Shooroku Myuto

2 Capítulo 1 - Seres Humanos São Incríveis (Michiko)


Notas iniciais
Anh... Novamente, quem fez o capítulo foi a Iris (Alice), eu só editei e ajustei um pouco, podem perceber que até a narração dela é a mesma, então só servi de beta nesse capítulo e.é
Mas acho que eu mesma posto o próximo, então tá né.
Boa leitura.
Sugestão musical: Gods and Demons (Future World Music)
https://www.youtube.com/watch?v=G1nMPwnO-2g

(Michiko)

Depois de tanto tempo circulando por ai, observando todos os detalhes possíveis desse lugar, eu havia chegado à conclusão que estava sozinha, esse seria um dos mais complexos sonhos que eu já tive, os detalhes realmente me impressionaram, o jeito em que eu sentia a brisa e respirava o ar pesado, tudo absolutamente perfeito.

“A mente humana é capaz de recriar ambientes do nosso cotidiano, ou até mesmo lugares em que estivemos uma única vez.”

Esses são dados tão insignificantes e inúteis, porém eu fui obrigada a memorizar coisas do tipo toda a minha vida, que não me importo em absorver cada vez mais informações desnecessárias, o que importa é sempre ter a resposta certa para qualquer coisa.

Eu sou uma observadora compulsiva, eu observo, absorvo e memorizo detalhes que na maioria das vezes não são nem percebidos por outras pessoas, talvez elas sejam normais e ocupadas demais para notar, ou talvez eu seja louca. Se eu fosse louca, poderia culpar meus pais pela minha loucura, mas provavelmente eles me fariam ler alguns artigos, estudar os sintomas e fazer um relatório, depois disso eu poderia culpá-los.

Se uma pessoa se esforça e se dedica aos estudos, se destaca entre as outras pessoas, está sempre buscando informações novas, e tem como sonho subir na vida e ser reconhecida pelo esforço, essa pessoa tem grandes chances de ter o sonho despedaçado por mim, mais especificamente, pelos meus pais.

Desde que nasci recebo incentivo deles, isso é ótimo, mas a competitividade deles é doentia, sempre querendo estar na frente e me usando para isso. Já cheguei a ficar trancada por dias no meu quarto antes de um teste escolar, porque eu deveria ser a melhor, e não havia objeções contra isso, pois a felicidade está na perfeição e no número de medalhas de honra na parede, mais medalhas significam mais respeito.

Eu teria minhas provas finais naquele sábado, e queria estar descansada, mas por algum motivo o sono insistia em fugir de mim, fui até o banheiro e peguei umas pílulas que eu costumava tomar em emergências desse tipo. Lembro-me de ter caído em um sono profundo, com certeza eu acordaria bem e pronta para os testes.

Naquela noite eu tive mais um dos meus sonhos impressionantes e ricos em detalhes, a cidade cinzenta, fria e silenciosa se estendia por uma grande área, as rachaduras, a ruas com seu asfalto sem graça, tudo era muito real.

Mas então veio a noite e eu tive que procurar um lugar seguro para ficar. Uma casinha cinza com a fachada exatamente igual às outras, como em condomínio, me serviu como abrigo. Nela havia dois quartos, porém só um deles possua uma cama, ela parecia muito confortável para uma pessoa cansada como eu, sem pensar duas vezes me deitei e adormeci. Na manhã seguinte esperava me deparar com o teto azul claro salpicado de pequenos adesivos em formato de estrelas, era o grande dia, mas quando eu abri os olhos tudo que eu vi foi um teto cinzento...

Este é realmente um sonho longo. Noites e mais noites e mais noites se passaram, há tempos eu havia percebido que aquilo não era um sonho. Porém, eu estava assustada demais para querer investigar, mas eu precisava fazer isso. As ruas, assim como as casas, eram exatamente iguais, e não importava por qual delas eu seguia, elas sempre acabavam no mesmo lugar: Uma grande praça repleta de arvores e atrás dela um grande edifício com portas de vidro e letras cromadas na fachada, ele era realmente alto, se eu fosse até o terraço poderia ver boa parte da cidade e talvez desenvolver alguma teoria.

Subi as escadas e abri uma pequena porta que levava até o teraço, me aproximei da beira do edifício e senti algo me puxando, esse lugar é estranho, mas a gravidade ainda existe, dei um passo para trás e tentei memorizar o máximo que podia, a vista era espetacular, eu nunca tinha tido tanto tempo para observar algo que me interessava, era a primeira vez que eu estava sendo uma observadora por vontade própria.

Passos curtos e lentos se aproximavam, pensei em me virar mas antes que pudesse me mexer, uma voz feminina fez com que eu me arrepiasse e quase perdesse o equilíbrio, eu sabia que ela estava ali, mas mesmo assim, me assustou.

– O que faz aqui? – Ela perguntou casualmente.

– Estou analisando a cidade, eu vi você vindo pra cá. – disse, ainda observando a praça a minha frente.

– Entendo, faz um tempo que eu estou por aqui e pensei que estava sozinha, mas vejo que tenho companhia... É bem entediante por aqui, como é seu nome?

– Michiko, Aoiki Michiko. – Respondi me virando para encará-la, ela tinha cabelos longos e claros de uma cor incerta, estatura média, e penetrantes olhos amarelados que pareciam querer hipnotizar qualquer um que os observasse por muito tempo.

– Belo nome. O meu é Meredith, prazer em conhecê-la. –disse me olhando de cima a baixo — Mas então... É perigoso ficar ai sabia?

– Você acha? – Perguntei tentando parecer simpática

– Tenho certeza! Uma garota tão bela e educada como você não estaria pensando em desistir da vida, estaria? – Perguntou elevando uma das sobrancelhas

–Talvez, como você disse é entediante e solitário aqui, não faria diferença. – havia muita duvida na minha voz

– Acha esse lugar solitário? Eu o acho perfeito, longe das pessoas, das ordens, é tão perfeito... Mas claro que você deve ter os seus motivos para achar o contrario, talvez estivesse acostumada a ter várias pessoas ao seu redor, como eu disse, você é bonita, educada e adorável. – Disse enquanto um meio sorriso se formava nos lábios avermelhados.

– Agradeço pelos elogios, mas eu não costumo ser rodeada por pessoas, eu gosto de observá-las de longe, analisá-las, os humanos são incríveis. — Disse um pouco mais animada.

– Discordo totalmente de você.

– Ora, não estou tentando te obrigar a gostar de nada, só estava... Só estava... – Indagava, incerta. — Não tenho certeza. – tentei contornar a situação me afastando sem perceber o limite da beirada.

– Pule.

– Desculpe, o que disse? – Perguntei num tom incrédulo

– Eu disse para pular, é o que você quer fazer, mas está hesitando, e isso está me irritando. Apresse-se e pule. Acho que fui muito direta.

– Por que eu deveria fazer isso? – Perguntei ansiosa por sua resposta

– Porque se imaginar que tem asas poderá voar!

– Espera que eu acredite nisso? – disse num tom irônico.

– Não. Espero que pule, e estou esperando demais, pule logo.

– Você é engraçada Meredith. — Senti minhas pernas se moverem, mas sem um comando direto do meu cérebro, procurando mais um pedaço do terraço encontrei o vazio e mergulhei para a morte certa.

Abri os olhos e me deparei com gigantescas portas de vidro e um letreiro cromado, lembro-me daquele lugar, eu estava no terraço quando aquela garota, Meredith, apareceu, e então... Eu cai.

Como poderia estar viva depois de uma queda daquelas? Como meu corpo poderia estar em perfeito estado? Quando se cai de um lugar tão alto não há como manter o corpo em condições aceitáveis até mesmo para o velório. Levantei-me e fui até a entrada do edifício me pondo a frente das portas que refletiam a rua. Estava tudo no lugar, como se eu nunca tivesse caído.

Continuei minhas observações pela cidade, e um grupo de pássaros me chamou a atenção, me virei em direção a eles e percebi que outra pessoa também os observava. Os mesmos cabelos claros e longos, o mesmo vestido Azul... Meredith.

– Eu acho que deveria praticar um pouco mais... Quem sabe da próxima vez, meu voo seja tão magnífico quanto o desses pássaros. Não é, Meredith?

Notas finais
Então... Comentem e.e'