Show Me How To Breath

1 Dont Look at The Strange Creatures


Notas iniciais
Well, espero que esteja ficando bom...como fiz no papel, não tenho a minima idéia de como está o tamanho deste capítulo.

ESTE CAPÍTULO FOI ESCRITO PARA LER COM ESTA MÚSICA : Bolero de Ravel

O televisor que indicava os vôos havia acabado de piscar, mostrando a mudança na ordem, o ultimo vôo desaparecera, dando lugar para outro, indicado por alguns dígitos que, ao abaixar a cabeça na altura de minha passagem para ver se correspondiam aos impressos em meu papel, eram os mesmos. Olhei mais uma vez para ambos. Precaução nunca fora o bastante no meu caso, sempre fui o tipo de gente que se encontraria dias depois, em Londres.

O toque de celular ecoou como faria um alerta de incêndio, mesmo no meio daquele tumulto, todos os indivíduos presentes se desesperaram em se certificarem a quem pertencia o toque. Como de costume, demorei mais do que seria necessário alguém normal, para notar que aquela incessante musica vinha da minha bolsa, bege de couro falso. Soquei uma das mãos dentro da bolsa tateando, desesperada, e sentindo a pressão dos olhares furiosos sobre mim, meu celular com abertura de flip. Colei-o na orelha.

-Pois Não...?- Gritei

- Nossa, demorou mais do que o normal. — Disse a voz rouca do outro lado

-Ahh Kei não me zoa vai!- Respondi

Qualquer que fosse a intenção, mesmo que para me humilhar, eu aceitava ouvir a voz de meu querido.

-Só liguei para me certificar que ninguém ainda te matou pisoteada.- Disse entre risos.

-Muito engraçado você não?! Se foi só pra isso que ligou... tchau !

-Estou brincando. Sua mãe ainda não te ligou não é mesmo?- Perguntou em tom preocupado.

Silêncio

-Não se sinta mal meu amor. Ela esta muito atarefada com a casa. Creio que esta tentando arrumá-la antes que você chegue.

-Pode ser.

-Isso mesmo... você sabe que sempre estou certo quanto à essas coisas. Agora desligue minha deusa, já anunciaram seu vôo.

Suspirei. Por que saudade dói tanto? Esta fora minha questão, e com direito à tese, que invadiu meus pensamentos enquanto me dirigia à sala de embarque, sempre prestando muita atenção às plaquinhas. Portão 10, portão 10...repetia à mim mesma a uma certa altura. Maldita hora em que resolvi calçar estes saltos finos, deveras ter obedecido minha mãe; “Não compre estes sapatos, além de parecer uma puta, você não consegue andar neles.”. Ainda bem que a dita cuja não estava no momento, ou não a suportaria ao brigar comigo durante meus seis tombos.

A sala de espera era um pouco mais silenciosa. Algumas crianças babando nos vidros aos observarem os aviões, executivos, checando à cada segundo a hora , entre outros novatos no local, que no momento rezavam até para Judas, se ele pudesse intervir para o avião não sofrer uma queda. Achei uma cadeira segura para me sentar, e onde sorri à todos que resolveram manter contato físico comigo para mostrar mais segurança de minha parte, não importava se Kei dizia que, no máximo, iam me achar com cara de idiota.

Não que fosse expert em aeroportos, mas creio que eu nunca havia visto um ser tão esquisito, quanto vi naquele dia. Era uma jovem, aparentava ser mais velha do que eu, seu cabelo descolorido era totalmente desigual, sem qualquer métrica lógica, sua pele era extremamente branca, vestia calça e blusa desproporcionalmente largas para a finura de seus braços e pernas. Mas por estar num canto completamente vazio da parede, cri que não fora apenas à mim que ela incomodou.

O som do microfone sendo ligado pela moça, e sua voz dizendo algo se espalhando pela sala, não me incomodou, muito menos me tirou de meu transe em relação à estranha. Em algum momento Kami-Sama botou seus pezinhos sobre minha cabeça, despertando-me. Fora ali que notei que a garota que tanto de camuflou na parede branca havia desaparecido, com sua blusa de zebra e calças pretas, assim como boa parte da sala de embarque. Corri em direção do tubo onde uma mulher e seu Walk-Talk me esperavam, joguei a passagem de cor amarela em cima da moça, e sai correndo gritando desculpas tubo preto à dentro.

Nenhum de meus sorrisos de, “Sou legal”, funcionariam naquele momento, senti como se a tripulação inteira, incluindo piloto e co-piloto, amaldiçoavam até a minha quinta geração. Pobre Shun Baa-San. Foi num momento muito agradável de contato entre, a porta do banheiro e meu rosto, que fui perceber onde minha distração me levara. Naquele momento, exatamente no fundo do avião, resolvi lembrar que o local onde eu deveria sentar-me era da poltrona 1-B... O lado oposto de onde eu estava. Neste trajeto refleti de onde minha família surgira, pois ao morrer teria de procurar muita gente para me desculpar por estes momentos de desonra.

“Está tudo bem”, tentei me convencer, “Você só acabou de atrasar um vôo inteiro para Tókio. Talvez apenas a economia inteira do país seja prejudicada por prender os acionistas aqui dentro”. Coloquei minha bolsa no bagageiro do modo mais rápido, e sutil que desenterrei de meus movimentos. Sentei-me com mais calma, ajeitando minha bata cor de ocre rendada, suspirando em seguida por já me encontrar onde deveria estar. Virei minha cabeça em direção da janela para contemplar o momento no qual sairíamos do chão. Uma vez não o tivesse feito. Gritei mais alto do que era necessário, mas mais baixo do que o susto que levei, ao notar que ao meu lado se encontrava, ninguém menos, do que A Jovem da África, um dos apelidos que inventei à ela num extremo curto período de tempo.

- Uaal ! Esta foi a mais escandalosa reação que tiveram ao me ver...Tirando quando uma velinha me atacou com uma bolsa-Fez uma pausa- mas como demorou tanto para ajeitar a sua ali em cima, não se daria o trabalho de fazer isso comigo...Posso me considerar segura ? Ou você esconde alguma arma secreta nessa sua calça de, Pagapaudeamericanas (eu inventei essa palavra sim, e daí?) , mais colada que um espartilho.

-O que? –Respondi incrédula.

-É serio... eu já vi mulheres esconderem coisas muito interessantes nesses espartilhos e corpetes, nunca pensei que você fosse esse tipo de pessoa- Deu um risinho abafado.

-Do que está falando?- Ainda sem palavras.

Ou melhor, qual era o motivo pelo qual aquela branquela, estava falando comigo? E o que era aquela máscara ? Fora tarde demais quando percebi que estava, descaradamente, olhando o pano branco que cobria sua boca, quase imperceptível em função de sua cor.

-Nossa você é de longe uma pessoa discreta não?- Admirou-se

-Desculpe?

Tentei disfarçar meu medo, apertei com mais força o braço da poltrona, como se aquilo me deixasse mais segura. Já havia sido alertada em relação aos tipos estranhos que residiam em Tókio, nunca imaginei que fosse verdade. Pessoas de cabelos de todas as cores, e roupas pretas, assustadoras. Estaria eu ao lado de uma Serial-Killer ou homicida do tipo? Que perseguia jovens moças de família e as torturava...

-Entenda, hoje acordei atrasada, e então não tive tempo de escovar os dentes. Por isso a máscara. – Divertiu-se ela.

-...

Meu silêncio pareceu mais um motivo de entretenimento para a Camaleão, tendo em vista que se camufla em qualquer lugar, mas afinal, nada daquilo me importava, apenas agüentar algumas horas não me fariam sofrer, menti para mim mesma. Afundei no assento, arrastando meu traseiro para o lado oposto à onde ela estava, tentando também, ignorar aquele cabelo ressecado que espetava meu ombro. Tentei, sem sucesso aparente, me concentrar no insististe barulho que o avião fazia. Quem naqueles dias liberaria um vôo, em pleno país símbolo de tecnologia, com um avião bimotor? Era simplesmente o cúmulo da vergonha! E, com a sorte que tenho, a primeira poltrona ficava perto da hélice.

Não se passaram nem três minutos, para que a minha genética curiosidade viesse à tona, e a vontade de, virar e observar os hábitos daquela estranha espécie, tomasse conta de minha razão. Inclinei minha nuca para baixo e depois para o lado, tentando ter uma visão pelo canto do olho, assim ela não perceberia como estava sendo descarada.

-Sabe... seus objetivos, por mais que me levantem o ego, não são o bastante para que você tenha um torcicolo amanhã.- Disse a voz em meu ouvido.

-Ah... Você notou...

-Realmente?! Achou mesmo que essa sua posição de garota distraída enganaria alguém?- Questionou

Nunca pensei que eu fosse tão ruim assim. Nota mental, riscar detetive da lista de futuras profissões. Tentei elaborar uma resposta à altura para mostrar o quanto senti-me ofendida, mas algo dentro da minha mente disse que já era tarde demais. Nunca entendi porque as melhores respostas sempre vêem dias depois do ocorrido, isso sempre me irritou.

-Em que cidade você reside?- Tentei ser educada

-Primeiramente, nada de fazer um fake, ao invés de parecer culta, nessas horas, ao usar palavras difíceis você se torna muito brega! Sou de Tókio... você nunca foi para lá, não é mesmo ?- Adivinhou

-Não... como sabe ?

-Realmente... Tókio é a capital dos estilos, vai encontrar pessoas vestidas de um modomuito mais estranho do que eu. Aquela sua cidadezinha não tem nada além de, como já disse, Pagapaudeamericanas, nada além do que foram influenciados a importar.

-O que há de errado em querer se vestir assim?- Disse mais alto do que deveria.

-Nada — Acrescentou – Assim como não há problema algum em vestir-se como eu.

Aquele fora o momento em que me perguntei, de todo o coração, o motivo pelo qual resolvi falar com ela. Meu namorado perfeito estaria neste segundo morrendo de rir, esfregando em minha cara a inocência de meus pensamentos, ou algo assim. Será que era possível morrer de saudades?Esperar cerca de dois meses para que ele fosse transferido para Tókio, isso seria uma tortura.

Uma elegante aeromoça anunciou o serviço de bordo num telefone, que pude ver devido à proximidade de minha poltrona em relação à cabine, em seu belo uniforme vinho, com um chapéu da mesma cor.

-O que gostariam?- Perguntou a moça sorridente.

Esperei que minha, por milagre silenciosa, vizinha fizesse seu pedido primeiro, afinal, não queria parecer muito comilona em relação à ela. O silencio de ambas pareceu irritar a aeromoça, mas não era culpa minha, queria me mostrar forte em agüentar a fome, isso demonstraria à Esquisita o quanto era segura de mim.No final, ambas pediram uma água, e uma Coca. Meus olhos mais uma vez encontraram sua face, era impregnada pelo mais puro branco que já vira. Era como uma longa trilha de uma uniforme, e perfeita camada de neve... E no meio dela, olhos escarlates de um lobo, misterioso, imponente, perigoso... Realmente nunca em minha vida vira um cenário como aquele. Então aquilo era Tóquio? O contraste perfeito?

Notas finais
Uhuuulll....espero que tenha ficado bom...gente, eu quis postar mais pra ver como ia ficar, e se o público do Nyah aceitaria. Então digitei o mais rapido possivel, minhas betas não encostaram o dedo nele ainda, então ignorem o monte de erros que conter ;D

*cof cof*
eo amar Reviews ;~D

Ahh, estou procurando uma imagem pra fic, então quem quiser ajudaar viiu. soh manda