Sideways

11 XI - Modern Love


Notas iniciais
E este capítulo é um presente para Aiolia de Leão, gato guerreiro que ocupa a Quinta Casa do Zodíaco. E, como não podia deixar de ser, também será extensível à linda e valorosa Amazona Marin de Águia, que povoa o coração, a mente, o lado direito da cama e três quartos do armário/closet do nosso querido leonino! A música incidental é... Modern Love, do David Bowie, dando a tônica dos romances pós-modernos da década de oitenta! Os créditos da música pertencem a Davie, e tomara que o FFnet não resolva apagar a história por isso... Mas, enfim. Parabéns, Aiolia e Marin! É simples mas é de coração!

XI

Modern Love

I know when to go out

And when to stay in

Get things done

Eu sei quando ir

E quando Ficar

E terminar as coisas

Era uma tarde de clima surpreendentemente ameno no Santuário de Atena, Marin dava por encerrado mais um turno de treinos com aspirantes e voltava para sua casa, já pensando em tomar um banho e, de lá, ir para a Casa de Leão.

Entrou em casa e tomou um banho onde se despiu da amazona de Águia, com a ajuda de muito sabão e água quente. Vestiu uma roupa civil, simples mas calculadamente bonita; ajeitou os cabelos avermelhados com um pente, passou um tantinho de blush no rosto alvo e pegou o curvex para aprumar os cílios um tantinho retos demais que a ascendência japonesa lhe deixara de herança. Não que ela fosse assim tão japonesa quanto dizia sua certidão de nascimento: sua mãe era mestiça de irlandeses e japoneses nascida no Japão assim como ela, mas o pai era totalmente gaijin,americano de nascimento e ruivo dos olhos azuis.

Olhou o rosto no espelho depois de passar várias camadas de rímel nos cílios já devidamente curvados, e só isso fazia uma diferença enorme em seu visual (ou assim ela achava). A máscara tingia os cílios avermelhados de preto, e a curvatura lhe abria o olhar e ressaltava os olhos castanho-claros(1). Ela era daquelas que usavam rímel nos cílios curvados mesmo por baixo da máscara de metal; não tanto por vaidade, mas porque realmente tinha incorporado o pequeno artifício como um hábito diário imprescindível, quase que como escovar os dentes.

Bom, não fazia absolutamente nenhuma diferença como seus olhos ficavam ou não com rímel embaixo da máscara que usava num passado bem recente. Mas não era por isso que ela se privava do conforto de saber que seus olhos estavam mais bonitos, mesmo que ninguém pudesse vê-los.

Sorriu para si mesma no espelho, satisfeita com o que via; deu uma última ajeitada no cabelo e saiu do banheiro para ir porta afora.

I catch a paper boy

But things don't really change

I'm standing in the wind

But I never wave bye-bye

But I try, I try

Eu apanho um entregador de jornal

Mas as coisas não mudam muito

Eu estou parado no vento

Mas eu nunca aceno adeus

Mas eu tento, eu tento

— Marin! — A voz do ex-pupilo Seiya atraiu seus olhos até ele, que vinha em direção a sua casa acenando. — Nossa, tá arrumada, hein?

— Seiya! — Saudou a ruiva, meneando a cabeça num gesto respeitoso. — Como vai?

— Ah, tá tudo bem. — Seiya coçou o cocoruto, mostrando o já conhecido sorriso cheio de dentes para a antiga mestra. — E aí, vai sair?

Marin suspirou, já que Seiya não dava nenhuma mostra de privar-se de sua companhia e isso poderia atrasá-la; mas logo reconsiderou. Podia muito bem aproveitar a companhia do ex-pupilo para ir até a Vila de Rodório comprar algumas coisas para levar até Leão.

— É, vou... Vamos até a Vila comigo?

— Claro! — Seiya abriu mais um sorriso cheio de dentes. — Enquanto isso você vai me contando as novidades...

— Que novidades, Seiya?

— Ué, as novidades! — O cavaleiro de Pégaso não tinha ganho o apelido de 'Rádio Peão' do Santuário à toa. Não que ela se irritasse muito com isso; na verdade até gostava, já que era ele quem a mantinha informada das últimas quando estava por lá. — Como por exemplo, o que você vai fazer na Vila nessa estica toda?

— Ah, comprar umas coisas pra levar pra casa de Leão. — Marin sorriu. — Estava pensando em fazer um jantarzinho, só cozinhar uma coisinha boba mesmo...

Seiya fez seu melhor esforço para evitar que seu sorriso morresse nos lábios.

Sua curiosidade, sua boca grande e seu senso de preservação inexistente acabavam de colocá-lo em mais uma encrenca. E foi com um leve encolher de ombros que ele se preparou para o que sabia que viria em seguida.

—...Aliás, você está convidado, Seiya! E já que você está até arrumadinho, dá pra gente ir direto pra lá...

— Ah, claro... — Seiya fez todo o esforço possível para que seu sorriso não ficasse tão amarelo quanto ele achava que ficaria.

Foram os dois para a vila de Rodório; Marin andando com a alma leve e Seiya pensando em como ele lidaria com o fato de que ele jantaria na casa de Aiolia. Não tanto pelo fato em si, pois até gostava bastante de Aiolia... Mas ele sabia que, muito provavelmente, Marin prepararia a comida.

E essa foi uma das primeiras lições que a amazona de Águia ensinou ao então jovem aprendiz: Marin, como cozinheira, era uma ótima amazona.

Tudo bem que a lição foi seguida de uma das primeiras coças que levou da mestra, mas ele também não devia ter chamado a comida dela de 'lixo tóxico'.

Já na Vila, Marin andava atrás de ingredientes para uma receita de moussaka, e Seiya não podia evitar a sensação de perigo iminente que o invadia ao imaginar a mestra cozinhando um prosaico cozido de carne e batatas, imagine então uma moussaka. Sorrateiramente, separou-se da mestra sem perdê-la de vista, e foi até a padaria ao lado, que vendia frangos assados no forno elétrico.

— Senhor... — Seiya quase sussurrou para o vendedor, um velho gordo que, para seu azar, também era meio surdo. — Me vê três frangos no capricho.

— Hein? — O velho quase gritou.

— SHHHH! — Seiya nervosamente fez sinal de silêncio com os dedos. — Fala baixo! Três frangos inteiros, anda!

— Esses aqui tão bons? — Perguntou o velho, ainda falando alto demais para o gosto do cavaleiro de Pégaso.

— Não, vê uns mais torradinhos, vai. — Seiya namorava agora uns galetos ao centro da 'televisão de cachorro', apesar da sensação urgente de que Marin o surpreenderia a qualquer momento enquanto ele tentava garantir algo comestível para sua janta. — Ei, não sacaneia, bota esses frangos num saco bem escuro!

— Ah? Mas por quê?

— Anda, senhor! — O outro apressou o vendedor e pegou os frangos embalados e colocados dentro de um saco de papelão escuro. — Tá 'qui, ó, o dinheiro tá certinho. Tchau!

Enquanto o vendedor dava de ombros para sua pressa, Seiya saiu ventando dali para voltar junto à mestra, que seguia escolhendo ingredientes; mas agora para uma baklava.

— Mas Seiya, onde você estava? E o que são esses pacotes?

— Ah? — O cavaleiro forçou sua mente a se justificar da forma mais polida possível, mas sem abrir mão dos preciosos frangos. — Fui comprar umas coisas pra ajudar também, né? Não é justo que eu seja convidado e chegue de mãos abanando.

— Mas com o tanto de comida que eu estou pensando em fazer, você compra ainda mais comida? Não precisa, porque...

— Eu faço questão. — Seiya empertigou-se, imitando um pouco do jeito aristocrático que via em Julian ou Sorento. Não que tivesse alguma afeição pelos dois, mas realmente não tinha intuito de deixar que Marin dispensasse seus preciosos frangos.

Deu certo, e Seiya não sabia se era porque sua tentativa de parecer pomposo e educado tinha realmente funcionado, ou se Marin tinha tido um lapso de senso crítico culinário e imaginado que, em caso de desastre, seria mesmo melhor ter outras opções de pratos.

OOO

There's no sign of life

It's just the power to charm

I'm lying in the rain

But I never wave bye-bye

But I try, I try

Não há nenhum sinal de vida

É apenas o poder para encantar

Eu estou na chuva

Mas eu nunca aceno adeus

Mas eu tento, eu tento

Chegaram na casa de Leão, onde Marin foi para a cozinha com o pupilo para ajeitar o jantar. Apesar de Aiolia ter vivido muito tempo com Lithos e Garan, eles não estavam mais lá: Lithos estava estudando fora e Garan tinha assumido um posto numa filial da Fundação Graad na Alemanha, apesar de agora manter contato constante com Aiolos. Seiya esperava na sala, agarrado com o embrulho dos frangos para que ele não pudesse ser interceptado até que chegasse nas mãos seguras de alguma criatura ciente de sua delicada situação.

Para sua sorte, é Aiolia, o segundo grande interessado nos frangos, quem chega no templo.

— Ué, o que você tá fazendo aqui?

— Vai ter jantar pra você hoje. — Seiya entrega ao outro o embrulho com os frangos. — Isso aí. Ela tá na cozinha.

A expressão nos olhos de Aiolia quase beirava o desespero, enquanto ele recebia o pacote das mãos do outro; que tinha no rosto uma expressão sombria de compreensão.

Na cozinha, Marin estava batalhando contra a receita de moussaka, embora tivesse fé de que dessa vez conseguiria; afinal cozinhar não era assim tão difícil. Ela era amazona de respeito, era eficiente em suas tarefas, ela cuidava bem do namorado que também cuidava bem dela, então que fazer uns meros pratos não deveria ser uma tarefa tão hercúlea.

Pena que os resultados finais de seus pratos teimassem em seguir não concordando com ela.

Shina lhe dissera várias vezes que para cozinhar bastava seguir a receita, mas Marin bem sabia que vários dos 'pulos do gato' da cozinha não estavam escritos em lugar algum. Até invejava a colega, que podia ser rancorosa, agressiva, topetuda, teimosa e verdadeira carne de pescoço, mas cozinhava bem...

É, algum de seus antepassados japoneses com certeza se queixaria de uma moça casadoira que não sabia nem sequer cozinhar para seu pretendente.

Aliás, se era para entrar nesse assunto, o dito antepassado teria vários motivos para se queixar: O seu ofício masculino, totalmente impróprio para uma moça que, segundo as tradições japonesas, tinha que ser suave e delicada como uma flor. A máscara que por tantos anos lhe escondeu a feminilidade, e como abriu mão dela para entregar-se a uma paixão por um colega de armas, ainda mais imprópria que seu ofício. Tal paixão a empurrou cada vez mais para dentro da casa de Leão, para onde ela ia de mala, cuia, escovas de dentes no mesmo copo e noites insones compartidas na cama de seu homem; e isso sim, na visão dos seus antepassados japoneses, seria o supra-sumo da inadequação daquela mocinha ruiva que desde muito cedo dedicara sua vida a quebrar paradigmas...

Never gonna fall for

Modern love — walks beside me

Modern love — walks on by

Modern love — gets me to the church on time

Church on time — terrifies me

Church on time — makes me party

Church on time — puts my trust in god and man

God and man — no confessions

God and man — no religion

God and man — don't believe in modern love

Nunca vou me apaixonar por

Amor moderno — caminha ao meu lado

Amor moderno — passa

Amor moderno — me leva à igreja na hora certa

A igreja na hora certa — me assusta

A igreja na hora certa — me deixa feliz

A igreja na hora certa — coloca minha confiança em Deus e no homem

Deus e o homem — não há confissões

Deus e o homem — não há religião

Deus e o homem — não acreditam no amor moderno

Aiolia seguia sentado na sala, resistindo bravamente à tentação de entrar na cozinha para tentar ajudar Marin na cozinha. Esse filme ele já tinha visto, com direito a reprise, e sabia que ela ficaria muito aborrecida (para dizer o mínimo) se ele entrasse lá para ajudá-la. Nem que ele ficasse lá apenas olhando, a situação já estaria perdida: Ele se conhecia, não iria aguentar calado ao vê-la errando na receita, e qualquer comentário inocente no sentido de dar 'uma opinião' ou 'só fazer uma sugestão' já era um risco considerável.

Ele, por si, se importava muito pouco com a falta de afinidade da companheira com as panelas, embora ele próprio soubesse cozinhar razoavelmente bem; mas é que para ela isso era ponto de honra. E poucas coisas em Marin eram tão perigosas quanto seus brios. E menos coisas ainda eram tão capazes de mexer em seus brios quanto... Seu talento (ou falta dele) na cozinha.

Mas não conseguiu evitar o divertimento interno ao ver Seiya sentado no sofá, apreensivo, olhando para ele com cara de quem se pergunta se ele estava ficando louco de não entrar lá dentro e salvar a refeição do desastre. Tudo bem que ele já estava acostumado, mas conhecia o cavaleiro de Pégaso e seu apreço por comida, e por isso entendia a estranheza do outro em vê-lo confortavelmente instalado no sofá enquanto Marin tentava cozinhar.

— Aiolia... — Depois de pouco tempo, Seiya não se aguentou. — Não ia ser bom você dar... Um pulo lá na cozinha?

— Ah, Seiya... Relaxa, vai. — O Leão Dourado esboçou um sorriso, para logo depois baixar o tom de voz. — Aliás, cá pra nós, brigadão mesmo por já ter garantido a janta...

— Anos de convivência, amigo. — Seiya balançou a cabeça afirmativamente. — Mas...

— Então, eu também já estou ficando especialista em Marin, sabia? Daí que eu sei que, se eu entrar lá pra ajudar ela a cozinhar, vou acabar cutucando a águia com vara curta...

— Isso eu sei. — Seiya franziu a testa, pensativo. — Mas...

— Mas...?

— Vai que ela tenta fazer alguma coisa com os frangos...

"Oh", pensou Aiolia, "o garoto tem um ponto."

— ...Porque teve uma vez que ela tentou fazer um molho pro frango e jogou cerveja preta nele. Tipo, ela disse que ela leu uma receita assim em algum lugar, mas você sabe, né...

It's not really work

It's just the power to charm

I'm still standing in the wind

But I never wave bye bye

But I try, I try

Não funciona realmente,

É apenas o poder para encantar

Eu continuo parado no vento

Mas eu nunca aceno adeus

Mas eu tento,eu tento

Bem que algo dentro de Aiolia dizia que o que ele estava fazendo era péssima ideia, mas ele não conseguiu resistir.

Entrou na cozinha apenas para constatar o que já sabia: A receita estava desandando, e Marin parecia ainda mais exasperada do que ficava quando treinava o então aspirante a cavaleiro de Pégaso.

E o pior é que ela tentava: Fazia tudo direitinho, mas era sempre um detalhe que matava seus esforços. Uma assadeira maior do que deveria, um forno mais quente do que deveria, a carne passada demais, a cebola que ficava tempo demais no óleo, o macarrão que ficava pouco tempo na água do cozimento. E, na tentativa de contornar o que estava dando errado, ela inventava de improvisar, e aí o que estava dando errado ia para o brejo de vez. Era nessas horas que ele tentava salvar algo através de uma interferência, mas os brios feridos de Marin aliados a sua falta de jeito para falar com as pessoas eram uma mistura que, quando tendia a azedar, o fazia de forma fragorosa.

Recostou-se na mesa que servia de apoio enquanto ela seguia tentando, mas já via de antemão o que estava dando errado: As fatias de berinjela que ela tirava do mergulho em água salgada estavam grossas demais, e provavelmente a água onde elas estavam mergulhadas tinha pouco sal. A frigideira estava em fogo alto, o que queimaria as berinjelas empanadas ao invés de dourá-las. Isso porque ele ainda não tinha tido a chance de inspecionar o que fora feito do recheio...

— O que foi? — Ela perguntou, deixando uma pontinha de irritação transparecer em sua voz.

— Nada. — Ele meneou a cabeça despreocupadamente, tentando disfarçar sua presença ali.

— Foi ele que te mandou aqui dentro, não é?

— Ele quem? — Aiolia coçou a parte de trás da cabeça, franzindo disfarçadamente os lábios. O cheiro de azeite queimando na frigideira começava a atinar seus sentidos, e ele aguentaria pouco tempo calado.

— O Seiya. — Marin, irritada como estava, quase cuspiu o nome do ex-aprendiz. — Ele te mandou aqui pra ficar me vigiando na cozinha...

— Ah, deixa o menino, Marin. Sabe como ele é com comida... — Aiolia adiantou-se até ela, tocando-a pela cintura com cuidado.

— Ele tem padrões altos, né... — A ruiva suspirou, como que admitindo a derrota. — A Miho cozinha muito bem.

Aiolia agora passou o braço pela cintura dela, deixando um beijo na base da sua orelha.

— Em compensação, imagina o quanto eles devem ser criativos na cama. — A amazona lhe respondeu com um riso abafado. — Não, sério, imagina aí. A Miho, com aquela cara de dona-de-casa japonesa, e o Seiya na hora do bem-bom...

— Aiolia! — Marin agora ria, se afastando dele. — Você está sendo malvado! Ou é do time dos que acham que o Seiya bem que devia ter ficado com a Saori, ou com a Shina?

— Isso não, porque ele acabaria morto nas duas opções. Ser namorado da Saori é profissão de alto risco! Se sobra até pra gente que é empregado dela, imagina pro namorado... Tem que deixar isso pra um Deus, mesmo. — Mais risadas de Marin em resposta. — E no caso da Shina... Bom, ela terminaria matando o coitado.

— Ela também cozinha bem... — A ruiva replicou, divertida.

— Eu não tô falando de cozinha, não. Eu digo é matando mesmo, porque aquela lá é osso duro de roer. Aliás, eu me forço uma correção, aqui. O Milo é quem terminaria matando o Seiya... — A ruiva agora ria solta, já descontraída do seu pequeno desastre culinário. — Não, porque desde o tal episódio da festa da Fundação que ele está mais peçonhento do que o de costume. A outra lá não desencana do Seiya, e ele não desencana dela...

— Mas... — Marin mordeu os lábios, contendo as gargalhadas. — Será que não calha de dar certo, os dois?

— Os dois, quem?

— O Milo e a Shina. Porque, né...

— Cê tá brincando? É mais fácil chamar logo o Hades pra subir na Terra de novo e mandar ele terminar o serviço, que é mais rápido do que deixar aqueles dois lá destruírem o planeta brigando até a morte. Sério, aqueles dois lá iam terminar se matando e matando quem estivesse ao redor tentando impedir o massacre, e nem ia ser de mentirinha, não!

Marin cansou de rir, e olhou para o projeto de moussaka na bancada ao lado do fogão.

— Olia... Acho que não foi dessa vez, de novo...

— Ah, deixa pra lá. — Aiolia esticou os olhos para a bancada da pia, e viu que o recheio do prato estava em estado de perda total. Mas as berinjelas, pelo menos, ainda poderiam virar bons empanados. — Esquenta um arroz branco que tem na geladeira, que a gente serve com os frangos depois que fritar essas berinjelas...

— Mas eu posso fritar...

— Cuida do arroz, Marin, e coloca os frangos numa tigela bonita, vai. Deixa que com as berinjelas e a frigideira me entendo eu.

Aiolia viu a ruiva suspirar e fazer o que foi combinado, não sem um pitadinha de irritação. Continuou vendo-a pelo canto dos olhos e deu um sorriso de lado, sentindo o coração morno como sentia sempre que olhava para ela, desde a primeira vez.

É, ele bem que poderia conviver com as obrigações de ter que pilotar as panelas, de vez em quando...

Modern love — walks beside me

Modern love — walks on by

Modern love — gets me to the church on time

Church on time — terrifies me

Church on time — makes me party

Church on time — puts my trust in god and man

God and man — no confessions

God and man — no religion

God and man — don't believe in modern love

Amor moderno — caminha ao meu lado

Amor moderno — passa

Amor moderno- me leva à igreja na hora certa

A igreja na hora certa — me assusta

A igreja na hora certa — me deixa feliz

A igreja na hora certa — coloca minha confiança em Deus e no homem

Deus e o homem — não há confissões

Deus e o homem — não há religião

Deus e o homem — não acreditam no amor moderno

OOO

16/08/2012

Notas finais
Momento Dona Palmirinha: Moussaka: É um prato típico da região da Grécia e Turquia, embora seja comum em vários locais da Europa. É uma espécie de lasanha de berinjela, com carne moída e molho bechamel. Baklava: É um doce composto por várias camadas de massa muito fina, recheadas normalmente com nozes ou pistácios e cobertas com calda de açúcar. É um doce original das regiões de influência do Império Otomano, como Grécia, Turquia, Oriente Médio e Bálcãs. 1- EU NÃO ENGULO japonês de olho azul-céu, pronto, falei. Então a Marin tem olhos castanho-claros apesar da 'mixtura' de sangue oriental com irlandeses e americanos.