Sigilo
18 Capítulo 17 - Natsu
Notas iniciais

Sigilo
Capítulo 17
Natsu
Lucy e eu estávamos em desvantagem, haviam mais guardas do que gostaríamos e ela estava esgotada por usar Magia. Graças aos Deuses que ela é Maga. Esse fato tornava as coisas mais fáceis para mim, poderia usar a minha Magia sem que ela julgasse-me e talvez me denunciasse para seu futuro marido, Rogue.
A mulher doida, acho que é Juvia o seu nome, continuava lançando globos de água na minha direção. Por ainda estar com o corpo coberto pelas chamas, esses ataques não surgiam muito efeito, pois a água evaporava quando ficava próxima de mim.
Derrubei mais três guardas e foquei minha atenção em duas pessoas, a doida que fala em terceira pessoa e em Lucy. Lancei algumas bolas de fogo para rebater seus ataques e atingi-la, nesse meio tempo observei que a loira tinha problemas, um guarda quase a acertou com uma lança, estava quase saindo da minha posição para ajudá-la, entretanto não foi necessário. Gajeel apareceu sem que notássemos e eliminou o guarda que atacara Lucy. E o cara estava inteiramente coberto por ferro.
Hoje é o dia oficial de se revelar?
— Não ignore Juvia!
Uma espada bem afiada passou centímetros de meu rosto. Forcei minha mente a prestar atenção em uma coisa de cada vez. A rebelde estava possessa, seus olhos quase faiscavam. Ela realmente me atacaria com tudo. E o pior era ter a noção de que não possuíamos muito tempo, apesar do pequeno reforço de ferro que havia chego a pouco tempo.
Desviando de outra investida dela, mudei de posição, tentando dificultar seus golpes. A azulada era rápida também, ao mesmo tempo que eu mudava de posição ela se recuperava e já atacava. Preciso neutralizá-lo logo, antes que a líder deles tenha chances de levantar-se e nos capturar novamente.
— Natsu, entre em combustão! – ouvi Lucy gritar atrás de mim.
De certo modo entendi o que ela estava sugerindo. Então com um gesto rápido com a mão mandei que ela se afastasse. Não perdi tempo verificando, Lucy era inteligente e já devia estar longe. Chutei Juvia no joelho, fazendo-a perder um pouco do equilíbrio, e em troca recebi um corte no braço esquerdo. Sem dar atenção ao machucado, fechei os olhos e puxei toda a Magia que havia em mim.
Foi instantâneo, ouvi gritos ao meu redor e sentia que o meu fogo se propagava pelo terreno. Abri os olhos e corri. Sabia que esse fogaréu todo não duraria muito, era apenas uma distração. Uma distração bem dolorosa para os guardas que estavam por perto. Forcei meu corpo a ir mais rápido, indo onde julgava que Lucy estaria, quando ouvi sua voz naquela hora.
— Apague-se, seu doido! Ou vai queimar a gente!
Ah, Gajeel, sempre tão querido ao reencontrar velhos amigos. Rolei os olhos e fiz o que falou. A loira e ele estavam no limite do terreno limpo dos rebeldes. A poucos metros da nós havia um portão de madeira aberto com uma carroça parada perto.
— Nossa carruagem? – questionei ao Príncipe, que nessa hora já estava parecendo um ser humano normal novamente.
— Caso não tenha lhe agradado, pode ir a pé.
— Prefiro a carroça – conclui, sorrindo. Parei ao lado do nosso meio de transporte e curvei-me um pouco em direção a Lucy, que no momento estava em frangalhos – primeiro as Damas – ofereci, guiando-a para cima com cuidado.
— Obrigada – respondeu ela, fracamente.
Antes que eu subisse também, ele pôs a mão em meu ombro.
— Onde está Levy?
Levei um segundo para entender quem ele pedia. Era a garota que andava com Gajeel para cima e para baixo no Castelo, aquela que dizia ser sua Consorte. Ah diabos.
— Sinto muito, mas não vimos ela por aqui em nenhum momento – respondi.
Ele fechou os olhos com força, dava para notar que estava se controlando.
— Tem certeza? – retrucou.
— Absoluta.
Xingando em tom baixo, ele foi para a frente da carroça para conduzi-la. Sabia que tentar acalmá-lo seria em vão. Lucy olhava para ele com dor nos olhos, devia pensar em sua amiga também. Subi a bordo e logo fomos nos afastando.
Gajeel nos explicou enquanto saíamos o mais depressa possível daquele local, que eles haviam feito um grupo de busca e que recentemente haviam achado a localização dos rebeldes. Porém, o plano deles de invasão silenciosa acabou não dando muito certo, alguns membros do grupo ficaram impossibilitados de ajudar, então ele veio sozinho, mesmo sendo bastante arriscado.
O que pode ter nos ajudado muito a sair do esconderijo hoje, foi que uma parte dos rebeldes estava fora do abrigo, realizando uma tarefa a mando da líder deles. Gajeel não quis mencionar como havia descoberto essa informação, apenas comentou que já saberíamos como. Seja lá o que for que tenham aprontado, poderíamos esperar até chegarmos em seu acampamento.
Olhei para a loira ao meu lado pelo canto do olho, preocupado. Era claro que havia usado muito de sua Magia, sua pele estava mais branca que o normal, haviam grandes olheiras abaixo dos olhos, sua respiração era fraca, e ela mal se aguentava acordada. Agora que o perigo estava temporariamente afastado, os sinais de cansaço começaram a abatê-la.
— Pode cochilar um pouco se quiser, te aviso quando chegarmos – sussurrei-lhe, passando um braço ao seu redor, amparando-a.
Lucy olhou-me agradecida e assentiu em concordância, recostando-se em mim e fechando os olhos. Dei um leve suspiro e comecei a observar a paisagem como distração. Gajeel estava muito absorto em pensamentos e em guiar a carroça para que pudéssemos ter uma conversa. De uma certeza eu tinha, o dia de hoje mudaria o rumo de nossas vidas.
(…)
O acampamento era bem razoável se considerar que estávamos em um local desconhecido. As árvores dali eram diferentes, as plantas geravam desconfiança, pois não sabíamos se eram venenosas ou não. Mas, tudo isso não parecia incomodar a líder do grupo, Minerva. Ela estava sentada em um sepo de lenha com toda dignidade de uma nobre, e ao seu lado havia uma mulher desacordada, amarrada e amordaçada.
— Moeda de troca? – indaguei a Gajeel, indicando a mulher com a cabeça.
— Fonte de informações – respondeu-me.
Isso explicava como ele sabia da divisão de grupo dos rebeldes.
Um rapaz de cabelos castanho claro, levemente alaranjado, aproximou-se olhando para Lucy preocupado.
— Por gentileza, entregue-me a Princesa para que possamos cuidar dela.
A contragosto lhe passei a moça que agora dormia em meus braços. Assim que ele a sustentou, dirigi-lhe um olhar que o avisava a ter cuidado. Em contrapartida, ele assentiu com a cabeça.
— Hibiki, como está Orga? – Gajeel perguntou ao rapaz, antes que ele entrasse na tenda mais próxima das árvores.
— Em carne e osso, dormindo.
Não entendi o significado da resposta, mas aparentemente o Príncipe havia ficado mais tranquilo. Soltei um suspiro e me larguei no chão ali mesmo, poderia desvendar os motivos depois, apenas queria ter um pouco de descanso.
— Dragneel, sei que precisa descansar, mas temos que saber algumas coisas – a Dama das Ervas comentou em tom brando, virando-se em minha direção.
Dei de ombros, sentando-me. O moreno sentou-se ao meu lado e começou a desfazer algumas partes de sua armadura. Já ia começar o meu relato quando uma jovem apareceu e juntou-se ao nosso estranho grupo de conversa, ela olhava para Gajeel com curiosidade e quase nem parecia notar a minha presença. Já eu, observei-a melhor e fiquei incomodado com sua aparência, seus cabelos castanhos e o formato de rosto me pareciam familiar, mas não conseguia me lembrar de onde ou de quem.
— Você está bem, Gajeel? – a moça indagou.
Ele por sua vez apenas assentiu em resposta. Sua expressão era fechada, sem dúvidas estava irritado com alguma coisa.
— Então... posso começar a falar? – pedi, enquanto arrancava alguns matos do chão perto de mim.
— Vá em frente – Minerva concordou.
— Luc... quero dizer, a Princesa e eu estávamos sendo mantidos presos por uma mulher chamada Erza, eu acho. Ela queria que a Princesa fizesse uma coisa por ela, mas não sei dizer o que é. Então eles a levaram a outro local por quase dois dias, e acho que permaneceria por lá até que o pedido fosse concluído, mas houve uma confusão na base deles. – narrei, tentando lembrar de todos os detalhes. Porém, havia a questão da Magia de Lucy. Existia algo dentro de mim que não queria contar a eles, mesmo sendo aliados, sobre esse segredo dela.
— Que confusão?
— Ocorreu um estrondo e um tremor de terra, e pela surpresa deles não era esperado. O guarda que cuidava da minha cela correu para saber o que tinha acontecido. Assim aproveitei e arrombei a porta – continuei, omitindo a parte onde um Pégaso magicamente arrebentou a porta. – e consegui achar a Princesa enquanto ela saía de um prédio perto de onde eu estava. Corremos mais que almas penadas para fora daquele local, mas vários guardas nos interceptaram.
— Nós ouvimos esse estrondo enquanto lidávamos com ela – Gajeel resmungou ainda focado no protetor do antebraço esquerdo.
— E então? – Minerva incentivou-me, quase me perfurando com o olhar.
— Peguei fogo – resumi, dando de ombros.
— Como?! – a moça quase conhecida exclamou, confusa.
— Assim – e dizendo isso fiz com que uma bola de fogo envolvesse minha mão direita, ergui ela para que todos ali vissem.
A jovem engasgou-se com a saliva. Gajeel mal olhou-me. Minerva ergueu levemente as sobrancelhas.
— Estava com alguns problemas em lidar com uma rebelde Maga, e foi nesse momento que Gajeel apareceu e nos ajudou a sair de lá – terminei o relato e apaguei o fogo antes que acabasse queimando algo sem querer.
— Você tem alguma ideia do que essa Erza queria com a Princesa? – Minerva questionou-me, pensativa.
— Concluir uma arma – Lucy respondeu em meu lugar, assustando todos da pequena roda.
Ela estava com a cor da pele mais saudável e aparentava mais vigor, entretanto ainda se viam as olheiras de exaustão. Encostada casualmente em uma árvore próxima, olhou a todos que estavam ouvindo o relato e deu um pequeno sorriso.
— Primeiramente, obrigada por terem vindo nos resgatar e agradeço a ti, Gajeel-san, pela ajuda naquela luta – a loira falou com um tom diplomático. Realeza.
— Sem problemas, Princesa – o Príncipe comentou.
— Fico tranquila que esteja bem, Alteza – Minerva ponderou, chamando-a a se juntar a nós com um gesto – Agora, pode nos contar sobre essa arma?
A Princesa assentiu e aproximou-se de mim, sentando-se ao meu lado.
— A líder deles, Erza, pretende usar essa arma para derrubar a coroa. Seu objetivo é se tornar a próxima Rainha e tirar os Magos da clandestinidade, mas deseja fazer isso usando a força e derramando sangue que ela julgue culpado.
O clima tornou-se tenso.
— E onde a senhorita entra nisso? – a Dama instigou-a, suavemente.
Lucy tomou um longo fôlego, buscando coragem.
— Pela minha herança genética. – continuou, determinada. – Minha família já teve vários Magos, e entre eles haviam os que podiam invocar seres, animais, guerreiros e entre outros. Esses invocados são chamados de Constellationibus. Para que essa arma possa funcionar ela precisa da força de certos Constellationibus, mas esse estilo de Magia já não existe mais. Então ela encontrou a solução de usar o sangue daqueles que descendes desses Magos, no caso eu ou meu irmão.
Sua explicação era concisa, sem dar margem para desconfiança. Mas, eu sabia que ela havia alterado um pouco os motivos. Ela era Maga, e a líder também sabia disso. Ainda estava tentando encaixar como o sangue poderia estar envolvido, se ela podia invocar aqueles seres. Todavia, deixaria para questionar isso quando estivéssemos a sós.
— Pelos Deuses – a moça que eu ainda não sabia o nome, admirou-se com o relato.
— Bem, já podemos por um plano em prática com isso – Gajeel propôs, mostrando-se interessado pela primeira vez – temos que manter a Princesa longe dos rebeldes, para impedir que essa arma seja finalizada. E eu vou interceptar o segundo grupo deles.
— Gajeel... sabe que é perigoso sair atrás deles nesse momento – Minerva repreendeu-o.
— Eu não vejo a Levy por aqui, você vê? – ironizou, estressado – então ela deve estar com os outros. Sendo assim, vou atrás deles quer você queria ou não.
— Sozinho? – contestou, perdendo a paciência.
— Posso me virar sozinho.
— Percebemos isso muito bem. Mas acha sensato que se espalhe por Fiore que o Príncipe deles é um Mago? – vociferou-a. – O Rei vai receber ataques e os cidadãos podem achar que essa armada dos rebeldes é uma boa opção!
— E o que sugere? Que eu fique aqui sentado, servindo de babá para ela, – Gajeel indicou Lucy com a mão enquanto se erguia, furioso – enquanto fazem o que bem entendem com a baixinha?
— Gajeel! Controle-se! – a moça exclamou, tentando ajudar Minerva.
— Não se meta, Kagura – ralhou, fazendo com que a moça, que agora sei o nome, se sentasse.
A Dama das Ervas soltou um suspiro e acalmou-se um pouco.
— O outro grupo será detido, mas todos nós juntos. Entendeu?
— Dois dias – ninguém entendeu o pronunciamento dele de imediato, então ele soltou um bufo – é o prazo para sairmos, se em dois dias não formos atrás deles, vou sozinho.
Dito isso, saiu com passos pesados e irritados. Apenas Phanterlily, seu fiel gato, se atreveu a segui-lo.
— Prepare-se para esses dois dias, Princesa. Vai presenciar muitas discussões – encorajei-a, sorrindo.
Ela deu um curto riso, alegrando um pouco o clima.
— Mal posso esperar.
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