Side to Side
2 Capítulo 2
Eu normalmente acordava com o meu despertador, hoje eu tinha acordado com a campainha tocando, alta e insuportável. Procurei o celular antes de levantar e franzi o cenho ao ver as horas. Quem diabos poderia ser às duas da madrugada? Suspirei quando minha mente gritou a resposta
A campainha tocou novamente no momento em que cheguei à porta e eu não conferi no olho mágico antes de abri-la. Dois homens entraram, um deles sendo praticamente arrastado pelo outro.
— Eu não sei se quero saber o que aconteceu. – Fechei a porta, mas não me movi. Kankuro olhou em minha direção e começou a rir.
— Eu realmente não tive nada com isso, dessa vez. – Sasori falou enquanto sentava Kankuro no meu sofá. – Ele me ligou dizendo que estava em um bar no centro, e quando cheguei lá ele já estava assim.
Ele olhou para mim e suspirou se tinha intenção de falar algo desistiu, então simplesmente foi embora. Olhei para ele já me preparando para a guerra que viria agora.
— Você precisa de um banho. – falei enquanto me aproximava dele, era sempre difícil quando ele já estava nesse estado. – Eu ajudo você.
— Eu preciso de outra garrafa. – ele afirmou tentando se levantar.
— Eu lhe dou algo depois se fizer o que estou te pedindo. – às vezes negociar ajudava.
— Eu não estou bêbado ao ponto de acreditar nisso. – ele falou e olhou em direção à minha estante, droga, eu tinha uma única garrafa em casa, naquele momento ela parecia valer por dez. Corri no mesmo momento que ele e o segurei antes que ele chegasse à garrafa, ele começou a gritar e se debater na tentativa de se soltar.
— Fique calmo. – pedi e em resposta ele gritou mais alto. Nós já tínhamos passado por isso várias vezes, mas geralmente eu tinha ajuda de Gaara. – Eu não quero machucar você. – Seria mais fácil, pensei.
Ele girou e nós esbarramos na minha mesa derrubando algumas coisas, o barulho ecoou pelo apartamento. O corpo dele tremeu e eu o senti se debruçar, ele iria vomitar. Tentei encaixar meus braços ao seu redor de modo a sustentar melhor seu peso, quando outra pessoa o segurou.
Levantei os olhos para ver Shikamaru ao lado de Kankuro, segurando-o, lembrei que não havia trancado a porta quando Sasori saiu.
— Me ajude a leva-lo ao banheiro. – falei e ele assentiu, felizmente conseguimos chegar a tempo. Depois que vomitou, Kankuro começou a chorar, era sempre assim, primeiro agressivo e depois triste. – Consegue tomar banho sozinho? – perguntei com a voz mais calma que consegui, ele assentiu. O ajudei a se erguer do chão e abri o Box. – Chame se precisar.
Saí do banheiro sendo seguida por um Shikamaru silencioso. Fui até a cozinha, era uma distância razoável do banheiro, entretanto eu ainda ouviria Kankuro, parei de frente para ele e permitir-me observá-lo, o cabelo diferente de ontem, estava solto, estava usando apenas uma calça de moletom, o peito nu, a expressão levemente sonolenta. Ele tinha sido acordado pelos gritos de Kankuro e veio ajudar.
Ele permaneceu imóvel durante minha inspeção e eu franzi o cenho ao terminar. Conseguia sentir o cheiro do perfume dele daqui. Extremamente cheiroso e exageradamente sexy.
— Não me diga que você vinha me pedir uma xicara de açúcar. – ironizei.
— Eu pensei talvez em pedir um sabonete. – ele respondeu dando de ombros. Ficou um silencio constrangedor entre nós e ele desviou os olhos para o corredor, o questionamento mudo.
— Meu irmão... As recaídas têm ficado um tanto mais frequentes no último ano.
— Entendo. – foi tudo o que ele disse e então me mostrou um sorriso. Ele olhou em meus olhos e um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Aquele homem tinha um poder sobre mim, só com um olhar ele fazia com que eu quisesse me entregar, eu sentia vontade de devorá-lo a cada sorriso preguiçoso que eu via, e eu iria.
Ele deu alguns passos em minha direção parando a poucos centímetros. – Quer que eu fique aqui para caso você precise de ajuda? – a voz dele estava rouca agora, como no chuveiro ontem.
— Ajuda? – eu ri. – Claro. – Ele acariciou meu rosto com as costas de suas mãos. – Obrigada.
Primeiro ele ficou surpreso, depois ele me beijou. Acariciei seus braços e peito, ele colou nossos corpos e beijou minha clavícula, inclinei minha cabeça para o lado e ele subiu os beijos para meu pescoço, ele passou os braços ao meu redor em um abraço e me guiou até que eu estivesse encostada na parede.
Respire, eu tive que me lembrar. Ele apertou ainda mais minhas coxas erguendo minha perna à altura de seu quadril e beijou-me. Luxúria nem começava a descrever aquele momento. A outra mão dele desceu do meu rosto para meu seio. Minha pele inteira estava queimando com seu toque. Arranhei seu ombro quando a mão dele acariciou a parte interna da minha coxa, e quase pude sentir o gosto do sangue em meus lábios devido à mordida que dei para evitar um gemido. Ele teve audácia de me mostrar um sorriso de canto.
Um sorriso pervertido enfeitava o meu rosto agora, quem diria? Ele era bem melhor do que eu tinha imaginado, porém, eu tinha imaginado muito e queria descobrir até onde ele superava minhas expectativas. Ele girou o corpo e nos tirou o apoio da parede, fazendo com que eu prendesse minhas pernas entorno de seu quadril. Arqueei a sobrancelha em uma pergunta muda e em resposta ele me deitou sobre a mesa da cozinha, e desacelerou o ritmo da situação. Ele queria aproveitar aquela situação tanto quanto eu.
Definitivamente o homem mais interessante com quem eu tinha estado até agora; ele sustentava uma expressão preguiçosa no rosto e uma aura tranquila, no entanto, nesse momento as duas tinham sido substituídas por desejo puro e intenso. O homem que estava comigo era voraz, assim como eu. E eu queria o que estava por vir.
Ele começou a subir o tecido da minha camisola devagar, tocando minhas pernas o máximo que conseguia no processo. Normalmente, eu já teria lhe beijado o corpo inteiro, já teria arrancado nossas roupas e assumido o controle da situação, entretanto, Shikamaru era bom demais para ser interrompido e eu queria ver até onde e como ele iria.
— Temari? – a voz soou baixa, vindo do corredor, e nós nos separamos rapidamente.
— Já estou indo. – consegui dizer e Shikamaru me ajudou a descer da mesa, dei uma rápida olhada nele antes de sair, ele me seguiu pouco tempo depois.
Shikamaru me ajudou a colocar Kankuro para dormir e eu estava pronta para continuar o que tínhamos começado quando meu celular tocou. Era Gaara.
— É melhor eu ir agora. – ele falou tranquilo, contudo não se aproximou eu podia ver em seus olhos a guerra que ele travava para ir embora. – Boa noite, Temari. – ele disse e saiu. Suspirei antes de atender.
Fale com o autor