Show Me How To Breath

3 Oops...I Must be Nerd


Notas iniciais
Não leiam com musica nenhuma -.-, ninguém faz o que eu recomendo mesmo...Boa leitura !

O despertar daquela manhã fora como um baque em minha mente, ao abrir meus olhos, eu me encontrava em um local totalmente desconhecido, exceto por meus móveis, que ali estavam para me reconfortar. Alguns minutos após levantar-me pude ouvir o bipe do despertador. Tentei não pensar pelo o que passaria, ou como seria aquela manhã, apenas lembrei-me que iria falar com Kei naquele final de tarde... Estava tudo bem. Tudo ocorreria bem, tentei enganar a mim mesma.

Olhei curiosa meu uniforme azul-marinho. Encarei por alguns segundos a saia branca de botões. Ao analisá-la com cuidado esperava chegar a uma conclusão: Aquela parte prenderia no pescoço ou na cintura? Duvidava cem por cento de que aquilo não passaria pelas minhas coxas, não que eu fosse gorda, mas aquilo era extremamente apertado. A blusinha, não mais larga, fazia um afofado em meus ombros. Olhei-me no espelho relutante. Para a minha total ausência de surpresa, eu estava completamente comparável a uma mandioca geneticamente modificada.

- Amuro minha filha! Vamos nos atrasar, se vista de uma vez.- Berrou minha mãe de traz da porta

- Estou pronta, não se irrite. — Respondi indiferente

- Não me irritar? Seja responsável garota.

O desjejum fora extremamente exaustivo, pelo menos da parte de minha mãe. Tive de escutar em silêncio a palestra que minha acompanhante fazia, já ela, gastou seu tempo dizendo alguma coisa sobre minha falta de responsabilidade, gastando energia logo pela manhã. E ainda por cima tentando me dar lições de moral. Que fizesse isso outra hora!

Fui arrastada mesa a fora tamanha a pressa de minha mãe, tanto fora que no momento o qual o elevador parou em nosso andar notei a ausência de meu material escolar. Duvidava que minha saliva pudesse quebrar o amido ingerido há alguns segundos, o que era extremamente perigoso, pois se tudo que eu comi for mal digerido eu engordo, e a gordura descerá para minha bunda, sendo que total a falta desta fora o único motivo de eu ter conseguido vestir aquela saia.

- Agora as notas do dia.

Mal notei que já nos encontrávamos no carro.

- Tomei a decisão de levá-la ao colégio toda manhã, porém — fez uma pausa – o caminho de volta você terá de fazer sozinha. Coloquei spray de pimenta em sua mochila caso precise se defender. Se eu perceber a não colaboração sua, e a da cidade, contratarei um motorista para buscá-la – outra pausa – entendeu?

- Sim

- Decore o caminho. Estes são os mapas – Jogou alguma coisa em meu colo que se encontrava no porta-luvas – Melhore este humor, seja simpática, caso contrario não fará amizades... Boa aula.

Apenas assenti. Dei-lhe um beijo de adeus me retirando do carro instantaneamente.

Preferi que ela tivesse dito “Boa Sorte”, faria mais sentido. Inspirei o ar poluído da grande Tókio com esperanças de que neste se encontrasse algum elemento para elevar a minha coragem. Por um instante pensei que tivesse inspirado algum tipo de pedra, minhas narinas se contraíram, assim como toda a minha face ao redor do nariz. A dor aguda dividiu-se entre todas as veias de meu corpo, espalhando assim aquela agonia. Percebi que ao invés do imaginado, eu havia topado com uma pessoa. Abaixei meus olhos, procurando dentro de mim a mais bela expressão de ressentimento que pudesse encontrar. Porém ao resolver executá-la minha vítima fora mais rápida, e contrária.

- Está louca? Isso daqui é uma Dolce & Gabanna, não uma D&G, e você quase quebrou a fivela!*

Respirei fundo, compreendi que merecera um xingamento, então tentei me redimir em dobro.

- Desculpe-me, estou um pouco confusa, hoje é meu primeiro dia em Tókio, sabe? Entendo o fato de que quebrar uma fivela da bolsa Dolce & Gabanna é um crime maior do que somente a de uma D&G. Então espero que acredite em minha sinceridade.

A jovem de sedosos cabelos negros arregalou os olhos, dando visão melhor aos seus orbes igualmente escuros. Esperei até que ela se recompusesse, e ela sorriu radiante.

- Tudo bem... Hei novata, qual seria seu nome?

- Me chamo Takahashi Amuro, qual é o seu?

- Isushida Mayumi.- Deu de ombros

- Muito prazer — Sorri

- Ah, é claro.

Imaginei que meu sorriso estava, como Kei diz, fazendo-me parecer demente, então tive de retirá-lo rapidamente. Nota mental: Treinar meus sorrisos. Indaguei se sua resposta fazia parte de sua fútil personalidade aparente, ou apenas havia se distraído. Bom, não importava.

- Não se incomode se as pessoas irão te encarar muito ao passarmos pela porta de entrada. Entenda. Fiz bronzeamento artificial ontem, é a novidade do momento.

Personalidade fútil... Com absoluta certeza.

- Então... — começou ela – Nunca havia vindo a Tókio?

- Não...

- Compreensível... Só de olhar essa sua cara de ratinha, e esse Totoro pendurado na mochila, percebem-se.

- Odeio esse chaveiro de Totoro descascado e gasto .Porém foi um presente do meu namorado.

- Namorado? Não diga! E como ele é?- Perguntou

- Bom, ele está prestes a se mudar para cá. Ele é lindo e perfeito — Orgulhei-me

Enfiei a mão na minha mochila com alça lateral e puxei uma foto amassada, nela havia o deus grego mais abençoado de todos, Kei. Estiquei a foto a Mayumi que a observou com uma expressão estranha, e em seguida abriu um novo sorriso.

- Ele é muito gato! – Me entregou a foto novamente.

Guardei sua imagem rapidamente temendo que ela fosse roubada por alguma maníaca.

- Eu concordo – Acrescentei

Rimos juntas. Tive de me controlar para não parecer histérica, estava me esforçando ao máximo para conquistar sua amizade. Ela era popular, provavelmente de boa família, e possuidora de uma beleza admirável. O tipo de pessoa que a minha mãe aprovaria, e claro, que me ascenderia socialmente naquela cidade. Afinal era este meu objetivo, destacar-me. Destacar-me nos estudos, nas amizades, na beleza e na posse, embora esta ultima não estivesse momentaneamente em minhas mãos.

- Acorda novata! Em que sala você está?

- Hm?- Respondi ainda distraída

Mayumi se mostrou impaciente para aquilo tudo. Tive minha mochila agarrada por ela, o que me fez perder o equilíbrio. Pensei em protestar o fato de que aquela nova colega invadira minha propriedade, porém tive que me segurar. Não seria prudente contestá-la, ou era isso que minha consciência, nem sempre correta, me dizia.

- Não estamos na mesma sala, mas... Dane-se. Venha comigo

E voltamos a andar.

- Mas eu não devia ir até a minha sala — Deixei bem claro o “minha”

- Olha você me parece uma garota bem promissora, mas é muito tola, se eu deixá-la só provavelmente será facilmente influenciada por más personalidades. Um desperdício a meu ver.

Ao notar que Mayumi havia parado procurei fazer o mesmo instantaneamente. Ela fez um gesto para que esperasse e entrou na sala, embora o sinal já tivesse tocado enquanto tagarelávamos e o professor já começara a sua aula. Observei-a enquanto discutia com seu mestre. Percebi que já estava sendo requerida dentro da sala de aula. Os olhares automaticamente voltados a mim me empurravam de volta à porta pela qual passei. Desejei um espelho para certificar-me de que me encontrava apresentável.

- Apresente-se senhorita. — Disse o professor.

Falar em público nunca fora um problema para mim, não quando eu conhecia a cidade inteira, mas naquele momento, eu me encontrava numa selva desconhecida e inexplorada. Temia a rejeição e sentia saudades do meu amor.

- Bom dia. Sou Takahashi Amuro, venho de Nikko e estou em Tókio desde ontem. — Tentei disfarçar minha histeria novamente.

A tensão do meu corpo se evaporou por entre meus poros ao não ouvir comentário algum, mas também nenhuma reação positiva. Estava satisfeita, não esperava que fosse nada melhor do que aquilo. Sentei-me na carteira onde Mayumi dera alguns tapinhas indicando onde eu deveria me sentar, bem ao lado dela, não que eu tivesse muita opção, mas não queria me sentir solitária naquele lugar novo. Para o meu alívio, ao recomeçar a aula, Mayumi virou-se na direção de suas outras amigas, ora conversando, ora rasgando pedaços de papel e escrevendo anotações para elas.

Tentei concentrar-me nas três primeiras aulas, era evidente que o nível de ensino daquele colégio nem se comparava com o de meu antigo. Seria uma boa oportunidade. Meu ultimo ano como colegial seria num bom lugar, nem todos tinham aquela chance, ou fora isso que minha mãe havia me dito.

Passei o intervalo inteiro na sala da diretora, situada no ultimo andar do prédio retangular nada escultural, assim como todos os outros de Tókio, e totalmente diferente dos ornamentais templos e santuários de Nikko.

Dei detalhes sobre meu antigo método de ensino, contei alguns sobre o de meus estudos, nada além da rotina obrigatória a ser efetuada pela direção de todos os colégios. Já havia presenciado algumas por ter feito parte do grêmio estudantil.

Esperava que minha mente pudesse focar mais nas palavras dos professores após um relaxante intervalo, mal me lembrei de meu compromisso na diretoria. Ouvir um discurso sobre as regras de conduta não me ajudara tanto quanto planejara. A caneta da professora rasgava o quadro, ou pelo menos esse fora o som que escutei devido à minha dor de cabeça matinal. Todos os seus dizeres daquele quadro circulavam pela minha mente.

-Então... Se o polinômio p(x) é divisível por x-1 e por x-3 sendo que este determina q(x) tendo como resto 10... o exercício nos pede para acharmos q(1)

Eu sabia aquela matéria.

- Cinco...

Ouvi o ranger do metal das carteiras, quanto notei minhas mãos rabiscando um papel que havia encontrado nele o resultado. Tudo havia se encaixado... Dissera a resposta em voz alta. Fui parabenizada pela professora e notei os guinchos de surpresa ao meu lado.

Suspirei aliviada com o ressoar da sirene, que por um segundo fez-me sentir num presídio, sinalizando o final da aula. Pulei de minha carteira dando um rápido aceno para minha nova, como posso classificá-la? Passa-tempo, e sai da sala sentindo apenas os vultos à minha volta. Talvez devesse ter sido mais agradável com Mayumi nesta despedida, porém elaboraria alguma história como desculpas no conforto de minha nova moradia. Corri pelo corredor ainda vazio, escutando em minhas costas o abrir das portas, enquanto procurava em meio os meus muitos papéis os mapas cedidos por minha mãe.

Desacelerei ao chegar à porta de saída, estava fazendo muitas ações conjuntas, aquilo realmente era superestimar minha coordenação motora: correr, vasculhar minha bolsa, e descer escada, era pedir por uma semana no hospital.

A escadaria já havia sido tomada por alunos animados e ativos, vi naquele fato um novo perigo, o que me apressou ainda mais.

Mesmo que tentasse seguir fielmente o mapa, rabiscado por caneta indicando atalhos seguros a serem seguidos, percebi não estar no local correto. Enfim, estava perdida, era só o que faltava para o meu dia perfeito. Arrepiei-me só de lembrar que quanto mais me atrasasse, mais tarde eu ouviria a voz de meu amor. Estava só naquele momento, exceto pela minha eterna companheira Lei de Murphy, que mais uma vez agiu sem perdão. Dava por mim parada no meio do centro de uma das maiores cidades do mundo

-Não creio!

A voz ecoou de dentro de minha carcaça como num enorme vale. O medo e a insegurança tomaram meu corpo ao perceber que aquela voz não pertencia a mim.

* D&G é da Dolce & Gabanna, embora não tenha a mesma categoria do que Dolce & Gabanna

Notas finais
Bomm...mesmo que a maioria que tem me mandado reviews são amigas minhas mais oka (y), espero que mandem flnd o ke axaram i.i...