Shiver

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Esse capítulo vai para alguém que: a) ama o Adam, aparentemente b) é amada por mim c) merecia ganhar um capítulo asap Bea, te amo!! A você e aos outros, desejo uma boa leitura!

A lâmina de Adam bateu contra o punho da espada de Selena, com força, e lançou a arma voando em direção ao chão. Selena fechou o rosto para onde sua espada caíra contra as pedras, massageando seu pulso com a outra mão.

“Sou péssima nisso,” reclamou.

Adam sorriu, divertido. “Claro que não é. Você só está começando.”

Era verdade, ela supunha, mas Selena não podia evitar sentir uma pontada de decepção por não ser melhor. Desde que Morzan a levara ao armeiro de Senhora Lorana, uma semana antes, e a fizera testar uma variedade enorme de espadas até que encontrassem uma que se encaixasse razoavelmente bem em sua mão, Selena viera treinando com os guardas todos os dias. Até agora, não fizera muito progresso.

“Você não está nem mesmo se esforçando,” disse para Adam, se abaixando para pegar sua espada.

“Não estou? E como você sabe?” Seus olhos âmbar brilhavam. “Não deveria nem ser eu a te ensinar, na verdade. Neil é um espadachim melhor.”

Selena olhou para onde o guarda ruivo estava sentado ao lado de Jaime em um tronco caído, os olhos castanhos parecendo muito escuros naquele fim de tarde nublado. Quando Neil sorriu, covinhas apareceram em suas bochechas. “Sou um espadachim decente,” ele respondeu, modesto.

“O que deve fazer de mim apenas medíocre,” Adam replicou, e o sorriso que ofereceu para Selena era um pedido de desculpas. “E, nesse caso, sim, você é péssima.”

“Agradeço a sinceridade,” ela disse, a voz seca. Girou nos calcanhares, se voltando para onde Morzan a observava em pé, as costas apoiadas contra uma árvore alta, e abriu os braços em rendição. “Claramente não serei muito útil para você.”

Ele riu baixinho. “Não desista de si mesma tão cedo, Selena.” Ele se desencostou da árvore, se aproximando com muita calma. “Está segurando a espada como te ensinei?”

Selena bufou, soprando alguns fios soltos de seu cabelo. “Estou tentando,” disse, “Mas não tenho certeza.”

“Deixe-me ver.” Morzan sorriu para ela, e, enquanto ajeitava seus dedos sobre o punho da arma, disse a Adam, “Selena parece sempre dizer que é péssima no que está aprendendo. Foi assim quando eu a ensinei a proteger sua mente, e agora já é quase tão boa quanto Jaime.”

Jaime franziu um pouco a testa ao ouvir aquilo, Selena reparou, mas, quando falou, seu tom foi leve. “Parece que logo não vai mais precisar de mim, meu senhor.”

Morzan olhou para ele por um instante, sua expressão um tanto exasperada, e examinou seu rosto antes de dizer, “Quase, eu disse. E não, não vou abrir mão de você tão cedo.” Ele voltou a atenção para Selena. “Você ainda precisa aprender a forçar seu caminho para a mente dos outros, no entanto, e é aí que Jaime é excelente. Vire-se.”

Selena obedeceu, ajeitando sua posição conforme ele instruía. Morzan usou um pé para mover suas pernas para os pontos certos, as mãos em sua cintura, em seus braços. Ela voltou o rosto para Jaime, tanto por curiosidade quanto para se focar em algo que não o corpo de Morzan, tão perto do dela. “Você é melhor em atacar a mente dos outros do que defender a sua própria?”

“Sou bom nos dois,” ele respondeu, lhe oferecendo um meio sorriso. “Mas sim.”

“Esperava que talvez fosse o contrário,” Selena admitiu. “Não que isso seja algo ruim, mas você sempre me pareceu um tanto... reservado.”

“É porque você tem passado muito tempo com Adam,” Jaime retrucou, “e ele não sabe quando parar de falar.”

Selena sentiu contra seu pescoço o sopro de riso de Morzan, e viu pelo canto dos olhos que ele balançava a cabeça. Adam, por outro lado, reagira às palavras de Jaime erguendo as sobrancelhas e levando uma mão ao peito como se ofendido, mas seu sorriso se mostrava no brilho em seu olhar. “Eu falo exatamente quanto preciso,” insistiu.

Ele não estava errado, Selena sabia, porque sentia que Adam nunca deixara escapar alguma informação importante quanto perto dela. Aquilo vinha mudando, também, desde que Morzan dissera aos guardas que ela iria com eles para a capital; era como se houvessem parado de tomar tanto cuidado com o que diziam.

E ter Jaime lhe dirigindo a palavra tão abertamente era algo muito novo e muito bem-vindo, algo que Selena estava determinada a aproveitar. “E você luta bem também?” perguntou a ele.

Jaime encolheu os ombros. “Bem o bastante. Nada extraordinário.”

“Selena,” Morzan interrompeu, sua voz baixa, porém firme. “Preste atenção.”

Ela olhou para ele por cima do ombro. “Estou me distraindo com eles para não me distrair com você,” disse, mantendo a voz baixa para que os guardas não ouvissem. “Está perto demais.”

A mão em sua cintura desceu um pouco. “É?” Ele sussurrou, e riu. Afastou-se mais uma vez, voltando ao lugar de onde vinha os observando, e instruiu, “De novo.”

Selena obedeceu com um suspiro, tomando cuidado para acertar a pose que vinha com tanta naturalidade a Adam. Ele esperou que ela o atacasse, num primeiro momento preocupado apenas em dançar para fora de seu alcance e se defender, seus passos leves e graciosos. Ela era menor que ele, mas começava a reparar que podia também ser mais rápida, se apenas se esforçasse.

Adam tinha anos de treinos de vantagem, no entanto, e bloqueava seus golpes com facilidade. E então ele atacou, rápido e sem aviso, e Selena parou sua espada apenas por sorte. Conseguiu repetir o feito uma, duas, três vezes, e então a parte da chata de sua lâmina bateu com força contra o braço de Selena, e ela deixou sua arma cair mais uma vez.

“Ai,” protestou, erguendo uma mão para o ponto onde sabia que encontraria um hematoma mais tarde.

“Desculpe,” Adam disse. Mas ele sorria, e elogiou, “Não foi nada mal.”

Selena não acreditou. “Se você diz.” Ela olhou para Morzan. “Já estou cansada, e toda dolorida também. Podemos parar por hoje?”

Ele voltou os olhos díspares para onde o sol ainda não tocava o horizonte. “Ainda está cedo, não acha?”

Ela sacudiu a cabeça. “Sei que me ver tentar treinar deve ser um ótimo entretenimento,” disse, ainda segurando seu braço, “mas estou mesmo cansada.”

“Se você insiste.” Morzan sorria. “Mas saiba que disciplina é ainda mais importante que habilidade.”

“É?” Selena perguntou, se abaixando para pegar sua espada do chão, e se dirigiu ao tronco onde Jaime e Neil sentavam. “Como nunca vi você treinar, então? Já chegou a um nível assim tão mais alto que o do resto de nós?”

Ela se sentou ao lado de Jaime, sua respiração ainda rápida, e ele lhe estendeu o odre que segurava nas mãos. Bebeu um gole da água deliciosamente fria, e voltou os olhos para Morzan para encontrá-lo a observando com interesse.

“Gostaria de me ver treinar?”

Neil deixou escapar um gemido baixo que se parecia um lamento muito dramático e Adam ergueu momentaneamente os olhos para o céu, mas Jaime só sorriu, se voltando para Selena para esperar sua resposta.

Ela hesitou apenas um momento. “Não seria uma má ideia, seria?” Perguntou. “Com certeza muito instrutivo.”

Neil parecer precisar de toda sua força de vontade para se levantar de onde estava sentado e ir entregar sua espada a Morzan para que ele cegasse o fio com magia – um feitiço temporário que ele usava apenas para treinos, e que depois desfazia com facilidade.

“Eles vão se ressentir disso, você sabe,” Jaime lhe disse.

Selena lhe lançou um olhar indagador, tomando mais um gole d’água. “Por quê?”

“Porque não havia necessidade alguma de irem dormir cobertos por hematomas, não é? Mas tenho certeza que te perdoarão com o tempo.”

Selena empinou o nariz. “Adam bateu com força no meu braço,” replicou. “É apenas justo.”

“E Lorde Morzan vai curar quaisquer machucados encontrar em você hoje à noite, tenho certeza.” Mas Jaime sorriu, tranquilo. “Não se preocupe; eles já passaram por coisas piores.”

Ele olhava para onde Morzan falava baixo com Adam e Neil, e não se perturbou quando seu senhor olhou para onde os dois estavam sentados. “Jaime?” Morzan perguntou, quase em um convite.

“Eu preferiria manter distância de você e de sua espada, meu senhor,” Jaime respondeu, negando com a cabeça. “Se não for um problema.”

Morzan achou graça, sua risada alta ecoando pelo pequeno acampamento. A alguns metros de distância, o dragão vermelho que parecera adormecido abriu um olho negro para observar seu Cavaleiro.

“Como queira,” Morzan concedeu, ainda sorrindo.

Ele desembainhou Zar’roc – e Selena se maravilhou mais uma vez com como a lâmina da espada carmesim parecia iridescente na luz do sol poente – e correu as pontas dos dedos sobre o fio, murmurando um feitiço.

“Ele te deixa não participar porque você é o capitão da guarda?” Selena perguntou.

“Isso também.”

Ela entreabriu os lábios em surpresa quando Morzan fincou Zar’roc no chão e tirou a camisa, a jogando na direção dela sem qualquer cerimônia. Muito atordoada para reagir a tempo, Selena teria deixado a vestimenta bater contra seu rosto se Jaime não houvesse erguido a mão para pegá-la num último instante. Ele apertou os dedos como se para sentir o tecido, as sobrancelhas ligeiramente franzidas, antes de entregar a camisa para Selena. “Aqui.”

“Obrigada,” ela agradeceu, embora ele só a tivesse salvado de um leve constrangimento. “Eu...”

“Se distraiu,” Jaime completou. E explicou, “Ele sempre treina sem camisa.”

“Sim,” Selena conseguiu dizer, corando um pouco. Não se surpreendia por Morzan não se incomodar com o frio. “É uma pena que ele não esteja lutando contra mulheres, acho. Vencer seria ainda mais fácil.”

“Não é?” Jaime sorriu. “Embora eu tenha certeza que ele esperaria um pouco mais de autocontrole de seus oponentes. Um pouco de foco.”

Estaria ele a repreendendo? Selena corou mais forte. “Certo,” disse baixinho. “Foco.”

Voltou os olhos para Morzan, e prendeu a respiração quando os guardas se moveram na direção dele – os dois ao mesmo tempo, em movimentos rápidos e precisos definitivamente mais perigosos que os que Adam dirigira a Selena mais cedo. Mas Morzan só dançou para longe do alcance de Neil, se movendo rápido demais para que ele acompanhasse, e Zar’roc traçou um arco para baixo para se encontrar com uma das pernas de Adam.

Selena fez uma careta só de imaginar a pancada.

Não só que a técnica de Morzan fosse melhor que a de seus guardas – muito embora fosse – ela julgou, mas também que ele parecia apenas um pouco mais rápido, um pouco mais forte, seus movimentos demasiado graciosos para um humano comum. E foi ao observá-lo lutar que Selena se lembrou mais uma vez de que o homem com quem dormia era antigo, poderoso, de que havia partes dele que ela provavelmente nunca entenderia.

Arriscou olhar para Jaime e viu que o capitão da guarda acompanhava a luta com os olhos verdes quase saudosos. Ele a percebeu observando e se voltou para ela com um meio sorriso em seus lábios, e comentou, “Extraordinário, não é?”

“Sim,” Selena concordou baixinho. “Ele é.”

Notas finais
Gostaram? Nos vemos nos comentários!! (Fantasminhas, vocês podiam aparecer para me dar um oi e um feliz aniversário atrasado, não é? Eu amo vocês, e amaria saber quem é realmente que está aí.)