Shot me Down
1 First Shot
Notas iniciais
Ela me mandou "Shot me Down - David Guetta ft Skylar Grey" e foi nisso que deu.
Espero que gostem.
"Eu tinha cinco e ele sei
Nós cavalgamos em cavalos degalhos
Ele usava preto e eu branco
Ele sempre ganhava as batalhas
Banga bang, ele me acertou
Bang bang, eu cai no chão
Bang bang, aquele som horrível
Bang bang, meu amor atirou em mim"
Shot me Down
*******
Era um dia como outro qualquer em uma mansão no sul da Itália. Pássaros cantavam nas árvores da propriedade, podia-se ouvir uma cachoeira gritando ao longe e crianças brincavam no jardim. Aos olhos dos adultos que desfrutavam um encontro amigável à beira da piscina, duas delas chamavam mais atenção para si.
Uma garota de grandes olhos azul-bebês, cabelos negros finos como teias de aranha e um sorriso inocente e com algumas falhas e o garoto de olhos chartreuse, cachos volumosos e um olhar de raiva misturado com diversão a perseguia. Os adultos os miravam apreensivos, afinal aquelas duas crianças eram o futuro de duas famílias de grande poder no submundo.
— Sua filha não se parece tanto com uma lady. — A mulher ruiva com sotaque francês alfinetou com desgosto olhando para a criança que agora estava mostrando a língua para o menino que ainda a perseguia.
— Jullien ainda é jovem, não é o momento para isso. — A matriarca ignorou a alfinetada enquanto acariciava o volume em sua barriga.
— Fora que ela não precisar ser uma lady, ela vai assumir a família. — Seu marido completou carrancudo. — Vamos deixar que esse que está vindo se preocupe com os modos.
A ruiva não gostou da resposta que recebeu e se retirou para outra mesa enquanto os outros casais continuaram a conversa. Outro casal em particular trocou um olhar e sorriram decididos.
*****
—Tony, você é muito lento! — A pequena morena exclamou deitando na grama, a essa altura eles já haviam se afastado da observação rigorosa dos mais velhos e se acomodado em algum ponto do jardim.
— Isso não é justo, você saiu antes. — O loiro protestou com seu forte sotaque italiano se jogando ao lado dela.
— Para de reclamar... — Foi interrompida por um longo bocejo.
— Jully,você não dormiu, né? — Anthony perguntou virando sua cabeça para a morena que ressoava baixinho. Se pegou observando-a dormir, como mesmo dormindo mantinha um sorriso travesso, as bochechas cheias, a pele pálida e a aparência frágil. Não parecia a menina que minutos atrás quase o empurrou na piscina... Ele se interrompeu, não entendendo onde estava chegando.
Queria acordá-la, mas lhe faltou coragem. Aconchegou-se na grama e a acompanhou no sono. O dia seria longo e precisavam do descanso.
Acordou com alguém lhe chacoalhando.
— Signorino, é hora de acordar. — A voz repetia junto com o movimento.
Seus olhos abriram lenta e pesadamente, se encontrava em um quarto bem iluminado, as paredes de tons pastéis lhe eram familiares juntamente com a maciez da cama.
— Finalmente acordou. — O senhor parecia aliviado. — Sua mãe me mandou lhe dar banho e preparar para a festa. — Levantou-se sonolento e seguiu o mordomo aos tropeços.
*****
— Não quero ir mamãe! — A jovem fez birra enquanto a mãe alisava seus cabelos negros.
— Você disse que queria, por isso viajamos até aqui. Além disso não seria educado faltar no aniversário do filho da família que está nos hospedando. — A dama que compartilhava os mesmos cabelos que a menina disse calmamente enquanto colocava um laço na cabeça da criança.
— Mas ela está tão linda! Não quero que ninguém olhe para nossa princesa com ela vestida assim. Por que não a trancamos no quarto? — O patriarca interveio a favor da esposa sabendo o que aconteceria em seguida.
— Agora eu quero ir, não quero ficar trancada. — Jullien pediu chorosa olhando no fundo dos olhos do pai, que eram iguais aos seus.
A família saiu sorridente do quarto e se reuniu com os outros convidados na grande sala de estar para aguardar os anfitriões. A garota sempre agarrada à perna de um dos pais envergonhada.
De repente todos se calaram e se viraram em direção as escadas onde a família Bertinelli se apresentava imponente. A matriarca possuía os loiros fios presos em um coque firme que lhe dava ainda mais superioridade, os olhos chartreuse do patriarca — idênticos aos do filho —possuíam uma mistura do orgulho e seriedade, já o homenageado da noite tentava imitar a postura do pai falhando somente para os olhos atentos de certa morena.
Depois de cumprimentar todos os outros convidados os Bertinelli chegaram aos que eles mais queriam ver, os Summer. As crianças tão logo quanto se viram se retiraram para brincar juntas.
— Eles ficam lindos juntos. — Deixou escapar a Sra. Bertinelli sorrindo, seguida por concordâncias dos demais.
As crianças correram para alguma sala vazia, ambas compartilhavam do desgosto de ficar em um lugar com várias pessoas.
— Então... hoje você é oficialmente mais velho? — Os olhos azuis misteriosos se chocaram com os verdes curiosos.
— Sou sim pirralha. — Disse rindo e a careta de desgosto da garota aumentou ainda mais os risos.
Os risos cessaram imediatamente quando os lábios rosados tocaram a bochecha do loiro, recuando quase imediatamente.
— Buon compleanno. — Disse em uma voz quase inaudível arriscando no italiano. O jovem rapaz ficou atônito por alguns segundos antes de abrir um grande sorriso e tentar alcançá-la, quase tão vermelha quanto seu vestido ela correu para a saia de sua mãe sendo seguida pelo loiro.
— Obrigada. — Ele lançou entra arfadas depois de alcançá-la antes que ela chegasse à sua mãe.
Jully conseguiu fugir de Tony novamente e enterrou o rosto na saia de sua mãe do mesmo rubro que a sua. Nenhum dos adultos estranhou a cena, ela era muito comum nas festas que eles se encontravam.
Pelo resto da noite as crianças não largaram de seus pais, de vez em quando trocavam olhares que eram imediatamente desviados e ambas permaneciam rubras por um alguns segundos.
Na manhã que seguiu a festa os poucos adultos restantes perceberam que havia algo estranho entre eles, embora tentassem descobrir o que havia acontecido, as crianças não respondiam.
Pela tarde a família anfitriã teria somente os Summer em sua mansão, então dariam continuação ao treinamento de seu primogênito. Não era segredo entre essas famílias que eles treinavam seus filhos mais velhos em diferentes tipos de combate desde a tenra idade, então não foi surpresa que após o almoço o jovem Anthony, com seus recém completados seis anos, fosse ter aulas de tiro.
Durante a aula do jovem todos se reuniram no jardim para assistir aos poucos tiros que acertavam o alvo pelas balas de chumbo.
Um movimento nos arbusto chamou a atenção da jovem que não parava quieta de ansiedade. Grandes olhos azuis surgiram seguidos por uma cabeça felina surgiram dentre as folhas. A garota seguiu em direção ao animal sem nenhum protesto dos adultos, quando estava se aproximando do bichano, ele se assustou com o som do disparo, a arranhou o braço e saiu correndo na direção oposta.Não tendo se dado por vencida a jovem foi atrás do bichano, que a cada disparo voltava a correr.
O jovem loiro viu o animal passar correndo para fora do seu campo de visão e voltou a mirar no alvo cinco metros a frente, havia acertado poucas vezes, mas ainda tentava se ajustar a arma, mirando um pouco mais para um dos lados até se aproximar do centro do alvo. Moveu o braço um pouco para a esquerda, respirou fundo e atirou.
O grito que se seguiu alarmou a todos o acontecido, a bala não havia acertado o alvo, a rajada de vento que ninguém previu guiou a bala até o braço da jovem morena que perseguia o felino, também paralisado.
Quando Anthony se aproximou, juntamente com os mais velhos, percebeu a quantidade de sangue que manchava a camiseta branca e respingava na grama, a grande mancha já havia se estendido até as proximidades da barriga. Mesmo com seu inglês fraco, um dos motivos porque não conversavam muito, pode distinguir palavras como “dor”, “mãe” e seu próprio nome dentre os gritos de agonia e as lágrimas. A culpa, que já inundava o peito do garoto, aumentou instantaneamente no peito do jovem rapaz o fazendo perder o fôlego por um segundo.
Cada um dos cinco adultos gritava alguma coisa que não chegava a ser absorvida por ele, jogou-se ao lado da amiga e lhe apertou a mão boa enquanto soprava palavras de apoio mesmo sabendo que ela não entenderia nada além do nome dela. O fazia porque ele precisava aliviar o peito nem que fosse uma grama. Se necessário doaria todo o sangue preciso para que ela se recuperasse, e se pudesse teria mudado o curso da bala para atingi-lo.
Nunca havia desejado tanto poder voltar no tempo.
Notas finais
Me digam o que acharam, estou um pouco insegura, pois é a minha primeira vez escrevendo em terceira pessoa.
Reforço que dedico a Montibeller este capítulo (e a Fanfic).
Vejo vocês nos reviews ou no próximo capítulo.
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