Side Quest: A Busca Pelo Meu NPC Favorito!

22 Capítulo 22 - Jogo Fragmentado


— Katarina!! — A voz de Amara apitava nos ouvidos da mulher que apenas continuava se contorcendo. Os braços do garoto já estavam começando a ficar dormentes por conta do esforço de segurá-la.

"Não, não, não, o que diabos..." — Ela tentava entender o que estava acontecendo, sem saber de onde vinha aquela súbita vontade de matar a bruxa. Foi só vê-la saindo da água nas costas de Darka que aquilo começou, uma vontade crescente de cumprir aquilo que desejou a vida toda. Era como estivesse voltando a ser a Katarina de antes, e seja lá o que causava isso, estava se mostrando mais forte que ela.

Com um forte empurrão que derrubou Amara, a paladina se soltou e lançou-se em direção aos três. Sua cabeça doía com a energia que dominava seu corpo e controlava seus movimentos, e quando se deu conta, havia empurrado também Darka e Miko para longe com um forte golpe enquanto suas mãos foram direto no pescoço de Yrina. Katarina ofegou quando conseguiu se segurar, suas unhas a centímetros da pele dela.

— ... Você é uma Aurea?! — perguntou Yrina, encarando Katarina com uma expressão confusa e assustada.

O movimento pareceu ter causado alguma reação nos gêmeos, que imediatamente começaram a atrair a água do lago. Ela agora espiralava em torno deles, enquanto abaixo de seus pés um redemoinho se formava. O ar começou a ficar pesado e um zumbido ressoava pela caverna.

— Mas o que diabos cê tá fazendo?! — Darka se levantou rapidamente, tropeçando em direção a Katarina.

— Eu não sei! — Ela estava fazendo um esforço imenso para se afastar da mulher. Seus dedos se retorciam, mal encostando na pele quente de Yrina, que finalmente reuniu forças para se afastar um pouco. — Eu não consigo controlar meu corpo!

Um puxão fez Katarina perder o equilíbrio e cair para trás, o que deu uma brecha para Darka se colocar entre as duas e levantar Yrina. Com os braços entrelaçados na cintura da mulher, Daena tentava prendê-la no chão com ajuda de Amara.

— Por que você sempre tem que dar esses pitis aleatórios, tia?! — A menina se agarrou na paladina com as pernas também, usando o peso do seu corpo para mantê-la desequilibrada. Miko foi ajudar, abraçando sua panturrilha.

— Darka, vocês dois precisam impedir os gêmeos!! — Amara apontava preocupado os dois indivíduos na superfície do lago. — Eles começaram a absorver a energia da nascente!

Olhando em volta, Darka também percebeu que partes da caverna estavam rachando com a pressão do que quer que eles estivessem fazendo.

"Estamos apenas ajudando a cumprir o que Lady Yrina desejava desde o início." — ele lembrou das palavras de Noite em Caadis e se virou para ela.

— Yrina, o Noite me disse que eles estão tentando cumprir um desejo seu. Que desejo é esse?

Ela o encarou, repassando tudo o que podia em sua memória para entender o que ele estava falando. O desejo dela? Ela queria liberdade, mas tecnicamente já estava livre, então não fazia ideia do que era. Mas uma coisa ela sabia: já viu eles daquele jeito antes.

— Eu não sei de que desejo estão falando, mas eles causaram algo parecido uma vez... e acho que vai acontecer de novo. — Ela falou depois de alguns segundos. Darka notou o desespero na expressão dela.

— Como assim "de novo"?!

— Em Fearaniar, eles... — Sua voz falhava, como se fosse engasgar com as palavras. Era algo que nunca havia contado para Darka, o motivo que a fez atravessar o Oceano Vermelho até o continente de Argrene.

Tremores começaram, fazendo as paredes da caverna racharem ainda mais e escombros imensos começarem a cair. Darka pegou o braço de Yrina e a puxou para próximo dos outros, ativando sua magia e criando um campo de energia que servia como escudo. Em circunstâncias normais o escudo não seria forte o suficiente para impedir tantas pedras, mas como estavam em uma área que praticamente transbordava magia, ele sentia que o poder extra reforçava seus feitiços. Yrina o observou com certo orgulho.

— Isso não vai adiantar se não pararmos eles! — Gritou Daena, já suando pelo esforço de segurar a tia.

— Não vai mesmo. Preciso de um plano que não seja só me jogar em cima deles e torcer pra não ter perdido meu senso de PvP. — Tentando não pensar muito na falta de respostas à sua pergunta, Darka encarou Yrina. — Você sabe quem são eles, então deve saber o que fazer.

Ela não tirou os olhos dos dois, mesmo quando ouviu a voz de Darka.

— Eles destruíram um vilarejo inteiro de Fearaniar há muitos anos atrás, e a situação começou exatamente assim. Depois de um aldeão tentar me machucar, os dois entraram nesse estado. — Ela tentava encontrar as palavras para descrever o acontecimento, mas sabia que não tinham muito tempo para explicações. Parou de olhar para os gêmeos e encarou Darka. — Eu não sei como impedi-los, eles só pararam depois que uma explosão aconteceu. A única coisa que pude fazer foi selar os dois em amuletos que carreguei comigo o tempo todo, e... fiz com que criassem memórias como se ainda estivessem livres. Eles provavelmente lembram tudo que vivi desde que saímos de Fearaniar, sem saber que estavam selados. Eles devem ter se libertado em algum momento enquanto eu estava presa.

— Essa explosão vai ser diferente. — Disse Amara. — Eles não vão parar até destruir absolutamente tudo que existe aqui.

Os dois se entreolharam. Havia algo em Amara naquele momento que fez Darka se dar conta de que ele não falou tudo o que sabia. A culpa era quase palpável no semblante do jovem, mas ele decidiu que não era uma boa hora para confrontar aquilo.

— Eu vou tentar atacar eles pra pelo menos ganhar tempo. Yrina, vê se consegue fazer o esquema de selar eles de novo, dessa vez usando a fonte de magia. Eles estão mais fortes graças a ela, mas a gente também tá.

— O quê? Mas você não... — Yrina queria discutir, preocupada com a segurança dele.

— Não tem outro plano! Vocês quatro, não é pra sair daqui debaixo. — Disse ele, apontando para os outros que ainda seguravam Katarina.

Avançando para fora da redoma, Darka foi em direção ao lago. Quase metade da água já estava flutuando no ar em volta deles na forma de correntes que circulavam em vários diâmetros, e as runas nas paredes brilhavam ainda mais intensamente. Agora que conseguia prestar atenção nos dois, percebeu que não pareciam mais os dois jovens energéticos de antes, era quase como se tivessem virado robôs sem alma.

— O que deu em vocês?! — Darka tentou tirar alguma reação deles. — A Yrina já acordou e tá segura, não era isso que vocês queriam?!

Suas expressões continuaram vazias, mas a pressão nos ouvidos de Darka aumentou junto com o movimento das correntes que ficou mais rápido. Não ia adiantar, só restava lutar e torcer para que ela conseguisse prendê-los de novo.

Respirando fundo, ele ativou sua magia de absorção.

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Dia e Noite sentiram que não estavam a sós. Algo havia acontecido, tomado o controle de seus corpos, mas não sabiam exatamente o quê. Estavam em um limbo escuro, de mãos dadas e se sentindo extremamente pequenos e insignificantes. Nem sequer notaram quando entraram naquele vazio, simplesmente em um momento deram um passo para dentro da caverna e no outro já estavam ali.

Havia uma ponta de familiaridade, quase um déjà vu, como se já estivessem estado naquele lugar antes há muito, muito tempo atrás. A presença estranha era maçante, e dava a impressão que iria esmaga-los a qualquer momento.

— O que é você... ? — A voz de Noite saiu quase como um sussurro. Ele sabia que aquilo que os rodeava não era alguém, mas sim "algo". Um silêncio se seguiu, e ele sentiu a mão de Dia apertar a sua.

— Estou com medo.

Noite olhou para a irmã, que parecia nervosa. Era raro ver esse sentimento no rosto dela, e isso fez seu coração pesar. Ele também estava com certo medo, mas tentou parecer firme.

— Eu estou aqui com você, Dia, está tudo bem.

— O que é isso?

— Não sei. Mas sinto que esteve conosco todo esse tempo.

— Você também... sentia?!

Noite ficou em silêncio, pensativo. A coisa que ele sentia em sua mente, que fazia sua espinha gelar e sua cabeça doer. Era algo ruim. Algo que estava esperando o momento certo para tomar conta, e pelo visto a hora já havia chegado.

Um movimento atrás deles chamou a atenção dos dois, e ao se virarem para ver o que era, deram de cara com eles mesmos. Uma versão sem cores de cada um, sem vestes, com aparência quase translúcida e um olhar vazio. Era como se ver em um espelho estranho.

— O que...

< INÍCIO DE EVENTO CHAVE DETECTADO >

Uma voz robótica saía de ambos os clones estranhos ao mesmo tempo, falando coisas incompreensíveis para eles. O arrepio familiar veio mais forte do que nunca, como um grande impulso elétrico que fez ambos ficarem atordoados.

< EXECUTANDO PROTOCOLO DE FORMATAÇÃO >

Notas finais
Obrigada pela leitura! E chegamos na portinha do grand finale! Talvez esse seja o penúltimo capítulo da história principal, não sei se rio ou se choro :'D