Side to Side
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Dormir depois de ter beijado a minha nova vizinha se provou uma tarefa bastante complicada, eu meio que fiquei esperando ouvir mais algum barulho vindo do apartamento dela, ou uma batida na minha porta, nenhuma das duas coisas aconteceu, é claro.
Contudo, pude ouvir quando outra pessoa chegou ao apartamento dela, somente algumas horas depois, certamente para ajuda-la com o irmão.
Infelizmente à noite mal dormida cobrou seu preço e agora eu estava atrasado para o trabalho. Tsunade vai acabar comigo se eu estragar tudo com o nosso novo sócio. O carro, que agora eu sabia ser o dela, já não estava mais na garagem. Ao menos eu não teria que passar por nenhuma situação constrangedora tão cedo. Que problemático, eu tenho que parar de pensar nessa mulher e me concentrar na maldita reunião de hoje.
— Até que enfim, o que aconteceu? – Chouji questionou-me ao mesmo tempo em que me entregava uma pasta com os documentos que faltavam para a reunião de hoje, e sem esperar que eu o seguisse rumou em direção aos elevadores. – Tsunade já está esperando por você.
— Eu tive um imprevisto, ele já chegou? – ele apertou o botão do quarto andar, iriamos primeiro para a sala de Tsunade, nos aguardavam lá.
Há semanas tenho trocado e-mails com o representante dessa empresa, e por mais que odiasse admitir, convencê-lo de que a sociedade seria um bom negócio havia sido difícil.
— Ele? – uma risada. – Você vai ter uma surpresa.
Oh meu Deus, não pode ser sério. Do lado de uma Tsunade visivelmente nervosa estava à mulher mais tentadora que eu já tinha visto. Tenho certeza da minha expressão de surpresa, pois, quando me viu, a desgraçada riu.
— Ai está ele. – Foi Shizune quem falou primeiro. – Senhorita Sabaku, esse é Shikamaru Nara, é com ele que a senhorita estava conduzindo o nosso acordo.
— Interessante. – ela disse enquanto se aproximava e me estendia à mão em cumprimento. Como é que eu ia adivinhar que minha nova vizinha era também minha nova companheira de trabalho? – Eu podia jurar que você era mais velho, muito mais. – E deu uma piscadela. Como é que um simples piscar de olhos pode ser tão sedutor? E porque simples assim eu estava excitado?
— Já se conheciam? – Com a pergunta de Shizune ela soltou minha mão.
— Sim. – respondeu virando-se para a outra.
— Não. – eu falei ao mesmo tempo em que ela. Quatro pares de olhos se voltaram para mim. – Não formalmente. Apenas nos cruzamos algumas vezes. – ela arqueou uma sobrancelha, um sorriso travesso nos lábios, mas deu de ombros.
— Bem, podemos começar a reunião? – ela se dirigiu a Tsunade. – Tenho certeza que... Shikamaru preparou uma apresentação incrível.
As reações à forma como ela pronunciou meu nome não poderiam ter sido mais diversas e constrangedoras. Eu e Chouji deixamos que Shizune guiasse o caminho para a sala de reuniões, enquanto seguíamos um pouco mais afastados.
— De onde vocês se conhecem? – ele sussurrou enquanto apontava nada discretamente para a loira a minha frente. Frente ao meu silêncio ele tentou uma abordagem mais direta. – Entre vocês dois ali atrás... Não foi nada discreto.
— Será que a gente pode conversar sobre isso depois? – eu pedi depois que ela olhou para trás, um sorrisinho no rosto novamente, ela o havia escutado, ótimo.
Eu pensei antes que essa reunião seria difícil tendo ela e a noite passada nos meus pensamentos, mas nada se comparou a ter que fazer uma apresentação desse nível tendo-a como plateia.
Primeiro, por que no momento em que ela sentou naquela cadeira de frente a mim, os olhos concentrados, no modo mulher de negócios, eu sabia que tinha que ser perfeito, ela não aceitaria menos do que isso.
Segundo, por que cada vez que nossos olhos se encontravam, ou que eu a flagrava mordendo o lábio, eu corria o risco de perder completamente o raciocínio e estragar tudo, e isso eu definitivamente não podia fazer.
E terceiro, por que o que eu menos queria fazer com ela naquele momento era falar de negócios. Não quando a lembrança do corpo dela colado ao meu, e dos beijos dela estavam ainda tão frescas. Não quando o meu corpo ainda ansiava desvendar todas as promessas de prazer que os olhos dela prometeram ontem. E pelo modo como ela olhou e sorriu quando a apresentação acabou eu tinha certeza que ela compartilhava das minhas intenções.
— Ótima apresentação, Shikamaru. – Shizune chamou minha atenção. Ela fingiu não ter passado a apresentação inteira olhando de mim para Temari.
— Eu devo concordar. – ela disse séria. – Será ótimo fazer negócios com vocês. – lá estava novamente, no tom de voz, aquela sensualidade que prometia muito mais que negócios.
— Que ótimo! – foi Tsunade quem falou dessa vez. – Tenho certeza que você vai adorar trabalhar com o Shikamaru. – ela disse inocentemente e Chouji começou a tossir.
Felizmente, a insinuação não pareceu abalar Temari que simplesmente deu de ombros antes de assinar as duas cópias da documentação.
Depois de encerrar a reunião Tsunade nos convidou para um café, ao que Temari educadamente recusou, antes de sair, no entanto, ela se aproximou de mim e estendeu a mão, novamente em cumprimento.
— Será um prazer, realmente. – ela disse antes de soltar minha mão. – Isso eu poderia apostar. – sussurrou enquanto passava por mim em direção ao elevador.
— Você definitivamente precisa disfarçar melhor. – Chouji disse baixinho ao meu lado. Eu imediatamente olhei para baixo, tudo normal. Tsunade não disfarçou o riso e Shizune virou o rosto completamente vermelho para o outro lado. Que problemático.
— Não sei do que você está falando. – dentre minhas opções, escolhi ser sínico e fingi ingenuidade.
— É claro que sabe! – ele tomou um gole de café antes de continuar. – Mais um pouco e você teria avançado nela ali mesmo, na nossa frente.
— Estava tão obvio assim? – É claro que sim, do contrário, aquelas duas não estariam tão contentes em tripudiar de mim.
— Então realmente já se conheciam, não é?
— Ela é a nova vizinha de quem lhe falei. — segredei enquanto entravamos no elevador.
— A garota da praia? – ele perguntou surpreso e eu assenti. – O que você ainda está fazendo aqui, Shikamaru? – Essa era realmente uma ótima pergunta.
— Eu vejo você depois, Chouji. – disse pegando minhas coisas apressadamente, ele simplesmente assentiu.
Ignorei as insinuações de Tsunade enquanto saia da sala, sabendo que ouviria muito mais delas depois, mas parecia haver um imã repuxando e me forçando a continuar a situação do dia anterior.
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