Show Me Who You Are

10 Bem-vinda ao mundo, Roxy Rocket.


Notas iniciais
Oiee!!! E adivinha quem veio para mais um capítulo?? Euu!!! Sexta fui assistir Debi & Lóide 2 e MDS, quase mijei na poltrona do cinema de tanto rir!!! Alguém aí já assistiu? TÁ NA MOITA!!! HÁ!!! Ontem foi aniversário da minha babe, da minha princesinha Laura!!! 19 aninhos, gente!!! Me recuso a acreditar que eles estão crescendo tão rápido assim XD Apesar disso, recebemos uma notícia triste na semana passada. Como assim nosso eterno Chaves morreu?! Roberto Gómez Bolaños, saiba que onde estiver, estaremos contigo! Esse cara me fez muito feliz. Eu poderia assistir mil vezes o mesmo episódio de Chaves/Chapolin que sempre daria risadas. Ele é com certeza uma inspiração e tenho certeza de que viverá pra sempre nas nossas memórias. Porque, man, ele prefere morrer do que perder a vida. :D Antes de lerem, eu queria fazer uma pergunta. O que estão achando do novo cabelitcho do Ross? XD Bom, agora podem ler o capítulo. Let's go!!!

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Ally Dawson (Roxy Rocket)

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Fico me encarando no espelho tentando achar algum defeito. Aquela imagem refletida não podia ser perfeita.

A franja da peruca parecia um pouco torta, deixando alguns de meus fios castanhos à mostra. O delineador preto nos meus olhos os faziam parecer maiores do que já eram, porém não os deixavam esquisitos, e sim com um ar, sei lá, misterioso. Minha pele já não parecia mais com a de uma pessoa doente, totalmente pálida. No pescoço, eu usava colares estilo choker e aquela gargantilha que parecia mais uma coleira de cachorro. Preto, rosa e tachas dominavam minhas vestes; essas que estavam quase todas rasgadas em alguma parte. O salto rosa que precisei ficar um dia inteiro com Kath para poder aprendê-lo a usar nem parecia mais tão desconfortável assim.

É, bem-vinda ao mundo, Roxy Rocket.

Eu não encontrava uma sequer semelhança dela com Ally Dawson. Procurei no espelho qualquer pedacinho que pudesse indicar que aquela imagem refletida no espelho era a Ally, mas não achei nada. É como se eu trocasse de corpo.

Oh céus, por que eu aceitei tudo isso?!

– Ally, você está aí? – me viro e vejo que Emma estava na porta do banheiro feminino me olhando. Estávamos na McKinley e aqui foi o único local que achei vazio – Quer dizer, Roxy, você está aí? – fala, soltando um pequeno riso e vindo até meu encontro.

– Eu não consigo fazer isso, Emma. – falei, dando um suspiro enquanto fechava os olhos; uma tentativa falha de me acalmar.

Não dava. Simplesmente não dava.

Ainda me lembro perfeitamente do choque que levei ao ouvir a ideia absurda de Katherine e Emma. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi responder um não de imediato. Fantasiar-me era a resposta para o meu medo de palco? Claro que não! Mas parece que aquelas duas ruivas não pensam do mesmo jeito. Era loucura demais, e eu não tinha toda essa coragem.

“Ouvia atentamente cada palavra da ideia absurda de Kath, enquanto tentava me controlar. Meu Deus, ela bateu a cabeça?!

– Você ficou maluca?! – perguntei, um pouco exaltada – Isso jamais daria certo! Além disso, acha que é só eu colocar uma peruca que vou subir num palco e começar a cantar perfeitamente?Não é simples assim! Desiste, Kath!

Saí de perto daquele monte de compras e me sentei no sofá, já que Emma e Katherine estavam de pé, observando cada passo que eu dava. Respirei fundo e tentei me acalmar. Essa minha fobia era um assunto delicado pra mim, mas Kath a tratava de uma forma tão natural, tão normal. Ela não percebe que não dá? Que não é fácil assim como ela pensa?

– Não acredito que você concordou em ajudá-la com isso, Emma. – falei, visivelmente decepcionada com a professora por quem eu possuía um enorme carinho.

Emma veio até mim, se ajoelhou na minha frente e ergueu minha cabeça, olhando fundo nos meus olhos.

– Ally, a ideia disso tudo foi minha. – balancei a cabeça, mostrando o quanto aquilo não havia me agradado – Olha, me desculpa se acha que estou me intrometendo na sua vida, ou algo do tipo. Eu quero que você saiba que eu só quero seu bem. Me diga que você não se interessou nem um pouquinho pelo concurso.

– Sim, eu me interessei. – suspirei, derrotada – Mas me acostumei a pensar que ele não era pra mim e que, claramente, eu não tinha chances. – eu detestava criar expectativas demais. No final, eu sempre me fodia. Creio que com esse concurso não seria diferente se eu ficasse me iludindo achando que poderia participar ou, olha só, até ganhar.

Emma se levantou e sentou-se a meu lado direito no sofá, onde virou pra mim, pegou minha mão e apertou-a. Olhei pra ela.

– Ally, eu vejo grande potencial em você. Nas nossas poucas aulas, vi o quanto você ama e se dedica à música. Eu já disso isso, garota, você é um prodígio. – ah, que lindo! Meus olhos começaram a arder agora. Chorar? Não, calma, segure. – É mais do que um simples concurso, Ally. Se permita, se dê uma chance. – soltou um pouco minhas mãos e me lançou outro daqueles olhares repletos de ternura e carinho que só ela sabia dar — Do que você tem medo?

Respirei fundo. As palavras de Emma estavam mexendo comigo. E isso era um péssimo sinal.

– T-tenho medo de errar, e de não ser uma artista. – desviei meu olhar do dela e comecei a fitar minhas mãos que estavam repousadas no meu colo — Eu sinto como se a todo o momento as pessoas fossem me julgar, me criticar. Como seu eu não fosse boa o suficiente para fazer aquilo. – olhei novamente para ela – O sentimento de pânico é tão forte e eu não consigo fazer nada. É como se todo mundo viesse me atacar ao mesmo tempo e eu não tivesse nada para me defender.

Nesse momento, eu estava rodeada pelos braços de Katherine e de Emma, que me davam um dos melhores abraços que já recebi. É incrível o modo como essas duas ruivas adentraram minha vida em menos de uma semana. Não costumo dar essa liberdade para as pessoas, mas com elas era diferente. Essas ruivas eram especiais.

– Querida, — me soltei do abraço e me recompus novamente no sofá. Katherine se sentou e me abraçou de lado, enquanto Emma, que estava sentada do meu outro lado, começou a falar – Um dia, você vai descobrir que as pessoas só te atacam quando se sentem ameaçadas. E que o principal motivo que leva alguém a não gostar e criticar você, é exatamente a inveja e a incapacidade dela de não conseguir ser igual a você. Afinal, quem acha feio simplesmente ignora, agora, quem vive criticando e julgando, sabe que jamais vai conseguir chegar aos seus pés.

– Mas... Emma, eu... – não consegui terminar, pois Kath me interrompeu.

– Ally, pensa. Não seria uma ótima oportunidade de mostrar para eles do que você é capaz? Além disso, se você aceitar, ninguém saberá que é você. Prometo te deixar irreconhecível. – falou Kath, sorrindo. – Façamos assim. Vamos tentar só uma vez. Você deixa a gente te transformar e canta só uma vez. Só participa da audição e pronto. Se você não passar, nunca mais tocamos no assunto.

– Há certos riscos que valem a pena correr. Nós prometemos que dará tudo certo. – completou Emma.

É muita coisa para minha cabeça. Quando eu falava que só me apresentaria se trocasse de corpo, eu não estava falando literalmente. Era só uma desculpa que eu inventei. Jamais pensei que a levariam tão a sério.

Respirei fundo e olhei para as duas.

– Muito bem, qual será meu novo nome?”

Me permiti rir, apesar do nervosismo, lembrando do sufoco que passei esse final de semana após dizer sim para o plano das duas ruivas. Acho que uma das partes mais difíceis foi decidir meu novo nome. Kath queria porque queria que eu tivesse um nome diferente, algo como Herénia Lee Krost. Já Emma gostaria que fosse mais básico e comum, tipo Sophie Smith. Após um bom tempinho discutindo, finalmente chegamos ao nome Roxy Rocket. Até que não é tão ruim, não é? Depois, tive que provar todas aquelas roupas que Emma e Kath haviam comprado. Não gostei da maioria, e particularmente, achei algumas bem esquisitas e um tanto, hãn, ousadas. Não vou nem comentar sobre o tamanho do salto daqueles sapatos. Na décima quinta tentativa, finalmente consegui andar sem torcer o pé ou cair. Já sou meio desequilibrada usando minhas sandálias rasteiras, agora imagina de salto 15? Foi um final de semana bem puxado, pois além de mudar meu visual, também tinha que tentar mudar minhas atitudes. Como Kath faz teatro, ela me ensinou alguns truques, mas acontece que eu não sou uma boa atriz. Cada vez que só imaginava ter que cantar na frente do Moon, eu engasgava e começava a tossir. É, foi um longo final de semana.

Sabe, existiu um momento, talvez um triz, não sei, em que a coisa parecia que ia dar certo.

Mas agora, eu estava considerando a possibilidade de me livrar de toda essa maquiagem, sair daqui o mais rápido possível e ir direto para o meu apartamento, onde eu deitaria e ficaria assistindo alguma maratona de séries, nem me preocupando em faltar aula na McKinley, nada.

– Vamos lá, Ally. — fala Emma, dando um sorriso — Está com a música que vai apresentar aí?

– Estou sim. — falei, enquanto tirava o papel dobrado do bolso da minha calça.

Acho que já sei qual foi a parte mais difícil disso tudo. Com certeza, foi a música. Eu olhava no meu diário e nenhuma parecia boa o suficiente para apresentá-la a Austin Moon. Sorte que a maquiagem estava escondendo minhas olheiras, porque fiquei a madrugada inteira em claro tentando terminar a música nova. Eu sinceramente gostei dela, mas bem, minha opinião não conta e sim a daqueles três homens dentro do teatro que irão me avaliar.

– Bom, eu tenho que ir. Tenho uma aula daqui a pouco, e Katherine também já foi para a turma dela.

– Espera, vocês não vão me ver na audição? – perguntei, agora mais nervosa ainda.

Eu contava com a presença de pelo menos uma delas para poder me dar apoio lá dentro. Meu Deus, sozinha eu não iria conseguir.

– Não se preocupe. Vai dar tudo certo. – falou Emma, sorrindo calorosamente.

– Não, não vai! Já estou até conseguindo visualizar o surto que vou dar lá dentro. É bem capaz de eu vomitar em cima dos jurados! – eu já até conseguia imaginar a cena. Isso vai ser um desastre!

– Fica calma, Ally. Eu realmente queria estar lá, mas não dá. – eu via sinceridade em suas palavras. E isso era bom. – Tenta não se estressar com isso agora. Bom, eu iria falar para você imaginar que enquanto canta, todo mundo está seminu, mas acho que não iria adiantar, não é? – neguei com a cabeça – Então tá. Me diga alguma coisa que te faz feliz.

– Picles. – respondi de imediato. E era verdade. Eu amava aquela coisa verde. Falando nisso, preciso passar no mercado e comprar um mais um vidro de picles. Já acabaram lá em casa.

– Okay... – Emma fez uma pequena careta – então imagine que todo mundo lá dentro é um picles. – Oi?

– O quê?

– É. Tente pensar que todo mundo dentro daquele teatro é um picles, já que eles te fazem felizes. Imagine que o Austin Moon é um picles, que os outros candidatos são picles... Veja picles em tudo quanto é lugar, se isso for te ajudar na hora de se apresentar. – falou, dando uma pequena risada em seguida.

A ideia em si podia ser um pouco ridícula, mas se fosse me ajudar, eu não iria recusar.

– Okay, eu vou tentar. – falei, dando um pequeno sorriso – Mas não sei se vai adiantar muito, Emma.

– Olha só, tente desocupar sua mente. Pensa comigo desse jeito: sempre que você colocar essa peruca loira, vai esquecer quem é Ally Dawson e tudo relacionado a ela. Dê tchau para a insegurança, para o medo, para o pânico. – ia ser difícil — Aja como sempre quis agir quando estiver com a peruca. Fale o que pensa, questione. Seja corajosa, não pense duas vezes antes de fazer alguma coisa por medo ou por receio do que os outros vão falar. – Emma me virou para o espelho e apontou para minha imagem refletida no mesmo — Seja a Roxy Rocket. Aquela que você sempre quis ser, mas tinha medo.

Aquela que eu sempre quis ser?

Vamos lá, Ally. Katherine havia te falado que só tentaríamos uma vez. Se tudo der errado, esquecemos esse negócio pra sempre. Você consegue ser outra pessoa por um dia. Você consegue ser Roxy Rocket por um dia.

– Emma, me responde uma coisa. – falei, enquanto íamos em direção a saída do banheiro para poder ir até o teatro – Nas regras do concurso não dizia que somente alunos da McKinley poderiam participar? – ela fez um “uhum” e continuei – Então como conseguiu me colocar? Que eu saiba, Roxy Rocket não estuda e nem tem ficha aqui na McKinley. Pra começar, a Roxy nem existe de verdade.

Isso estava me intrigando. Emma havia falado que cuidava da inscrição pra mim, mas eu não tinha reparado neste detalhe.

– Parece que a Srª Morian está do nosso lado. – franzi a testa, não entendendo direito a frase de Emma.

– Como assim?

– Depois eu te explico, porque agora você tem um teste para fazer. – falou Emma. Eu nem tinha reparado que já estávamos na entrada do teatro. Respirei fundo e Emma percebeu. – Não precisa ficar nervosa.

– É difícil não ficar. Tem mesmo certeza de que eu não me pareço nem um pouco com a Ally? Vê se meu cabelo não está escapando da peruca. – Emma riu e mesmo assim, checou minha cabeleira loira com quadradinhos cor de rosa.

– Não, você não se parece nem um pouco com Ally Dawson, Roxy Rocket. – deu ênfase a meu pseudônimo – Se lembra de tudo que Kath lhe falou?

– Sim. – ela falava sobre os conselhos e as poucas horas de aula de teatro que tive com Kath. Seria fundamental se eu quisesse ser a Roxy. É como se eu estivesse numa peça e tivesse que atuar durante todas as cenas, porém sem roteiro, somente no improviso. Toda boa atriz saberia fazer isso.

Mas repito, eu não sou uma boa atriz.

– Ah, eu já ia me esquecendo – Emma vasculhou o bolso traseiro de sua calça jeans e de lá tirou uma palheta rosa – O violão que é usado para os testes não vem com palheta. Então se você não quiser que seus dedos doam, sugiro pegá-la.

– Obrigada. – disse, após pegar o pequeno objeto e guardar no meu bolso. – Que horas são?

– 09:00am. Você não está atrasada. Até porque, as poltronas estão todas cheias e creio que seu teste demorará um pouco.

– Okay, eu vou indo, então. – falei, enquanto dava um rápido abraço de Emma. Ela me desejou boa sorte e quando eu já estava entrando, a ouvi me chamar.

– Não se esqueça que você é a Roxy e não a Ally. Sem medo. – assenti, tentando demonstrar confiança; coisa que na verdade eu nem tinha. – E lembre-se: todo mundo daquele teatro é um picles. – consegui rir e logo adentrei o local.

Emma não estava brincando. O teatro da McKinley era enorme e as poltronas estavam quase todas cheias. Caminhei até achar um lugar. Consegui avistar um assento vazio na quinta fileira, e logo fui até lá, me sentando e observando mais ou menos como os testes funcionavam. Pelo que pude observar, cada candidato esperava ser chamado para poder se apresentar. Ia e entregava uma cópia da música para os jurados – Austin Moon, um moreno que se não me engano se chama Ethan e um ruivo que nunca vi na minha vida -, escolhia um instrumento e apresentava sua composição. Depois, o Moon também cantava a mesma música. Talvez para testarem como ela ficaria na voz dele, ou algo assim.

Até me esqueci do nervosismo que antes sentia quando comecei a ver as audições. Pelo amor de Deus, o que era aquilo? Eu não achava que a minha música tinha ficado a melhor de todas, mas garanto que estava bem melhor do que a de uma menina que cantou sobre sapos. Bom, vai subir mais uma pessoa no palco agora.

3 horas depois...

Minha bunda já estava doendo de tanto ficar sentada nessa poltrona. Já contei quantas lâmpadas e lustres tem no teatro, contei quantas pessoas loiras tinha na platéia, pedi o espelho de uma garota que estava sentada ao meu lado para ver se minha peruca não estava torta, comecei a tirar o esmalte preto que Kath fez eu usar na minha unha... isso estava um tédio. Até tinha algumas vezes que eu me distraia olhando para o palco, onde ás vezes algumas músicas esquisitas eram cantadas. Mas enfim, eu não aguentava mais esperar. O que é meio irônico, já que eu deveria querer que meu teste tardasse o máximo possível, tamanho nervosismo e ansiedade. Vi que um homem estava levantando na fileira que ficava na minha frente. Usava um chapéu enorme, roupas vermelhas... era um mariachi? Realmente, acho que vi de tudo nessa audição. Pior mesmo é que ainda tinha metade das poltronas ocupadas. Não sei se eles fariam o teste com todas essas pessoas ainda hoje, a não ser que eles queiram sair daqui de noitinha. Acho que nem eu vou conseguir fazer o teste hoje e...

– Roxy Rocket.

É, eu vou conseguir fazer hoje.

Respirei fundo e me levantei. Lembre-se que você não é a Ally, você é a Roxy.

O incrível é que o tédio que eu estava sentindo a dois segundos atrás sumiu por completo. Eu sentia um frio na barriga e estava fazendo de tudo para não ter um ataque de pânico e vomitar em cima deles. Assim que subi no palco, caminhei com cuidado até a bancada onde os três homens estavam sentados, tomando o máximo de cuidado para não dar um passo em falso e cair. Eu não nasci para usar saltos, acredite.

– Possui a letra da música aí com você? – o que julguei ser Ethan me perguntou. Assenti e tirei o papel do meu bolso, o depositando em cima da bancada. Ele estava mal dobrado e consequentemente, ficou todo amassado, diferente dos demais papeis que estavam em cima da bancada, que julguei serem as outras composições de outros candidatos. Que ótimo, já comecei mostrando que sou relaxada.

Tirei minha atenção de Ethan e tirei uma coragem que não sabia que tinha para poder olhar para o Moon. Ele me olhava e parecia estudar cada parte de meu corpo. Isso me assustou e encolhi um pouco os ombros como resposta. Certo, não deixe que a Ally responda. Nesse momento, você é Roxy. Foco.

– Pode ir lá escolher um instrumento e tocar sua música. – falou o Moon, com um tom de voz entediado.

Me virei e fui direto pegar o violão, que estava do outro lado do palco. Ele era um modelo Folk, marrom claro e com cordas de aço. Era bem parecido com meu Aquiles. Ainda bem que Emma me deu aquela palheta, pois as cordas desse tipo de violão costumam ser mais tensas e eu certamente acabaria com meus dedos. Coloquei a correia do violão em volta do meu corpo e voltei até a frente da bancada, onde os três homens observavam cada passo que eu dava. Eu estava nervosa, isso não podia negar.

– Bom, quando quiser. – falou o ruivo, que eu ainda não sabia o nome. A única coisa que sabia sobre ele é que ele pegava suas roupas emprestadas de um circo. Só pode ser isso.

Era agora ou nunca.

Olhei para os jurados, olhei para os outros estudantes na platéia. O que Emma havia me dito mesmo? Ah é, imaginar que todos eles são picles.

É isso o que eu vou fazer.

Comecei a imaginar que todos dentro naquele local estavam adquirindo a cor verde. Conforme eu ia me virando e encarando certa pessoa, ela automaticamente esverdeava. Fechei meus olhos com força e assim que os abri, vi vários paus verdes a minha volta. Eram picles. Okay, picles com roupas de humanos, mas ainda assim eram picles.

– Você vai tocar ou não? – a minha frente em uma bancada, um picles que vestia roupas coloridas me disse.

– Vou. – disse, não tendo muita certeza se falar com um picles afetaria ou não minha saúde mental.

Respirei fundo. Fechei meus olhos e assim que os abri novamente, notei que eu não estava mais na Picleslândia. Aquela era a realidade. Encarar aquele loiro, aquele moreno e aquele ruivo e dar o melhor de mim. Tentei esvaziar minha mente, espantar os pensamentos negativos e focar no principal.

Você não é a Ally. Você não tem medo de palco. Você é a Roxy. Você tem coragem.

Peguei a palheta e logo comecei a introdução da música.

Know I’ve done wrong; Left your heart torn; Is that what devils do?; Took you so long; Where only fools gone; I shook the angel in you – cantei os primeiros versos. Eu estava fazendo de tudo para não pirar. Não conseguia olhar diretamente para os olhos daqueles homens, então olhava somente para meus dedos dedilhando as cordas de aço. Não sei nem como minhas mãos não estavam tremendo. — Now I’m rising from the ground; Rising up to you; Feel with all the strength I found; There's nothing I can’t do – é, eu podia fazer isso. A Roxy podia fazer isso. Finalmente levantei minha cabeça e olhei para os três homens que me encaravam com expressões indecifráveis no rosto. Não sabia se isso era bom ou ruim. Puxei o ar para poder cantar o refrão — I need to know now; Know now; Can you love me again?; I need to know now; Know now; Can you love me again?– vi que um sorriso enorme estava aparecendo no rosto do Ethan e do ruivo. Moon continuava me encarando e não demonstrava expressão nenhuma. Tentei me concentrar na música e não deixar aquilo me abalar. Eu não precisava de mais um motivo para ficar nervosa — It’s unforgivable; I stole and burnt your soul; Is that what demons do?; They rule the worst in me; Destroy everything; They blame on angels like you; Now I’m rising from the ground; Rising up to you; Feel with all the strength I found; There's nothing I can’t do– me preparei para o refrão novamente. Eu tinha que controlar minha respiração nessa parte, mas o nervosismo ainda marcava presença no meu corpo — I need to know now; Know now; Can you love me again?; I need to know now; Know now; Can you love me again?; Can you love me again?; Uh, uh, uh, uh; Oh – comecei a aumentar a velocidade com que tocava o violão. Meu braço já estava começando a ficar cansado, pois mesmo com a palheta as cordas eram tensas — Told you once again; Do this again; Do this again, oh; I told you once again; Do this again; Do this again, oh, oh, oh – desacelerei, pois agora vinha o final. Fechei os olhos. Já estava quase acabando a música e o meu sofrimento — I need to know now; Know now; Can you love me again?; I need to know now; Know now; Can you love me again?

Assim que terminei de tocar, um alívio, uma sensação diferente tomou conta de mim.

Eu consegui.

Eu realmente consegui tocar? Eu realmente consegui cantar?

Na hora, dentro de mim havia uma bagunça interminável de sentimentos. Em algumas partes, minha mão quase tremeu e temi ter errado alguma nota da música. Não sei se alcancei todos os vocais, se minha voz desafinou... no momento isso não importa. O que importa é que eu finalmente consegui. Naquela hora, não existia medo, não existia insegurança.

Mas... não era eu.

Aquela cantando agora pouco não era eu. Eu queria que fosse, mas não era. Aquela era a Roxy. Foi a Roxy que conseguiu, e não a Ally.

Notei que nenhum dos homens da bancada havia falado nada desde que terminei de me apresentar. Ethan e o ruivo me olhavam, mas estavam com sorrisos enormes no rosto. Isso me animou um pouco. Porém essa animação durou pouco assim que olhei para a cara do Moon. Ele estava sério e, não sei, não consegui identificar qualquer outro sentimento.

Passei a mão pelos fios louros de minha peruca. Eles eram macios e bem realistas. Notei que o cabelo do Moon é um loiro bem mais claro que o meu. O dele chegava a ser quase branco.

Eu já estava ficando nervosa. Os outros dois presentes ali na bancada começaram a cutucá-lo, talvez tentando fazer com que ele falasse alguma coisa. Pelo que eu me lembre, agora era ele quem deveria cantar minha música.

– Próximo. – o Moon falou, simplesmente.

Então eu não passei?

Por um momento, eu realmente pensei que estava indo bem.

Era por isso que eu não queria entrar. Criar expectativas altas é comigo mesmo. Mas, modéstia a parte, minha música foi uma das melhores. Pra falar a verdade, eu nem sei por que estou discutindo comigo mesma sobre isso. A Ally simplesmente abaixaria a cabeça e iria pra casa, conformada, pois já sabia que não teria chances de ganhar um concurso de tal tamanho e importância.

Acontece que no momento eu não era a Ally. Eu era a Roxy. E eu não estava conformada. Eu estava indignada!

“Aja como sempre quis agir quando estiver com a peruca. Fale o que pensa, questione. Seja corajosa, não pense duas vezes antes de fazer alguma coisa por medo ou por receio do que os outros vão falar”, me lembrei do que Emma havia me dito mais cedo.

Eu realmente queria questionar. Eu queria entender o porquê de não ter passado.

Respirei fundo e fiz o que tinha vontade de fazer.

Fui até a frente da bancada e me apoiei nela, de frente para o Moon, o encarando sem desviar o olhar. Eu realmente troquei de corpo, pois jamais me imaginei fazendo algo do tipo. Katherine comprou essa peruca em Hogwarts? Porque ela só pode ser mágica, não é possível.

– Posso saber por que eu não passei? – falei, tentando não gaguejar e deixar a minha voz dura e determinada; e consegui. Sempre que chego perto dele, minha voz trava e não sai. Mas me esqueci que isso só acontece com a Ally. Vi ele arquear uma sobrancelha, me lançando um olhar desafiador. Um olhar que até hoje mais cedo eu teria medo.

Somente um dia vivendo a Roxy e ela já fez isso comigo?

Notas finais
E aí, curtiu? Acho que aquela parte do picles ficou muito nóia, mas enfim, kk' Finalmente Roxy apareceu, minha gente! E já apareceu dando uma mudada radical na nossa Ally. Calma que ela ainda será aquela garota gaga e insegura, tímida pra caralho que as vezes chega a a irritar. Ela só terá esses momentos revolts quando for a Roxy. É o poder da peruca, kk' Vou parar de enrolar e vou dormir, pois já passou das 4 horas da manhã. Alguém aqui também sofre de insônia? Muitchos beijos, Jéh