Show Me Who You Are
9 Que as audições comecem.
Notas iniciais

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Austin Moon
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– Austin, cadê você?!
– Já estou indo, ruivo. Ninguém mandou você me tirar da cama às oito da manhã de um sábado. – bufei e desliguei o telefone, continuei a dirigir rumo ao aeroporto.
Caralho, será que todo mundo resolveu sair de casa bem nesse horário? Mas que trânsito dos infernos!
Depois de muitas buzinadas e xingamentos, finalmente cheguei ao aeroporto. Coloquei meus óculos e minha touca, apesar de não resolver muita coisa, e fui até o portão 27 de desembarque. Mal cheguei e já vi um ruivo com roupas um tanto, digamos coloridas e chamativas, impaciente enquanto olhava o celular. Só podia ser o Dez. Não vou nem comentar sobre o escândalo que ele fez assim que me viu. Típico daquele ser ruivo.
– Austin! Até que enfim, hein! – gritou o ruivo, vindo em minha direção e me dando um breve abraço.
Quarta-feira passada, meu primo Dez, de lá de Broomfield no Colorado, havia me ligado dizendo que estava vindo para Miami e que eu deveria ficar no aeroporto para esperá-lo, já que o mesmo não conhece nada daqui. Nem sei por que diabos ele veio pra cá. A questão é que o demônio ruivo me tirou da cama em plena madrugada de sábado! Tem consciência disso? Hoje é um dos únicos dias em que posso acordar tarde e me ver livre da McKinley! Será que eu não mereço um diazinho de folga?
Cara, falando assim até parece que eu não gosto ou que não estou nem aí para o ruivo.
Enquanto eu ainda morava em Broomfield, com aquele bando de caipiras – mais conhecido como minha família — e não tinha ainda entrado no mundo do show business, Dez e eu éramos unha e carne. Não fazíamos nada sem o outro. Se rolasse alguma confusão na rua, pode apostar que tinha o dedo de Austin e Dez naquilo. Ainda me lembro como Ernesta – uma velha esquisita que era minha vizinha – ficou puta da vida quando eu e Dez sem querer querendo acertamos a bola de futebol em sua janela, quebrando-a em mil pedaços. E claro que ainda me lembro do sermão que levei depois que a velha foi reclamar sobre isso para minha mãe Mirela.
– Olha, me surpreende você ainda não ter desistido de usar essas roupas ridículas. – falei pra ele, enquanto caminhávamos em direção ao meu carro.
– Austin, Austin... Seu dom de fazer piadinhas até mesmo às oito horas da manhã me comove, loira fresca. – falou sarcasticamente o ruivo, enquanto entrava no banco do passageiro e eu no de motorista. Acabamos rindo no final. Como pude viver todo esse tempo sem a irritante presença de meu melhor amigo ruivo?
Não demorou muito e logo saímos do aeroporto, indo enfrentar aquele trânsito maldito de novo.
– Mas me diga, ruivo, o que te trás a Miami? — perguntei ao ser que no momento estava olhando algo totalmente inutil pra mim dentro de sua mochila. No momento, eu estava avaliando mentalmente se xingava o abestado que cortou a minha frente na estrada. Por que todo mundo resolveu sair com seu carro de casa justo nessa hora?
– Oportunidades. — ele tirou um pacote laranja de dentro de sua mochila e continuou — Tanto no trabalho quanto no amor.
Percebi que aquele pacote que ele estava segurando era de algum tipo de salgadinho. Eu já ia pedir uma mãozada, pois estava morrendo de fome, até ver do que aquilo tinha sabor.
Aquilo era mesmo um pacote de Lay's sabor wasabi?
– Dez, você vai mesmo comer isso? — perguntei, fazendo uma cara de nojo ao ver que ele já tinha enfiado quase metade do pacote goela abaixo. Argh!
– Pior que essas batatinhas são gostosas, apesar de conterem alguns sabores estranhos. — falou, enquanto abria sua mochila e revelava muitos pacotes de salgadinhos com diferentes sabores — Eu comprei de um carinha japonês que estava vendendo lá no aeroporto de Denver. — muito esperto, Dez — Olha só os sabores. Tem de kiwi, de manteiga de alho, bacon com queijo e algas, polvo, caviar vermelho, salmão, chocolate com pimenta e... — olhou mais fundo dentro da mochila — roast beef com pudim yorkshire. — O quê?!
Foi o doido do Willy Wonka que inventou os sabores desses salgadinhos?!
– Quer um pouco? — ele me perguntou, com a boca cheia e entupida daquele negócio.
– Não, valeu. Eu to numa dieta em que não como nada que me faça mal, sabe. — falei. Mesmo se eu quizesse, nem ia ter como eu comer pois o pacote já estava vazio nas mãos do ruivo. Como ele consegue comer aquilo?!
– Mas enfim, deixe-me responder direito sua pergunta — Dez falou, enquanto limpava sua mão em uma toalha que tinha dentro de sua mochila. Ai dele se encostar com aquele mão toda gordurosa no meu carro — Eu fiz curso de cinema, sabia? Me formei no ano passado.
– Achei que em Broomfield não tinha faculdades ou qualquer coisa do tipo. A cidade é bem pequena. — falei. Por isso que tive que sair de lá se quisesse que minha carreira decolasse.
– E não tem mesmo. Eu fui pra Denver. Fiz a faculdade lá e voltei pra Broomfield assim que acabei. — agora até que faz sentido. Minha antiga cidade é bem perto da capital do Colorado — Eu estou parado desde o ano passado e acho que não teria muitas oportunidades se continuasse na nossa terra. Você e Dove, por exemplo, se deram muito bem assim que saíram de lá. — era verdade.
Dove era minha irmã. Ela era dois mais nova do que eu e assim que teve a oportunidade, saiu de Broomfield e foi para Los Angeles, tentar finalmente ser a modelo profissional que ela sempre sonhou. E bom, ela conseguiu — claro né, puxou a beleza do irmão aqui. Hoje, é uma das modelos mais disputadas no ramo das passarelas, grifes e mais esse monte de tranqueira da qual não possuo o domínio no assunto. Frequentemente vejo ela em capas de revistas e comerciais na televisão. Falado nela, faz bastante tempo que não a vejo. Agora, ela está fazendo algum trabalho em Roma, eu acho. Nosso último contato foi a mais de quatro meses atrás.
Mas enfim, assim como eu, Dove também saiu daquela minúscula cidade e tentou se dar bem na vida. O bom é que nós dois conseguimos.
– Pois é. Faz tempo que não vejo a Dove. — falei, enquanto desacelerava o carro, pois o sinal havia fechado. A merda mesmo é que os semáforos de Miami demoram um século para abrir — Então você veio tentar arranjar algum trabalho aqui em Miami? — o ruivo assentiu — Mas e o outro motivo? Você disse que também veio por oportunidades no amor. — falei, fazendo uma careta no final. O ruivo riu.
Dez era um cara extremamente fodido quando o assunto era mulheres. Ele já tem vinte e três anos e acredite, tudo o que aprendi sobre mulheres com certeza não foi com ele.
– Ah, sim. Eu entrei num site de relacionamentos — ele realmente confia nisso? — E a mulher que eu conheci pela internet mora aqui em Miami. Combinei com ela de nos encontrarmos na semana que vem. Ela é muito linda. É ruiva, assim como eu, estuda teatro e ama Titanic — revirei os olhos. Muitas vezes duvidei da masculinidade do Dez, pois o sardento sempre chora quando vê esse filme de maricas — Cara, eu acho que estou apaixonado — falou, fazendo uma cara de tonto e olhando para algum ponto fixo. Era só o que me faltava ter que aguentar o Dez apaixonado!
– Você sabe que a foto e o perfil dela pode ser fake, não é? Ela pode ser, na verdade, uma velha pré-histórica tarada que não dá desde a epóca dos dinossauros e esteja louca por um bate virilha. — falei, rindo da cara de espanto que o Dez fez após ouvir o que eu disse. Ao que parece, o ruivo realmente ficou com uma pulga atrás da orelha com relação a essa mulher agora. E tudo culpa minha. Bem, não sinto nenhum remorso.
Continuei dirigindo com rumo a Ordalli, meu condomínio, quando me lembrei de uma coisa.
– Dez, onde você vai ficar morando? Se quiser, eu te levo direto pra lá, já. Mas por favor, me diz que é rápido, porque eu to morrendo de sono e não vejo a hora de chegar em casa e cair na minha cama. — ela era tudo o que eu desejava agora. Ainda não são nem nove horas da manhã.
– Vou ficar junto contigo no seu apartamento, mesmo. — falou, indiferente. Como assim?!
– Ah, não! Olha só, demônio ruivo, comigo é que você não vai ficar. Arruma outro lugar. — o cortei. A ideia de dividir o mesmo teto com Dez era assustadora. Imagina ter que conviver com suas esquisitisses por vinte e quatro horas por dia?
– Qual é, loira fresca. Eu sei que seu apartamento mais parece uma casa do que um simples apartamento. — pior que era verdade — E além do mais, vai ser só por um tempo. Pelo menos, até eu conseguir me ajeitar e me acostumar com Miami.
Comecei a fazer mentalmente uma lista de prós e contras sobre deixar o Dez morar comigo. Era bem óbvio que a lista de contras era muito maior do que a de prós.
– Só por um tempo, né? — perguntei, soltando um suspiro. Vi um enorme sorriso se formando no rosto do ruivo, pois ele já sabia que eu iria ceder. Eu tinha um coração muito bom. Cof Cof!
Logo, chegamos ao Ordalli. O recepcionista levou as malas do ruivo até meu apartamento e lá ele se instalou, ocupando logo um dos quartos de hóspedes que havia ali.
Ruim mesmo foi na entrada do prédio, onde o Dez cismou que o jardineiro deveria cortar os arbustos em formato de gatos do que aqueles círculos sem graça. Segundo ele, imagem é tudo e gatos chamariam bem mais atenção do que simples ovais tediosas. E o Dez ficou mesmo revoltado por causa dos arbustos. Tipo, são só plantas! O jardineiro também ficou exaltado e quase que os dois começaram a brigar. O pessoal da portaria veio e liberaram Dez quando eu disse que ele estava comigo. Quando fomos pro elevador com rumo até a cobertura, que era onde eu estava instalado, não aguentamos e logo começou um ataque de risadas dentro daquele cubículo. Primeiro dia no Ordalli e Dez já arruma confusão. E por quê, mesmo? Ah é, por causa de uma droga de uma planta.
Só podia ser coisa do Dez, mesmo.
[...]
Segunda feira, sua ridícula, sai de mim.
Hoje já era segunda feira, dia em que minha rotina começa tudo de novo. McKinley dos infernos!
O domingo até que foi calmo, apesar de eu ter Dez aqui em casa agora. Acho que o domingo foi calmo pra mim porque eu dormi o dia inteiro para poder recompensar por sábado. Dez poderia ter colocado fogo no apartamento que eu nem iria perceber.
Enfim. Hoje era o dia em que começaríamos as audições do meu concurso. Ainda não acredito que concordei com essa ideia maluca do Ethan. Como assim fazer um concurso para decidir quem seria meu novo compositor? Será que ele não percebe o trabalho que isso vai dar? Para piorar, eu vou ter que ajudar a escolher o ganhador. Caramba, ele já ouviu algumas pessoas daquela faculdade cantando, ou tentando cantar? O ruim é que não são só as pessoas dos cursos de música que vão participar, porque esses até que sabem cantar. Acontece que pessoas que estudam, sei lá, artes plásticas, também entraram no concurso. Pessoas que tem a voz como a da Laranja Irritante, só que gagas e fanhas, e não sabem cantar. Jura que ele vai mesmo me fazer passar por essa tortura?
No momento, eu estava com Dez indo direto para a McKinley no meu carro. E sim, o ruivo quis vir junto, mesmo eu fazendo de tudo para ele ficar no apartamento. Tenho a impressão de que o meu dia será um completo desastre.
Assim que entrei na McKinley, fui direto até a White Room, também conhecida como sala dos professores, onde a única coisa colorida são as pessoas que entram naquela sala — ou seja, o destaque daquela sala era o Dez. Por incrível que pareça, desde que Dez entrou, não aconteceu nenhum acidente e o ruivo continua na dele, caladão. Talvez até um pouco pensativo. Na sala, estavam Morian, Ethan, uma professora que se não me engano se chama Emma e outras pessoas que exercem algum trabalho ali na faculdade. Depois que entrei, Ethan veio até mim, mas reparou na figura ultramente colorida que estava do meu lado. Ethan olhou para Dez, Dez olhou para Ethan e por fim, os dois olharam para mim.
– Ah, Ethan, esse aqui é Dez, meu primo de lá de Broomfield, a terra dos caipiras. — apresentei-os, vendo em seguida os dois darem um aperto de mão.
– Eu me lembro dele. Quando fui para Broomfield e te conheci, também tive o prazer de conhecer esse ruivo aqui. Bom te ter aqui em Miami, Dez. — falou Ethan.
– Obrigado, Ethan. Mas então, o que vocês dois vão fazer agora? — Dez perguntou, olhando para nós dois impaciente. O ruivo é daquelas pessoas que não conseguem ficar paradas por muito tempo.
– Olha Dez, eu não sei o que você vai fazer, mas eu e Ethan temos que preparar nossos ouvidos e tomar coragem de entrar naquela sala e começar os testes. — falei, bufando em seguida.
Já estava indo em direção ao teatro, onde seria realizado todas as audições, mas parei assim que ouvi Ethan falar a maior besteira de sua vida.
– Dez, por que não nos ajuda com as audições? — perguntou Ethan. Ele ficou maluco?
– O quê? Mas por quê, Ethan?
– Austin, eu não sei se você reparou, mas tem mais de duas mil inscrições. Você acha que vamos dar conta de tudo isso sozinhos? — tudo bem que é bastante estudante, mas ele tinha que chamar logo o Dez para nos ajudar?
– Qual é, Austin. Você sabe que tenho bom gosto. — ele está falando sério?
– Claro que você tem bom gosto. Basta olhar para suas calças. — ironizei, mas ao ver as expressões do moreno e do ruivo, logo vi que não teria outra alternativa a não ser aceitar. — Tudo bem. Mas por favor, foque e não atrapalhe.
– Pode deixar.
Fui indo na frente até o teatro,e atrás eu só ouvia Dez e Ethan fofocando sobre qualquer coisa.
Que as audições comecem.
[...]
– Próximo!
As audições estavam sendo horríveis. Quer dizer, uma ou duas pessoas se salvavam, mas o resto... nem fodendo eu escolheria eles!
Ethan, eu e Dez — nessa mesma ordem — estávamos sentados em cadeiras em cima do palco no lado direito, com uma bancada na nossa frente onde ficavam as fichas de cada aluno. No palco, também havia alguns instrumentos musicais, coisas como violão, guitarra, bateria e até um piano marrom meio velhinho, porém suas notas e sua melodia ainda continuavam perfeitas. Nas poltronas do auditório, se encontravam os participantes. Acho que não preciso dizer que o auditório estava completamente cheio, não é?
Cada participante que entrava, nos entregava um folha com uma cópia da letra e da cifra de sua música, ia até o meio do palco, pegava o instrumento que escolheu e cantava. Depois, eu tinha que tentar cantar e tocar a mesma música, para ver o que achavam dela na minha voz.
Eu senti um misto de emoções durante essas quatro horas que estavamos aqui, castigando nossos ouvidos. Tinha música que eu ria até perder o fôlego, tinha músicas que me davam vontade de chorar por pensar que minha carreira estava arruinada, tinha umas que a letra simplesmente não fazia o menor sentido... esse concurso estava sendo um completo fiasco.
Ethan e Dez riam que se acabavam quando eu tinha que cantar alguma daquelas músicas hilárias. Meu Deus, o que a pessoa tem na cabeça para rimar car boot com goose foot?
Falando no Dez e no Ethan, os dois já estavam super amiguinhos. Até dividiram o número da manicure. Aff!
– E o próximo é Adão Starlight — chamou Ethan. Um minuto de silêncio para podermos rir desse nome. Se o nome da pessoa é assim, imagina ela própria como não deve ser?
Acho que falei cedo demais.
Subiu no palco um homem (eu acho) negro, com os olhos cheios de maquiagem e vestindo um sobretudo roxo quase tão chamativo quanto as roupas do Dez. Haviam alguns detalhes dourados e um laço na roupa também. Era uma Drag Queen aquilo na minha frente?
– Você é Adão Starlight? — perguntei, tentando disfarçar a risada. Ele assentiu e foi até o piano, não antes de deixar a letra na nossa bancada. Eu já ia começar a lê-la quando vejo Dez me cutucando. Ele aponta para o tal Adão que já estava no piano e noto que o cara estava me chamando. Ter um papinho com o Drag Queen ou não ter; eis a questão. Decidi ir até lá de uma vez. Assim que fiquei em sua frente, Adão ficou me encarando e logo me deu um papel dizendo que hoje ele estava roco e que não conseguia falar uma palavra. Agora até que faz sentido, pois Drag Queens geralmente são bem animados e saem berrando por aí como se não houvesse amanhã.
– Você quer que eu cante sua música já? — perguntei, e Adão logo assentiu com a cabeça.
Fui até a bancada novamente e peguei a letra que estava ali em cima, chamando a atenção do ruivo e do moreno.
– Ele não vai cantar? — perguntou Dez. Notei que ele e Ethan estavam se segurando para não rir. Arqueei uma sobrancelha.
– Não, o mini Drag Queen lá está sem voz, então pediu para eu já cantar a música dele. — Dez e Ethan não se aguentaram e soltaram as risadas que estavam presas dentro deles. Arqueei novamente a sobrancelha. Do que aqueles idiotas estavam rindo?
– Vai lá e cante sua música. Não sei por que, mas me deu uma fome depois que eu li a letra desse cara. — Ethan falou e logo ele e Dez já estavam rindo de novo. Eu estou cercado de idiotas.
Fui até Adão, que logo começou a tocar a introdução. Dei uma espiada em algumas anotações que estavam marcadas ao lado da letra e vi que estava escrito para usar o tom de voz um pouco mais fino e baixo. Dei de ombros e comecei.
– I wanna be the cheese to your macaroniii – é sério isso? Agora entendo porque o Dez e o Ethan estavam rindo. Mas que porra é essa? — Be the mayonnaise to your baloney – e parei. Uma grande parte porque a música era totalmente sem noção e outra porque aqueles dois versos eram a única coisa que tinha. Depois, só repetia. E repetia. E repetia, repetia e repetia! Mas no que Adão estava pensando quando resolveu entrar no concurso com uma música dessas? Ele sonhou que estava fantasiado de queijo e que o Brad Pitt, não espera, Brad Pitt não. Eu sou muito melhor. Isso! Ele sonhou que estava fantasiado de queijo e que eu estava fantasiado de macarrão? Porque de onde ele tirou essa rima?
Se os outros mil e poucos participantes que faltam forem parecidos com os que já passaram por esse palco, eu não vou ter um compositor tão cedo.
Voltei pro meu lugar e gritei para Adão um lindo e sonoro NÃO!
– Me diz que alguém nos entregou uma música pelo menos razoável. — falei para os dois. Já passou do meio dia e ainda estavamos fazendo a merda desses testes. E pra quê? Óbviamente pra nada, porque até agora só perdi meu tempo machucando meu ouvido.
– Aquela tal de Mariah entregou uma letra boa, lembra? O ruim é que ela é um estilo meio country, e esse não é o seu estilo musical. — Ethan me falou. Bom, essa informação não me ajudou em nada. Minha garganta já estava doendo e já estava começando a ficar com dor de cabeça.
– Faz o seguinte. Pega só mais os dois que estão de próximo e o resto, fala para fazerem os testes amanhã. — falei, enquanto avaliava o nome do próximo — Guillermo Érnandez Consuello de Gonzalle. — deixa eu respirar novamente! Que nomezinho grande, hein!
Assim que eu anunciei o nome, adivinha que ser se levantou do auditório? Exato, um mariachi. Isso mesmo.
Eu mereço.
– Vai, pode começar. — falei, simplesmente. Afinal, depois de tudo isso, o que é um mariachi, não é mesmo?
O Guillermo até que canta bem... para um mexicano. Mas acontece que eu não canto músicas em espanhol. Cara, isso aqui tá ridículo. Assim que o mariachi terminou de cantar, ouviu palmas. Olhei para o lado e vi Dez levantando da cadeira e aplaudindo de pé o mexicano.
– Bravo! Bravo! Isso foi lindo, lindo! — olhei para Ethan e tenho certeza que nessa hora ele também estava pensando qual era o problema mental do Dez — Austin, vai lá e canta, cara. Vai que essa música... é a música. — falou o Dez, fungando. Não, sério, eu não mereço isso.
Me levantei, peguei a letra e fui até o mexicano extremamente sorridente. Calma, Austin, essa já é o penúltimo candidato. Vai, é só mais esse e depois mais um. Guillermo começou a tocar seu lindo violão e tentei não me enrolar todo enquanto tentava cantar aquele verso desgraçado.
– Llevé a mi novia para un paseooo – se eu me arrependo de ter levantado da cama hoje? Claro, claro — y pedirle su mano a su papaaaa – finalizei o refrão e não cantei mais nada. Apenas apontei para o mariachi sorridente em direção a porta e logo ele entendeu que a música dele com certeza não seria escolhida. A única coisa legal foi que eu consegui tirar aquele sorriso daquele rosto. Na verdade, quase todos os participantes iam em direção a porta com expressões faciais lamentáveis. Também, perderam a chance de poder ser o compositor de Austin Moon. Chance igual essa não aparecerá novamente e os idiotas vem aqui e me trazem essas músicas? Por favor, a primeira pessoa que eu ver que tiver uma composição pelo menos boa, vai ser a ganhadora. Não vou suportar ficar mais até amanhã aguentando. Eu cantei músicas que pensei que jamais iria cantar. Teve um candidato que fez uma música sobre sapos. Óbviamente, essa candidata era uma vaqueira que pode ter saído da roça, mas a roça não saiu dela.
– Eu não aguento mais. — falei, enquanto sentava novamente e bagunçava meus cabelos.
– Por que você dispensou o mariachi? Ele foi incrível. — falou Dez. Olhei para ele descrente.
– Qual é o seu problema? — falei. Claro que eu iria contratar um mariachi para ser meu compositor.
– Calma, Austin. Esse foi só o primeiro dia. Tenho certeza que vamos encontrar alguém. — falou Ethan.
Agora me lembrei de uma coisa.
Virei para o lado e encarei Ethan.
– Me lembrei de uma coisa. Eu não sei por que tanta trabalheira. Eu sou Austin Moon. Eu poderia contratar qualquer pessoa desse país para escrever minhas músicas. — falei. E era verdade. Eu não entendo essa coisa de o Ethan querer que eu trabalhe na McKinley, que meu compositor seja um aluno da McKiley... McKinley pra cá, McKinley pra lá! Já estou até cansado de ouvir o nome desse lugar tantas vezes por dia. — Não entendo essa sua obsseção por esse lugar.
– Não é obsseção, Austin. — Ethan respirou fundo antes de falar — Olha só, já tem vários anúncios pela internet falando que você pegaria seu novo compositor daqui. Vamos deixar assim por enquanto. Tenho certeza que vamos encontrar alguém.
– Por que eu sinto que você está me escondendo alguma coisa? — perguntei, retoricamente — Mas deixa quieto. Você é meu empresário, você sabe o que faz. — Ethan abriu um leve sorriso — Mas agora, por favor, me diz que é o último participante de hoje.
Além de estar com dor de cabeça, agora também estava com fome. Que ótimo.
– Vamos fazer só mais esse teste. Também estou muito cansado. — se espreguiçou Dez, do meu outro lado.
– Okay. Pode chamar o último, Austin. — suspirou Ethan.
Olhei a lista e li o último nome de hoje. Olhei para a platéia e vi que ainda tinha pelo menos metade das poltronas cheias. Só lamento pelos outros participantes, mas vão ter que vir amanhã.
– Roxy Rocket.
Por favor, que essa seja bem melhor do que os outros participantes.
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