Levy respondendo, tentado sorrir.

Rolei os olhos, impedindo-me de gritar.

Essa fuga estava virando uma caravana.

(…)

Espero que tenha uma maravilhosa forma de sair daqui rapidamente – gritei para Laxus.

Estávamos correndo feito loucos no momento. Tudo ia maravilhosamente bem enquanto resgatávamos Wendy, até o descanso dos guardas acabou e dois deles nos pegaram no flagra. Gray derrubou um e Juvia cuidou do outro, mas não conseguiram impedir o grito de alerta deles.

Não demorou muito e vários Rebeldes de Erza estavam praticamente em nosso pé. Precisei de todo meu conhecimento do calabouço para despistá-los e ainda conseguir seguir para a saída que tinha planejado. Sair do calabouço não era o problema em si, e sim escapar a tempo de Crocus sem que eles nos pegassem.

— Para o nosso bem, tenho – o loiro respondeu, ofegante – não vim aqui embaixo despreparado.

Tanto ele quanto Juvia estavam sofrendo mais com essa correria, pois o loiro carregava Levy e a Maga carregava Wendy, pois a pequena estava num estado tão bom quanto da baixinha.

— E isso envolveria cavalos? — Gray pediu, espiando se os rebeldes tinham conseguido se orientar e nos achar.

— Estou rezando que tenha o suficiente – Laxus comentou, em tom nervoso.

Chegamos a uma pequena e estreita escadaria que dava para um portão de ferro, escondido entre duas lojas do comércio de Crocus, quase colado aos portões exteriores do calabouço, a entrada principal para o local.

Gray segurou Levy enquanto Laxus e eu arrombamos o portão e fomos ajudando o pessoal a subir pela escada. Deixamos o portão aberto logo após passarmos, para mostrar para Erza por onde saímos, e para que ela não viesse a procurar muito a fundo nos corredores do calabouço.

Gray entregou-me Levy e foi cuidar um pouco dos ferimentos da pequena curandeira. Enquanto isso, Laxus retirou um pacotinho do bolso e dali extraiu uma bola de cristal do tamanho de sua palma. Então, esmagou-a com o pé.

Olhei-lhe, erguendo as sobrancelhas em uma pergunta muda.

— Isso vai avisar o nosso resgate onde estamos – respondeu.

— Espero que seu resgate não venha acompanhado de Rebeldes Vermelhos – Gray comentou.

Nos escondemos nas sombras das construções a espera da tal ajuda de Laxus. A cada segundo meu nervosismo aumentava, pois as chances de Erza nos encontrar ficava cada vez maior. Porém, percebia que o loiro tinha a mesma reação, eliminando suspeitas de uma traição.

— Juvia ouviu cavalos – a Maga sussurrou, erguendo a cabeça e virando-a para a rua.

Não demorou muito tempo e todos podemos ouvir cascos de cavalos descendo a toda velocidade pela ruazinha.

— Finalmente – Laxus saudou a albina que vinha conduzindo três cavalos além do que montava.

Ela era bonita. Tinha longos cabelos brancos, vestia roupas de cavalgaria, e possuía um semblante sério.

— Precisam montar agora se querem sair daqui – ela falou a todos – pensei que seriam apenas três pessoas, Laxus – completou, fitando o loiro.

— Tivemos imprevistos – ele respondeu.

— Juvia não sabia que a Senhora Mirajane havia se voltado contra Erza – a azulada comentou, estreitando os olhos para a albina, dando alguns passos para frente, escondendo um pouco Wendy e Gray.

Então a outra era uma Rebelde também.

— A um bom tempo não compactuo com os ideais de Erza, mas até agora não tinha oportunidade e nem fortes motivos para deixá-la – a mulher, Mirajane, não recuou diante o olhar afiado de Juvia.

— E agora tem? — perguntei.

— Onde Laxus for, irei também – respondeu-me.

Então ela estava apaixonada por Laxus. Agora conseguia perceber o olhar que aqueles dois se direcionavam.

Gray e eu trocamos um olhar, avaliando a situação. Confiava em Laxus, mas não na mulher. E ele confiava em Juvia que era uma antiga rebelde como ela. Optamos por dar o benefício da dúvida a ela. Afinal, sem aqueles cavalos dificilmente sairíamos de Crocus.

Gray seguiu com Wendy, Juvia com Mirajane, Laxus sozinho e Levy e eu no último cavalo. Sem mais delongas, partimos de Crocus a toda velocidade. Laxus e Mira tinham criado uma rota de fuga que nos beneficiasse e confundisse futuros perseguidores, o que facilitou muito nossa saída.

Aos poucos os muros de Crocus foram ficando para trás de nós, assim como Rogue e os demais prisioneiros. Meu coração de irmão sangrava, mas o meu coração de Príncipe sabia que era o melhor a ser feito. Abracei Levy com mais força e foquei em nos proteger no momento. Retomaríamos o reino de Erza, disso eu tinha certeza.

Notas finais
E então? O que acharam? Gajeel aprendendo novas habilidades! Haha. Teorias para o plano dele? . Lembrando que quem quiser entrar no grupo do whatsapp (que é em parceria com a Naless de Bring me the Mermaids), é só me mandar uma MP com o número que nós já adicionamos ^^ . No mais... desejo-lhes um bom fim de semana e até o próximo! Beijos.