Shooroku Myuto

3 Capítulo 2 - Perfeitamente Simples (Ashe)


Notas iniciais
Meddie que fez esse cap, eu mesma u.u
Então... Espero que gostem e bla bla bla.
Deu um pouco de (muito) trabalho nele, eu não sei como montar um personagem como o Joren, mas consigo me aprofundar no Ashe. Então né... Deu nisso.
Sugestão musical (acho que é meio uma trilha sonora do Ashe :v) https://www.youtube.com/watch?v=zxj6Ii27_u4&list=RD02A5L1VgNwNFw

(Ashe)

Começo dizendo que eu sou um louco. Sim, eu admito isso. Tenho um amor por coisas simples, são perfeitas. A beleza está em coisas simples e sem graça. Essa é minha perspectiva. O mundo perfeito é um mundo igual, onde todos são iguais, onde as casas são iguais, onde a simplicidade ganha vida.

Ou morre.

Sim, ou morre.

Eu cheguei nesse lugar há um bom tempo. Não sei necessariamente quando, mas tempo o suficiente para me deixar... Excêntrico. De tudo o que eu me lembro é de ter saído cedo de casa, ido comprar doces... E no meio do caminho, fui acertado na cabeça. Vi o líquido vermelho no chão e fechei os olhos. Acordei nesse lugar.

Sempre o chamei de Purgatório, um lugar entre a vida e a morte, tecnicamente entre o céu e o inferno. Nunca fui um garoto religioso, tanto é que nem em deus eu acredito. Para mim, cada matéria que descende em um corpo é simples. Os movimentos são simples. Cores simples.

A beleza está na simplicidade das coisas

Desde um simples cantar de pássaros, até ao por-do-sol. Desde uma simples canção, até o despertar de uma criança. Loucura, não?

Eu realmente amo esse lugar, e odeio ter que dividi-lo. Eu sei que não estou sozinho. Ontem mesmo vi duas meninas conversando, mas ignorei-as. Minha presença nunca fora notada, talvez elas nem saibam que eu exista. Eu estava querendo, realmente, vê-las brigarem. Porém, não ocorreu.

O sol já estava se pondo, e eu teria que arranjar um lugar qualquer para ficar. Já que tudo era igual, muitas vezes eu me perdia, e acabava dormindo em qualquer casa. Entretanto, naquela noite, pela primeira vez em minha vida, algo diferente me chamou atenção.

Enquanto todas as casas estavam em meio cinzento, uma luz amarelada refletia em uma só. Caminhei até lá, observando pela pequena janela. Vi um rapaz, de fios de cabelo castanhos, deitado no chão. Ele parecia estar falando com alguém, porém, estava sozinho.

Sem pensar, entrei naquele lugar pela janela mesmo, vendo o rapaz se levantar e protestar:

– O que você está fazendo?!

– Entrando pela janela, não está vendo? — Respondi, dando um sorriso.

– Quem lhe deu permissão?

– Minha mente. — Respondi em um tom seco, vendo o rapaz fechar os punhos. — Se pensa que agir com violência irá lhe ajudar em alguma coisa, está errado. — Ficou em silêncio por um momento, mas logo prossegui. — Meu nome é Ashe, qual o seu?

– Isso não importa. — Disse ele. — Se quer ficar aqui, que seja. Irei arrumar outro lugar. — Antes que eu pudesse dizer algo contra, o menino saiu da casa.

Observando de perto, o local é bastante pequeno. Apertado e parece que só aceita uma pessoa por vez. Claro, se for para se alojar. Acabei notando um interruptor ali por perto, e apaguei a luz.

Pelo jeito, acabei caindo no sono. Pois logo a luz da manhã bateu em minha face, fazendo-me abrir os olhos. Ao sair do local, pude ver o garoto de antes, ele estava sentado por cima de uma casa, bem frente da que eu havia me alojado. Me observava de longe, com os olhos amarelos cansados.

– Hoy! — Acenei, dando um sorriso de volta.

– Olá. — Disse ele, enquanto descia em um salto. — Começamos pelo pé esquerdo ontem, não acha? — Sorriu gentilmente. — Então, pode me chamar de J... — Ele pareceu se engasgar no momento, tirando alguma coisa de volta do pescoço e guardando no bolso do moletom. — Joren.

– Prazer. Eu sou o Ashe. — Sorri novamente. — Mas acho que lhe disse isso ontem, não?

Vi-o dar uma gargalhada, e depois retomar a seriedade.

– Eu achei que estava sozinho aqui. — Joren disse-me.

– Entenda algo, nunca estamos sozinhos. — Ergui minha mão até ele, e Joren me cumprimentou.

– Talvez você tenha razão, só talvez.

– Joren, eu tenho razão. Aceite isso. — Brinquei novamente.

Enquanto nós andávamos para um lugar qualquer, ainda em um jogo de palavras bizarro, senti que estava sendo observado. Olhei para trás por um instante. Mas nada vi, apenas uma sombra movimentando-se. Não senti curiosidade em saber o que era, afinal, precisava estudar quem era Joren.

Como disse, a simplicidade me chama atenção. E apenas pelo fato de que ele estava conversando comigo, sem ter medo, o tornou simples.

Descobri, em apenas minutos, que Joren era alguém de poucas palavras. Muitas vezes, ele se engasgava com frases, parecia querer esconder alguma coisa.

Bem, talvez minha curiosidade não se aflorará em pouco tempo. O bom é manter esse jovem ao meu lado, já que nunca estamos sozinhos.

Notas finais
Então? e.e
Fangirls, longe do Ashe, please e3e
E se pronuncia Jôrien u.u