Shiver

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Uhh, sim, estou muito atrasada. Posso dar aqui a desculpa de falta de computador, falta de tempo, e então falta de inspiração, mas acho melhor apenas pedir a vocês desculpa. Gosto muito da primeira metade desse capítulo, tenho muito menos certeza sobre a segunda, mas espero que gostem dele inteiro. Até as notas finais ♥

No dia em que Selena completou dezesseis anos, sua mãe a acordou um pouco antes do amanhecer e lhe disse para vestir suas roupas mais quentes. Lyra a levou para oeste de Carvahall, até os morros mais baixos que precediam a cadeia de montanhas conhecida como a Espinha, e acampou com a filha no alto de um deles, em um ponto de onde elas podiam ver Carvahall e além.

Elas acenderam uma fogueira e não dormiram aquela noite. Lyra passou horas contando todas as histórias de que se lembrava e que sabia que Selena gostaria de ouvir – começando por um conto sobre a chegada dos humanos na Alagaësia e sobre um rei louco que se estabelecera por lá e que dera ao Vale Palancar seu nome, passando por diferentes mitos e lendas sobre elfos, anões, e até mesmo urgals, e, já perto do nascer do sol, falara em voz baixa sobre os Cavaleiros de Dragões.

Mais especificamente, sobre a Queda dos Cavaleiros. Era uma história proibida, Lyra explicara a uma Selena que ouvia com olhos arregalados, e que não deveria, nunca, ser repetida, porque se o Império descobrisse que Lyra a contara, isso resultaria em sua morte. Selena achara que o perigo fazia de tudo aquilo ainda mais empolgante, e prometera que nunca diria nada sobre tudo aquilo a ninguém.

Então Lyra falou, em sussurros, sobre um promissor Cavaleiro humano, Galbatorix, que teve seu dragão morto por urgals. Sobre como os Cavaleiros negaram seu pedido por outro dragão por perceberem que a perda o levara a loucura. Sobre como Galbatorix então fugira para regiões mais selvagens da Alagaësia, e assim se escondera por muitos anos – se escondera até que, por um infortúnio do destino, acabara com se encontrar um jovem Cavaleiro chamado Morzan. Sobre como Galbatorix convencera Morzan a o ajudar a roubar um dragão recém-nascido para substituir o que perdera, e sobre como os dois desapareceram por mais três anos, até que o dragão crescesse. Esse fora o início da Queda.

Quando ela chegou ao fim, os Cavaleiros já não existiam mais, os dragões estavam praticamente extintos, e Galbatorix havia criado o Império e reinava sobre ele, poderoso ao ponto de ser invencível. A história acabara com uma nota sombria pela qual Selena se sentira fascinada, e ela havia se recostado contra a mãe para assistir, confortável, ao nascer do sol mais bonito que já vira na vida.

Isto é, até ver, das costas de um dragão, o dia amanhecer sobre Gil’ead.

Após ajudá-la a montar, Morzan voltara para onde Jaime esperava para discutir algo rápido com o capitão da sua guarda. Ele também tirara de um dos alforjes em seu cavalo uma capa vermelha pesada, com o colarinho forrado por pele escura, e a vestira antes de subir no dragão e se sentar atrás de Selena na sela. Ele também prendera ao cinto uma espada envolta em uma bainha vermelha iridescente tão bela que Selena precisou de todo seu autocontrole para não pedir para vê-la melhor naquele mesmo instante – ela estava montada em um dragão, afinal, e julgou melhor aproveitar uma maravilha de cada vez. Selena acabou por demorar bastante para conseguir relaxar e ignorar a altura em que voavam, mas agora se sentia muito quente e protegida, envolta pelos braços de Morzan e pela capa que ele segurava ao redor dela e de si mesmo.

Gil’ead era maior do que qualquer coisa que Selena vira na vida. No começo, a cidade era apenas uma mancha escura ao longe, mas aos poucos se tornou maior e maior, até que ela podia distinguir a grande muralha que a cercava, as casas compridas de madeira e a fortaleza de pedra no centro. Não parecia muito com o que Selena imaginara que seriam as grandes cidades – talvez mais como um posto de comércio, temporário, não como algo tão permanente e antigo quanto ela sabia que Gil’ead era. Ainda assim, não pôde evitar se impressionar.

“Nunca vi nada assim antes,” ela disse.

Atrás dela, Morzan riu baixinho. “Não, imagino que não.”

Ele puxou Selena mais para perto contra seu peito, e ela apoiou uma mão sobre a dele, se mexendo sempre com muito cuidado. “Acho que não gosto de voar, no entanto.”

“Não?” Havia certa surpresa em sua voz, e Selena sorriu um pouco por isso.

“É muito...” ela hesitou, sem saber o que dizer. “Alto.”

“Alto?” Ele riu mais uma vez. “Fechar os olhos deve ajudar, mas aí você perderia a vista.”

“Já me acostumei,” Selena insistiu, mais para se ressegurar do que para o benefício de Morzan. “Só não estou completamente confortável ainda.”

Morzan não respondeu, e ela duvidava que o houvesse convencido. Procurando preencher o silêncio, perguntou baixinho, “Como ele se chama?”

“Quem?”

“Seu dragão,” esclareceu, observando o modo como as escamas vermelhas refletiam a luz do sol poente.

“Meu dragão,” Morzan repetiu devagar, e ela detectou algo amargo em sua voz, “não tem nome.”

A informação foi tão inesperada que Selena se contorceu na sela para olhar para ele. Os olhos de Morzan encontraram os dela, escuros e impossíveis de ler, e ela engoliu em seco, já se arrependendo de ter entrado no assunto. “Suponho que eu não possa perguntar por quê?”

Não havia humor no sorriso que ele lhe ofereceu, mas Selena detectou um brilho estranho em seus olhos. “Pode perguntar, é claro, mas isso não significa que vá receber uma resposta.”

Ela assentiu, sem saber o que dizer àquilo, e se voltou para frente mais uma vez. Morzan ajeitou seu braço ao redor cintura dela e se aproximou para dizer, baixinho, em seu ouvido, “Eu me sinto na obrigação de avisar, no entanto, que ele está prestes a começar uma descida razoavelmente íngreme–”

E antes que ele terminasse de falar ou que Selena tivesse o tempo necessário para processar suas palavras e se preparar, o dragão abaixo deles se inclinou para baixo e bateu as asas uma, duas vezes, para acelerar para uma velocidade prodigiosa, e tudo o que Selena conseguia pensar era em quão rápido eles se aproximavam do chão. Então, meros segundos depois – segundos que pareceram ao mesmo tempo uma eternidade e tempo nenhum –, quando eles pareciam perto demais do solo para conseguir parar, o dragão abriu as asas e planou sobre os muros e as casas de Gil’ead, apenas para pousar com surpreendente suavidade em um pátio lateral do castelo.

Morzan riu baixinho, mas ela mal o ouviu sob os batimentos acelerados de seu próprio coração. “–então não se assuste,” completou.

Selena se voltou para ele, tentando controlar a respiração para se acalmar, e, com certo esforço, conseguiu começar, “Você...”

Ele só sorriu e lhe deu um empurrão leve nas contas. “Eu nunca te deixaria cair. Desça; é só escorregar até o chão.” No que Selena não se moveu, ele acrescentou, “Não é alto.”

Ela revirou os olhos e obedeceu, e realmente se sentiu um pouco melhor com os dois pés sobre a terra firme. “Fez aquilo de propósito,” acusou.

“O quê?” Morzan perguntou, descendo das costas do dragão com uma facilidade e graça que Selena sabia que nunca teria.

Ela sacudiu a cabeça para ele, descrente e um tanto indignada, e se permitiu examinar os arredores. O castelo era feito de pedras cinzentas, e o pátio onde pousaram estava repleto de soldados em túnicas vermelhas que se aglomeravam tão longe quanto podiam, provavelmente mantendo uma distância respeitosa de dragão e Cavaleiro.

Um homem de cinza saiu de dentro do castelo e se aproximou, juntando as mãos atrás das costas. “Lorde Morzan,” cumprimentou, e inclinou a cabeça. “Não estávamos o esperando tão cedo, meu senhor. E com companhia?”

Selena franziu a testa. Certamente era comum que ele trouxesse alguém consigo?

“Decidi voltar mais cedo,” Morzan respondeu calmamente. “Ainda há muito a ser feito por aqui.”

O homem assentiu. “Sim, meu senhor.”

“Preciso falar com Lorde Fallon antes de qualquer coisa,” Morzan continuou. “Quero que levem Selena aos meus aposentos e se certifiquem que ela tem tudo o que precisa.”

“Morzan...” ela começou, antes de perceber que talvez não fosse a melhor ideia chamá-lo pelo nome naquele momento.

Ele lhe lançou um olhar divertido e um meio sorriso. “Incluindo um banho e vestidos novos.”

“Meu senhor–”

“Vai ser um problema?”

“De forma alguma, Lorde Morzan,” o homem se apressou a dizer. “Deseja mais alguma coisa?”

“Não.” Morzan se voltou para Selena e lhe deu um beijo muito leve na testa. “Tente descansar um pouco. Irei vê-la de noite.”

Com isso, ele se afastou na direção do castelo, deixando Selena um tanto confusa e sozinha com um desconhecido.

Notas finais
Espero que tenham gostado!! Vou dizer rapidamente aqui que Shiver ainda está muito no começo, ainda montando o cenário e inserindo a Sel em um mundo com o qual ela nunca teve contato, mas é a partir daqui que a história começa a acelerar, acho, com ela viajando pelo Império com o Morzan. Sooo no vemos no próximo capítulo! Ouvi dizer que reviews incentivam autores a atualizar mais rápido, além de deixá-los muito felizes. kisses kisses EDIT: o fim desse capítulo parece tanto gancho pra smut, não é? E agora o smut existe e pode ser encontrado aqui: https://fanfiction.com.br/historia/749067/so_it_goes/ !!